IMAGEM: foto do café na cama
Capitulo 3
Às 3h13 da manhã, Rute entrou na sala de interrogatório com um envelope e uma expressão que Liz já conhecia bem.
– Aquele sangue encontrado no galpão era falso – anunciou.
Liz já suspeitava. Faltava só a confirmação do laboratório.
– E o café? – Felipa inquiriu.
– Limpo também – a perita respondeu – Sem sedativos. Sem traços de droga. Sem veneno.
– Você acha que o sequestrador montou a cena? – Felipa perguntou para Liz.
– Acho que... não há vítimas nessa história – a policial respondeu, acompanhando Lorena entrar na sala, cabisbaixa – Não do jeito que imaginávamos, pelo menos.
Lorena tinha o semblante exausto, talvez porque já fosse tarde da noite, mas havia algo além do cansaço. Possivelmente desgaste.
Ela evitou olhar para Rute saindo, mas não agia como Tainá, que simplesmente não olhava para nada; nem como Celina, que olhava demais para tudo. Era um meio-termo, como não poderia deixar de ser.
Sem dizer nada, Liz colocou sobre a mesa o celular de Lorena, recém-vistoriado. Ela demorou para ver o que a tela exibia.
– Quando essa foto foi tirada? – Liz perguntou. A imagem parecia simples: apenas duas xícaras acomodadas em lençóis revirados.
– Uns dois meses atrás – Lorena respondeu, surpresa com o interrogatório começando assim.
– Quem tirou foi você ou ela?
Lorena entrelaçou os dedos com força e respirou fundo.
– Ela.
Liz observou a quietude que veio depois da resposta. Muitas vezes, o silêncio também falava bastante em um depoimento.
– Vocês namoravam desde quando? – perguntou, finalmente.
Lorena demorou a responder dessa vez.
– Há quase um ano.
Liz tornou a observar a fotografia, que dizia muito sobre a dinâmica delas. Certas pessoas confundem intimidade com acesso irrestrito.
– Ela descobriu sobre alguma traição? – Liz questionou, observando a linguagem corporal de Lorena, que mantinha a cabeça baixa.
– A Mirela pegava uma mentira antes mesmo de as pessoas sequer perceberem que estavam mentindo – ela levantou os ombros, se justificando – Começou reparando em pequenas coisas em mim: meu tempo de resposta, alguma mudança na voz, meu jeito de olhar... Dizia que, quando alguém quebra um padrão, geralmente esconde algo – Lorena voltou a erguer os ombros – Sempre falava que as emoções também seguem padrões. Que medo, culpa, mentira... tudo deixa rastros matemáticos pelo rosto.
– E aí vocês...
– Com a Tainá e a Celina era diferente – Lorena continuou, interrompendo – Elas sabiam quando estavam participando dos testes. Eu não.
A resposta saiu seca demais para soar improvisada.
– Às vezes, Mirela começava discussões sem motivo. Fazia perguntas aleatórias, mudava de assunto no meio de uma conversa... Depois me observava, aguardando que eu reagisse.
Lorena voltou a apertar os próprios dedos.
– Demorei para perceber que ela não estava conversando comigo; estava me analisando.
Ela soltou o ar devagar depois da frase, como se admiti-la em voz alta tornasse tudo mais real.
– No começo, eu achava fascinante – confessou – Ela percebia coisas que ninguém reparava, como mudanças mínimas de humor, inseguranças bobas, ansiedade... Depois começou a ficar estranho, me sentia sempre vigiada.
Liz não a interrompeu.
– Ela passou a transformar qualquer silêncio ou hesitação em uma espécie de significado que só fazia sentido para ela. Às vezes, eu mudava a maneira de responder só para evitar que ela começasse a me observar daquele jeito. Mesmo assim, ela anotava coisas sobre mim sem que eu soubesse. Horários. Mudanças de humor. Quanto tempo eu demorava para responder mensagens. Uma vez encontrei meu nome numa pasta chamada “desvios”.
Lorena soltou uma risada curta, cansada.
– O pior é que, depois de um tempo, eu já nem sabia mais o que era comportamento natural e o que era reação calculada. Foi quando reconheci que estava num relacionamento tóxico.
Liz respirou fundo, absorvendo e organizando todas as informações recebidas. Desde o início da investigação, cada uma das espirais desenhadas parecia meramente aleatória. Curvas repetidas inúmeras vezes, crescendo sempre na mesma direção, numa tentativa constante de provar que até o caos humano obedecia a uma lógica invisível.
Padrões.
Sequências.
Repetições.
Talvez, para Mirela, pessoas fossem apenas variáveis mais difíceis de calcular. Porque ela não analisava expressões faciais por motivos de obsessão estética. Tratava-se de alguém dedicada a transformar meras emoções humanas em rígidos padrões previsíveis.
– Qual o papel de Tainá e Celina nisso?
– Eram apenas cobaias... Mirela dizia que o cérebro confia mais rápido em rostos considerados “harmônicos”. Mais previsíveis. Ela estava tentando ensinar isso para a IA dela através de Celina e Tainá.
– Ensinar uma máquina a reconhecer rostos bonitos?
– Não exatamente bonitos – a interrogada corrigiu – Confiáveis.
A palavra pairou no ar por um instante, carregada de significado.
– Segundo Mirela, existe diferença – Lorena fez questão de reforçar o verbo utilizado.
– Que tipo de diferença?
– De acordo com ela, as pessoas bonitas chamam atenção. Já as pessoas confiáveis te fazem baixar a guarda. E isso torna mais fácil qualquer tipo de manipulação.
O som da chuva preenchia os pequenos silêncios entre uma frase e outra. Liz apoiou os cotovelos sobre a mesa, interessada no relato.
– E onde você entra nisso?
A jovem desviou os olhos para o saco plástico contendo os óculos quebrados.
– Ela te descobriu, de alguma forma? Te analisando, percebeu que você a traiu. Foi isso o que aconteceu? – Liz insistiu, alguns segundos depois, incentivando Lorena a dar uma resposta.
A jovem fechou os olhos por um curto instante, mergulhada num silêncio interior.
– Não exatamente. É que eu não cheguei a traí-la, entende? Foi só... um encontro.
– A quem você acha que interessaria o sumiço de Mirela? – Liz indagou, observando uma microexpressão brotar no rosto da interrogada.
– Além dela mesma... você quer dizer?
A chuva continuava batendo forte contra as janelas da delegacia. Felipa lentamente descruzou os braços.
Finalmente, Liz teve a certeza de que o desaparecimento de Mirela não era nenhum tipo de sequestro. Agora só precisava encontrá-la.
Fim do capítulo
Preparada para o final?
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Zaha
Em: 20/05/2026
Mirela caiu no próprio joguinho dela... Acho q ficou meio pirada... Sei não!!
E já que gostava ou gosta de testar, n dúvido que tenha desaparecido pra testar às reações das amigas...
Eu não confio em palavras, padrões nem nada disso, isso se pode aprender. Se pode aprender a demonstrar emoções, a mentir e várias ações imitando. Um coçar nariz, mover boca, morder.
Se Mirela me entrevistasse ia ficar pirada.... Eu tenho di lei de 10 segundos pra responder. Eu repito a pergunta , faço caras q n tem nada a ver com que tô falando pq fico nervosa ou pq tenho sordeira mental. A IA dela diria: recalculando.... Sou doida kkkkk. Mas, sei quando uma pessoa tá me manipulando e finjo n saber o que tá fazendo... Gasto de energia... Enfim!
Lorena encontrou c outra... Devia ta cansada da bitolação da outra. Mas n chegou a ter nada emocional ou físico. Talvez, só conheceu alguém e quis conversar, criou vínculo, mas nada sexual.
Tainá mente e Celina tb. Duas cobaias....
Essa Mirela é desconfiada tendo criado esse sistema ou n. E, acho que chega um momento que vc termina não sabendo o que é realidade ou n e fica paranóica observando cada ação e analizando...achando coisas...logo n pode mais sair desse padrão.....
Assim que vamos ver q Mirela aprontou ou n..
Simbora!!
Zaha
Em: 20/05/2026
Ainda não tem o final.. Morri! Hahahahaha
N qr pressionar, mas dia 22 tá chegando kkkkk
Cadê Mirela, Liz??????
Tá muito massa sua história, Caribu!
PS: Esqueci de comentar. Li umas histórias suas no ano passado dps do desafio. N lembro se comentei. E vc faz podcast no Spotify, né?! Eu acho que já escutei... :)
caribu
Em: 20/05/2026
Autora da história
ahahahahahah
Mulher, ótimas análises! E doidas todos somos! Eu mesma vejo sinal em tudo, até onde não há rsrs
Talvez o mais interessante desse conto é que o título se aplica a todas (as interrogadas e eu também rststs). E como tem o limite de palavras, tudo é mto rápido, Liz parece foda! (e é!)
Que legal que leu outras histórias e que bom que já me ouviu! S2 S2 Espero que tenha gostado! Sempre gostei mto de escrever e só fui ganhar leitoras com caribu, sinto que assim a magia acontece de verdade!
Ultimamente ando meio reclusa, mas as histórias ainda se criam dentro de mim, vou me esforçar mais pra sair da toca! Atrasa um trabalho aqui e outro ali, mas vale o esforço!
Vou postar o final agora só pq me fez rir ahahaha
Me diz depois se gostou! S2
Beijos!
Zaha
Em: 20/05/2026
Aprendi que não é bom ficar analizando tudo, vc fica meio pirada. Tenho me policiado... Rs
É boa uma história fast-food tb!! Tava lendo uma história antiga em PDF e enjoei e disse: e agora ? Aí, vi sua msg rsrs. Refrescou!!
Vc se sente mais à vontade sendo Caribu!! Deve sair mais fácil a escrita, n sei! Sem pressão...
Gostei sim de escutar e algo de panela, essa foi engraçada! Quando puder, verei algum livro seu. Mas, lerei alguma outra q deixei em stand by ou n sei se cheguei a ler.. Enfim! Rs
Falei que adorei, mas repito pra seu cérebro liberar dopamina Incerivadora e escrever mais!! Kkkkk
Olha, n vai se complicar, mas sair da toca é bom!!!! Espairecer lendo, escrevendo, podcastiando...
E ainda n sei o nome da estória... Era Valentina, Vingança? Era com V kkkk. Dps vou ver rs.
Gostei da q vc disse q foi uma vingança quase literal kkkkk. Adoroo
Tb n gosto de Polícia. Tenho medo, mas gosto de ler o gênero!! Em Salvador num é brincadeira.
Era uma vez qndo tinha uns 20 e poucos e eu estava no carnaval, caminhando numa rua que n tinha muita gente passando, diria umas 3?E como n tenho a habilidade ainda de girar a cabeça a 360°, recebi foi uma paulada. (esqueci o nome do treco esse negro q usam)
N podem desviar,n querem, n sei... então, eles vão metendo isso... C as caras sérias (imagino q pra botar ordem nos bardeneiros. Ri n ia botar. Moral!!)
Estava na frente, som do trio...nem escutei! Kkkk. Vc deve ter escutado que a Polícia de Salvador é braba(pois se n sabia, fique sabendo... É barril dobrado).
Fim da história
Bem, muito bom trocar ideias contigo, espero que meus comentarios tenham sido agradáveis. Ao menos acertei uma parte kkkk.
Beijos e boa semana!
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