Gurias,
Aviso rápido:
esse capítulo ficou um pouco mais pesado e contém cenas de violência física.
Então respirem fundo antes de entrar nesse caos comigo.
Capitulo 24
A tela do celular com uma notificação de Fernanda iluminava o rosto de Amanda no fim daquele dia. Apesar do cansaço e da frustração com Carla, ela sentia que estava no caminho certo e dessa vez, ela não estava sozinha.
Fernanda:
Estou oficialmente exausta. Se eu tiver que perseguir mais alguém hoje, eu me demito e viro dona de pousada.
Amanda sorriu sozinha.
Amanda:
Você não sobreviveria 2 dias como dona de pousada. Ia prender hóspede que deixasse toalha molhada na cama.
Fernanda:
Dependendo do hóspede, eu prenderia mesmo.
Pausa.
Amanda:
Dia difícil?
Demorou alguns segundos.
Fernanda:
Sim…, mas não é só isso.
Outra pausa.
Fernanda:
Senti sua falta hoje.
O sorriso de Amanda mudou.
Amanda:
Eu também senti a sua.
Sem falar que sobrevivi a mais um dia tentando não incendiar aquela empresa.
Fernanda:
Orgulho de você, sabia?
Amanda respirou fundo antes de responder.
Amanda:
Vem pra Casa de Vidro hoje? Sem política, investigação. Só nós duas.
Fernanda:
Convite aceito, mas só se tiver comida.
Amanda:
Claro que tem comida e talvez, até sobremesa.
Fernanda:
Agora eu chego em 20 minutos.
Amanda riu baixo.
Mandou uma mensagem para Arminda, guardou o celular, pegou a bolsa e seguiu até o estacionamento. O subsolo do prédio do Grupo Bastos estava mais silencioso do que o habitual. Luzes frias e intermitentes. Som metálico distante. O eco dos próprios passos de Amanda parecia alto demais, quase denunciando sua presença no vazio.
Ela destravou o carro e, quando ia erguer o braço para abrir a porta, o ataque veio.
Um impacto seco e violento na lateral do corpo. O ar simplesmente desapareceu dos pulmões.
Antes que pudesse reagir, uma mão forte torceu seu braço para trás com brutalidade, forçando a articulação além do limite confortável e outra pressionou seu ombro para baixo.
— Sem gritar. — A voz veio baixa, perto demais do ouvido.
Amanda reagiu por instinto. Tentou girar o corpo, acertar um cotovelo, um chute, escapar.
Não conseguiu.
O segundo homem veio rápido — e sem qualquer hesitação.
Um soco direto no abdômen. Mais forte que o anterior. Mais preciso. A dor explodiu.
Dessa vez ela dobrou de verdade, o corpo cedendo contra a própria vontade. Um som preso escapou, quase um engasgo.
— Quieta!
Ela ainda tentou resistir. As mãos buscando apoio no carro, tentando se firmar.
Então veio o golpe nas costas. Não um soco, um empurrão violento.
Amanda foi projetada contra a lataria do carro. O impacto reverberou pelo corpo inteiro. O ombro absorveu primeiro, depois a cabeça raspou de leve, deixando um zumbido agudo nos ouvidos.
O mundo girou por um segundo. Foi o suficiente, eles a puxaram, sendo arrastada totalmente dominada. Os saltos raspando no concreto, descompassados. O som ecoando no estacionamento vazio, alto demais, desesperador demais.
— Para de reagir!
Outro golpe. Agora na boca do estômago. Curto. Cruel. O ar voltou… só para ser roubado de novo. A porta do seu carro abriu bruscamente. Amanda foi empurrada para dentro sem cuidado algum. O corpo bateu contra o banco, mas a cabeça pegou primeiro na lateral da porta — dessa vez mais forte. Um clarão rápido.
Visão turva. A porta foi fechada, colocaram um capuz em sua cabeça, ligaram o motor e o carro arrancou.
A respiração de Amanda estava descompassada, irregular. Cada tentativa de puxar ar vinha acompanhada de dor. As mãos foram presas com força, apertando demais os pulsos.
Ela forçou o foco.
E então…
a voz.
— Você demorou pra entender, Amanda. — Ela reconheceu aquela voz. Elias.
Ela virou o rosto devagar, ignorando o protesto do próprio corpo. Sangue começava a se acumular no canto da boca.
Mesmo assim… sustentou.
— Você está fazendo a pior escolha possível.
Elias sorriu. Sem emoção.
— Não.
Pausa.
— Eu estou encerrando as pontas soltas.
A viagem até o cativeiro se dissolveu em fragmentos. Tempo sem forma. O capuz preto abafando o ar, comprimindo ainda mais a respiração já instável. Cada curva fazia o corpo dela bater contra o banco. Cada impacto reacendia a dor nas costelas, no abdômen, na cabeça.
Quando o carro parou, o silêncio era outro. Mais vazio. Mais morto.
Amanda foi puxada para fora sem aviso. O corpo não respondeu com a mesma firmeza de antes. Os pés tocaram o chão irregular — terra, concreto quebrado, pequenas pedras.
Ela quase caiu.
Quase. Foi mantida em pé à força. O galpão à frente era antigo. Abandonado. Portas metálicas enferrujadas. Paredes marcadas por infiltração. Ela foi empurrada para dentro. O cheiro veio primeiro. Ferrugem. Umidade. Mofo. No chão haviam muitas coisas jogadas e com aquele capuz, Amanda não conseguiu se desvencilhar de alguns ferros que estavam no chão.
Dessa vez ela caiu, sem conseguir evitar.
As mãos presas impediram qualquer reação. O impacto no chão foi seco. O joelho raspou no concreto, a pele abrindo em um ponto que ardeu imediatamente.
— Levanta!
Um dos homens a puxou pelo braço. Forte demais. Desnecessário demais.
— Ai! — o grito escapou antes que conseguisse conter.
— Fica quieta que fica melhor pra você.
Ela tentou se manter firme.
Mas o corpo já não respondia igual. Respiração irregular. Um lado do rosto começando a inchar.
Colocaram ela sentada no chão frio, as mãos ainda estavam amarradas, mas tiraram o capuz Amanda forçou a visão ainda turva... e então reconheceu.
Por um segundo, a dor no estômago pareceu menor do que aquilo.
César.
Dois anos trabalhando na segurança executiva da empresa. O homem que já havia aberto a porta do carro para ela em noites difíceis, acompanhado reuniões delicadas, afastado jornalistas quando a pressão explodia.
Amanda piscou devagar, quase sem acreditar.
Não era apenas violência.
Era traição que acabou fazendo com que naquele momento algo dentro dela vacilasse, até que passos ecoaram no galpão, Elias surgiu da sombra.
— Eu te dei uma chance de ficar fora disso.
Amanda ergueu o olhar. Com esforço.
— Eu nunca estive fora.
Elias se aproximou. Ajoelhou-se à frente dela. Segurou seu rosto — dessa vez pressionando exatamente onde já estava machucado.
Dor imediata.
— Você devia ter continuado sendo só… o que era.
Amanda não desviou.
— Um enfeite?
Silêncio.
O golpe veio mais rápido do que antes, mais forte. O som seco ecoou no galpão, a cabeça dela virou violentamente com o impacto. O corpo cedeu junto, batendo no chão outra vez. Agora o gosto metálico veio mais intenso. O mundo oscilou por um segundo e sua respiração falhou.
Elias se levantou com calma. Ajustou o paletó, observou o sangue no próprio punho por um segundo.
Pegou um lenço no bolso interno do paletó.
Limpou os dedos com a mesma naturalidade de quem termina uma reunião.
— Você sempre foi inteligente, Amanda.
Pausa.
— O problema é que inteligência sem obediência... costuma gerar desgaste.
Pausa.
— Eduardo também achava que controlava tudo.
Pausa.
— Foi um erro comum.
Amanda cuspiu o sangue para o lado. Tentou focar.
— Então é verdade, foi você…
Elias sorriu. Agora satisfeito.
— Um copo de Whisky.
Pausa.
— Simples. Elegante. Um veneno limpo. Difícil de detectar de imediato.
Caminhou pelo galpão como se estivesse apresentando algo.
— Ele confiava em mim. Não esperava.
Olhou de volta para ela.
— Isso sempre facilita.
Silêncio pesado.
— Ele estava ficando… imprevisível.
Pausa.
— E eu precisava de estabilidade para o que estava por vir. Um ano de eleições… era muita coisa em jogo.
Mais uma pausa.
— E poder.
Amanda apertou os olhos, sentindo a dor pulsar junto com a consciência.
— Você o matou… por ambição.
Elias inclinou levemente a cabeça.
— Eu resolvi um problema. E de quebra ainda abriria espaço para mim.
Enquanto Elias falava, Amanda fechou os olhos por dois segundos. Não para ceder à dor, mas para memorizar.
Três vozes. Cheiro de combustível. Goteira metálica.
Se saísse dali viva... precisaria lembrar de tudo.
— Eu teria a presidência do grupo. Reconhecimento político. Influência real. — Continuou se aproximando dela novamente.
Dessa vez mais perto.
Mais frio.
— E você… estava começando a me atrapalhar.
Pausa.
Amanda respirou com dificuldade. Cada palavra custava, mas ainda assim…
— Você não vai conseguir terminar isso.
Elias arqueou levemente a sobrancelha.
— Não?
Um som atravessou o galpão.
Insistente demais para ser ignorado. A vibração veio do chão. O celular, esquecido dentro da bolsa caída, tremia contra o concreto sujo, deslocando pequenas partículas de poeira a cada chamada.
A luz da tela acendeu no ambiente escuro. Por um segundo, foi a única coisa viva ali. Amanda não se moveu de imediato. O corpo doía demais. A respiração ainda vinha irregular. A cabeça latej*v*, mas, mesmo assim… ela virou o rosto. O mínimo possível.
Na tela, um nome.
Fernanda.
Algo mudou.
Não foi alívio imediato, nem foi fraqueza, foi foco.
Como se, pela primeira vez desde que tudo começou, sua mente encontrasse um ponto de ancoragem no meio do caos.
Ela não estava mais reagindo.
Agora… estava pensando.
Elias percebeu.
Seguiu lentamente a direção do olhar dela até o celular vibrando no chão.
Parou por um segundo.
E então sorriu.
Devagar.
— Interessante…
Caminhou até a bolsa com a mesma tranquilidade de quem controla completamente a situação. O celular continuava vibrando, insistente, quase irritante no silêncio pesado do galpão.
Chamando.
Chamando.
Chamando.
Ele se abaixou, pegou o aparelho e observou a tela acesa por alguns segundos.
O nome ainda pulsava ali.
Elias ergueu o olhar para Amanda.
E, pela primeira vez… pareceu genuinamente curioso.
— Então é ela.
Pausa.
Um leve inclinar de cabeça.
— Agora eu entendo por que você não recua.
Amanda sustentou o olhar, mesmo com o gosto de sangue ainda na boca.
A voz saiu mais baixa, mas firme.
— Você devia se preocupar mais com quem está ligando… do que comigo aqui dentro.
Aquilo não foi impulso.
Foi cálculo.
Elias estreitou os olhos, analisando.
— Isso é uma ameaça… ou um pedido de ajuda mal formulado?
Amanda não desviou.
— É só você começando a perder o controle… e ainda não percebeu.
Silêncio.
Por um segundo, algo passou pelo olhar dele.
Não medo.
Mas atenção.
Elias então voltou a encarar o celular.
Um sorriso lento voltou ao rosto.
— Agora sim… as coisas ficam interessantes.
E atendeu.
— Alô?
Fim do capítulo
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Gabi Reis Em: 12/05/2026 Autora da história
Oi Socorro,
Pode deixar, a Fernanda vai resolver esta confusão toda!
Bjoo e boa leitura