Capítulo 12

Capitulo 12- Chantagem

de Entre linhas, por CarolF

Tamanho do texto
662 palavras68 leituras0 comentários

Dani ficou parada no estacionamento por muito tempo depois que a mot de Cris desapareceu.

O silêncio que ficou… não era vazio.

Era consequência.

—

Naquela noite, ela voltou para casa com o peito apertado, como se cada passo fosse errado. O seu quarto estava do mesmo jeito de sempre — organizado demais, previsível demais, sufocante demais.

E ele estava lá.

Sentado na sua cama.

Leandro.

— A gente precisa conversar — disse Dani, largando a bolsa sem nem tirar o sapato.

Ele se levantou devagar, já com uma expressão tensa, como se soubesse.

— Você terminou comigo por mensagem e acha que isso aqui vai ser uma conversa normal?

Ela respirou fundo.

— Eu fiz errado. Eu sei,  mas eu precisava de coragem pra começar de algum jeito.

— Coragem… — ele riu, mas não tinha humor nenhum. — Coragem você teve para me expor?

Dani franziu a testa.

— Do que você está falando?

Ele pegou o celular e mostrou.

Mensagens, prints, comentários.

Gente,  falando do post do noivado… e já questionando o término repentino.

E pior.

Especulações.

Sobre ela.

Sobre Cris.

O estômago de Dani afundou.

— Você… contou?

— Eu não precisei. — ele respondeu, frio. — As pessoas não são idiotas, Dani.

Ela passou a mão no rosto, nervosa.

— Eu não quero brigar. Eu só… não posso continuar com isso, não é justo com você.

— Agora você se importa com justiça?

Silêncio.

Ele se aproximou.

Mais perto do que o normal.

Mais duro.

— É ela, né?

Dani não respondeu.

E aquilo… foi resposta suficiente.

—

Leandro respirou fundo, como se estivesse tentando se controlar.

Mas não estava.

— Você vai jogar tudo fora por causa disso?

— Não é “isso” — Dani rebateu, finalmente firme. — É quem eu sou.

— Ah, agora virou isso? — ele riu, debochado. — Agora você “descobriu” quem você é?

— Eu sempre soube! — a voz dela falhou, mas saiu. — Eu só… tive medo.

Ele ficou em silêncio por um segundo.

E então mudou.

O tom.

O olhar.

Tudo.

Ficou mais baixo.

Mais perigoso.

— Você acha que isso acaba simples assim?

Dani sentiu um arrepio subir pela espinha.

— O que você quer dizer?

Ele caminhou até a mesa, pegou o próprio celular… e virou a tela para ela.

Fotos.

Vídeos curtos.

Momentos dela.

Com Cris.

No treino.

Fora.

Olhares.

Toques.

E alguns… íntimos demais para serem só “amizade”.

O sangue sumiu do rosto dela.

— Você… estava me vigiando?

— Eu estava prestando atenção. — Ele corrigiu. — Coisa que, aparentemente, só eu fazia nessa relação.

— Você não pode usar isso.

— Não posso?

Silêncio.

Pesado.

A respiração dela começou a falhar.

— Leandro…

— Imagina o time vendo isso. — ele continuou, calmo demais. — O treinador. Patrocinadores e melhor sua família tão tradicional, influente na cidade, imagina o escândalo.

Cada palavra era calculada.

— Imagina a “Cris” lidando com isso tudo.

Dani fechou os olhos.

Aquilo não era só sobre ela.

Era sobre destruir.

— O que você quer?

Ele se aproximou de novo.

Perto o suficiente para que ela sentisse o cheiro familiar… que agora só causava desconforto.

— Tempo.

— Tempo?

— Você não vai sair assim. Não agora. — ele disse, firme. — A gente mantém as aparências. Até eu decidir o que fazer com isso.

— Isso é chantagem.

— Não. — ele inclinou a cabeça. — Isso é consequência.

Dani deu um passo para trás.

— Eu não vou viver presa nisso.

— Então não vive. — ele deu de ombros. — Mas vive com o estrago depois.

Silêncio.

Ela pensou em Cris.

Na forma como ela disse: “essa aqui aprendeu.”

Pensou no time.

Na exposição.

No caos.

No medo.

Sempre o medo.

—

Quando falou, a voz saiu pequena:

— Quanto tempo?

Leandro sorriu de leve.

Vitória.

— Até eu achar suficiente.

Dani assentiu devagar.

Não porque aceitou.

Mas porque… não sabia como lutar.

Ainda.

Fim do capítulo

Publicidade
Conversa

Comentários

0
Este capítulo ainda não recebeu comentários.
Informar violação das regras