34 por Luciane Ribeiro
Você é meu caminho parte 2
Passei meu braço ao redor de sua cintura e ela se acomodou contra mim enquanto observava o céu azul recortado pelas nuvens.
Karina se virou no assento à frente com um sorriso satisfeito.
- Esperem até ver a ilha.
E pela expressão de Helena, eu achei que ela já estava completamente encantada antes mesmo de chegarmos.
Os dias tensos e a noite em claro que aconteceram, nos fizeram dormir durante todo o trajeto da viagem. Karina tocou levemente meu ombro quando o avião começou a se aproximar da ilha.
- Acordem! Chegamos.
Olhamos pela janela e vimos a grande massa de terra, solitária, porém viva no meio do oceano. Uma imensidão de pequenas luzes iluminando a escuridão do mar.
O avião iniciou lentamente sua descida até um heliporto privativo. Vimos o casamento distante ,porém ,já se mostrando imponente e cheio de mistérios.
Ao descer do avião,fomos recebidos por uma equipe de pessoas que rapidamente pegaram nossas bagagens e nos levaram aos carros. A paisagem era de tirar o folego,lindas praias de areias brancas dividiam a atenção dos turistas com a bela floresta que cobria todo o lado sul da ilha .
O casamento ficou ainda mais interessante quando chegamos ao portão da propriedade e vimos um grande labirinto na entrada.
Nossas companheiras de viagem sorriram para nós de maneira cumplice, em antecipação ao que viria.
Karina e Clarissa se aproximaram sorridentes; uma segurançava um lenço e a outra, uma fita vermelha.
_Primeiramente ,sejam bem recebidos a ilha de Rizzos .Espero que aproveitem e se divirtam muito em sua estadia.
_Agora .Temos um dever a cumprir.
- Como é a primeira vez de vocês aqui, precisamos passar pelo nosso rito de passagem para integrar o grupo.
_Que tipo de rito?
- Não se preocupe. Não tem que cometer um crime ou algo assim. Só preciso atravessar o labirinto.
_Está falando sério?
_Com toda a certeza
Helena segurou firme minha mão. Pensei que estava com medo, mas quando olhei para ela vi algo bem diferente: animação, ansiedade, alegria. Elau adoro o desafio.
Vamos, Eve.
_Esse é o espírito,Heleninha!!!!
_A regra é bem simples. Uma de vocês deve estar com os olhos vendados. Terá que confiar em sua amada para conduzi-la.
Karina estende a fita vermelha entre os dedos com um sorriso travesso.
- No caso de vocês, vou vender Helena. Pois sei que ela sempre tenta manter o controle de tudo, principalmente de si mesma.
Clarissa de lado.
- Boa escolha, minha ninfa. Afinal, esse jogo se trata de confiança e parceria...
Karina estendeu a fita para mim.
- Então a fita fica com você.Quando entrarem você deve amarrar uma ponta da fita no pulso da Helena e a outra ponta no seu.Ele representa seu casamento,a decisão de unirem suas vidas.
Fiz como ordenaram. O vento bagunçou alguns fios do cabelo dela e, mesmo sem me ver, ela encontrou a mão imediatamente.
- vocês estão prontos? -Karina perguntou.
- Sim! - respondemos juntas.
-Ah! Estaremos monitorando, então não teremos medo.
- Certo!
Clarissa abriu o portão de ferro à nossa frente.
Começamos a entrar. Pequenas lâmpadas guiavam o caminho entre as paredes verdes do labirinto, espalhando uma luz dourada e delicada pelo chão de pedra.
A mão de Helena segurava firme a minha.
Passei a fita vermelha lentamente ao redor dos nossos pulsos e dei um nó firme o bastante para nos manter juntas, mas sem apertar.
Helena sentiu o toque e a felicidade.
- Agora não tem como fugir.
- Não. Só podemos ir em frente.
Percebi que ela não estava falando apenas sobre o caminho à nossa frente, mas sobre nosso relacionamento também. A cada esquina que virávamos, uma verdade e um sentimento estavam sendo revelados.
Dei o primeiro passo e senti Helena me acompanhar no mesmo instante.
Sem hesitação.
As vozes atrás de nós recuam a se afastar até desaparecerem de vez.
Restaram apenas nossos passos e o som suave das folhas se movendo com a brisa do mar.
- Um passo maior - avisei.
Ela obedeceu de imediato.
- Agora um pouco à direita.
Seus dedos fecharam os meus.
Viramos mais uma vez.
As pequenas lâmpadas deixavam o caminho quase mágico, como se estivéssemos andando por um corredor de estrelas baixas.
Helena respirou fundo.
- Como é o labirinto?
- As paredes são verdes e altas, tem flores brancas escondidas entre as folhas, a iluminação é dourada e quente... mas não ofusca o brilho da lua no céu.
Olhei pra ela.
Nada ali parecia mais bonito que ela. Me distraí nessa contemplação por alguns instantes.
- Eve?
Ri.
- Estou aqui.
Seguimos mais alguns passos.
A fita prendendo nossos pulsos faz com que cada movimento pareça sincronizado.
Quando eu desacelerei, ela desacelerou.
Quando eu virava, ela vinha comigo naturalmente.
Como se já soubéssemos o ritmo uma da outra sem precisar pensar.
Quando chegamos ao meio do labirinto, havia flores rodeando uma pequena base de madeira. Pequenas lâmpadas iluminavam aquele espaço como se ele tivesse sido guardado só para aquele momento.
Sobre a base havia um bilhete.
Peguei e li em voz baixa.
"Amar alguém é aprender a entender os defeitos antes de amar as qualidades."
Se posicione no centro. Olhe para sua parceira por dez segundos. Pense em tudo que a faz ama-la. E um beije.
Helena inclinou-se levemente a cabeça na minha direção.
- Por que paramos?
- Tem uma tarefa a ser feita.
- Qual?
Aproximei-me mais.
- Essa.
Levei a mão ao rosto dela com cuidado, apertando a pele macia sob meus dedos. Afastei uma mecha de cabelo levada pelo vento e um beijei de um jeito suave.
Sem pressa.
Como se o mundo tivesse desacelerado só para nós.
Helena correspondeu no mesmo instante, primeiro delicadamente, sentindo meus lábios como se estivesse decorando aquele toque. Depois se mudou mais, guiada apenas pela minha presença e pela confiança que existia entre nós.
Quando nos afastamos, ela continuou abraçada a mim, com a cabeça em meu ombro e as mãos me segurando firme.
- Você está bem?
- Estou. Estou muito bem agora.
Ri baixinho.
Olhei de novo para o bilhete.
Os dez segundos.
A orientação parecia simples, mas entendi por que aquilo estava ali.
Segurei o rosto dela entre as mãos e fiquei observando.
Cada detalhe.
A curva do sorriso.
A respiração tranquila.
A forma como ela permanece ali diante de mim sem enxergar nada e, ainda assim... confiando completamente em mim.
Amei Helena pela força.
Pela.
Pelo jeito como enfrentaria o mundo sem recuar.
Mas também por aquilo.
Por aquele instante silencioso em que ela me entregava o controle e me deixava direção.
_Eu te amo, Helena.
Me aproximei outra vez, o beijo veio mais profundo.
Mais quente.
Ainda cuidadoso.
Helena sorriu entre um beijo e outro e sussurrou contra meus lábios:
_Eu te amo Atena Evelyn.Se continuar assim, talvez eu queira não mais sair.
Sorria.
- Tem coisas ainda mais interessantes para fazermos lá fora. Principalmente quando estivermos em um quarto.
Ela inclinou o rosto um pouco mais perto.
- Certo. Você venceu.
Quando saímos do labirinto, algo em mim havia mudado.
Entendi a especialização do jogo.
Era união e sincronia.
Alinhar sentimentos com ações.
Retirei a venda dos olhos dela devagar.
Ela sorriu e meu coração pela milésima vez derreteu.
- Também te amo, Atena Evelyn.
Aline e Larissa se aproximaram de mãos dadas. Aquele simples gesto mostrou o quão fortes eram juntas e também o quanto se amavam.
- Parabéns! Vocês passaram no desafio.
- Sejam bem-vindas ao Refúgio.
Parabéns - Karina completou ao surgimento de Clarissa e as outras.
Aline para nós duas.
- Nem todos conseguem sair do labirinto entendendo a proposta de verdade.
Helena ainda mantinha a mão entrelaçada à minha.
- E qual era a proposta? - Disse.
Karina cruzou os braços com um sorriso leve.
- Descubra se vocês caminham juntos só quando tudo está fácil... ou se conseguem manter o ritmo mesmo quando tudo fica escuro e a única opção é confiar uma na outra.
Olhei para Helena.
E eu respondi antes mesmo que qualquer uma de nós dissesse algo.
Então venham. A noite está apenas começando.
Seguimos com elas em direção ao casamento.
As luzes douradas refletiram nas janelas enormes. A música suave escapava do interior misturada ao som distante do mar.
O Refúgio parecia um mundo próprio.
Bonito.
Misterioso.
Mas agora eu entendia por que aquele lugar era tão especial para eles.
Não era sobre a ilha.
Nem sobre o casarão.
Era sobre aquilo que cada casal levava dali.
Mais forte.
Mais alinhado.
Mais inteiro.
E, quando Helena encostou de leve no meu ombro enquanto subíamos os degraus da entrada principal, sorria sozinha.
Karina então, em tom solene, disse em voz alta:
O casar por dentro era ainda mais majestoso. O chão de madeira brilhava em um tom marrom escuro. As paredes eram de um azul-marinho profundo que combinava perfeitamente com os tons marrons claros da mobília. No hall de entrada havia um desenho como um emblema familiar de uma flor que mais tarde me disseram ser uma Dália Negra.
Assim que entramos na sala, fomos recebidos com champanhe e felicitações pelos termos alcançados.
Karina então, em tom solene, disse em voz alta:
- Damos oficialmente as boas-vindas ao casal Helena e Atena Evelyn ao Refúgio... e declaro meu apoio à candidatura delas à Dália Negra.
Franzi a testa imediatamente.
- Dália Negra?
Karina revelou como se já esperasse a ocorrência.
- Sim!
_Não me lembro de ter me candidatado a nada!
_Eu indiquei vocês. Logo serão notificados oficialmente ,se escolherem se unirem, serão testados e informados sobre tudo.
Helena olhou para mim entre assustada e curiosa.
- Nossa, amor... você as assustou,Karina!
- Desculpe, estava ansiosa demais. Quero muito que elas aceitem e sejam aprovados para integrarem a Dalia Negra.
_Hoje é dia de festa ,deixaremos os assuntos importantes para depois.
_Está bem!Está bem!
Todas riram e o champanhe começaram a ser servida. Clarissa e Larissa se aproximaram sorridentes.
- Desculpe.Às vezes karina não sabe escolher o momento certo para falar as coisas.Acho que esse é um dos encantos da minha mulher...enfim ,vamos aproveitar a noite.
_Fiquem a vontade.Temos petiscos e muita bebida.Divirtam se.
Fiquei muito feliz em ver o quanto Helena se sentia à vontade com aquelas mulheres. Pelo que me foi contada, Helena conheceu a casa de Dandara e, graças a elas, decidiu finalmente deixar para trás a doutrina na qual foi criada.
Eu tinha muito a agradecer a todos. Afinal, agora eu tinha uma esposa linda e brilhante.
Depois de Aline apagar as velas do seu pequeno bolo, o champanhe foi renovado por bebidas mais fortes, cerveja e tequila.
Helena, a princípio, ficou receposa em me deixar beber, mas depois dos diversos argumentos de Sabrina começaram a acompanhá-las.
Primeiro um drink leve chamado Luar de Line, criação de Larissa. Nem preciso dizer que o nome era uma homenagem à sua esposa.
Em seguida acompanhei Helena em uma dose de tequila.
Isso foi bastante para eu deixar bem alto.
Já Helena parecia não sentir os efeitos do álcool como uma pessoa comum.
Como isso era possível?
Aquela mulher conseguiu me surpreender a todo momento.
Eu, que antes era a rainha das noitadas, agora perdia para a moça pura que se dedicava à igreja.
Meu mundo estava mesmo de cabeça para baixo.
Helena, que conversava animadamente com Marcela, não demorou a notar que eu estava meio bêbada, mesmo que eu estivesse disfarçando bem.
Esperava uma possível bronca ou ela entrasse no seu modo preocupado a ponto de querer me examinar, mas Helena apenas se mudou sorridente.
Os olhos brilhando como uma criança vendo o mundo pela primeira vez.
Passou os braços em minha cintura, me abraçou e disse baixinho:
- Oi... parece que a tequila foi demais pra você. Você está bem?
- Sim...
- Tem certeza?
- Tenho.
- Então vamos ao quarto colocar nossos biquínis. A festa vai pra piscina.
-Também posso ir?
- É claro. Não vou a lugar algum sem você, meu amor.
- Será que estou sonhando ?
- Não. Só está um pouco bêbada. Mas não se preocupe... vou cuidar direitinho de você mais tarde.
Ela se moveu do meu ouvido e sussurrou:
- Você está deliciosa essa noite. Não vejo a hora de te provar mais tarde.
Senti um arrepio. Parte de motivação, parte de espanto.
Aquela era a mesma minha doce Helena?
- O que vocês duas tanto cochicham? Vão logo se trocar!
- Amorrr! Larissa!?
- Oi, vida!
Aline olhou para Larissa e disse:
- Eles vão ficar em qual quarto?
Larissa indicou para o corredor.
- No terceiro. É só seguir Sabrina e Marcela. Elas no quarto ao lado.
Helena pegou minha mão e saiu comigo levando pela casa fora, acompanhando nossos vizinhos de quarto.
- Você é diferente do que imaginávamos, Atena.
- Verdade. Karina nos disse que você era bastante festeiro, mas hoje está quieto. O que houve?
Ri olhando para Helena.
- Estou em choque. Minha doce esposa se mostrou mais festiva do que eu.
As duas riram.
- Isso é nossa culpa. Somos mais influência. Quando nos conhecemos, ela estava bebendo uma bebida sem álcool. À medida que a noite foi seguindo, convencemos ela a tomar uma tequila. A partir daí, ela nos acompanha até o amanhecer.
Os casais se separaram na porta dos quartos. Assim que a porta se fechou, Helena olhou para mim de um jeito estranho. Depois se mudou e me beijou com tanta intensidade que me deixou de pernas bambas e com o corpo quente. Segurei sua cintura e fui a conduzindo até a cama.
Quando comecei a levantar seu vestido, bati na porta.
Helena não se importou com quem batia. Sem a menor cerimônia, comecei a arranhar minhas costas por baixo da blusa, me olhando da maneira mais sedutora que minha libido era capaz de aguentar.
Ignorei quem estava na porta e voltei a beijar sua boca, depois seu pescoço. Comecei a descer pelo colo dela, enquanto minhas mãos subiam por sua coxa, levando consigo o vestido floral que ela, irritantemente, ainda vestia.
O desejo estava contatando-nos de uma forma selvagem.
Porém, ouvimos a batida na porta outra vez.
Dessa vez seguida da voz de Sabrina:
- Não adianta fingirem que não estão ouvindo. Vou ficar batendo até vocês se juntarem a nós.
Helena começou a rir.
Eu não sabia se ria,chorava.. ou se arremessava Sabrina dali do segundo andar.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Sem comentários
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook: