Gurias... um aviso:
Peguem um café... ou talvez algo mais forte.
Pra encerrar este domingo, decidi parar de testar a paciência de vocês. Depois de tanta tensão, olhares, provocações e sentimentos mal resolvidos... finalmente algumas barreiras vão ficar de lado.
Neste capítulo, nossas protagonistas deixam um pouco da racionalidade de lado e dão espaço para muito mais química, intensidade... e talvez algo ainda mais difícil de ignorar.
Espero que gostem.
Capitulo 12
O apartamento de Fernanda era simples, mas carregava personalidade em cada canto. Não havia luxo ou preocupação em impressionar. Tudo parecia pensado para funcionar… e, ao mesmo tempo, vivido demais para parecer perfeito. Sobre a bancada da cozinha, uma xícara de café esquecida pela metade dividia espaço com algumas folhas de anotações e uma caneta sem tampa. No sofá, uma manta estava jogada de qualquer jeito, como se tivesse sido abandonada no meio de uma madrugada longa. Havia livros empilhados na mesa de centro — alguns sobre investigação, outros romances policiais, e um completamente fora do padrão: um guia de jardinagem claramente nunca aberto. Perto da estante, um halter solitário estava fora do lugar, como se alguém tivesse desistido do treino na metade. Amanda observou tudo com um sorriso discreto. Aquilo dizia mais sobre Fernanda do que qualquer conversa até ali. Ela não era feita só de postura firme, sarcasmo ou controle. Ela era real.
E, talvez justamente por isso… perigosa.
Antes que Amanda pudesse comentar qualquer coisa, um movimento silencioso surgiu no corredor. Bóris apareceu. Caminhando devagar. Elegante. Absolutamente consciente da própria importância.
Amanda se abaixou por instinto.
— Então você é o famoso Bóris...
O gato parou a poucos metros. Observou. Não se aproximou. Fernanda cruzou os braços, com um meio sorriso.
— Agora ele está analisando seu caráter.
Amanda arqueou a sobrancelha.
— Isso parece um processo longo.
Bóris continuou imóvel, com os olhos fixos, a cauda balançando de leve.
Fernanda deu de ombros.
— Se ele não gostar de você… eu sugiro não levar para o lado pessoal.
Amanda sustentou o olhar do gato.
— Ah, eu trabalho com conselhos administrativos. Acho que consigo lidar com um gato julgando minhas decisões.
Silêncio. Alguns segundos passaram. Então, como se tivesse finalmente tomado uma decisão importante, Bóris caminhou até Amanda… e pulou direto no colo dela.
Amanda soltou uma risada surpresa.
— Acho que fui aprovada.
Fernanda estreitou os olhos.
— Isso é traição emocional.
Bóris se acomodou, fechou os olhos… e ignorou completamente Fernanda quando ela tentou fazer carinho.
Amanda não conseguiu conter o riso.
— Nossa... ele nem disfarçou.
Fernanda colocou a mão no peito, dramaticamente ofendida.
— Eu alimento esse ingrato há quatro anos.
Sem abrir os olhos, Bóris apenas se acomodou ainda mais em Amanda.
Como se a decisão já estivesse tomada.
— Ele não faz isso com qualquer um.
— Hei, eu não sou qualquer uma... Talvez ele tenha bom gosto.
— Talvez ele seja facilmente influenciável por beleza, isso sim.
O clima ali dentro era diferente, mais íntimo. Sentaram no sofá, próximas, como se aquele espaço já fosse conhecido.
— Então… — começou Amanda.
— Então… — repetiu Fernanda.
As duas sorriram, levemente sem jeito, mas também sem vontade de fugir. O beijo veio, assim como das outras vezes, as línguas se enroscavam e se reconheciam e aos poucos a distância deixou de existir. As mãos se acariciavam, o desejo tomava conta das duas, Fernanda posicionou Amanda em seu colo, com uma perna em cada lado do seu corpo, colocou a mão na nuca dela e intensificou o beijo. Amanda arfou quando Fernanda puxou o cabelo dela, deixando seu pescoço exposto para ser beijado. Amanda nunca tinha sentido tamanho tes*o, não conseguia mais controlar sua respiração, colocou a mão na blusa de Fernanda e começou a retirá-la, hesitou por um momento, olhou nos olhos de Fernanda, eles estavam com um tom mais escuro, ardentes de desejo. Fernanda foi cuidadosa e atenta. Como se entendesse, sem que Amanda precisasse dizer, que aquele momento carregava mais do que desejo, ele carregava descoberta, confiança e entrega.
—Vem comigo. — Disse Fernanda.
Ela a conduziu até o quarto, mal fechou a porta e seus lábios se encontraram novamente, ardentes, com desejo. Foram andando devagar, quase em suspensão, como se cada passo fosse uma escolha consciente de continuar. As bocas não se afastavam, os beijos agora mais profundos, mais curiosos… descobrindo ritmo, gosto, reação.
Antes de chegar à cama, pararam. Não por dúvida, mas por intensidade.
As mãos começaram a explorar com mais calma, retirando as roupas uma da outra sem pressa, como quem desembrulha algo precioso. Quando restaram apenas as últimas peças, o ar entre elas já parecia diferente — mais quente, mais denso.
Fernanda olhou Amanda dos pés à cabeça. Sem disfarçar. Sem pressa. Era como se estivesse gravando cada detalhe.
— Você tem noção do efeito que causa em mim? — murmurou, quase sem voz.
Amanda sorriu, levemente sem graça…, mas não recuou, pelo contrário, se aproximou mais.
Quando Fernanda voltou a tocá-la, não foi com urgência. Foi com intenção.
As mãos desenhando caminhos, aprendendo reações, testando limites. Amanda respondeu no mesmo tom, os dedos explorando, descobrindo, criando uma conversa silenciosa entre os corpos. Elas deitaram na cama como quem já não consegue mais adiar. Amanda foi conduzida até o centro, mas sem domínio rígido — havia troca, havia convite.
Fernanda se inclinou sobre ela, os rostos próximos, respiração misturada. Os beijos mudaram, eram menos contidos, bem mais entregues.
As mãos já não sabiam ficar paradas, elas deslizavam, faziam uma espécie de reconhecimento. O ritmo que surgia entre elas não era apressado, era crescente. Um jogo de aproximação e pausa, de toque e espera… como uma dança onde nenhuma queria errar o passo — e, ao mesmo tempo, não se importavam em errar.
Amanda deixou escapar um suspiro baixo, quase involuntário. Fernanda sorriu contra seus lábios.
— Calma… — sussurrou, mais provocação do que pedido.
E, naquele instante, o mundo lá fora deixou de existir.
Não havia passado. Não havia medo. Só descoberta e desejo. Só elas… aprendendo uma na outra, sem pressa de chegar ao fim.
Aos poucos, Fernanda desceu pelo pescoço de Amanda, sem pressa, como se explorasse cada reação. O toque dos lábios alternava entre leve e firme, fazendo a respiração de Amanda perder o ritmo. Quando encontrou a curva entre o pescoço e o ombro, demorou um pouco mais ali, sentindo o arrepio imediato que percorreu o corpo dela.
Amanda apertou os olhos por um instante, os dedos já se perdendo nos cabelos de Fernanda, puxando-a mais para perto — não com força, mas com urgência.
Cada novo ponto parecia despertar algo diferente. Quando Fernanda chegou ao colo de Amanda, o ar já estava mais quente, mais denso. Ela beijava seus seios, apertava, sugava, horas com força, horas com leveza. Amanda arqueou levemente as costas, como se o próprio corpo buscasse mais daquele contato, entregando-se sem perceber.
— Fernanda… — a voz saiu mais baixa, falha, carregada.
As mãos de Fernanda percorreram o corpo dela com firmeza agora, sem a hesitação de antes. Havia intenção no toque. Direção. Como se soubesse exatamente onde provocar, onde parar, onde insistir.
Amanda reagia a cada movimento — respiração entrecortada, corpo tenso e, ao mesmo tempo, rendido. Os olhos fechados, a cabeça levemente inclinada para trás, completamente vulnerável àquele ritmo que já não controlava.
Fernanda demorava onde sabia que causava efeito. Recuava só o suficiente para fazer Amanda sentir falta… e então voltava.
— Por favor… — Amanda murmurou, quase sem perceber que tinha falado em voz alta.
A investigadora não precisa de mais nada, se posiciona e lentamente começa lambendo o sex* de Amanda, de baixo pra cima, depois começa a realizar movimentos circulares com a língua, suga seu ponto de prazer, enquanto suas mãos apertam seus seios. De acordo com os suspiros de Amanda ela vai conhecendo o que ela mais gosta e vai intensificando as sugadas e lambidas e sem Amanda esperar ela introduz dois dedos nela, que deslizam devido a lubrificação que já escorre por seu sex*, ela dá uma estocada forte, suga seu ponto de prazer e segue com outras estocadas leves e assim vai alternando, até perceber que Amanda está ficando mais ofegante, seus gemidos já estão mais altos, ela começa a balbuciar palavras sem sentido, a investigadora aumenta o ritmo. Para Amanda, era como se o mundo inteiro se recolhesse dentro dela por um instante, uma tensão doce, crescente, que parecia se espalhar por cada parte do seu corpo, guiada pelo cuidado de Fernanda, pelo ritmo que ela respeitava sem pressa e então veio. Como se tudo dentro dela se reunisse em um único ponto e, no instante seguinte, se libertasse em uma explosão. Amanda fechou os olhos, o corpo reagindo antes de qualquer pensamento, os dedos se firmando em Fernanda como se precisasse se ancorar ali. Um calor que se espalhava, lento e intenso, rompendo qualquer tentativa de controle.
A respiração falhou, o corpo respondeu antes da mente, e tudo ao redor perdeu importância. O nome da investigadora escapou em um sussurro, quase sem voz.
- Fernandaaaaa......
Era como se, naquele exato momento, ela deixasse de existir em partes, para se sentir inteira de uma vez só e quando passou, não foi vazio que ficou, foi um eco suave, quente e profundamente vivo.
Fernanda permaneceu ali, próxima, presente, sustentando aquele momento com um cuidado quase reverente, como se soubesse que aquilo significava mais do que o próprio instante. Quando tudo desacelerou, ela permaneceu ali, ainda envolta pelo calor, pela respiração descompassada, pelo silêncio cheio que vinha depois. Amanda ainda estava envolta naquele eco quente, o corpo reagindo em ondas lentas, quando abriu os olhos e encontrou Fernanda ali… próxima, atenta, quase como se estivesse garantindo que ela realmente voltasse. Por alguns segundos… nenhuma das duas disse nada, até que Amanda, murmurou:
— Ok… isso definitivamente não estava no meu planejamento estratégico.
Fernanda soltou uma risada baixa, encostando a testa na dela.
— Falha grave de previsão para uma grande empresária.
— Vou precisar revisar meus processos…
— Posso ajudar na auditoria se quiser— respondeu Fernanda, com um sorriso na voz.
Amanda, ainda meio perdida, mordeu o lábio inferior, meio rindo disse:
— Humm... Perigoso isso.
— Muito, mas eu aguento!
Por um segundo, Amanda apenas a observou. Respiração ainda irregular. Olhar diferente, mais solto.
Mais… decidido.
Sem dizer nada, ela se moveu. Com delicadeza e principalmente com intenção. Inverteu as posições.
Fernanda arqueou levemente a sobrancelha, surpresa — não pela ação, mas pela mudança.
— Agora… — murmurou Amanda, ainda um pouco sem fôlego — acho que é a minha vez.
Havia um leve nervosismo na forma como ela se posicionava. Não insegurança paralisante, mas aquela tensão boa de quem está vivendo algo pela primeira vez.
Ela passou a mão pelo corpo de Fernanda, mais devagar, quase explorando. Aprendendo. Sentindo cada reação.
— Você vai ter que me ajudar… — disse, em um tom baixo, com um sorriso quase tímido — eu ainda estou entendendo… tudo isso.
Fernanda não respondeu com palavras, apenas assentiu. O olhar suavizou. Guiando. Sem pressa.
Amanda começou com toques mais simples, mais intuitivos, observando cada pequena mudança na respiração de Fernanda, cada contração, cada reação.
Como se estivesse decifrando um código e gostando disso.
O ritmo foi se ajustando. Ganhando confiança. Ela pode finalmente explorar o corpo de Fernanda. Sentiu quando ela se arrepiou no momento em que ela começa a sugar seus seios. Amanda sorriu, um pouco mais ousada agora, desceu sua mão vagarosamente em direção ao sex* de Fernanda, sentiu como ela já estava molhada, começou com movimentos circulares, chegando até sua entrada, sem penetrá-la, somente provocando-a.
— Assim? — sussurrou no ouvido de Fernanda.
— Continua… — respondeu Fernanda, a voz já um pouco mais baixa.
Amanda dá um sorriso perverso e a penetra forte e fica ali, sentindo a outra se derreter ainda mais.
—Nã... não me tortura Amanda! — Diz Fernanda em êxtase.
— Eu preciso… — começou hesitando um segundo, mas sem recuar — sentir você de verdade.
O que veio depois não foi pressa. Foi entrega. Fernanda fechou os olhos por um instante, deixando Amanda conduzir.
Ela desceu beijando o corpo de Fernanda, lentamente, sentindo sua pele macia, foi de encontro a sua fenda, quando chegou deu uma leve lambida, fazendo com que Fernanda arfasse. Seguiu explorando sua intimidade, fazia movimentos circulares com a língua, sugava e lambia de uma forma que deixava Fernanda gem*ndo de prazer e com os suspiros que ouvia, até ela estava se excitando novamente com tudo aquilo. Movimentou a mão para penetrar Fernanda, que no momento que sentiu sendo invadida, não conseguiu mais segurar, se desarmou completamente. Conduziu Amanda para se encaixar em sua perna. Amanda entendeu e começou a se esfregar ali enquanto penetrava cada vez mais forte.
— Goz* comigo Fê.
O corpo de Fernanda respondeu de uma forma diferente, mais intensa. As mãos buscaram apoio, os dedos se firmaram nos lençóis e a respiração perdeu ritmo.
Amanda mudou o ritmo, ela aumentou as estocadas, se aprofundou naquela troca silenciosa onde nenhuma das duas precisava mais perguntar. Até que veio. Algo explosivo e imediato, uma onda que cresceu, tomou espaço… e transbordou em ambas.
— Amanda, eu vou... aaahhhh — escapou, sem filtro e Amanda entendeu. Sem precisar de explicação.
Fernanda puxou o ar com força, o corpo reagindo inteiro, sem contenção ou controle.
E, quando tudo desacelerou… ficaram ali, próximas.
Respirações ainda descompassadas, corpos relaxando aos poucos. Amanda deitou ao lado dela, ainda meio rindo, meio sem acreditar.
— Ok… — murmurou — isso definitivamente, não estava no meu planejamento estratégico.
Fernanda soltou uma risada baixa, virando o rosto na direção dela.
— E você achou que estava no controle…
— Pelo que me lembro, meio minuto atrás, eu estava… — respondeu Amanda, sorrindo e se aproximando mais, encaixando o corpo ao de Fernanda sentindo o calor do momento.
Silêncio.
— Você está bem? — perguntou, mais suave agora.
Fernanda abriu os olhos, ainda com aquele resquício de intensidade no olhar.
— Estou… — pausa — mais do que bem.
Amanda sorriu.
Encostou a testa na dela.
— Ótimo… porque eu não faço ideia de como repetir isso ainda.
— A gente treina… — respondeu Fernanda, com um meio sorriso.
— Humm... que metódica.
— Profissional eu diria.
As duas riram, baixo. E, aos poucos… o cansaço veio.
Corpos ainda quentes. Entrelaçados. Se acomodaram devagar, como se já soubessem, instintivamente, onde a outra se encaixava melhor. Amanda virou de lado e Fernanda a puxou com naturalidade, envolvendo-a por trás, de conchinha, simples, como se este jeito, sempre tivesse sido.
— Eu normalmente não durmo assim… — murmurou Amanda, já com a voz mais sonolenta.
— Assim como?
— Em paz.
Fernanda apertou levemente o abraço.
— Problema resolvido, então.
Amanda soltou um suspiro leve, confortável.
— Que investigadora eficiente.
— Eu sei.
O silêncio voltou, mas agora era leve e acolhedor. E, antes que percebessem, o cansaço venceu, dormiram ali, entrelaçadas e satisfeitas.
A manhã chegou silenciosa, mas pela primeira vez, o silêncio não era vazio, era confortável. Amanda despertou antes, ficou alguns segundos apenas observando, admirando Fernanda que ainda dormia, a respiração tranquila, o rosto relaxado — completamente diferente da investigadora firme e analítica que ela conhecia. Foi então que seus olhos pararam em uma marca próxima à lateral das costelas. Uma cicatriz fina. Clara o suficiente para não passar despercebida. Amanda aproximou a mão com cuidado, os dedos roçando de leve a pele.
Fernanda franziu discretamente a testa antes mesmo de abrir os olhos.
— Você fica me analisando assim sempre ou é só depois de … eventos relevantes? — murmurou, a voz rouca de sono.
Amanda sorriu, mas não desviou o olhar.
— Isso foi no trabalho?
Fernanda abriu os olhos devagar. Por um segundo, apenas olhou para Amanda… como se decidisse se queria responder de verdade. Depois soltou um pequeno suspiro.
— Primeiros anos na polícia.
Amanda esperou. Fernanda passou a mão distraidamente pela própria cicatriz.
— Uma operação. Eu entrei antes do reforço.
Amanda arqueou levemente a sobrancelha.
— Porque?
Fernanda deu um meio sorriso.
— Porque achei que conseguiria resolver mais rápido.
Pausa.
— E conseguiu?
Fernanda sustentou o olhar dela.
— A vítima saiu viva.
Silêncio.
Amanda passou os dedos pela cicatriz mais uma vez, agora com mais cuidado.
— E você?
Fernanda sorriu de canto.
— Eu claramente sou péssima em desaparecer.
Amanda soltou uma risada baixa, mas havia algo diferente no olhar dela agora. Mais admiração e entendimento, era como se finalmente estivesse enxergando que Fernanda não corria atrás de casos. Fernanda corria… em direção aos problemas e talvez esse fosse justamente o motivo de ninguém ter conseguido ficar.
— Então você sempre foi assim?
Fernanda arqueou levemente a sobrancelha.
— Assim como?
Amanda sustentou o olhar.
— Correndo em direção ao problema... antes de todo mundo.
Por um instante, Fernanda ficou em silêncio. Depois soltou um sorriso pequeno. Não exatamente divertido, mais honesto.
— Acho que esse sempre foi... o problema.
Amanda franziu levemente a testa.
— Seus relacionamentos?
Fernanda apoiou a cabeça no travesseiro, olhando para o teto por um segundo antes de responder.
— No começo, todo mundo acha admirável.
Pausa.
— A dedicação. A intensidade. O fato de eu nunca recuar.
Ela voltou a olhar Amanda.
— Até perceberem que, quando o telefone toca às três da manhã...
Silêncio.
— Eu sempre atendo.
Amanda não respondeu de imediato.
Apenas continuou olhando.
— E quando você precisava escolher? — perguntou baixo.
Fernanda sustentou o olhar dela por alguns segundos. Sem ironia.
— Eu nunca precisei escolher.
Pausa.
— Porque o trabalho sempre chegava primeiro.
O silêncio que ficou não era desconfortável. Era entendimento. Amanda não disse nada, só se aproximou mais.
Como se, pela primeira vez...
entendesse que Fernanda nunca afastou ninguém. Ela só... nunca soube parar.
O restante do domingo passou leve. Algo entre tentativas questionáveis de cozinhar juntas, risadas na cozinha, episódios esquecidos na Netflix que nenhuma das duas realmente prestou atenção e Bóris exigindo carinhos e petiscos como se fosse o verdadeiro dono da casa.
Mais tarde, abriram as janelas da sala e deixaram o vento frio entrar. Amanda estava descalça, usando uma camiseta de Fernanda grande demais para ela, enquanto tomava café encostada na bancada. Em algum momento, Fernanda simplesmente parou para observá-la. Sem pressa. Sem precisar dizer nada. Como se ainda estivesse se acostumando à ideia de Amanda ali... fazendo parte daquele espaço.
No fim da tarde, Fernanda deixou Amanda em casa. As duas se despediram com um beijo rápido, discreto, mas não discreto o suficiente.
Do outro lado da rua, dentro de um carro escuro, alguém abaixou lentamente o celular depois de registrar a cena.
A foto foi enviada. Por alguns segundos… nada. Então a tela se iluminou com a resposta.
Ótimo.
Pausa.
Uma nova mensagem apareceu logo abaixo.
Por enquanto… só observem, vocês já cometeram muitos erros.
Mais alguns segundos e então a última mensagem surgiu:
Agora temos que esperar a vez delas errarem.
O celular apagou e o carro desapareceu na noite antes que qualquer uma das duas percebesse que, há algum tempo…
elas já não estavam mais sozinhas.
Fim do capítulo
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Gabi Reis Em: 09/05/2026 Autora da história
kkkk
E está só começando