Guriasss…
Escrevi esse capítulo querendo dar às duas algo que elas não tinham há muito tempo:
paz.
Mesmo que essa paz venha acompanhada de vinho, tensão sexual e decisões emocionalmente perigosas.
Capitulo 16
No dia seguinte, a luz da manhã atravessou as cortinas em tons dourados, suaves, refletindo na madeira clara do quarto e desenhando sombras quentes pelo ambiente. O frio da serra deixava tudo mais aconchegante, convidando a permanecer ali por mais tempo.
Amanda despertou primeiro, sentindo o calor do corpo de Fernanda ainda próximo. Ficou alguns segundos apenas observando, o rosto relaxado, os cabelos um pouco bagunçados sobre o travesseiro.
— Se todo dia começasse assim… — murmurou Amanda, ainda com a voz sonolenta.
Fernanda abriu um dos olhos devagar, com um meio sorriso.
— Eu ia desconfiar.
Amanda ergueu uma sobrancelha.
— De quê?
Fernanda se aproximou um pouco mais, a voz rouca de sono.
— Coisa boa demais sempre tem alguma investigação por trás.
Amanda soltou uma risada baixa.
— Hoje não, investigadora.
Pausa.
— Hoje você está oficialmente de folga.
Depois do café na casa — pães artesanais ainda quentes, frutas frescas, geleias caseiras e um café forte que parecia acordar até pensamento — decidiram aproveitar a região.
Fernanda assumiu o volante, enquanto Amanda programava o GPS.
— Vinícola? — perguntou Fernanda, olhando de relance.
Amanda deu de ombros, divertida.
— Você vive dizendo que trabalha sob pressão... achei justo testar como funciona com vinho.
Fernanda riu pelo nariz.
— Senhora problema... você está ficando perigosa.
A estrada até São Bento do Sapucaí parecia saída de um cartão-postal. O caminho serpenteava entre montanhas cobertas por mata nativa, pinheiros altos e o colorido discreto do outono, com folhas douradas e avermelhadas contrastando com o verde da serra.
Quando chegaram à Vinícola Villa Santa Maria, o cenário parecia ainda mais bonito ao vivo. Fileiras de parreirais acompanhavam o relevo das montanhas, enquanto o ar frio carregava cheiro de terra úmida, madeira e vinho.
Amanda observou tudo em silêncio por alguns segundos.
— Isso... definitivamente supera qualquer reunião de conselho.
Fernanda olhou para ela.
— Tudo com você vira comparação corporativa?
Amanda sorriu.
— Só quando eu estou tentando não admitir que estou impressionada.
— E está?
Amanda virou o rosto para ela, sustentando o olhar.
— Muito.
Durante a degustação, provaram rótulos diferentes, caminharam entre os vinhedos, riram das descrições exageradamente técnicas do sommelier.
— “Notas de frutas vermelhas maduras com final persistente...” — Amanda repetiu, segurando a taça. — Isso vale pra vinho… ou pra beijo?
Fernanda quase engasgou com o próprio gole.
— Amanda...
— O quê? Pergunta técnica.
Fernanda se aproximou um pouco mais, baixando a voz.
— Você realmente gosta de me testar, né?
Amanda sorriu.
— Ultimamente... bastante.
Mais tarde, já no retorno para Campos, fizeram uma parada no Parque Capivari, onde caminharam sem pressa entre as árvores, luzes delicadas e o movimento elegante de turistas aproveitando o fim de tarde. O frio fazia Amanda buscar, quase sem perceber, a mão de Fernanda dentro do bolso do próprio casaco.
Nenhuma das duas comentou, mas nenhuma soltou.
Ao anoitecer, voltaram para a casa, Fernanda se encarregou de acender a lareira para aquece-las. A madeira estalando de tempos em tempos, enquanto o frio insistia do lado de fora. Amanda prendeu os cabelos de qualquer jeito enquanto finalizava o jantar na cozinha. Fernanda observava encostada na bancada, taça de vinho na mão, sem fazer questão alguma de disfarçar que estava filmando o corpo de Amanda.
O aroma da lasanha recém-saída do forno preenchia o ambiente — molho artesanal, massa fresca, queijo gratinado dourado e ervas que deixavam tudo ainda mais acolhedor.
Amanda colocou a travessa sobre a mesa e ergueu uma sobrancelha ao perceber o olhar de Fernanda ainda preso nela.
— Você vai continuar me olhando assim... ou pretende ajudar em alguma coisa?
Fernanda girou o vinho na taça, com um meio sorriso perigoso.
— Estou ajudando.
Amanda puxou a cadeira devagar.
— Interessante... e exatamente em qual parte?
Fernanda se aproximou sem pressa, parando perto o suficiente para que Amanda sentisse o calor do corpo dela.
— Na concentração.
Amanda sustentou o olhar por um segundo... depois deixou escapar um sorriso lento.
— Engraçado... porque você está fazendo exatamente o contrário.
Fernanda inclinou levemente a cabeça.
— Então talvez esse seja o meu plano.
Se beijaram, ali, entre louça suja, a lasanha no forno e o calor da lareira que parecia competir com o delas.
Pararam no momento que o forno apitou avisando que o jantar já estava pronto. Amanda serviu o vinho, mas seus olhos continuavam presos nos de Fernanda.
— Você está muito confiante hoje, investigadora.
Fernanda aceitou a taça, sem quebrar o contato.
— Não.
Pausa.
— Só estou começando a entender o efeito que tenho em você.
Amanda levou a taça aos lábios, mas antes de beber, murmurou:
— Cuidado...
Pausa.
— Eu costumo retribuir provocação na mesma intensidade.
Amanda sorriu daquele jeito leve, quase desarmando qualquer defesa que Fernanda ainda tentasse manter. O vinho já aquecia, a lareira crepitava ao fundo e, pela primeira vez em semanas, nenhuma das duas parecia carregar urgência.
Foi então que o celular de Fernanda vibrou sobre a mesa de madeira. O nome do delegado apareceu na tela. Fernanda pegou o aparelho sem pressa, mas, conforme lia a mensagem… algo em seu olhar mudou.
A expressão relaxada desapareceu.
“Intercepção parcial. Nome de Amanda citado duas vezes em ligação ligada ao gabinete do Bonoro. Apaga rastros. Não confia em ninguém.”
Por um segundo, Fernanda ficou imóvel.
Amanda percebeu na hora.
— O que foi?
Fernanda bloqueou a tela devagar. O maxilar tensionou por um instante, mas, quando voltou a olhar para Amanda, havia algo diferente ali.
Não era medo, era decisão. Ela guardou o celular no bolso do casaco.
— O mundo lá fora resolveu lembrar que eu ainda tenho trabalho.
Amanda a observou por alguns segundos.
Depois se levantou, caminhou até ela e parou perto o suficiente para sentir sua respiração.
— Então esquece ele… por algumas horas.
Pausa.
— Hoje… fica aqui comigo.
Fernanda sustentou o olhar dela por mais tempo do que precisava, percebendo que naquele momento não havia investigação, política ou perigo que parecesse mais forte do que aquilo.
Ficaram ali mais um tempo, conversando sobre coisas simples, rindo sem motivo, apenas… existindo juntas. Quando o frio da serra começou a ficar mais presente, subiram para o quarto. Deixaram casacos, bolsas e celulares de lado, como se qualquer distração precisasse ficar do lado de fora. A varanda estava iluminada apenas pelas luzes discretas embutidas na madeira. No canto, a hidromassagem já estava aquecida, soltando pequenas nuvens de vapor no ar gelado. Amanda encostou no corrimão por um instante, observando o horizonte silencioso, cercado por pinheiros altos e pelo verde escuro da serra.
Fernanda se aproximou por trás, envolvendo sua cintura com naturalidade.
— Melhor que a cidade? — murmurou perto demais.
Amanda apoiou a cabeça em seu ombro, fechando os olhos por um segundo.
— Melhor... porque é com você.
Fernanda sorriu contra a pele dela.
— Então vem.
Amanda virou levemente o rosto.
— Você realmente não sabe desacelerar, né?
— Eu prefiro aproveitar tudo o que tenho direito.
Sem tirar os olhos dela, Fernanda tirou a roupa e entrou primeiro na água aquecida. O vapor subiu ao redor do corpo dela, deixando a cena ainda mais íntima.
Amanda ficou alguns segundos observando.
E, sinceramente... aquilo não ajudava em nada sua concentração.
— Com esse tipo de incentivo... fica difícil dizer não — murmurou.
Também se despiu e entrou logo depois.
A água quente envolveu seu corpo imediatamente, relaxando músculos que ela nem percebia estarem tensos. Os jatos suaves movimentavam a superfície, criando pequenas ondas entre elas.
Por alguns segundos, ninguém falou. Só se olharam.
Fernanda se aproximou primeiro, devagar, como quem dá espaço para Amanda escolher.
Mas Amanda já tinha escolhido.
Encostou a mão no rosto dela, os dedos deslizando pela linha do maxilar, até parar em sua nuca.
— Você fica diferente aqui — murmurou Fernanda.
Amanda inclinou levemente a cabeça.
— Melhor... ou pior?
Fernanda sustentou o olhar.
— Muito mais perigosa.
Amanda sorriu daquele jeito lento... sabendo exatamente o efeito que causava. Diminuiu ainda mais a distância.
O beijo veio sem pressa. Quente. Profundo. Como se todo o silêncio acumulado entre elas finalmente tivesse encontrado linguagem. As mãos procuravam caminhos conhecidos e, ao mesmo tempo, novos. A água se movia ao redor dos corpos, o vapor escondendo o mundo inteiro.
Ali... não existia passado. Não existia caso. Não existia medo. Só elas.
Amanda sorriu. Tomou a iniciativa, já não aguentava mais ficar longe do toque de Fernanda. Com segundas e terceiras intenções, se aproximou como quem sabia exatamente o que queria. Cada movimento parecia calculado e, ao mesmo tempo, instintivo — como se ela seguisse uma lógica que não precisava ser explicada. A água ondulava ao redor delas, refletindo seus corpos como imagens sobrepostas, quase irreais. Quando Amanda tocou Fernanda, foi como acionar algo que já estava ali, só esperando. O toque no rosto veio primeiro, leve, encarando seus lábios. Era tudo quase exploratório, porém carregado de significado. Como se dissesse: eu sei o que estou fazendo. E, mais ainda… eu sei o que quero.
Fernanda reagiu. Não com resistência, mas com entrega contida. Aquela mesma força que usava para controlar o mundo… agora sendo lentamente dissolvida.
— Você faz isso de propósito… — murmurou, a voz mais baixa.
Amanda se aproximou mais.
— Faço.
A tensão cresceu entre elas como corrente elétrica sob a pele. Olhares que não desviavam, as respirações que já não acompanhavam o mesmo ritmo. A água, agora, não separava, unia, amplificava cada sensação. Pele sobre pele, calor diluído em movimento, respiração que parecia ganhar eco dentro daquele espaço suspenso entre céu e mar.
Amanda se aproximou mais.
Os dedos deslizaram pelo braço de Fernanda por baixo da água, subindo devagar, como quem reconhece território. O toque era firme o suficiente para provocar, suave o bastante para manter a tensão viva. Fernanda fechou os olhos por um segundo. Sentindo.
— Você não vai parar… — murmurou, a voz mais baixa, quase rendida.
Amanda chegou mais perto, os corpos agora separados apenas por centímetros e pela água que insistia em ondular entre elas.
— Não hoje.
O beijo veio diferente. Com fome, carregado de algo que já não cabia mais em controle. As mãos encontraram caminhos. Escorregaram com facilidade. Desenharam intenções. A água amplificava tudo. O toque parecia mais longo, a pele mais sensível e cada respiração mais audível.
Amanda conduzia.
Sem a rigidez de quem domina…, mas com a confiança de quem descobriu o próprio desejo e decidiu não fugir dele.
Amanda colou o corpo de Fernanda na borda da hidromassagem, deslizando sua mão até a bunda dela e quando apertou, ouviu Fernanda gem*r. Fernanda respondeu com o corpo que reagia. O beijo ficou ainda mais envolvente, se é que isso fosse possível, Amanda não conseguia mais esperar, ela precisava ouvir Fernanda gem*ndo descontroladamente. Enquanto ela escorrega a boca para o pescoço de Fernanda, uma de suas mãos começa a massagear o ponto de prazer dela, com movimentos circulares. Para ajudar o contato, Fernanda ergue as pernas e coloca na cintura de Amanda, que neste momento começa a penetrá-la com dois dedos, enquanto que a palma de sua mão toca levemente no clit*ris de Fernanda. O ritmo surgia entre elas, quase instintivo, quase inevitável.
— Amanda… que delícia... mais forte! — Suplicou.
Amanda apenas sorriu contra a pele dela e fez o que sua amada pediu, estocando cada vez mais rápido e forte.
—Goz* pra mim meu amor!
O mundo ao redor desapareceu outra vez. Fernanda fechou os olhos e por um instante, tudo dentro dela pareceu suspenso, era como se o mundo inteiro tivesse parado… só para aquele momento existir.
O corpo reagia antes da mente, a respiração perdeu o ritmo, falhou, voltou mais forte, os dedos buscaram apoio, se firmaram na pele de Amanda como se precisassem ancorar algo que já não cabia mais dentro dela. O nome dela escapou de novo.
— Ahhhh.... Amanda. — Baixo. Rouco.
Era como se cada toque ecoasse por dentro, se multiplicando, se espalhando em ondas que cresciam sem pedir permissão. Uma tensão doce… intensa… impossível de conter. O peito subia rápido, o ar já não vinha inteiro.
E então veio. Não de forma suave, mas como um rompimento. Como se tudo dentro dela se reunisse em um único ponto… e, no instante seguinte, se expandisse em uma explosão quente, arrebatadora, que atravessava cada músculo, cada pensamento, cada camada de controle que ela ainda tentava manter. O corpo arqueou. Os olhos permaneceram fechados, não por escolha, mas porque não havia espaço para mais nada além daquilo.
Um som escapou, mais alto dessa vez, carregado de entrega, de intensidade, de algo que ela não costumava permitir sentir. E quando a onda passou, não foi silêncio que ficou. Foi um calor espalhado, profundo arrebatador.
A respiração demorou a voltar ao normal. O corpo ainda respondia em pequenos reflexos, como se não quisesse deixar aquele instante terminar. Só restava o calor, a água, o toque… e aquela sensação crescente de que estavam atravessando algo juntas. Amanda encostou a testa na de Fernanda, ainda dentro da água.
— A gente devia sair daqui… — disse, em tom baixo, mas com um sorriso que dizia exatamente o contrário.
Fernanda soltou uma pequena risada, ainda tentando recuperar o fôlego.
— Antes que eu esqueça como se anda…
Fernanda sorriu.
— Acho... que a água já não é a parte mais quente daqui.
Amanda soltou uma risada baixa, mordendo de leve o próprio lábio.
— Então talvez a gente devesse continuar... em algum lugar mais confortável.
Fernanda não respondeu com palavras, só segurou a mão dela e, juntas, seguiram para o quarto.
Saíram da hidromassagem ainda eletrizadas, como se a água tivesse sido só o começo. A pele úmida refletia a luz suave do quarto, e cada movimento parecia carregado de intenção. Dessa vez, não houve hesitação. Fernanda se aproximou com decisão, os olhos fixos em Amanda, lendo cada reação antes mesmo de tocar. Quando encostou nela, foi direto, mãos firmes na cintura, puxando-a para um beijo que já não pedia licença.
Amanda respondeu na mesma intensidade.
— Confia em mim? — Fernanda murmurou, a boca ainda roçando a dela.
— Claro… — Amanda respondeu, quase sem fôlego.
Parou diante de Amanda, ainda ofegante, e passou a mão delicadamente pelo braço dela, como quem pede permissão sem dizer uma palavra.
— Posso te mostrar uma coisa? — perguntou, com um sorriso tímido, mas cheio de intenção.
Amanda inclinou a cabeça, curiosa, os olhos brilhando.
— Com você, eu acho que pode tudo… — respondeu, em tom leve, quase provocando.
Fernanda respirou fundo antes de abrir a mala e tirar, com certo cuidado, o que havia levado. Seus olhos voltaram para Amanda, buscando alguma reação.
— Eu trouxe isso… porque pensei em nós. Mas só se você quiser.
Houve um pequeno silêncio. Não de dúvida — de construção.
Amanda se aproximou, tocou o rosto dela com carinho.
— Eu quero o que a gente quiser juntas.
O sorriso de Fernanda se abriu, mais seguro agora.
Ela se ajeitou, colocando a cinta com a prótese, ainda observando Amanda, que não desviava o olhar. Havia ali curiosidade, confiança — e algo mais profundo crescendo entre elas.
— Quero sentir você assim… comigo — disse Fernanda, a voz mais baixa, mais carregada.
Amanda se aproximou ainda mais, diminuindo qualquer espaço entre elas.
— Então não me faz esperar…
O beijo voltou mais intenso, mais profundo. As mãos de Fernanda deslizavam com segurança agora, guiando, explorando, pressionando o corpo de Amanda contra o dela como se quisesse marcar presença.
— Vem… Deita de quatro— sussurrou, já conduzindo.
Quando Amanda se posicionou, ainda havia um traço de tensão no corpo dela — não de recusa, mas de antecipação. Fernanda percebeu e sentiu mais tes*o ainda. Seus beijos percorreram as costas de Amanda, demorados, sentindo cada reação. Sua mão direita explorava com firmeza e carinho os seios dela, depois com a outra mão, Fernanda arranhava com as unhas levemente as costas de Amanda, deixando a pele dela toda arrepiada, desceu uma mão até seu centro de prazer que ao tocá-lo pode perceber que ela já estava pronta, começou com movimentos circulares, alternando entre delicadeza e desejo contido, arrancando um suspiro que ecoou pelo quarto. Ela seguiu cada gesto com atenção, se aproximou devagar, deixando a penetração começar leve, quase provocativo.
— Relaxa… — sussurrou, mas o tom não era de calma — era de comando suave.
— Assim… — murmurou, quase como se estivesse guiando não só o corpo, mas a entrega.
— Você é linda… — sussurrou contra a pele dela.
Amanda respondeu com um leve arquejar, deixando claro que estava ali, presente, sentindo tudo. O ritmo entre elas foi crescendo de forma natural, como uma dança que não precisava de ensaio. Fernanda conduzia, mas também escutava cada reação, cada respiração, cada movimento de Amanda. Ela mantinha as mãos firmes na cintura de Amanda, estocando e guiando-a com mais precisão. Já não havia tanta suavidade — havia intenção. Cada gesto vinha mais direto, mais seguro, como quem já entende exatamente como conduzir.
Amanda reagia sem conter os sons, o corpo acompanhando o ritmo que se intensificava pouco a pouco. A respiração dela se descompassava, e isso parecia alimentar ainda mais o controle de Fernanda.
As mãos deslizaram, explorando novamente, mas agora com menos hesitação, mais pressão. O contato entre elas já não era apenas de descoberta, era afirmação. Fernanda alternava o ritmo da penetração de propósito, diminuindo por instantes só para voltar com mais intensidade, percebendo exatamente como Amanda respondia.
O efeito era imediato.
Amanda se curvava mais, se entregando à condução, deixando claro que não queria que aquilo parasse. Cada pausa breve criava expectativa, cada retomada vinha mais forte.
Fernanda se inclinou sobre ela, aproximando ainda mais os corpos, reduzindo qualquer espaço restante. Sua respiração quente contrastava com a pele ainda úmida de Amanda, criando um arrepio que percorreu inteiro.
— Você tá comigo? — perguntou, baixo, quase entre um movimento e outro.
Amanda respondeu sem palavras, apenas inclinando o corpo de volta, buscando mais contato, mais intensidade.
Isso bastou.
Fernanda firmou ainda mais as mãos, puxando-a de encontro ao próprio ritmo, agora mais constante, mais marcado. O controle estava claro — mas não era imposto, era compartilhado. Cada reação de Amanda guiava o próximo movimento, como se estivessem sincronizadas.
O quarto já não era silencioso.
Havia uma cadência entre elas agora, algo quase hipnótico, onde nenhuma precisava falar para entender. O ritmo aumentava, desacelerava, mudava… sempre voltando mais intenso.
E quando parecia que tinham chegado no limite, Fernanda diminuía só o suficiente para prolongar, para não deixar quebrar — mantendo Amanda exatamente naquele ponto entre controle e entrega total. Nada ali era aleatório, era construído, conduzido… e cada vez mais difícil de interromper.
O que antes era exploração virou condução. Fernanda firmou as mãos na cintura dela, puxando-a com mais precisão, mais controle. O ar entre elas ficou mais pesado, mais quente, preenchido por respirações que já não tentavam se esconder.
Quando a puxou pelos cabelos, trazendo-a de encontro ao próprio corpo, o gesto veio mais decidido — não brusco, mas dominante o suficiente para arrancar um suspiro mais alto.
— Olha pra mim… — pediu, com a voz baixa e firme.
Amanda obedeceu, o olhar já entregue, sem reservas.
E ali, naquele instante, não havia mais dúvida, nem hesitação — só intensidade compartilhada, crescente, quase impossível de conter. O quarto parecia pequeno demais para o que estava acontecendo e nenhuma das duas queria que aquilo desacelerasse.
Quando o corpo de Amanda começou a ceder aos próprios limites, como se já não conseguisse conter o que vinha crescendo dentro dela, Fernanda não interrompeu — sustentou. Manteve o ritmo, o contato, a proximidade… conduzindo aquele instante com precisão e entrega.
E então veio — não de forma abrupta, mas como o mar quando já não pode mais recuar. Como uma onda que se forma ao longe, ganha força em silêncio, cresce inevitável… até se erguer inteira e, no ápice, se quebrar com intensidade contra a areia, espalhando tudo o que carregava.
Um desfecho inevitável, profundo — impossível de conter. O silêncio voltou devagar, mas não era o mesmo de antes.
Fernanda não se afastou de imediato. Pelo contrário — se inclinou sobre Amanda, deixando o toque voltar a ser suave, quase cuidadoso, como quem reorganiza tudo depois da intensidade. Seus dedos percorreram as costas dela com leveza, agora sem pressa, sem condução — apenas presença.
— Ei… — sussurrou, aproximando o rosto do dela.
Amanda virou o rosto, ainda recuperando o fôlego, os olhos mais suaves agora, mas ainda carregados.
— Estou aqui… — respondeu, com um meio sorriso cansado.
Fernanda afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, com delicadeza.
— Foi… demais pra você?
A pergunta não era insegura — era cuidado.
Amanda negou de leve, aproximando-se mais, buscando o toque.
— Foi exatamente o que eu queria… só não sabia ainda.
Fernanda sorriu, agora sem pressa nenhuma.
Deitou ao lado dela, puxando-a para perto, encaixando o corpo no dela com naturalidade. O calor ainda estava ali, mas agora misturado com algo mais tranquilo, mais profundo.
Os dedos se entrelaçaram, a respiração começou a se alinhar e o quarto, que antes parecia pequeno demais para tanta intensidade, agora parecia o lugar mais certo possível para elas estarem e neste encontro — entre risos baixos, respirações misturadas e toques que já não pediam permissão — que Fernanda, pela primeira vez, perdeu completamente a necessidade de se proteger.
— Eu estou ferrada — murmurou, quase rindo de si mesma.
Amanda parou, olhando para ela.
— Por quê?
Fernanda sustentou o olhar.
Sem desviar. Sem se esconder.
— Porque eu me apaixonei por você, Amanda… eu te amo. Te amo de um jeito que nunca consegui amar ninguém antes. É diferente de tudo que eu já senti… mais forte, mais inteiro… mais verdadeiro.
O silêncio que veio não era vazio — era cheio de tudo o que ainda não tinha sido dito.
Amanda respirou fundo, os olhos marejando de leve.
— Eu também te amo, Fê… — disse, mas não parou ali. Ela segurou o rosto de Fernanda com carinho, como quem ancora o momento.
— E isso me assusta… porque eu vivi tanto tempo tentando fazer dar certo com o Eduardo. Tentando encaixar um amor que nunca me preencheu de verdade… que nunca me fez sentir assim.
A voz dela falhou por um instante, mas o olhar permaneceu firme.
— Com você é diferente. Eu me sinto leve… me sinto viva. É como se, pela primeira vez, eu não estivesse tentando ser alguém — eu só sou. E mesmo assim… você me olha como se eu fosse tudo.
Fernanda não disse nada. Não precisava. Amanda encostou a testa na dela, fechando os olhos por um segundo.
— Você me faz feliz de um jeito que eu nem sabia que era possível…
E ali, tão perto, já não havia mais dúvida — somente verdade.
Fernanda puxou Amanda para mais perto, o braço envolvendo com cuidado, como se quisesse protegê-la até do que ainda não tinha nome. Amanda se acomodou, o rosto encaixando no espaço que já parecia dela.
A respiração das duas foi desacelerando aos poucos, encontrando o mesmo ritmo. O silêncio, agora, era confortável. Seguro. Lá fora, a noite seguia como qualquer outra, mas ali dentro… não.
E, entrelaçadas, ainda sentindo o calor uma da outra…
adormeceram.
Fim do capítulo
E aí, guriasss…
O que acharam desse respiro delas depois de tanto caos? ??‘?
Quero saber tudo!
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