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Nao acredite nela por caribu

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Palavras: 1000
Acessos: 104   |  Postado em: 17/05/2026

Notas iniciais:

IMAGEM: fotografia

Capitulo 1

O relógio da delegacia marcava 1h34 quando Liz finalmente se sentou. Com os braços apoiados na frieza da mesa de metal, fez uma careta ao tomar um gole de café, no mínimo, duvidoso. Absorta entre mil pensamentos, observou a fotografia, por cima da borda do copo plástico. O porta-retrato havia se quebrado no galpão, mas a imagem permanecera intacta. As quatro jovens apareciam lado a lado, próximas o suficiente para sugerirem certo grau de intimidade.

Mirela estava no canto, à direita. Era a única sorrindo.

Liz inclinou a cabeça enquanto observava a fotografia mais de perto, com os olhos cansados, embora atentos. Não se tratava de um sorriso exagerado, mas ainda assim chamou sua atenção. Enquanto as outras exibiam sorrisos discretos e reservados, Mirela parecia bastante confortável diante da câmera, como se soubesse de algo que as outras ainda desconheciam.

Ela encarava a lente como quem participava de uma piada que mais ninguém ria.

Do lado de fora da sala, vozes femininas ecoavam pelo corredor da delegacia enquanto a chuva começava a bater contra as janelas do prédio. A porta abriu-se logo depois.

A primeira testemunha entrou evitando encarar a fotografia sobre a mesa. Liz percebeu isso imediatamente.

– Tainá Ribeiro? – perguntou, mais por formalidade. Sabia quem era a interrogada, que se sentou de cabeça baixa, acenando como resposta. Tainá era a primeira moça à esquerda na foto junto com Mirela.

– Não acredito que isso esteja acontecendo... – ela falou, esfregando os olhos com força. Apesar do tom choroso, porém, não havia indício de lágrima em seu rosto – Quando cheguei, o café dela ainda estava quente... Estamos perdendo tempo aqui!

– Curioso, seu depoimento no galpão foi diferente. Ao ser questionada, você inicialmente disse que o local estava vazio fazia mais de uma hora quando chegou.

Liz deslizou a fotografia pela mesa, posicionando-a entre as duas.

–  Há quanto tempo se conhecem?

Tainá demorou para responder. Manteve os olhos presos nas próprias mãos, os dedos inquietos arranhando a superfície da mesa fria.

–  Uns quatro anos.

–  “Uns”?

A jovem ergueu a cabeça lentamente para poder para encará-la, mas logo desviou. Não sustentou o olhar inquisitório de Liz nem por três segundos.

–  Quatro anos, sete meses e 15 dias. Aproximadamente.

Liz não disse nada sobre a correção tão precisa, apenas assentiu, observando-a. Fez a anotação sobre o detalhe em seu bloco de notas mental.

–  Vocês trabalham juntas naquele galpão?

–  Mais ou menos... A Mirela alugou o espaço já tem um tempo. Ela fotografa, edita vídeos, faz umas pesquisas...

–  Pesquisas sobre o quê? – Liz indagou, analisando a hesitação de Tainá, antes da resposta. Foi breve. Ainda assim, a policial percebeu.

–  Inteligência artificial. Reconhecimento facial. Comportamento humano, essas coisas.

–  Você entende do assunto?

– Sou apenas uma leiga – Tainá ergueu os ombros um instante depois de responder, num gesto lento demais para parecer espontâneo.

Liz cerrou os olhos, observando-a. A resposta saiu pronta, sem sombra de hesitação. Foi respondida como se ela já conhecesse a pergunta. “Rápida demais”, pensou, apoiando as costas na cadeira. “Como se já tivesse sido dita”.

A policial manteve-se em silêncio por um momento, analisando o movimento dos ombros da interrogada, a ponta de seus dedos inquietos e a maneira como evitava sustentar contato visual por mais de alguns segundos.

Nervosismo era comum durante os interrogatórios.

Performance também.

–  Estranho...

– O quê? – Tainá franziu a testa, encarando-a de maneira mais demorada agora. Durou cerca de 3,5 segundos.

– Você fala em “reconhecimento facial” com bastante naturalidade para alguém que “é apenas leiga”.

– Era impossível conviver com a Mirela sem ouvir sobre isso o tempo inteiro – Tainá volta a erguer os ombros, agora de maneira mais natural.

A chuva aumentou lá fora. No mesmo instante, Felipa entrou na sala. A policial se posicionou atrás da parceira e manteve-se em pé, sem dizer uma palavra.

Liz permitiu-se ficar em silêncio por alguns instantes, deixando o desconforto crescer devagar entre elas. Tainá logo cedeu.

– É que... a Mirela é meio obcecada por padrões – a frase saiu em tom de desculpa.

– Padrões?

– Sequências. Proporções. Rostos. Simetria. Essas coisas.

Liz lembrou imediatamente das espirais desenhadas sobre as fotografias espalhadas pelo galpão. E, aparentemente, Felipa também, visto que seus olhos se contraíram por um instante em uma microexpressão quase imperceptível, mas que Liz conhecia bem.

– E isso incomodava vocês?

– Uhum, um pouco, às vezes, sim.

– “Vocês”? – Liz insistiu, reforçando o plural.

– É, quero dizer... as meninas. É só perguntar para elas, ué! – disparou, totalmente na defensiva – Por acaso eu sou considerada suspeita pelo sumiço dela? Devo chamar algum advogado?

– Você não gostava das pesquisas dela? – Liz continuou, ignorando as perguntas de propósito.

– Não é isso...

– Então o que é?

Tainá apertou os lábios antes de responder. Deu uma fungada, parecendo só agora se lembrar de que estava chorando lá fora, enquanto aguardava.

– É que a Mirela começou a agir estranho nos últimos meses.

– Estranho como? – Liz descruzou os braços e se apoiou na mesa, inclinando-se na direção da interrogada.

– Como se estivesse... escondendo alguma coisa da gente ou coisa do tipo – Tainá respondeu, pensativa. E retomou, sem que Liz insistisse – Não sei, parecia que ela estava sempre... sei lá, planejando algo. Eu realmente não sei, não sou policial!

Liz desviou os olhos para a fotografia sobre a mesa. Mirela continuava sorrindo sozinha.

– Vocês vão acessar o computador dela? – Tainá então perguntou, provocando um suspiro pesado de Felipa como resposta.

– Provavelmente, sim. Por que quer saber?

– É que tem coisas que ela não gostaria que vissem. Arquivos pessoais, fotos...

– Você não quis ver essa fotografia quando entrou – Liz empurra a imagem em sua direção, forçando-a a olhar.

Então Tainá finalmente encarou a foto. Por um instante, Liz teve a impressão inquietante de que ela não olhava para Mirela com saudade: olhava com receio.

Fim do capítulo

Notas finais:

 

E aí, já tem um palpite?

=)


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Comentários para 2 - Capitulo 1:
NovaAqui
NovaAqui

Em: 30/05/2026

O único palpite é que você irá me surpreender kkkk


caribu

caribu Em: 02/06/2026 Autora da história
Isso já representa meu "final feliz" rs

Sempre bom te ler por aqui! S2


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Zaha
Zaha

Em: 20/05/2026

Oieee, Caribu!! 

Palpite??? Eu tô é toda bagunçada aqui kkkk

Mariela agora tá parecendo perigosa, é? Kkkk

Liz é uma ótima detetive !! 

Vamos próximo pq tô curiosa pra saber que final vou escolher kkkk

Beijos

 

 


caribu

caribu Em: 20/05/2026 Autora da história
Liz é maravilhosaaaa! Brilhantíssima, inteligentíssima, sagaz da cabeça aos pés! É a minha exceção da exceção, tenho sérios problemas com autoridades, não sou mto chegada em polícia...rs Mas ela é perspicaz demais, amo colocá-la em cena. Até então, minha história preferida (ou uma das) era A justiceira, pq Liz é foda no rolê, a outra moça é foda pacarai, a história toda é fantástica...! (mas amo tb a primeira, Caso 5863/21, pq é a primeira e pq passou anos sendo escrita dentro de mim, e tb amo Nas sombras da lei pq é uma vingancinha que foi um prazer poder ter, ainda que de maneira literária e não literal). Mas agora Não acredite nela ganhou meu coração rs

Grata pela leitura!

Beijos!



Zaha

Zaha Em: 20/05/2026
Era "A justiceira"... N era vingadora kkkkk!!
Só pra dizer que li aqui tb pra n ficar mal educado...
Liz foi baseada em alguém? Nunca vi ng tão apaixonada por sua personagem criada!! Incrível!!! :). Nota 1000!

Beijos


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