Capitulo 24
Por Hanna
Finalmente havia chegado dia do tão aguardado aniversário de cinco anos da minha filha. Eu corria de um lado para o outro naquele imenso espaço onde estava sendo realizado o aniversário da Gabriela. O local já estava lotado por crianças que corriam e brigavam livremente, além dos pais que os acompanhavam. Quase todos convidados era amiguinhos da escola de Gabriela, e outros do condomínio onde moramos. Era o primeiro aniversário em que ela realmente entendia o que era uma festa de aniversário, e também aquele que ela havia dado opinões claras sobre o que queria, por isso a impecável decoração estava completamente de acordo com aquilo que ela havia pedido, e no fim das contas, achei tudo lindo. Aquele também era o primeiro aniversário de Gabriela que contava com a presença de Marcela, o que me deixava muito feliz.
Nos últimos dias minha relação com Marcela estava ótima, depois que contamos para Gabi que estávamos namorando não existia motivos para conflitos entre nós. Marcela era sempre muito atenciosa, não apenas comigo mas com a Gabi também e isso de fato era algo maravilhoso, era como viver um sonho.
Enquanto Gabriela estava se divertindo e brincando com seus amiguinhos, eu recepcionava os convidados, além de verificar se estava tudo nos conformes. Minha irmã e minhas amigas estavam sentadas em uma das mesas reservadas para a família, mas a única que ainda não havia chegado era justamente a minha namorada e sua família. Eu estava nervosa pois desde que iniciamos nosso namoro aquela seria a primeira vez que estaria frente a frente com a família Bettencourt. Marcela era filha única, então quando aconteceu todo aquele problema no passado, eu fiquei sabendo pelas minhas amigas que seus pais tinham ficado muito chateados comigo e por verem o sofrimento da filha, e isso agora me fazia sentir um frio na barriga pensando em como seria a reação deles ao nosso namoro.
Tomara pelo cansaço e ansiedade, fui em direção à mesa das minhas amigas e sentei um pouco.
– Meu Deus, a festa ainda nem começou direito e você já está com essa cara de derrotada. – Robson falou penalizado.
– Antes fosse pela festa, cunhado. Acho que meu problema vai além disso tudo.
– O que aconteceu? – Minha irmã perguntou.
– Os pais de Marcela... – Mordi meus lábios sem conter o nervosismo. – Eles vem com ela, e essa será a primeira vez que vamos nos ver depois que nós duas voltamos a namorar. Eu realmente não sei como vão reagir.
– Bom, mas isso não pode ser tão ruim. Não é como se você fosse conhecê-los pela primeira vez. – Robson disse tentando parecer otimista.
– Mas depois de tudo o que aconteceu a anos atrás, é a primeira vez que serei apresentada como namorada da filha deles.
– É cunhadinha, sinto muito dizer, mas pensando por esse lado você está muito ferrada. Vai ter que reconquistar os sogros. Ainda bem que os meus sempre me adoraram. – Ele disse com convencimento.
– Obrigada, Robson. Amigão você, hein? Me sinto bem melhor agora. – Falei debochada para meu cunhado que sorria de mim.
– Pensa pelo lado positivo. – Dani falou, e eu esperei a pérola que ela soltaria. – Vocês estão em uma festa infantil. Não tem como rolar uma cena melancólica ou coisa assim.
– Verdade! Sem falar que Marcela jamais os traria sem contar antes que vocês estavam juntas, e ter certeza que isso não seria um problema. – Renata tentava me acalmar com aquele jeito prestativo de sempre. – Fica calma, Hanna. Vai dar tudo certo. Você está se preocupando atoa.
– Eu só queria entender o porquê dela estar demorando tanto. Ela me avisou que precisava ir buscar o presente da Gabi, mas isso já tem um tempo.
– Acho que você já pode ficar tranquila ou surtar de vez. – Olhei para Robson sem entender. – Marcela acabou de chegar com seus sogros e... O que é mesmo que ela vai dar de presente à Gabi?
Olhei para a entrada e vi o casal Bettencourt logo atrás de Marcela, que estava carregando com dificuldade um.... não era possível... Marcela estava mesmo carregando um carro Range Rover rosa todo motorizado em tamanho kids? Acho que meu queixo caiu.
– Eu preciso admitir… Marcela sabe escolher um bom presente. Será que no meu aniversário ela pode me dar um desse em versão adulto? – Daniela falou arrancando gargalhadas de todos.
Fui em direção à minha namorada que passeava os olhos pelo local.
– Eu não acredito que esse era o presente que você não quis me contar. – Eu ainda buscava processar o que estava vendo.
Marcela me olhou com um sorriso que mal cabia em seu rosto, parecendo empolgada com o próprio feito.
– Será que ela vai gostar?
Eu olhava aquela miniatura de carro que cintilava de tão brilhante que era.
– Você só pode estar de brincadeira com a minha cara. Ela vai amar isso! Mas Marcela, você é louca? Isso deve ter custado uma fortuna. – Meus olhos alternaram de Marcela para seus pais que em silêncio observavam nossa conversa.
Marcela percebeu meu nervosismo diante dos pais, e veio para o meu lado. Seus braço contornaram minha cintura com posse, ao mesmo tempo que seus lábios tocaram meu rosto com carinho. Claro que amei aquele gesto, mas não pude deixar de ficar envergonhada por estar diante dos mais velhos.
– Sejam bem vindos, senhores Bettencourt. Fico realmente feliz por aceitarem o convite. – Falei com a voz trêmula, e Marcela abafou a risada, o que me fez dar uma cotovelada em suas costelas.
– Ora, quanta formalidade Hanna. Falando assim nem parece que nos conhecemos a anos. – Ruborizei com aquela fala da minha sogra. – Venha me dar um abraço. – A senhora abriu os braços, e mesmo morrendo de vergonha fui em sua direção para atender ao pedido.
– Eu também quero um abraço, caso contrário vou achar que você gosta mais da sua sogra do que do seu sogro.
Ok! Aquilo estava fora do roteiro. Mas acho que eles estavam disputando quem iria primeiro conseguir me fazer queimar de vergonha.
Levemente constrangida, abracei o pai de Marcela que me apertou forte por breves segundos.
– Tá bom! Já chega vocês dois. – Marcela me puxou de volta para seus braços. – Vocês estão deixando minha namorada igual um camarão. – Escondi meu rosto em seu pescoço.
– Amor, deixa eles. – Minha voz saiu baixa, mas tenho certeza que eles ouviram, pois minha sogra sorria para mim com satisfação.
– Vocês realmente fazem um casal muito lindo, mas não queremos ficar aqui vendo esse chamego. – Meu sogro falou de forma divertida. – Quero conhecer a pequena Gabriela.
– É verdade! Onde está a Gabi?
Vaguei meus olhos pelo ambiente tentando localizar minha filha. E logo a vi com a Micaela, que parecia esperar o momento certo para mandar a pequena em nossa direção.
– Olha ela ali. – Apontei para onde elas estavam e fiz um gesto para Micaela, que cochichou no ouvido de Gabriela e apontou em nossa direção.
Quando os olhos de Gabriela focaram na nossa direção, não demorou nem meio segundo para ela correr com um sorriso no rosto, porém seus braços abertos não foram estendidos para mim, mas sim para minha namorada que agora se abaixava para receber minha filha em seus braços.
– Feliz aniversário, meu amor. – Marcela falou enchendo a criança de beijos, que em resposta sorria escandalosamente. – Olha só o seu presente. – Minha namorada mostrava com orgulho o carro que ela tinha colocado ao lado da caixa de presentes.
Nem preciso dizer que Gabriela enlouqueceu quando viu o carro. Ela simplesmente pulou dentro do brinquedo enquanto seus olhos brilhavam.
– É meu? – Ela perguntava com um misto de felicidade e ansiedade. – Eu vou poder sair com ele no parquinho?
– Vai poder sair sempre que quiser no parquinho e na área de lazer lá do meu condomínio. Lá é bem grande, e você pode ir sempre que quiser para lá. – Marcela parecia ainda mais feliz do que a criança.
Gabriela saiu de dentro do brinquedo e voltou a pular nos braços de Marcela novamente.
– Obrigada, mãe Marcela. Esse foi o melhor presente de todos que ganhei hoje.
Minha filha enlaçou seus braços no pescoço de Marcela que assim como eu, parecia paralisada. Aliás, não somente nós, mas seus pais também estavam tomados pelo o choque proporcionado pela inesperada fala da menina.
– Voc-Você me chamou de quê, Gabi? – Marcela perguntou me causando medo dela não ter gostado daquela atitude da minha filha.
– Desculpa! Não pode chamar de mãe? – Gabriela adotou um olhar triste e meu coração ficou partido sem entender muita coisa naquele instante.
– Ei, minha princesa. Você não precisa pedir desculpas. – Marcela falava com uma voz doce atraindo atenção da minha filha que antes minha o olhar no chão. – Olha para mim, Gabi. – A pequena fez o que Marcela pediu. – Você gostaria de me chamar de mãe, ou foi sem querer?
– Eu queria chamar assim. Eu amo a senhora, e quero ter duas mamães. Posso ser sua filha também?
Não consegui segurar as lágrimas que escorreram pelos meus olhos. Aquilo era algo inesperado, mas visivelmente muito verdadeiro. Vi Marcela tão emocionada quanto eu estava, e ao mesmo tempo feliz. Nesse instante só consegui sentir paz no coração.
Enquanto deixávamos as duas resolverem aquele diálogo, meus sogros olhavam atentamente para a cena, e fiquei me perguntando o que eles pensavam sobre isso.
– Você é o maior presente que a vida me deu, meu amor. – Marcela olhou para mim e sorriu. – Você e sua mãe. Eu tenho o maior orgulho de ter uma filha linda como você. – O sorriso doce da minha filha surgiu. – Deixa eu te apresentar duas pessoas muito especiais para mim. Esses são meus pais: dona Isabel e Sr. Marcos.
Minha filha olhou com timidez para meus sogros que sorriam largo para ela.
– Muito prazer em te conhecer, Gabriela. Sabia que a Marcela fala muito de você?
Me coloquei mais próxima de Marcela e Gabriela para passar confiança a menina.
– A senhora é tão bonita quanto a mãe Marcela. – Gabriela disse com doçura, e automaticamente minha sogra sorriu abertamente. Pude ver o exato momento que seus olhos brilharam para minha filha.
– Estamos muito felizes em ter você na nossa família, princesinha. Será que você pode me dar um abraço? – Meu sogro estendeu os braços e Gabriela olhou para Marcela e para mim como se pedisse permissão.
– Vai lá, meu amor. – Eu falei fazendo um carinho em seu rosto.
Então, confiante de que era seguro, Gabriela passou dos braços de Marcela para o do seu pai.
Marcela se colocou atrás do meu corpo me abraçando carinhosamente e pousando seu queixo em meu ombro enquanto assistíamos a interação entre os três.
– Sabe Gabi, se você é filha da nossa Marcela, então já pode nos chamar de vovó e vovô. – Sr. Marcos falou alegremente, e minha filha pareceu ficar eufórica.
– É sério? Eu vou ter mais vovôs?
Todos sorrimos com a empolgação verdadeira da menina, e Marcela cochichou em meu ouvido...
– Nunca te contei que o sonho deles era ter netos? – Acenei em negação, e ela me beijou no rosto. – Olha lá a cara de babão do meu pai.
Olhei para o mais velho dos Bettencourt que parecia radiante com minha filha em seus braços enquanto lhe explicava alguma coisa do carro que ela havia ganhado. Minha sogra se aproximou um pouco mais de nós, tão radiante quanto o homem à minha frente.
– Obrigado por esse presente que está nos dando, Hanna. Seja bem-vinda de volta à família.
– Eu que agradeço a vocês por me receberem tão bem. Não sei como expressar o que estou sentindo com isso tudo. – Me aninhei ainda mais nos braços da minha namorada. – Dessa vez, se depender de mim, estou na família para ficar.
Minha sogra sorriu ainda mais e Marcela me apertou em seus braços.
Por Marcela
A festa da Gabi estava chegando ao fim, mas a menina estava com uma energia de dar inveja. Eu e Hanna estávamos sentadas com nossas amigas, enquanto meus pais tinham se enturmado com os pais da minha namorada e conversavam alegremente em outra mesa próximo à nossa. Hanna estava com a cabeça deitada em meu ombro e fazia um carinho em meu braço, enquanto ouvíamos as histórias malucas que Daniela contava. Eu ainda tentava processar tudo o que havia acontecendo hoje. O fato de ser chamada de mãe por Gabriela, aqueceu meu coração de uma forma até então desconhecida. Naquele momento percebi que antes mesmo de ser chamada assim, eu já nutria um amor maternal pela pequena, mas saber que ela também queria isso de mim era algo que me deixava com uma felicidade que não cabia em meu peito.
– Um beijo por seus pensamentos. – Ouvi o sussurro de Hanna em meu ouvido enquanto seus dedos longos acariciavam minha nuca. Um simples gesto que me levava à loucura.
Olhei para minha namorada e não pude deixar de sorrir. Ela era linda, mesmo quando parecia exausta. Fiz um breve carinho em seu rosto que se iluminou com o contato.
– Estava apenas pensando em como estou feliz nos últimos tempos. Você e Gabriela me trouxeram de volta à vida. – Seu sorriso iluminou tudo à nossa volta.
– Ei, vocês duas poderiam parar de nos proporcionar essas cenas melosas? É muito mel para minha diabetes. – Daniela falou arrancando risadas de todos que estavam à mesa.
– Você é uma chata, sabia disso? – Eu retrunquei, mas a mulher de cabelos curtos pareceu não se importar.
– Deixa elas, Dani. Estão curtindo a melhor fase da paixão, mas depois que essa fase acabar, se a Hanna puxar a irmã, Marcela está ferrada. – Robson falou e levou um tapa de Micaela, que estava ao seu lado. – Viu só, eu falei.
– Eu já estou começando a ficar preocupado também. – Guilherme falou atraindo um olhar mortal de Renata. – O início do casamento está ótimo, mas essa mulher de TPM, meu amigo, só apelando para todos os santos.
– Você não caia na onda do Robson não, eu nem estou de TPM, mas te ponho para dormir no sofá. – Guilherme se assustou com a voz séria de Renata.
– Meu amorzinho, eu estava brincando. Vem cá me dar um beijo.
– Mas é muito panaca mesmo. – Daniela falou debochada. – Dê moral para Renatinha agora, e depois você será um homem ferrado.
– Daniela, no dia que você cair de amores por alguém, eu vou debochar tanto da sua cara, mas tanto, que você vai se arrepender dessas piadinhas, porque tenho certeza que você vai ser mais trouxa do que eles dois juntos. – Micaela desdenhava da nossa amiga, mas Daniela era cara de pau demais para se afetar com essas coisas.
– Sinto muito por decepcioná-la minha amiga, mas esse dia nunca vai chegar. Eu sou bicho solto, esqueceu? Não vou me prender a ninguém.
– Você é uma galinha, isso sim. Não tem vergonha de iludir os corações de homens e mulheres com quem você vive se agarrando? – Hanna perguntou.
– Por que vergonha, meu bem? A vida é passageira demais para não ser bem aproveitada. Além disso, eu nunca prometo que haverá um depois.
– Você não presta, Daniela. Quero Marcela longe de você nessas saídas que você dar por aí. – Minha namorada se aninhou ainda mais me abraçando possessivamente.
– Não se preocupe, meu amor. Eu sou só tua. – Garanti e beijei o rosto de Hanna, causando uma cara de tédio em todos ali em volta.
– EU... SOU... SÓ... TUA... – Pausadamente, Daniela me imitou com uma voz de criança e repetiu o que Marcela havia dito. – Que decepção Marcelinha, e eu achando que você era a única que tinha salvação aqui.
Todos na mesa sorriam, menos minha namorada que parecia querer matar nossa amiga.
– Eu ainda estou surpresa com essa relação de vocês. Não que eu não soubesse que isso aconteceria, porque estava meio óbvio, mas estou surpresa pelo fato de como tudo está sendo conduzido sem se matarem todo dia. – Renata falava para nós duas.
– Passamos dessa fase, não é amor? – Hanna me olhava com paixão, e eu apenas concordei com a cabeça.
Não tive muito tempo para raciocinar, quando vi já estava sendo enlaçada pelos pequenos bracinhos em volta do meu pescoço. Gabriela havia subido em meu colo com tanta rapidez que até mesmo Hanna se afastou do meu corpo se assustando momentaneamente.
– Mãe, eu tô com sono. – Gabriela falou pousando a cabecinha em meu peito, e uma sensação maravilhosa me invadiu.
– Mãe? – Micaela perguntou espantada olhando de mim para Hanna, como se esperasse uma explicação.
Todos na mesa pareciam espantados, mas Renata tinha um sorriso estampado em seu rosto como se estivesse vendo a coisa mais linda do mundo.
– Ela nos surpreendeu hoje chamando a Marcela de mãe. – Hanna passou a mão no cabelo da filha, que estava realmente começando a ficar sonolenta.
– Também ficamos surpresas com isso, mas é algo que realmente me encanta e me deixa muito feliz. – Falei olhando especificamente para Micaela, que parecia processar tudo o que ouvia. – Não se preocupe Mica, eu não tenho a menor intenção de machucá-las.
– Não tenho dúvidas disso, Marcela. Eu só fui pega de surpresa. É algo muito... Uau! – Ela parecia realmente em choque.
– Se lascou de vez, Marcelinha. Você sabe onde isso vai parar não sabe? Você vai ser acorrentada, minha amiga. Tenho pena de você, aguentar três Prado na sua vida para sempre, é coisa de doido. – Daniela sempre conseguia melhorar o clima mesmo quando o assunto era sério.
– É muito cedo para falarmos disso, Dani. Vai com calma. – Eu falei para minha amiga e voltei minha atenção para Hanna.
– Amor, vamos cantar logo o parabéns antes que a Gabi durma de vez.
– Viu? Já estão até conectadas como casadas. Meu Deus, só eu tenho juízo nessa vida.
Dessa vez minha namorada jogou em Daniela alguma coisa qualquer que tinha sobre a mesa, e todos riamos da implicância das duas.
Depois que a festa acabou não demorou muito para Gabi adormecer no colo de Robson. Ajudei Hanna a guardar no carro todos os presentes e alguns doces que haviam sobrado. Naquela noite infelizmente eu não poderia levá-las para casa, pois precisava levar meus pais, mas Micaela e Robson fariam isso me garantindo que chegariam em segurança, o que eu sabia que certamente aconteceria. O que eu não gostava mesmo, era precisar me afastar das duas. Se dependesse do meu coração, eu não me afastaria de mãe e filha por um só segundo nunca mais em minha vida.
Por Hanna
Semanas depois
Às vezes eu parava para pensar, e não poderia me sentir mais agradecida ao destino por trazer Marcela de volta para minha vida. A cada dia, eu tinha mais certeza que queria passar todos os dias da minha vida ao lado dela, especialmente agora que nós estávamos vivendo nossos melhores momentos. Minha filha a amava tanto quanto eu. Era como se Marcela tivesse uma espécie de imã que nos atraísse para ela a todo momento. Algumas brigas bobas surgiam, mas todas eram sem importância e facilmente resolvíamos com uma boa conversa.
O fato é que depois de todo o inferno que vivi no passado, finalmente eu me sentia livre dos meus fantasmas e pronta para viver sem tormentos, mágoas, medos ou culpas. Eu me sentia livre, amada e principalmente pronta para uma relação mais estável com Marcela. Às vezes me questionava se era cedo demais para pensar em algo além de namoro. Marcela em nenhum momento falou sobre isso comigo, então eu também preferia não tocar no assunto por enquanto, mas esse era um pensamento que me rodeava constantemente. Eu queria Marcela a todo momento comigo, sentia sua falta quando não podíamos dormir juntas, ou quando passávamos a semana na correria e nos faltava tempo para nós duas. Eu sentia também que já havia perdido tempo demais da minha vida longe daquela mulher. Apesar de pouco tempo de namoro, eu sentia que o amor que tinha por ela não era passageiro. Mas de qualquer maneira, eu compreendia que talvez para ela fosse uma coisa que só com um tempo pudesse acontecer, e respeitava isso. Talvez ela quisesse curtir o momento como estávamos e isso para mim já era muito bom. Eu estava certa que não podia haver nada que atrapalhasse aquele momento feliz das nossas vidas.
Eu estava finalizando umas documentações da empresa quando escuto batidas na porta, autorizei a entrada e vejo um dos seguranças da empresa entrando. Fiquei completamente perdida, primeiro pela presença do homem, segundo pelo conteúdo que ele trazia nas mãos.
– Desculpe-me por incomodá-la, mas mandaram entregar isso para a senhorita.
Eu não acreditava no que estava vendo. Era um lindo buquê de rosas vermelhas. Peguei o buquê com o coração palpitando de felicidade, concluindo que Marcela só podia estar querendo fazer uma surpresa.
– Obrigada!
O segurança se retirou, e eu comecei a vasculhar entre as rosas em busca de um cartão que não foi difícil achar.
“Existem coisas na vida que por mais que a gente tente, o destino não nos permite esquecer. Essas flores são para você ter certeza que sempre está presente em meu pensamento.”
Anônimo
A mensagem fez meu coração bater mais forte no instante em que meu pensamento voou em direção à Marcela, imaginando que seria ela escrevendo aquilo, mas logo o sorriso se desfez quando percebi que aquela não era a letra da minha namorada. Procurei novamente por uma assinatura inexistente, mas bem no cantinho do cartão em letras menores estava escrito “anônimo”. Definitivamente Marcela não assinaria dessa maneira.
Li e reli a mensagem diversas vezes. Meu coração estava acelerado e o buquê que outra hora achei lindo, agora estava jogado sobre minha mesa. Eu tentava a todo custo buscar na memória alguém que pudesse ter feito aquela brincadeira de mal gosto, mas ninguém me parecia ser óbvio.
Enquanto eu tentava desvendar o mistério por trás das flores, Bianca entrou na sala com um sorriso no rosto, mas logo seus olhos encontraram os meus.
– Nossa, Hanna. Aconteceu alguma coisa? Você está pálida. – Ela se aproximou de mim segurando minha mão que estava trêmula. – Vem, senta aqui nessa cadeira. Você quer uma água? – Neguei em silêncio. – Quer que eu chame alguém? – Neguei novamente e então me virei em sua direção.
– Acabei de receber esse buquê. – Apontei para a mesa e ela seguiu meu olhar.
– Uau, são lindas! Sua namorada tem bom gosto. Por isso está assim?
– Estou assim porque não foi ela que mandou. Alguém mandou de forma anônima.
A morena pareceu pensar por um instante tentando processar a informação.
– Isso significa que você tem um admirador. Ou pode ser uma admiradora também. – Ela deu de ombros como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
– Isso significa que tenho um problema. – Adverti. – Você sabe alguma coisa sobre isso? – Ela se assustou com a pergunta e lhe fitei bem os olhos.
– Eu? Claro que não! Eu acabei de chegar. Por que eu saberia de algo assim?
Não disse nada, apenas fiquei analisando a garota à minha frente que não desviava os olhos dos meus. Eu só poderia estar viajando, Bianca não parecia o tipo de garota maldosa que faria algo para atrapalhar a vida de qualquer pessoa. Além disso, ela sabia que eu estava com Marcela, e nunca me soltou nenhuma indireta ou qualquer coisa desagradável.
– Certo! Me faça um favor, Bianca. Suma com isso da minha sala, e não conte para ninguém o que aconteceu aqui. Eu vou à sala da minha irmã.
– Hanna, eu não acredito que vai jogar rosas tão lindas fora pelo simples motivo que não foi sua namorada que mandou.
Me voltei novamente para a garota, dessa vez adotando uma postura um pouco mais rude mesmo que sem querer.
– Bianca, a mim só interessa coisas que venha da minha mulher, então por gentileza só faça o que mandei.
Peguei o maldito cartão e sai da minha sala batendo a porta com certa força. Eu ainda tentava me recuperar daquela situação e dei graças a Deus, por hoje Marcela não estar na empresa. Ela tinha ido fazer uma auditoria junto com Renata, e não voltaria tão cedo, o que me daria tempo para pensar.
Entrei na sala da minha irmã sem ao menos bater, e isso atraiu seus olhos para minha direção claramente me recriminando pela falta de educação.
– Desculpa Mica, mas o assunto é sério. – Sua postura suavizou e logo ela adotou preocupação.
– O que aconteceu? É algo com a Gabi?
– Não! Está tudo ótimo com ela. – Falei nervosa.
– Fala de uma vez, Hanna. Você está me preocupando.
– Veja isso! – Joguei o cartão em sua direção.
Vi Micaela adotar uma expressão séria e ao mesmo tempo preocupada.
– O que significa isso? Como isso chegou até você?
Contei para minha irmã todos os detalhes, e ela parecia ficar ainda mais preocupada.
– Hanna, você pelo menos tem uma ideia de quem poderia ter te mandado isso?
– Claro que não! De início eu pensava ser a Marcela, mas como você pode ver, está assinado como anônimo. Ela não faria algo assim.
– Vamos chamar o segurança que levou o buquê para sua sala e perguntar quem entregou isso.
E assim fizemos! Chamamos o segurança e o mesmo nos informou que o buquê tinha sido entregue por um moto boy, mas que ele não o conhecia, já que não parecia ser da nossa região de trabalho. Nos informou que o rapaz não demorou na entrega, apenas informou para quem estava destinado e logo partiu garantindo que o pagamento da entrega já tinha sido feita.
– Isso é muito estranho. Antes da Marcela, fazia muito tempo que você não se relacionava com ninguém. Será que é alguém aqui de dentro que está interessada em você?
Minha cabeça voou para Bianca na mesma hora. Não que ela tenha me dado motivos para isso até hoje, mas Marcela sempre dizia que não conseguia confiar nela. Claro que eu achava aquilo apenas um ciúme bobo, mas agora fiquei me perguntando se tinha fundamento as desconfianças da minha namorada. Não, não poderia ser verdade. Eu teria percebido algo. Eu acho que estava ficando contaminada pelas ilusões da minha namorada.
– Bianca? – Minha irmã pareceu questionar o mesmo que eu estava pensando.
– Você acha que poderia ser? – Perguntei para Micaela que me fitava pensativa.
– Bom, eu não a conheço direito, mas você deve ter uma noção melhor. Marcela vive implicando com ela, e do jeito que você é lerda, vai ver ela já deu indícios e você não prestou atenção.
– Ei, eu não sou lerda. – Protestei, mas ela não se abalou.
– Hanna, fique atenta às pessoas próximas a você que possam se tornar suspeitas. Sei lá, que te trate diferente ou qualquer coisa do gênero. E tem mais, se prepare porque quando Marcela souber disso, ela vai derrubar esse lugar.
– Não se preocupe com isso, eu não vou contar.
– O QUÊ? Você enlouqueceu de vez?
– Isso, Micaela. Grita mais alto para todos poderem ouvirem. – Falei com ironia. – Eu não vou contar por enquanto. Primeiro quero tentar descobrir. Marcela já tem desconfiança com a garota, imagina ela sabendo disso? Vai logo criar besteira na cabeça dela. Do jeito que é impulsiva, é capaz de jogar a menina pela janela sem ao menos ter certeza se foi ela.
– Você só pode ter minhoca nessa sua cabeça. Se a Marcela ficar sabendo disso por boca de outra pessoa, eu nem quero imaginar o que vai acontecer.
De certa forma minha irmã estava certa, mas eu não queria correr o risco de brigar com minha namorada por algo que não significou nada para mim.
– Só nós duas sabemos disso. Bom, nós duas, o segurança e a Bianca. Eu não acho que ela vai contar nada.
– Hanna, Hanna, cuidado com o que você vai fazer. Vocês estão bem demais para colocar tudo a perder agora. – Minha irmã alertou sem esconder a preocupação.
Dias depois
Os dias haviam passado e nada de diferente tinha acontecido, eu sequer conseguia cogitar alguém para julgar ser responsável por aquele buquê de flores. Tudo estava na mais tranquila paz. Bianca se comportava normalmente, apesar de Marcela continuar implicando com a garota. Se bem que nos últimos dias, ela estava elogiando bastante a evolução profissional da menina. Eu já havia resolvido deixar essa história para trás, afinal eu não queria confusão com Marcela.
Cheguei ao trabalho junto com Marcela que havia dormido na minha casa na noite anterior.
– Amor, almoça comigo hoje? – Marcela falou me dando um beijo no pescoço antes de sairmos do carro.
– Pedindo dessa forma é impossível dizer que não. – Minha voz saiu mais rouca do que eu esperava.
– Não tenho culpa se não consigo resistir a você.
As mãos de Marcela passearam pelo meu corpo e quando percebi ela já tinha desabotoado minha blusa social, onde adentrou com facilidade para dentro do meu sutiã. Aquilo estava me deixando maluca, mas pelo amor de Deus, estávamos no estacionamento da empresa, por isso me esforcei para recobrar a sensatez.
– A- amor, Por Deus, nós estamos no estacionamento da empresa. – Minha voz saia falha enquanto meu corpo estava quente.
– Não se preocupe! O vidro do carro é escuro. Ninguém vai ver nada. – Minha namorada falava entre os beijos molhados que dava em meu pescoço que me faziam arrepiar inteira.
– Você me deixa louca, Marcela. – Busquei seus lábios iniciando um beijo intenso.
– Não mais que você a mim.
Foi tudo tão rápido que não deu tempo de processar nada. Quando percebi Marcela já tinha desabotoado minha calça social e seus dedos me penetravam com maestria que só ela conseguia. Eu estava completamente entregue àquela loucura. Sua boca ch*pava o bico do meu seio e seus dedos escorregavam em um vai e vem na minha entrada encharcada, ela alternava esses movimentos entre penetração e movimentos circulares em meu sex*. Eu até tentava controlar os gemidos, mas era algo praticamente impossível diante do prazer que minha namorada me dava.
– Quero que goze para mim, meu amor.
A voz rouca de Marcela sussurrada em meu ouvido foi o suficiente para me fazer estremecer em seus dedos enquanto rebolei do jeito que eu sabia que ela gostava. Sua boca alcançou a minha novamente, e nossas línguas se encontraram sem demora. Logo cheguei ao meu limite, e junto com um gemido abafado tive um orgasmo ainda com seus dedos dentro de mim.
Ficamos um pouco em silêncio enquanto eu buscava pelo fôlego que aquela mulher havia me tirado. Ela por sua vez me puxou para seu corpo e ficou ali abraçada comigo.
– Você é uma maluca, sabia disso? Nunca imaginei que fosse capaz de fazer algo assim. Meu Deus, em um carro e no estacionamento da sua empresa?
– Para te falar a verdade, nem eu nunca imaginei isso. Mas confesso que não estou nem um pouco arrependida. – Ela me olhou de um jeito safado e me roubou um selinho. – Você é muito gostosa tentando se conter. – Marcela começou a rir.
– Vai rindo! Essa você ainda me paga quando menos esperar, meu amorzinho. – Provoquei minha namorada piscando em sua direção enquanto minha mão desceu para o meio das suas pernas. – Mas isso não vai ser hoje. – Cortei o clima e ela me olhou indignada.
– É sério mesmo? Eu não acredito que você atiça e depois... Ah Hanna, você é impossível!
– Já estamos atrasadas amor, e você acabou comigo. Vou precisar de horas para me recompor.
– Que tal você ir se recompor lá na minha sala, hein? – Marcela já estava beijando meu pescoço novamente me fazendo arrepiar.
– Amor, o que deu em você hoje? Não faz assim. – Minha voz já adotava um tom mais rouco novamente e precisei de forças para fazer ela parar. – Chega! Vamos sair desse carro agora.
Marcela iria contestar minha decisão, mas se deu por vencida quando percebeu que o estacionamento estava começando a ficar movimentado. Minha surpresa foi quando vi alguém de longe nos observando sair do carro de Marcela. Era Bianca, que sem ao menos piscar, olhava em nossa direção. Era teria nos visto? Talvez sim, talvez não…. Única certeza que eu tinha, era que sua presença causava incômodo na mulher ao meu lado.
Fim do capítulo
Ótima semana para todas!
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