Capitulo 19 - A Queda da Máscara
O caminho de volta para o Double Cross foi um rastro de poeira e fúria silenciosa. Cassidy mantinha as mãos tão firmes no volante da Ford Ranger que os nós de seus dedos estavam brancos. No painel, o celular de Cassidy - um modelo que Eleanor agora percebia ser avançado demais para uma "simples rancheira" - começou a vibrar incessantemente.
Uma notificação de alerta de segurança da Thompson Global brilhou na tela, seguida por um link de uma rede social de fofocas corporativas e celebridades. A manchete, acompanhada pela foto das duas em Bastrop tirada minutos atrás, era devastadora:
"O Retorno da Imperatriz: Cassidy Thompson, a magnata reclusa da Thompson Global, é flagrada em Bastrop com a estrela de cinema, a duplamente oscarizada Eleanor Wilson. Estariam os bilhões de Thompson financiando o novo filme da amante?"
Cassidy freou bruscamente na entrada do rancho, fazendo os pneus derrabarem no cascalho violentamente. Ela socou o volante, um grito de frustração escapando de sua garganta.
- Acabou - sibilou Cassidy, jogando o celular no colo de Eleanor. - Veja você mesma. O meu mundo, a minha privacidade... os problemas que tentei evitar me isolando do mundo já estão dentro da minha casa, Eleanor!
Eleanor leu a matéria, sentindo o estômago revirar. O nome "Thompson Global" saltava aos olhos, associado a números que ela mal conseguia processar.
- Bilhões, Cassidy? - Eleanor olhou para ela, a voz trêmula de choque e traição. - Você me deixou acreditar que este lugar estava afundando! Eu liguei para o meu advogado, eu me humilhei tentando te salvar enquanto você... você é dona de um império? Quem é você? A mulher que eu beijei no rio ou essa... essa figura puramente corporativa de sangue frio?
- Eu sou as duas! - Cassidy gritou, virando-se para ela, os olhos em bramas. - Eu fugi daquele mundo porque ele destrói tudo o que toca! Eu queria que você me visse, não o meu saldo bancário. Mas agora, graças aos fotógrafos e à sua vida pública, eu sou um alvo de novo. A Thompson Global vai ser novamente cercada por abutres e este rancho não é mais um refúgio seguro. É uma gaiola que vai ser exposta para o mundo todo ver!
A explosão de Cassidy foi como um soco em uma barreira física. Eleanor sentiu-se como uma peça em um tabuleiro que ela não entendia, usada por uma mulher que protegia seus segredos mais do que a verdade.
Antes que Eleanor pudesse responder à confissão furiosa de Cassidy, seu próprio celular tocou. O nome no visor era como um presságio: Julianne.
Eleanor atendeu, a voz fraca.
- Julianne...
- Oh, El, querida! - A voz de Julianne veio carregada de um prazer sádico, o som de gelo batendo em um copo de cristal audível ao fundo. - Eu vi as fotos. Que pitoresco! Você e a sua "camponesa" passeando pela cidade histórica. Mas me diga, como é a sensação de ser a última a saber?
- Do que você está falando? - Eleanor saiu do carro, tentando se afastar da presença opressora de Cassidy.
- Refiro-me à sua amiga, a Srta. Thompson. Ou devo dizer, a mulher que poderia comprar a cidade de Austin inteira e ainda ter troco para o seu divórcio? - Julianne soltou uma risada gélida. - Eu sabia que algo não encaixava. Você, a grande defensora da verdade, apaixonada por uma mentira colossal. Ela não precisa de você, Eleanor. Ela provavelmente está usando sua fama para distrair algum conselho administrativo enquanto faz mais um movimento no mercado financeiro. Está apenas se aproveitando de você, minha querida.
- Cale a boca, Julianne - Eleanor sibilou, mas as palavras da esposa encontravam eco em suas próprias suspeitas.
- Não seja ingênua, El. Você sempre odiou ser enganada. E Cassidy Thompson enganou você desde o primeiro aperto de mão. Ela deixou você sentir pena, deixou você "ajudar" para que você se sentisse superior enquanto ela ria pelas suas costas. Divirta-se na lama, querida. A poeira ai desse "lugarzinho" combina com o seu novo papel: a idiota útil do vilarejo.
Julianne desligou, deixando o silêncio do rancho ainda mais pesado. Eleanor olhou para a casa principal, depois para Cassidy, que agora estava fora do carro, observando-a com uma expressão que oscilava entre a culpa e a defensiva.
O horizonte ameaçador afinal vencera. A paz experimentada em Bastrop fora estraçalhada não por armas, mas por informações. Eleanor Wilson estava no centro de um campo de batalha entre uma esposa vingativa e uma amante poderosa demais para ser real, e pela primeira vez na vida, ela não tinha um roteiro para saber o que fazer a seguir.
Fim do capítulo
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