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Contrato de Risco Romântico por Lady Texiana

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Palavras: 2412
Acessos: 451   |  Postado em: 01/06/2026

Notas iniciais:

Boatos de que a história do coelho de Natal é verídica. Rsrsrsrs

Capitulo 12 - Um Coelho de Natal e Outras Confissões Alcoólicas

 

O banco traseiro de um carro pode se transformar em um tribunal se o passageiro em questão for Althea Fields. Durante o trajeto de volta a Londres, o silêncio dentro do sedã executivo era interrompido apenas pelo zumbido suave dos pneus contra o asfalto da rodovia e pelas intervenções cirúrgicas da matriarca. 

Isla mantinha as mãos firmes no volante, os olhos verdes focados na estrada, enquanto Phoebe, no banco do carona, tentava inutilmente encontrar uma posição que não fizesse seu corpo parecer uma barra de metal.

- É realmente fascinante o silêncio de vocês duas - Althea começou, sua voz cortante vinda do banco de trás como uma lufada de ar ártico. Ela olhava pela janela lateral, observando a transição da paisagem rural para os primeiros sinais da periferia londrina. - Eu sempre imaginei que casais novos, especialmente aqueles que afirmam ter encontrado uma... química arrebatadora em uma noite, tivessem mais o que dizer. Ou será que o repertório de vocês se esgota com facilidade? Se for assim, este relacionamento não irá sobreviver.

Phoebe engoliu em seco, ajustando os óculos escuros sobre o nariz violáceo.

- Estamos apenas cansadas, mamãe. O almoço foi... um pouco cansativo, e a estrada exige concentração.

- Concentração. Claro - Althea destilou, com uma ironia fina. - Sua vida sempre foi uma sucessão de termos técnicos, Phoebe. Até mesmo aquele seu casamento com a moça das samambaias parecia um acordo de cavalheiros mediado por uma estufa de plantas. Espero sinceramente que a senhorita Cooper traga algo mais do que disciplina militar para a sua rotina, porque, caso contrário, temo que você acabe se transformando em uma extensão do mobiliário da Fields Cosmetics.

Phoebe apertou os dedos contra o tecido da calça, o maxilar trancado. Ela conhecia aquele tom. Era o mesmo que a fizera passar noites em claro na adolescência, revisando relatórios escolares para tentar arrancar um único elogio que nunca vinha.

Isla, no entanto, captou a sutil alteração na respiração de Phoebe. Pelo retrovisor interno, a segurança sustentou o olhar de Althea por um segundo, um sorriso espalhado e completamente desarmado surgindo em seus lábios.

- Sabe, senhora Fields - Isla interveio, a voz tranquila quebrando o clima fúnebre do veículo -, o silêncio também pode ser um sinal de entendimento. Mas, se a senhora prefere conversas mais animadas, posso garantir que a vida com a Phoebe é tudo menos tediosa. Ela tem uma forma única de demonstrar entusiasmo. Ontem à noite, por exemplo, ela passou vinte minutos me explicando a diferença entre três tons de marrom. Achei de uma complexidade quase matemática.

Althea soltou um som nasal que lembrava um riso sufocado. - Você tem paciência, Isla. Ou uma capacidade extraordinária de simulação. Me diga, para uma mulher que passou anos voando em zonas de conflito, qual foi o fato mais intrigante da sua infância? Quero entender de onde vem essa sua resiliência para lidar com o temperamento ranzinza e distante da minha filha.

Isla soltou uma risada calorosa, ajeitando o corpo no banco do motorista.

- O fato mais intrigante da minha infância, senhora Fields? Bem, foi o Grande Golpe do Coelho de Natal de 1994.

Phoebe virou a cabeça ligeiramente na direção de Isla, a testa franzida em pura curiosidade, esquecendo por um instante a postura rígida.

- Que golpe? - Phoebe perguntou.

- Eu tinha uns sete anos - Isla começou, os olhos verdes brilhando com o divertimento da lembrança. - Minha família não tinha muitos recursos, então o Natal era sempre uma operação que lidava com um orçamento restrito. Naquele ano, meu tio, que era um homem de hábitos visivelmente econômicos, sovina mesmo, para falar a verdade, e... com pouca atenção aos detalhes, apareceu na véspera com um embrulho enorme. Ele me entregou com toda a solenidade do mundo, dizendo que era um Papai Noel de chocolate importado, daqueles grandes, maciços, com a folha de alumínio perfeitamente desenhada com a barba branca, o gorro vermelho e o cinto preto. Eu fiquei em êxtase. Passei a noite inteira encarando aquela imagem colorida na árvore.

Althea mudou de posição no banco de trás, os olhos fixos no retrovisor interno, prestando atenção.

- No dia seguinte - Isla continuou mudando a marcha do carro com suavidade -, acordei cedo, peguei o Papai Noel e comecei a descascar o alumínio pela base. Fui tirando os pés, a bota... mas quando cheguei na cintura, notei que o formato do chocolate era estranho. Quando puxei o alumínio da cabeça de uma vez só, não havia gorro, não havia barba. O chocolate dentro era, na verdade, um coelho de Páscoa.

Phoebe soltou uma lufada de ar, os lábios se entreabrindo.

- Um coelho? No Natal? - Phoebe perguntou, incrédula.

- Um coelho de Páscoa legítimo, com as orelhas longas dobradas para trás para caber no embrulho do Papai Noel - Isla confirmou, rindo abertamente. - A fábrica tinha encalhado o estoque da Páscoa de abril e, para economizar no fim do ano, eles simplesmente requentaram os coelhos em uma embalagem de Papai Noel. Eu passei o resto do dia comendo um chocolate de dezembro com formato de abril, tentando entender a dinâmica daquela fraude comercial. Meu tio jurou que comprou na promoção sem olhar direito. Foi a minha primeira lição sobre gerenciamento de expectativas: às vezes a embalagem é uma coisa, mas o conteúdo por dentro é apenas um coelho assustado tentando se adaptar.

O silêncio que se seguiu no carro durou apenas dois segundos antes de ser quebrado por um som completamente inesperado. Phoebe Fields soltou uma risada legítima, uma gargalhada profunda e cristalina que ecoou pelo sedã, desarmando completamente sua expressão austera. Althea piscou, olhando para a filha. O canto dos lábios da matriarca cedeu milimetricamente, uma sutil alteração no humor gélido que dominava a viagem.

- Uma fraude de mercado bem típica, senhorita Cooper - Althea murmurou, recostando-se no banco. - E uma metáfora perigosa para relacionamentos. Espero que a Phoebe não seja o seu coelho de Páscoa embrulhado para o Natal.

- Garanto que não, senhora Fields - Isla piscou para Phoebe. - A sua filha é exatamente o que está na etiqueta. Ranzinza, mas autêntica e de excelente qualidade.

***

Às oito da noite, as três já estavam na cobertura de Phoebe em Chelsea. O apartamento era um exemplo de minimalismo luxuoso: janelas do chão ao teto com vista para as luzes de Londres, pisos de mármore escuro e móveis de design italiano. As sacolas da delicatessen do subúrbio foram descarregadas na cozinha em estilo ilha, e Isla assumiu a montagem dos pratos, cortando o queijo do Velho Thomas e organizando os pães artesanais com uma habilidade prática.

Althea, instalada em uma das banquetas da cozinha, observava o movimento enquanto girava uma taça de vinho tinto de uma safra proibitivamente cara que Phoebe abrira para tentar selar a paz. O problema é que o vinho estava bom demais, e Althea estava na sua terceira taça generosa.

O álcool opera milagres em estruturas rígidas, e a matriarca de Hertfordshire começou a demonstrar uma mutação de personalidade que deixou Phoebe em estado de choque. Os olhos gélidos de Althea ganharam um brilho difuso, os ombros aristocráticos relaxaram e a voz polida tornou-se perigosamente arrastada e honesta.

- Esse queijo... é aceitável, Phoebe - Althea comentou, pegando um pedaço com os dedos, ignorando completamente o garfo de prata que estava ao lado. - Tem gosto de... terra. De coisa de verdade. Diferente daqueles jantares de negócios que as vezes você me força a ir onde a comida parece espuma de sabão.

Phoebe, que tomava pequenos goles de água para manter o controle, piscou. - Que bom que gostou, mamãe. Isla quem escolheu.

Althea virou o resto da taça e estendeu o copo na direção de Isla. - Mais um pouco disso, querida. O vinho da minha filha é a única coisa que presta nesta estrutura de vidro que ela chama de lar.

Isla, segurando a garrafa, serviu a matriarca com um sorriso divertido, captando a comédia dramática que se instalava. Althea apoiou os cotovelos na bancada, inclinou-se na direção de Isla e disparou, sem qualquer filtro:

- Me diga uma coisa, Isla... Você tem tratado bem essa mulher na cama?

Phoebe engasgou com a água. Tossiu e Isla se apressou a dar pequenos tapas nas suas costas. O copo bateu contra a bancada de mármore com um estalo. O rubor subiu por seu pescoço com a velocidade de um incêndio, atingindo as orelhas e tornando seu rosto tão vermelho quanto a marca em seu nariz.

- Mamãe! - Phoebe praticamente gritou, a voz falhando, incrédula, ainda tossindo. - Que tipo de pergunta é essa?! Por favor!

Althea acenou com a mão livre, desdenhando do pânico da filha.

- Ah, pare com isso, Phoebe! Estou velha demais para fingir que vocês duas passam o tempo jogando xadrez. Eu pergunto isso porque o seu pai... bem, o falecido Arthur era um homem terrivelmente apegado às tradições masculinas da alta sociedade. Um terno impecável, uma conta bancária invejável e a capacidade emocional de uma britadeira. Nunca me deu os prazeres conjugais, não passou nem perto disso. Passou vinte anos achando que o dever dele na cama era apenas garantir que a herança dos Fields tivesse um herdeiro. Um horror. Uma secura absoluta, isso tudo somado ao fato que casei muito jovem.

Phoebe cobriu o rosto com as duas mãos, sentindo que seu sistema emocional estava prestes a entrar em colapso definitivo diante daquelas revelações íntimas da própria mãe.

Isla, mantendo a garrafa de vinho sobre a bancada, apoiou o quadril contra a ilha da cozinha. Ela olhou para Althea com uma mistura de absoluto divertimento e uma empatia sincera e espontânea.

- Que lástima, senhora Fields - Isla interveio, soltando uma risada baixa e balançando a cabeça. - Ninguém merece passar por isso. O casamento deveria incluir alguns bônus de performance que não somente aqueles que estão nos saldos bancários.

Althea soltou uma risada ruidosa, batendo com a mão na bancada, os olhos castanhos focados em Isla com uma aprovação enfática.

- Exatamente! Você entende, Isla! Você tem sangue nas veias, não essa água com gás que a Phoebe bebe. Mas não se preocupe, querida... ele teve a decência de morrer cedo e me deixar uma pensão bem generosa e as propriedades todas. Foi o único momento de timing perfeito que o seu pai teve em toda a vida dele. - disse, virando-se para Phoebe.

- Mamãe, eu estou implorando, pare - Phoebe murmurou por trás dos dedos, o corpo inteiro queimando de vergonha, sem saber se olhava para a mãe bêbada ou para a segurança que claramente estava controlando a vontade de gargalhar.

- Deixe de ser puritana, Phoebe - Althea recolheu sua taça, levantando-se da banqueta com uma leve oscilação na postura que denunciava o efeito do vinho. - Eu vou para o quarto de hóspedes. Essa conversa sobre o seu pai me deu sono, e esse queijo do subúrbio é pesado. Isla... continue fazendo o que você está fazendo. Minha filha precisa de alguém com mãos firmes e corpo quente para tirá-la desse pedestal de gelo antes que ela congele de vez. Boa noite para as duas.

A matriarca caminhou pelo corredor com passos ligeiramente desalinhados, mas mantendo a cabeça erguida, fechando a porta do quarto de hóspedes com um baque definitivo.

O silêncio que se instalou na cozinha da cobertura era espesso, quebrado apenas pelo som distante do tráfego de Chelsea. Phoebe removeu as mãos do rosto lentamente, revelando os olhos arregalados e as bochechas ainda tingidas de um vermelho rosáceo nada convencional.

Isla guardou a garrafa de vinho, cruzou os braços e encarou a CEO. O sorriso travesso estava lá, brilhando com força total sob a iluminação embutida da cozinha.

- Bem... - Isla pigarreou, a voz mansa e carregada de provocação. - Eu não sei o que foi mais informativo: a revelação sobre a performance do falecido seu pai ou o fato de que a temível Althea Fields acabou de me dar autorização explícita para gerenciar os seus ativos afetivos.

- Não diga mais uma única palavra, Cooper - Phoebe ameaçou, embora a voz não tivesse autoridade alguma. Ela pegou sua bolsa de couro da poltrona com um puxão firme. - Eu preciso de um banho, de três analgésicos e de esquecer que este sábado existiu.

- O sábado existiu, chefe. E a parte boa é que nós estamos sobrevivendo - Isla disse, despreocupada. - Agora, se o comitê de inspeção já se retirou, acho que está na hora de recolhermos as tropas para o quartel-general. Onde eu durmo?

Phoebe parou no início do corredor, ajeitando o blazer azul-marinho com os dedos ainda ligeiramente trêmulos. Ela engoliu em seco, olhando para a segurança.

- No meu quarto, Isla. Minha mãe tem o hábito de acordar de madrugada para assaltar a geladeira ou simplesmente andar a esmo pela casa, quando perde o sono - Phoebe soltou uma risada nervosa e amarga. - Se ela vir você dormindo no sofá, a farsa cai nos últimos metros. Nós vamos ter que dividir a cama.

Isla inclinou a cabeça levemente para o lado, os olhos verdes semicerrando-se com aquela suavidade intrigante que Phoebe vinha tentando ignorar desde as flexões de braço na sala do subúrbio e do beijo no quarto da mansão.

- Dividir a cama. Entendido, senhora Fields - Isla deu um passo à frente, quebrando o espaço entre elas no corredor estreito, o aroma de sabão de coco e o calor de seu corpo atlético envolvendo a executiva mais uma vez. - Vamos manter os parâmetros contratuais colocando um travesseiro no meio da cama ou a senhora vai querer testar mais algum... protocolo técnico antes de dormir?

Phoebe sentiu o baixo ventre contrair-se com uma velocidade alarmante, as lembranças dos lábios de Isla contra os seus ainda queimando na memória recente no seu quarto de adolescência. Ela deu meia-volta, caminhando apressada em direção à suíte para esconder o impacto que a provocação tivera em seu corpo.

- Apenas durma, Cooper - Phoebe chamou de volta, sem olhar para trás.

Isla soltou uma risada baixa e calorosa, seguindo as passadas largas da CEO escada acima. O fim de semana ainda não havia terminado, e ao entrarem no quarto que ambas iriam dividir pelas próximas horas, com a linha entre o contrato e o desejo permanentemente esmagada, Phoebe soube que o verdadeiro turbilhão estava apenas começando a se instalar sob os lençóis de sua própria fortaleza.

 

Fim do capítulo


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