Entre linhas por CarolF
Capitulo 12- Chantagem
Dani ficou parada no estacionamento por muito tempo depois que a mot de Cris desapareceu.
O silêncio que ficou… não era vazio.
Era consequência.
—
Naquela noite, ela voltou para casa com o peito apertado, como se cada passo fosse errado. O seu quarto estava do mesmo jeito de sempre — organizado demais, previsível demais, sufocante demais.
E ele estava lá.
Sentado na sua cama.
Leandro.
— A gente precisa conversar — disse Dani, largando a bolsa sem nem tirar o sapato.
Ele se levantou devagar, já com uma expressão tensa, como se soubesse.
— Você terminou comigo por mensagem e acha que isso aqui vai ser uma conversa normal?
Ela respirou fundo.
— Eu fiz errado. Eu sei, mas eu precisava de coragem pra começar de algum jeito.
— Coragem… — ele riu, mas não tinha humor nenhum. — Coragem você teve para me expor?
Dani franziu a testa.
— Do que você está falando?
Ele pegou o celular e mostrou.
Mensagens, prints, comentários.
Gente, falando do post do noivado… e já questionando o término repentino.
E pior.
Especulações.
Sobre ela.
Sobre Cris.
O estômago de Dani afundou.
— Você… contou?
— Eu não precisei. — ele respondeu, frio. — As pessoas não são idiotas, Dani.
Ela passou a mão no rosto, nervosa.
— Eu não quero brigar. Eu só… não posso continuar com isso, não é justo com você.
— Agora você se importa com justiça?
Silêncio.
Ele se aproximou.
Mais perto do que o normal.
Mais duro.
— É ela, né?
Dani não respondeu.
E aquilo… foi resposta suficiente.
—
Leandro respirou fundo, como se estivesse tentando se controlar.
Mas não estava.
— Você vai jogar tudo fora por causa disso?
— Não é “isso” — Dani rebateu, finalmente firme. — É quem eu sou.
— Ah, agora virou isso? — ele riu, debochado. — Agora você “descobriu” quem você é?
— Eu sempre soube! — a voz dela falhou, mas saiu. — Eu só… tive medo.
Ele ficou em silêncio por um segundo.
E então mudou.
O tom.
O olhar.
Tudo.
Ficou mais baixo.
Mais perigoso.
— Você acha que isso acaba simples assim?
Dani sentiu um arrepio subir pela espinha.
— O que você quer dizer?
Ele caminhou até a mesa, pegou o próprio celular… e virou a tela para ela.
Fotos.
Vídeos curtos.
Momentos dela.
Com Cris.
No treino.
Fora.
Olhares.
Toques.
E alguns… íntimos demais para serem só “amizade”.
O sangue sumiu do rosto dela.
— Você… estava me vigiando?
— Eu estava prestando atenção. — Ele corrigiu. — Coisa que, aparentemente, só eu fazia nessa relação.
— Você não pode usar isso.
— Não posso?
Silêncio.
Pesado.
A respiração dela começou a falhar.
— Leandro…
— Imagina o time vendo isso. — ele continuou, calmo demais. — O treinador. Patrocinadores e melhor sua família tão tradicional, influente na cidade, imagina o escândalo.
Cada palavra era calculada.
— Imagina a “Cris” lidando com isso tudo.
Dani fechou os olhos.
Aquilo não era só sobre ela.
Era sobre destruir.
— O que você quer?
Ele se aproximou de novo.
Perto o suficiente para que ela sentisse o cheiro familiar… que agora só causava desconforto.
— Tempo.
— Tempo?
— Você não vai sair assim. Não agora. — ele disse, firme. — A gente mantém as aparências. Até eu decidir o que fazer com isso.
— Isso é chantagem.
— Não. — ele inclinou a cabeça. — Isso é consequência.
Dani deu um passo para trás.
— Eu não vou viver presa nisso.
— Então não vive. — ele deu de ombros. — Mas vive com o estrago depois.
Silêncio.
Ela pensou em Cris.
Na forma como ela disse: “essa aqui aprendeu.”
Pensou no time.
Na exposição.
No caos.
No medo.
Sempre o medo.
—
Quando falou, a voz saiu pequena:
— Quanto tempo?
Leandro sorriu de leve.
Vitória.
— Até eu achar suficiente.
Dani assentiu devagar.
Não porque aceitou.
Mas porque… não sabia como lutar.
Ainda.
Fim do capítulo
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