Capitulo 7 - Mentiras Corporativas e o Efeito Althea
A quinta-feira não teve nem a decência de começar com a tradicional névoa de Londres. Em vez disso, uma claridade crua e persistente atravessou as frestas da cortina da cobertura de Mayfair, atingindo os olhos de Phoebe Fields precisamente às seis da manhã.
Ela não havia dormido mais do que quatro horas consecutivas. Seu subconsciente, agora totalmente indisciplinado, passara a madrugada alternando imagens de Isla Cooper em trajes militares com o som estridente de catracas eletrônicas emitindo luzes vermelhas brilhantes.
Phoebe mal havia estendido a mão para alcançar o roupão de seda sobre a poltrona quando o celular sobre a mesa de cabeceira começou a vibrar. O visor indicava o mesmo nome da noite anterior. Um arrepio gélido subiu por sua espinha antes mesmo que o primeiro toque sonoro terminasse.
- Bom dia, mamãe - Phoebe atendeu, a voz ainda marcada pela rouquidão do despertar forçado, tentando embutir uma firmeza profissional que, àquela hora, era pura fachada.
- Phoebe, querida, que bom que já está de pé. Presumo que não estivesse dormindo, uma CEO de sucesso não se dá ao luxo de preguiça a esta hora da manhã - a voz de Althea Fields veio cristalina, pontuada pelo tilintar de uma colher de prata contra uma xícara de porcelana, vinda diretamente de sua propriedade senhorial em Hertfordshire, a pouco mais de uma hora de Londres. - Liguei para ajustar os ponteiros. Nosso motorista está de licença saúde e eu mudei de ideia sobre o trem. O serviço da National Rail está deplorável hoje em dia e cheio de pessoas comuns usando casacos de náilon. Você virá me buscar de carro no sábado à tarde.
Phoebe massageou a têmpora esquerda, onde uma pontada cirúrgica de enxaqueca começava a dar os primeiros sinais de vida.
- Mamãe, buscar você em Hertfordshire no sábado destrói metade do meu final de semana de trabalho. Eu posso perfeitamente enviar o motorista da empresa com o sedã executivo...
- Eu não quero o seu motorista, Phoebe. Quero a minha filha - Althea cortou, o tom descendo para aquela cadência aveludada e perigosa que precedia seus maiores ataques passivo-agressivos. - Mas, claro, se você está ocupada demais remoendo o fato de que aquela moça botânica empacotou os vasos de samambaia e a deixou para trás, eu compreendo. Embora, convenhamos, era perfeitamente previsível. Você sempre teve a sensibilidade emocional de uma pedra de gelo seco, querida. Florence apenas cansou de tentar descongelar o gelo. É sempre sua culpa quando as pessoas desistem de você.
A frase atingiu o estômago de Phoebe com a força de um soco. O ressentimento latente pelo abacate - nem tinha samambaias na cobertura, o cansaço das auditorias fiscais do dia anterior e a humilhação recente da catraca fundiram-se em um impulso de pura autodefesa e orgulho ferido. Ela não pensou. Ela não calculou a margem de risco. Apenas despejou as palavras para interromper o fluxo de julgamento da mãe.
- Eu não estou remoendo nada, mamãe. E Florence está no passado porque a fila andou. Eu estou namorando novamente.
O silêncio do outro lado da linha foi tão abrupto que Phoebe pôde ouvir o som distante de uma ave grasnando nos jardins de Hertfordshire. Ela congelou na cama, a mão estacada no ar, os olhos arregalados diante do absurdo que acabara de proferir. O que foi que eu fiz?, pensou, o seu cérebro em pânico.
- Namorando? - Althea repetiu a palavra como se estivesse testando uma iguaria exótica e possivelmente estragada. - Você? Há menos de um mês da separação? E quem seria a alma caridosa com tolerância para o seu mau humor e total falta de sal?
- É... uma pessoa da empresa - Phoebe desandou a mentir, o suor frio brotando na linha da testa. - Uma mulher. Nova na casa, mas extremamente... eficiente. E muito bonita. Uma ex-militar, na verdade. Da Força Aérea. O nome dela é Isla Cooper - completou.
- Uma militar? Céus, espero que ela não use uniformes e medalhas no almoço de domingo - Althea bufou, uma reação tipicamente desagradável e cética. - Bem, se isso for verdade e não apenas uma cortina de fumaça para disfarçar o seu fracasso conjugal com aquela mocinha tediosa, exijo que a traga junto no sábado e a mantenha por perto no domingo. Quero ver de perto que tipo de mulher aceita namorar alguém como você, que sempre está atrás de negócios, gráficos de lucros e perdas. Sábado à tarde, Phoebe. Não se atrase.
O clique do desligamento ecoou como um veredicto de execução no cadafalso. Phoebe até levou a mão ao pescoço, sentindo a pele formigar com uma corda de cânhamo imaginária. Mas por sua culpa estava realmente encrencada agora, com a corda no pescoço.
Phoebe largou o celular no colchão e enterrou o rosto no travesseiro, soltando um grito abafado de puro desespero. Ela tinha exatamente quarenta e oito horas para resolver uma crise de relações familiares apocalípticas que ela mesma criara.
***
Duas horas depois, Phoebe cruzava o saguão da Fields Cosmetics com a velocidade de um furacão. Ela passou pela catraca sem olhar para os lados, aproximando o crachá correto com uma precisão matemática que não deu margem para bipes de erro. Isla Cooper estava em seu posto, mas Phoebe limitou-se a um aceno rígido, subindo diretamente para o trigésimo andar.
Ao entrar na presidência, ela passou por Eleanor como uma rajada de vento.
- Eleanor, cancele a minha reunião das onze com o marketing. E não me repasse nenhuma chamada nas próximas três horas. Eu preciso de isolamento absoluto para gerenciar uma crise de alta prioridade.
- Sim, senhora Fields. Algum problema com as filiais de Seul? - a secretária perguntou, já com a caneta em punho.
- Pior. Minha mãe - Phoebe respondeu, fechando a porta de madeira maciça atrás de si com um estrondo seco.
Trancada em sua fortaleza, a CEO desabou na cadeira de couro e puxou um bloco de notas timbrado em letras douradas. Phoebe Fields não lidava com problemas usando emoções; ela lidava com problemas usando estratégia.
Ela dividiu a folha de papel com um traço firme de sua caneta Montblanc, desenhando os contornos de um plano audacioso para forçar a colaboração de Isla Cooper.
A estratégia baseava-se em uma barganha irrecusável: Phoebe se ofereceria para cobrir integralmente os custos que julgava ser exorbitantes do conserto do jipe verde-musgo de Isla, cuja junta do cabeçote estourada no subsolo possivelmente exigiria uma retífica completa equivalente a meses de salário de uma segurança - e ela imaginava que isso era realmente caro, ofereceria ainda uma generosa compensação financeira disfarçada de bônus por serviços especiais de assessoria de segurança pessoal, a ser depositada diretamente na conta de Isla na segunda-feira seguinte.
Phoebe tamborilou os dedos de unhas perfeitamente manicuradas na mesa de carvalho. Ela olhou para o papel, reavaliando os termos daquela trans*ção que ela esperava ser puramente comercial, embora no fundo da sua consciência, algo martelava com uma insistência bem peculiar...
- Eu sou a CEO desta empresa - Phoebe murmurou para si mesma, endireitando a postura e ajustando o blazer azul-marinho. - Eu posso negociar com alemães inflexíveis e posso negociar com uma segurança fã de tirinhas de um gato insolente. É apenas um acordo com benefícios mútuos.
Ela estendeu a mão para o telefone fixo da mesa e discou o ramal da triagem do térreo.
- Recepção geral, Cooper falando - a voz de Isla veio pelo receptor, firme, profissional, mas com aquela cadência naturalmente tranquila que fez o estômago de Phoebe dar um nó incompreensível.
- Cooper, aqui é a Fields - Phoebe disse, adotando seu tom mais profissional e executivo, desprovido de nuances. - Preciso que passe a triagem para o substituto imediatamente e suba até a minha sala na presidência. Agora.
- Aconteceu algo com o sistema de catracas novamente ou tem mais camarões envolvidos, senhora? - havia um tom nitidamente divertido na pergunta de Isla.
- Não seja insolente, Cooper. Suba imediatamente. É uma ordem.
Phoebe desligou o aparelho antes que Isla pudesse responder. Ela limpou a mesa, organizou o bloco de notas exatamente no centro do tampo de madeira e cruzou as mãos sobre os joelhos, respirando fundo enquanto aguardava a chegada de sua futura - e ela esperava... precisava que ela aceitasse - namorada de mentira. O show de comédia do universo estava prestes a começar o seu primeiro ato oficial.
Fim do capítulo
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HelOliveira
Em: 27/05/2026
Já fiquei ansiosa para ver todos os detalhes dessa negociação....
Me divertindo com essa história
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Socorro
Em: 27/05/2026
Haaaa naaaaoooooo volta ... Querooo. ver essa negociação kkkkkkk
na 1 oportunidade quero a CEO com os gatos da Cooper kkkk
Lady Texiana
Em: 28/05/2026
Autora da história
rsrsrs
Gatos podem ser uma arma de conquista, kkk.
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Lady Texiana Em: 28/05/2026 Autora da história
Háaa, os termos podem trazer benefícios mútuos, ou não...
Obrigada por acompanhar!
Abraços