CAPITULO 15 - UM PASSO PARA O SIM
Enquanto dirigia, a médica se permitiu sonhar por alguns instantes: imaginou a mesa posta, o sorriso de Julianne, a surpresa e talvez, apenas talvez, a confirmação de que aquele amor, que cresceu silencioso e intenso, finalmente se tornaria oficial.
Camilla estacionou na garagem da mansão da mãe. O som do motor foi abafado pelo burburinho que já vinha da parte interna da casa. Ao atravessar o jardim iluminado, percebeu a movimentação e o vai e vem dos funcionários, cada um em sua tarefa para deixar tudo perfeito para o jantar da noite.
Assim que entrou pela porta principal, foi recebida pelo aroma delicioso que vinha da cozinha, misturando temperos e perfumes de flores recém-arrumadas nas mesas. Cumprimentou os funcionários com um sorriso educado e logo encontrou a mãe, Fernanda, de pé na sala de estar. A mulher, impecável como sempre, gesticulava e ditava ordens com firmeza, ajustando os mínimos detalhes da recepção.
— Bom dia, mãe — disse Camilla, aproximando-se.
Helena interrompeu por um instante as instruções, sorriu com ternura e recebeu o beijo da filha no rosto.
— Bom dia, meu amor. Vá descansar, você parece exausta. Aqui embaixo está uma verdadeira tempestade, mas em algumas horas tudo estará pronto.
— Confio em você, mãe. Sei que vai ficar perfeito.
Trocaram algumas palavras rápidas e, sem se estender, Camilla subiu para o quarto de hóspedes que sempre usava quando ficava na mansão. Tirou o blazer, depois os sapatos, e em seguida despiu-se completamente. Já havia tomado banho no hospital, então a única coisa que desejava naquele momento era o silêncio e o conforto da cama. Deitou-se, deixando-se envolver pelo frescor dos lençóis e pelo peso suave do sono que veio rápido, enquanto a movimentação no andar de baixo seguia intensa, com passos apressados, vozes coordenando tarefas e o tilintar de pratos.
Ao mesmo tempo, em outro ponto da cidade, Julianne e Luísa chegavam em casa. A enfermeira sentia o corpo implorando por descanso depois do plantão exaustivo.
— Eu vou direto para o banho, Lu — disse ela, largando a bolsa no sofá e perdendo no corredor sem demora. — Estou meio enjoada.
— Você se alimentou hoje Juh?
— Sim. Normalmente, deve ser algum mal-estar bobo.
Luísa, sempre atenciosa, dirigiu-se à cozinha. Preparou algo simples, mas saboroso, para que ambas pudessem comer depois que Julianne estivesse pronta. Enquanto os aromas suaves se espalhavam pelo ambiente, sentou-se à mesa, abriu o notebook e mergulhou nos estudos, dividindo sua atenção entre as páginas digitais e o cuidado com a comida no fogão.
Julianne, por sua vez, deixou a água morna escorrer sobre o corpo, lavando não apenas o cansaço físico, mas também as preocupações acumuladas. Depois do banho, vestiu um pijama confortável e seguiu para a cozinha, comer algo ao lado de Luísa. Conversaram pouco, ambas exaustas, mas o carinho silencioso entre as duas era suficiente.
Pouco depois, Julianne recolheu-se ao quarto, deitou-se e adormeceu rapidamente. O mundo do lado de fora podia estar agitado, mas dentro de casa reinava uma calma serena — o tipo de silêncio que antecede momentos marcantes.
Enquanto isso, na mansão de Fernanda, Camilla dormia profundamente, sonhando com a noite que se aproximava. Em poucas horas, sua vida poderia mudar para sempre.
Quando acordou por volta das cinco horas da tarde, Camilla sentiu o corpo revigorado, embora a mente ainda estivesse agitada com todos os pensamentos do dia anterior. Tomou um banho demorado, deixou a água quente escorrer pelos ombros como se pudesse levar embora parte da ansiedade que a consumia. Ao sair do chuveiro, vestiu uma roupa de academia: short preto, top branco e uma jaqueta esportiva.
Na academia, entregou-se aos aparelhos e pesos com dedicação, descarregando a energia acumulada. Seus músculos trabalhavam intensos, mas era o coração que batia em descompasso. A cada repetição, lembrava-se do jantar, do pedido que faria, da reação de Julianne.
Após uma hora de treino, saiu da academia e seguiu para o carro. O sol já descia no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados. Camilla ligou o ar-condicionado, conectou o celular ao painel e ficou alguns segundos parada no estacionamento, respirando fundo antes de dar partida.
Enquanto dirigia pelas ruas movimentadas, o pensamento voava mais rápido que o carro. A cada semáforo fechado, o olhar dela fixava o celular no suporte, como se esperasse uma mensagem. Não aguentou. Pegou o telefone, deslizou a tela e tocou no nome de Julianne.
Do outro lado, a chamada demorou alguns segundos até ser atendida.
— Alô? Oi... — respondeu Julianne com a voz rouca, ainda sonolenta.
Camilla sorriu involuntariamente, imaginando-a deitada entre travesseiros, cabelos bagunçados e olhar sonolento.
— Oi, Juh... estava dormindo? — perguntou em tom suave.
— Sim... acordei agora com sua ligação. — A voz de Julianne saía preguiçosa, quase um sussurro.
— Me desculpa, se quiser posso te ligar depois.
Houve uma breve pausa do outro lado, acompanhada de um suspiro.
— Não... não precisa. Pode falar.
Camilla ajeitou-se no banco do carro, sentindo o coração acelerar.
— Só liguei para saber se você está bem... e se quer que eu vá buscar vocês às oito horas.
— Eu estou bem... dormi demais, estava bastante cansada do plantão. — Julianne suspirou de novo, como se ainda lutasse contra o sono. — Não precisa, irei com a Luísa de carro.
Camilla franziu levemente a testa, mesmo mantendo o tom carinhoso.
— Certeza?
— Sim, Cam, não se preocupe. — A enfermeira respondeu, mais firme dessa vez.
Camilla mordeu o lábio, vencida pelo jeito decidido da namorada.
— Então te espero às oito e trinta na casa da minha mãe. Já estou ansiosa pela sua chegada.
Do outro lado, a enfermeira soltou uma risada leve, doce, que aqueceu o peito de Camilla.
— E eu ansiosa por te ver. — murmurou Julianne, ainda sorrindo.
No carro, Camilla desligou a chamada com um sorriso bobo, encostando a cabeça no encosto do banco por alguns segundos. Seus dedos tamborilaram no volante, como se o corpo não comportasse a ansiedade.
Enquanto isso, no quarto de Julianne, o ambiente estava envolto em penumbra. As cortinas fechadas deixavam apenas alguns feixes de luz alaranjada atravessarem o tecido. A enfermeira estava deitada de lado, o celular ainda na mão, e um sorriso tímido escapava de seus lábios.
Estava cansada, o corpo ainda pedia descanso, mas o coração agora pulsava mais rápido. Ela fechou os olhos, imaginando o encontro no jantar, o brilho no olhar de Camilla e a sensação de estar prestes a viver algo grande, que ela ainda não conseguia colocar em palavras.
Segurando o travesseiro contra o peito, Julianne suspirou e deixou-se envolver por aquela ansiedade gostosa, como se pressentisse que a noite seguinte mudaria o rumo de suas vidas.
Camilla chegou em casa e, ao entrar, já percebeu que o ambiente estava completamente preparado para a noite especial. A sala de jantar estava impecável: a mesa posta com taças brilhando sob a luz suave, guardanapos dobrados com delicadeza, talheres alinhados, e pequenos arranjos de flores brancas davam um toque elegante ao cenário. Da cozinha vinha o cheiro inconfundível de temperos e pratos que a mãe tinha o dom de dar os últimos toques.
A loira respirou fundo, sentindo um frio na barriga. O coração batia descompassado só de imaginar o que viria naquela noite. Subiu as escadas sem demora e seguiu direto para o banheiro. Tirou as roupas de academia, jogando-as no cesto de roupas sujas, e em poucos segundos já estava debaixo do chuveiro.
A água quente escorria pelo corpo, e Camilla apoiou as duas mãos na parede fria do box, inclinando a cabeça para frente. De olhos fechados, deixou que a água lavasse o peso da ansiedade, mas nada impedia os pensamentos de se voltarem para Julianne. Seu coração acelerava ainda mais só de imaginar a morena entrando pela porta, linda, iluminando tudo ao redor.
— Será que ela vai dizer sim? — murmurou para si mesma, mordendo os lábios em meio ao turbilhão de emoções.
Enquanto isso, em outro ponto da cidade, Julianne também se preparava. No quarto, a morena deixava a toalha cair suavemente ao entrar no banheiro, a pele arrepiada pelo contraste da água fresca. Tentava relaxar, mas o coração igualmente batia rápido. Ela pensava no jantar, sem imaginar o verdadeiro propósito daquela noite.
No quarto da enfermeira, Luísa já se arrumava diante do espelho, sorrindo divertida com o nervosismo de Julianne.
— Você está parecendo uma noiva prestes a entrar na igreja, Ju. — brincou, mexendo nos cabelos. — Só falta o vestido branco.
Julianne do banheiro riu nervosa, balançando a cabeça.
— Para, Lu. É só um jantar... com a mãe da Camilla. Nada demais.
— Nada demais? — arqueou a sobrancelha, rindo maliciosa. — Essa sua cara de quem já ensaiou mil vezes como cumprimentar a sogra está me dizendo o contrário.
Julianne jogou um pouco de água no rosto, tentando esconder o rubor.
— Ela não é minha sogra...Camilla nem me pediu em namoro. Eu só quero causar uma boa impressão, pronto.
Luísa sorriu de canto, observando a amiga com carinho.
— Ah, maninha... você já conquistou a Camilla, e tenho certeza de que vai conquistar a mãe dela também. Mas confesso que estou curiosa pra saber o que essa loira está aprontando.
Julianne não respondeu, apenas riu baixinho, voltando a se concentrar no banho. Por dentro, o frio na barriga só aumentava.
Luísa estava impecável para o jantar, apostando em um conjunto elegante e moderno. Ela vestia uma blusa de manga longa em tom verde-escuro, com decote em “V” sutil que transmitia sofisticação sem perder a leveza. A peça, levemente solta, harmonizava perfeitamente com o short de alfaiataria da mesma cor e tecido, que marcava a cintura e alongava sua silhueta com caimento estruturado e refinado.
O conjunto destacava sua pele clara e os traços delicados do rosto, complementados por brincos de pérola que adicionavam um toque clássico ao visual.
Enquanto isso, Camilla desligava o chuveiro, ainda absorta em seus pensamentos. Enxugou-se rapidamente, vestiu o roupão e, olhando-se no espelho, deixou escapar um sorriso nervoso. A noite estava apenas começando, mas ela sabia: seria uma noite que mudaria suas vidas para sempre.
Camilla caminhou até o closet com a tranquilidade de quem sabia exatamente o impacto que queria causar naquela noite. Entre tantos vestidos e combinações, escolheu um look que traduzia sofisticação e modernidade: um macacão branco tomara que caia, de tecido estruturado, que moldava seu corpo com elegância. A peça tinha um caimento impecável, com a parte superior justa realçando seus ombros e colo, enquanto a calça fluía em linhas retas e amplas, transmitindo imponência e delicadeza ao mesmo tempo.
Para completar, optou por sandálias de salto fino em tom neutro, que alongavam ainda mais sua silhueta. No pulso, usava uma pulseira dourada discreta, adicionando um toque refinado de brilho sem roubar a cena do macacão. O cabelo preso em um coque alto, com mechas soltas emoldurando o rosto, reforçava sua aura de mulher confiante e charmosa.
Camilla, ao se olhar no espelho, sabia que havia escolhido o look perfeito: clássico, sofisticado e irresistivelmente elegante para o jantar.
Julianne saiu do banho ainda envolta na toalha, os cabelos úmidos caindo suavemente sobre os ombros. Ao entrar no closet, deixou o tecido cair e, com calma, analisou suas opções até que seus olhos brilharam diante da escolha perfeita para o jantar. Optou por um vestido longo em tom verde oliva, de alças finas, que abraçava seu corpo de forma delicada e elegante.
O decote em “V” realçava sua feminilidade de maneira sutil, enquanto a saia fluida caía com leveza, exibindo uma fenda alta que deixava à mostra parte da perna, conferindo um ar ousado e sofisticado ao mesmo tempo. O tecido esvoaçante se movia a cada passo, criando uma aura etérea em torno dela.
Nos pés, escolheu sandálias de salto nude, delicadamente adornadas por uma tornozeleira brilhante, que davam o toque final de charme. Os cabelos soltos em ondas naturais emolduravam seu rosto iluminado, realçado por brincos longos e cintilantes que equilibravam o look com sofisticação.
Julianne, ao se olhar no espelho, sabia que havia encontrado a combinação perfeita: um visual deslumbrante, elegante e envolvente, pronto para marcar presença naquela noite especial.
Helena, a mãe de Camilla, surgiu deslumbrante e imponente em seu look escolhido para o jantar. Ela usava um elegante conjunto em tom nude sofisticado, composto por um vestido reto até os joelhos, que destacava sua postura elegante, combinado a uma sobreposição de tecido delicadamente bordado com desenhos florais em transparência. A peça, de mangas três-quartos, transmitia requinte e suavidade ao mesmo tempo, equilibrando tradição e modernidade.
Nos pés, calçava sapatos de salto baixo no mesmo tom do vestido, mantendo a harmonia da produção e garantindo conforto. O cabelo grisalho, bem cuidado e levemente ondulado, caía com naturalidade sobre os ombros, reforçando sua presença de mulher madura, charmosa e de personalidade forte.
Helena estava impecável, transmitindo autoridade e sofisticação, como se fosse a anfitriã perfeita da noite. Enquanto isso, no andar de baixo, Camilla andava de um lado para o outro na sala, visivelmente nervosa, segurando um copo de whisky, tentando controlar a ansiedade enquanto esperava pela chegada de Julianne e Luísa.
Luísa e Julianne seguiam tranquilamente pelo caminho em direção à mansão da mãe de Camilla, o carro preenchido pelo som suave de Bruno Mars. A atmosfera era leve, uma mistura de expectativa e calma. Julianne olhou para Luísa, que mantinha o foco na estrada, e sorriu discretamente, sentindo o coração acelerar com a proximidade do jantar.
Ao mesmo tempo, Helena acompanhava Camilla na sala principal da mansão. Um garçom circulava com uma bandeja de canapés, e Fernanda aproveitou para servir um drink, sentando-se elegantemente ao lado da filha. A conversa entre mãe e filha fluía naturalmente, cheia de risadas suaves, enquanto Camilla olhava com expectativa para a porta, aguardando Julianne.
Quando a enfermeira finalmente entrou, o impacto foi imediato. Julianne vestia um longo verde oliva de alças finas que abraçava seu corpo com delicadeza e elegância. O decote em “V” realçava sua feminilidade de forma sutil, e a saia fluida com a fenda alta deixava à mostra parte de sua perna, mesclando ousadia e sofisticação.
Camilla sentiu o coração acelerar. Sem perceber, seus olhos se fixaram na silhueta de Julianne, admirando cada detalhe. Ela se aproximou, e, de maneira sutil, beijou o canto dos lábios da enfermeira, enquanto a mão apertava levemente o quadril de Julianne, causando um calor momentâneo que percorreu todo o corpo da enfermeira.
— Uau… você está deslumbrante, Juh — murmurou Camilla, quase inaudível, mas com aquele toque de provocação discreta que só ela sabia dar.
Julianne corou levemente, desviando o olhar por um instante antes de sorrir, sentindo a presença de Camilla como um calor acolhedor.
Helena se aproximou, abraçando Julianne com simpatia.
— Que bom ver você aqui, querida! — disse Helena, depois se voltando para Luísa. — E você, minha querida, tudo bem?
Luísa sorriu, educada.
— Tudo ótimo, obrigada.
— Aceitam um drink, meninas? — perguntou Fernanda, servindo-se de um copo elegante.
— Eu prefiro um suco, estou dirigindo — respondeu Luísa, gentilmente.
— Eu aceito, obrigada — disse Julianne, pegando um copo de drink servido por Fernanda.
As quatro se acomodaram no sofá da ampla sala, cercadas por móveis clássicos, decoração refinada e luzes suaves que davam ao ambiente um ar acolhedor e intimista. A conversa começou naturalmente, com Fernanda guiando a interação.
— Luísa, querida, me conte um pouco sobre você. — perguntou Helena, sorrindo com curiosidade. — Estuda ou trabalha?
— Ah… no momento somente estudando. E nos tempos livres gosto de fazer trilha... me aventurar. — respondeu Luísa, com brilho nos olhos.
— Uau, que aventura! — comentou Camilla, apoiando o queixo na mão e olhando Luísa com interesse. — Preciso admitir que sempre admirei quem gosta de desafios assim. Parabéns Luh.
— É, adoro me sentir livre nesse tipo de atividade — disse Luísa, rindo levemente.
Julianne sorriu com o tom descontraído da conversa, sentindo-se mais à vontade com o ambiente e a presença das mulheres.
— E você, Camilla? — perguntou Luísa, inclinando-se levemente. — Alguma paixão por aventuras fora do trabalho?
Camilla sorriu de lado, brincando:
— Olha, se depender de adrenalina, eu sou mais fã de emoções… mas confesso que o que mais me entusiasma ultimamente é passar tempo com certas pessoas especiais — disse, trocando um olhar intenso com Julianne, que corou novamente.
Helena observou a troca silenciosa entre as duas, percebendo a cumplicidade que ia além do óbvio, e sorriu, satisfeita.
A conversa fluiu descontraída pelo resto da noite, com risadas, histórias e olhares sutis entre Camilla e Julianne, criando uma atmosfera ao mesmo tempo elegante e cheia de intimidade, enquanto Luísa compartilhava memórias de viagens, hobbies e pequenas aventuras da vida cotidiana.
Helena se levantou do sofá, deixando a taça de champanhe na mesinha de centro.
— Meninas, vamos jantar! — disse, com um sorriso largo. — A mesa já está posta, e as comidas estão deliciosas.
Camilla se levantou rapidamente, olhando para Julianne com aquele sorriso discreto e provocante que só ela sabia dar.
Helena conduzia todas até a mesa de jantar.
A mesa estava lindamente posta: pratos quentes, saladas coloridas, pães frescos e uma pequena seleção de vinhos. Camilla se sentou ao lado de Julianne, discretamente acariciando a perna da enfermeira por baixo da mesa, apenas com a ponta dos dedos, o toque leve o suficiente para fazer Julianne corar.
— Nossa, Camilla, essa mesa está linda! — exclamou Luísa, pegando um prato de salada.
— Foi a mamãe que planejou, eu só fiquei com a parte de supervisionar, parabenize ela. — respondeu Camilla, dando uma piscadela para Julianne. — Mas confesso que supervisionar Julianne é muito mais divertido.
Julianne corou e desviou o olhar, tentando disfarçar o sorriso que escapava.
— Super divertido, é? — provocou Helena, com ar brincalhão. — Só espero que a diversão não atrapalhe a comida.
— Não se preocupe, mãe, eu só estou supervisionando, nada mais — disse Camilla, inclinando-se levemente para sussurrar no ouvido de Julianne. — Você está tão linda que me deixa sem ar. — completou com um tom provocante, arrancando um risinho contido da enfermeira.
— Camilla! — disse Luísa, fingindo indignação. — Você sempre com essas suas brincadeiras. Vai me deixar com ciúmes da minha irmã.
— Ciúmes? — respondeu Camilla, com um sorriso travesso. — Que nada, Luísa. Você sabe que o coração dela e de nos duas. — Completou, piscando para ambas, que riram da brincadeira.
O jantar seguiu com conversas leves: sobre a semana de trabalho, pequenos acontecimentos engraçados no hospital, lembranças de viagens passadas e planos futuros. Helena comentava sobre a organização da casa, Luísa falava sobre uma série que estava assistindo, e Camilla aproveitava cada oportunidade para lançar olhares e pequenos toques em Julianne por baixo da mesa, fazendo a enfermeira corar sem parar.
— Meninas, alguém vai me explicar como Camilla consegue fazer a Julianne corar sem nem a tocar direito? — perguntou Fernanda, com um sorriso divertido.
— Ah, mãe, é talento nato — disse Camilla, provocando mais um risinho de Julianne. — Eu treino todos os dias, prática constante... sabe, supervisionar, observar... — completou, olhando para a enfermeira, que só conseguiu morder o lábio e sorrir timidamente.
— E você, Julianne, está silenciosa demais. Tá planejando alguma vingança? — perguntou Luísa, piscando.
— Eu? Não, jamais — respondeu Julianne, tentando manter a compostura, mas o toque de Camilla sob a mesa fazia seus dedos se enroscarem levemente na toalha.
Camilla inclinou-se levemente, roçando a mão contra a da enfermeira, como se fosse um acidente.
— Só queria garantir que você está confortável, Juh... nada mais — disse, com aquele sorriso provocante que fazia Julianne corar mais um pouco.
O jantar seguia em clima agradável, a conversa fluía entre risadas, histórias do hospital e comentários leves. Camilla, Helena, Julianne e Luísa compartilhavam experiências e pequenas provocações, mas havia algo no ar que deixava Julianne inquieta e Camilla com o coração disparado. Cada olhar trocado entre elas carregava uma tensão silenciosa, um desejo contido.
Helena comentava animada sobre algumas lembranças da família, enquanto Luísa contava uma história engraçada do trabalho. Camilla ouvia, mas seus olhos não largavam Julianne, que tentava sorrir naturalmente, segurando as mãos sob a mesa.
Em um momento de silêncio, Camilla se levantou suavemente, pedindo licença com um sorriso nervoso:
— Meninas, posso um instante? — disse, deixando a cadeira ranger levemente ao se mover.
Julianne olhou para ela, surpresa, sentindo o estômago revirar de ansiedade. Luísa arqueou a sobrancelha, curiosa, mas manteve o sorriso.
Camilla caminhou até o centro da sala, respirou fundo, e retirou do bolso da roupa que vestia uma pequena caixinha de veludo. O coração dela batia acelerado, cada batida parecia ecoar na mesa. Todos os olhares se voltaram para ela, mas era Julianne quem a prendia, com os olhos marejados e a respiração contida.
— Julianne... — começou Camilla, a voz firme, mas carregada de emoção — esse jantar, no início, era só um convite da minha mãe para se aproximar de você, porque ela se encantou com você de imediato. Não tem como não se apaixonar, né? Mas, na verdade, esse jantar é muito mais que isso.
Ela fez uma pausa, o coração disparado, segurando a caixinha com cuidado:
— Eu conversei com ela, abri meu coração, falei sobre o que sinto e sobre o meu maior desejo... e ela me deu a bênção dela para que eu realizasse hoje o que eu mais quero nesse mundo. Esse momento é especial para mim, para a minha mãe, para a Luísa... e, se você permitir, pode ser especial para nós duas também.
Camilla respirou fundo e continuou:
— Desculpa se estou nervosa... mas é que tudo o que eu sinto por você transborda e me deixa sem chão. A gente se conheceu de uma forma nada convencional, talvez até improvável. E, pouco a pouco, fomos nos descobrindo. Eu fui tentando te conquistar, e até hoje não sei exatamente como consegui... mas consegui.
Ela se ajoelhou lentamente, abrindo a caixinha para revelar o anel. Julianne levou a mão à boca, os olhos arregalados, e sentiu as lágrimas querendo escapar. Camilla continuou:
— Você é a única pessoa que me conhece de verdade. Conhece o meu lado doce, mas também conhece o meu lado mais difícil... aquele que já te feriu, que já te magoou. E por isso, hoje, de coração aberto, eu quero me ajoelhar diante de você, pedir perdão por cada lágrima que te causei, por cada dor que talvez eu tenha deixado em você.
Ela engoliu a própria emoção e olhou profundamente nos olhos de Julianne:
— Mas hoje eu não quero olhar para trás... quero olhar para frente. Porque com você eu descobri o que é amar sem medidas, o que é sonhar a dois, o que é acordar com a certeza de que existe alguém que me completa em todos os sentidos.
Camilla segurou firme a caixinha, um leve tremor na voz:
— Julianne... eu quero escrever todos os próximos capítulos da minha vida ao seu lado. Quero ser sua parceira, sua cúmplice, sua amiga, sua amante... a mulher que vai te respeitar, te apoiar e te amar todos os dias da vida.
Ela respirou fundo, os olhos brilhando:
— Então... você aceita se casar comigo?
O silêncio tomou conta da sala. Julianne ficou paralisada, a respiração suspensa, os olhos marejados. Luísa abriu a boca, sem saber o que dizer, enquanto Helena observava, emocionada, um sorriso orgulhoso nos lábios. Julianne levou as mãos ao rosto, tentando segurar as lágrimas, sem conseguir esconder o sorriso nervoso. Ela apenas respirava fundo, como se buscasse forças para formar palavras.
Camilla, ajoelhada, manteve os olhos fixos na mulher que amava, aguardando, sentindo o coração bater tão forte que parecia ecoar pelo salão.
Depois de alguns segundos que pareceram eternos, Helena, tentando aliviar a tensão, disse com um sorriso:
— Meninas, o jantar está sendo ainda mais especial do que eu imaginava.
Camilla levantou-se, ainda segurando a caixinha, aproximando-se de Julianne, segurando suavemente as mãos dela. Luísa soltou uma risadinha discreta, divertida com a situação, e Fernanda piscou para a filha.
— Bom, meninas — disse Camilla com um sorriso travesso — o resto da noite pode esperar, mas eu não podia esperar mais um segundo para perguntar...
Julianne respirou fundo, ainda sem falar, enquanto Camilla pressionava suavemente a caixinha na mão dela, olhando nos olhos da enfermeira, cheia de esperança. O silêncio carregado de emoção transformou aquele momento em algo que nenhuma das quatro esqueceria.
Helena, sentindo a tensão, colocou a mão no ombro de Julianne e disse baixinho:
— Querida, seja qual for a sua resposta, eu sei que vocês duas são especiais uma para a outra.
Camilla, percebendo a pausa dramática, apenas sorriu, segurando as mãos de Julianne com firmeza, aguardando a resposta que viria, sabendo que qualquer palavra dela seria mágica.
Julianne ainda estava paralisada, os olhos marejados, a respiração acelerada, tentando organizar os pensamentos enquanto sentia as mãos firmes de Camilla segurando as suas. Luísa, sentada ao lado, percebeu a tensão e deu uma risadinha discreta, fazendo um comentário leve para quebrar o gelo:
— Uau, Camilla... você não brinca em serviço, hein? — disse, piscando para a médica de forma divertida.
Camilla soltou um sorriso nervoso, apertando suavemente a mão de Julianne:
— Não consigo esperar mais, Juh. Preciso saber...
Julianne respirou fundo e olhou nos olhos de Camilla, com a voz firme, mas carregada de emoção:
— Camilla... antes de responder, quero que você saiba uma coisa. Eu quero estar ao seu lado, viver cada momento com você. Quero ser amada, cuidada, respeitada… mas também quero que você não me maltrate, que me magoe novamente. Quero rir, chorar, sonhar, trabalhar, viajar… tudo com você. Quero compartilhar todos os pequenos e grandes momentos da vida contigo.
Camilla sentiu o coração disparar, cada palavra de Julianne parecia tocar fundo em seu peito. Com a voz suave, mas embargada de emoção, respondeu:
— Juh… eu prometo que vou te amar, respeitar e estar ao seu lado em tudo. Não há nada que eu queira mais do que te fazer feliz.
Julianne sorriu, enxugando discretamente uma lágrima que escapou, e então respirou fundo, finalmente dizendo:
— Então… sim, Camilla. Eu aceito me casar com você.
Um sorriso enorme se abriu no rosto de Camilla. Ela se levantou rapidamente, puxou Julianne para um abraço apertado e sentiu o corpo da enfermeira relaxar contra o seu, como se todo o peso da ansiedade tivesse sido dissipado naquele abraço.
Luísa bateu palmas discretamente e comentou, sorrindo:
— Uau, finalmente! Sabia que vocês duas eram fogo, mas isso… isso é nível épico.
Helena, emocionada, aproximou-se e abraçou as duas ao mesmo tempo:
— Meninas, estou tão feliz por vocês! Que essa união traga só alegrias e muito amor.
Camilla, ainda segurando Julianne pela cintura, sussurrou:
— Te amo, Juh… e vou passar o resto da vida te mostrando isso.
Julianne sorriu, descansando a cabeça no peito de Camilla, sentindo cada batida do coração da médica, e respondeu, com a voz suave e firme:
— E eu te amo, Camilla… e quero que cada dia seja assim, lado a lado, sempre.
O jantar seguiu depois disso em clima leve e alegre. As risadas voltaram, pequenas provocações de Camilla surgiam, e Julianne, ainda envergonhada, se deixou levar pelo charme da médica. Mas agora, sob a mesa, as mãos continuavam se entrelaçando, como se cada toque fosse uma promessa silenciosa do que estava por vir.
Fernanda, satisfeita, piscou para a filha e disse:
— Meninas, foi um jantar perfeito. Que possamos repetir isso muitas vezes.
Camilla apertou a mão de Julianne sob a mesa, dando um leve sorriso cúmplice, e a enfermeira respondeu com um sorriso tímido, já sentindo o futuro juntas mais próximo do que nunca.
O jantar chegava ao fim, e a sensação de aconchego pairava sobre todos. Helena levantou-se da mesa primeiro, ainda sorridente:
— Foi uma noite maravilhosa, meninas. Obrigada pela companhia de vocês.
Luísa a abraçou com carinho:
— Nós que agradecemos, Fernanda. Sua casa tem uma energia tão boa que dá vontade de ficar mais tempo.
Julianne sorriu, um pouco tímida, mas feliz:
— Obrigada pelo convite, foi especial demais.
Helena então envolveu Julianne em um abraço apertado, murmurando baixinho em seu ouvido:
— Seja sempre bem-vinda, minha querida. Já faz parte da família.
Camilla, com um brilho de orgulho nos olhos, acompanhou Julianne e Luísa até o carro. A noite estava fresca, e a lua iluminava suavemente a calçada. Quando chegaram ao lado do veículo, Luísa, percebendo o clima, abriu a porta do carona e disse em tom brincalhão:
— Vou dar uns minutinhos pra vocês, mas não demorem, hein? — piscou e entrou no carro, deixando as duas a sós.
Camilla segurou delicadamente a mão de Julianne, aproximando-se dela. O olhar da médica estava intenso, cheio de ternura.
— Obrigada por ter vindo hoje… e por ter me dado o sim mais importante da minha vida.
Julianne corou, baixando os olhos por um instante, mas logo sentiu o toque de Camilla acariciando suavemente seu rosto. A médica se inclinou devagar, como se quisesse prolongar cada segundo da expectativa, e a beijou.
Foi um beijo demorado, profundo, carregado de promessas silenciosas. Os lábios se encontraram com delicadeza no início, mas logo a intensidade aumentou, como se ambas não quisessem soltar uma à outra nunca mais.
Quando os lábios se afastaram, Camilla manteve a mão no rosto de Julianne, deslizando o polegar sobre a pele macia da bochecha dela.
— Eu te amo, Juh. — Murmurou, a voz rouca, cheia de emoção.
Julianne sorriu, os olhos brilhando sob a luz da lua.
— Eu também te amo, Camilla. — respondeu, com a voz suave e firme, como uma promessa eterna.
Relutante, a médica deu um último selinho, respirou fundo e abriu a porta para Julianne entrar. Antes que ela entrasse, Camilla segurou novamente a mão dela e sussurrou:
— Sonha comigo hoje.
Julianne riu baixinho, já dentro do carro, e respondeu:
— Sempre.
Camilla ficou ali, observando o carro se afastar, com o coração disparado e um sorriso apaixonado nos lábios, já contando os minutos para reencontrar sua noiva.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Sem comentários
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook: