Entre linhas por CarolF
Capitulo 11- Algo se quebrou
Cris não respondeu a nenhuma mensagem naquela noite.
Nem no dia seguinte.
Nem na semana inteira.
Ela leu tudo. Cada notificação. Cada “a gente precisa conversar”. Cada “por favor”. Mas não respondeu. Não porque não sentia — sentia até demais — e era exatamente por isso que decidiu endurecer.
No treino seguinte, chegou atrasada. Coisa que nunca fazia.
Cabelo preso de qualquer jeito, expressão fechada, fones de ouvido no máximo ouvindo 7 Things da Miley Cyrus. Não cumprimentou ninguém, não olhou pra Dani.
E aquilo… doeu mais do que qualquer briga.
Dani percebeu na hora.
Cris não estava com raiva.
Raiva ainda é uma forma de se importar.
Aquilo era outra coisa.
Era gelo.
—
Dentro de quadra, Cris jogava diferente muito mais agressiva, muito mais individualista, não passava a bola fácil não recuava, não sorria quando fazia o gol
Cada jogada era quase um confronto.
Cada lance… uma descarga.
— Cris, joga em equipe! — gritou o treinador.
Ela nem respondeu.
Só deu de ombros e voltou para a posição.
Dani tentou se aproximar duas vezes.
Na primeira, Cris simplesmente virou as costas. Na segunda, segurou o pulso dela antes que ela pudesse falar.
— Não. — disse baixo, sem olhar. — Aqui não.
Frio, seco e duro
Dani soltou devagar, como se aquilo tivesse queimado.
—
Fora da quadra, Cris mudou ainda mais.
Parou de ir embora direto para casa.
Começou a sair depois dos treinos, aceitar convites que antes recusava, aparecer em lugares que nunca foram “a cara dela”. Ria alto, bebia mais do que devia, dançava com gente que não significava nada.
E fazia questão de não esconder.
Postava.
Marcava.
Vivia… como se estivesse sendo observada.
E talvez estivesse.
Porque Dani via tudo.
Cada story.
Cada sorriso que não era dela.
Cada mão desconhecida na cintura de Cris.
—
Numa dessas noites, alguém perguntou:
— Você está tentando esquecer alguém?
Cris riu.
Mas não foi um riso leve.
— Não. — respondeu, virando o copo. — Tô tentando parar de sentir.
—
No treino seguinte, Dani não aguentou.
Esperou Cris no estacionamento.
— A gente precisa parar com isso.
Cris colocou o capacete, ignorando.
— Isso o quê? – Diz Cris
— Esse jogo. – Diz Dani
Cris finalmente olhou.
E ali não tinha dor aparente.
O que assustava mais.
— Jogo? — ela inclinou a cabeça. — Eu não estou jogando, Dani. Você que começou isso.
— Eu estou tentando consertar.
— Não. — Cris deu um passo mais perto. — Você tá tentando não perder tudo. É diferente.
Dani engoliu seco.
— Eu terminei com ele.
Aquilo… deveria ter causado alguma reação.
Mas Cris só ficou em silêncio por um segundo.
— E? — perguntou.
Simples assim.
O rosto de Dani desmoronou.
— “E”? É só isso que você tem para dizer?
— O que você quer que eu diga? — a voz de Cris subiu, mas ainda controlada. — Que agora está tudo bem? Que você fez sua escolha e eu fiquei aqui esperando igual idiota?
— Eu não pedi para você esperar!
— Exato. — ela riu, amarga. — Você nunca pede nada. Você só… vai e acha que pode voltar quando resolve sentir alguma coisa.
Dani se aproximou, desesperada.
— Eu escolhi você.
Cris deu um passo para trás.
— Não. — disse, firme. — Você me escolheu depois de testar outra vida.
Silêncio.
Pesado.
Irreversível.
—
Dani chorava.
Mas Cris não se mexeu.
— Eu não sou mais aquela pessoa que você deixou naquela casa, Dani.
A voz dela não falhou.
— Aquela ainda te esperava, ainda acreditava em você.
Ela colocou o capacete e subiu na moto.
— Essa aqui… aprendeu.
— Aprendeu o quê? — Dani sussurrou.
Cris entrou, mas antes de fechar, respondeu:
— Que sentir demais por alguém que sente pela metade… destrói.
Cris ligou a moto e saiu acelerando forte.
Fim do capítulo
Demorei porém estou de volta, peço desculpa por esse tempo todo sem postar a continuação. Espero que vocês gostem
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