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A volta do amor que nunca se foi por priskelly

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Palavras: 2466
Acessos: 470   |  Postado em: 28/05/2026

Capitulo 23

Por Hanna

 

– Bom diaaaaaaa, mamãe! Acorda, acorda tia Marcela. 

Acordar com os gritos de Gabriela não era novidade para mim, mas acordar com gritos da minha filha na cama de Marcela, isso sim era algo bastante preocupante. Se bem me recordava, Marcela é do tipo que odeia acordar cedo no final de semana e, pior ainda, ela odeia ser acordada.

Olhei para a mulher ao lado que despertava lentamente tentando se acostumar com a luz do dia. Seus olhos abriam com dificuldade e fechavam diversas vezes. Droga! Gabriela precisava mesmo ter puxado o meu lado bagunceiro? Ela bem que poderia ser calma igual a tia dela, pelo menos um dia na vida.

– Xiiiiiu! Fica quieta, Gabriela. Você não está na sua casa.

– Mas a tia disse que vocês tão namorando, então aqui é nossa casa também, mamãe. 

Realmente ninguém poderia negar que essa menina era minha filha. Olhei para ela e foi impossível não sorrir com o argumento inteligente, mas o sorriso durou poucos segundos. Eu quase me desesperei quando vi Gabriela se jogando em cima de Marcela, igual ela fazia comigo quando queria me despertar de vez. 

– Tiaaaaa, acorda!

– Gente, parece que tem uma mocinha que já acordou ligada no 220 hoje. Alguém pode desligar essa pilha, por favor? – A voz de Marcela soou leve, porém sonolenta.

– A senhora é muito dorminhoca tia. A mamãe disse que acordar cedo faz bem para alma.

Marcela abriu só um olho buscando contado visual com os meus. Ela parecia indignada com o que ouviu.

– O quê? Eu precisava de alguma explicação para fazer ela acordar cedo e não dar trabalho para ir à escola. – Me defendi.

Marcela revirou os olhos já totalmente vencida pela insistência da minha filha. Mas nem de longe parecia brava. 

– Tá bom, tá bom. A tia já acordou, mas agora cadê meu beijo de bom dia, em mocinha? 

Pela primeira vez na vida eu vi Marcela de bom humor ao acordar cedo. Gabriela enchia Marcela de beijos no rosto enquanto estava sentada na sua barriga. Por sua vez, minha namorada sorria alegremente devolvendo o carinho que recebia da criança com a mesma empolgação. Tenho certeza que qualquer um que visse aquela cena, não duvidaria que éramos um família feliz, e meu coração se enchia de alegria em estar vivendo tudo aquilo. 

– Da filha eu já ganhei vários beijos. Mas será que eu não ganho um beijo da mãe não? – A voz provocativa de Marcela em meu ouvido me deixou arrepiada. 

– Claro que ganha! Quantos você quiser, na verdade. 

Percebi que Gabriela olhava atentamente para nós duas, então resolvi que talvez fosse mais prudente apenas um beijo no rosto, e foi isso que eu fiz. Me aproximei do rosto de Marcela e deixei um beijo demorado no local.

– Ah não! Tem que ser igual o tio Rob faz na tia Mica. É na boca mamãe, se não ela vai separar de você. Será que ele vai precisar te ensinar?

Marcela prendeu o riso, e eu apenas revirei os olhos.

– Você está ficando um mocinha muito esperta. Vou ter uma conversa com sua tia. – Apertei o nariz de Gabi que fez careta.

Me aproximei novamente do rosto de Marcela, e dei um selinho rápido. Acredito que independente da sexualidade, devemos preservar as crianças de presenciarem algumas cenas, mas um selinho não faz mal algum, afinal, é bom que ela se acostume e tenha em mente que não é errado uma troca de carinho em duas mulheres. Quero que minha filha cresça entendendo que diferente do que dizem lá fora, isso é natural, e que não existe erro em amar. 

– Melhor assim, mocinha? – Murmurei vendo minha filha sorrir parecendo satisfeita. 

– Agora sim, tá bom. – Ela respondeu animada e Marcela Gargalhou. 

– Anda logo vocês duas… Vão fazer a higiene matinal de vocês, que enquanto isso vou providenciar nosso café da manhã.

Falei e levantei da cama deixando as duas fazendo uma zona no local.

– Tia, pode me ajudar escovar o dentinho? – Do banheiro pude ouvir minha filha perguntar a Marcela.

– Claro, meu amor. Só temos um pequeno problema. Você vai precisar escovar o dente com uma escova de adulto, mas eu prometo que é só dessa vez, ok? Quando você dormir aqui outro dia, já vai ter tudo que você precisa. 

– Combinado! – Gabriela falou animada. 

Fui para a cozinha preparar o café da manhã enquanto as duas ficaram no banheiro cuidando da sua higiene. Não demorou muito para conseguir preparar um café da manhã quase decente. Marcela precisava urgentemente fazer compras, afinal de contas, pelo o que pude ver na geladeira e no armário só tinha besteiras naquela casa. O que não me surpreendia, considerando que Marcela só comia na rua.

Logo vi as duas entrando na cozinha. Ambas estavam com os cabelos molhados indicando que tinham tomado banho. 

– Que milagre! Como você conseguiu fazer para termos um café da manhã decente? 

– Boa observação, meu bem. Você precisa realmente fazer compras, aliás, você não se cuida, não é? Não quero você sem se alimentar direito, Marcela. 

– Relaxa, amor. Eu sempre como na rua. – Ela deu de ombros puxando uma cadeira para sentar. – Mas realmente preciso ir ao mercado e comprar algumas coisas para quando vocês dormirem aqui. 

Gabriela não saía dos braços de Marcela para nada, nem mesmo para tomar o seu café. Eu até que tentei fazer ela sentar em uma cadeira, mas minha filha era um ótima chantagista quando queria, e Marcela era muito trouxa por ela, então resultou que Marcela colocou Gabi no colo para tomarem café juntas. 

 

Por Marcela

Depois que Gabriela me acordou super agitada, ajudei a criança com o banho e depois a se vestir. A menina não parava de falar um só segundo, o que me fazia sorrir do seu jeito afobado de ser. 

Tomamos café da manhã entre conversas e risos, e percebi que não estava pronta para me separar das duas ainda. 

– Amor, que tal se nós chamarmos as outras para irmos à praia? 

– OBAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, EU ADORO PRAIA! EU QUERO MAMÃE, POR FAVOR, VAMOS SIM!

Olhei para Hanna, e era impossível não sorrirmos com aquela reação da Gabriela. Para a menina não existia tempo ruim. 

– Podemos ir sim, mas precisamos passar em casa primeiro para pegar nossas coisas.

– Então eu vou me ajeitar, e logo seguimos para sua casa. – Levantei deixando Gabi na cadeira e dando um breve selinho na minha namorada. – Enquanto isso combina com as outras, tá bom? 

– Ok! Vou ligar para elas.

Não demorou muito e já passamos no apartamento de Hanna para buscar as coisas das duas. Mas não pude deixar de ficar surpresa com o tanto de coisas que ela estava levando para praia.

– Pronto! Eu acho que agora já temos tudo que precisamos, e podemos ir. – Ela falou animada e eu seguia a olhando com olhos arregalados. 

– Nossa, pra que tudo isso? 

– Como para quê? Aqui tem tudo que precisamos, além disso, estamos levando uma criança conosco, então precisamos levar comida, água, brinquedos, toalhas, protetor... Mas relaxa amor, acho que peguei tudo. – Ela falou olhando novamente a enorme bolsa para conferir se estava certa do que dizia. 

– Ainda bem, né? Eu já estava pensando que iríamos nos mudar para a praia. – Zombei e recebi um olhar mortal da minha namorada, me fazendo entender que esse era o momento de irmos embora.

Em pouco mais de uma hora estávamos chegando à praia com uma Gabriela saltitante ao nosso lado. Eu e Hanna, segurávamos cada uma em uma das mãozinhas da Gabi, para que ela não saísse correndo e acabasse acontecendo um acidente. 

Não foi difícil encontrar onde as outras já estavam nos esperando, já que Daniela não fazia a mínima questão de ser discreta em qualquer lugar que ela estivesse. Cumprimentamos todas e, Gabriela correu em direção a Robson que a pegou no colo. Só naquele momento percebi o quanto a garota era ligada a ele, que por sua vez parecia ter um carinho imenso pela pequena. Fiquei feliz com isso quando conclui que Robson seria a imagem de pai que Gabriela teria. Ele era um bom homem, então minha princesinha estaria em boas mãos. 

– Tio Rob, tu nem sabe a novidade que eu tenho pra contar. – A pequena falava com alegria nos braços do marido de Micaela. 

– Então me conta Gabizinha, adoro uma fofoca. 

– A mamãe tá namorando a tia Marcela, igual tu namora a tia Mica. – Robson prendeu o riso enquanto Hanna ficou de boca aberta com a pequena entregando a notícia. – E nós até dormimos lá na tia, não foi mãe?

– É mesmo Gabi? E você gosta da mamãe ser namorada da sua tia Marcela? – Robson perguntou entrando na onda da criança.

– Eu gosto sim, tio. A tia Marcela me disse até que vai dar um irmãozinho para eu brincar.

– GABRIELA! – Eu e Hanna falamos juntas. Eu com desespero ao ver que Micaela me olhou imediatamente, e Hanna com indignação com a fofoca aumentada. 

– Vocês falaram sim, e agora eu quero um irmãozinho.

– Não foi bem assim, Gabi. – Falei tentando fugir do olhar intimidador de Micaela. – A tia só falou que um dia quem sabe, né? Mas isso não significa que ia ser agora. 

– É, foi isso mesmo. Mas um dia, eu vou ter um irmãozinho, tio. Ele vai ser lindo igual a mamãe e a tia. – Ela pontuou e Robson gargalhou ao ver meu desespero.

– Gente, eu já disse que amo essa garota? Vem cá pra tia te dar um beijo, Gabi. – Daniela pegou a menina no colo. – Conta para a tia Dani, a Marcela é muito bobona por sua mãe, né?

– Eu num sei o que é isso tia, mas elas beijou na boca que eu vi.

Meu Deus, eu queria um buraco para me jogar dentro! 

– AHHH... EU AMO ESSA CRIANÇA! – Daniela estava empolgada e se divertia enquanto, eu e Hanna ficávamos vermelhas igual lagosta. 

– Quer dizer então que o negócio é sério mesmo dessa vez? Já estão até dormindo juntinhas e planejando filhos. – Robson debochou e todas caíram na risada enquanto Hanna escondia o rosto no meu pescoço.

– É serio sim, Robson. A mulher me pegou de jeito. – Respondi com sinceridade.

– Marcela, vocês sempre foram uma da outra. Eu realmente estou feliz por finalmente vocês terem se acertado. – Ele parecia verdadeiro. 

O resto do dia na praia estava sendo muito agradável. Gabriela estava animada enquanto construía um castelo de areia, e nós conversamos sobre tudo e nada, além de sorrir com as loucuras ditas por Daniela. 

– Olha só quem estar por aqui.

Paralisei quando ouvi a voz da ruiva que parava bem na frente de Daniela.

– Yasmin, que saudades minha deusa ruiva! Tudo bem? 

Daniela levantou para cumprimentar a amiga, que estava usando com um biquíni branco minúsculo. 

– Tudo ótimo, e com vocês? – Ela cumprimentou todo mundo, e eu podia sentir os olhos de Hanna queimando meu corpo. – Marcela, quanto tempo. Não nos vimos desde o dia da festa da amiga de vocês. 

– Oi, Yasmin. Pois é, eu andei muito ocupada durante os dias que Renata ficou fora.

Hanna veio em minha direção e sentou em meu colo. 

– Entendo! Mas por favor, qualquer dia desses vamos marcar alguma coisa para colocar o papo em dia. – A mulher falou com um sorriso maior que a boca, provavelmente se divertindo com o comportamento possessivo da Hanna. 

– Ah sim, claro. Qualquer coisa eu te ligo e a gente combina. – Sorri amarelo para ela, e senti um beliscão em minha costela. 

– Vejo que vocês conseguiram se resolver. – Ela falou agora olhando para Hanna. – Fico realmente feliz por vocês. Mas cuida direitinho, Hanna. Sabe como é, sempre tem alguém querendo a vez. Se sou eu, pego sem pedir direito de resgate.

– Ai caramba, agora o tempo fecha. – Ouvi Micaela resmungar baixinho.

– Ah, que conselho admirável. Você é mesmo uma fofa. Mas não se preocupe, querida. Estamos muito bem e imunes a olho gordo. Não é mesmo, amor? 

Senti outro beliscão na costela. 

– Uhum! Muito bem. – Sorri amarelo sem conseguir conter a dor. 

Hanna me deu um selinho diante do sorriso debochado da ruiva que estava nitidamente apenas implicando com a loira.

 – Sinto muito, querida. Mas acho que nem nos seus sonhos você terá chance com essa mulher. Ela sempre foi minha, e eu não pretendo soltá-la de jeito nenhum, então só lamento por você.

Yasmin sorriu ainda mais. Era notório que ela estava se divertindo. Aliás, não só ela, mas Robson e Daniela também. 

– Muito bem! É assim que tem que ser. Adoro mulheres que são totalmente segura de si. Marcela não é mulher para se jogar fora, então fica esperta loirinha. – Ela piscou o olho para Hanna, e eu poderia sentir o quanto minha namorada estava irritada com a audácia. – Bem, eu preciso ir pessoal. Até qualquer dia desses. 

A Ruiva foi embora e acompanhei com o olhar até sentir os tapas em meu ombro. 

– Aiiii, tá doida mulher? Isso dói!

– Você é muito cara de pau mesmo, Marcela Bettencourt. Por acaso você perdeu algo ali, ou só vai comer essa ruiva sem sal com o olhar? – Ela perguntou com fúria enquanto eu tentava segurar suas mãos.

– Mas eu não fiz nada. – Foi só o que consegui dizer.

– Não seja sonsa. Eu vi você olhando a bunda dela, Marcela. E que história é essa de ligar e marcar algo?

– Amor, eu disse isso só por educação, mas claro que não vou ligar. Para de me bater mulher! 

– Se eu te pegar de conversinha com essa ruiva do inferno, eu acabo com sua raça, Marcela. – Os olhos de Hanna eram puro fogo. 

– Own amor, vem cá. – Puxei Hanna para tentar dar um beijo, mas ela recusou. – Amorzinho, você é única para mim. Dá um beijo aqui, dá. 

– Droga, você é muito safada mesmo. Mas eu te amo, e não consigo resistir a você. 

Hanna acabou cedendo o beijo enquanto os outros gargalhavam ao nosso lado. 

– Minha gente, eu nunca pensei ver Marcela tão trouxa por uma mulher assim. – Daniela falou entre risos.

– E eu que nunca vi a Hanna assim? É muito estranho, mas confesso que é divertido.

Micaela também nos zoava e eu apenas dei de ombros. Nada me importava quando eu tinha Hanna em meus braços.

Fim do capítulo

Notas finais:

Boa noite! Hoje teremos um capítulo curtinho só para não ficarem sem nada.


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