Gurias,
Eu sei… esse começo tá um pouquinho intenso, cheio de tensão e mistério
Mas confiem em mim: essa história também vai ter suspiros, cenas fofas, momentos leves… e, claro, aquele romance que faz a gente sorrir igual boba pro celular.
Então não desistam de mim ainda… porque o melhor entre elas ainda está só começando.
Capitulo 2
Era madrugada, a Casa de Vidro já não tinha a música tomando conta do ambiente e sim, policiais espalhados, colhendo depoimentos dos convidados e funcionários.
Amanda Bastos não chorava, sentada na sala principal, vestida ainda com o vestido preto elegante que usara no jantar, ela mantinha a postura rígida, os olhos fixos em um ponto invisível à sua frente.
— Senhora Amanda. — disse Arminda, tentando chamar a atenção de sua patroa.
Arminda hesitou por um instante, como se avaliasse algo além do que estava diante dos olhos. Ela é a governanta da casa, uma senhora de total confiança de Amanda, que a anos trabalha para o casal e que acompanhava de perto todo o sofrimento de Amanda.
— Senhora? … — começou novamente, a voz mais baixa, quase cautelosa — a senhora precisa se recompor. Eles estão olhando… todos eles.
Amanda piscou devagar, como se a informação levasse um segundo a mais para se fixar.
— Sempre estiveram — respondeu, sem alterar o tom.
A governanta deu um passo mais próximo, inclinando-se levemente.
— Não assim. Hoje é diferente. Tem gente demais interessada no que a senhora sente… ou no que não sente.
Amanda finalmente desviou o olhar do ponto fixo e encarou Arminda.
— E desde quando isso importa?
Arminda sustentou o olhar, algo raro.
— Desde que o que parece… pode ser usado contra a senhora.
Um breve silêncio se instalou entre as duas, pesado, carregado de significados não ditos.
— Eu vi quando levaram ele — continuou Arminda, agora em um sussurro controlado — e vi também quem estava mais perto do escritório antes disso tudo acontecer.
Amanda não reagiu de imediato, mas seus dedos se moveram sutilmente sobre o tecido do vestido.
— E o que exatamente você acha que viu? — perguntou, com uma calma que beirava o cálculo.
Arminda hesitou, pela primeira vez insegura.
— Eu… não sei se devo dizer agora.
— Então não diga — cortou Amanda, voltando a postura anterior — ainda não.
A governanta respirou fundo, claramente dividida.
— Só… tenha cuidado, senhora. Essa casa… hoje, ela não está apenas sendo observada.
Amanda inclinou levemente a cabeça.
— Ela nunca esteve. A diferença é que agora… alguém errou.
Arminda franziu o cenho, sem entender completamente.
— Errou como?
Amanda levantou-se com elegância contida.
— De timing.
Arminda acenou com a cabeça concordando.
— Mas você veio para falar comigo, era este o assunto?
— Vim para avisar que o delegado deseja falar com a senhora.
— Ah sim, eu vou atende-lo. – Responde Amanda de forma apática.
O Delegado se aproxima e com uma voz neutra começa a conversar com a viúva.
— Boa noite Senhora Bastos, sou o Delegado Dias, sei que está tudo muito recente, mas precisamos que a senhora nos diga exatamente o que aconteceu esta noite.
Ela demorou alguns segundos para responder. Quando falou, sua voz era firme, mas carregada de algo difícil de definir — cansaço, talvez… ou contenção.
— Delegado, o que aconteceu foi que meu marido morreu no meio de uma reunião social que ele mesmo organizou. — Pausou — E, pelo visto, alguém aqui dentro decidiu que era o momento certo para isso.
Havia cerca de 20 pessoas na casa naquela noite, fora os funcionários do Buffet e da casa e todos eram possíveis culpados. E Amanda, naturalmente, era a principal suspeita. Esposa jovem. Casamento com um pouco mais de 5 anos. Um contrato pré-nupcial milionário. E, segundo rumores — sempre há rumores — um relacionamento longe de ser harmonioso.
— A senhora teve algum desentendimento recente com seu marido? — insistiu o delegado.
Um leve sorriso surgiu nos lábios dela.
— Delegado… meu marido era um homem que lucrava bilhões explorando dados e manipulando decisões, desentendimentos eram praticamente um estilo de vida para ele.
- Entendo, mas senhora Bastos, precisamos que a senhora colabore. A situação não é simples.
Ela o encarou, finalmente. — Eu imagino que não.
— A senhora era a pessoa mais próxima da vítima.
— Eu era a esposa dele — corrigiu, com leve ênfase. — Isso nem sempre significa proximidade.
O delegado franziu a testa.
— Havia problemas no casamento?
Amanda inclinou a cabeça, como se ponderasse o quanto dizer.
— Havia… expectativas.
— De que tipo?
Um pequeno silêncio.
— De comportamento. De imagem. De… adequação.
O delegado anotou algo, mas claramente não estava satisfeito.
— A senhora tinha motivos para desejar a morte do seu marido?
A pergunta pairou no ar, pesada, direta. Amanda sustentou o olhar dele sem vacilar.
— Delegado — disse, com calma —, se desejar fosse o suficiente… o mundo seria um lugar bem mais perigoso.
— Está certo, estarei conduzindo a investigação junto com a minha equipe, ainda vamos precisar conversar mais com a senhora, não saia da cidade e aguarde nosso contato.
— Estarei aguardando. — Disse Amanda, já direcionando o delegado para a porta de saída.
Antes que o delegado se afastasse completamente, um homem mais baixo, de olhar atento e passos contidos, aproximou-se discretamente. Trazia um bloco de anotações nas mãos, já marcado por páginas dobradas e rabiscos rápidos.
— Delegado Dias — disse ele, em tom baixo — a perícia já isolou o escritório. E… tem mais uma coisa que o senhor vai querer ver depois.
Dias assentiu, sem desviar totalmente a atenção de Amanda.
— Senhora Bastos, este é o investigador Paulinho. Ele faz parte da minha equipe.
Paulinho fez um leve aceno com a cabeça, observando Amanda com um interesse que ia além do protocolo.
— Prazer — disse ele, sem sorrir.
Amanda apenas sustentou o olhar por um segundo, antes de responder com um movimento quase imperceptível.
— Imagino que não seja um prazer para ninguém aqui.
O delegado respirou fundo, passando a mão pelo queixo.
— Minha parceira, a investigadora Fernanda, deve chegar em breve. Ela vai querer conversar com a senhora com um pouco mais de calma… revisar alguns pontos.
Amanda arqueou levemente a sobrancelha.
— Com mais calma? — repetiu — Achei que já estavam sendo bastante diretos.
Paulinho soltou um breve som pelo nariz, algo próximo de um riso contido.
— A senhora ainda não viu a Fernanda trabalhando.
O delegado lançou um olhar rápido para ele, como um aviso silencioso para medir as palavras.
— O que meu colega quis dizer — corrigiu Dias — é que seguimos protocolos diferentes conforme avançamos.
Amanda cruzou as mãos no colo, mantendo a postura intacta.
— Claro. Protocolos.
Houve um pequeno silêncio, interrompido apenas pelo som distante de rádios comunicadores e passos apressados no andar superior.
Paulinho se inclinou levemente em direção ao delegado, mas não o suficiente para que Amanda não pudesse ouvir.
— Influente desse jeito… amanhã isso aqui vai virar um circo — murmurou.
Dias respondeu, em tom igualmente baixo, mas carregado de um humor seco:
— Já virou. A diferença é que agora a gente sabe onde está o corpo.
Amanda desviou o olhar por um instante, como se aquela troca tivesse sido registrada e arquivada em algum lugar mais profundo.
— Imagino que a pressão por respostas seja… considerável — disse ela, voltando a encarar o delegado.
— A senhora não faz ideia — respondeu Dias — Pessoas como seu marido não morrem sem deixar um rastro. O problema é que, às vezes, esse rastro leva exatamente para onde alguém não quer olhar.
— Ou para onde alguém quer que vocês olhem — completou Amanda, com suavidade.
Paulinho ergueu os olhos, interessado.
— Isso é experiência falando, senhora Bastos?
Ela sustentou o olhar dele, desta vez por mais tempo.
— É observação.
O investigador fechou o bloco de notas com um gesto seco.
— Vamos manter contato.
E, ao se afastarem, ficou no ar a sensação de que aquela conversa… estava longe de ter terminado.
Amanda não aparentava desespero, muito menos implorava pela vida de Eduardo. E isso, mais do que qualquer evidência concreta… a tornava perigosa aos olhos de quem precisava de um culpado.
Fim do capítulo
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