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Contrato de Risco Romântico por Lady Texiana

Ver comentários: 1

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Palavras: 1857
Acessos: 448   |  Postado em: 31/05/2026

Capitulo 11 - A Mecânica do Desejo e Linhas Cruzadas

 

O almoço de sábado na imponente propriedade dos Fields foi um exercício de sobrevivência psicológica de alta intensidade. Servido em uma baixela de prata polida que refletia a luz azulada de Hertfordshire, cada prato parecia vir acompanhado de uma rodada de perguntas meticulosamente coreografadas por Althea. A matriarca não fazia perguntas; ela lançava armadilhas verbais disfarçadas de curiosidade familiar.

- Acho curioso, Isla - Althea comentou, usando a faca de peixe para separar uma porção milimétrica de salmão -, que uma mulher com o seu histórico de serviço na nossa Força Aérea tenha escolhido a segurança patrimonial privada. Uma mente treinada para zonas de conflito não se sente... entediada controlando catracas e supervisionando crachás? Embora tenha que mencionar que recebi feedbacks positivos sobre sua atuação até o momento. - Comentou casualmente.

Phoebe enrijeceu imediatamente na cadeira, o garfo parando a poucos centímetros do prato. Ela abriu a boca para intervir, mas debaixo da toalha de mesa de linho belga, o joelho de Isla pressionou-se contra o seu, um comando físico e silencioso para que se contivesse.

- O tédio é um privilégio que a gente aprende a valorizar depois de passar alguns anos ouvindo alarmes e barulhos de artilharia, senhora Fields - Isla respondeu com uma calmaria desconcertante, antes de levar a taça de vinho aos lábios. - Além disso, a segurança da Fields Cosmetics ganhou um apelo consideravelmente mais dinâmico na última semana. Descobri que proteger a integridade da sua filha exige tanto reflexo quanto pilotar um cargueiro em noite de tempestade. - Disse, dando uma piscadela divertida para Phoebe.

Althea sustentou o olhar por três segundos, o canto dos lábios esboçando uma linha fina.

- Uma resposta muito poética. Mas a minha filha é uma criatura de hábitos rígidos e distâncias calculadas e milimétricas. Ela detesta imprevisibilidade. É por isso que acho essa... súbita fusão de mundos tão fascinante. Phoebe sempre foi avessa a misturar as coisas...

"Misturar as coisas" ecoou na mente de Phoebe como uma partitura errada. O resto do almoço transcorreu sob esse clima de vigilância velada. Toda vez que Phoebe tentava forçar uma reação, pegando no copo com precisão milimétrica ou respondendo com termos excessivamente corporativos, as sobrancelhas de Althea se erguiam em desconfiança crônica e os olhos se estreitavam.

Os sentimentos de Phoebe, antes guardados sob sete chaves, começavam a escapar pelas frestas de seu autocontrole - não por falta de profissionalismo, mas porque a proximidade de Isla, o calor que a segurança emanava e o aroma sutil de sabão de coco pareciam funcionar como um curto-circuito em seu sistema límbico.

Quando a sobremesa finalmente terminou, Althea retirou-se para o escritório para atender a uma ligação de seus advogados, informando que partiriam para Londres dali a instantes. Phoebe, sentindo o oxigênio rarefeito, segurou o pulso de Isla e a arrastou escada acima, em direção ao seu antigo quarto de adolescência.

A porta pesada de jacarandá fechou-se com um clique abafado, isolando-as do resto do casarão. O quarto de Phoebe preservava uma austeridade elegante: estantes de carvalho repletas de biografias históricas, uma cama de casal com colcha de seda azul-escura e uma janela imensa que dava para os jardins de inverno.

- Eu fui um desastre lá embaixo - Phoebe disparou, soltando a bolsa na poltrona e começando a andar de um lado para o outro, os sapatos de salto baixo martelando o piso de madeira. O corretivo em seu nariz já não conseguia esconder totalmente o tom violáceo do acidente com a geladeira. - Ela sabe, Isla. Eu conheço aquela expressão de abutre que ela faz quando pega alguém no pulo. Ela percebeu a minha rigidez. Ela sabe que eu estou atuando.

Isla jogou a mochila preta em um canto e escorou-se contra a coluna da cama, cruzando os braços. Seus olhos verdes acompanhavam o vaivém frenético da CEO com uma paciência quase irritante.

- Você está pensando como uma executiva lidando com uma auditoria fiscal de surpresa, Phoebe. Esse é o problema. Você está tão focada em não errar o roteiro que esqueceu o básico.

- O básico? - Phoebe parou, virando-se com os punhos cerrados ao lado do corpo. - O básico é fazer Althea acreditar que eu não sou uma mentirosa solitária... e que as pessoas desistem de mim!

- O básico de um relacionamento é o conforto entre duas pessoas, não a perfeição - Isla deu dois passos à frente, quebrando a distância entre elas. A segurança parecia imensa naquele espaço, a camisa verde destacando a largura de seus ombros. - Casais reais brigam, se provocam, discordam. Você está tentando parecer uma namorada de comercial de margarina, e sua mãe sabe que você não é essa pessoa. Você é ranzinza, controladora e odeia abacates, embora eu ainda não tenha entendido muito bem porquê. Se você não trouxer a sua verdade para a mentira, a farsa desmorona. E as pessoas não desistem de você, Phoebe, pare de pensar assim.

Phoebe engoliu em seco, o peito subindo e descendo rapidamente sob o blazer azul-marinho. A proximidade de Isla estava fazendo seu estômago dar nós novamente, mas não era o pânico pela mãe descobrir tudo. Era algo mais denso, mais urgente.

- E como eu trago a verdade para isso se eu não sei o que é ser natural perto de você? Se não temos intimidade? Se nos conhecemos há apenas uma semana? - Phoebe desafiou, a voz descendo uma oitava, perdendo a autoridade. - Eu passei anos construindo barreiras para que ninguém na empresa visse além do meu cargo. Eu não sei... quebrar o gelo.

Isla inclinou a cabeça, os fios loiros curtos caindo levemente sobre a testa. Um sorriso quase imperceptível, suave e desprovido de zombaria, surgiu em seus lábios.

- Então deixe que eu quebro por você.

Phoebe piscou, o coração disparando em um ritmo frenético.

- Nós precisamos testar o limite, não é? - Phoebe sugeriu, a voz falhando por um milésimo de segundo enquanto tentava racionalizar o impulso que subia por seu baixo ventre. - Althea vai nos observar o tempo todo. Se houver um beijo, ele não pode parecer... uma trans*ção comercial. Precisa parecer natural.

- Um teste técnico, então? - Isla perguntou, os olhos verdes escurecendo ligeiramente, fixando-se nos lábios de Phoebe.

- Sim. Estritamente técnico e estratégico - Phoebe mentiu para si mesma, dando o passo final que eliminava os últimos centímetros entre as duas.

Isla não esperou por uma segunda oportunidade. Ela ergueu a mão direita, os dedos longos tocando a lateral do pescoço de Phoebe, o polegar repousando suavemente sobre a linha da mandíbula da executiva. O calor do toque de Isla foi o suficiente para fazer Phoebe fechar os olhos por meio segundo, rendendo-se à sensação.

Quando os lábios de Isla tocaram os seus, não houve a hesitação de uma simulação. O beijo começou lento, uma pressão firme e exploratória que testava as defesas de Phoebe. Mas a rigidez que Phoebe ainda pudesse ter, derreteu no instante em que a mão esquerda de Isla desceu para a sua cintura, puxando seu corpo contra o torso atlético da segurança.

O contato físico foi um catalisador. Phoebe soltou um suspiro abafado contra a boca de Isla, suas mãos subindo involuntariamente para os ombros da loira, agarrando o tecido da camisa verde com uma urgência que ela não sabia que possuía. 

O beijo perdeu qualquer resquício de "estratégia técnica". Tornou-se profundo, intenso, ditado pelo ritmo frenético dos corações que batiam colados. Isla usou os lábios com uma propriedade e uma audácia que fizeram as pernas de Phoebe fraquejarem, obrigando-a a se apoiar inteiramente na estrutura firme da outra mulher.

A tensão sexual que vinha se acumulando desde a visão de Isla de regata na manhã de sábado, passando pelos sonhos de Phoebe e pelos toques de mãos disfarçados no almoço, explodiu naquele quarto. Phoebe sentiu o gosto de Isla, o calor de sua boca, e uma necessidade avassaladora de que aquele momento se estendesse além de Hertfordshire, além da segunda-feira, além de qualquer contrato.

Toc, toc, toc.

O som seco dos nós dos dedos batendo contra a imponente porta de jacarandá ecoou como um tiro de advertência no quarto.

As duas se separaram em um movimento brusco. Phoebe deu dois passos para trás, a respiração arfante, os lábios visivelmente vermelhos e inchados - uma tonalidade que agora competia diretamente com o roxo de seu nariz. Isla deu um passo lateral, passando a mão pelos cabelos loiros para realinhá-los, embora seus olhos verdes ainda brilhassem com uma intensidade perigosa e focada.

- Senhora Phoebe? - a voz grave e monótona do mordomo atravessou a madeira. - A senhora Althea manda avisar que a ligação com os advogados foi concluída. Ela vai aguardá-las no pátio interno em cinco minutos para dar início à viagem.

Phoebe limpou a boca rapidamente com as costas da mão, tentando recuperar o registro de voz grave que usava para fechar negócios internacionais.

- Obrigada, Arthur - Phoebe gritou, a voz saindo um tom mais trêmulo do que planejava. Ela pigarreou rapidamente, ajeitando as lapelas do blazer azul com dedos visivelmente trêmulos. - Informe à minha mãe que desceremos imediatamente.

O som dos passos do mordomo se afastando pelo corredor de tapete grosso trouxe o silêncio de volta ao quarto, mas a atmosfera agora estava carregada de uma eletricidade palpável.

Phoebe não conseguia olhar diretamente para Isla. Ela fixou os olhos na janela, tentando acalmar os nós em seu estômago que haviam se reconfigurado completamente. Aquilo não fora uma simulação de curto prazo. Não fora um benefício mútuo. Fora um desastre para seu já combalido sistema emocional.

Isla caminhou até o canto do quarto, pegou a mochila preta de lona e a jogou sobre um dos ombros. Ela caminhou até a porta, mas antes de girar a maçaneta de metal, parou e olhou de soslaio para a executiva. O sorriso travesso havia desaparecido, substituído por um olhar de uma seriedade profunda e desconcertante.

- Bem... - Isla pigarreou, a voz mansa, mas vibrante. - Acho que o protocolo de conformidade afetiva passou nos testes de resistência, chefe. Só trate de não olhar para mim com essa cara de pânico lá embaixo, ou sua mãe vai achar que eu te assaltei em vez de te beijar.

Phoebe Fields finalmente olhou para a segurança, sentindo o rosto e o corpo queimar de cima a baixo. Ela catou a bolsa jogada na poltrona, pegou os óculos escuros e os ajeitou o melhor que pode por sobre o septo lesionado, usando-os como uma última barreira de proteção para aquela velha vulnerabilidade ranzinza que Isla tão bem sabia explorar.

- Vamos logo, Cooper - Phoebe murmurou, caminhando em direção à porta com toda a dignidade que lhe restava. - O comitê de inspeção está esperando. E nós temos uma farsa para sustentar.

Mas ao cruzar o batente da porta e sentir a presença firme de Isla logo atrás de si, Phoebe teve a nítida e assustadora certeza de que a farsa, na verdade, tinha acabado de começar. O que quer que acontecesse a partir daquele momento, a linha entre o contrato e o desejo havia sido permanentemente esmagada pelos lábios da segurança.

 

Fim do capítulo


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Comentários para 11 - Capitulo 11 - A Mecânica do Desejo e Linhas Cruzadas:
Socorro
Socorro

Em: 31/05/2026

Quem a Phoebe que enganar ?? 

Que beijo técnico heim kkkk


Lady Texiana

Lady Texiana Em: 01/06/2026 Autora da história
Então... dizem que beijo técnico não existe. Acho que Phoebe e Isla comprovaram o ponto.


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