Capitulo 4 - Sombras e Suspeitas
Longe da sede, em uma pequena cabana de madeira compensada usada para guardar arreios velhos, o cheiro de suor animal misturava-se ao perfume barato de Lola. Caleb estava sentado em um banco de madeira, com a camisa desabotoada, enquanto a dançarina massageava seus ombros tensos.
- Você está com a cabeça em outro lugar, caubói - murmurou Lola, inclinando-se para beijar o pescoço dele. - Aquela patroa metida a sabe tudo está tirando o seu sono?
Caleb soltou um rosnado baixo, fechando os olhos.
- Ela é uma pedra no meu sapato, Lola. Chegou querendo auditar até os pregos das cercas. E agora trouxe aquela... aquela mexicana que diz ter vindo de Jalisco, a Mendoza. As duas ficam se olhando, falando de negócios que não me cheiram bem. A tal Itzel é agressiva e arrogante, olha para a gente como se fôssemos nada.
Lola parou o movimento das mãos, seus olhos astutos brilhando na penumbra.
- Mendoza? De Jalisco? Eu já ouvi esse nome no clube. Dizem que ela é uma das mulheres mais poderosas do ramo da tequila, que é a principal fornecedora por toda a fronteira. Mas acho que tem coisa estranha ai, Caleb...
- O que quer dizer? - Ele se virou, encarando-a.
- Mulheres como a sua patroa, casadas com figurões como esse tal de Maxwell, não trazem "parceiras de negócios" para dormir dentro de casa, assim, no meio do nada. Não se sabe nem se são amigas ou o que. E a forma como essa Itzel peitou você no escritório, se for como você me contou... - Lola deu um sorriso malicioso. - Tem algo ali que não é sobre cavalos ou dinheiro. Tem um cheiro de segredo que mulher conhece de longe.
Caleb franziu a testa, a ideia de uma intimidade proibida entre as duas começando a germinar em sua mente rústica como uma erva daninha.
- Você acha que elas...? Não, a Addison é fria demais para isso. Ela só se importa com aquele notebook e com a imagem de esposa perfeita.
- Mas as vezes a frieza de uma pessoa, especialmente mulher, sempre esconde um fogo que queima por baixo, Caleb. Fique de olho. Se você descobrir o que elas escondem, terá o motivo certo que precisa para expulsar as duas daqui.
***
Enquanto Caleb processava toda a desconfiança de Lola, o silêncio na casa principal era absoluto, quebrado apenas pelo estalo ocasional da madeira ressecada. Addison estava em seu quarto, deitada sobre os lençóis, mas o sono era um horizonte inalcançável. Ela pensava em Briam, no banco bloqueado, na incapacidade dele de resolver pendências simples como esta, e na saúde frágil de seu pai no quarto ao lado.
De repente, o som suave da maçaneta girando a fez sentar-se na cama. Uma silhueta escura cruzou o portal. O perfume de Itzel - uma mistura de sândalo e o toque cítrico do agave - inundou o ambiente antes mesmo que ela falasse.
- Itzel? O que está fazendo? - Addison sussurrou, a voz carregada de alerta. - Se alguém te vir saindo do quarto de hóspedes...
Itzel não parou até chegar à beira da cama. A luz da lua atravessava as cortinas, iluminando a determinação em seu rosto moreno. Ela vestia apenas uma camisola de cetim que deslizava sobre sua pele como água.
- Deixe que vejam, Addison. Estou cansada de paredes, de portas trancadas e de sussurros - disse ela, sentando-se e forçando Addison a encará-la. - Eu não vim aqui para ser sua convidada ou "sócia" de fachada. Eu vim porque você me pertence, e eu pertenço a você.
Ela deslizou para dentro dos lençóis, o calor de seu corpo contrastando com a frieza das preocupações de Addison. Seus dedos percorreram o rosto da engenheira, traçando a linha da mandíbula com uma possessividade lenta.
- Sinto seu coração batendo como o de um pássaro enjaulado, mí amor - murmurou Itzel, puxando Addison para perto. - Esqueça esse capataz. Esqueça o seu maridinho de fachada e os problemas do rancho por algumas horas. Aqui, neste quarto, não existem mais empresas ou casamentos. Só existe o que é de verdade, isso que sentimos, que estamos sentindo neste exato momento.
Addison fechou os olhos, entregando-se ao abraço. Naquela madrugada, o risco de serem descobertas parecia pequeno diante da necessidade vital de se sentirem uma à outra.
Dentro do quarto, a luz da lua filtrava-se pelas persianas, desenhando listras prateadas sobre a cama e Itzel não esperou por um convite explícito. Ela conhecia cada hesitação de Addison, cada muro que a engenheira erguia para se proteger do mundo, e sabia exatamente como derrubá-los.
Quando Itzel se deslizou ainda mais para baixo dos lençóis, o contraste foi imediato. Addison cheirava a sabão neutro e ao cansaço metálico de quem passara o dia entre números e poeira; Itzel exalava o calor da terra mexicana e aquele perfume inebriante de sândalo que parecia marcar o território de Addison.
- Tu tens o mundo inteiro nos ombros, mi amor - sussurrou Itzel, aproximando-se até que Addison sentisse o calor da sua respiração na maçã do rosto. - Me deixe carregar um pouco desse peso esta noite.
Addison fechou os olhos, permitindo que a mão de Itzel traçasse o contorno da sua orelha até à nuca. O toque era suave, mas carregado de sedução intensa que só Itzel possuía.
- Eu não sei como fazer isto, Itzel - confessou Addison, a voz quase um fio. - Aqui, eu sou a filha do Adam, a esposa do Briam, a patroa destes peões todos. Sinto que a "Addison" que você conhece está começando a desaparecer sob estas camadas todas.
- Nunca - rebateu Itzel, forçando Addison a encará-la. Os olhos escuros da mexicana brilhavam com uma intensidade absurda, que nenhuma sombra conseguia apagar. - Você é para mim a mulher que desenhou pontes onde ninguém via caminho. A mulher que me desafiou na primeira vez que nos vimos naquela conferência em Monterrey. Você não é uma farsa; este lugar... isso tudo aqui é que é.
Itzel puxou Addison para um beijo que começou lento, uma exploração mútua de saudade acumulada, mas que rapidamente se transformou em algo mais profundo. Havia uma urgência desesperada na forma como Addison se agarrava aos ombros de Itzel. Para Addison, Itzel era a sua única ligação com a realidade que ela própria construíra - a sua empresa, o seu sucesso, a sua verdadeira identidade.
- Fica - pediu Addison contra os lábios de Itzel. - Só por esta noite, não me faça escolher a solidão. Não quero nunca mais me sentir tão sozinha e desamparada como tenho me sentido nestes últimos dias.
- Eu não quero que escolha, Addison. Eu quero que você entendas que é você quem detém o poder. O rancho, o teu pai, até aquele capataz rústico... eles são apenas peças. Você é que é a arquiteta e a construtora.
As mãos de Itzel desceram pelas costas de Addison, desatando os nós de tensão que os dias no Arizona tinham criado. Entre carícias e sussurros em espanhol - palavras de admiração que Itzel só reservava para os momentos a sós - a frieza analítica de Addison derreteu. Ali, no escuro, elas reencontraram o ritmo que as unia: uma mistura de respeito e sobretudo uma paixão que queimava com a força de um incêndio numa plantação de agave.
Enquanto Itzel a abraçava e faziam amor, Addison sentiu, pela primeira vez em semanas, que não precisava de calcular a próxima jogada. Pelo menos não até o sol nascer e as portas do quarto voltarem a ser a fronteira entre a verdade e a mentira nas suas vidas.
***
Horas depois, observando Itzel que dormia, Addison lembrou de quando se conheceram, do estalo seco seguido daquele frio na espinha e borboletas voando no estômago.
Lembrou que o calor do Arizona, embora seco e implacável, não se comparava à umidade elétrica de Monterrey na noite em que se conheceram. Addison fechou os olhos por um instante, o som do vento no deserto transformando-se no ruído do tráfego caótico da metrópole mexicana e no murmúrio de vozes em uma sala de conferências climatizada.
Dez anos atrás, Addison Scott era uma engenheira recém-formada, armada com projetos de módulos habitacionais pré-fabricados e uma visão de asfalto e progresso que ignorava a topografia em favor da eficiência. Do outro lado da mesa, Itzel Mendoza, a consultora ambiental de uma das maiores exportadoras de tequila da região, parecia uma força da natureza vestida de linho e autoridade.
- Você quer pavimentar o futuro sobre o cadáver da nossa terra, engenheira Scott - Itzel dissera na época, sua voz ecoando pela sala enquanto apontava para os mapas de Addison. - Seus módulos são "econômicos" apenas no papel. Eles ignoram o escoamento, ignoram a composição do solo e, acima de tudo, ignoram as famílias que cultivam a terra e estão aqui há incontáveis gerações.
- O que você chama de "cadáver da terra", eu chamo de otimização, senhorita Mendoza - Addison retrucara, os olhos brilhando com uma animosidade que, embora ela não admitisse, era alimentada por uma atração magnética e imediata. - Seus métodos de cultivo tradicionais são românticos, mas não sustentam uma cidade em crescimento. O asfalto traz logística; a logística traz lucro. Sem infraestrutura, suas plantações são apenas poeira esperando o próximo vendaval para se alçar ao ar.
A discussão durara horas. Cada argumento de Itzel sobre a preservação do solo era rebatido pela lógica matemática de Addison sobre mobilidade urbana. A tensão na sala era tão espessa que os outros consultores pareciam apenas figurantes. Itzel defendia a vida que brotava do chão; Addison defendia a estrutura que permitia ao mundo girar e dar lucro.
No final daquele dia exaustivo, a animosidade profissional atingira o ápice. Mas, ao saírem do prédio, a chuva pesada e súbita de Monterrey as prendera sob a mesma marquise, enquanto esperavam por táxis que nunca chegavam.
- Você é a mulher mais teimosa que já conheci - Itzel disse, acendendo um cigarro e oferecendo o olhar desafiador que Addison aprenderia a amar.
- E você é a visão mais retrógrada e bonita que já ousou questionar meus cálculos - Addison respondeu, a defesa baixando por um segundo.
O silêncio que se seguiu não foi de briga, foi de reconhecimento mútuo do que poderia vir a ser.
O hotel em Monterrey ficava no coração de San Pedro, com janelas do chão ao teto que mostravam o contorno imponente do Cerro de la Silla. Quando a porta do quarto de Addison se fechou, os projetos de asfalto e as preocupações com as plantações ficaram no corredor.
Não houve hesitação. A animosidade da sala de reuniões transbordou para uma urgência física que parecia inevitável desde o primeiro aperto de mão. Itzel empurrou Addison contra a porta, as mãos subindo pelo seu pescoço com uma possessividade que fez os joelhos da engenheira vacilarem.
- Ainda acha que pode pavimentar, controlar tudo, mí querida? - Itzel sussurrou contra seus lábios, o hálito quente com o gosto da tequila, a tequila que Itzel produzia, que tomaram no bar do lobby.
- Quero ver você tentar me impedir - Addison respondeu, puxando-a para o centro do quarto.
Naquela noite, a engenheira que priorizava a ordem descobriu o caos nos braços da mulher que defendia a terra. Não havia módulos econômicos ou logística eficiente entre os lençóis de linho; havia apenas o encontro de duas forças que, embora divergissem em tudo o que era concreto, convergiam em tudo o que era instinto, calor, paixão.
Itzel a tocava como se conhecesse o caminho do corpo de Addison melhor do que ela própria, explorando cada vulnerabilidade com a paciência de quem cultiva algo precioso. E Addison, pela primeira vez na vida, deixou que a estrutura ruísse. Ela não precisava construir nada ali; precisava apenas sentir o solo firme que Itzel representava.
Quando a manhã nasceu sobre as montanhas de Monterrey, Addison observou Itzel dormir. O conflito sobre os negócios continuaria no dia seguinte - elas ainda discordariam sobre cada centímetro de asfalto sobre o solo fértil - mas algo fundamental havia mudado. O asfalto e a terra haviam se misturado e juntos traziam a promessa de sucesso, não só nos negócios, mas também no amor.
De volta ao presente, no Arizona, Addison abriu os olhos. A lembrança de Monterrey era um refúgio, mas também um lembrete: elas sempre foram fogo e gelo, construção e preservação. E, enquanto o rancho Scott agonizava, Addison se perguntava se a paixão que nascera da discórdia seria suficiente para salvá-las agora.
***
Lá fora, a vigilância permanecia constante, a ave de rapina observava, esperando, silenciosa pela vítima, e Caleb Riggs, alimentado pelas suspeitas de Lola, já não dormia mais. Ainda com o toque de Lola na pele, olhava para a casa principal. Ele não via o amor, mas sentia o "cheiro de segredo" que Lola mencionara. Para ele, aquela intimidade que ele começava a suspeitar não era apenas um pecado ou um escândalo; era a arma perfeita.
Ele imaginou a cara de Adam Scott ao saber que a sua "filha exemplar" não só tinha negócios que ele não conhecia, como podia partilhar a cama com a mulher arrogante que o desafiara e o humilhara no escritório. O veneno era como fel escorrendo, antevendo a vingança que teria ao se apropriar de tudo o que era dos Scott.
***
A madrugada ainda envolvia o quarto de Addison em um silêncio cúmplice quando o celular sobre a mesa de cabeceira vibrou violentamente. O visor iluminou o teto, exibindo a foto de Briam Maxwell. Antes que Addison pudesse despertar totalmente do torpor do abraço de Itzel, a mexicana, movida por uma possessividade latente e irritação acumulada, esticou o braço e atendeu a chamada de vídeo.
- Mas que diabos, Addison! Eu não consigo dormir, o fornecedor espanhol mandou um e-mail sobre... - Briam parou abruptamente. Na tela, ele não viu a "esposa", mas sim os olhos escuros e gélidos de Itzel Mendoza, com os cabelos revoltos sobre o travesseiro de Addison.
- Ela está dormindo, menino - Itzel sibilou, a voz rouca e carregada de desprezo. - E se você tiver um pingo de decência, vai parar de ligar para ela como um filhotinho assustado no meio da noite e aprender a resolver seus próprios problemas.
- Quem...? - Briam gaguejou, o rosto empalidecendo. - Onde está a Addison?
Addison despertou de vez com o som das vozes alteradas e sentou-se na cama num solavanco, arrancando o celular da mão de Itzel.
- Briam! Eu... eu te ligo em cinco minutos! - Ela desligou, o coração martelando contra as costelas.
- Então é assim?! - Itzel sentou-se, a camisola de cetim deslizando pelo ombro. - Ele liga, você treme toda, e eu acabo sendo a intrusa na nossa própria cama? Essa vida tripla está te transformando em uma covarde, Addison. Você é a arquiteta de uma mentira que está nos soterrando por todos estes anos, está acabando com nosso amor.
- É um contrato de fachada, Itzel! Você sabe disso! - Addison tentou se defender, mas o olhar de Itzel era de pura brasa. A crise de ciúmes não era pela fidelidade, mas pela prioridade. Itzel odiava ser o segredo que Addison silenciava ao toque de um telefone ou quando desconversava. Odiava não poder apresentá-la ao mundo todo, como gostaria, como achava que era certo. Tinha a mulher mais linda do mundo a seu lado e não podia reclamar a posse, isso a deixava louca.
***
O clima não melhorou quando o sol nasceu. Adam Scott, apresentando uma melhora súbita e perigosa para os segredos da filha, insistiu em tomar o café da manhã na mesa da varanda e exigiu a presença da "investidora mexicana".
Addison sentou-se à cabeceira, sentindo-se como se estivesse em um tribunal. À sua direita, Itzel, elegante e silenciosa, fervendo com o ciúme da madrugada. À sua esquerda, para a surpresa de todos, Caleb Riggs sentou-se sem ser convidado, alegando que precisava discutir o manejo dos pastos.
Adam Scott limpou a boca com o guardanapo, os olhos azuis - tão claros quanto os da filha - fixos na imponente mulher mexicana à sua frente.
- Então, Sra. Mendoza - Adam começou, a voz ainda rouca e chiada pela fragilidade dos pulmões. - Minha filha diz que a senhora é uma das maiores produtoras de tequila de Jalisco. O que exatamente traz uma mulher de negócios do seu calibre até o solo seco do Arizona? Qual o seu real interesse no Scott Legacy?
Itzel tomou um gole de café preto, sentindo o amargor do grão e o calor do ciúme que ainda subia por sua garganta feito bile após a ligação de Briam na madrugada. Ela pousou a xícara com uma elegância deliberada, seus olhos escuros como petróleo encontrando os de Addison por um segundo eterno antes de se voltarem para o velho patriarca. Ela sorriu de forma enigmática.
- Sr. Scott, eu não invisto apenas em terra ou em animais; eu invisto em potencial e sobretudo em lealdade - disse Itzel, a voz aveludada mas firme. - Meu interesse neste rancho é, acima de tudo, pela gestão impecável que Addison representa. Vejo aqui uma estrutura que, embora precise de reformas, possui um alicerce que me é muito precioso. Estou aqui para garantir que o que Addison construiu não se perca, pois o valor que ela agrega a este lugar é exatamente o que eu busco levar para os meus próprios negócios e na minha vida.
Addison sentiu o pulso acelerar sob a mesa. Itzel estava sendo incisiva: falava de cavalos e de gestão, mas cada palavra era uma declaração de que estava ali por ela, e apenas por ela.
Caleb Riggs, sentado à ponta da mesa, soltou um riso anasalado, remexendo os ovos no prato com o garfo.
- Bonito discurso, Sra. Mendoza - Caleb interrompeu, os olhos calculistas faiscando. - Mas investir em "gestão" parece conversa de quem nunca sujou as botas de estrume. Aqui no Arizona, a gente investe em quem tem raiz, não em quem chega com carro de luxo, com palavras bonitas. Engraçado como vocês duas parecem falar a mesma língua... uma língua que eu, que estou aqui há anos, ainda não consegui traduzir... - Engraçado... tem outra coisa - prosseguiu Caleb - eu juraria ter ouvido vozes vindo do escritório esta noite. Uma conversa bem íntima para quem está aqui apenas para "negócios". Talvez o Sr. Maxwell devesse vir logo para o rancho, não acha, Addison? Um marido faz falta para manter as visitas... nos seus devidos lugares.
O clima na mesa esfriou instantaneamente. O silêncio que se seguiu foi cortante. Adam franziu a testa, confuso com a insinuação, enquanto Addison sentia o chão sumir, tentando manter o controle. Itzel estava prestes a explodir quando Addison interveio com sua frieza profissional:
- Caleb, se você estivesse mais preocupado com os relatórios de vacinas dos cavalos do que com a acústica da casa, talvez os nossos números estivessem melhores. E sim, Briam virá assim que a agenda permitir.
Após o café tenso, Addison e Itzel se trancaram no escritório sob o pretexto de analisar as propostas de investimento. O ciúme de Itzel ainda estava lá, latente, soltando faíscas, prestes a explodir, mas o instinto de proteção falou mais alto quando ela viu Addison abrir a pasta de "Cavalos Fantasmas" no notebook.
- Esqueça o Briam por um segundo e olhe isto - Addison chamou, a voz trêmula.
As duas debruçaram-se sobre a tela. Itzel, que geria fortunas no México, percebeu o que a visão técnica de Addison ainda não tinha processado totalmente.
- Addison, não é só desvio de alfafa - Itzel apontou para uma série de transferências. - Ele não está apenas roubando dinheiro. Ele está usando o nome do seu pai para lavar pagamentos de leilões clandestinos. Veja estas datas. O dinheiro entra com status de venda e sai em menos de 24 horas para aquela conta em Phoenix.
- Meu Deus... - Addison cobriu a boca com a mão. - Ele não está apenas quebrando o rancho. Ele está transformando tudo o que é do meu pai em uma fachada para o crime organizado.
- E ele sabe que você está perto de descobrir - Itzel disse, segurando a mão de Addison, o ciúme da madrugada agora substituído por uma aliança letal. - Addison, esse homem não vai apenas tentar te desmoralizar com o seu pai. Se ele for encurralado, ele vai tentar enterrar tudo neste deserto, vai tentar te destuir.
Addison olhou pela janela e viu Caleb no pátio, conversando ao celular com uma expressão sombria. Ela percebeu que a vida tripla não era mais o seu maior problema. Ela agora estava em uma guerra de inteligência contra um capataz rústico que não tinha nada a perder, e sua única aliada era a mulher que ela amava, e que não queria mais viver nas sombras.
Fim do capítulo
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