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Contrato de Risco Romântico por Lady Texiana

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Palavras: 1683
Acessos: 566   |  Postado em: 23/05/2026

Capitulo 3 - Entre Planilhas e Projeções Noturnas

 

A tarde estendeu-se como um daqueles dias do longo e cinzento inverno londrino, que ainda estava distante, dentro da sala de reuniões da diretoria. 

O Conselho de Investidores Estrangeiros, composto por uma comitiva de alemães cujas expressões faciais faziam o mármore do saguão parecer caloroso, não estava disposto a ceder facilmente às exigências de Phoebe Fields.

No entanto, se alguém achava que encontrariam uma CEO fragilizada pela óbvia claudicação de seu pé direito ou pelo discreto inchaço que teimava em tensionar o couro de seu sapato de verniz, cometeram um erro de cálculo fatal.

Phoebe usou cada gota de sua fúria canalizada, acumulada desde o episódio do abacate e potencializada pela humilhação no elevador, para esmagar qualquer tentativa de redução de sua margem de lucro. 

As discussões sobre a expansão da Fields Cosmetics para o mercado asiático, inicialmente previstas para durar duas horas, arrastaram-se por quase cinco. Planilhas de projeção macroeconômica, gráficos de logística para Xangai e Tóquio, e debates exaustivos sobre barreiras alfandegárias do comércio exterior foram esmiuçados sob o olhar implacável de Phoebe.

- Os senhores parecem esquecer que a nossa marca é sólida no mercado e não se curva a flutuações de curto prazo - argumentou Phoebe por volta das seis da tarde, batendo com a ponta de uma caneta Montblanc na mesa, marcando o ritmo de sua dominância. - Se querem os nossos produtos de alta tecnologia nas prateleiras mais nobres de Seul, o investimento em marketing será integralmente subsidiado pela matriz de Frankfurt. Não mudo uma única vírgula nessa cláusula.

O líder da comitiva alemã, um homem de cabelos grisalhos e terno impecável, encarou-a por longos segundos, medindo forças com os olhos castanhos da CEO. Por fim, soltou um suspiro rendido e assentiu com a cabeça, estendendo a mão sobre a mesa para selar o acordo. 

Foi uma vitória maiúscula, altamente produtiva para os cofres da empresa, mas que deixou Phoebe se sentindo como se tivesse sido atropelada por um daqueles ônibus vermelhos de turistas, de dois andares, que cruzavam a cidade todos os dias.

Quando a última ata foi assinada e os investidores finalmente se retiraram, o relógio já passava das dezenove horas. O andar da presidência estava mergulhado em um silêncio quase sepulcral. 

Até mesmo Eleanor, que sempre ficava até mais tarde, após insistentes pedidos da chefe, foi dispensada e saído correndo do prédio, para não perder o último trem de volta para o subúrbio onde morava com o marido e a sogra idosa.

Phoebe recolheu seus pertences com uma lentidão que raramente se permitia. Ao caminhar em direção aos elevadores, sentindo a pontada persistente no tornozelo direito, ela subitamente olhou para o chão do saguão privativo, lembrando-se do início caótico daquele dia. 

Quando o elevador finalmente a deixou no térreo, seus olhos procuraram, quase que por puro reflexo, o balcão da recepção.

O espaço estava ocupado por um homem de meia-idade, com um uniforme ligeiramente largo e uma expressão de tédio profundo enquanto folheava uma revista de palavras cruzadas. Isla Cooper não estava mais lá. Seu turno havia terminado pontualmente às dezessete horas.

Phoebe sentiu um estranho e incompreensível vazio ao constatar a ausência da silhueta alta e atlética da segurança loira, um pensamento que ela tratou de afastar imediatamente com um bufo de desdém enquanto mancava em direção ao seu carro. 

Afinal, por que diabos ela se importaria com o paradeiro da mulher que a tinha feito desabar no chão de um elevador? Está bem, admitia que parte da culpa era dela, mas mesmo assim...

***

O retorno para casa foi um exercício de melancolia reflexiva. O tráfego de Londres parecia conspirar contra sua paz de espírito, e cada luz vermelha dos semáforos dava a Phoebe tempo extra para remoer o silêncio que a aguardava. Quando a porta de seu apartamento de cobertura se abriu, a realidade de sua nova rotina desabou sobre seus ombros.

A casa estava exatamente como ela a deixara pela manhã: fria, intocada e vazia. Phoebe jogou as chaves sobre o aparador da entrada e descalçou os sapatos de verniz com um suspiro de genuíno alívio físico. Seu tornozelo exibia uma coloração arroxeada nada saudável.

Ela caminhou até a cozinha para preparar algo rápido. Não havia espaço para grandes elaborações gastronômicas; sua energia havia sido totalmente drenada pelos investidores alemães. 

Acabou jantando uma porção fria de rosbife e algumas torradas sem graça, acompanhadas por uma taça de vinho tinto que parecia não surtir o efeito anestésico desejado. Enquanto guardava os utensílios na pia, seus olhos inevitavelmente pousaram no parapeito da janela.

O círculo mais limpo na poeira leve do mármore indicava o local exato onde o copinho de plástico de Florence, o "cultivo doméstico de plantas verdes gosmentas" costumava ficar.

- Um caroço de abacate... - Phoebe murmurou, sentindo uma onda de puro ranço subir pelo peito. - Quatro anos jogados no lixo por causa de um caroço de uma maldita fruta de consistência gosmenta. Que tipo de pessoa leva uma coisa dessas em uma separação?

O ressentimento em relação ao abacate era quase palpável. Era o símbolo supremo do absurdo de Florence. Com um nó na garganta e um mau humor renovado, Phoebe desligou as luzes e arrastou-se para a cama king-size, cujos lençóis de algodão pareciam vastos e desolados demais para uma única pessoa.

***

O sono não veio como um bálsamo, mas como uma comédia de erros projetada por seu subconsciente. Phoebe passou as horas seguintes virando-se de um lado para o outro, imersa em sonhos intermitentes que pareciam se fundir em uma narrativa confusa e febril.

No primeiro bloco de devaneios, ela estava trancada na sala de conferências com Florence. O cenário parecia uma DR corporativa absurda. Sua ex-mulher gesticulava dramaticamente e apontava para o termostato do ar-condicionado, que marcava temperaturas congelantes.

De repente, em um toque surreal digno daquele desenho animado da qual ela era fã, Florence abria a mala de grife e, em vez de roupas, dezenas de caroços de abacate gigantes saltavam de dentro do couro, rolando pelo chão de jacarandá como bolas de boliche douradas, prendendo os pés de Phoebe e impedindo-a de alcançar o controle remoto do termostato e dar fim a discussão entre elas.

No entanto, à medida que a madrugada avançava e a febre do cansaço dominava seu corpo, o cenário do sonho mudou para algo muito mais intrigante, e muito... erótico.

Phoebe viu-se novamente presa no vão do elevador da Fields Cosmetics, mas o saguão agora estava banhado por uma luz difusa e suave. Ela não conseguia puxar o pé, mas a dor no tornozelo havia sumido.

De repente, a figura de Isla Cooper emergia das portas espelhadas. Isla não parecia a segurança séria do saguão; usava a mesma camisa do uniforme, mas os primeiros botões estavam abertos de forma descontraída, destacando sua compleição atlética e os mesmos ombros largos que Phoebe havia agarrado pela manhã.

No sonho, Isla caminhava com passos calmos e confiantes, os olhos verdes brilhando com uma intensidade divertida e magnética que fez o coração de Phoebe errar uma batida. Ela se aproximava e se ajoelhava diante de Phoebe com um sorriso charmoso no rosto. 

Suas mãos firmes e calorosas subiam com uma lentidão deliberada pelo tornozelo machucado de Phoebe, subindo pela panturrilha com um toque suave que mandava um arrepio elétrico diretamente para a espinha da CEO e fazia seu baixo ventre pulsar de antecipação.

O toque de Isla no sonho era carregado de uma proximidade envolvente e profundamente erótica. O perfume caro de orquídeas e flores silvestres de Phoebe parecia se misturar de forma inebriante com o cheiro simples de sabão de coco de Isla.

A segurança a segurava pela cintura com uma firmeza protetora, puxando o corpo de Phoebe para perto, eliminando qualquer distância regulamentar de dois metros que ela sempre impunha. 

O rosto de Isla se aproximava milímetro por milímetro do seu, os lábios quase se tocando em uma promessa tentadora, quando Phoebe acordou sobressaltada, com a respiração arfante e o corpo queimando de cima a baixo, coberto por uma camada de suor frio. 

Surpresa, percebeu que estava muito excitada, como há muito já não ficava, a evidência física se manifestando no seu sex* completamente molhado.

***

O dia amanheceu com a típica névoa britânica cobrindo as janelas da cobertura. Phoebe sentou-se na cama, apoiando as costas na cabeceira de madeira, sentindo-se mais confusa do que quando havia se deitado. Seu tornozelo ainda latej*v* um pouco, mas aquela dor física não era nada comparada ao absoluto choque que a perturbava.

Ela passou a mão pelo rosto, tentando apagar as imagens da noite anterior. Sonhar com as bizarrices de Florence era compreensível, até esperado diante do trauma recente da separação. Mas Isla Cooper? A nova segurança da recepção? Aquela mulher que ela conhecera há menos de vinte e quatro horas e de quem ela não sabia absolutamente nada?

Phoebe estava genuinamente preocupada. Ela era a CEO da empresa, uma mulher de quarenta e cinco anos com uma reputação ilibada de severidade, elegância e distanciamento, inclusive nos seus relacionamentos pessoais. 

A simples ideia de ter tido um vislumbre, um devaneio tão intensamente erótico - que a deixara completamente encharcada - com uma funcionária recém-contratada fazia seu coração acelerar de tesão e... perplexidade.

- O que está acontecendo comigo? - Phoebe questionou em voz alta, dirigindo-se ao quarto vazio. - É o estresse. É a falta de sono. É o maldito efeito colateral daquele abacate infernal. O abacate é verde... ela tem olhos verdes... deve ser isso, puta que pariu! - exclamou, desolada.

Ela se levantou a muito custo, mancando em direção ao banheiro. Enquanto a água quente do chuveiro batia em suas costas, Phoebe tentava racionalizar a situação de forma puramente corporativa. Ela precisava restabelecer o controle de suas emoções. Isla Cooper era apenas uma desconhecida de uniforme que estava ali para vigiar a porta, e ela era Phoebe Fields.

Naquela manhã, ao cruzar o saguão nobre da empresa, ela faria questão de ser ainda mais fria, ainda mais inacessível e ainda mais durona. Mas nem por todos os abacates do mundo que o universo ganharia aquela rodada de piadas de mau gosto.

 

Fim do capítulo


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