34 por Luciane Ribeiro
Quem sou eu?
EVE
Já faziam duas horas desde que Helena saíra, batendo a porta.
O som ainda parecia ecoar pela casa.
O olhar de decepção que ela me lançou antes de partir doeu mais do que qualquer grito teria doído. Trouxe de volta lembranças que eu preferia manter enterradas - da primeira vez em que a decepcionei, da primeira rachadura que causei entre nós.
Minha vontade era ir atrás dela, procurá-la onde quer que estivesse e obrigá-la a me ouvir.
Mas eu a conhecia.
Helena precisava de silêncio quando estava ferida. Precisava recolher os pedaços sozinha, entender a dor antes de permitir que alguém se aproximasse.
Então fiquei.
Caminhei pela casa sem rumo, inquieta, incapaz de me concentrar em qualquer coisa. Cada cômodo parecia carregado pela ausência dela. A xícara ainda sobre a mesa. Um livro aberto no braço do sofá. O perfume que permanecia no ar.
Tudo me lembrava Helena.
E tudo me acusava.
Enquanto andava de um lado para o outro, comecei a sentir Amanda pressionando dentro de mim, tentando emergir.
Mas daquela vez foi diferente.
Não havia mais a sensação nítida de divisão.
Nenhuma barreira.
Nenhum instante em que eu pudesse dizer onde eu terminava e onde ela começava.
Era como se estivéssemos misturadas.
Fundidas.
A confirmação veio durante a noite, quando Helena retornou e eu vi e senti Amanda reivindica la pra si. Eu toquei quando ela tocou,eu desejei como ela, senti cada sensação que o corpo de Helena mostrava mostrou a ela. E o silêncio de Helena diante daquelas palavras - eu te amo - me assustou.
Porque eu já não sabia mais se quem as havia dito se era Amanda... ou eu.
Depois do caos que provocara entre nós ,Amanda desapareceu outra vez, deixando em mim o gosto amargo do que havia sido feito... e do quanto eu também quis aquilo.
Observei Helena dormindo por alguns minutos.
Parte de mim queria ficar.
Outra queria fugir.
Depois de tudo que havia acontecido, eu já não sabia se estar perto dela ajudava... ou piorava tudo.
Então preparei o café da manhã do jeito que ela gostava.
Talvez fosse minha forma covarde de pedir desculpas sem precisar encará-la ainda.
Peguei as chaves e saí antes que ela acordasse.
Sentia raiva por Helena ter cedido.
Mas, no fundo, estava com raiva de mim mesma.
Por ter desejado.
Por ter tocado Helena como se aquelas mãos, aquele corpo, aquela fome... não pertencessem a mais ninguém além de mim.
Como se Amanda jamais tivesse existido.
Ou pior...
Como se ela fosse apenas uma parte minha que eu nunca tive coragem de admitir.
O que estava acontecendo comigo?
O que Amanda realmente era?
Uma fragmentação?
Uma defesa criada pela dor?
Um reflexo de tudo que reprimi por anos?
Ou algo novo... nascido entre nós duas, crescendo silenciosamente até apagar qualquer fronteira?
Levei as mãos ao rosto, tentando conter a vertigem que aquelas perguntas provocavam.
Pela primeira vez desde que Amanda surgiu, o que me assustava não era perdê-la.
Era descobrir que talvez nunca tivéssemos sido duas.
Enquanto preparava o café da manhã dela, o telefone tocou. O nome de Karina surgiu na tela.
Atendi no mesmo instante.
- Bom dia, prima.
- Bom dia, Karina.
- Fico verdadeiramente contente em ouvir sua voz de novo. Agora precisamos nos encontrar pessoalmente.
Sorri de leve, apesar da tensão.
- Eu pretendia acompanhar Helena quando ela foi à sua casa dias atrás... mas minha esposa não permitiu.
Karina soltou uma pequena risada do outro lado da linha.
- Não se chateie. Ela precisava se concentrar, e você é uma distração.
Fez uma breve pausa antes de completar:
- E a prova disso é que ela teve de deixar nossa pesquisa porque você aprontou junto com a pupila dela.
Fechei os olhos por um instante.
- Certo... já entendi.
Ela sempre soube exatamente onde atingir.
- Gosto de conversar com você, Karina, mas sei que não me ligou só para zombar da minha vida. O que quer de verdade?
- Estou ajudando Larissa com a festa da Aline. Posso confirmar a presença de vocês?
Olhei automaticamente para a escada vazia, como se Helena pudesse surgir ali naquele instante.
- Você vai ter que perguntar para Helena se nós iremos.
Do outro lado da linha, Karina soltou uma risada curta, claramente satisfeita.
- Olha... olha... quem diria que eu viveria para ver Atena Evelyn obediente.
Revirei os olhos.
- Não confunda respeito com obediência.
- Ah, claro. A mulher que nunca ouviu ninguém agora espera autorização da esposa para confirmar presença numa festa.
- Não exagera.
- Eu? Jamais.
Peguei a xícara de café e a apoiei na bancada.
- Continua insuportável.
- E você ficou obediente .O que, sinceramente, torna tudo mais divertido de assistir.
Sorri de lado, apesar de tudo.
- Quando e a que horas exatamente vai ser a festa? E como se chega à ilha? Sempre quis conhecer... principalmente por abrigar o mais misterioso dos laboratórios,o Isabel Montello.
Karina soltou uma risada satisfeita.
- Então era isso. Achei que fosse curiosidade pela paisagem.
- Também. Mas admito que ciência clandestina sempre me seduziu mais que praias particulares.
- Que romântico da sua parte.
Apoiei o quadril na bancada.
- Responda à pergunta, Karina.
- Clarissa, minha bela esposa, irá nos levar. Vocês só precisam nos encontrar na Intrépido amanhã à noite. Se você se comportar e sua esposa permitir, eu mesma te levarei para um passeio no laboratório.
- Agora me sinto muito mais motivada a ir.
Olhei na direção da escada, imaginando Helena em algum cômodo da casa.
- Espero que Helena concorde...
Karina demorou um segundo antes de responder.
- Se você se comportar ,tenho certeza que ela concorda.
- E se estiver com raiva demais para isso?
- A briga foi mesmo séria...Bem,nesse caso você faz o que qualquer esposa arrependida faria.
Suspirei.
- O quê?
- Compra flores, pede desculpas e usa essa cara bonita a seu favor.
Ri baixo.
- Seu romantismo me emociona.
- Espero que funcione com a Helena. Infelizmente, com a Clarissa isso não funciona mais, então preciso me esforçar mais quando faço besteira.
Peguei as chaves sobre a bancada.
- Talvez eu precise pensar em outra forma de fazer as pazes. Helena não é do tipo que se emociona com flores.
- Escolha as armas certas e vá pronta para vencer a guerra e reconquistar a mulher que ama.
Olhei novamente para o café que coloquei pra mim.
Intocado.
Frio.
Assim como o silêncio da casa.
- Amanhã à noite - repeti.
- Exatamente às dezenove horas.
- Estaremos lá.
- Espero sinceramente que sim.
Ela desligou.
Fiquei parada por alguns segundos, encarando a tela apagada.
Depois respirei fundo e sai.
Saí para comprar churros. Eles seriam minha bandeira branca. A padaria que os vendia estava lotada e eles ainda iam prepara los,então me sentei pra esperar. Isso me deu tempo pra pensar,eu precisava descobrir como conversar com a mulher que eu amava sem destruí-la - ou me perder - de vez.
Quanto mais eu pensava, mais nossa situação parecia impossível.
Eu nem mesmo sabia como reagir ao fato de Helena ter feito sex* com "outra pessoa",mesmo que o corpo fosse o meu.
Eu devia estar decepcionada.
Com raiva.
Ferida.
Mas eu mesma não entendia o que sentia.
Porque a verdade era cruel demais para ser ignorada:
Amanda também era parte de mim.
Como odiar Helena por ter cedido... se eu mesma a desejei através dela?
Como cobrar fidelidade de alguém quando nem eu sabia mais onde terminava Eve e onde começava Amanda?
Como exigir clareza... se eu era a própria confusão?
Passei a mão pelos cabelos, frustrada.
Nada naquela situação seguia qualquer lógica.
Eu queria me sentir traída.
Queria poder apontar o erro, levantar a voz, transformar Helena em culpada e eu em vítima.
Seria mais fácil.
Muito mais fácil.
Mas não havia simplicidade entre nós.
Só ruínas, amor e perguntas sem resposta.
Como eu poderia exigir qualquer coisa dela...
Se nem eu sabia mais quem eu era?
Enquanto eu tentava colocar minha cabeça no lugar, o telefone voltou a tocar.
O nome da minha mãe surgiu na tela.
Atendi imediatamente.
- Bom dia, mãe.
- Bom dia, Athena.
Fechei os olhos no mesmo instante.
- Athena? O que eu fiz agora?
Ela ignorou a pergunta, como sempre fazia quando já tinha decidido o rumo da conversa.
- Venha para casa. Precisamos conversar.
Aquele tom eu conhecia bem.
Frio.
Direto.
Sem espaço para argumentos ou negativas.
Minha mãe nunca levantava a voz quando estava irritada.
Ela ficava calma.
E isso sempre era pior.
Olhei para o relógio sobre a parede.
Ainda era cedo, dava tempo de enfrentar mais um incêndio.
- Estou a caminho.
Ela desligou sem se despedir.
Fiquei alguns segundos com o telefone na mão, encarando a tela apagada.
Perfeito.
Meu casamento estava ruindo.
Minha mente parecia um campo de guerra.
E agora minha mãe queria conversar.
Peguei as chaves de novo.
Se existia uma força no mundo capaz de me fazer desejar voltar para Helena naquele instante...
Essa pessoa era dona Aretta.
O cheiro de comida sendo preparada me encontrou no instante em que entrei na casa dos meus pais.
Alho.
Cebola.
Temperos frescos.
O aroma quente me atingiu como uma lembrança física.
A música tocava alta pela casa, exatamente como nas minhas melhores memórias. Uma canção antiga, daquelas que minha mãe colocava aos domingos enquanto cozinhava.
Fechei a porta devagar atrás de mim e caminhei pelo corredor em silêncio.
Aquela casa ainda parecia igual.
As fotografias.
Os móveis.
As plantas espalhadas perto das janelas.
Tudo permanecia no mesmo lugar.
Mas, ao mesmo tempo, parecia distante.
Como se eu estivesse revisitando uma versão minha que já não existia.
Segui o som da música até a cozinha.
Minha mãe estava de costas para mim, mexendo alguma coisa na panela. O cheiro era incrível.
Reconfortante.
Perigoso.
Porque minha mãe sempre cozinhava assim quando precisava conversar sobre algo sério.
Sem se virar, ela falou:
- Você demorou.
Suspirei baixo.
- Também senti sua falta, mãe.
- Venha. Me ajude a cortar os legumes.
Aproximei-me da bancada em silêncio. Ela deslizou a tábua na minha direção sem nem olhar para mim, como se soubesse exatamente onde eu estava.
Peguei a faca.
Durante alguns segundos, o único som na cozinha foi o da música antiga misturada ao barulho ritmado da lâmina contra os legumes.
Minha mãe demorou um pouco para falar.
Mas, quando falou, foi precisa.
Fria.
Cirúrgica.
Como a grande médica que era.
- Você precisa resolver a bagunça que está sua vida antes que perca tudo.
Continuei cortando, mesmo sentindo o golpe daquelas palavras.
- Eu quero... mas não sei como.
Ela finalmente me olhou.
Aquele olhar atravessava pessoas.
Sempre atravessou.
- Você sabe. Só está com medo.
Apertei a faca com mais força.
- Tenho medo de não conseguir ser mais forte que Amanda.
O silêncio que veio depois pareceu pesado demais para a cozinha.
Minha mãe desligou o fogão lentamente.
O clique do botão pareceu alto demais no silêncio da cozinha.
Ela se virou completamente para mim dessa vez.
Não havia dureza em seu rosto.
Havia preocupação.
E aquilo conseguia ser ainda pior.
- Helena está confusa. E confusa ela não consegue ser brilhante.
As palavras me atingiram em cheio.
- O que, nesse momento, é péssimo para Dandara - continuou. - Nós precisamos que Helena nos dê novamente um milagre.
Baixei o olhar para os legumes cortados.
De repente, minhas mãos pareciam trêmulas demais para continuar segurando a faca.
- E se eu estraguei tudo? - perguntei baixo. - E se Amanda acabar destruindo o pouco que ainda restou entre nós?
Minha mãe caminhou até a bancada devagar.
- Então você luta.
Ri sem humor.
- Parece simples quando você fala.
- Porque é simples, Athena.
Ela apoiou as duas mãos na bancada, me obrigando a encará-la.
- Difícil é viver fugindo de si mesma.
Senti meu peito apertar.
Ela continuou:
- Nós precisamos daquela garota teimosa e desobediente que você era. A que não tinha medo de viver.
Minha respiração vacilou.
- Filha... você já morreu uma vez.
Aquelas palavras atravessaram algo dentro de mim.
- Está na hora de voltar a viver.
O silêncio depois daquilo foi devastador.
Minha mãe nunca falava sobre o que aconteceu comigo daquela forma.
Nunca.
- Se for preciso... se reinvente - disse ela, mais baixo dessa vez. - Mas tome de volta o controle da sua vida.
Sem que eu percebesse, as lágrimas começaram a descer pelo meu rosto.
Tentei limpar rapidamente, irritada comigo mesma.
Inútil.
Minha mãe se aproximou sem dizer nada e me envolveu nos braços.
E aquilo bastou para eu desabar.
Toda tensão.
Toda culpa.
Todo medo.
Saiu de mim de uma vez, numa onda desesperada e sufocante.
Segurei sua roupa com força enquanto chorava como uma criança.
- Pode chorar, meu bebê... - ela sussurrou, acariciando meus cabelos. - Estou aqui.
Não importava quantos anos eu tivesse.
Minha mãe continuava sendo minha âncora no mundo.
E eu sentia o amor dela até nas broncas.
Talvez principalmente nelas.
Depois de chorar como uma cachoeira por tempo suficiente para ficar com vergonha de mim mesma, nos sentamos para comer.
E, como sempre acontecia naquela casa, a comida da minha mãe parecia ter algum efeito terapêutico absurdo.
Conversamos pouco depois disso.
O silêncio ali nunca era desconfortável.
Ela me contou que Helena estava trabalhando na Casa Verde desde cedo.
Aquilo apertou algo dentro de mim novamente.
Pensei em comprar flores.
Mas desisti quase no mesmo instante.
Nossa situação era séria demais para começar com alegorias ou tentativas bonitas de suavizar os estragos.
Helena merecia honestidade.
Mesmo que doesse.
Peguei um pouco da sobremesa para levar para Helena antes de sair.
Quando cheguei à porta, minha mãe segurou meu braço.
- Athena.
Olhei para ela.
- Reconquiste seu amor e tome sua vida de volta.
A frase me fez lembrar imediatamente de Karina.
Minha mãe sorriu de leve, como se soubesse exatamente no que eu estava pensando.
- Ganhou uma segunda chance ,não a desperdisse buscando maneiras de ser infeliz.
Engoli em seco.
Assenti devagar.
E saí dali mais firme do que havia chegado.
Ainda assustada.
Ainda confusa.
Mas decidida.
Enquanto dirigia para Casa Verde, meu celular tocou pela terceira vez.
O nome do Instituto brilhava na tela.
Atendi no viva-voz, mantendo os olhos na estrada.
- Doutora Athena , sua avaliação e exames periódicos, foram marcados para esta tarde.Posso confirmar sua presenca?
Por alguns segundos, permaneci em silêncio.
Meu retorno.
Finalmente.
- Que horas?
- Às quinze horas.
Desviei o olhar rapidamente para o relógio no painel.
- Estarei aí.
Desliguei.
Continuei dirigindo por mais alguns metros antes de soltar um suspiro cansado e mudar a direção do carro.
Por mais que eu quisesse ver Helena...
Aquilo também era importante.
O Instituto não representava apenas trabalho.
Representava estabilidade.
Controle.
Confiança.
E, de alguma forma, me aproximava da pessoa que eu costumava ser antes da minha vida virar um desastre contínuo.
Talvez recuperar meu cargo significasse recuperar parte de mim.
Ou ao menos lembrar quem eu fui um dia.
Quando cheguei ao Instituto, fui recebida imediatamente pela segurança interna. Alguns rostos ainda me reconheciam. Outros me observavam com a curiosidade desconfortável reservada às lendas problemáticas.
A garota brilhante e irresponsável que as vezes explodia alguma coisa nos laboratórios na epoca em que era estudante.
A bioquimica chefe do Santez.
A mulher que supostamente havia morrido.
A esposa da doutora Helena Heyes.
Provavelmente circulavam muitas versões minhas naquele lugar.
Fui conduzida pelos corredores em silêncio até meu antigo escritório.
Embora eu não colocasse os pés ali havia anos...
Nada tinha mudado.
Nem um detalhe.
Os livros continuavam alinhados exatamente como eu havia deixado.
Os porta-retratos.
Os arquivos.
Os diplomas na parede.
Até o aroma discreto de café e papel permanecia preso ao ambiente, como se o tempo tivesse sido interrompido.
Meu escritório permanecera lacrado durante todo aquele período.
Era uma das políticas do Instituto.
Enquanto eu ainda estivesse vinculada à empresa, nenhum material pessoal ou científico poderia ser alterado, transferido ou acessado sem minha autorização expressa.
Não era respeito.
Era medo.
Cientistas como eu não pertenciam completamente ao Instituto.
Grande parte das patentes médicas, pesquisas farmacêuticas e avanços tecnológicos desenvolvidos ali carregavam nossos nomes.
E empresas daquele tamanho aprendiam cedo que gênios contrariados podiam se tornar perigosos.
Principalmente quando sabiam demais.
Passei os dedos lentamente sobre minha antiga mesa.
Uma camada quase invisível de poeira tocou minha pele.
Estranho.
Aquele lugar deveria parecer familiar.
Mas parecia um mausoléu.
Como se aquele escritório tivesse pertencido a outra versão minha.
Uma mulher mais fria.
Mais inteira.
Mais distante da bagunça emocional que eu havia me tornado.
Me aproximei da grande janela de vidro e observei a cidade lá embaixo.
Por um instante, pensei em Helena.
Na forma como ela bagunçava tudo dentro de mim.
Na forma como ainda conseguia me fazer desejar voltar correndo, mesmo depois de toda dor.
Fechei os olhos por um segundo.
Não.
Primeiro eu precisava sobreviver àquela avaliação.
Depois tentaria salvar meu casamento.
E então...
Talvez salvar Dandara.
Eu não imaginava que, na verdade, aquela avaliação tinha outro propósito.
E que, ao tentar salvar minha carreira...
Eu também estava colocando Helena em risco.
Laura manipulava as peças magistralmente.
Enquanto meu sangue era recolhido para exames de rotina, amostras seguiam diretamente para o laboratório dela.
Os testes neurológicos também.
Ela buscava respostas.
Tentava descobrir a origem do milagre que havia me trazido de volta.
Eles passaram a seguir Helena desde que Erika solicitara sua transferência para Casa Verde. Não ousavam questionar Erika diretamente - ela havia trazido investidores importantes demais para o Instituto correr o risco de perdê-la caso decidisse pedir demissão.
Então encontraram outra forma.
Agiram nas sombras.
A vigilância acabou levando até minha mãe, que era vista constantemente entrando e saindo da Casa Verde. Eles sabiam que minha morte cerebral havia sido oficialmente confirmada.
Mas nunca existira um atestado de óbito.
Ao me ver quando busquei Helena na festa de Luana. Laura teve certeza de que Helena escondia algo extraordinário. Convenceu a diretoria de que ela descobriria exatamente o que era.
Agora, eles tinham a oportunidade de observar com os próprios olhos o resultado daquilo que começariam a chamar de:
"El Dorado".
Porque, para eles...
Helena Heyes já não era apenas uma médica brilhante.
Era patrimônio científico.
Fim do capítulo
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Luciane Ribeiro Em: 26/05/2026 Autora da história
Bom dia.Espero que esteja bem.Obrigada por continuar lendo e comentando.Isso me faz continuar escrevendo.
Laura é ambiciosa ,quer superar e destruir Helena não importa como