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A volta do amor que nunca se foi por priskelly

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Palavras: 6599
Acessos: 200   |  Postado em: 25/05/2026

Capitulo 20

Por Hanna

 

O sol estava quase se pondo quando ouvimos os primeiros indícios da música A Thousand Years invadir o espaço do jardim da chácara da família de Renata. O casamento estava sendo realizado para convidados mais íntimos do casal, e por escolha dos noivos estava sendo realizado naquele ambiente de campo ao ar livre. Naquele instante, nós madrinhas, assim como também os convidados, estávamos em pé assistindo a entrada da noiva naquele espaço decorado com muitas flores e um tapete vermelho. Renata estava linda vestida de noiva, e conforme a música ia tocando todos os presentes se emocionavam junto com ela. Olhei para o lado e vi Guilherme nervoso, mas seu sorriso demonstrava o quanto ele estava feliz por finalmente aquele ter chegado.

 

No decorrer da cerimônia era impossível não trocar olhares com Marcela, que por sinal estava extremamente linda. Ela me olhava com tanta intensidade que fazia meu corpo estremecer. Durante a celebração vez ou outra, eu senti suas mãos buscando as minhas, em todos esses encontros, era como se uma corrente elétrica percorresse meu corpo.

 

– Guilherme Fagundes, você aceita Renata Albuquerque como sua legitima esposa, prometendo amá-la e respeitá-la na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?

 

O padre fazia a tradicional pergunta de todos os casamentos. Foi nesse instante que vi minha filha entrando com as alianças que seriam oferecidas aos noivos. Ela estava tão linda que não consegui segurar a emoção. 

 

– Sim! – O noivo respondeu sorrindo olhando nos olhos de Renata, que parecia se esforçar para segurar as lágrimas.

 

– Renata Albuquerque, você aceita Guilherme Fagundes como seu legitimo esposo, prometendo amá-lo e respeitá-lo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe? 

 

– Bem que ele poderia pular para a parte do beijo. Será que ele não ver que Renata está quase pulando no pescoço do noivo? – Daniela cochichou próxima à mim e Marcela, nos fazendo prender o riso enquanto o padre repetia a pergunta que tinha feito anteriormente para Guilherme.

 

– Sim, padre! – Nossa amiga respondeu realmente apressada.

 

Os noivos pegaram as alianças que Gabi entregava, e então o padre abençoou após eles as colocarem nos dedos um do outro.

 

– O noivo pode beijar a noiva. 

 

O padre mal fechou a boca e o noivo já foi puxando Renata para um beijo intenso.

 

– AGORA É SÓ FESTAAAAAAA, PORRA! – A destrambelhada da Daniela gritou arrancando sorrisos dos convidados e até do padre. 

 

Gabi correu na direção de Marcela, que prontamente a colocou no colo.

 

– Filha, você vai amassar o vestido da Marcela. – Tentei argumentar, mas Marcela protestou.

 

– Não tem problema! Eu adoro ter ela em meus braços.

 

Marcela falou dando um beijo no rosto da minha filha, me deixando ainda mais boba. Eu realmente adorava aquela relação que existia entre as duas.

 

A festa do casamento seria ali no mesmo local onde a cerimônia havia sido realizada. A música alegre já tomava conta do ambiente e muitos convidados dançavam junto com os noivos em uma pista de dança improvisada.

 

Vi meus pais se aproximando de nós e fiquei até pálida, já que não tinha tido tempo de conversar com eles ainda sobre meu envolvimento com Marcela. Eu não tinha medo do que eles pensariam, nem mesmo me importava se fossem ser contra, o que dificilmente aconteceria. Mas teria sido de bom tom não pegá-los de surpresa.

 

– Marcela, que bom revê-la. Fazia muitos anos que não tínhamos a alegria de encontrá-la. – Minha mãe aproximou-se ainda mais de Marcela para cumprimentá-la com beijos no rosto.

 

– Fico feliz em vê-los novamente também, dona Verônica. – Marcela foi educada com minha mãe, e eu permanecia em silêncio observando a cena. – Senhor Fred, tudo bem com o senhor? 

 

– Quanta formalidade, menina. Falando assim nem parece que te tínhamos com frequência em nossa casa. Por favor, nada de me chamar de senhor. Assim me sinto velho. – Meu pai fez graça e Marcela sorriu. – Micaela nos contou que voltou recentemente. Por que ainda não nos fez uma visita?

 

– Muita correria! Sabe como é… Estamos nos adaptando a transição da presidência da empresa. E ainda tinha o casamento de Renata a caminho. – Ela respondeu com naturalidade.

 

Marcela não parecer se sentir incomodada na presença dos meus pais. Pelo contrário, ela estava a vontade enquanto mantinha a conversa com os dois. 

 

– Entendemos perfeitamente, querida. Mas você está nos devendo uma visita. Vou marcar um almoço em família e comunico a Hanna para ela te levar, ok? – Mamãe disse como se aquilo fosse comum.

 

Foi naquele momento que entendi que nada precisava ser dito. Papai e mamãe sabiam, e também pareciam estar bem aquilo. Embora eu percebesse que a curiosidade era aflorada. Os dois intercalavam os olhares de mim para minha filha que estava nos braços da Marcela. Eles sabiam, mas talvez quisessem entender até que ponto o andar das coisas realmente estavam.

 

– Que absurdo! Vocês não têm filha para falar não? Só falam com a Marcela, agora?

 

Fingi indignação e abracei minha mãe lhe dando um beijo no rosto. Em seguida, fui em direção ao meu pai repetindo o gesto de carinho. 

 

– Claro que falamos, minha princesa – Odiava quando meu pai me tratava como criança. – Mas você precisa entender que o retorno da Marcela para o Brasil é algo histórico e deve ser celebrado.

 

– Eu não sabia que já tinha conhecido nossa neta, Marcela. – Minha mãe parecia escolher as palavras certas para abordar o assunto. 

 

A olhei indignada! É claro que ela sabia. Gabriela falava sobre Marcela o tempo o tempo todo. Talvez ela só estivesse querendo ser sútil para não deixar Marcela desconfortável ou algo parecido. 

 

– Sim! Conheci essa pequena logo depois que cheguei ao Brasil.

 

Marcela fazia carinho no rostinho de Gabriela, que parecia entretida demais com um jogo qualquer do celular que Marcela havia deixado pegar. 

 

– Ela parece gostar muito de você. Vimos como ela correu em sua direção logo que a cerimônia acabou. – Foi meu pai quem fez a observação.

 

– E eu gosto muito dela, não é meu anjo?. – Marcela olhou com carinho para Gabi. 

 

Marcela atraiu o olhar de Gabriela, que sorriu e genuinamente beijou seu rosto, deixando meus pais ainda mais surpresos com a cena. Todos nós sabíamos que Gabriela não era muito fã de contato físico com ninguém além de nós.

 

– Eu te gosto muito também, tia.

 

Nos lábios de Marcela surgiu um sorriso largo.

 

– Vocês tem uma neta adorável. 

 

– Isso ela puxou do avô, é claro. Sou um sujeito bom! 

 

Todas nós gargalhamos! Papai sempre teve aquele lado galanteador. 

 

– Fred, por favor. Você não toma jeito, homem. – Mamãe repreendeu o marido.

 

– E eu estou mentindo por acaso? – Ele deu de ombros.

 

Papai continuou conversando animadamente com Marcela, e minha mãe apenas olhou para mim com aquela expressão indecifrável. Eu sabia o que aquele olhar queria dizer, ela iria querer entender como estava sendo nossa aproximação depois de anos longe e depois de tudo o que aconteceu.

 

– Bom, se me dão licença, eu vou até meus pais falar com eles. Mas voltaremos a conversar daqui a pouco. – Marcela me olhou! Era como se ela quisesse me dizer que logo estaria novamente comigo. – Hanna, pode ficar com a Gabi um minuto? 

 

– Claro!

 

Depois que Marcela saiu de perto de nós, meus pais me olharam como se esperassem uma explicação.

 

– Então, vocês se acertaram? – Minha mãe foi rápida e direta.

 

– Mamãe, esse não é o momento.

 

Eu acho que estava constrangida, não pelo o fato de estar com Marcela, mas por que essa era a primeira vez que de fato eles me viam com alguém de verdade.

 

– Qual o problema, meu amor? Adoramos a Marcela, e você sabe que para nós não é um problema se estiverem juntas.

 

Meu pai poderia nunca saber, mas aquelas palavras aqueciam meu coração. 

 

– Eu sei, papai. Bom, a verdade é que somente ontem que resolvemos nos dar uma oportunidade. Sim, agora estamos oficialmente juntas novamente. Estamos tentando fazer dar certo dessa vez.

 

– Você sempre amou essa mulher, e ficamos realmente felizes de ver vocês se permitindo outra vez. – Meu pai falou com alegria me puxando para um abraço.

 

– Ela parece ter um sentimento lindo pela nossa neta. Isso já é um grande passo para dar tudo certo dessa vez. – Minha mãe falou e eu apenas concordei com um sorriso que acho que nem cabia em mim. – Te desejamos toda felicidade do mundo, meu amor.

 

Fiquei ali com meus pais conversando durante algum tempo, mas logo ouvi meu nome ser gritado por uma Daniela histérica para tirar a foto das madrinhas ao lado dos noivos. 

 

– Eu tenho que ir, mas logo nos falamos. – Me despedi deles e segui em direção onde a Maluca da Daniela gritava.

 

 

 

…

 

 

 

A festa estava animada, o jantar já havia terminado e agora estávamos todas na pista dançando e bebendo junto com os noivos, que estavam radiantes de tanta felicidade. 

 

Senti minha cintura sendo envolvida pelos braços de Marcela, que estava atrás do meu corpo depositando um beijo no meu rosto.

 

– Já te falei o quanto você está linda nesse vestido? – Ela perguntou me fazendo arrepiar.

 

– É mesmo? Até outro dia você estava reclamando dele. – Virei de frente para ela, colocando meus braços em volta do seu pescoço e lhe roubei um selinho.

 

– Acontece que até então eu só podia vê-la, mas não tocar. – O seu tom de voz sexy me causava arrepio.

 

– Isso era uma escolha sua, minha querida. 

 

– Realmente! Costumo ser meio babaca de vez em quando.

 

Foi impossível não sorrir da observação feita. Eu não diria a ela, mas concordava plenamente. Como podia passar tantos anos longe de mim? 

 

Já estava tarde quando Renata avisava as convidadas para se organizar que ela iria jogar o buquê. Logo uma guerra pelo ponto mais estratégico se iniciava me fazendo rir. Eu, Marcela e Dani observávamos aquela cena realmente cômica. Que sentido fazia isso?

 

– Você não vai participar não, Dani? – Perguntei apenas para provocar.

 

– Deus me defenda! Não quero correr o risco dessa praga pegar em mim. Eu ainda tenho uma vida inteira para curtir as noites dessa cidade. – Ela falava de um jeito engraçado já tomada pelo efeito do álcool. – Mas e o casal ai, não vai querer entrar na jogada não?

 

Vi os olhos de Marcela saltarem. Confesso que fiquei um pouco desapontada, mas o que eu poderia esperar? Não era como se eu achasse que ela já queria pensar em casamento agora.  

 

Não deu nem tempo de responder nada à Daniela, apenas senti aquelas flores encontrando meu rosto e caindo em meu colo. Atordoada, segurei o buquê que agora tinha em minhas mãos. Rapidamente olhei para Marcela, que parecia tão surpresa quanto eu, mas logo vi um sorriso lindo se formando em seus lábios. Olhei para Renata e vi ela fazendo um jóinha com o polegar enquanto sorria alegremente para nós. Enquanto isso, as outras mulheres pareciam decepcionadas por não ter pego o tão cobiçado buquê da noiva. 

 

– SE FUDEU, MARCELINHA. AGORA VAI TER QUE CASAR MESMO SE NÃO QUISER. – Daniela gargalhava enquanto falava. 

 

Por sua vez, Marcela apenas me abraçou em silêncio. 

 

 

 

Pouco tempo depois 

 

 

 

Os noivos sumiram e restavam poucos convidados aproveitando o restante da festa. Olhei o relógio e percebi que estava muito tarde. Minha filha já havia capotado e já dormia no colo da minha mãe. 

 

– Mamãe, acho que já vou embora. Me ajuda levar a Gabi para o carro? – Pedi a meu pai que estava tão sonolento quanto minha filha.

 

– Nossa, tudo o que eu preciso é de uma boa cama também. Mas estou vendo que sua irmã e o marido não estão querendo ir para casa tão cedo. – Meu pai reclamou olhando na direção onde minha irmã e o marido estavam dançando entre amigos. 

 

– Se vocês quiserem eu posso levá-los em casa.

 

– Vai ficar muito contra mão para você, minha filha. Eu deveria mesmo era ter vindo com o meu carro, mas sua mãe é uma teimosa.

 

Não pude deixar de sorrir. Meu pai parecia um velho reclamão. 

 

– Ora, pare de reclamar e leve sua neta para o carro da Hanna, homem.

 

Era incrível como meu pai temia minha mãe quando ela falava com a sobrancelha erguida. Ela não precisou falar duas vezes, eles logo estava fazendo o que ela mandava.

 

Estávamos seguindo em direção ao carro para colocar minha filha no banco de trás quando procurei Marcela com os olhos e a mesma parecia envolvida em uma conversa interessante com os pais de Renata. Eu não queria ser pegajosa, ou fazer ela achar que eu estava de alguma forma cobrando sua atenção, mas achei que seria correto ir até ela avisar que já estava indo embora. 

 

– Papai, o Sr. poderia esperar no carro só um minuto? Preciso avisar a Marcela que já estou indo. 

 

– Claro, meu amor. Ficarei com minha neta o tempo que precisar. 

 

Fui em direção àquela mulher e observava o quanto ela estava linda, para ser bem sincera, Marcela sempre foi muito bonita, mas os anos passaram e o tempo foi generoso deixando-a ainda mais linda. 

 

– Com licença! – Falei com timidez quando me aproximei deles. – Marcela, eu só gostaria de avisar que estou indo para casa. Gabriela já está no carro adormecida.

 

– Você vai sozinha? – Ela parecia espantada com a possibilidade.

 

– Claro! Já estou acostumada. Nada vai acontecer. Não se preocupe! 

 

Marcela não disse nada, apenas pediu licença aos pais de Renata, e nos despedimos deles. 

 

– De jeito nenhum que você vai sozinha. Eu vou com você! Eu vim de táxi porque sabia que iria beber e não poderia voltar para casa dirigindo. Aliás, você não bebeu também? então você me dá uma carona, aliás, você não bebeu também? 

 

– Quase nada, eu sabia que iria dirigir. 

 

– Então, vamos. Você vai me dar uma carona. – Ela passou seu braço em volta do meu pescoço. 

 

– Tem certeza que quer ir comigo? 

 

– Totalmente! 

 

Nos despedimos das nossas amigas e familiares e seguimos para casa. O retorno não demorou muito, logo estávamos chegando em casa e quando olhei para o lado vi Marcela adormecida. Ela tinha apagado quase no mesmo instante que cruzamos a estrada que dava acesso à chácara da família de Renata. 

 

– Meu bem, acorda. – Toquei de leve o braço dela vendo-a acordar olhando para os lados tentando se situar de onde estava. 

 

– Onde estamos?

 

– Próximo à minha casa, mas preciso saber onde fica seu apartamento para ir te deixar.

 

– Hum! Posso te pedir uma coisa? – Apenas concordei. – Posso dormir com você essa noite? Se você quiser é claro. – Ficou envergonhada, mas mal sabia ela que meu coração estava feliz com aquele pedido. – Eu só... Bom, só queria sentir você perto.

 

Nada falei, mas meu sorriso respondia perfeitamente. Claro que eu estava surpresa com aquele pedido, mas jamais iria me opor. Na verdade, eu queria muito tê-la comigo, então segui direto para minha casa. 

 

Entramos na garagem do condomínio e quando descemos do carro Marcela correu em direção à porta de trás já pegando minha filha no colo com um cuidado enorme. Entramos em casa e antes mesmo que eu falasse qualquer coisa, ela seguiu pelo corredor indo em direção ao quarto da Gabi. Fechei a porta e fui para o quarto, parei na porta e fiquei observando Marcela tirando a roupinha da Gabriela com tanto cuidado para não acordar a garota, e não pude deixar de sorrir imaginando que ali poderia ser um dia a minha família. 

 

– Onde fica o pijama dela? – Me perguntou olhando para trás. 

 

Fui até o guarda-roupa da minha filha peguei a roupa e lhe entreguei. Marcela fez tudo sozinha como se tivesse prática com aquilo. Eu apenas seguia seus passos com os olhos admirando cada detalhe.

 

– Ela é tão linda! – Ela falou enquanto colocava a coberta sobre o corpo de Gabriela e ligava o abajur que ficava na lateral da cama. 

 

– Claro! Com uma mãe como eu, só poderia ser linda mesmo.

 

Vi Marcela revirar os olhos pela brincadeira, mas eu sabia que ela estava tentando esconder um sorriso.

 

– Você é muito convencida, senhorita Prado. Puxou a seu pai.

 

– Só disse verdades, minha cara. – Estendia minha mão em sua direção. – Vem comigo! Você precisa de um banho. 

 

Mostrei a Marcela onde ficava o banheiro, e fui para meu quarto separar uma roupa para ela dormir. Se eu estava nervosa com aquela situação? Sim, estava e muito, mas não podia negar o quanto estava feliz também de ter a mulher da minha vida ali compartilhando um pouco do meu espaço. 

 

Alguns minutos depois Marcela saiu do banheiro com um roupão que eu havia colocado para ela no banheiro. Meu coração parecia falhar nas batidas. 

 

– Deixei uma roupa para você vestir em cima da cama. Pode ficar à vontade! Enquanto isso vou tomar um banho. – Eu falei indo em direção ao banheiro, mas Marcela me segurou pelo braço.

 

– Eu posso jurar que você está nervosa. – Ela dava um beijo demorado em meu pescoço enquanto falava. – Toma banho, mas não demora. Eu odeio esperar! 

 

– Você continua muito mandona e chata, mas ainda assim eu prometo não demorar. – Dei um selinho em sua boca e fui para o banho.

 

Acho que quebrei minha promessa. Eu certamente acabei demorando muito tempo no banho e até acreditava que encontraria Marcela dormindo, mas por incrível que pareça ela estava no sofá olhando alguma coisa no celular. Ela estava tão concentrada que nem havia notado minha chegada ao cômodo. 

 

– Pensei que já estivesse dormindo. 

 

Apesar dos nossos últimos momentos um tanto íntimos, eu ainda me sentia insegura de como deveria agir com ela. Acho que o tempo que passei sozinha me fez desaprender como agir nessas situações.

 

– Eu fiquei olhando algumas fotos do casamento.

 

Falou sem me olhar logo de início, mas assim que me sentei no sofá ao seu lado ela me olhou dos pés à cabeça.

 

– Nossa, até para dormir você é linda.

 

Ela bloqueou o celular e então se aproximou do meu corpo. 

 

– Você não muda esse seu jeito meio galinha, não é mesmo?

 

– É meu charme, e ninguém nunca reclamou. – Ela foi se aproximando ainda mais, mas lhe dei um tapa no braço por ter feito aquela piada sem graça. – Ai, isso doeu! – Ela reclamou.

 

– É muito bem feito, para você aprender a não ser idiota perto de mim. Eu lá tenho cara de querer saber o que essaszinhas que você ficava, achavam ou deixavam de achar?

 

Ela sorriu gostosamente naquele momento.

 

– Eu não conhecia esse seu lado ciumento. – Um sorriso debochado surgiu em seu rosto me deixando ainda mais irritada.

 

– Eu não estou com ciúmes, Bettencourt. Ver se te enxerga! 

 

Até tentei me afastar dela, mas ela me apertou em seus braços e ali eu senti que era uma causa perdida. 

 

Umedeci os lábios quando senti os lábios de Marcela passeando pelo meu pescoço. Dei um puxão em sua cintura fazendo com que seu corpo encontrasse ainda mais com o meu. Senti Marcela arfar e isso só me deixou ainda mais alucinada querendo senti-la. Afastei-me um pouco do seu corpo e olhei em seus olhos que brilhavam intensamente. Em uma sincronia perfeita nossos olhares desceram em direção às nossas bocas e sem esperar mais nenhum segundo ela me beijou com intensidade e desejo. 

 

Eu podia sentir cada pelo do meu corpo arrepiar com aquele contato. A língua de Marcela entrou em minha boca e parecia explorar cada pedacinho dela, mas eu queria mais que isso, eu queria deixá-la completamente sem rumo. Tomei o controle da situação mordiscando seus lábios e logo depois ch*pando sua língua. Ouvi um gemido baixo sair da sua boca e ela apertar a minha coxa, eu adorava causar aquele efeito na Marcela. Por um momento meu ego foi às alturas e então sentei em seu colo buscando explorar ainda mais aquele corpo que tanto eu sentia saudades. A mão de Marcela passeava livremente pelas minhas costas, ela passava as unhas arranhando levemente o local por cima da roupa que eu vestia, mas ainda assim conseguia me fazer arrepiar. Nossas línguas brincavam com uma sincronia perfeita e aquele beijo era o melhor beijo do mundo. 

 

– Ar... Eu preciso de ar! – Mesmo sem querer precisei interromper o beijo. 

 

Ficamos ali recuperando o fôlego sem nada dizer e sem sair daquele abraço gostoso. O silêncio não era desconfortável, muito pelo contrário, parecíamos conversar com o olhar. 

 

– Vem, vamos para a cama. Daqui a pouco o dia está amanhecendo e você não descansou nada. – Levantei do seu colo lhe puxando para meu quarto.

 

– Vou dormir no seu quarto? – Ela parecia assustada e não entendi o porquê.

 

– Algum problema para você? – Perguntei parando no meio da sala. 

 

– Não! Quer dizer, não é um problema. Eu apenas pensei que...

 

– Pensou que eu não fosse querer?

 

Ela apenas concordou.

 

– Olha, você não precisa se preocupar. Eu prometo me comportar!

 

Achei lindo aquela preocupação dela com o fato do que eu iria ou não achar. 

 

– Eu não estou nem um pouco preocupada. Agora vem!

 

Marcela parecia tímida ao entrar no quarto e ficou parada como se esperasse autorização para deitar na cama de casal. 

 

– Deita, Marcela. Já te disse que você pode ficar à vontade aqui na minha casa. 

 

Apaguei a luz e fui em direção à cama para deitar ao seu lado. Ficamos algum tempo em silêncio, mas logo foi quebrado pela voz dela.

 

– Não quer chegar mais perto? – Apenas colei meu corpo no dela repousando minha cabeça em seu peito e senti seus braços me enlaçando por inteira. – Eu quero fazer tudo no seu tempo, então se em algum momento eu estiver apressando as coisas, gostaria que me falasse. – Ela dizia enquanto me fazia um carinho.

 

– Você não está apressando nada. Acho que já perdemos tempo demais para nos preocuparmos com isso agora. Sabe quantas vezes sonhei em ter você assim? Então por favor, não se preocupe com nada disso porque hoje estou me sentindo completa pela primeira vez em oito anos. 

 

Me virei para Marcela e mesmo com apenas a luz da noite que entrava pela janela do quarto era possível ver seus olhos brilhando. Fiz um carinho em seu rosto e sem demora busquei por sua boca iniciando um beijo apaixonado.

 

 

 

Por Marcela

 

 

 

Fui abrindo meus olhos aos poucos quando senti os raios de sol que invadiam o quarto me tocando sem piedade alguma. Olhei ao redor me situando de onde estava, e aos poucos fui me recordando da noite anterior onde dormi muito bem nos braços de Hanna. Contudo, não demorou para observar que a loira não estava naquele cômodo. 

 

Na noite anterior não tivemos nenhum envolvimento além da troca de beijos e carinhos. Confesso que às vezes eu precisava me esforçar bastante para me controlar e respeitar o tempo de Hanna, mas isso não era um problema. Eu sentia que sex* era um tópico sensível. Ainda era algo extremamente difícil, por mais que ela não verbalizasse sobre isso. Além disso, começamos a voltar a nos entender poucos dias, e eu não podia simplesmente deixar que as coisas acontecessem de qualquer maneira. 

 

Já estava prestes a me levantar quando a porta do quarto abriu bem lentamente, e Gabriela apareceu com aquela expressão de quem estava aprontando alguma coisa. Quando se deu cont que eu já estava acordada, a grota se jogou na cama. 

 

– Bom dia, tia Marcela. – Ela subiu no meu corpo toda desajeitada e me deu um beijo no rosto. 

 

– Bom dia, minha pequena. Você já acordou com energia hein? Está com uma cara de quem aprontou algo.

 

– É que tô aqui escondida da mamãe. Ela não deixou eu acordar você. – Ela dizia como se estivesse me contando um segredo, e obvio que sorri da sua inocência. – Eu nem vi que você dormiu aqui tia.

 

– Claro que não viu! Isso é porque você é dorminhoca demais e veio dormindo da festa da tia Renata. Eu que te coloquei na cama, sabia disso? – Apertei seu nariz lhe arrancando gargalhadas. 

 

– Para tia! Assim eu vou espirrar. 

 

Nem deixei que ela terminasse de falar e logo comecei a fazer cócegas em sua barriga, fazendo com que ela se contorcesse toda na cama enquanto gargalhava ainda mais alto. 

 

Depois de pouco tempo a porta do quarto abriu revelando uma Hanna com cara de brava.

 

– Gabriela Prado, eu avisei para não acordar a Marcela.

 

A menina ainda tentava acalmar o fôlego e se chegou mais ao meu corpo.

 

– Mas mamãe, eu só queria olhar. Só que quando cheguei aqui ela já estava acordada.

 

Hanna procurou meu olho como se esperasse por uma confirmação, o que obviamente eu faria mesmo que não fosse verdade.

 

– Foi exatamente isso que aconteceu. – Concordei imediatamente voltando a fazer cócegas na garotinha acuada a meu lado. 

 

– Eu nem sei porque ainda tento. Você sempre vai defendê-la mesmo. – Hanna revirou os olhos.

 

– Ixiii, Gabizinha. Sua mamãe está muito chata hoje. Que tal a gente fazer ela sorrir um pouco, hein?

 

Pisquei para a menor que pareceu entender o que eu quis dizer, e logo estava sorrindo com os olhinhos brilhando. Hanna me olhou espantada quando engatinhei na cama indo em direção à ela, e a puxei pela mão sem lhe dar tempo de fugir. 

 

– O QUÊ? Marcela você não ouse... – Ela mal terminou a frase. 

 

Puxei Hanna para a cama e começamos a lhe fazer cócegas na barriga. Gabriela subiu em cima da mãe, e parecia se divertir com aquilo como se fosse um parque de diversões. Hanna já lagrimejava de tanto sorrir, e decidimos que estava de bom tamanho o castigo. Deitamos cada uma de um lado de Hanna, que parecia buscar fôlego.

 

– Vocês duas me pagam. – Hanna falava ainda sem fôlego. 

 

– Tudo que você não tem agora é força para se vingar de nós. – Desafiei.

 

– A tia é mais forte que a senhora, mamãe. – Gabriela mostrou os músculos em uma tentativa de demonstrar aquilo que dizia. 

 

Ri alto com aquilo!

 

– Que absurdo! Minha própria filha se tornando uma traidorazinha. 

 

– Não se estressa bebê. Contra fatos não há argumentos, e crianças só falavam verdades. – Joguei um beijo no ar em direção à Hanna que fingia irritação. 

 

Meu celular tocou e vi no visor a foto da minha mãe aparecendo. Pedi licença as duas e atendi a ligação que não demorou muito.

 

– Eu vou precisar ir agora. Tinha combinado com meus pais de almoçar com eles hoje, e ela já ligou confirmando. 

 

– Mas vai assim sem ao menos tomar café? – Hanna resmungou. 

 

– Se eu comer qualquer coisa agora, eu não almoço. Também ainda vou passar em casa para trocar de roupa. – Vi uma expressão triste surgir no rosto de Hanna. – Ei, não faz assim. Eu prometo que amanhã nos vemos na empresa, combinado?

 

Ela concordou e Gabriela apenas observava nossa conversa com atenção.

 

– Vai tomar um banho pelo menos. Pode pegar uma roupa minha emprestada. Depois você me devolve. – Ela falou fazendo um carinho gostoso no meu rosto.

 

As duas saíram do quarto e eu fui em direção ao banheiro. Fiz minha higiene e depois busquei uma roupa confortável de Hanna, que por sorte me cabia perfeitamente. 

 

Cheguei à entrada do corredor e observei a cena de Gabi deitada no sofá da sala assistindo algum desenho animado. Hanna estava ao seu lado olhando alguma coisa no celular. De fato as duas eram muito parecidas, e eu não poderia negar que ambas tinham domínio sobre meu coração.

 

– Eu já vou indo. – Fiz minha presença ser notada no ambiente. As duas me olharam e Gabriela correu para meus braços. 

 

– Quando você volta? – A criança perguntou fazendo bico.

 

– Hum! Eu não sei, meu amor. Mas combino alguma coisa com sua mãe para a gente passear essa semana. Tá bom assim? 

 

– Sim! – Gabriela simplesmente agarrou meu pescoço e deu um beijo no meu rosto. – Mas não vai esquecer de mim. 

 

– Own! Minha pequena, eu jamais me esqueceria de você. – Olhei para Hanna que apenas nos olhava com ternura. – Vamos fazer assim… Mais tarde eu ligo para o celular da mamãe e nos falamos antes do horário de você dormir. Combinado?

 

Deixei minha mão no ar para que ela pudesse tocar selando o acordo. Agora ela parecia mais satisfeita e aquilo acalmava meu coração.

 

– Ela realmente gosta de você. – Hanna falou me olhando intensamente.

 

– E eu tenho aprendido a amá-la cada dia mais. – Fiz carinho na cabeça da pequena enquanto coloquei ela no chão para que voltasse a assistir tv.

 

– Vai mesmo me ligar hoje? – Hanna perguntou com expectativa.

 

– Costumo cumprir com minha palavra, senhorita Prado. 

 

– Então vai ligar só porque prometeu à minha filha? Que absurdo, Bettencourt! 

 

Não pude deixar de gargalhar com sua expressão de pura indignação.

 

– Você é muito boba, Hanna. – Fiz um carinho em seu rosto vendo seus olhos fechar como se apreciasse o contato físico. – Bom, eu já vou indo. Mais tarde te ligo. 

 

Eu queria beijá-la, mas Gabriela estava ali na sala, e eu não sabia até que ponto poderíamos trocar carinho na frente da criança. Ainda existiam pontos que precisaríamos conversar e aprender um com a outra conforte o tempo fosse passando. Sem falar que nem ao menos eu sabia se ela queria que a filha soubesse da nossa relação agora, então fiquei sem jeito e beijei apenas seu rosto, mas ao nos afastarmos, Hanna pareceu entender minha insegurança então se aproximou novamente e selou nossos lábios em toque suave de lábios.

 

– Hanna, a Gabi pode ver. – Olhei em direção à criança que estava com os olhos grudados na TV.

 

– E o que tem? Uma hora ela vai saber, ou você acha que vou esconder da minha filha que estamos em  uma relação?

 

Aquilo soava como um convite para ter acesso livre em sua vida, e eu não pude deixar de me sentir feliz imaginando um futuro ao lado das duas. 

 

– Ok! Conversamos depois sobre isso. – Beijei novamente seu rosto, e deixei o apartamento levando comigo a sensação de estar incompleta.

 

 

 

…

 

 

 

O almoço com meus pais tinha sido muito agradável. Conversamos sobre praticamente tudo, inclusive de como as coisas estavam se encaminhando ao lado de Hanna e Gabriela. Eu tinha resolvido passar o resto do dia com eles para poder aproveitar mais da presença deles, que durante tanto tempo não as tive. Meu pai tinha resolvido tirar um cochilo após o almoço enquanto eu e minha mãe ficamos falando banalidades na varanda da casa. 

 

– O casamento da Renata foi realmente muito lindo. – Minha mãe falou. 

 

– Realmente! Eu só espero que ela seja muito feliz nesse casamento. Renata é uma mulher incrível e não merece menos que o melhor.

 

– E por que não seria? Você não gosta do Guilherme? – Ela parecia curiosa.

 

– Não é isso, mamãe. Eu acho o Gui muito gente boa. – Fiquei em silêncio por alguns segundos. – Talvez eu só me preocupe com a rotina. Acho que casamento trás muita coisa na bagagem. Coisas inesperadas e com as quais o tempo pode revelar que nem todas ela são boas. Precisa ter muito amadurecimento e paciência para lidar com a convivência. – Disse com meu olhar perdido em algum ponto qualquer. 

 

– Você tem razão! Mas é quanto amamos a pessoa que está conosco que vai determinar o quanto vamos querer lidar com tudo isso. Por falar em tempo, eu vi a forma como você olhava para a Hanna ontem. Estou tão feliz por você finalmente estar se reencontrando, se permitindo… E a filha dela? Muito linda! Quando você vai nos apresentar? 

 

Fiquei espantada com a capacidade da minha mãe observar as coisas.

 

– É tudo muito novo, mamãe. Mas eu estou realmente muito feliz. Fazia tempo que não me sentia assim. E eu vou adorar apresentar a Gabi para vocês. Ela é uma criança adorável. 

 

Comecei a conversar com minha mãe sobre os detalhes que levou Hanna e eu chegarmos até ali. Ela ouvia com atenção entre surpresas, conselhos e risadas. 

 

– Eu não sei mamãe, mas quando estou próximo a ela e a Gabi, eu me sinto outra pessoa. Eu esqueço de tudo à nossa volta, mas confesso o passado às vezes ainda quer entra na minha mente trazendo a sensação de insegurança.

 

– Bobagem! Não permita que o passado te aprisione somente naquilo que aconteceu de ruim. Isso que você sente por Hanna é especial, filha. Isso se chama amor. – Ela respirou fundo. – Meu amor, eu sou sua mãe, e uma mãe sempre vai querer o bem do filho. Te vi sofrer muito tempo por essa mulher. Você se afastou de tudo e todos na tentativa de esquecer ela, e hoje o destino te entrega novamente aos braços dela. Apesar de também ter sofrido a sua dor e ter passado anos magoada com ela, eu não posso negar que isso tudo hoje talvez signifique alguma coisa. Marcela, esqueça o passado e seja feliz vivendo o presente. Hanna parece ter mudado muito, e pelo o que você contou, ela sofreu muito também. 

 

– Então a senhora acha que vai valer a pena?

 

– Minha filha, quando existe amor tudo vale a pena. Apenas siga seu coração e seja feliz. E não esqueça que eu faço questão de conhecer minha futura neta.

 

Não pude deixar de sorrir com aquela última frase. Saber que minha mãe estava me apoiando era algo significativo, mas vê-lá tratar Gabriela com carinho era sem dúvidas muito especial.

 

– Mamãe, a senhora é uma figura mesmo. Obrigada por todo apoio. – Sorri e beijei seu rosto com carinho. 

 

 

 

…

 

 

 

Já era noite quando cheguei ao meu apartamento, ainda trazendo comigo com todas as palavras de ensinamento  que minha mãe falou. Talvez ela estivesse certa, eu precisava deixar o passado para atrás e viver somente o presente. 

 

Tomei um bom banho e então liguei para Hanna. 

 

– Alô! – A voz de Hanna soou no outro lado da linha.

 

– Boa noite, senhorita Prado. Viu como costumo cumprir com minhas promessas? 

 

– Nunca tive dúvidas disso, minha querida. Aliás, eu até agradeço por ter ligado, porque eu já não aguentava mais ouvir Gabriela perguntar se você já tinha ligado.

 

Sorri abertamente! Eu amava aquela pequena.

 

– Cadê ela? Me deixa falar com ela. 

 

Esperei alguns segundos.

 

– Alô, tia. Pensei que tinha esquecido de mim. – A voz da pequena era ofegante como se estivesse corrido uma maratona. 

 

– Eu já te disse que nunca esqueço de você, Gabi. Não confia no que eu falo? 

 

– Sim! Mas é que eu sinto falta da senhora. – A voz de dengo era gritante. 

 

– Own, minha princesa. A tia também sente sua falta. Sempre que quiser falar comigo pode pedir para sua mãe me ligar. 

 

– Tá bom, eu vou pedir todo dia. 

 

– O que estava fazendo? – Perguntei curiosa.

 

– Eu tava brincando de cavalinho com a mamãe.

 

Não pude deixar de sorrir imaginando aquela cena. Hanna havia mudado muito. 

 

– Muito boa ideia! Quando eu for aí de novo, quero que você me mostre como faz com ela. 

 

– Eu mostro sim. – Ela se animou. 

 

Conversamos mais um pouco e então eu me despedi da criança pedindo para voltar a falar com sua mãe. 

 

– Olha só Marcela, eu acho um absurdo você alimentar essas ideias dela. Sabia que minha coluna dói quando ela inventa essas brincadeiras? 

 

Gargalhei! Era impressionante como Hanna conseguia me deixar leve mesmo que sequer fizesse esforço para isso.

 

– Não se preocupe, querida. Depois te faço uma massagem. 

 

– Olha que vou me lembrar dessa promessa. – Pude sentir um sorriso se formando em seus lábios. 

 

– Hanna, eu senti muito sua falta. Por favor, vamos fazer dar certo dessa vez?! 

 

Eu não sabia se o que falei tinha sido bem uma pergunta ou afirmação, mas Hanna ficou em silêncio como se eu estivesse pego ela de surpresa com aquela declaração.

 

– Eu também senti muito sua falta, Marcela. Tenha certeza que tudo que eu mais quero é te ter em minha vida. – Sorri com aquela postura firme da mulher.  – Vamos fazer dar certo, querida. 

 

– Amanhã nos vemos na empresa? – Perguntei animada já pensando em poder beijá-la novamente.

 

– Claro! Só espero não encontrar nenhuma cabelo de fogo naquela sala. Eu juro que jogo ela pela janela, Marcela. – A loira adotou um tom autoritário. 

 

Eu ainda precisava me acostumar com essa nova versão ciumenta.

 

– Sorte a sua que trabalha com probabilidade. Já eu, não tenho essa sorte, não é mesmo? Não é como se eu tivesse muita escolha. Sua estagiária tem um maldito contrato com minha empresa. Podíamos pensar na recisão, não é mesmo?

 

– Não seja idiota, Marcela. Não tem motivos para o extremo. Eu sou somente sua.

 

Meu coração parecia entrar em festa com o soar das suas palavras. 

 

– Eu sempre fui sua! – Ela voltou afirmar.

 

Terminamos a ligação e fiquei ali com um sorriso besta enquanto me lembrava dos olhos verdes que voltavam a invadir minha alma sem ao menos pedir licença.

Fim do capítulo

Notas finais:

Boa noite!

uma ótima semana a todas. 


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