Capitulo 21
Por Hanna
Aquela era mais semana que estava sendo agitada devido os diversos contratos que estávamos assinando com outras empresas. Renata ainda estava em lua de mel, e por essa razão o trabalho de Marcela praticamente havia triplicado nos últimos dias. Nós mal estávamos nos vendo na empresa, e para falar a verdade, nem mesmo fora dela. O único tempo que tivemos a sós, foram poucas vezes em que conseguimos almoçar juntas. Mas de uma coisa Marcela não abria mão… Todas as noites ela fazia questão de ligar para passar um tempo falando com Gabriela, que por sua vez, reclamava toda hora da ausência da tia. A relação das duas era algo que crescia a cada dia, o que acalentava meu coração de uma maneira inexplicável.
Em resumo, eu poderia afirmar que tudo que estava acontecendo na minha vida me levava a melhor fase que já vivi. O único problema que estava me incomodando, era o fato de perceber o quanto Marcela parecia evitava qualquer contato mais íntimo comigo. Sempre que o clima entre nós estava esquentando, ela procurava imediatamente um jeito de se controlar. Apesar de entender seu comportamento, era impossível conter a sensação de tristeza e chateação com a situação, porque eu sabia exatamente o motivo pelo o qual ela agia assim. Por mais que tudo estivesse diferente, era como se as marcas do passado ainda se fizesse presente entre nós, e isso é realmente algo que eu não gostaria que continuasse acontecendo.
Eu estava na minha sala pensando em minha vida, quando vi Micaela entrando trazendo mais uma pilha de papéis para serem analisados.
– Preciso que você veja se esses documentos estão todos nos conformes.
– Meu Deus, precisava mesmo ser tantos assim? Você trouxe uma pilha dessa ontem. – Fiquei espantada com a quantidade de papéis que ela simplesmente jogou em minha mesa.
– Não tenho culpa se essa semana a empresa está de cabeça para baixo.
– Nem me fale! Eu nunca pedi tanto a Deus para que uma semana acabasse logo como essa.
– O humor da Marcela hoje está naquele grau. Já ouvi ela perdendo a cabeça com pelo menos dois fornecedores hoje.
– Hum! – Foi à única coisa que eu consegui murmurar.
– Ei, que carinha triste é essa? – Micaela já foi sentando na cadeira à minha frente. – Aconteceu alguma coisa? Vocês se desentenderam?
– Não é nada demais, mana. – Eu não queria deixá-la preocupada.
– Anda logo, Hanna. Fala de uma vez o que está te incomodando. Quando vai entender que eu te conheço e sei quando alguma coisa não está bem?
– Tudo bem! Eu vou te falar. Mas não vai me achar idiota, ok? – Vi ela revirar os olhos com impaciência. – Existe algo que tem me deixado um pouco chateada e sem saber o que fazer em minha relação com Marcela.
– Desenvolve! – Ela remexeu na cadeira mostrando interesse no assunto.
– Você sabe que voltamos a ficar juntas há pouco tempo. Sinto que estamos a cada dia que passa, mais conectadas. Ela já dormiu lá em casa mais de uma vez, só que… Bem, não aconteceu nada além disso, entende? – Confesso que estava com vergonha de ter aquela conversa com minha irmã.
– Você está falando de sex*?
– Micaela… Precisa ser tão direta assim?
– E por acaso estou falando com uma criança? – A vi revirar os olhos novamente.
Micaela tinha aquele costume de ser direta sem se incomodar com o efeito que causaria.
Suspirei com insegurança e timidez.
– É, Micaela. É sobre isso que estou falando. O fato é que toda vez que o clima esquenta, ela para no meio do caminho.
– Hum! E como você se sente com isso? Quero dizer, com a possibilidade de acontecer. Sabemos que esse é um tópico sensível. Você… Bem, você sabe. Não é exatamente o tipo de coisa com a qual você se sinta à vontade desde… Aquela época. Eu sei que já aconteceu outras vezes depois de tudo, mas até onde eu saiba você se sentiu desconfortável com a pessoa e com você mesma.
Micaela falava pausadamente, como se buscasse as palavras certas para tocar no assunto que todo mundo sabia ser sensível para mim.
– Eu ainda não sei bem. Na verdade, com ela tudo é sempre diferente dos outros relacionamentos que tentei viver. É tudo mais intenso, mais real. A entrega é diferente, as sensações são diferentes, os sentimentos… Tudo é diferente. – Assegurei com certeza daquilo que dizia, e vi um sorriso no rosto de Micaela.
– É porque talvez com ela você não esteja apenas tentando. Com ela você realmente quer que dê certo. Ela é a pessoa certa, entende?
Também sorri! Se existia algo que eu tinha certeza em minha vida, era do quanto eu queria que dessa vez desse tudo certo entre Marcela e eu.
– Só me preocupa que isso interfira em nosso relacionamento. Eu não consigo entender bem se ela se controla por respeitar meu tempo, ou se ao lembrar do que me aconteceu… Bem, e se ela se incomodar a ponto de não querer me tocar? – Respondi com sinceridade.
– O quê? Isso é loucura. Não acredito que seja isso. A primeira opção me parece mais sensata. – Minhas mãos foram seguradas por minha irmã. – Hanna, Marcela te ama. E nada do que te aconteceu pode interferir nesse sentimento. Você já conversou sobre isso com sua terapeuta?
– Uhum! Tenho abordado sobre o assunto durante as sessões.
– Ótimo! Fico feliz que tenha voltado com a terapia. Depois daquela crise que você teve, me recusaria acreditar que você teimaria em relação a isso. Quanto a esse assunto, não se cobre tanto. Viva seu relacionamento sem pressa e deixe a coisas acontecerem naturalmente. Talvez ela só não queira apressar as coisas.
– Hum! É, talvez você tenha razão.
Ela me analisou por segundo, provavelmente concluindo que não havia me convencido cem por cento.
– Escuta! Se isso te incomoda tanto, por que você não conversa com ela abertamente sobre o assunto? Depois de tudo o que vocês passaram, e o tempo que estiveram longe uma da outra, acho que o passo mais importante para o relacionamento de vocês darem certo, é manter uma linha de diálogo aberto. Marcela precisa saber como você se sente, conhecer suas inseguranças, e ter a chance de também falar sobre como se sente.
– Não vai parecer que estou pressionando?
– Claro que não! Vocês são duas adultas em um relacionamento sério. No mínimo precisam ter essas conversas sem receio.
Fiquei pensando a respeito! Talvez minha irmã estivesse certa. Seguir seu conselho não me parecia uma ideia tão absurda assim.
– Eu estou feliz, sabia?
– Pelo o que, exatamente? – Questionei.
– Por ver você tão feliz, tão aberta as possibilidades… Você está bem como a muito tempo não esteve, Hanna.
Fiquei algum tempo conversando com minha irmã, e ouvindo seus conselhos cheguei a uma conclusão: Atitude é o que eu precisava ter, e isso não iria passar daquele dia.
Fui em direção à sala de Marcela, parei diante de dona Marta que me olhou com interrogação.
– Dona Marta, meu amor. Sua chefinha está sozinha?
– Está sim, menina Hanna. Mas já vou avisando que o humor dela está péssimo.
– Deixa comigo que eu vou melhorar esse humor que todos estão temendo hoje. – Já estava indo em direção à sala, mas retornei novamente para a senhora que me olhava sem entender nada. – A propósito, não permita que ninguém nos interrompa, por favor.
Ela deixou escapar uma risada debochada, mas concordou quase de imediato. Não era tão ruim ter aliadas naquela empresa.
Bati na porta da sala e logo ouvi a voz grossa de Marcela autorizando a entrada sem ao menos saber quem estava ali. Quando abri a porta, dei de cara com minha amada! Bastou meu olhos focarem em suas expressões para concluir que não tinham exagerado quando falaram que o humor dela estava péssimo, mas ainda assim ela conseguia ser a mulher mais linda que eu vi em minha vida. Aquele óculos de grau que ela usava para leitura a deixava ainda mais sexy enquanto analisava alguns dos muitos papéis espalhados por sua mesa. Sem dúvidas, aquela sua personalidade de executiva séria era uma duas suas minhas versões que eu preferia.
– Aposto que até agora não almoçou. – Falei no meio da sala fazendo-a me olhar por cima dos óculos.
– Bingo! – Ela estava séria, mas me presenteou com um meio sorriso cansado. – Passei o dia analisando um planejamento, que por sinal apresenta tantos erros, que só serviu para concluir o quanto preciso me reunir com a equipe de planejamento. Desse jeito não dar para confiar um trabalho grande nas mãos deles. Se necessário, mudaremos toda a equipe.
– Sabe o que eu acho? Você está precisando relaxar um pouco, meu bem.
Dei a volta na mesa de Marcela e me coloquei por trás da sua cadeira. Deixando a ética profissional um pouco de lado, toquei em seus ombros com delicadeza, iniciando uma massagem para acalmá-la. Os músculos dela estavam tensos, mas assim que comecei a massagear o local, senti ela relaxando em minhas mãos. Tirei seus óculos colocando-os em cima da mesa, me curvei um pouco sob seu ombro e deslizei as mãos até sua camisa social onde sem encontrar barreiras ou resistência, comecei desabotoar os dois primeiros botões.
– O que você está fazendo, sua maluca? Alguém pode entrar.
Sua voz demonstrava o quanto estava surpresa, mas embora tenha alertado, ainda assim ela não fugiu do contato, o que me fez entender que ela não se importaria realmente se eu continuasse.
Confesso que eu sempre gostei de causar essa sensação em Marcela. Sempre me senti muito poderosa quando domava a fera daquele jeito, especialmente agora que ela costumava ser ainda mais séria que antes.
– Relaxe, meu amor. Estou apenas deixando você mais à vontade. – Sussurrei em seu ouvido.
– Do que você me chamou? – Ela virou a cadeira ficando de frente para mim.
O sorriso estampado em seus lábios era imenso, o que fazia meu coração bater forte e acelerado.
Me curvei um pouco mais, mas agora nossos olhos estavam conectados. Nossas bocas estavam próximas e nossas respirações se misturavam.
– Te chamei de meu amor. – Repeti sem desviar o olhar do dela, e em seguida roubei um selinho demorado. – Não é isso que você é?
– É exatamente isso que sou. Só sua! – Dessa vez foi ela quem tomou iniciativa quando me puxou para sentar em seu colo. Os beijos que ela distribuía em meus pescoço, fazia meu corpo responder de imediato. – Você é muito impossível, sabia? Desde quando está tão ousada dessa forma? – Ela murmurou em meu ouvido.
Passei as unhas contornando seu rosto com delicadeza e admirando cada pedacinho daquela que mexia com minhas estruturas.
– Eu sempre fui ousada, ou você esqueceu disso?
Eu queria mostrar para Marcela, que apesar do tempo ter me feito amadurecer e mudar em muitos aspectos, isso não me fez deixar de ser aquela Hanna por quem ela se apaixonou e a deixava quente sempre que estávamos juntas.
Beijei o lóbulo da sua orelha descendo em direção ao seu pescoço. Com o sonhado, senti o corpo de Marcela arrepiando em minhas mãos, e amei as sensações que meu corpo teve em resposta. A quanto tempo eu não me sentia tão viva?
Sua mão tocou em minha cintura deixando a outra descansar em minha coxa. Será que ela tinha noção que era a única pessoa de quem eu gostava de um contato como aquele?
– Hanna... – A dificuldade em sua voz era notória. – Por favor, estamos em nosso local de trabalho. – Sua voz saiu falha. – Eu quero, mas não posso.
– Não se preocupe, amor. Ninguém vai entrar! – Continuei distribuindo beijos na curva do seu pescoço. – Pedi para dona Marta não deixar isso acontecer.
Ela me olhou indignada e eu sorri.
– Então você já veio na má intenção? Pior, eu não acredito que você está corrompendo dona Marta pra te ajudar.
– Eu só queria fazer uma boa ação. Sua fama na empresa hoje está meio caótica. Todos estão falando do seu péssimo humor, sabia? Então pensei que como sua namorada, eu pudesse te fazer relaxar um pouco.
Eu falava e ao mesmo tempo fazia carinho em seu rosto. Eu simplesmente dorava tocar a pele dela, sentir o cheiro. Marcela fechou os olhos como se desejasse apreciar melhor o contato.
– É, você realmente está conseguindo. Parabéns! – Ela abriu os olhos e seu olhar caiu diretamente em meus lábios.
Aquilo foi o suficiente para me fazer perder o bom senso e me fazer esquecer onde estávamos. Busquei por seus lábios vermelhos em um beijo avassalador. Se eu tivesse que definir o beijo de Marcela em uma nota, eu falharia miseravelmente, porque o beijo daquela mulher me levava para outro mundo, me fazia conhecer as estrelas... Nossas línguas brincavam uma com a outra me fazendo perder o fôlego, meu coração parecia que a qualquer momento pararia. Perdi as contas de quantas vezes arfei em sua boca, mas apertava sua nuca puxando-a ainda mais para junto de mim. Senti Marcela ch*par minha língua, e por um momento meu corpo estremeceu em seus braços que me agarravam possessivamente.
– Você me deixa louca, sabia? – Ela murmurou ainda com os lábios grudados no meu.
– Essa não é uma exclusividade minha, já que você faz o mesmo comigo. – Distribui selinhos em seus lábio e deixava minhas unhas arranhar sua nuca. – Sabe, agora que você está relaxada, eu tenho um convite para te fazer. – Ela parou de beijar meus pescoço e me olhou desconfiada. – Quero que vá jantar lá em casa hoje.
– Huuuum! Adorei o convite. Mas quem vai cozinhar? – Ela perguntou debochada.
– Claro que sou eu. – Ela realmente não me respeitava – Do que está sorrindo, Marcela Bettencourt?
– Você cozinhando? – Ela gargalhou mais ainda. – Essa eu preciso ver.
– Você vai engolir esse deboche, e ainda vai me pedir desculpas por essa ousadia. – Fingi estar emburrada, mas era apenas charme.
– Own, não fica assim. – Cheirou meu pescoço. – Prometo que se não ficar bom a gente pede uma pizza. – Ela continuou a debochar e eu apenas revirei os olhos.
Fiquei na sala de Marcela por pouco tempo, afinal eu queria terminar meu trabalho e ir cedo para casa. Eu tinha que cuidar nos preparativos para o jantar com minha mulher. Ainda faltavam alguns detalhes para organizar e tudo sair perfeito como deveria ser. Se tudo saísse como planejado, aquela noite seria incrível, e eu teria o amor da minha vida definitivamente.
…
Por Marcela
Cheguei ao apartamento de Hanna,me me surpreendi quando o porteiro liberou minha entrada sem ao menos interfonar. Segundo ele, Hanna já havia deixado meu acesso livre para sempre que eu fosse ali. Confesso que fiquei satisfeita com isso, porque embora parecesse uma atitude pequena, ainda assim tinha um significado enorme, pois me mostrava que ela realmente havia mudado sua perspectiva sobre algumas coisas, e isso me fazia sentir uma pessoa importante para ela.
Subi até o andar do apartamento da mulher que deixei de tentar resistir, e só em chegar próximo à porta um frio na barriga começava a anunciar que eu era completamente apaixonada por aquela mulher.
Depois que toquei a campainha esperei pouco tempo para que Hanna abrisse a porta. Não pude evitar de olhá-la de cima a baixo por várias vezes! Naquela noite ela estava ainda mais linda, se é que isso era possível.
– Que foi? Vai ficar parada ai na porta me olhando como se estivesse vendo algo sobrenatural? – Ela fez graça diante da minha reação.
– É só que... Você está ainda mais linda. – Falei com sinceridade.
– Para com isso, Marcela. Assim você me deixa sem graça! De qualquer maneira, obrigada pelo elogio. – Ela me puxou pela mão para entrar no espaço.
– Você sem graça? Isso é uma novidade. Você nunca foi tímida.
– Pelo visto eu tenho te surpreendido muito, senhorita Bettencourt. – Ela falou colocando seus braços em volta do meu pescoço.
Se eu arrepiei? Sim, com toda certeza.
– Isso é bom ou ruim? – Abracei Hanna pela cintura, deixando nossos corpos ainda mais próximos.
– Isso é perfeito!
O tempo passou e eu tinha esquecido como aquela mulher conseguia ser sexy, ousada e até mesmo surpreendente. No passado, Hanna poderia até agir com frieza quando estávamos na frente das pessoas, mas eu admito que uma das coisas que sempre amei nela, era como ela tinha seus momentos de ser carinhosa e atenciosa quando estávamos juntas. No presente as coisas não estavam sendo tão diferentes. Os momentos que passávamos juntas, eram sempre de muito carinho, ternura e leveza. Hanna consegue tirar sorrisos fáceis de mim, deixando nosso clima sempre muito agradável. Preciso confessar que agora mesmo estando na frente de outras pessoas, talvez mesmo que um pouco contida, ainda assim percebo que agora ela não esconde o que temos, me passando segurança que as coisas dessa vez pode mesmo funcionar.
Hanna buscava o contato com minha boca sem nenhuma vergonha. Eu até percebia que a cada dia ela parecia mais à vontade, e eu adorava isso. Adorava que ela sentisse confiança e segurança não apenas em mim, mas também naquilo que estávamos construindo.
Prontamente retribuí aquele beijo que me levava ao céu em questão de segundos. Estar nos braços de Hanna era simplesmente magnífico, inexplicável, delicioso, é algo que só me fazia desejá-la mais e mais.
– Eu estava com saudades da sua boca. – Ela falou sem desgrudar do meu corpo quando o beijo cessou.
– Só da boca, é? – Perguntei depositando um beijo na sua testa carinhosamente.
– Se eu falar que estava com saudades de você por inteira, aposto que vai ficar convencida. – Ela me roubou mais um selinho. – Vem! Vamos para cozinha. Eu ainda estou terminando minha obra de arte.
– Então a chef realmente está cozinhando? – Zombei dela que logo me olhou com a sobrancelha erguida. – Eu trouxe o vinho para tomarmos juntas. – Falei na tentativa de não ser morta pelo olhar fulminante que ela me lançava.
– Obrigada! Eu já vou te servir uma taça.
Chegamos à cozinha e enquanto ela buscava uma taça para pôr vinho, eu percebi que o apartamento estava bastante silencioso, o que não era comum.
– Cadê a Gabi? – Perguntei curiosa.
– Ela foi dormir na casa dos meus pais. – Me olhou. – Digamos que meu pai é um avô muito babão, e de vez enquanto leva ela para ficar com eles sem que nenhum motivo específico seja necessário. Mas confesso que hoje foi um ótimo dia para isso.
Me estendeu uma taça com o liquido escuro que tanto aprendi a gostar desde minha estadia em Portugal. Seu olhar era de pura malicia quando falou aquelas últimas palavras.
…
O jantar estava indo muito bem. Nós conversávamos animadamente sobre coisas aleatórias entre risos e carinhos. Eu ainda precisei admitir que a comida estava mesmo uma delícia, e lidar com seu convencimento aguçado.
– Posso saber onde você aprendeu a cozinhar assim? – Perguntei enquanto a ajudava retirar a mesa.
– Quando nos tornamos mãe precisamos aprender muitas coisas. – Soou tranquila. – Mas preciso te confessar que essa lasanha aprendi há muito tempo. Quero dizer, foi algo antes mesmo da Gabi existir. Na verdade, foi uma das primeiras coisas que fiz questão de aprender a cozinhar, porque eu sabia que era sua comida preferida. Eu queria saber fazer tudo para te agradar. – Ela escorou na pia e se virou para ficar de frente para mim. – Depois que você foi embora, eu passei a querer tudo que fizesse me lembrar de você. Era uma forma de me sentir mais perto, mesmo estando a quilômetros de distância.
Fui pega de surpresa com aquela confissão. Eu pude sentir verdade em cada palavra dita, e embora eu não quisesse pesar o clima, não pude evitar de questionar algo que me deixava curiosa.
– Por que você demorou tanto tempo para aceitar o que sentia?
Vi ela suspirar!
– Vem comigo!
Deixei que ela me levasse. Para ser honesta, acho que isso estava virando rotina. Hanna podia fazer o que bem entendesse, que eu sempre estaria pronta para dizer sim.
Antes de sentarmos no grande tapete felpudo que tinha na sala de Hanna, a vi ir no pequeno escritório que tinha ali, e quando retornou foi com um embrulho nas mãos.
Ela depositou o pacote na mesinha de centro, e então sentamos lado a lado nos apoiando no sofá. Hanna colocou um pouco de vinho em duas taças, e me direcionou uma enquanto mantinha um olhar sério.
– Vou começar a falar e só quero que você preste bastante atenção em cada palavra, e então depois você fala alguma coisa, ok? – Concordei! Eu estava curiosa com toda aquele preparativo. – Céus! Eu estou muito nervosa, mas vou conseguir. Você me perguntou o porquê demorei tanto tempo para aceitar o que sentia por você, mas a verdade é que não posso te dar essa resposta, porque no fundo foi algo que sempre me perguntei e jamais cheguei a qualquer conclusão que não fosse: “Eu era uma idiota” – Ela fez o sinal de aspas com o dedo no ar. – Marcela, nem tudo na vida fica explicado o porquê acontece, mas talvez era preciso eu passar por todas as experiências ruins que passei para me tornar hoje a mulher que eu sou. Eu aprendi com os meus próprios erros, e me orgulho disso. Eu tinha duas opções: continuar errando ou aprender a ser alguém melhor. E eu escolhi o melhor para mim, e para quem está à minha volta. Hoje minha filha pode se orgulhar da mãe que tem. Talvez também tivéssemos que passar por tudo o que aconteceu e que nos afastou, para hoje termos a certeza do que sentimos e do que queremos. – Ela fez uma pausa e sua mão tocou tão levemente meu rosto que automaticamente meus olhos fecharam. – Nunca quis te perder, nunca pensei que isso pudesse acontecer, e talvez por isso não tenha percebido antes o quanto eu era uma babaca com você, com a gente. Talvez porque eu nunca tinha sentido a dor que era viver sem você. Sua ausência na minha vida me trouxe um gosto amargo, um vazio que ninguém parecia ser capaz de preencher, me trouxe a certeza que metade de mim é você, e que sem você sempre viveria incompleta.
Eu iria falar algo, mas ela não deixou. Hanna pegou o embrulho que estava na mesinha de centro e antes de me entregar, voltou a falar:
– O destino me deu uma segunda chance trazendo você de volta para minha vida. Sei que já estamos juntas, mas quero fazer as coisas certas dessa vez. Tudo como mandam os tradições. Hoje, eu só preciso saber se você está disposta a me dar uma segunda chance também. Eu sinto que esperei tempo demais para lutar pelo o que eu amo, pelo o que eu sempre amei. Mas nunca é tarde!
Meus olhos já estavam embaçando com aquelas lágrimas que teimavam em querer cair sem permissão. Quanto tempo esperei ouvir pelo menos metade daquelas palavras? Hoje eu vejo que naquela época talvez eu tenha ido embora do Brasil, porque não suportaria viver perto dela sem de fato tê-la por inteira. Se foi tempo perdido? Não sei! Talvez tenha sido o tempo necessário para que nós duas amadurecemos, mas nem esse tempo foi capaz de mudar o sentimento existente dentro do coração. Durante anos, eu até quis me enganar, mas agora eu percebia que nunca deixei de amar Hanna. Com um pouco de paciência e persistência, ela conseguiu em pouco tempo derrubar toda armadura que levei longas e sofridas noites para construir durante oito anos.
Segurei o embrulho que Hanna me direcionava com as mãos trêmulas, e abri com cuidado. Quando tirei de dentro do embrulho uma pequena caixinha, meu coração parecia que iria sair pela boca. Olhei para Hanna que tinha expectativa nos olhos enquanto me assistia abri-la. Lá estavam duas alianças de ouro branco com uma pedrinha pequena bem no centro brilhando na direção dos meus olhos. Novamente busquei respostas em seus olhos. Ela estava nervosa, mas em um movimento rápido assisti ela se colocando de joelhos na minha frente, me deixando ainda mais atordoada e surpresa com sua atitude. Aquilo era algo jamais imaginável no passado.
– Eu sei que antes não quereria demonstrar nossa relação. Queria fazer tudo escondido, como se estivessemos cometendo um clime, mas hoje tudo que eu mais quero é mostrar para o mundo o quanto tenho sorte em tê-la como minha. Aceita oficialmente namorar comigo?
Certo! Aquilo era demais para um pobre coração apaixonado. Como ela ainda poderia ter dúvidas da resposta? Segurei em sua mão, peguei uma das alianças e delicadamente deslizei o arco em seu dedo, enquanto falava sem tirar os olhos dos dela:
– Tenho certeza que esse é apenas o começo de uma longa história de amor. Assim como você, eu também nunca deixei de te amar. Eu jamais diria não para a mulher da minha vida.
Já com lágrimas escorrendo pelo seu rosto, vi Hanna pegar a outra aliança e então colocá-la em meu dedo, beijando minha mão delicadamente logo em seguida. Mas aquele gesto, apesar de lindo e muito significante, era também pouco diante do desejo que eu tinha por ela.
Me aproximei do seu rosto segurando com delicadeza sem desviar nossos olhos. Os olhos verdes intenso que eu tanto amava admirar, agora adotava uma tonalidade mais escura, e eu entendia perfeitamente que sinal era aquele. Hanna estava me desejando tanto quanto eu a desejava. Antes mesmo dos nossos lábios se encontrarem, Hanna fechou os olhos e respirou fundo como se estivesse ansiosa pelo próximo passo que seria dado.
Desenhei com o polegar aqueles lábios rosados. Meu desejo por ela só aumentava ainda mais com cada expressão que via surgir em seu rosto.
Coloquei meus lábios em seu ouvido e sussurrei com a voz rouca já tomada pelo desejo.
– Você é tão linda! Eu te desejo tanto, que às vezes até dói o coração por ter que me segurar.
Seu corpo arrepiou e seus olhos abriram buscando pelos meus.
– E quem disse que você precisa? – Sua voz estava tão rouca quanto a minha.
Nossos lábios se encontraram com urgência, iniciando um beijo intenso e que transbordava em paixão. Era possível sentir como os lábios de Hanna estavam quentes, e aquilo me fez trazer ainda mais seu corpo para junto do meu.
Hanna pediu passagem para sua língua explorar minha boca, me fazendo arfar em resposta. Quando nossas línguas se encontraram pareciam uma só, tamanha era a nossa sincronia.
Desci a boca deixando rastro de beijos molhados pelas curvas da sua mandíbula, e isso parece ter ocasionado efeitos na loira. As mãos de Hanna pareciam que tinham criado vida própria, e logo senti seus dedos tocando delicadamente minha barriga por dentro da blusa. Aquele contato me causou não apenas um arrepio, mas também me deixou vergonhosamente molhada.
Os beijos tornaram-se cada vez mais intensos e ousados. Não parávamos de nos beijar, mesmo quando precisávamos de ar não conseguíamos desgrudar nossos lábios.
No entanto, por mais que eu estivesse enlouquecida de desejo pela minha namorada, eu sabia do trauma pelo qual ela tinha passado, e sentia que precisava que ela estivesse totalmente certa do que queria.
– Hanna, desse jeito você acaba comigo, meu bem. – Sussurrei em seu ouvido quando senti seus lábios tocarem novamente a curva do meu pescoço, porém dessa vez com mais ousadia.
– Eu sei o que você está pensando. Mas com você é tudo diferente. Você é a pessoa certa. A única! Não me faz parar, Marcela. Eu te quero tanto! – Ela sussurrou em meu ouvido com uma voz rouca.
– Eu também te quero! – Isso foi a única coisa que consegui dizer.
Voltei a beijá-la tomando totalmente o controle da situação para mim. Minha língua agora explorava sua boca com ainda mais vontade que antes. Meus dedos entravam pelas mechas do seu cabelo, e então os puxei com delicadeza fazendo com que toda extensão do seu pescoço ficasse exposto para mim. Hanna gem*u baixinho e aquilo me fazia esquentar por dentro. As mãos da minha namorada entraram por dentro da minha blusa sem vergonha alguma, enquanto minha boca descia pelo seu pescoço. Minha mão livre seguiu o seu exemplo e quando alcançou sua pele por dentro da blusa de tecido fino que vestia, pacientemente subi em direção aos seus seios, apertando um deles por cima do sutiã de renda.
– Vamos para o quarto. – Ela pediu, e eu prontamente obedeci sem soltá-la em momento algum.
Seguimos para o seu quarto entre beijos e amassos, algumas peças de roupas ficaram pelo caminho corredor. Beijando sua boca com volúpia, a levei em direção à cama onde a deitei com cuidado. Hanna estava totalmente entregue a mim, e eu estava totalmente louca para tê-la.
Me coloquei sobre seu corpo e uma conexão de castanhos com verdes nos prendia uma nos olhos da outra. Sem demora alguma, tirei seu sutiã e quando minha visão se deparou com aqueles seios médios, minha boca salivou. Era perfeitos! Seus mamilos estavam enrijecidos, me despertando o desejo de querer senti-los, então rapidamente me permiti fazer isso. Fechei os olhos quando minhas mãos os alcançaram. Os apertei sentindo seu corpo remexer embaixo do meu. Nós duas gostávamos da sensação que aquele toque provocava.
Naquele momento não existia mais nada que não fosse, eu e Hanna, totalmente entregues ao amor novamente. Nossos corpos respondiam a cada toque, e nossos corações batiam em uma sintonia invejável.
Meus lábios desgrudaram da boca de Hanna, e desceram pelo seu corpo buscando o que tanto eu queria. Minha boca chegou até o mamilo rosado que estava rígido e sensível, a ponta da minha língua rodeou o local e senti meus sex* pulsar quando ouvi um gemido abafado sair da boca de Hanna. Aquilo foi um estimulo para eu continuar. Passei a saborear seus seios com vontade! Eu os ch*pava e dava leves mordiscadas provocando os gemidos da outra só aumentavam. Definitivamente aquilo me enlouquecia!
Minha mão desceu por um camino que dava total acesso a perna de Hanna, onde apertei sua coxa sentindo sua pele quente. Sentir sua coxa, que estava entre minhas pernas, roçar na minha intimidade era uma coisa extremamente excitante. Não perdi mais tempo… Desabotoei a calça de Hanna, e então me afastei do seu corpo para ajudá-la tirar todo o resto da roupa que ainda cobria seu corpo.
Percebi que por um breve momento Hanna pareceu ficar tímida, mas logo busquei acalmá-la.
– Já te falei o quanto amo seu corpo? – Sussurrei em seu ouvido onde minha língua passou a brincar com o lóbulo da mesma.
– Não! Mas estou adorando ouvir. – Ela respondeu com desejo. – Sabe que é injusto você ainda estar com toda essa roupa? – Sua voz era rouca, quase falha.
– Podemos resolver isso. É só você me ajudar a tirar tudo.
Hanna não perdeu tempo e logo eu estava nua sobre o seu corpo, sentindo nossos seios colados enquanto nos beijávamos loucamente. O corpo de Hanna se erguia em direção ao meu, fazendo com que o contato fosse ainda mais forte e nossas intimidades pudessem se explorar, se tocarem, se provocarem.
O corpo de Hanna estava quente, e minha língua podia sentir isso quando foi passeando por todo o caminho das suas curvas. Eu estava alternando entre lambidas e beijos molhados que foram passando pelos seios, barriga, coxas e virilha.
Naquele momento estávamos totalmente entregues. Os olhos de Hanna estavam escuros denunciando que estavam tomados pelo desejo que ela sentia. Ela gem*u abafado quando beijei sua intimidade, e senti meu sex* pulsar e umedecer ainda mais em resposta àquele contato. Sempre gostei daquelas preliminares, mas com Hanna era tudo ainda mais delicioso. Tê-la em meus braços novamente era algo que me enlouquecia.
– Marcela... Por favor... – Hanna falava com dificuldade e sua voz saia cortada. – Você está me enlouquecendo com essa tortura.
Óbvio que sorri com aquele desespero da minha namorada, e a torturei por mais tempo, distribuindo beijos antes de mergulhar minha língua em seu sex*. Quando senti o sabor de Hanna, foi impossível evitar que um gemido saísse da minha boca, aquele sabor era único, inconfundível e eu simplesmente amava.
Minha língua revezava sem pudor entre ch*padas e movimentos levemente circulares. Em cada ação minha, ela rebol*va indo ainda mais ao encontro da minha boca. Minhas mãos acariciavam todo o corpo de Hanna até encontrarem seus seios, e então passei a massageá-los e apertá-los. Era uma sintonia perfeita entre língua e mãos, onde o foco principal era dar prazer a Hanna.
Percebendo que ela já estava beirando o desespero, coisa que não estava sendo tão diferente comigo, escorreguei minha língua até a entrada da sua intimidade e sem esperar por permissão a penetrei. O gemido foi alto e gostoso de ouvir. Seu corpo se contorcia na cama, e sua mão pousou na minha cabeça impedido que eu retirasse a língua daquele local.
– Marcela... Não para que eu vou...
Hanna falava entre gemidos, mas antes que ela pudesse completar a frase, eu coloquei dois dedos estrategicamente pressionando seu sex* em movimentos circulares. Era uma combinação perfeita com a minha língua que seguia penetrando-a. Eu estava movida pelo desejo que sentia por ela, e isso me fazia aumentar a velocidade dos movimentos cada vez mais. Em resposta, senti as unhas de Hanna arranhar minha nuca entre gemidos desesperados pedindo para não parar.
Senti as contrações do seu corpo, dando ela estava quase chegando ao seu ápice. Não demorou muito para senti-la goz*r em minha boca.
Momentos depois, distribuí beijos em suas coxas e fui subindo fazendo uma trilha em direção à sua barriga até chegar ao seu pescoço. Hanna estava suada, ofegante e com o corpo trêmulo. Seus olhos, que até agora estavam fechados, abriram e o verde que ainda estavam escuros conectaram-se com os meus. Um sorriso lindo surgiu em seus lábios e eu tive certeza que aquele momento foi especial para nós duas.
– Que saudades senti do seu corpo.
Fui pega de surpresa por Hanna, que inverteu a posição ficando por cima do meu corpo. Ela me olhava com os olhos intensos, deixando claro que aquela noite estava apenas começando.
Depois de horas nos amando, ficamos jogadas na cama ainda recuperando o fôlego. Hanna estava deitada com a cabeça em meu peito, seu braço enlaçava confortavelmente minha cintura, ela estava tão quietinha e aquilo me deixou curiosa.
– Está tudo bem? – Perguntei lhe fazendo um carinho em suas costas nuas.
– Bem? – Ela me olhou com aquele jeito ousado que só ela costumava olhar. – Está tudo maravilhoso!
Puxei Hanna e tomei sua boca em um beijo apaixonado.
– Estou me viciando em você, senhorita Prado. – Falei ao finalizar o beijo.
– Eu acho isso perfeito, porque eu nunca deixei de ser viciada em você. E agora que é minha namorada, pode se preparar que vou grudar de vez.
Gargalhei com aquela sua forma possessiva de falar.
Ficamos na cama trocando beijos e carinhos até sermos vencidas pelo cansaço. Adormecemos nos braços uma da outra, completamente nuas e tomadas pelo clima de paixão.
Fim do capítulo
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