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Contrato de Risco Romântico por Lady Texiana

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Palavras: 2663
Acessos: 517   |  Postado em: 28/05/2026

Capitulo 8 - Termos, Ética e Outras Propostas Absurdas

 

No saguão do térreo, o clique seco do ramal interrompendo a ligação deixou Isla Cooper encarando o telefone com uma sobrancelha loira firmemente arqueada. 

Ela não conhecia aquele tom de voz de Phoebe Fields, que era o mesmo que a CEO usara para debater com os investidores alemães na sala de reuniões ou em negócios e trans*ções que envolviam milhões de libras. No entanto, havia uma sutil e quase imperceptível vibração de urgência na última palavra que fizera Isla arquivar imediatamente as piadas mentais sobre crachás e camarões.

Isla girou a cadeira e fez um sinal para Miller, o segurança veterano que aproveitava o início da calmaria da manhã para checar os resultados das corridas de cavalos no jornal.

- Miller, assuma o balcão. A chefe me quer no trigésimo andar para uma audiência privada - Isla disse, pegando sua mochila preta e ajeitando o paletó do uniforme. Ela decidiu levar a mochila consigo, caso a conversa se estendesse ou precisasse pegar seus pertences diretamente de lá.

- Audiência privada com a Fields? - Miller ergueu os olhos, fazendo uma careta de genuína preocupação. - Se ela descobrir que foi você quem deixou aquela manivela no elevador na segunda-feira e depois ele travou, prendendo aqueles executivos por 15 minutos, saiba que eu tentarei lhe dar um enterro digno.

Isla soltou uma risada curta. - Não se preocupe. Se eu não voltar em uma hora, herde o meu livro do Garfield.

Enquanto o elevador subia em velocidade constante, com a mochila preta pendurada em um dos ombros, Isla cruzou os braços e tentou adivinhar o motivo da convocação. Seu cérebro militar vasculhou as últimas quarenta e oito horas em busca de falhas de protocolo. Ela havia sido pontual, havia controlado a catraca eletrônica e mantivera o perímetro seguro.

A única variável fora da curva padrão fora a carona da noite anterior no sedã que cheirava a flores silvestres. Isla sorriu de canto ao lembrar da altiva Phoebe Fields admitindo, com um bico aristocrático, que odiava abacates. Havia algo magnético na vulnerabilidade ranzinza daquela mulher.

Quando as portas se abriram no andar da presidência, a atmosfera estava tão tensa que o oxigênio parecia rarefeito. Eleanor olhou para Isla com uma expressão de absoluto mistério burocrático e apenas apontou com a ponta dos óculos para a imponente porta de jacarandá. 

- Parece que há uma crise em andamento. - disse a Secretária. - De alta prioridade. Você pode entrar imediatamente.

Isla respirou fundo, deu dois toques firmes na madeira e entrou.

***

Do lado de dentro da fortaleza de vidro, Phoebe Fields estava prestes a abrir um buraco no tapete persa de tanto andar de um lado para o outro. Seus sapatos baixos martelavam o chão em um ritmo frenético. O nervosismo coloria suas bochechas de um rosa nada natural.

"Eu sou a CEO", repetia para si mesma, tentando acalmar os nós em seu estômago. "Eu negocio fusões de marcas. Eu compro laboratórios farmacêuticos na Suíça. Eu posso fazer uma segurança fingir que me namora e... me beija."

A imagem mental de Isla a beijando fez o coração de Phoebe errar uma batida e o baixo ventre contrair-se com uma velocidade alarmante. Ela praguejou em voz baixa, ajeitando o blazer no exato momento em que a porta se abriu.

Isla entrou, segurando a mochila pela alça e fechando a porta com suavidade. Ela deu dois passos à frente e adotou a postura clássica de descanso, as mãos cruzadas atrás das costas e os ombros largos desenhados sob o tecido azul do uniforme. Seus olhos verdes varreram a sala, fixando-se em Phoebe com uma naturalidade e uma neutralidade que parecia uma barreira intransponível.

- Cooper - Phoebe disse, a voz saindo um tom mais aguda do que planejava. Ela pigarreou rapidamente, recuperando o registro grave. - Sente-se, por favor.

Isla acomodou-se em uma das cadeiras de couro em frente à mesa de carvalho, deixando a mochila preta apoiada contra a perna da cadeira. Phoebe contornou o móvel e sentou-se em sua própria cadeira, apoiando os cotovelos no tampo e entrelaçando os dedos. O bloco de notas timbrado em letras douradas estava estrategicamente posicionado entre as duas.

- Senhora Fields. Eleanor me informou que a senhora precisava gerenciar uma crise de alta prioridade. Presumo que o perímetro de segurança tenha alguma brecha? - Isla perguntou, a voz tranquila e controlada.

- Não, Cooper. O perímetro está perfeitamente intacto - Phoebe começou mexendo na caneta Montblanc com dedos ligeiramente trêmulos. - A crise em questão é de natureza... estratégica e estritamente confidencial. Envolve a reputação da liderança desta empresa perante um elemento auditor externo de extrema belicosidade.

Isla franziu a testa, os olhos verdes semicerrando-se de leve. - Um auditor? Os alemães voltaram?

- Não. Minha mãe.

Houve um segundo completo de silêncio na sala. Isla piscou duas vezes, processando a informação.

- Sua mãe, senhora? - Isla tateou as palavras, achando que havia entendido errado. - A senhora me chamou na presidência por causa de uma crise com a sua mãe? Não entendo...

- Althea Fields não é apenas uma mãe, Cooper, ela é um furacão de destruição psicológica em massa - Phoebe disparou, levantando-se da cadeira novamente porque a imobilidade estava lhe dando coceira. Ela começou a gesticular com a caneta. - Ela ligou esta manhã. Houve um... um desentendimento retórico a respeito da minha vida pessoal e da saída de Florence e o término do meu casamento. Eu fui encurralada. E, em um ato de legítima defesa pessoal, eu informei a ela que a fila havia andado. Que eu estou namorando.

Isla acompanhou o movimento de Phoebe pela sala com o olhar, a incompreensão dando lugar a uma expressão de pura curiosidade começando a surgir em suas feições. - Bem, meus parabéns, senhora. Fico feliz que tenha encontrado alguém. Mas ainda não compreendo onde eu me encaixo nesse drama familiar.

Phoebe parou de andar. Ela virou-se para Isla, engoliu em seco e disparou a frase.

- Eu disse a ela que a minha nova namorada é uma ex-militar da Força Aérea, extremamente eficiente e que trabalha nesta empresa. Eu disse que é você, Cooper.

***

Isla Cooper permaneceu paralisada como uma estátua. Seus lábios se abriram levemente, e por cinco longos segundos, o único som na sala foi o zumbido sutil do ar-condicionado central.

A surpresa de Isla, no entanto, operava em camadas muito mais profundas do que a audácia da mentira. Seus olhos se arregalaram genuinamente ao processar as implicações daquela declaração. 

Ela trabalhava na Fields Cosmetics há menos de uma semana, mas já tinha ouvido os rumores da rádio corredor sobre a postura impecável e inacessível da CEO, e que Phoebe Fields sempre guardara sua privacidade sob sete chaves. Ninguém nunca a vira com alguém ou demonstrando afeto por quem quer que fosse.

Isla não tinha a menor ideia de que a chefe era casada com outra mulher, e muito menos que se interessava pelo mesmo gênero. Olhando para a postura austera de Phoebe, a revelação de sua orientação sexual foi um choque que reconfigurou instantaneamente tudo o que Isla pensava sobre a mulher à sua frente.

- A senhora... o quê? - Isla perguntou, a voz descendo uma oitava, perdendo a descontração. - Espere... a moça que a senhora citou, Florence, era sua esposa? A senhora gosta de...

- Sim, Cooper - Phoebe cortou, sentindo o rosto esquentar ainda mais, desconfortável por ter sua vida íntima exposta daquela forma. - Eu fui casada por 04 anos. Mas isso não vem ao caso agora. O que importa é que eu montei um plano de contingência. É uma trans*ção puramente comercial, Cooper. Uma simulação de curto prazo. Eu preciso que você vá comigo até Hertfordshire no sábado à tarde, passe o domingo na minha cobertura fingindo ser a minha parceira romântica diante de Althea, e na segunda-feira o contrato se encerra.

Isla olhou para o papel em branco, depois para Phoebe. Seus olhos verdes perderam o brilho divertido, tornando-se frios e cortantes.

- E quais são os termos dessa... trans*ção, senhora Fields?

- Excelentes termos - Phoebe disse, recuperando um pouco da postura executiva. - Eu sei que o seu jipe verde-musgo sofreu uma avaria no motor. Uma junta de cabeçote clássica em... bem, exigirá uma retífica completa equivalente a meses de salário de uma segurança, e imagino que isso seja realmente caro para você. A Fields Cosmetics cobrirá integralmente todos os custos de retífica, peças originais e mão de obra do seu veículo. Além disso, depositarei uma generosa compensação financeira como bônus por serviços especiais de assessoria de segurança pessoal, a ser depositada diretamente na sua conta corrente na segunda-feira seguinte. Você poderá trocar de carro se quiser. É uma proposta irrecusável.

Isla ouviu tudo sem mover um único músculo do rosto. Quando Phoebe terminou, a segurança lentamente se encostou no espaldar da cadeira. Um sorriso, mas não o sorriso charmoso de antes, e sim um esgar seco e decepcionado, surgiu em seus lábios.

- A senhora realmente calculou tudo, não é? - Isla disse, a voz perigosamente mansa. - O custo da mecânica, o valor da minha hora de trabalho, o bônus do silêncio.

- É como eu gerencio crises, Cooper. E como disse, benefícios mútuos.

Isla levantou-se da cadeira em um movimento único e fluido, revelando toda a sua compleição atlética. Ela olhou para Phoebe de cima a baixo, e a CEO sentiu um calafrio.

- Pois o seu planejamento acabou de se tornar obsoleto, senhora Fields - Isla disse, a voz vibrando com uma dignidade militar que fez a sala parecer subitamente fria. - Eu passei os últimos dez anos da minha vida voando em zonas de conflito, resgatando pessoas que realmente precisavam de ajuda e arriscando o meu pescoço por um código de honra. Eu posso ter saído da Força Aérea, mas a minha ética não ficou naquele lugar. Eu não sou uma mercadoria qualquer que a senhora pode alugar para mentir para a sua mãe porque tem medo do julgamento dela. Guarde o seu dinheiro. Eu prefiro pegar três metrôs e um ônibus pelo resto da vida a ser o fantoche do seu orgulho ferido.

Isla deu meia-volta, pegando sua mochila preta do chão com um puxão firme.

- Cooper, espere! - Phoebe levantou-se, o pânico quebrando sua armadura de arrogância.

Isla a ignorou. Suas passadas largas já a levavam em direção à porta de jacarandá. Sua mão tocou a maçaneta de metal escovado.

- Por favor, Isla!

A menção de seu primeiro nome, dita não com a voz cortante de uma CEO, mas com o tom desesperado de uma mulher prestes a desabar, fez a mão de Isla congelar na maçaneta. Ela parou, os ombros tensos contra o tecido do uniforme.

Phoebe contornou a mesa correndo, esquecendo completamente a elegância ou o protocolo. Ela parou a poucos passos de Isla, respirando de forma arfante, as mãos espalmadas ao lado do corpo em um gesto de total rendição.

- Por favor... - Phoebe repetiu, a voz falhando. Seus olhos castanhos estavam úmidos. - Você tem razão. Foi arrogante e foi uma ofensa à sua história. Me desculpe. É que... você não conhece a minha mãe. Althea passa a vida medindo os meus fracassos. Quando Florence foi embora levando tudo, até minha dignidade, a primeira coisa que a minha mãe fez foi ligar para dizer que a culpa era minha. Que eu sou seca. Que eu sou uma pedra de gelo. Que as pessoas desistem de mim porque eu não tenho sal e que, portanto, a culpa é sempre minha.

Uma lágrima teimosa escapou do olho esquerdo de Phoebe, descendo por sua bochecha perfeitamente maquiada. Ela a limpou rapidamente com as costas da mão, soltando uma risada nervosa e amarga.

- Eu sei que parece um absurdo uma mulher de quarenta e cinco anos, que comanda um império de cosméticos, entrar em colapso por causa de um telefonema materno. Mas a verdade é que eu estou com a corda no pescoço. Se eu aparecer em Hertfordshire no sábado sozinha, admitindo que menti, ela vai passar o resto da vida me olhando com aqueles olhos semicerrados, me reduzindo a nada e ela pode ser muito cruel quando quer. Cooper, eu preciso de ajuda. Eu estou implorando pela sua ajuda. Não como sua chefe... mas como uma mulher desesperada.

Isla permaneceu de costas por alguns segundos que pareceram durar uma eternidade. Phoebe segurou a respiração, sentindo o peso do silêncio esmagar suas últimas esperanças. Ela já se preparava para ver a porta abrir e Isla sumir de sua vida.

No entanto, Isla soltou um longo suspiro. Seus ombros relaxaram. Ela girou lentamente sobre os calcanhares, segurando a mochila preta pela alça.

Quando Isla olhou para Phoebe, a frieza militar havia desaparecido. Em seu lugar, as feições loiras exibiam uma suavidade intrigante, e seus olhos verdes focaram na lágrima que Phoebe tentara esconder. Isla deu um passo à frente, quebrando a distância, e um sorriso travesso, aberto e fascinante começou a curvar seus lábios. Embora a revelação sobre a ex-esposa da chefe ainda flutuasse em sua mente, a urgência humana da situação falava mais alto.

- Bem... - Isla pigarreou, inclinando a cabeça levemente para o lado. - Devo admitir que a perspectiva de ver a temível Phoebe Fields sendo confrontada por uma senhora de Hertfordshire é consideravelmente mais interessante do que ler o Garfield na recepção.

Phoebe piscou, estupefata. - O... o que você está dizendo?

- Estou dizendo que eu topo, senhora Fields - Isla disse, o brilho divertido retornando aos seus olhos com força total. - Mas vamos deixar uma coisa bem clara antes que eu aceite esse seu plano familiar: eu não quero um único centavo do seu bônus corporativo. E o meu jipe verde-musgo vai continuar com o cabeçote quebrado até que eu mesma decida consertá-lo com as minhas próprias mãos em algum fim de semana livre.

Phoebe franziu a testa, totalmente confusa com a lógica da segurança. - Mas se você não quer o dinheiro e não quer o conserto do carro, por que você está aceitando fazer isso comigo?

Isla deu mais um passo à frente, aproximando-se o suficiente para que Phoebe pudesse sentir o aroma sutil de seu perfume. O sorriso da loira tornou-se charmoso.

- Pela sororidade, senhora Fields, empatia. Mas também poderia ser pela absoluta diversão de ver você tentar se passar por uma namorada apaixonada diante da sua mãe. Além disso... o Garfield, mesmo sendo ranzinza, poderia dizer que nós devemos ajudar as pessoas necessitadas nas segundas-feiras. Como hoje é quinta com cara de segunda, acho que o protocolo está mantido.

Phoebe sentiu o rosto queimar de cima a baixo, mas, pela primeira vez em semanas, uma risada legítima e aliviada escapou de seu peito.

- Você é completamente insana, Cooper.

- É o que dizem na Força Aérea, senhora Fields - Isla ajeitou a mochila preta no ombro e piscou para a CEO. - Vou estar pronta no sábado. E trate de praticar o seu sorriso de namorada apaixonada no espelho. No momento, a senhora ainda parece uma auditora fiscal prestes a confiscar os meus bens.

Isla virou-se e saiu da sala, deixando para trás uma Phoebe Fields com o coração batendo em um ritmo frenético e a nítida certeza de que, se Althea Fields achava que o domingo seria um almoço tranquilo, ela não tinha a menor ideia do tamanho do turbilhão que estava prestes a invadir a família.

***

Cooper fechou a porta atrás de si, com sentimentos conflitantes. Havia uma vulnerabilidade latente na chefe, algo que a impelia a protege-la de qualquer coisa que pudesse feri-la. Isso era novo e extremamente perigoso, considerando sua posição naquela empresa, como chefe de segurança. Esperava que ao final de tudo, ainda mantivesse o emprego que iria garantir os sachês de salmão para Barnaby e Napoleão.

Com estes pensamentos em mente, acenou brevemente para Eleanor, que a observava discretamente da sua mesa e entrou no elevador rumo ao térreo, de volta ao posto.

 

Fim do capítulo


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