Capitulo 7
O final de semana chegou com um silêncio diferente. Não era o silêncio confortável de descanso, era o tipo que ecoa.
A casa, grande demais para uma pessoa só, parecia ainda maior agora. Os espaços… vazios. As paredes… distantes.
Amanda caminhava por eles como se estivesse visitando a própria vida e, de certa forma, estava.
Nos últimos anos, tudo tinha acontecido rápido demais. Decisões práticas. Escolhas estratégicas. Caminhos que faziam sentido no papel…, mas que, em algum momento, deixaram de fazer dentro dela.
Se afastou dos poucos parentes que ainda tinham ficado em sua cidade natal. Das poucas amigas que ainda tentaram ficar. De si mesma.
E só percebeu quando já não sabia exatamente quem tinha sido antes.
Parou perto da janela. O reflexo no vidro devolveu uma versão dela que parecia… correta.
Arrumada. Contida. Impecável.
Mas distante.
Eduardo Bastos.
O nome ainda carregava peso. Não de amor — agora ela entendia que nunca tinha sido. Mas de história. De tempo investido. De uma vida que, mesmo vazia, tinha sido real.
Ela sentia.
Não pelo que eles eram no fim, mas pelo que um dia acreditou que poderiam ter sido.
Respirou fundo.
E, ainda assim… não era isso que mais a inquietava.
A mente desviava, sempre para o mesmo lugar ou seria para a mesma pessoa?
Fernanda.
A lembrança vinha sem esforço. O olhar firme. A presença direta. A forma como ocupava o espaço sem pedir licença.
E aquele momento…
O silêncio entre elas. Amanda franziu levemente a testa, como se tentasse afastar o pensamento. Não fazia sentido.
Não naquele contexto. Não daquela forma.
E, ainda assim… voltava. Insistente. Quase incômodo. Ou talvez… não. Talvez fosse justamente o contrário. Algo diferente, cru. Algo totalmente sem interesse e principalmente, sem jogo.
Ela soltou um leve suspiro, quase rindo de si mesma.
— Isso é um absurdo… — murmurou baixo.
Mas não conseguiu descartar completamente a ideia que veio logo depois. Em outra circunstância, sem investigação. Sem tudo isso. Fernanda seria o tipo de pessoa que ela escolheria por perto.
Uma boa amiga.
Ou… algo difícil de definir ainda.
Amanda balançou a cabeça, cortando o pensamento antes que ele ganhasse forma.
Não era o momento. Talvez nunca fosse. Se afastou da janela. Tentou ocupar o tempo.
Foi até a academia da casa. Treinou mais do que o necessário, forçou o corpo como se pudesse calar a mente.
Não conseguiu.
Tentou ler. As palavras não fixavam.
Ligou um filme antigo. Não passou dos primeiros minutos.
A cada tentativa… voltava.
A retrospectiva.
As escolhas.
Os caminhos que aceitou sem questionar. Os sonhos que deixou para depois… até deixarem de existir.
O incômodo cresceu, não era mais tristeza, era lucidez.
E, junto dela… uma decisão. Amanda parou no meio da sala. Dessa vez, não havia dúvida. Ela não podia continuar sendo uma espectadora da própria vida.
Se havia algo a reconstruir… começaria agora e começaria pelo que ainda estava sob o seu controle. A empresa.
O legado, o caos que Eduardo deixou.
Endireitou a postura. Como quem, pela primeira vez em muito tempo… voltava para si.
— Chega — disse, baixo.
Não como impulso, como uma escolha. E, naquele instante, mesmo sem perceber completamente…
Amanda Bastos começou a voltar.
No outro dia, na empresa, Amanda aguardava o relatório da auditoria interna que solicitou, mas assim que o recebeu, percebeu que o problema era ainda maior. A auditoria não falhou de forma óbvia, ela foi… corrompida.
Os primeiros relatórios chegaram incompletos. Campos vazios onde deveriam existir dados críticos. Logs inconsistentes. Datas que não fechavam. Arquivos que simplesmente… não existiam. No início, até parecia erro humano, mas Amanda percebeu o padrão nas inconsistências. Sentada diante de uma tela que há muito não ocupava, ela percorreu linhas de dados com uma familiaridade que quase havia esquecido. Seus dedos hesitaram no teclado por um instante — não por incapacidade, mas por memória, mas era ali o ambiente no qual ela pertencia, sempre foi.
— Isso não é falha — murmurou. Era sabotagem.
Passou o resto do dia analisando os relatórios e não conseguiu chegar em uma solução. À noite, na Casa de Vidro, ela dispensou a equipe mais cedo, precisava de silêncio e concentração.
Acessou diretamente o servidor central — ignorando as camadas intermediárias que normalmente filtrariam aquele tipo de acesso. Digitou credenciais administrativas que, teoricamente, não deveria mais usar, mas ainda funcionavam, um erro de segurança, mas que acabou ajudando bastante naquele momento.
— Vocês nunca revogaram meu acesso… — sussurrou, quase com ironia.
Seria um erro grave ou excesso de confiança, Amanda não sabia, mas aproveitou a oportunidade.
Amanda abriu o terminal e iniciou a leitura dos processos ativos. Nos primeiros minutos... nada. Linhas limpas. Registros íntegros. Fluxos normais. Perfeito demais.
Amanda estreitou os olhos.
— Não... você limpou a superfície.
Mudou a abordagem. Ignorou os relatórios visuais e foi direto para a camada bruta dos registros, onde poucos saberiam procurar.
E foi ali que encontrou o primeiro erro, começou pelos logs de auditoria, analisando os registros do sistema — uma espécie de “histórico” que guarda tudo o que acontece na plataforma e o primeiro sinal veio rápido: os registros tinham sido manipulados. Horários que não batiam. Ações apagadas ou alteradas. Era como se alguém tivesse voltado no histórico e reescrito partes dele para esconder o que fez. Aquilo só seria possível para alguém com acesso privilegiado.
O segundo indício foi ainda mais sutil: dados importantes estavam sendo escondidos, não deletados — o que chamaria atenção — mas disfarçados. Certas informações simplesmente não apareciam, como se um filtro inteligente estivesse cobrindo exatamente o que não deveria ser visto.
O terceiro confirmou tudo: uma “porta escondida” no sistema. Um pequeno programa rodava silenciosamente em segundo plano, quase invisível, ativando apenas em horários específicos. Era como uma entrada secreta, usada sem deixar rastros óbvios. Elegante, discreto e muito profissional.
Amanda respirou fundo.
— Você é bom… — murmurou, analisando o código.
— Mas não o suficiente. Ela abriu o terminal e começou a seguir o caminho dos dados dentro do sistema. Acompanhou por onde as informações passavam, analisou os programas ativos, comparou diferentes registros em busca de inconsistências e aos poucos, o padrão começou a surgir. Não era um ataque de fora e sim alguém de dentro da empresa. Alguém que conhecia profundamente a estrutura e os processos, e, mais importante…alguém com medo do que a auditoria poderia revelar. Amanda não encontrou o responsável, mas encontrou algo mais valioso:
Intenção de boicote e um recado implícito: Alguém estava tentando ganhar tempo e estava conseguindo.
Amanda afastou-se alguns centímetros da tela e levou a mão aos olhos. A visão começava a pesar, não por cansaço físico, mas por exaustão. Fazia horas que não comia. Não lembrava quando tinha bebido água pela última vez. Por um instante, apoiou os cotovelos na mesa e deixou a cabeça pender entre as mãos.
O silêncio da Casa de Vidro parecia maior à noite.
Mais pesado. E, pela primeira vez desde a morte de Eduardo...
Amanda sentiu medo, não de perder dinheiro, muito menos pela empresa, mas de descobrir até onde aquilo realmente chegava.
Já era tarde da noite quando Fernanda chegou na Casa de Vidro e desta vez, não avisou. Foi recebida por Arminda, que apenas assentiu ao vê-la.
— Ela está no escritório.
Fernanda encontrou Amanda diante de múltiplas telas, iluminada pela luz fria dos monitores. Os cabelos levemente desalinhados, o foco absoluto.
Por um instante, percebeu que ali não era a viúva, nem a herdeira e sim uma outra pessoa, mas real.
— Interrompo? — perguntou Fernanda, apoiando-se na porta.
Amanda não se virou imediatamente.
— Depende… você trouxe respostas ou mais perguntas?
Fernanda entrou.
— Os dois.
Amanda girou a cadeira e os olhares se encontraram.
E, como antes, ficaram por alguns segundos a mais se olhando, até que Fernanda decide quebrar o contato.
— O laudo saiu — disse Fernanda.
A pausa antes da resposta foi mínima.
— E?
— Como eu desconfiava, foi envenenamento. — Falou direta e sem rodeios.
O silêncio que seguiu foi diferente, mais denso e definitivo. Amanda assentiu lentamente, deixando a ideia assentar em seus pensamentos.
— Então não foi natural.
— Não.
— E agora?
Fernanda deu um passo à frente.
— Agora… vira homicídio confirmado.
O ambiente ficou tenso, Amanda se levantou. Quando passou por Fernanda, chegou perto demais. O perfume veio primeiro e depois o calor. Por um breve segundo, Fernanda precisou de tempo demais para lembrar que ainda estava trabalhando.
As duas pararam a poucos centímetros uma da outra.
— Eu estou sendo sabotada — disse Amanda em um sussurro, apontando para as telas. — A auditoria.
Fernanda olhou.
— Interno?
— Com certeza.
— Já tem algum nome?
Amanda hesitou.
— Ainda não tenho provas.
Fernanda voltou o olhar para ela.
— Mas tem suspeitas.
Amanda sustentou o olhar.
— Eu tenho direção.
Silêncio.
Mais uma vez… carregado. Fernanda se dá conta de uma mudança de perfil, dá um sorriso de canto e fala.
— Você voltou.
— Como assim, para o quê?
— Para quem você era.
Amanda soltou um leve suspiro.
— Eu nunca deixei de ser.
— Só parou de usar.
A proximidade agora era quase inevitável, em cada frase trocada elas se aproximavam cada vez mais, era como se uma força invisível as unisse.
— E você? — perguntou Amanda — Sempre chega assim… sem avisar?
Fernanda inclinou levemente a cabeça.
— Só quando acho que preciso.
— E por que acha isso agora?
A resposta veio mais baixa.
— Porque você está no meio de algo maior do que parece… e está sozinha demais.
Amanda não desviou, mas algo dentro dela mudou.
— Eu não estou sozinha. — A frase saindo mais suave do que o esperado e Fernanda percebeu e rebate na mesma hora.
— Não mesmo.
O silêncio que seguiu não era mais investigativo, era outra coisa, algo mais lento, palpável e mais perigoso. Por um instante… nenhuma das duas ousou falar ou se mover até que Amanda dá um pequeno passo para trás.
— Você deveria ir — disse, recuperando o controle.
Fernanda sustentou o olhar por um segundo a mais. Ela não queria se despedir, mas precisava.
— Eu volto.
Amanda assentiu.
— Eu sei.
Depois que Fernanda saiu, o silêncio voltou, mas não era o mesmo, a concentração já tinha ido por água abaixo, Amanda apoiou as mãos na mesa, respirou fundo e tentou retomar o foco, mas não conseguiu. Fernanda ocupava espaço demais em sua mente. Eram novas sensações que ela não conseguia distinguir, tudo parecia um absurdo, nunca tinha sentido nada parecido, tentava nomear aquilo e só conseguia achar tudo um sentimento inconveniente e novo, porque ela sempre soube exatamente quem era, o que queria e sentia, já agora… não. Não daquela forma, não por uma mulher.
Amanda passou a mão pelos cabelos.
— Isso não faz sentido…
Mas no fundo, ela sabia que fazia.
E isso era o mais desconcertante.
Fernanda demorou alguns segundos para ligar o carro, com as mãos no volante, olhar fixo à frente, cabeça com mil pensamentos. Pra ela, Amanda não era apenas uma suspeita, não era só isso e esse era exatamente o problema.
Ela era inteligente, contida, linda e isso já estava afetando-a, de uma forma que Fernanda não estava acostumada a lidar dentro de um caso.
— Foco — murmurou.
Mas a mente voltava, para o olhar, o silêncio, a proximidade e para a dúvida que não desaparecia:
Ela é vítima ou sabe mais do que deveria?
E, talvez o que achava ainda mais perigoso:
Isso ainda importa da mesma forma?
Fernanda liga o carro e vai para seu apartamento, ao chegar, cumprimenta Bóris, seu gato estilo frajola, preto e branco que tinha uma barriga avantajada e uma preguiça descomunal, estava sempre pronto para um julgamento, uma comida fora de hora ou um afago, mas coloca ele pra caçar ou brincar, nem se mexia. Ela entra no banho e, mesmo sem querer, o pensamento não sai de Amanda — na conversa que tiveram, nos olhares, nas coisas que não foram ditas, no sentimento que parecia crescer a cada encontro. Era um incômodo novo, quase irritante para alguém tão racional quanto ela. Não sabia se Amanda era alguém que precisava proteger… ou alguém de quem precisava se proteger. E, no meio disso tudo, havia uma vontade insistente, quase incontrolável, de puxar mais um assunto, de ouvir mais uma resposta, de não deixar aquele fio entre elas se romper. Mais tarde, já noite avançada, ela não se aguentou, precisava conversar com Amanda.
Fernanda abriu a conversa. Fechou. Abriu de novo. Ficou alguns segundos encarando a tela vazia. Bóris pulou no sofá e a observou como se estivesse julgando cada decisão.
— Nem começa... — murmurou.
Respirou fundo e digitou.
Fernanda: Você sempre invade sistemas às 23h ou foi só hoje? 😏
Amanda estava deitada em sua cama, o sono não vinha, os pensamentos estavam a mil, ela houve o celular vibrar na cabeceira e sorri de lado quando visualiza o nome no visor da tela.
Amanda: Só quando estão tentando me sabotar. E você? Sempre aparece sem avisar? 😌
Fernanda: Só quando a pessoa vale o risco.
Amanda demorou alguns segundos.
Amanda: Investigadora… isso parece falta de profissionalismo.
Fernanda: Depende. Vai me denunciar? 👀
Amanda olhou para a tela, pensou e acabou respondendo:
Amanda: Ainda estou decidindo.
Três pontinhos.
Fernanda: Me avisa quando decidir. Gosto de saber quando estou em perigo.
Amanda apoiou o celular na mesa, o rumo daquela conversa estava indo por um caminho que não teria mais volta, Amanda esperou, pensou, será que estava entendendo as reais intenções da investigadora ou estava se enganando. Ela não sabia, mas estava adorando.
Fernanda: Hei, você sumiu, ainda está aí? 👀
Amanda olhou a mensagem e sorriu antes de responder.
Amanda: Desculpe, estou com a cabeça cheia.
Fernanda: Eu chamo de falta de consideração com a investigadora responsável pelo seu caso 😐
Amanda: Neste momento, me parece que a investigadora responsável está mais interessada em saber como estou
Fernanda sorri.
Fernanda: Você comeu? 🍽️
Amanda ficou alguns segundos olhando a tela.
Amanda: …
Fernanda: Amanda.
Amanda: Ta bom, talvez 🫣
Fernanda: Está não é uma resposta aceitável.
Amanda: Eu acabei de invadir um sistema sabotado, Fernanda.
Fernanda: E eu estou tentando manter você viva e funcional.
Amanda sorriu.
Amanda: Estou gostando de ver você se preocupando comigo. 😉
Alguns segundos sem resposta.
Fernanda: Eu não “me preocupo”. Eu gerencio riscos.
Amanda: Claro 😌
Fernanda: É sério
Amanda: Sei 😏
Fernanda: Mas sério, você tá gostando disso, né?
Amanda: Do quê?
Fernanda: De voltar a mexer com códigos, dados, essa coisa toda de nerd.
Amanda parou por um instante antes de digitar.
Amanda: …um pouco
Fernanda: Eu sabia 😌
Amanda: Não conta pra ninguém.
Fernanda: Segredo profissional. 🤐
Amanda: Você não tem esse tipo de sigilo na sua profissão.
Fernanda: Tenho quando me convém.
Amanda riu baixo.
Amanda: Que perigosa! 😏
Fernanda: Só com quem merece.
Pausa.
Fernanda: Amanda?
Amanda: Hm?
Fernanda: Cuidado.
O tom da conversa mudou.
Amanda: Eu sempre tenho.
Fernanda: Não. Não “sempre”. Hoje
Amanda sentou na cama e se encostou na cabeceira.
Amanda: Eu estou bem.
Fernanda: Eu sei que você diz isso
Amanda: E eu sei que você não acredita
Fernanda: É, não completamente
Silêncio confortável.
Amanda: Eu gosto disso também
Fernanda: Do quê?
Amanda: De você não acreditar em mim tão fácil
Fernanda: Eu acredito… só não confio no contexto
Amanda: Técnica
Fernanda: Sobrevivência
Mais alguns segundos.
Fernanda: Você vai demorar?
Amanda: Não sei, estou sem sono.
Fernanda: Então eu vou ficar aqui
Amanda: Me vigiando no Whats? 😂
Fernanda: Exatamente
Amanda: Isso é meio fofo 😊
Fernanda: Não se acostuma
Amanda: Tarde demais
Fernanda demorou um pouco para responder.
Fernanda: Quando for dormir, me manda mensagem.
Amanda: Vou mandar
Fernanda: Promete?
Amanda: Prometo
Fernanda: E come alguma coisa
Amanda: Você é insistente
Fernanda: E você é teimosa, deve estar acordada até esta hora porque sente fome.
Amanda: Tá bom... Temos uma combinação perigosa sabia!?
Fernanda: Funciona
Amanda ficou olhando a tela por alguns segundos antes de digitar.
Amanda: Tá bom, vou ver se como algum lanche e vou dormir. Boa noite, Fernanda!
Fernanda: Boa noite, Amanda!
Pausa.
Fernanda: Ei
Amanda: Hm?
Fernanda: Se cuida tá
Amanda respirou fundo antes de responder.
Amanda: Você também
Fernanda: Sempre
Amanda: Convencida
Fernanda: Só um pouco 😌
Amanda: Boa noite, investigadora
Fernanda: Boa noite, problema ❤️
Amanda travou por um segundo ao ver o coração.
Sorriu.
E respondeu:
Amanda: Dorme bem, então… minha investigadora.
A conversa terminou.
E, pela primeira vez naquela noite…
Amanda não estava mais sozinha.
Do lado de fora da Casa de Vidro, a poucos metros do portão principal, um carro permanecia estacionado havia mais de vinte minutos. Motor desligado. Faróis apagados e no interior escuro, apenas a luz de uma tela iluminava parcialmente um rosto impossível de identificar.
Na tela...
Imagens.
Amanda entrando na casa. Depois Fernanda entrando e mais tarde saindo. Uma mensagem foi digitada.
“Elas começaram a se aproximar.”
Segundos depois...
Enviada.
Fim do capítulo
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