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A Marca do Prazer por Naahdrigues

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Palavras: 5307
Acessos: 484   |  Postado em: 08/04/2026

CAPITULO 4 - REVELAÇÃO

 

No caminho até o bar, Camilla segurava a bebida com as mãos trêmulas, fingindo casualidade, mas o olhar percorria automaticamente a pista, procurando qualquer sinal de Julianne. Cada piscadela, cada sorriso ou gesto de sedução que a acompanhante lançava antes de desaparecer com Beatriz e Larissa no banheiro permanecia gravado na mente de Camilla, aumentando a tensão que já borbulhava dentro dela. Era como se estivesse presa entre o desejo e a razão, querendo se controlar, mas completamente vulnerável à atração intensa que Julianne provocava a cada toque, a cada olhar, a cada movimento sensual.

E enquanto Camilla fingia conversar com Larissa sobre o cardápio de bebidas, seu pensamento continuava apenas em Julianne: imaginando os detalhes do corpo da acompanhante, a suavidade da pele, o contorno da fênix nas costas, o calor próximo do seu corpo… e como ela queria, secretamente, que Julianne voltasse imediatamente para ela.

Enquanto Julianne caminhava de volta do banheiro com a amiga de Camilla, um homem desconhecido surgiu do nada, segurando seu braço com insistência.

— Ei, gata, que tal dançar comigo? — disse ele, sorrindo de forma presunçosa, ignorando o desconforto de Julianne.

Julianne tentou se desvencilhar, com um sorriso educado, mas firme: — Obrigada, mas não estou interessada.

O homem insistiu, rindo: — Ah, vamos lá, só uma música. Você não pode recusar!

Nesse instante, Camilla, que estava próxima no bar com Larissa, percebeu a situação. Aproximou-se rapidamente, cruzando os braços e olhando o homem com firmeza.

— Solta o braço dela agora. Ela está acompanhada, cara. — disse Camilla, a voz firme e autoritária, sem perder o controle.

O homem, surpreso com a determinação da médica, soltou o braço de Julianne imediatamente, dando um passo para trás: — Tudo bem… tudo bem, sem problemas.

Julianne, aliviada, olhou para Camilla e sussurrou: — Obrigada… eu...hã...estava tudo sob controle.

Camilla sorriu de canto de boca, inclinando-se levemente para Julianne: — Não se preocupe, eu cuido do que é meu.

Beatriz, que havia observado a cena de longe, se aproximou: — Nossa! Que confissão. — disse, rindo, percebendo a química evidente entre elas.

Julianne apenas lançou um olhar surpreso para Camilla. A médica corou levemente, mas não disse nada; com firmeza, segurou a mão de Julianne e a conduziu de volta para a área vip, deixando claro que, quando se tratava dela, ninguém se atreveria ultrapassar limites em sua frente.

Camilla, já acomodada com Julianne e as amigas na área vip, sorriu e perguntou:
— Meninas, Julianne… querem beber algo?

Beatriz respondeu animada:
— Eu topo! Um drink bem doce, daqueles que me deixam feliz só de olhar!

Larissa brincou, cruzando os braços:
— Pra mim, algo leve, tipo uma taça de vinho, nada muito forte.

Julianne desviou o olhar e esboçou um sorriso cheio de malícia:
— Acho que vou experimentar um drink diferente… algo que tenha a mesma intensidade da noite e da sua presença, Camilla.

Camilla sentiu um calafrio subir pela coluna ao ouvir o tom de Julianne e respondeu com um sorriso contido:
— Perfeito, então algo ousado pra você, vinho pra Larissa e um drink doce pra Beatriz. Vou chamar o garçom.

E assim a médica fez, pediu bebidas a todos e um drink sem álcool pra ela que não demorou a chegar.

Enquanto degustavam suas bebidas na área vip, Camilla e Julianne não conseguiam esconder a atração que sentiam uma pela outra. Os olhares se cruzavam com frequência, os sorrisos se prolongavam e cada comentário da acompanhante deixava a médica ligeiramente corada. Ao mesmo tempo, Beatriz e Larissa participavam da conversa, rindo das observações e piadas, mas também percebendo a intensidade do clima entre Camilla e Julianne.

Em um determinado momento, enquanto Camilla contava algo sobre o trabalho, Julianne inclinou-se suavemente, aproximando-se o suficiente para sussurrar ao ouvido da médica palavras provocantes, insinuando o desejo que sentia por ela. A respiração de Camilla acelerou, e Julianne, com olhar perspicaz, percebeu um leve volume na parte íntima da médica. Um brilho de curiosidade e surpresa passou pelos olhos da acompanhante, e ela mordeu os lábios discretamente, mas não comentou nada. Por um instante, se não soubesse que Camilla era mulher, pensaria que ela poderia ser homem. A tensão no ar se tornou quase palpável, carregada de desejo e expectativa silenciosa.

Foi nesse instante que uma figura familiar surgiu: a ex-namorada de Camilla entrou na área vip com ar confiante, direcionando-se diretamente para a médica. Com a ousadia típica, tentou chamar a atenção de Camilla na frente de Julianne, rindo e tocando levemente o braço da médica.

— Olá, Camilla! Quanto tempo… — disse a ex, aproximando-se com um sorriso provocativo. — Você ainda lembra de mim, não é?

Camilla desviou o olhar, constrangida, mas respondeu com educação, tentando manter a compostura:
— Oi… sim, claro. Que surpresa te ver aqui.

A ex deu um risinho, inclinando-se ligeiramente, deixando o toque no braço de Camilla mais sugestivo.
— Pensei em passar na sua casa para te ver… e quem sabe… relembrar velhos tempos? — disse, com aquele ar de ousadia que sempre a caracterizou.

Julianne, que estava ao lado de Camilla, não conseguiu conter o que sentia. Seu olhar ficou firme, penetrante, e seu corpo se posicionou de maneira protetora entre a ex e a médica.

— Acho melhor você dar espaço à Camilla — disse ela, com voz baixa, mas carregada de autoridade, cada palavra transmitindo tanto controle quanto desejo. — Ela está comprometida.

A ex parou, surpresa, percebendo que não teria chance ali. Seus olhos se arregalaram ao perceber a possessividade e intensidade no olhar de Julianne.

— Ah… entendi… — disse, tentando disfarçar o desconforto, e deu um passo atrás, levantando as mãos em gesto de rendição. — Não queria incomodar.

Camilla ficou boquiaberta, surpresa com a intensidade do gesto de Julianne. Pela primeira vez, sentiu claramente o efeito que causava nela — não apenas fisicamente, mas emocionalmente. Beatriz e Larissa, do outro lado, trocaram olhares cúmplices, entendendo o clima carregado de possessividade e atração entre as duas.

A ex-namorada, sem alternativas, afastou-se discretamente, e Julianne voltou a se aproximar de Camilla, deslizando a mão levemente sobre a coxa dela.

— Está tudo bem? — perguntou Julianne, sua voz agora mais suave, mas carregada de uma intimidade provocante.

— Sim… desculpa....por... pela situação. — respondeu Camilla, ainda corada, sentindo o coração bater acelerado.

— Sem problemas...as vezes e preciso colocar algumas pessoas no seu devido lugar... passado é passado.... -  Piscou para a médica.

O toque de Julianne foi intencional, provocativo, mas contido o suficiente para manter o flerte aberto e a tensão no limite. Camilla sentiu cada movimento, cada olhar, cada respiração próxima, completamente ciente de que aquela noite estava longe de terminar, e que a química entre elas era impossível de ignorar.

O resto da noite continuou entre dança, flertes discretos e conversas cheias de olhares carregados de desejo e curiosidade. Camilla, tímida e nervosa, ria de pequenos comentários provocativos de Julianne, enquanto a acompanhante se deliciava ao ver a médica excitada e vulnerável emocionalmente, ainda que mantivesse o controle da situação. Em um determinado momento, quando Camilla e Julianne ficaram sozinhas no sofá reservado da área vip, a tensão finalmente transbordou. Julianne tomou a iniciativa, aproximando-se de Camilla em meio aos flertes e, sem aviso, a beijou com língua, com intensidade, provocando suspiros e ofegos da médica. As mãos de Camilla não ficaram paradas; percorriam as coxas de Julianne com astúcia e agilidade, apertando firme, correspondendo ao desejo da acompanhante e aumentando ainda mais a eletricidade que pairava entre elas.

Cada beijo, cada toque, parecia dissolver a contenção de Julianne. No entanto, ao mesmo tempo que se deixava levar, ela sentia o perigo iminente de misturar sentimentos com seu trabalho, e o conflito interno crescia. O magnetismo entre elas se consolidava, inegável, uma mistura de atração, ciúmes, mal-entendidos e desejo — um jogo que ambas sabiam que estava apenas começando, mas que poderia ser perigoso para Julianne se não tivesse cuidado.

Quando a noite finalmente se aproximou do fim, Camilla se levantou para pagar a conta dela e de Julianne, enquanto Beatriz pagou a sua e a de Larissa. Ambas saíram da boate e, ao pisar na rua iluminada pelas luzes do Enigma Club, Julianne mudou abruptamente o semblante. Algo dentro dela parecia perceber que os limites daquela noite haviam sido ultrapassados, que a linha entre profissionalismo e desejo pessoal havia se esboroado.

Camilla, ainda levemente ofegante e sorridente, perguntou:
— Quer que eu te leve para casa?

Julianne negou com um gesto firme, mas discreto, preferindo pegar um táxi. Camilla estranhou a atitude, mas nada disse, mantendo-se silenciosa, embora o coração lhe apertasse de curiosidade e expectativa.

Enquanto se afastava, Julianne sentiu o peso do que havia acontecido. Cada beijo, cada toque, cada suspiro de Camilla ecoava em sua mente. Ela sabia que aquilo não era apenas desejo; era algo mais profundo, algo que ia além de qualquer cliente ou rotina de acompanhante. Seu coração, por mais que tentasse manter a racionalidade, acelerava só de pensar na médica. A intensidade do sentimento a assustava. Nunca antes tinha permitido que uma cliente a afetasse dessa forma, e agora sabia que Camilla não era apenas mais um encontro passageiro: havia conquistado algo que Julianne não podia ignorar.

Ela refletiu sobre os limites que havia quebrado naquela noite, sobre como se deixara levar pelo magnetismo da médica, e sentiu uma mistura de excitação e medo. Excitação por ter vivido aquele momento, medo de se perder emocionalmente, medo de que aquela atração pudesse interferir em sua vida profissional e pessoal. Julianne sabia que precisava manter o controle, mas, no fundo, sentia o coração implorar por mais. Pensava em cada sorriso, cada olhar tímido e cada toque de Camilla, e sabia que estava se apaixonando, mesmo que tentasse negar para si mesma.

O táxi se afastou, levando Julianne para casa, os pensamentos completamente ocupados por Camilla. Um sorriso triste surgiu em seus lábios; ela sabia que aquela noite mudara tudo, mas também que precisava decidir se o amor que começava a sentir valeria o risco de quebrar todas as regras que ela mesma impusera.

Camilla ajustou o retrovisor enquanto saía do estacionamento, respirando fundo para se acalmar. Beatriz e Larissa estavam ao lado, ambas silenciosas por um momento, ainda absorvendo a intensidade da noite.

— Então… — começou Camilla, quebrando o silêncio —… vocês viram como Julianne lidou com aquela ex minha? Não sei se fiquei aliviada ou mais confusa ainda.

Beatriz deu um sorriso de canto, olhando para a amiga atentamente. — Confusa é a palavra certa. Mas eu acho que ela quis mostrar que tem limites. Ou melhor… que os limites que existem entre vocês duas já não existem, entende? Tipo, ela não deixou ninguém chegar perto de você, mesmo sem você precisar dizer nada.

Larissa riu baixinho, olhando para Camilla pelo canto do olho. — É, e foi claro como água. A forma como ela se posicionou… não dá para fingir que foi só profissional. Acho que Julianne está mais envolvida do que admite.

Camilla desviou o olhar para o volante, sentindo um calor subir pelo corpo. — Eu sei… mas ao mesmo tempo, me deixa nervosa. Parece que quanto mais ela faz isso, mais eu quero, e eu nem sei se posso… ou devo.

Beatriz tocou de leve no braço de Camilla, sorrindo de forma encorajadora. — Ah, Cam, você não precisa se segurar tanto. Mas é óbvio que há algo ali. Ela se importa com você, mais do que qualquer cliente normal. E olha, pelo jeito que você ficou observando a reação dela… você também está sentindo isso.

Larissa completou, meio brincando, meio séria. — O problema é que vocês duas estão se envolvendo nesse joguinho de tensão, flerte e ciúmes, e ninguém quer ceder. Mas… confessa, Cam, você adorou cada segundo.

Camilla soltou um riso nervoso, quase sem jeito, apertando levemente o volante. — Adorei… mas estou tentando me controlar. Não quero me perder nesse turbilhão antes de entender o que realmente estamos fazendo.

Beatriz suspirou, divertida e compreensiva ao mesmo tempo. — Ah, Cam, o controle já foi perdido há muito tempo. A única questão agora é se você vai admitir isso para si mesma.

Após deixar Beatriz e Larissa em casa. Camilla seguia para a sua casa. Enquanto dirigia, Camilla não conseguia tirar da mente as palavras das amigas. O comentário sobre Julianne estar mais envolvida do que admitia ecoava em sua cabeça. Cada gesto da acompanhante naquela noite voltava em flashes vívidos: a forma como ela se aproximava, o toque sutil na cintura, o jeito firme de impor limites sem perder a sensualidade. Camilla percebeu que sentia falta disso no seu dia a dia, daquela presença intensa que fazia seu coração disparar, mesmo que também a deixasse nervosa.

Ela apertou levemente o volante, respirando fundo, tentando organizar os pensamentos. “Não posso me deixar levar… ainda não somos nada”, “Ela é uma acompanhante, Camilla, você só pode estar louca”, murmurou para si mesma. Mas no fundo, sabia que a verdade era outra: ela estava completamente apaixonada por Julianne. Sentia falta do contato, das provocações silenciosas, dos olhares que atravessavam a sala e diziam mais do que qualquer palavra. E quanto mais tentava racionalizar, mais a lembrança da acompanhante quando saiam a dominava.

Aquela noite para Julianne tinha sido a pior de todas, não havia dormido absolutamente nada. Quando acordou no dia seguinte, a cabeça ainda latejada. A lembrança do beijo intenso de Camilla ainda queimava em seus lábios, mas junto vinha um turbilhão de sentimentos que a deixavam inquieta. Ela não era só mais uma cliente, nunca foi... e é justamente por isso que eu preciso me afastar.

Camilla, por outro lado, passou a manhã seguinte com o coração acelerado, relembrando os olhos marejados de Julianne ao se despedirem. Havia algo errado, ela sabia, mas não conseguia decifrar o quê.

Na segunda-feira, no consultório, Camilla se pegou encarando o celular mais vezes do que deveria. Entre um paciente e outro, digitava uma mensagem, apagava, escrevia outra. Até que, no fim da tarde, respirou fundo e enviou:

Camilla: Julianne, pensei muito em ontem. Gostaria de te ver para conversarmos. Você é importante para mim.

O celular ficou em silêncio. Nenhum sinal de resposta.

Na terça, a ansiedade aumentou. Camilla tentou uma ligação no horário do almoço. Chamou, chamou, até cair na caixa postal. À noite, mais uma mensagem:

Camilla: Não quero invadir seu espaço, mas estou preocupada. Só queria saber se está bem. Aconteceu algo que te incomodou na balada?

Outra vez, nada.

Na quarta-feira, Camilla já sentia um aperto no peito que beirava o insuportável. No caminho de volta para casa, estacionou o carro em frente ao prédio e ficou olhando o celular sobre o banco do passageiro. Pegou-o com mãos trêmulas, discou novamente o número de Julianne. O som repetido dos toques ecoava como marteladas em sua cabeça. Até que, mais uma vez, caiu no silêncio da caixa postal.

Ela apoiou a testa no volante, respirando fundo. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela as conteve. Será que ela me renega por quem sou? Será que ela descobriu da minha intersexualidade? Será que já me descartou antes que eu pudesse explicar?

Enquanto isso, Julianne mantinha o celular em modo silencioso, largado sobre a mesa de cabeceira. Olhava de longe cada chamada perdida e cada mensagem que chegava, o coração apertado, mas a mente repetindo que precisava de distância. Se eu continuar, vou me perder nela... e não sei se estou pronta para isso.

Naquela sexta-feira a noite, Camilla estacionou seu carro no condomínio em que morava e subiu, a mente ainda girando com pensamentos de Julianne. Tomou um banho rápido, sentiu a água quente percorrendo seu corpo e acalmando os nervos, mas mesmo assim, não conseguiu se livrar das lembranças da acompanhante. Vestida com um pijama confortável, se jogou na cama, deixando o corpo descansar, mas a mente não parava. Os dias foram se passando vagarosamente, e Camilla tentou entrar em contato com Julianne para outro encontro, mas não obteve respostas — nenhuma mensagem, nenhuma ligação. A sensação de que estava sendo completamente evitada começou a pesar.

Enquanto isso, Julianne havia acabado de voltar de mais um encontro com um cliente extremamente grosseiro e desagradável. Jogou-se na cama, exausta, e pegou o celular. As mensagens não lidas de Camilla brilhavam na tela, formando um nó no estômago da acompanhante. Por um instante, quis responder, aliviar a própria culpa por tanto silêncio, mas respirou fundo e, com um suspiro pesado, colocou o aparelho de lado. Um soluço escapou, alto o suficiente para ser ouvido pela irmã no quarto ao lado. Luísa hesitou em interromper; sabia que Juh estava sofrendo por alguém, mas não sabia como abordar o assunto.

A decisão de Julianne estava tomada: precisava criar distância de Camilla. A saudade queimava, mas a segurança emocional e a preservação de sua própria integridade eram prioridade. Sozinha no quarto, deixou-se envolver em pensamentos, refletindo sobre cada sentimento. A paixão era inevitável, intensa e avassaladora, mas o autocontrole seria sua arma. Afastar-se de Camilla era a única forma de proteger ambos — preservar a médica que, sem perceber, ocupava cada recanto de sua mente e manter a própria profissionalidade intacta.

Então, em um sábado à noite, depois de muita insistência de Beatriz para que Camilla tentasse esquecer Julianne, a amiga praticamente a obrigou a sair com outra acompanhante. O destino, no entanto, parecia pregar peças hilárias. Camilla, naquele mesmo dia, encontrava-se em um restaurante japonês com Sofia, a nova acompanhante, rindo e conversando animadamente enquanto aguardavam os pratos. Mas, por coincidência do destino, Julianne estava sentada algumas mesas próximas com um cliente. Ao perceber a presença da morena, Camilla sentiu um desconforto imediato, uma pontada de ciúmes que se manifestava em pequenos sinais — um olhar mais atento, mãos inquietas, leve tensão nos ombros.

— Camilla, você tá estranha… — disse Sofia, arqueando a sobrancelha.

Camilla suspirou e, sem tirar os olhos de Julianne, explicou:

— Não é nada… só vi alguém. — disse, apontando discretamente para a acompanhante famosa que mexia com seu coração, mas que nunca tinham tido a chance de passar do beijo. — Ela tá ali, com outra pessoa e, e… não sei, me deixa meio… nervosa.

Sofia, sorrio e olhou na direção da mesa em que Julianne estava, ficou impressionada com a beleza da outra acompanhante.

 — Ah! Agora percebi por que você ficou assim nesse estado. Ela é linda. Você tem bom gosto. — exclamou Sofia, intrigada. — Uau, você tá nervosa, né?

Camilla desviou o olhar, tentando aparentar naturalidade, mas a tensão só aumentava. Com o passar do tempo, Julianne percebeu a presença de Camilla e de Sofia, e seus olhos se encontraram várias vezes, carregados de desejo, saudade, tensão e mágoa reprimidas, uma eletricidade que nenhuma delas conseguia ignorar.

 Em um determinado momento, Camilla se levantou para ir ao banheiro, a ansiedade e o ciúme visíveis em cada gesto. Julianne, incapaz de ignorar, se levantou discretamente e seguiu a médica. Quando Camilla estava quase entrando na cabine, Julianne a segurou suavemente pelo braço.

— Camilla… — sussurrou, com o perfume envolvendo a médica — podemos conversar um instante?

Camilla virou-se, surpresa, mesclando frustração e desejo no olhar.

— O que você quer aqui? — perguntou, a voz carregada de ciúmes e desafio.

 Julianne aproximou-se ainda mais, mantendo o contato visual intenso e provocativo. — Queria apenas… ver você, tentar explicar. — disse, com um meio sorriso sedutor.

Camilla respirou fundo, tentando se controlar, mas a tensão venceu. Julianne, percebendo que a médica tentava ser fria, deslizou a mão suavemente pelo rosto de Camilla, aproximando-se até que seus lábios se encontrassem em um beijo intenso, cheio de emoção, quebrando momentaneamente qualquer barreira ou resistência.

O beijo durou alguns segundos, carregado de tudo que não haviam permitido até então, antes que ambas se afastassem levemente, ofegantes, com os olhares ainda grudados, conscientes de que aquele encontro inesperado poderia mudar tudo. Julianne, com o coração acelerado, sentiu ciúmes de Camilla estar com outra mulher, enquanto a médica, ainda surpresa e sem acreditar no que acabara de acontecer, deixou-se levar pela intensidade do momento, completamente atordoada.

Camilla se desvencilhou e empurrou a porta do banheiro com força, ainda surpresa e visivelmente brava por Julianne estar ali, seguindo-a. Fechou a porta atrás de si e encarou a acompanhante, cruzando os braços.

— Julianne… sério? — começou Camilla, a voz carregada de irritação e incredulidade. — Você me ignora por dias, nem responde minhas mensagens, nem atende minhas ligações, e agora aparece aqui, atrás de mim, como se nada tivesse acontecido? — Ela respirou fundo, tentando controlar a mistura de raiva e desejo que borbulhava dentro dela.

Julianne ficou alguns segundos em silêncio, observando Camilla com olhos intensos, médio a mulher de cima a baixo notando um certo volume na intimidade dela, a proximidade tornando o ar pesado. — Camilla… eu… — começou, a voz baixa, quase um sussurro. — Eu precisava me afastar. Não foi fácil, mas… não podia misturar as coisas. Você não entende o quanto tentei me controlar.

— Tentar se controlar? — retrucou Camilla, os olhos faiscando, uma ponta de ciúmes evidente. — Você só sumiu! Não me deu explicação alguma! E agora me persegue pelo banheiro enquanto o seu acompanhante espera sentado na mesa? — A médica respirava fundo, o coração batendo acelerado, sentindo a própria vulnerabilidade à flor da pele.

Julianne deu um passo à frente, reduzindo a distância entre elas. — Eu sei… — disse, a voz carregada de emoção e um toque provocativo. — Eu sei que te magoei… Eu também estou me magoando com esse afastamento. Mas estar aqui agora, vendo você assim, perto de mim, me faz perceber que não consigo te ignorar.

Camilla desviou o olhar por um instante, lutando contra a mistura de raiva e desejo que crescia. Então, de repente, seu tom mudou levemente, tornando-se mais firme, baixo e autoritário, quase sussurrando um comando velado:

— Então, se vai ficar aqui, Julianne… fique onde eu puder te alcançar. — A frase carregava uma autoridade silenciosa, um fio de provocação que fez o corpo da acompanhante reagir imediatamente. Julianne sentiu um arrepio percorrer a espinha, misturando surpresa, tesão e uma admiração contida pelo controle que Camilla assumia de forma natural.

— O que… — começou Julianne, engasgada com o efeito inesperado daquela frase, sem conseguir disfarçar a excitação que subia — mas não terminou a frase, porque Camilla deu um passo à frente, aproximando-se mais, diminuindo qualquer espaço entre elas.

— Eu disse… fique onde eu possa te alcançar. — repetiu Camilla, desta vez a voz mais baixa, mais intensa, como se cada palavra carregasse um comando silencioso, dominador. — E não ouse sair até eu permitir.

Julianne engoliu em seco, o coração acelerado, os olhos fixos nos de Camilla, sentindo um calor estranho misturado a tensão, desejo e respeito. A mistura de raiva, ciúmes e poder que emanava da médica a deixava vulnerável, mas ao mesmo tempo com uma atração impossível de controlar.

— E você quer que eu acredite nisso, depois de tudo? — murmurou Camilla, respirando fundo, os lábios entreabertos, a mão deslizando levemente pelo braço de Julianne, sem tocá-la demais, apenas o suficiente para marcar território, para deixar o recado implícito. — Que você não vai fugir de mim novamente?

Julianne sentiu o impacto daquelas palavras, misturando medo, tesão e fascínio. Nunca havia experimentado alguém que comandasse tão sutilmente, que insinuasse tanto poder, sem perder a sensualidade e o mistério. Cada gesto, cada olhar de Camilla parecia envolver Julianne em um jogo silencioso de dominação, despertando algo primitivo e intenso dentro dela.

— Eu... eu... não irei. Não consigo. — Julianne tentou tocar no rosto de Camilla.

Mas a médica interceptou o gesto, segurando o pulso da acompanhante com firmeza, sem machucar, apenas impondo limites. Um simples toque que dizia mais do que mil palavras.

Camilla inclinou o rosto, os olhos faiscando, e sua voz saiu grave, autoritária, irresistivelmente sedutora:

— Não estou brincando, Julianne. Fique aqui… e só se mexa quando eu disser.

O tom firme reverberou no corpo da acompanhante como uma ordem impossível de desobedecer. Julianne estremeceu, sentindo o coração acelerar, a respiração falhar e o corpo responder de imediato. Ela não estava apenas excitada — estava rendida.

Camilla aproveitou o silêncio que dominava o banheiro e encostou Julianne contra a parede fria. Segurou-lhe os punhos e ergueu-os acima da cabeça, prendendo-os ali com a força calculada de quem sabe exatamente o que está fazendo. O corpo de Julianne ficou vulnerável, exposto, e essa vulnerabilidade a incendiava de dentro para fora.

Camilla inclinou-se, o rosto roçando na lateral do pescoço da acompanhante. Inspirou fundo, aspirando o perfume misturado ao cheiro natural da pele de Julianne, embriagando-se. Então, sem pressa, deixou os lábios tocarem a pele sensível, distribuindo beijos molhados e algumas ch*padas discretas, calculadas para não deixar marcas visíveis, mas intensas o suficiente para arrancar um suspiro contido da acompanhante.

— C-Camilla… — Julianne gem*u baixinho, a voz falhando, pedindo e temendo ao mesmo tempo.

Camilla sorriu contra sua pele, satisfeita com a reação. Seus quadris se aproximaram, e num movimento lento, ela encaixou sua coxa entre as pernas de Julianne, pressionando sua intimidade de forma firme, calculada. Ao mesmo tempo, deixou seu próprio corpo colar-se ainda mais, de modo que Julianne sentisse, mesmo por baixo das roupas, o volume rígido e pulsante que Camilla escondia.

O choque da descoberta atravessou Julianne como um raio. Seus olhos se arregalaram, o corpo inteiro se retesou. Podia sentir, sem margem para dúvidas, a ereç*o de Camilla pressionando contra sua coxa. O coração da acompanhante disparou, a mente em turbilhão — surpresa, desejo, choque e fascínio se misturavam em uma torrente impossível de conter.

Camilla percebeu a reação e não recuou. Pelo contrário, intensificou a pressão de sua coxa contra a intimidade de Julianne, fazendo-a arfar, enquanto os próprios quadris se moviam devagar, roçando, impondo um ritmo torturante.

— Você sente isso? — murmurou Camilla em seu ouvido, a voz baixa, carregada de poder e promessa. — Essa é a parte de mim que ninguém nunca conheceu… e agora é toda sua se desejar senti-lo pulsar dentro de você.

Julianne mordeu o lábio, a respiração entrecortada, os olhos fechados pela intensidade do momento. Estava entregue, cada parte de seu corpo respondendo ao comando sutil de Camilla. Pela primeira vez em muito tempo, não era ela quem conduzia — estava sendo conduzida.

E isso a assustava profundamente. Mas, ao mesmo tempo, a excitava de um jeito devastador.

Camilla mordeu o lóbulo de sua orelha e sussurrou, em um tom que oscilava entre ameaça e sedução:
— Vo… você… — sua voz quase falhou pelo desejo, mas retomou o controle — tem exatamente uma semana para decidir se quer continuar se encontrando comigo, Julianne. — Seus olhos penetraram os da acompanhante com firmeza. — Aguarde minha próxima ligação. Se você não atender, saberei que é um não.

Deu uma pausa carregada de silêncio e poder, antes de concluir, num sussurro possessivo:
— Agora volte para o seu encontro. Mas espero que não permita que aquele homem desfrute do seu corpo esta noite.

Julianne respirava com dificuldade, tentando recompor a postura, mas não deixou de notar o volume marcado na roupa elegante de Camilla. Era impossível ignorar. Antes de dar o primeiro passo para sair, virou-se, a voz trêmula, carregada de uma súplica inesperada:

— Não… não trans* com aquela mulher.

Camilla sorriu de canto, um sorriso irônico, quase cruel, que deixava evidente quem detinha o controle naquele momento. Permaneceu no banheiro, apoiada na porta, sentindo a excitação que queimava em seu corpo. Precisava se recompor, precisava "brochar" de algum jeito antes de voltar para a mesa onde Sofia a aguardava — porque, naquele instante, a médica elegante e tímida estava completamente dominada pela sua outra face: a dominadora que Julianne, sem perceber, havia libertado.

Camilla ajeitou o vestido discretamente ao sair do banheiro, recuperando a compostura enquanto caminhava de volta ao salão elegante do restaurante Fasano, como se nada tivesse acontecido. O coração ainda acelerado pelo que ousara fazer com Julianne ali dentro, mas o olhar firme e calculado já estava de volta ao rosto.

Na mesa, Sofia, a acompanhante contratada para acompanhá-la naquela noite, a recebeu com um sorriso dócil. Camilla retribuiu, forçando uma serenidade que escondia a intensidade do instante anterior.

— Demorei um pouco, mas já voltei — disse ela, com naturalidade, puxando a cadeira e retomando sua taça de vinho, como se tivesse ido apenas retocar o batom.

Sofia, ingênua ao que acontecera, apenas respondeu com leveza:
— Imagina, querida… eu estava só admirando a música. Esse pianista é realmente incrível.

Camilla sorriu e assentiu, escondendo atrás do gesto educado o turbilhão de sensações que carregava. Seus olhos, entretanto, não resistiram a um breve desvio.

Do outro lado do salão, Julianne já havia retornado à sua própria mesa. O cliente com quem estava aguardava sua volta, distraído com o cardápio e uma taça de champanhe. Ela, por sua vez, se esforçava para recompor a expressão impecável de acompanhante de luxo. Sorria, dizia frases ensaiadas, mas seus olhos denunciavam um brilho estranho, quase confuso.

Nunca — jamais — imaginara que Camilla escondesse aquele lado dominador, quase selvagem, que lhe arrancara o fôlego no banheiro. A médica, que sempre lhe parecera racional, meiga, doce e tímida agora se revelava alguém capaz de ousar em pleno restaurante sofisticado, de invadir suas defesas com uma intensidade desconcertante.

Julianne respirou fundo, mantendo o sorriso elegante para o cliente que lhe fazia uma pergunta qualquer sobre vinhos. A mente, porém, estava distante, repetindo em flashes a cena de minutos atrás. Tentava fingir normalidade, mas por dentro estava abalada não de medo, e sim de algo mais perigoso: desejo.

Camilla, do outro lado, ergueu a taça de vinho num brinde discreto com Sofia. Sua boca se curvou em um meio sorriso enigmático, como se guardasse um segredo que ninguém naquela sala poderia imaginar. Mas ela sabia: Julianne sentira. E essa era a marca que Camilla queria deixar.

Após aquela noite no restaurante as coisas começaram a mudar.

Camilla nunca havia contado a ninguém, nem mesmo aos seus amigos mais próximos, sobre os seus desejos mais íntimos. O mundo via uma médica respeitada, de fala doce, sorriso tímido e olhar que transmitia paz, mas dentro dela havia um lado escondido, abafado por anos, que pedia espaço o da mulher que sonhava em dominar, conduzir, controlar em quatro paredes. Uma sadomasoquista refinada, discreta, que aprendeu a esconder seus anseios de todos.

Desde a primeira noite em que saiu com Julianne, algo dentro de Camilla despertou com uma força que ela não estava preparada. Não era apenas desejo físico — era como se Julianne fosse a chave para abrir a porta de um quarto trancado dentro dela. Cada sorriso malicioso da acompanhante, cada provocação velada, fazia Camilla pensar em como seria tomar o controle daquela mulher confiante, invertendo os papéis.

Foi aos poucos que ela começou a se permitir. Primeiro, comprou um par de algemas discretas, de couro fino, guardando em uma caixa trancada no closet. Depois, uma venda de seda preta. Mais tarde, um chicote elegante, feito artesanalmente. Cada compra parecia um segredo quase criminoso, mas também uma forma de libertação.

No início, Camilla não tinha a intenção real de usar nada com Julianne. Parte dela acreditava que, se algum dia Julianne descobrisse não apenas sua condição intersexual, mas também esse lado sadomasoquista, fugiria sem olhar para trás. O risco de rejeição era enorme — e o medo, paralisante. Mas ainda assim, ela continuava comprando, como se preparasse para um futuro incerto, alimentando uma esperança silenciosa.

E Julianne não ajudava muito os extintos de Camilla nos encontros que elas tinham. E Camilla aos poucos perdia o controle que tinha imposto antes de conhecer Julianne.

 

 

 

Fim do capítulo

Notas finais:

 

 

 

 

Olá pessoal

 

Desculpem não ter postado ontem o capítulo, estava resolvendo uns problemas.

 

Boa leitura a todos, até breve!


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Comentários para 4 - CAPITULO 4 - REVELAÇÃO :
HelOliveira
HelOliveira

Em: 08/04/2026

Tá muito interessante, vamos quando Camila vai tomar coragem 


Naahdrigues

Naahdrigues Em: 17/04/2026 Autora da história
Elas duas são um encanto né?


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