CAPITULO 3 - ALÉM DO JANTAR
No restaurante, uma iluminação aconchegante e música ambiente criavam o clima perfeito. Camilla chegou primeiro e pediu uma taça de vinho para esperar. Sentou-se à mesa reservada, mas a cada minuto que passava sentia o nervosismo aumentar. Mexia discretamente no guardanapo, ajeitava a postura, olhava para a porta.
E então, ela apareceu.
Julianne entrou no salão como se o lugar tivesse sido preparado para ela. O vestido longo de cetim marfim caía como água sobre o corpo, e as costas completamente nuas deixando a tatuagem de Fênix visível aos olhos de quem quisesse admirar, sustentadas apenas pelas finas alças de pérolas, arrancaram olhares imediatos de praticamente todos no restaurante. O cabelo solto caía em ondas, e o batom vinho criava um contraste perfeito com a pele clara. A cada passo, parecia haver um controle preciso, uma dança silenciosa de sedução.
Camilla sentiu a boca secar e desviou o olhar por um instante, tentando disfarçar o impacto que aquela visão lhe causava. Mas era impossível não acompanhar cada movimento até Julianne parar diante da mesa.
— Espero que não tenha esperado muito… — disse Julianne, inclinando-se para beijar o rosto de Camilla, deixando o perfume doce e intenso pairando no ar.
— N-não… cheguei há pouco — respondeu Camilla, com um leve rubor que a entregava. — Você… está linda.
Julianne sorriu, sentando-se com calma, os olhos fixos nela.
— Obrigada. Mas acho que quem vai chamar atenção aqui hoje é você. Azul bebê nunca ficou tão elegante… — disse, o tom de voz baixo, quase íntimo. — Você me deixa nervosa com tanta beleza.
Camilla riu, desviando o olhar para a taça.
— Nervosa? Eu é que estou tentando manter a compostura. Você entrou e… — ela parou, buscando as palavras. — É impossível não olhar.
Julianne se aproximou levemente sobre a mesa, o olhar preso ao dela.
— Eu quero que você olhe. Quero que repare. Quero… que pense no que poderia fazer comigo depois daqui caso quisesse.
Camilla mordeu o lábio discretamente, o coração acelerando.
— Você gosta de me provocar, né?
— Gosto de conquistar, doutora… e acho que estou indo bem — respondeu Julianne, inclinando o rosto com um sorriso que misturava malícia e carinho.
O garçom chegou, interrompendo por alguns instantes a atmosfera carregada entre elas. Fizeram os pedidos, mas mesmo enquanto ele anotava, os olhares não se desviavam. Era como se a conversa silenciosa entre elas fosse mais intensa que qualquer palavra dita.
Quando ele se afastou, Camilla falou num tom mais baixo:
— Você realmente sabe como me desconcertar.
Julianne apoiou o cotovelo na mesa e levou o queixo à mão, observando-a.
— E você, Camilla… sabe como me fazer querer ficar mais tempo que deveria.
A médica não respondeu de imediato, apenas sorriu, sentindo que aquela noite tinha um peso diferente. Não era só mais um jantar. Era um jogo perigoso, feito de olhares, gestos sutis e palavras que carregavam muito mais do que pareciam.
O jantar seguiu com uma leveza surpreendente. Entre goles de vinho e pratos bem elaborados, o tempo parecia desacelerar. Julianne, acostumada a conversas ensaiadas e superficiais com clientes, se pegou genuinamente interessada nas histórias de Camilla. A médica, mesmo com seu jeito mais contido, tinha um humor inteligente e observações que despertavam a curiosidade da acompanhante.
Julianne se inclinava levemente sobre a mesa a cada vez que queria ouvir melhor, deixando o perfume adocicado invadir o espaço entre elas. Soltava comentários sugestivos, com um sorriso malicioso no canto da boca, testando até onde a timidez de Camilla aguentaria.
— Sabe, doutora… acho que já descobri uma coisa sobre você. — disse Julianne, mexendo devagar no talher.
— É mesmo? — Camilla arqueou uma sobrancelha.
— Você tenta parecer séria e controlada, mas seus olhos… entregam tudo.
Camilla riu, tentando disfarçar o leve rubor.
— Você vê o que quer ver.
— Eu vejo o que me interessa — rebateu Julianne, com a segurança de quem sabia exatamente o efeito que causava.
Quando terminaram a sobremesa, o clima estava ainda mais carregado. Não havia pressa. Apenas aquela tensão elétrica que se acumulava nos silêncios entre as palavras.
No estacionamento, o ar fresco da noite contrastava com o calor que parecia emanar das duas. Camilla caminhava ao lado de Julianne, sentindo o som suave do tecido do vestido da acompanhante roçar a cada passo. Pararam ao lado do carro da médica, e por um momento apenas se olharam.
Julianne, sem pedir permissão, deu um passo à frente, reduzindo o espaço entre elas. Sua mão subiu até tocar levemente o maxilar de Camilla, obrigando-a a manter o olhar preso ao seu.
— Você realmente vai me deixar ir embora assim? — perguntou, a voz baixa, quase um sussurro.
Camilla hesitou, mas não respondeu. O silêncio foi a deixa que Julianne precisava para se inclinar e encurtar a distância. Não chegou a beijá-la de imediato — apenas deixou os lábios roçarem de leve, numa provocação lenta, antes de finalmente pressioná-los com intensidade.
Foi um beijo firme, carregado de tudo que não tinham dito durante o jantar. Quando se afastou, Julianne estava com aquele meio sorriso satisfeito nos lábios.
— Boa noite, doutora… — disse, com o olhar preso no dela antes de se virar e entrar no táxi que já a aguardava.
Camilla ficou parada por alguns segundos, respirando fundo, tentando recobrar o controle antes de entrar no carro e seguir para o próprio apartamento. Mas sabia que dormir naquela noite seria impossível.
No táxi, Julianne recostou a cabeça no banco, mas o corpo ainda pulsava com a energia do beijo que havia dado em Camilla. Era como se os lábios da médica ainda estivessem colados aos seus. Apertou as próprias pernas, tentando se recompor. Ela não podia estar sentindo aquilo. Não podia. Clientes eram clientes, sempre. Regras que mantinham sua vida em ordem, que a impediam de se perder. Mas com Camilla tudo parecia diferente, como se cada barreira que havia construído cuidadosamente nos últimos anos começasse a ruir em silêncio.
Era absurdo, pensou. Como alguém que sempre teve o controle da sedução, da situação, do jogo, podia agora sentir o coração acelerar por uma cliente que nem sequer havia levado para a cama? Apertou o punho discretamente, frustrada. O encanto que Camilla lhe causava era perigoso demais. E ainda assim, irresistível.
Do outro lado da cidade, Camilla estacionava em frente ao próprio prédio. O volante ainda firme em suas mãos, como se dirigir até ali tivesse sido um ato automático. O beijo no estacionamento voltava em flashes, deixando seu corpo quente, a respiração curta. Havia algo em Julianne que a desarmava, algo que nenhuma outra pessoa havia conseguido.
Deixou escapar um suspiro e apoiou a testa no volante. Era médica, treinada para lidar com diagnósticos difíceis, para controlar emoções em meio ao caos. Mas ali, sozinha dentro do carro, sentia-se completamente vulnerável. O coração pedia mais, o corpo ansiava por mais. E, ao mesmo tempo, havia o medo de atravessar uma linha que poderia mudar tudo.
Enquanto subia para o apartamento, Camilla refletia no quanto aquele jantar, aparentemente simples, havia mudado a dinâmica entre elas. Agora, não se tratava mais apenas de encontros triviais. Existia algo crescendo, denso, inevitável. Algo que, no fundo, ela não sabia se conseguiria — ou sequer se queria — controlar.
Já na cama, rolando de um lado para o outro, Camilla sabia que o sono não viria. Fechava os olhos e revivia a cena, a mão de Julianne firme em seu rosto, a provocação de seus lábios, o sorriso malicioso ao se despedir. Sentiu um arrepio percorrer seu corpo inteiro. Desejo, curiosidade, um fio de medo. Tudo misturado em uma tensão que a deixava inquieta.
Enquanto isso, Julianne, no próprio quarto, não conseguia se desfazer do incômodo da situação. Tirou o salto, deitou-se sem nem se trocar, e encarou o teto. O beijo tinha sido mais do que deveria. Mais do que profissional. Havia entregue parte de si, e isso a apavorava.
Com Camilla, as regras não estavam funcionando. E para uma acompanhante de luxo, isso significava caminhar por uma linha perigosa demais.
No silêncio da madrugada, cada uma em sua cama, sabiam a mesma coisa: aquela noite tinha mudado tudo.
O sol da manhã entrava timidamente pelas frestas da cortina do quarto de Camilla. Ela despertou com o corpo ainda cansado, mas algo logo chamou sua atenção: a ereç*o matinal evidente, um lembrete silencioso de seu p*nis, que despertava mesmo sem nenhum estímulo consciente. Por alguns instantes, ficou ali deitada, o corpo aquecido e os pensamentos inevitavelmente voltados para Julianne. Lembrou-se do toque, do perfume, do calor da morena tão próximo. Um arrepio percorreu sua espinha e ela respirou fundo, tentando se recompor antes de levantar-se.
Julianne já estava de pé. Luísa, a irmã caçula de 17 anos, precisava ser levada à escola, e enquanto preparava o café da manhã e ajudava a menina a se arrumar, sua mente se perdia em Camilla. Cada detalhe da médica ainda estava gravado na memória: o sorriso tímido, a forma como se movia, como segurava o guardanapo, a voz levemente trêmula quando falava. O coração da acompanhante apertava a cada lembrança, mas ela se obrigava a pensar na rotina, no trabalho, na faculdade. Ainda assim, o desejo e a ansiedade não a deixavam em paz.
Camilla, já no hospital, iniciava seu plantão. Entre cirurgias, atendimento de pacientes e burocracias do dia a dia, a mente da médica constantemente escapava para Julianne. Um comentário de um colega, um gesto de algum paciente, tudo era rapidamente ofuscado pelos pensamentos de como a morena tinha se aproximado dela, como o beijo intenso do outro dia ainda pulsava em sua memória. Tentava se concentrar, mas seu corpo reagia involuntariamente, lembrando da presença de Julianne de maneiras que ela não sabia lidar completamente.
Enquanto isso, Julianne terminava seu estágio e logo se preparava para mais um encontro de trabalho. Hoje o cliente era um homem mais velho, de 60 anos, alguém que já conhecia o ritmo das coisas e esperava a profissionalidade da acompanhante. No motel, a situação se repetiu: a sedução, a técnica, o corpo em movimento. Mas algo estava diferente. Julianne estava distante, mecânica em seus gestos. O corpo obedecia, mas a mente estava em outro lugar.
Enquanto entregava prazer ao cliente, seu pensamento se prendia à imagem de Camilla, à sensação do beijo no carro, ao perfume que ainda sentia impregnado na própria pele. Sentia culpa, confusão e desejo simultaneamente. Cada toque do cliente parecia menor, sem a intensidade que só Camilla despertava nela mesmo sem terem trans*do. Mesmo quando o homem chegava ao clímax, Julianne estava apenas no automático, distante, como se o corpo estivesse ali, mas a alma em outro lugar.
Após o ato, enquanto se afastava e tomava banho, o choque da própria consciência a atingia: não era apenas atração. Era amor. Um sentimento que ela não podia permitir naquele momento, mas que não conseguia controlar. Julianne se vestiu rapidamente, deixando o cliente descansando, e saiu do motel com o coração pesado, consciente de que aquela paixão, mesmo proibida, já estava tomando o controle de suas decisões.
Enquanto dirigia de volta para casa, a noite começava a cair. A cidade passava em borrões de luzes, mas Julianne não via nada. Pensava apenas em Camilla, em cada gesto, cada olhar, e em como aquela mulher havia invadido sua vida de forma inesperada e intensa.
Camilla estava sentada na cantina do hospital, segurando uma bandeja com um lanche rápido, enquanto Beatriz mexia distraidamente no celular. O ambiente estava cheio de enfermeiros e médicos passando apressados, mas para Camilla, naquele momento, parecia que o mundo havia parado.
— Então… você não vai acreditar no que aconteceu ontem — começou Camilla, mastigando devagar para ganhar tempo e organizar as palavras.
Beatriz arqueou uma sobrancelha, um sorriso malicioso surgindo no canto da boca.
— Hum… conta logo, Camilla. Não me faça esperar.
— Julianne… — disse Camilla, olhando ao redor antes de baixar a voz — ela me beijou depois do jantar. E não foi um beijo qualquer, Bea. Sério… ela estava uma deusa naquele vestido… sexy, elegante, provocante… — Camilla balançou a mão como se quisesse transmitir a intensidade do momento.
Beatriz não se conteve e riu baixinho, sem disfarçar a curiosidade.
— E aí, quando é que você vai trans*r com a criatura? Está esperando convite? — disse, sem rodeios, olhando para Camilla com aquele jeito de quem sabia que ia arrancar uma confissão.
Camilla engoliu seco, corando, e rebateu com um sorriso nervoso:
— Bea… você podia ser um pouco menos direta. Eu nem sei se isso vai acontecer. Não sei sequer se Julianne já saiu com uma mulher intersexual antes… — fez uma pausa, mordendo o lábio inferior — ela poderia me achar uma aberração.
Beatriz riu novamente, inclinando-se sobre a mesa e batendo levemente no ombro de Camilla.
— Camilla… se tem uma coisa que eu sei é que essa mulher não faz nada pela metade. Ela foi muito bem elogiada por minhas fontes seguras. Ela é discreta e respeitosa. Jamais iria pensar isso de você. Mas ok, eu respeito o mistério que você ainda quer fazer com ela… por enquanto.
Camilla suspirou, olhando para o prato quase intocado. O coração ainda disparava só de lembrar do beijo de Julianne, da sensação do perfume dela, da proximidade, do toque… e, mesmo assim, a dúvida e o receio de ser rejeitada por sua condição intersexual permaneciam ali, pesando na mente da médica.
— E agora, Bea… o que eu faço? — perguntou Camilla, quase sussurrando, sabendo que não havia respostas fáceis.
Beatriz apenas sorriu, aquela mistura de provocação e cumplicidade nos olhos.
— Agora? Você chega na mulher e dá a real pra ela e ver no que vai dar. Dúvido muito que ela não vai querer rebol*r nesse teu pau.
Camilla arregalou os olhos, olhou de um lado para o outro e repreendeu a amiga.
- Beatriz! Tenha modos.
A mulher apenas gargalhou não dando importância para a médica.
Depois do lanche na cantina, Camilla e Beatriz guardaram as bandejas e voltaram para os corredores do hospital, calçadas rangendo levemente contra o piso frio. O clima entre elas ainda carregava o rastro da conversa — risadinhas contidas, olhares cúmplices e, no caso de Camilla, pensamentos insistentes sobre Julianne.
— Pronta para mais um turno? — perguntou Beatriz, puxando Camilla pelo braço de forma leve, quase brincando.
— Sempre… — respondeu Camilla, com um sorriso cansado, mas os olhos brilhando de um jeito que só Bea conseguia perceber. — Mas acho que minha cabeça vai precisar de umas pausas estratégicas para não pensar naquela morena.
Beatriz apenas riu, desviando rapidamente para atender um chamado no corredor. Camilla respirou fundo, tentando focar nos plantões, nas tarefas, nas emergências e nos relatórios que se acumulavam. Ainda assim, a lembrança do beijo, do perfume e do toque de Julianne surgia a cada momento de silêncio.
O turno passou entre atendimentos, cirurgias de emergência, trocas de plantão e cafés rápidos. Camilla e Beatriz revezavam-se entre atender pacientes e acompanhar procedimentos, mantendo o ritmo acelerado que o hospital exigia. Quando finalmente o relógio marcou o final do plantão, as duas estavam exaustas, mas satisfeitas com o trabalho bem-feito.
— Conseguimos sobreviver a mais um dia, doutora — disse Beatriz, jogando a máscara no bolso da bata e rindo.
— Sobrevivemos… e de alguma forma, ainda conseguimos pensar em coisas completamente irrelevantes — Camilla respondeu, suspirando enquanto se apoiava na bancada para pegar a bolsa.
No caminho de volta, entre corredores vazios e o eco dos passos, Camilla não conseguiu evitar que sua mente voltasse para Julianne. Cada detalhe do último jantar, cada provocação e cada sorriso da acompanhante reapareciam, tornando difícil se concentrar em qualquer outra coisa.
Quando finalmente chegaram à saída do hospital, a madrugada já começava a sumir dando lugar a claridade no céu. Camilla suspirou, sentindo o corpo exausto, mas a mente inquieta. Beatriz colocou o braço sobre os ombros da amiga, percebendo o misto de cansaço e tensão.
— Vai dar tudo certo com ela, Camilla. Só precisa respirar e deixar as coisas fluírem — disse Beatriz, sorrindo com aquela segurança de quem sempre tem uma palavra para acalmar.
Camilla apenas assentiu, sem conseguir tirar Julianne da cabeça, enquanto entravam nos carros para voltarem para casa.
Camilla chegou em casa exausta após um longo plantão no hospital. O corpo pesava, cada músculo reclamava do esforço, e a mente buscava apenas silêncio. Sem perder tempo, deixou a bolsa sobre o sofá e caminhou até o banheiro. Ligou o chuveiro e deixou a água quente cair sobre si, sentindo cada gota relaxar os ombros tensos e aliviar o cansaço acumulado. O vapor preenchia o ambiente, misturando-se ao cheiro do sabonete suave.
Depois de alguns minutos, desligou a água, se enxugou lentamente e caminhou para o quarto. Sentiu o colchão gelado sob o corpo, mas não se importou. Deitou-se na cama, vestindo apenas uma cueca box, sentindo a liberdade e o conforto daquele momento só seu. Fechou os olhos, deixando o corpo relaxar completamente, e se entregou ao sono profundo, permitindo que o descanso reconquistasse cada parte exausta de si.
Do outro lado da cidade, Julianne já havia acordado. Movia-se silenciosa pelo apartamento, cuidando dos afazeres domésticos com a precisão de sempre. Preparava o café, organizava algumas roupas, certificando-se de que tudo estivesse em ordem. Luísa, sua irmã mais nova, ainda sonolenta, ajudava de maneira desajeitada, provocando um sorriso breve nos lábios de Julianne.
— Calma, Luisa, deixa que eu seguro isso — disse, ajustando a cesta de compras que a menina quase derrubava.
Depois de ajeitar a casa, arrumaram-se rapidamente e saíram juntas para o supermercado. Julianne mantinha a postura firme, mas a mente estava longe, repassando mentalmente os acontecimentos com Camilla, tentando racionalizar os sentimentos que teimavam em se infiltrar mesmo diante de sua rotina agitada. Cada passo na calçada, cada movimento das mãos carregava a normalidade necessária, mas internamente, a lembrança de Camilla ainda a envolvia como uma corrente invisível, deixando seu dia mais pesado e intenso, apesar da aparência calma que exibia para Luísa e para o mundo.
Camilla acordou no seu dia de folga com o som suave do despertador. Enquanto preparava o café da manhã, seus pensamentos inevitavelmente se voltaram para Julianne. Havia algo nela que não saía da sua mente, uma mistura de fascínio, curiosidade e uma pontada de desejo que ela tentava ignorar. Depois de se vestir com uma roupa confortável, decidiu passar na casa dos pais para ver como estavam. O tempo com eles foi agradável, cheio de pequenas conversas e risadas, mas logo Camilla sentiu a necessidade de voltar para casa, onde poderia finalmente se permitir relaxar.
O restante do dia se passou em silêncio, assistindo filmes e trocando mensagens com as amigas no grupo de WhatsApp. Entre risadas, memes e planos para a noite, Camilla sentia falta de Julianne, embora não quisesse admitir. No fundo, o receio de se envolver emocionalmente com a acompanhante a mantinha afastada, mesmo sabendo que cada encontro com ela era divertido, provocante e delicioso. Julianne, por sua vez, remoía a ausência da médica. Nos dias que se seguiram, pensava nela em todos os intervalos possíveis, lembrando do sorriso tímido, da voz baixa, do jeito elegante de se portar, mas sabia que não poderia misturar o trabalho com o coração — afinal, Camilla ainda era apenas uma cliente.
Duas semanas se passaram até que Camilla tirou dois dias de folga do hospital. Suas amigas, sabendo disso, resolveram convidá-la para uma balada chamada Enigma Club. Não satisfeitas apenas com isso, pediram para que ela chamasse Julianne. O convite deixou Camilla tensa. Sabia que aceitar significaria aproximar-se ainda mais da acompanhante, mas, ao mesmo tempo, a ideia de vê-la novamente trazia uma excitação e ansiedade que ela não podia negar. Respirou fundo e pegou o celular para ligar.
Julianne estava no estágio de enfermagem, entre plantões e atendimentos, quando o celular tocou com o toque diferenciado que Camilla programara para ela. Assim que viu o nome da médica na tela, seu coração disparou. Respirou fundo antes de atender, tentando disfarçar a surpresa e a curiosidade que borbulhavam por dentro.
— Alô? — disse Julianne, com a voz um pouco cansada, mas ainda assim doce e envolvente.
— Oi… sou eu, Camilla. — A voz da médica saiu firme, mas carregada de tensão e uma ponta de ansiedade que Julianne sentiu instantaneamente. — Você está bem? E… está livre hoje à noite? Minhas amigas e eu vamos ao Enigma Club… e eu queria muito que você nos acompanhasse.
Houve uma pausa do outro lado, e então um riso baixo e sedutor escapou de Julianne.
— Livre, sim… eu irei com vocês. — A voz da acompanhante se fez suave, quase provocante. — Pensei que você não me chamaria mais para sair. Sumiu.
— Pois é… muito ocupada com os plantões no hospital. — Camilla mordia levemente o lábio, tentando manter o controle, mas a ansiedade traía seu tom firme. — Surpresa com minha ligação?
Julianne demorou alguns segundos, como se estivesse raciocinando qual seria a resposta mais provocante para aquela médica que mexia tanto com ela.
— Um pouco… — admitiu, a voz baixa e carregada de curiosidade. — Mas… é uma surpresa boa.
Um silêncio elétrico se formou, carregado de tensão e expectativa, cada respiração quase audível pelo telefone. Então Julianne voltou a falar, a voz suave como um sussurro que atravessava a linha:
— Então está combinado. Me diga a hora, e estarei lá.
O coração de Camilla disparou, o peito apertado de antecipação. Um sorriso involuntário surgiu em seus lábios, misturando excitação com um toque de nervosismo.
— 22 horas. Na frente da balada, esperaremos por você.
— Combinado, Camilla… — a voz de Julianne se tornou mais próxima, íntima, quase um sussurro para o ouvido. — Beijos.
Camilla desligou, sentindo uma onda de calor percorrer seu corpo. O simples toque de voz de Julianne deixava uma tensão deliciosa em sua pele, e a expectativa pelo encontro tornava cada segundo até às 22 horas um pequeno tormento, misturando ansiedade, desejo e curiosidade pelo que aquela noite poderia trazer.
Julianne então marcou com sua irmã, Luísa, para irem ao shopping escolher o vestido ideal. Depois de experimentar algumas opções, escolheu um vestido curto preto de paetês, mangas longas e costas totalmente abertas, deixando a tatuagem de fênix à mostra, preso apenas por uma alça fina na parte superior. Sandálias de salto fino e uma bolsa preta completavam a produção, exalando sensualidade e confiança.
Enquanto isso, Camilla também se arrumava com cuidado. Optou por um conjunto totalmente preto, ousado e moderno: top estilo bustiê de couro, deixando a barriga chapada à mostra, calça preta de couro com detalhes de amarração lateral que delineavam levemente o volume da cueca de compressão, trazendo um toque sensual, e um blazer curto com aplicações brilhantes. O salto alto fino finalizava o visual. Quando Julianne viu Camilla parada em frente a boate, seu coração disparou. Cada curva, cada detalhe do look, cada gesto de confiança da médica a deixava fascinada. Camilla, por sua vez, ao ver Julianne se aproximar da balada, sentiu um frio na barriga, respirou fundo, sentindo a beleza da mulher a deixá-la momentaneamente sem palavras. O vestido preto de paetês, o decote nas costas revelando a tatuagem da fênix, cada passo elegante da acompanhante, deixava a médica arrepiada e excitada. Julianne exalava sensualidade.
Camilla deu um passo à frente e, ao cumprimentá-la, aproveitou para tocar na cintura da acompanhante, apertando levemente. Julianne estremeceu com o gesto, um arrepio percorreu seu corpo, e um sorriso provocante se formou em seus lábios. Ambas sentiram, naquele toque, a eletricidade que se acumulava entre elas, aumentando a tensão antes mesmo de entrarem na balada.
O beijo demorado no canto da boca veio logo em seguida, carregado de desejo contido, e Camilla apresentou Julianne às amigas Beatriz e Larissa, já sentindo a proximidade e a conexão que só aumentaria durante a noite.
As quatro então entraram no Enigma Club, dirigindo-se à área vip, onde um sofá reservado esperava por elas. Pediram bebidas e começaram a conversar, mas os olhares entre Julianne e Camilla não paravam de se cruzar. Flertes sutis, toques acidentais, sorrisos e respirações mais rápidas tornavam o ambiente carregado de tensão.
Julianne observava Camilla interagindo com Beatriz e Larissa, cada gesto, cada risada da médica parecia fascinante demais para desviar o olhar. Aproximou-se lentamente, encostando-se discretamente ao ombro de Camilla, deixando seu perfume envolver a médica sem tocá-la diretamente.
— Então… parece que você tem o dom de manter suas amigas bem animadas — murmurou Julianne, com a voz baixa e provocante, inclinando-se para que apenas Camilla ouvisse.
Camilla sentiu um arrepio percorrer sua coluna e corou, desviando o olhar:
— Ah… eu… tento, sabe? — respondeu, gaguejando levemente, sentindo o calor subir ao perceber o quanto Julianne se aproximava.
Julianne sorriu, vendo a reação, e deslizou a ponta dos dedos na mão de Camilla, sem segurá-la completamente, apenas encostando de forma calculada.
— Eu gosto de ver você assim… tímida, meio nervosa. Fica ainda mais bonita.
Camilla engoliu em seco, tentando disfarçar o impacto das palavras e do toque leve.
— É... eu...eu já percebi isso. — Sussurrou, a voz falhando levemente e desconfortável de um jeito gostoso.
Julianne inclinou-se ainda mais perto, permitindo que Camilla sentisse o calor do corpo da acompanhante e o perfume marcante que exalava.
— E você… sabe como me deixar sem fôlego só com um olhar. Aposto que nem percebe, não é?
Camilla desviou os olhos, mas o coração disparado denunciava que ela percebia sim, e que sentia cada gesto, cada aproximação de Julianne com intensidade.
Julianne, percebendo a reação, tocou suavemente a coxa de Camilla e completou com um sorriso malicioso:
— Acho que devíamos fazer algo mais divertido do que apenas conversar…
Camilla, sentindo o formigamento que percorria seu corpo, apenas sorriu nervosa, sem conseguir responder de imediato, permitindo que Julianne sentisse sua tensão e desejo contidos.
— Quer dançar? — perguntou Julianne, segurando agora a mão de Camilla com um toque firme e convidativo, convidando-a para a pista de dança.
A mulher não esperou a resposta da médica e se inclinou levemente para as amigas de Camilla e disse, com um sorriso encantador e confiante:
— Espero que me desculpem, mas acho que preciso puxar a Camilla para dançar por alguns minutos. — Ela piscou rapidamente para Beatriz e Larissa, que sorriram compreensivas, percebendo a tensão e a química entre as duas.
Camilla engoliu seco, sentindo o calor subir ao rosto, mas não conseguiu recusar. Julianne segurou sua mão com firmeza e delicadeza ao mesmo tempo, guiando-a gentilmente para fora do sofá.
— Vem comigo — murmurou Julianne, sua voz baixa e sedutora, carregada de promessa.
Camilla hesitou por um instante, o coração disparando, mas deixou-se conduzir, permitindo que Julianne a levasse até a pista de dança. A música pulsava, iluminando o espaço com luzes coloridas que refletiam nos paetês do vestido de Julianne, deixando cada movimento ainda mais hipnotizante.
Assim que começou a dançar, Julianne aproximou-se de Camilla de forma provocante, quase colada ao corpo dela. Cada gesto, cada balanço de quadril, cada leve inclinação era calculada para despertar desejo. Camilla sentiu um arrepio intenso percorrer sua espinha, o formigamento que subia de seu estômago até a nuca, o coração batendo descompassado. A respiração acelerada denunciava a excitação que ela tentava controlar, enquanto a sensação do corpo de Julianne tão próximo a deixava ao mesmo tempo tensa e fascinada.
Mesmo com o efeito poderoso da acompanhante, Camilla manteve o controle, lutando contra a vontade de se entregar completamente à provocação. Julianne, percebendo cada reação, sorriu de forma maliciosa, aumentando ainda mais a intensidade do flerte silencioso, como se dissesse: “Eu sei exatamente o que você sente e gosto disso.”
O jogo de sedução entre as duas se intensificava a cada passo, cada giro, cada toque acidental que, na verdade, era cuidadosamente planejado. As luzes refletiam nos paetês do vestido de Julianne, nos olhos de Camilla, e na tensão quase elétrica que pairava ao redor. O resto do mundo parecia desaparecer; só existiam elas, o calor do corpo, a música vibrante e o desejo contido, crescendo a cada segundo.
Beatriz e Larissa logo se juntaram ao casal na pista de dança, animadas e rindo, dançando ao lado delas, mas era impossível não perceber a tensão elétrica entre Julianne e Camilla. Cada movimento da acompanhante era calculado, sensual, e a proximidade provocava uma mistura de excitação e nervosismo na médica. Camilla, sem perceber totalmente a intensidade de seus próprios gestos, passou a mão levemente pela lateral do corpo de Julianne, sentindo a pele quente e firme sob os paetês do vestido. Julianne rebol*va de forma provocante à sua frente, olhando-a nos olhos, cada movimento sugerindo algo mais, despertando em Camilla uma sensação que ela ainda não sabia como controlar.
Sua intimidade pulsava dentro da cueca de compressão, uma reação involuntária que a fez corar instantaneamente. Era como se tivesse voltado à adolescência, sentindo desejos que nunca haviam sido tão intensos, e o perigo de Julianne perceber algo se tornava real. A acompanhante, entretanto, parecia alheia ao volume perceptível, concentrada apenas em seduzir Camilla. Com um sorriso provocador, Julianne enlaçou o pescoço da médica com os braços, aproximando-a mais e mais, enquanto continuava a dançar de forma sugestiva. O contato físico era breve, mas suficiente para que cada impulso e respiração entre elas se tornasse carregado de desejo.
Camilla respirava ofegante, o coração batendo rápido, tentando manter a compostura enquanto sentia o perfume inebriante de Julianne misturado à música pulsante da balada. Cada toque, cada olhar, cada movimento de rebol*do da acompanhante deixava a médica mais tensa, e ao mesmo tempo, mais entregue à atração que sentia. Por mais que tentasse racionalizar, sabia que a excitação era impossível de ignorar. Julianne, por sua vez, parecia dominar a situação, ciente do efeito que causava, e usava isso a seu favor, cada gesto pensado para enlouquecer Camilla lentamente, para deixá-la vulnerável, atraída e dependente da sua presença.
O clima entre elas era quase palpável, carregado de eletricidade silenciosa. Enquanto as amigas riam e dançavam ao redor, elas duas estavam em seu próprio mundo, um universo de flerte intenso e sedução, em que cada toque e cada movimento aumentava a tensão, levando Camilla a questionar o quanto conseguiria resistir àquela atração avassaladora. Julianne não apenas dançava, mas seduzia, cada gesto, cada toque no pescoço da médica, cada olhada insinuante, era uma promessa silenciosa de que aquele jogo de desejo estava longe de terminar, e Camilla sentia cada segundo profundamente, ainda tentando manter o controle de sua própria reação.
Enquanto a música pulsava alta e a luz colorida refletia sobre os paetês do vestido de Julianne, Beatriz se virou para Larissa, Camilla e Julianne, chamando-as: — Meninas, vamos ao banheiro rapidinho?
Camilla negou com um leve balançar de cabeça, desviando o olhar de Julianne, ainda sentindo o calor provocante da acompanhante tão próximo dela. Larissa fez o mesmo, sorrindo e acenando que preferia ficar dançando mais um pouco. Julianne, então, concordou em acompanhar Beatriz, virando-se para Camilla e dando uma piscadela descarada: — Não demoro, já volto, prometo.
O gesto deixou Camilla com o coração acelerado, e ela sentiu um arrepio percorrer a espinha, ainda mais consciente de cada centímetro do corpo de Julianne e da tatuagem da fênix nas costas, parcialmente visível pelo corte do vestido. Com a voz um pouco trêmula, Camilla respondeu: — Tá, eu e a Lari vamos pegar uma bebida no bar, já voltamos.
Enquanto caminhava para o bar, Camilla sabia que a real motivação não era a sede por coquetéis ou refrigerantes: era a sede de Julianne. Cada provocação, cada gesto sensual da acompanhante na pista de dança ainda queimava na sua pele, fazendo o corpo reagir de forma quase impossível de controlar. A sensação era intensa, palpável, e ela precisava de algo para acalmar o fogo que Julianne havia acendido dentro dela.
Fim do capítulo
Já, já apareço com muito mais.
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