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A volta do amor que nunca se foi por priskelly

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Palavras: 3573
Acessos: 429   |  Postado em: 08/05/2026

Capitulo 11

Por Marcela

 

 

DIAS DEPOIS

 

Os dias se passavam lentamente, e Renata estava cada vez mais desesperada com os preparativos do casamento que ocorreria nos próximos meses. 

 

Estávamos todas na casa da noiva tentando ajuda-lá na difícil tarefa de escolher o convite e o modelo dos vestidos. Tanto das madrinhas quanto da dama de honra, que seria a pequena Gabriela. No entanto, confesso que aquela estava sendo uma tarefa ainda mais complicada, afinal, cada uma de nós tinha uma opinião diferente em relação ao assunto, e eu já estava ficando entediada com tanta falácia.

 

– Eu tenho uma proposta a fazer. – Micaela surpreendeu a todas nós de repente.

 

– Eu não sei se gosto das suas propostas. Na verdade, eu não sei se gosto dessa proposta. – Dani resmungou encolhendo os ombros. 

 

Não contive o riso quando vi Micaela fuzilar a amiga com o olhar. Geralmente ela repreenderia a baixinha, mas foi curioso quando ela resolveu ignorar. 

 

– Você gosta sim! Esqueceu que você foi a primeira a achar um máximo? – Renata puxou a baixinha para um abraço que mais parecia uma ameaça silenciosa. 

 

– Hum! Pelo visto a proposta é para alguém bem específico. – Estreitei os olhos ao fitar Micaela.

 

A mais velha encarou Renata com insegurança.

 

– Não se sinta tão especial. Você não é a única a não saber do que se trata. – Hanna se dirigiu a mim pela primeira vez naquele dia. – O que vocês três estão aprontando? 

 

Dani até tentou falar algo, mas antes mesmo de pensar, já estava tendo sua boca tapada pela mão de Renata que ainda aprisionava a baixinha naquele abraço.

 

– Nós sabemos do que se trata porque Micaela perguntou nossa opinião antes de trazer o assunto. – Renata explicou, mas Micaela reagiu com uma careta. – Nós adoramos a ideia. Não é mesmo Daniela? Vocês também vão adorar. – Renata bateu palmas com animação, porém o sorriso era amarelo.

 

Olha de Daniela era apavorado, mas após receber uma cutucada de Micaela, ela suspirou e murmurou em seguida:

 

– Uhum! Uma ideia genial. Eu mesma não teria tamanha esperteza. 

 

Eu conhecia Daniela o suficiente para ter certeza que ela suas palavras estavam carregadas por ironia, e comecei a não gostar do rumo daquela conversa. Alguma coisa muito errada não estava certa.

 

Hanna olhou para a irmã e ergueu a sobrancelha. Tenho certeza que assim como eu, ela também sentiu um cheiro errado pelo o ar.

 

Por sua vez, Renata parecia encorajar a amiga por telepatia, quando Micaela cravou os olhos em mim. Tudo em Micaela beirava a incertezas. Por alguns segundos a vi ponderar, como se questionasse a si mesma. 

 

– O que foi? É tão absurdo assim a sua ideia? 

 

Questionei a Prado mais velha sem conseguir entender o porquê dela estar tão hesitante.

 

Micaela engoliu seco, mas em seguida ergueu o nariz adotando aquela expressão firme de quem sempre passava segurança para todas nós.

 

– Na verdade é mais um convite do que uma proposta. – Ela mordeu os lábios. – Eu estive pensando… Renata está prestes a casar. A Marcela voltou a pouco tempo para o Brasil, após anos longe. – Todas ouvíamos atentas. – Faz algum tempo que não fazemos algo sozinhas. 

 

– Mas não estamos fazendo algo agora? – Dani interferiu. – É meio cansativo, é verdade. Mas estamos juntas. 

 

Determinada, Renata colocou na boca de Daniela um punhado de batata frita, como se assim resolvesse um grande problema. Daniela estava silenciada por alguns segundos.

 

– Como eu estava dizendo. Eu pensei que talvez fosse bom para todas nós passarmos um tempo juntas, sabe? Como era no passado. – O olhar da Prado mais velha intercalou entre Hanna e eu. – Eu queria ir… quer dizer, eu quero que todas vocês… ou melhor, todas nós possamos ir juntas. 

 

Inquieta, Renata revirou os olhos diante da cena. Aquela era a primeira vez eu via Micaela gaguejar para dizer algo. 

 

– O que ela quer dizer é que vai ser ótimo passarmos um tempo juntas. Somente nós cinco. Não fazemos isso a quanto tempo? 

 

– Acho que nós já entendemos essa parte. – Hanna cravou com impaciência. – O que não conseguimos entender é o motivo por trás desse rodeio. Para onde iríamos? 

 

Como se estivesse confiante, Renata encarou a Prado mais nova e respondeu:

 

– Queremos refazer aquela trilha ecológica que fizemos quando você se perdeu. Aquela que sai próximo a casa de praia da sua família.

 

Eu juro que foi involuntário, mas ao ouvir aquelas palavras de Renata, o refrigerante que tomei naquele instante ficou engasgado em minhas entranhas e saiu todo por meu nariz. Dava pra sentir as bolhas ácidas em meu cérebro enquanto eu tossia.

 

– Jesus! Foi pior do que eu imaginei. Alguém acode ela, gente. – Ouvi Daniela dizer alarmada. 

 

…

 

Algum tempo depois, após conseguir me recuperar do engasgo, fitei Renata, Micaela e Daniela.

 

– De quem foi essa ideia absurda? 

 

Daniela quase afundou na cadeira. 

 

– Não me olha desse jeito. Eu não tenho nada a ver com isso. – Disse a baixinha quase suplicando.

 

– Tem sim! Você concordou e achou uma ideia perfeita. – Renata fuzilou Daniela com o olhar. 

 

Micaela que estava ao lado de Renata, revirou os olhos com impaciência. 

 

– A ideia foi minha. – Disse assumindo a responsabilidade para si.

 

– E minha. – Renata fez o mesmo em seguida deixando claro que estaria ao lado da amiga.

 

Agora o olhar das duas, sustentavam o meu. Estava claro que ambas sabiam que minha reação não seria das melhores, e sabia, exatamente o porquê. Embarcar naquela ideia significava voltar voltar no tempo, significava ir de encontro ao passado e frequentar o mesmo lugar que me trariam lembranças e fantasmas.

 

– É um presente de casamento. Você não pode me dizer não, Marcela. – Renata cravou com determinação.

 

No entanto, antes que eu pudesse dizer algo, Hanna que até então havia adotado um completo silêncio absurdo, se fez ouvida.

 

– É uma péssima ideia. 

 

Micaela e Renata piscaram os olhos várias vezes, enquanto Daniela se ajeitou na cadeira de uma maneira que pudesse olhar melhor para Hanna. Nenhuma das três pareciam esperar por aquela reação. Pelo menos não de Hanna.

 

– Hanna… – Micaela repreendeu a irmã.

 

– O que vocês tem na cabeça? Não parecia óbvio demais que isso seria uma péssima ideia? 

 

Aquilo me pegou de algum jeito. Por que ela não queria estar no lugar onde tudo lembraria nossa história? Por que pensar naquela hipótese me irritava? Era como se eu sentisse que mais uma vez ela negava a si mesma. Pior, a nós duas.

 

– É muito ruim pra você, não? – Acabei não conseguindo conter aquele pensamento apenas para mim, e disse com sarcasmo. – Revisitar o passado. Os lugares que de alguma maneira lembre nós duas.

 

– Você está me acusando do quê? Não foi eu que quase afoguei minha alma em um copo de refrigerante agora a pouco. – Ela revidou com atrevimento.

 

– Eu fui surpreendida. – Trinquei os dentes. 

 

– E você acha que eu não? – Ela sustentou meu olhar em desafio. – A diferença é que eu não quero morrer toda vez que algo me remete a você ou a nós duas. Você me acusa tanto, mas não sou eu que recusa aceitar e superar a própria história.

 

– Você tem que admitir. Ela tem um ponto. – Daniela que assistia a conversa apoiando o queixo nas próprias mãos, disse. 

 

– Cala a boca, Daniela. – Repreendi a baixinha que me olhou feio. Em seguida voltei olhar para Hanna. – Você não pode me culpar. Aquelas lembranças…

 

– São tão suas quanto minhas. – Ela interferiu. – Podemos ter visões diferentes dos fatos. Ter cicatrizes diferentes, mas a história é nossa. Eu consigo revisitar o passado, e você? 

 

– Você tá me desafiando? – Ri com irritação. Eu odiava me sentir contrariada por Hanna. 

 

Hanna não verbalizou resposta alguma. Seu olhar falava mais que qualquer palavra. O desafio tinha sido lançado.

 

…

 

 

 

Depois daquele impasse, Renata tratou de fazer o assunto voltar girar em torno dos preparativos do seu casamento. Nenhum sim ou não tinha sido dado para a ideia de Micaela, mas eu sabia que eles seguiriam com a ideia, assim como sabia que Renata daria um jeito de me convencer ir àquela viagem.

 

Me distrai quando me peguei a observando Gabriela, que alheia aos assuntos de adulto, estava entretida na sala tentando montar um quebra cabeça. Ela estava tão concentrada que sorri com a ideia que surgiu em minha cabeça. Aquilo parecia mais divertido que ouvir as discursões que aconteciam em minha volta. 

 

Olhei para todas elas que pareciam muito envolvidas com tudo aquilo, e cheguei a conclusão que nem sentiriam minha falta. Eu precisava respirar longe de Hanna. 

 

Fui saindo de fininho e logo me sentei próximo da garotinha.

 

– Oi! Quer ajuda com isso? – Ela me olhou e seus olhos verdes brilharam em minha direção. 

 

– Você quer mesmo brincar comigo, tia?

 

Eu nunca fui muito próxima a crianças, mas adorava quando tinha a oportunidade de desfrutar da companhia de uma. Contudo, não entendia que magnetismo era aquele que me puxava para a garota em minha frente. Era algo com o qual eu não resistia. Pra ser bem honesta, eu nem sei se queria resistir.

 

– Bem, se você deixar, eu quero sim. Posso? 

 

Em silêncio a menina apenas se afastou para que eu pudesse me aproximar e sentar ao seu lado.

 

– Você é uma adulta. – Ela disse parecendo intrigada.

 

– E o que tem nisso?

 

– Adultos não gostam muito de brincar.

 

– Bem, acho que sou uma adulta diferente. – Pisquei o olho para ela, que sorriu largo. 

 

– É bem difícil montar isso aqui. Será que você vai mesmo conseguir me ajudar? 

 

A inocência e pureza de Gabriela, era como um antídoto para meu coração. Se alguém questionasse, certamente eu não saberia explicar, mas sentia como se ela curasse algo que sozinha eu jamais poderia curar. 

 

– Eu posso imaginar como é difícil, mas eu vou ter uma ótima companheira para me ensinar o que fazer. Você vai me ensinar, certo? 

 

– Pode deixar que ensino sim. – Gabriela parecia entusiasmada com a ideia de ter o controle da situação e poder ser suficiente para me ajudar. – Olha, é só a tia procurar a pecinha que se encaixa com outra, assim vamos conseguir formar o desenho que tá aqui na caixa. Mas tem que procurar muito, tia. São tantas pecinhas que eu fico cansada.

 

Sorri largo! Gabriela era faladeira, e quanto mais ela falava, mais ainda eu me encantava com o seu jeitinho de ser. Ela era inteligente, comunicativa, doce e apaixonante. Era muito difícil conter os sentimentos que ela provocava. Sim, em poucos minutos ao seu lado era o bastante para me fazer desejar cuidar da pequena e protegê-la com tudo que eu pudesse. 

 

– Então deixa eu te ajudar que logo terminamos e assim você não fica cansadinha. – Acariciei seus cabelos loiros. 

 

Gabriela me olhou de uma indecifrável. Por um momento achei que ela não tinha gostado do contato e isso me deixou apreensiva. Mas quando um sorriso surgiu em seus lábios, fez meu coração aliviar as batidas. No entanto, isso foi por poucos segundos já que quando fui surpreendida por um beijo carinhoso em meu rosto, as batidas do meu coração ficaram desenfreadas.

 

– Gosto de você, tia Marcela. – A pequena afirmou em um tom doce.

 

– Também gosto de você, pequena. – Respondi com sinceridade.

 

Aquela foi a primeira vez que senti meu coração preenchido por algo que nenhuma outra criança havia despertado em mim antes. Amor! Era muito louco, mas eu sentia que realmente amava Gabriela.

 

Me dediquei então na tarefa de ajudar a pequena montar seu quebra cabeça. O mesmo formava um desenho fofo da turma da Mônica, o que servia para me remeter a minha própria infância quando passava horas dedicando meu tempo a ler os gibis que papai me comprava sempre quando voltava do trabalho. O desenho do quebra cabeça não era difícil, o problema estava mesmo na quantidade de peças.

 

– Sabe que eu adoro quando alguém brinca comigo? Só tenho a mamãe para brincar, e às vezes algum amiguinho na escolinha, mas eu também gosto de brincar em casa, então é chato ficar sozinha às vezes. Mamãe trabalha tanto! – Alheia a meus pensamentos, Gabriela começou narrar seu próprio dilema.

 

– Quer saber de um segredo? – Os olhinhos verdes brilharam em pura curiosidade enquanto ela balançava freneticamente a cabeça em afirmação. – Isso aqui é mais divertido que trabalhar. Eu estou adorando brincar com você. – Afirmei toda boba. 

 

Definitivamente estar ao lado de Gabriela, me deixava mais leve.

 

– Eu também estou gostando muito. A senhora não quer ir lá em casa para brincar comigo muitas outras vezes? – Fez o convite com inocência.

 

Embora eu soubesse que tinha questões com sua mãe que talvez me privasse de comprimir com minha palavra, foi impossível não ceder ao anseio de prometer estar cada vez mais próximo de Gabriela.

 

– Bem, talvez eu consiga ir um dia lá para te fazer uma visita. Seria muito legal te ver mais vezes. 

 

– Seria legal sim, tia. Eu vivo sozinha com a mamãe. Você podia ir e jantar com nós duas. – Ela voltou a reclamar.

 

– Sua mãe não vai reclamar por você estar fazendo convites sem a permissão dela, mocinha? Não se poder convidar estranhos para sua casa, Gabi.

 

– Mas você não é estranha. Você é amiga da mamãe, bobinha.

 

Gargalhei! Ela era mesmo muito esperta. Seria tão errado assim se eu me aproveitasse da sua inocência para sanar uma dúvida que volta e meia corroía meus pensamentos, e perguntasse a ela pelo o seu pai? É claro que seria. Resolvi deixar aquela ideia idiota de lado. Uma hora ou outra eu iria acabar descobrindo algo para entender melhor como Gabriela tinha surgido na vida de Hanna.

 

– Tudo bem, tudo bem… Não se preocupe, ok? Eu prometo que qualquer dia vou brincar com você. – Ela estirou o dedinho mindinho e eu não entendi.

 

– Promete de dedinho? 

 

Sorri me sentindo um pouco mais rendida a seus encantos.

 

– Prometo de dedinho, minha pequena.

 

 

 

…

 

 

 

Não sei exatamente quanto tempo fiquei ali envolvida com Gabi, e empenhada na tarefa de conseguir montar aquele quebra cabeça. Muito menos percebi quando pegamos no sono ali mesmo no tapete da casa de Renata. Acordei com Hanna tentando tirar uma Gabriela adormecida em meu peito.

 

– Desculpe, eu não quis te acordar, mas ela está agarrada a você, e eu preciso levar ela para o carro para podermos ir embora.

 

Ela falou em um sussurro para não acordar a filha, e observei que as outras estavam em volta nos olhando sem realmente se preocuparem em esconder a curiosidade com a cena. Por um momento senti meu rosto corar violentamente.

 

– Espera! Deixa que eu a pego para não acordá-la. – Ignorei as outras ao falar diretamente com Hanna. – Que horas são? – Questionei e ela olhou o relógio de pulso. 

 

– São quase 20hrs. Vocês dormiram muito, sabia? Ela não vai querer dormir quando chegar em casa, e eu deveria te culpar por isso. – Hanna falava enquanto pegava tirava a filha do meu colo.

 

– Não seja dramática. Aliás, eu não tenho culpa se nós duas... – Apontei de mim para Gabi – Não temos muita paciência para quebra cabeça. Acho que descobri essa semelhança hoje. O que por sinal, me faz lembrar de te perguntar... De onde você tirou que seria uma excelente ideia comprar um troço desse de cem peças para ela? Qualquer criança dorme antes de conseguir terminar de montá-lo, Hanna.

 

– Ei, minha filha adora os quebra cabeças que eu compro para ela. São ótimos para estimular seu desenvolvimento e fazê-la pensar. – Hanna rebateu fingindo estar ofendida.

 

– Aham, sei! Olha para ela, está exausta, Hanna. Tadinha! – Respondi deitando agora no sofá de Renata, e vendo Gabi se remexer nos braços da mãe. 

 

– Eu não acredito que vocês duas estão tendo outra DR há essa hora noite. Pior, por causa de um quebra cabeça. Será que vocês não percebem que isso está virando uma rotina? – Renata resmungou. 

 

– Elas vivem em uma montanha russa de tapas e beijos. – Daniela disse com a sabedoria que lhe faltava.

 

– E pior, vão acordar minha sobrinha dessa jeito, suas idiotas. – Micaela nos repreendeu me fazendo ter medo do seu olhar levemente assustador. 

 

– De qualquer maneira, não sejamos estraga prazeres, Mica. Confesso que estou adorando assistir o casos de família. – Fuzilei Daniela com o olhar anotando mentalmente que deveria costurar sua boca para ela parar de me fazer passar vergonha. – O quê? Não tenho culpa se vocês não perceberam que parecem um casal de idosas discutindo pela educação da filha.

 

Joguei uma almofada em Daniela, que estava sentada no outro sofá sorrindo da minha cara. 

 

– Eu vou embora! Vocês são um caso perdido. – Hanna falou entediada. – Boa noite! – Ela já ia em direção à porta quando a chamei. 

 

– Hanna, espera! – Ela olhou para trás e as outras voltaram a nos observar com interesse. Eu não quero fazer isso com uma plateia em nossa volta, mas não tinha muita escolha. – Eu sei que temos nossas questões, mas prometi para a Gabi que iria passar lá depois para brincar com ela. Será que você me permite visitar ela qualquer dia desses? 

 

Percebi que ela ficou surpresa com aquele pedido, mas também não poderia julgá-la. Eu no seu lugar também ficaria. 

 

– Claro, Marcela. Você pode ver minha filha sempre que quiser. 

 

– Obrigada! – Fui até elas e deixei um beijo no rostinho da pequena, em seguida sustentei o olhar da loira. – Eu realmente gosto dela.

 

Não sei o que me motivou a isso, mas de repente meu corpo exigiu uma aproximação avassaladora do corpo de Hanna, e tomada por um impulso impensado, repeti o mesmo gesto em seu rosto. Hanna pareceu se assustar com o beijo que recebeu bochecha, e eu senti o meu rosto esquentando de vergonha, mas não consegui me arrepender.

 

– Uau… – Micaela, Renata e Daniela disseram em coro.

 

– Desculpe! Foi só... Só quis agradecer. – Falei envergonhada.

 

Ela sorriu abertamente, e parecendo decidida, se aproximou do meu rosto devolvendo o gesto sem se preocupar com as três idiotas a nossa volta, porém o contato dos seus lábios com minha pele demoraram um pouco mais, prolongando as sensações que aquela aproximação me causavam enquanto eu me permitia sentir seu cheiro invadindo meus pensamentos. 

 

– Boa noite, Marcela.

 

E assim vi as duas partirem, mãe e filha. Foi então que mais uma vez me dei conta que ultimamente ambas estavam constantemente em meus pensamentos.

 

Quando olhei para minhas amigas, elas me encaravam com sorriso em seus lábios.

 

– Sério Marcelinha. Depois dessa cena, eu não tenho dúvida que vocês ainda vão se casar. – Dani falou com segurança, e claro, um tom carregado de deboche. 

 

Cansada demais para revidar, apenas revirei os olhos com tédio.

 

– Para de falar bobagem, Daniela. Eu apenas gosto da criança.

 

– É, nós vimos o quanto gosta somente da criança. – Agora o deboche vinha por parte de Renata. – Por gostar da Gabi, precisava beijar a mãe dela?

 

Engoli seco!

 

– Eu acho muito bom você se resolver logo, Bettencourt. Minha sobrinha vai ficar traumatizada se toda vez que acordar, se deparar com você e a mãe dela se beijando.

 

Micaela falou e eu ruborizei.

 

– COMO É QUE É? JÁ TEVE BEIJO E EU PERDI ESSE CAPITULO? NINGUÉM PENSOU QUE SERIA INTERESSANTE ME CONTAR? QUE ABSURDO! – Daniela falou indignada. 

 

– Micaela, por Deus. Isso nunca mais aconteceu. – Menti! Não queria falar do outro dia em minha sala.

 

– Você mente mal, Marcela. – Micaela revirou os olhos. 

 

Será que ela sabia? Droga! Hanna estava me saindo mais fofoqueira que Daniela.

 

– Mas penso que está perdendo tempo em aceitar o que se passa bem aqui. – A Prado mais velha aprontou para meu peito esquerdo quando se aproximou. – Pensa no convite que te fiz. Não podemos voltar no tempo, mas às vezes podemos escrever novos capítulos para uma história que não foi finalizada. 

 

Na hora, voltei a cair sentada no sofá. Engoli seco enquanto as três patetas gargalhavam na sala. Era definitivo… Não tinha mais segredo entre nós.

Fim do capítulo

Notas finais:

Boa noite! Meninas, a partir dessa semana vou tirar o final de semana para descansar. Assim, os capítulos vão ser atualizados de segunda à sexta.

 

 

 

Bjus!


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