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A volta do amor que nunca se foi por priskelly

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Palavras: 5103
Acessos: 409   |  Postado em: 07/05/2026

Capitulo 10

Por Marcela

DIAS DEPOIS

Desde aquele dia na casa de Hanna, as coisas entre nós estavam estranhas. Não era um estranho de um jeito ruim. Na verdade, já tivemos em fases piores. Era um estranho do tipo que eu não tinha controle como gostaria de ter. 

O que tinha acontecido, quero dizer, o beijo… Ocasionou uma avalanche de confusão em minha cabeça, e talvez por isso que eu estava fugindo de qualquer situação que me levasse a ficar a sós com a Hanna. Provavelmente eu não ia saber o que dizer, mas também não ia saber como me controlar. A quem eu queria engana? Agora eu não conseguia mais enxergar Hanna com o mesmo olhar de antes. Quero dizer, eu não conseguia odiá-la. Ou talvez, eu nunca a tenha odiado como gostava de dizer para mim mesma que sim.

O mais ridículo de tudo isso, é que depois daquele beijo não foram poucas as noites em que Hanna povoava meus sonhos. Os mesmos eram ousados e saudosos de tal maneira que eu chegava a me sentir atordoada ao acordar e me deparar com o vazio deixado por minha imaginação.  O problema é que não eram apenas os sonhos que me deixavam sem rumo, mas bastava sentir o maldito cheiro dela que parecia impregnado por todos os ambientes daquela empresa, para que eu sentisse meu corpo reagir de uma maneira incontrolável. 

Era assustador! Aquilo ia contra tudo o que durante oito anos vivi acreditando. Tudo o que ela falava, a maneira como se movia, as roupas que usava, até a maneira irritante como costumava mexer no cabelo para colocar atrás da orelha quando estava concentrada, atraia minha atenção. Chegava a ser ridículo como aquela mulher exalava poder sob mim. Isso não era coisa do passado? Sim, deveria ser, mas a verdade é que por mais que eu me recusasse aceitar, a cada dia eu percebia que talvez o passado estivesse mais presente do que nunca em minha vida

Depois de ter passado mais um noite fritando meus neurônios ao reviver mais de uma vez a conversa que tive com Micaela e Renata, cheguei à empresa naquela manhã decidida chamar Hanna para almoçar. Não era como se eu fosse pedi-la em casamento, ou coisa parecida. Eu só tinha concluído que Micaela estava certa quando dizia que não dava para vivermos naquela queda de braço sem fim. Pelo menos uma convivência amigável precisávamos estabelecer, não somente em nosso ambiente de trabalho, mas no pessoal também. Eu aceitei que desejava poder ter liberdade de conversar com Hanna, me aproximar da filha dela, manter uma relação saudável, especialmente porque era chato para as meninas ter que lidar com aquela situação e manter a tensão sempre que estávamos todas juntas, ainda mais agora que sendo madrinhas de Renata, precisaríamos nos reunir algumas vezes fora do ambiente de trabalho para organizar detalhes do casamento. 

Pensando nisso, cheguei até mentalizar um discurso amigável para narrar a outra: “nós não podemos continuar nos tratando dessa maneira. Precisamos manter a boa convivência pelo o bem do funcionamento da empresa. Não podemos de forma alguma deixar nossas questões pessoais interferir no nosso profissionalismo.” 

No entanto, todo meu pensamento de apaziguar qualquer situação foi caindo pelo o ralo quando a porta do elevador abriu e me deparei com aquela cena no mínimo curiosa. Hanna estava na sala de espera que dava acesso a nossas salas, o problema é que ela não estava sozinha, a acompanhante dela era uma linda e jovem morena, que embora eu nunca tenha visto ali, parecia bem a vontade na presença da advogada. As duas estavam rindo de alguma coisa que Hanna explicava enquanto passava uma pilha de documentos para ela. Eu não sabia quem era aquela moça, e na verdade pouco me importava com isso, o que de fato me incomodava ali era aquela liberdade em um local trabalho. Que exemplo ela daria para os demais funcionários?

– Senhorita Hanna Prado, gostaria de vê-la na minha sala agora. 

Talvez meu tom de voz tenha saído mais rude do que eu desejava.  Imediatamente recebi de dona Marta um olhar espantado, e a garota ao lado de Hanna, ficou pálida. Por sua vez, a advogada ergueu a sobrancelha adotando uma postura desconfiada, mas nenhum pouco submissa. 

Sentindo uma fúria em meu peito, passei por todas elas sem dizer mais nenhuma palavra, mas ao chegar perto da porta da minha sala a curiosidade falou mais alto. Voltei o olhar em direção à garota mais nova. Retirando meus óculos escuros e fitei seus olhos.

– E você quem é mesmo? 

– E-eu... Desculpe senhora. Eu me chamo Bianca. Sou a nova estagiária da Hanna.

Era notório o nervosismo na voz trêmula da garota. Mas só uma coisa prendeu minha atenção: Hanna? Simplesmente Hanna? Que garota abusada! Olhei para Hanna que me lançava um olhar mortal provavelmente me repreendendo pela postura diante da mais nova.

Caminhei em direção a elas, porém ignorei a presença de Hanna e me concentrei na garota a minha frente. 

– Sou Marcela Bettencourt, a presidente dessa empresa. – Olhei no relógio de pulso. – Seja bem vinda, mas devo lhe informar que a senhorita está atrasada para iniciar seus afazeres. Aqui não toleramos atrasos e nem conversas paralelas em corredores. Então por favor, que essa cena não se repita. Essa é uma recepção, não um parque de diversões. 

A garota me olhava espantada e por um momento cheguei a pensar que se fosse em outra situação eu teria pena do seu nervosismo. 

– MARCELA! – Hanna praticamente berrou ao me repreender. – Ela acabou de chegar, e eu não tive tempo de mostrar nossa sala para ela.

Nossa sala? Eu não acredito que aquela garota iria dividir uma sala com Hanna. Essa empresa não tem um ambiente destinado só aos estagiários? Droga, Marcela. O que diabos está acontecendo com você? Eu me questionava em silêncio.

– NA MINHA SALA, AGORA, SENHORITA PRADO. – Praticamente barrei e fui em direção a minha sala batendo a porta com força.

Poucos segundos depois ouvi uma batida na porta, mas incerta sobre a autorização para que ela entrasse, permaneci em silêncio escorada na mesa da sala. Uma parte de mim perguntava internamente porque eu estava agindo daquela forma totalmente estúpida, eu não era assim. No entanto, outra parte ligou o foda-se e assim deixei a raiva me consumir ainda mais quando lembrava aquela intimidade sem necessidade.

– Entre! – Autorizei por fim.

Assim que Hanna entrou pude ver em sua expressão indícios que ela estava tão irritada quanto eu.

– Posso saber o que diabos está acontecendo com você? Desde quando ficou tão mal educada e prepotente dessa forma? – Só faltava sair espuma pelos os cantos da boca de Hanna. 

– Primeiro, veja lá como fala comigo. Em segundo, eu jamais estaria assim se não fosse pela sua falta de profissionalismo.

Senti o olhar magoado de Hanna atravessar meu peito.

– Como é que é? – Ela perguntou abismada. – Eu posso saber o que eu fiz para ser acusada dessa forma? 

Passei as mãos pelos meus cabelos e comecei a caminhar pela sala enquanto gesticulava.

– Desde quando você fica no meio da sala de espera toda cheia de intimidades com uma estagiária que acabou de entrar na empresa? Aliás, quem autorizou a contratação de uma estagiária para você? – Vi o canto do olho de Hanna tremer e ela fechar o punho. 

– Você só pode ter enlouquecido, Marcela. Isso é um absurdo, e eu quero muito te matar agora. Quem você pensa que sou? Eu estava recepcionando a garota e óbvio que estava sendo simpática dando boas vindas e já lhe adiantando algumas orientações. Sobre quem autorizou… Foi você Marcela. Foi você que autorizou a droga da contratação.

– Eu? – Tentei puxar na memória. Eu queria rebater, queria dizer que ela estava errada. Mas então lembrei… Droga! Tenho certeza que minhas bochechas estavam vermelhas. Logo mudei de assunto.  – Olha, se lá fora você for ter intimidade com aquela garota, o problema é seu. Mas aqui dentro da empresa contenha-se na forma como tratá-la.

Eu já não sabia mais o que estava dizendo, o que estava argumentando. Apenas falava sem pausa e com uma raiva que não cabia mais no meu peito. 

Após alguns segundos me encarando enquanto dividíamos um silêncio constrangedor, como uma predadora insana Hanna caminhou em minha direção, em seus lábios desenhava um sorriso macabro e desafiador. A mim não restou nada a fazer além de dar passos para trás na tentativa de evitar qualquer aproximação, mas isso foi inútil já que colidi com a mesa. 

– O que pensa que está fazendo? – Perguntei para Hanna que agora me prendia entre seus braços já que a mesma havia espalmado as mãos sobre a mesa atrás do meu corpo. – Sai da minha frente, Prado. 

– Sabe o que eu acho, Marcela? Você está dominada por ciúmes e por isso está agindo dessa forma vergonhosa para o cargo que ocupa nesse lugar. Que patético! 

Minha raiva aumentava diante de cada palavra que saia da boca de Hanna. A ousadia que ela tinha me deixava irritada, as palavras me irritavam, a forma como seu cheiro invadia meus sentidos me irrita, seus olhos lindos me irritavam, a maneira como seus dedos agora estavam tocando meus lábios me deixando a ponto de explodir me irritava, não ser capaz de resistir a ela me irritava. Porr*, que mulher! Não, espera Marcela, não é isso que você deve pensar. Me recompus e sorri sem emoção. 

– Você só pode está louca! Eu não estou com ciúmes de você, Hanna. – Tentei ser o mais fria que consegui. – Eu não tenho motivos para ter ciúmes de você. Não seja patética e me respeite. Eu ainda sou sua superior aqui dentro. 

Engano meu em pensar que aquelas palavras causariam algum efeito de repulsa, ao contrário, Hanna sorriu abertamente de forma maliciosa sem se afastar nenhum centímetro do meu corpo.

– Então, se você diz só me resta pedir desculpa pela ousadia, chefinha. Estamos entendidas, sim? Mas agora preciso voltar a minha sala e auxiliar minha estagiária que deve está precisando de ajuda emocional para se recompor depois do trauma vergonhoso que a dona da empresa causou a ela. Coitada, apoio é sempre bom, não é mesmo? 

Hanna se afastou de mim indo lentamente em direção à porta. Não tive muito tempo para processar aquelas palavras, mas como assim “Ajuda emocional”? Droga essa mulher vai me deixar louca. 

Sem pensar muito, puxei Hanna pelo braço fazendo-a voltar à posição que estava antes, mas dessa vez abri mais minhas pernas para poder senti-la se encaixar melhor. O que eu estava fazendo? Não faço isso ideia, mas também não queria pensar muito a respeito disso naquele instante. 

– Onde você pensa que vai? Eu não terminei de falar com você. – Vi um sorriso torto surgir em seus lábios. 

Hanna me segurou pelo colarinho da minha blusa social e quase grudando os lábios nos meus respondeu de maneira provocativa:

– Jura? E o que minha superior ainda deseja de mim? – Seus olhos passeavam entre minha boca e meus olhos. 

– No momento? Só que você cale a boca. – Meu corpo parecia um vulcão entrando em erupção. 

– Só isso? – Seu polegar desenhava perfeitamente a minha boca e involuntariamente a puxei ainda mais para junto do meu corpo. – Com você agindo assim, não vou ser responsáveis pelos meus atos, Marcela. Sou muito forte, mas não sou capaz de te resistir. Não quando seu corpo responde mim dessa maneira. – Sua voz rouca era como música para meus ouvidos.

Tomei os lábios de Hanna sentindo o sabor que me alucinava. Hanna era como uma droga que quanto mais eu experimentava mais queria provar. 

Passei meus braços por sua cintura e senti quando ela pressionou o corpo entre minhas pernas, o que me fez estremecer de desejo em seus braços. Minha língua pediu passagem para explorar sua boca e o pedido prontamente foi atendido em uma velocidade de aquecer a alma. Suas mãos passeavam pelas minhas costas e uma delas segurou firme em meu cabelo que estava solto. Não posso negar que meu sex* pulsava diante daquela mulher naquele momento, ela parecendo consciente do efeito que estava causando, mordiscou meu lábio inferior dando uma ch*pada gostosa logo em seguida. 

Quando o beijo finalizou, ambas de nós estávamos ofegantes. Os braços de Hanna estavam em volta do meu pescoço, e os meus possessivamente em sua cintura. Fiz um carinho no rosto de Hanna que pareceu surpresa com aquele gesto inesperado. Ela me olhou como se estivesse lendo algo realmente difícil de entender. No entanto, logo vi ela adotar aquela postura debochada que tanto me irritava. 

– Desculpe-me pela ousadia chefinha, mas atendendo a seu pedido não posso ficar com intimidades nas estruturas dessa empresa. – Hanna depositou um selinho rápido e antes que eu falasse qualquer coisa ela se afastou do meu corpo e passou pela porta da minha sala. 

Fiquei ali imóvel com os lábios ainda inchados pelo beijo, sentindo o sabor da boca de Hanna na minha boca. Passei as mãos pelos cabelos em um reflexo ao meu nervosismo. Desgraçada, essa mulher ainda vai acabar comigo, mas se é guerra que ela quer, é guerra que ela vai ter. 

 

…

 

Desde aquele ocorrido na minha sala eu estava tentando evitar qualquer contato a sós com Hanna ao longo do dia. Estava claro que não era seguro para minha sanidade mental. O problema da vez é que eu não conseguia confiar no meu alto controle. Quando eu estava perto daquela mulher, parece que um feitiço tomava conta do meu corpo, e por um momento nada mais era importante, nada além de nós duas. Agora aqui estava eu, com um contrato em mãos precisando da sua explicação sobre algumas coisas que me deixaram com dúvidas e morrendo de medo de encarar Hanna. Droga, por que tem que ser tudo tão complicado? Eu pensava comigo mesmo. 

Bufei irritada comigo mesma. Eu odiava ser a primeira em se dar por vencida. Mas, sem solução, sai da minha sala e segui para sala jurídica da empresa com intenção de encontrar a loira que me infernizava sem fazer muito esforço. 

Dei duas batidas na porta e ouvi a autorização para entrar no local. Respirei fundo antes de abrir a porta, eu precisava ter autocontrole e não demonstrar emoções, isso não podia ser tão difícil, podia? Pura ilusão! Entrei no local e a primeira coisa que vi foi a tal Bianca quase caindo sobre o ombro de Hanna, olhando alguma coisa na tela do computador. Quando a moça me viu ficou pálida, eu diria até que tinha parado de respirar por um momento. Hanna me olhou com surpresa, mas não demonstrou nervosismo como a mais nova, apenas me encarava com tranquilidade como se esperasse pelo o que eu iria falar, afinal de contas, desde que retornei eu jamais estive ali. 

– Eu não achei que tivesse ocupada. – Falei em um tom de voz firme e frio que pareceu incomodar à advogada.

A estagiária logo correu para sua mesa. 

– Algum problema?  – A voz de Hanna era suave e tranquila. – Não estou fazendo nada que não possa esperar. Posso te dar atenção agora. 

As brigas dos meus pensamentos foram interrompidos pela voz suave de Hanna.

– Marcela, aconteceu alguma coisa? Você tá pálida. – Hanna novamente me trouxe de volta a realidade. 

Olhei para ela e então foi um caos completo em minha cabeça. Naquele momento foi como se um clarão surgisse e de repente me fizesse enxergar coisas que eu vinha me esforçando para ignorar. De repente me dei conta que estava notando o quão linda ela estava naquele dia. Sim, a beleza de Hanna estava porém estava me hipnotizando como no passado.

– Nada! – Me apressei em dizer com desespero. – Se possível, revise esse contrato com Renata nos pontos que marquei. Só assino quando forem revisto.

Coloquei o documento em cima da sua mesa e quando estava saindo me sentia estranha por dentro. Pela primeira vez em anos, senti uma vontade de chorar novamente por aquela mulher invadir o coração. Mas dessa vez o choro tinha um outro significado… Não era ódio ou mágoa como passado, mas sim tristeza por tudo o que podíamos ter sido e não fomos. Por tudo o que não vivemos. 

– Marcela! – Sua voz calma me fez parar no meio da sala. Voltei olhar em sua direção. Tenho certeza que meu rosto denunciava o quanto eu lamentava. – Posso rever com você. Se você tem dúvidas, eu não me oponho em explicar os pontos.

Sua voz suave invadia meus ouvidos e até conseguiu me acalmar por instantes, mas quando olhei novamente para o lado encontrando a tal Bianca fingindo não estar prestando atenção em nós, uma coisa me trancou novamente o coração. Eu não sabia explicar o que estava sentindo, apenas a vontade de chorar era ainda mais gritante.

– Não precisa! – Olhei para a estagiária que agora tinha os olhos voltados para alguns papeis na mesa ao lado. – Você já está muito ocupada.

Não disse mais nada e apenas sai batendo a porta. 

Após sair da sala de Hanna, avisei a dona Marta que eu não voltaria mais para a empresa naquele dia. Eu estava me sentindo sufocada naquele lugar…  Era como se o ambiente estivesse tóxico para mim. Por que ela ainda me afetava tanto? Por que vê–lá próximo a outra era tão torturante? Céus! Eu não poderia deixar que essa mulher acabasse com meu psicológico novamente. 

Fui em direção ao meu apartamento ver como estava ficando a obra. Eu precisava do meu cantinho o mais rápido possível. Chegando ao apartamento vi que o local estava uma bagunça, mas também que estava ficando muito lindo. Tudo estava saindo como havia pedido para Yasmin. Por sinal, essa estava dando algumas orientações para os pedreiros quando cheguei, mas no mesmo instante que me viu, abriu um lindo sorriso e veio em minha direção com elegância. 

– Olha só quem resolveu aparecer por aqui. Ao que devo a honra da visita? – Nos cumprimentamos com beijos no rosto. 

– Acredita se eu te falar que estava entediada no trabalho?

A ruiva me olhou com divertimento e acenou em negação.

– Você não me parece o tipo de mulher que fica entediada no trabalho. Ao contrário, posso apostar que você é quase viciada no que faz.

Sem graça por ter sido pega, sorri sem jeito.

– Culpada! Confesso. – Ergui as mãos em redenção. – Eu precisava desparecer a cabeça um pouco. – Fui sincera dessa vez e olhei em volta. – Está ficando lindo.

– Obrigada! Mas me conta… Você acha que justamente um local com obras é uma boa opção para desparecer? – Sorrimos juntas porque de fato ela tinha razão. 

– Queria ver como estava ficando. Nem está pronto e já posso dizer que estou me apaixonando. – Falei analisando o lugar. 

– Cuidado para não se apaixonar pela arquiteta também, afinal, o mérito é todo meu.

Uau aquilo sim era uma direta. Tudo bem que talvez em algum momento de desespero com minha própria confusa, eu tenha deixado ela pensar que podia acontecer algo. Mas eu não podia negar que Yasmin era uma mulher determinada. Ela não fazia o tipo que só esperava, pelo contrário, ela ia a luta.

– Você realmente tem talento. – Concordei sem jeito.

– Mas claramente não é tudo isso aqui que você deseja. – Sorrindo, ela aponto para o próprio corpo.

– Yasmin, e-eu… – Na tentativa de me explicar, gaguejei miseravelmente. 

A ruiva gargalhou!

– Tudo bem, Marcela. Eu posso sobreviver a isso. – Ela puxou minha mão e começou a brincar com meus dedos sem qualquer constrangimento. – Por que não aproveitamos que você estar aqui, e almoçamos juntas? Estou achando você triste demais. Precisa realmente desparecer essa cabeça. Talvez conversar um pouco com alguém que não seja o foco do problema e possa te entender. 

– Você tem certeza? Eu realmente não quis te chatear. 

Dessa vez ela revirou os olhos com divertimento.

– Estou te convidando, não estou?

Concordei em acompanhá-la no almoço e logo saímos em direção a algum restaurante que ela me levaria. 

Apesar do constrangimento de outra hora, o almoço estava sendo muito agradável. A companhia de Yasmin era ótima, a mulher me fazia rir com facilidade e isso ajudou afastar todos pensamentos que me levasse até Hanna. 

Dado momento em que estávamos almoçando, meu celular tocou e logo vi no visor o sorriso lindo de Hanna aparecer. Pensei em atender, mas eu realmente não estava em um bom momento comigo mesma para atendê-la.

Depois do almoço agradável, voltei com Yasmin para meu apartamento já que meu carro havia ficado na garagem do prédio. Quando o carro dela estacionou senti seus olhos sobre mim, claro que sentimos quando uma mulher está interessada em algo mais, mas eu não sabia o que fazer, eu não queria magoar a Yasmin que parecia ser uma pessoa muito legal, mas também não queria correr o risco de sofrer pela Hanna novamente. 

– O que foi? – Perguntei encarando seus olhos.

– Nada demais, apenas te admirando e me perguntando se teria o prazer da sua companhia em um jantar qualquer dia desses. Como amigas, é claro. – A ruiva adotava um tom de voz sedutor, mas ainda assim muito meigo.

– Sabe o que é Yasmin, eu ando tão cheia de coisa para fazer... – Ela me interrompeu.

– Não precisa me responder agora, Marcela. Apenas pense, o convite está de pé e se caso se sentir a vontade para isso podemos marcar um jantar. Como eu disse, apenas como amigas.

Eu não podia negar que além de simpática ela era uma mulher decidia. 

– Ok, vou ver isso e te ligo depois. Agora me deixa ir que ainda tenho uma reunião de madrinhas e um casamento para organizar.

Direcionei-me para me despedir com um beijo em seu rosto, mas a danada da ruiva foi mais rápida. Faltou pouco para que nossos lábios nãos se encontrassem em me deixando quase apavorada. 

– Desculpe! Mas eu precisava tentar. – Ela disse.

– Yasmin! Você é uma mulher incrível. Mas eu não consigo. Não agora. 

Tive o olhar na ruiva a me analisar.

– É ela, não é? A advogada da sua empresa. 

Engoli seco! Era tão perceptível assim? Céus! Eu estava mesmo ferrada.

– Não sei do que você está falando. – Menti.

Yasmin sorriu de maneira amigável. 

– Acho que você sabe exatamente do quê, e de quem estou falando. Mas tudo bem. Se você não se sente a vontade para conversar agora, eu entendo. Mas acredite, às vezes conversar com alguém de fora do problema, é uma boa opção. E lembre-se, precisando de qualquer coisa é só ligar.

Ela piscou e afastou-se me deixando vermelha de vergonha. Eu estava perdendo o jeito para essa coisa. 

– É Marcela, parece que você tem sorte para se meter em confusão. – Eu disse para mim mesma. 

 

Por Hanna

Droga, isso só podia ser brincadeira do destino com minha cara. Marcela saiu da minha sala claramente chateada com alguma coisa, e me deixando com mil interrogações na cabeça. E agora ela simplesmente sumiu da empresa e não atendia minhas ligações. Aliás, por que eu estava mesmo desesperada para encontrá-la? Não é como se ela fosse me dar qualquer explicação mesmo. Uma coisa era certa… Essa mulher queria me enlouquecer, e o pior é que estava conseguindo.

 Depois dos beijos que nos permitimos ceder ao desejo, meu pensamento não dava espaço para outra coisa que não fosse Marcela, mas ela não estava me ajudando muito entender o que de fato ela pensava depois do acontecido, aliás, era o completo oposto já que em um momento me beijava loucamente como se fosse acabar o mundo, mas no outro parece determinada em me ignora com maestria.

Deixei os pensamentos de lado quando bati na sala de Renata...

– Pode entrar! – Ouvi sua voz autorizando. 

Sentei na cadeira vazia a sua frente e suspirei pesadamente jogando na mesa a pasta contendo o contrato que Marcela havia deixado comigo para ser revisto. Renata me olhou sem nada dizer, esperando apenas por uma explicação. 

– Sua amiga deixou comigo e pediu para que eu revisasse tudo com você. – Disse contrariada. – Segundo ela, só vai assinar quando estiver sido revisado, e pelo o que parece com as alterações do agrado dela. 

Renata pegou o documento e ainda em silêncio começou folhear calmamente, mas logo voltou sua atenção para mim.

– Brigaram novamente?

Suspirei de novo diante da pergunta dela.

– Antes fosse isso. – Revirei os olhos.

– O que pode ser pior que isso?

– Aparentemente ela evoluiu a tática. Agora simplesmente parece decidida me ignorar completamente. Bom, na verdade…

Ponderei se seria bom desabafar e explicar tudo que estava acontecendo. No passado, embora decepcionada, ainda assim Renata foi mais delicada ao me julgar do que mesmo minha própria irmã. Sempre buscando ser cuidadosa nas palavras que usava para abordar o assunto e apontar meus erros, ainda assim Renata também buscava me amparar, me compreender, cuidar do meu emocional. Eu sabia que com ela, eu poderia falar sobre tudo abertamente e não ser massacrada. Não que minha irmã e Daniele fossem tão diferentes, mas Renata sempre foi a mais carinhosa e calma entre todas nós.

– Na verdade? Pode falar Hanna. Nada do que você me falar será comentado com alguém. – Renata me incentivou.

– Ela está agindo como uma louca. Ela chegou na empresa e a primeira coisa que fez, foi me chamar até a sala dela para brigar. Pior, me acusar de está com “intimidade” demais no salão de espera com a Bianca, mas isso não antes de assustar a pobre garota.

Claro que a princípio não contei todos os detalhes do que tinha acontecido. Seria muita humilhação se ela soubesse que eu estava literalmente entregue a Marcela, enquanto a outra só me tratava com insultos. 

– Calma! Me explica as coisas por partes. Primeiro, quem é Bianca?

Renata estava confusa, mas quem poderia julgá-la? Todo mundo naquele lugar não andava muito bem da cabeça.

– Eu tava com muito sobrecarregada, então pedi autorização a Marcela para contratar uma estagiária. Mas pasme! Ela esqueceu que me deu a droga da autorização. De qualquer maneira, Bianca é minha nova estagiária. Ela começou o trabalho agora. – Um sorriso torto surgiu nos lábios de Renata, e mesmo sempre entender o motivo, prossegui... – Mas eu juro que eu não estava fazendo nada demais. Eu tinha praticamente acabado de conhecer a garota, e já estava levando-a para sala quando a maluca da Marcela chegou soltando fogo para todo lado.

– Ok, e cadê a parte que ela te ignorou? – Uma Renata nitidamente animada, questionou.

– A pouco tempo atrás, ela foi até minha sala levar esse contrato. No inicio, eu até pensei que ela queria rever comigo, e por isso tinha ido até lá. Mas após alguns segundos, ela pareceu chateada com algo inexplicável, adotou aquela postura de senhora do destino que só ela tem, e me mandou resolver com você. Eu tentei protestar, mas ela disse que eu já estava ocupada demais, e saiu batendo a porta. Sabe quantas vezes eu já liguei para ela e não tive nenhuma chamada atendida?

– Huuum! E eu suponho que a Bianca estava na sua sala na hora que ela chegou lá. – Renata se escorou no encosto da cadeira e agora sorria com divertimento. 

– Claro que estava, afinal de contas, ela é minha estagiária. Onde era para ela estar? Que droga, Renata. O que é engraçado? – Ergui uma sobrancelha já me sentindo irritada.

– Você ou é muito inocente, ou estar enferrujada na arte dos relacionamentos. – Renata debochou, e eu cruzei os braços a altura do peito. 

– Posso entender o motivo da ofensa gratuita? 

Foi sua vez de me fitar meu olhar com incredulidade. 

– Não é possível que não tenha percebido, Hanna. Marcela está mordida de ciúmes com a presença dessa tal garota. Por alguma razão, ela se sentiu incomodada. Não sei se foi algo que você disse, ou que fez. Mas claramente Bianca é vista como uma ameaça.

Dessa vez quem teve vontade de gargalhar fui eu, mas era de nervoso. Renata estava louca? Nem mesmo no passado, Marcela era de demonstrar ciúmes. Por que o faria agora?

– Não viaja, Renata. Você conhece a amiga que tem. Deve saber que ela não é de demonstrar ciúmes. Aliás, se ela estivesse mesmo com ciúmes, ela não agiria dessa forma. Do jeito que é delicada, já teria arrastado a pobre garota a força para fora da minha sala, mas ela simplesmente ignorou e foi embora. Inclusive deixou avisado que não volta mais hoje. 

– Realmente você ficou muito lenta nas artimanhas do amor. – Renata ainda sorria debochada. – Hanna, vou te dar uma dica... – Ela pareceu tentar escolher as palavras certas a serem usadas, porém que fosse claras e objetivas. – Se você quiser realmente reconquistar a Marcela, e fazer as coisas certas dessa vez, eu acho que deveria investir com tudo. Um pouco de calma talvez seja prudente, mas não recue. Não desista. Pode até demorar, mas ela vai ceder. Se você for sábia, você tem altas chances de tê-la de volta. Só precisa fazer a coisa certa dessa vez.

– Você está falando sério? – A olhei perplexa, mas de repente com uma pontada de esperança tomando conta do meu coração. – Acha mesmo que ela… 

Ponderei! Eu não queria criar expectativas. Às vezes eu achava que nada do que eu fizesse seria capaz de nos dar uma nova chance.

– Eu acho mesmo que a história de vocês não acabou. Você só precisa ter um pouco mais de fé em si mesma e lutar pelo o que deseja. Pode não ser fácil, mas não acho que seja impossível.

Silenciei! Fiquei me perguntando se Renata estava mesmo certa. Não me parecia real quando eu me pegava pensando em como Marcela me tratava com frieza. Tudo bem, eu sabia que já tivemos alguns momentos mais calorosos depois do seu retorno, mas esses momentos sempre eram acompanhados por arrependimentos que serviam para nos afastar ainda mais, e posteriormente agir como se fôssemos duas estranhas e nada tivesse acontecido. Se eu queria a Marcela? Claro que queria, mas também tenho amor próprio, e não queria iludir com algo impossível de acontecer.

Fim do capítulo

Notas finais:

Boa noite! 

Como informado no Instagram ontem, não pude atualizar capítulo por motivos de saúde. Obrigada pela compreensão ontem.

 

bjus! 


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Comentários para 10 - Capitulo 10:
Luna_ally
Luna_ally

Em: 07/05/2026

Hana menina age logo que tem gavião rondando o seu ninho . Mais um capítulo lindo , parabens pelo dom que vc tem autora ,  não fique preocupada pois  estaremos sempre aqui.

Saúde em primeiro lugar , fique bem .

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