Capitulo 11 - A explosão
Eleanor Wilson não era apenas uma atriz; ela era uma força da natureza acostumada a resolver problemas com um telefonema. Movida por um misto de culpa por Julianne e um desejo profundo de "salvar" a mulher que a fizera sentir viva novamente, ela agiu. Naquela mesma noite, trancada em seu trailer, ela discou para Nova York.
- Arthur? Preciso que você faça um levantamento discreto sobre o Rancho Thompson e as dívidas de Cassidy Thompson. Quero que você compre tudo. Hipotecas, empréstimos bancários, o que for. Quero o nome dela limpo, mas ela não pode saber que fui eu. Use uma das minhas empresas de fachada.
- Eleanor, isso é incomum, até para você - respondeu o advogado. - Mas vou ver o que encontro.
Dois dias se passaram. Dois dias de olhares furtivos no set e uma tensão crescente que Eleanor confundia com ansiedade romântica. No entanto, o retorno de Arthur não foi o esperado.
- Eleanor, há algo errado. Não consigo encontrar dívidas. Na verdade, não consigo encontrar nada. O CPF dela está limpo, mas os registros financeiros do rancho parecem protegidos por uma muralha de empresas de segurança digital. Quem quer que esteja por trás dessa propriedade, tem advogados melhores que os meus. Mas há um problema: minhas sondagens foram detectadas. Alguém "esbarrou" no sistema deles e eles não gostaram.
O confronto aconteceu no fim da tarde. Cassidy surgiu no set como um furacão, ignorando Marcus e os assistentes. Seus olhos castanhos, antes mel, agora eram puro âmbar em chamas.
- Wilson! No meu escritório. Agora! - O grito não aceitava recusas.
Quando a porta da casa principal se fechou, Cassidy explodiu.
- Quem você pensa que é? - ela sibilou, jogando uma pasta sobre a mesa. - Meu escritório de contabilidade em Austin me ligou. Alguém de Nova York, um escritório ligado a uma das suas holdings, está tentando farejar minhas contas. Estão procurando por dívidas? Por hipotecas?
- Cassidy, eu só queria ajudar! - Eleanor tentou se aproximar, mas o gesto de Cassidy a paralisou.
- Ajudar? Você invadiu a minha privacidade! Você tratou a minha vida como se fosse um roteiro de caridade de Hollywood! Você acha que eu sou o quê? Um animal ferido na lama que você precisa adotar por dó?
- Eu ouvi o Marcus! Eu vi como vocês vivem! Eu queria garantir que este lugar continuasse seu! - Eleanor gritou de volta, as lágrimas de frustração surgindo. - Eu fiz por bem querer, por preocupação! E acredite, isso n]ao é comum em mim! Por Favor...
- Pois você errou o alvo! - Cassidy bateu na mesa. - Se você quisesse me conhecer, teria perguntado. Mas você preferiu o controle. Você agiu exatamente como a Julianne, Eleanor. A diferença é que ela faz isso com desprezo, e você faz com piedade. Eu não sei qual é pior!
Cassidy saiu da sala, deixando Eleanor em um silêncio devastador. Pela primeira vez, a "Lenda" sentiu que tinha perdido o papel principal para a própria arrogância. Olhou ao redor, notando os diplomas universitários expostos na parede lateral oposta a pequena biblioteca. Uma graduação por uma das melhores Universidades da Ivy League podia ser antevista ali: Direito, além de um PhD em Economia. Que incrível formação para uma "rancheira", e estranho também, pensou.
***
O dia seguinte foi de um silêncio glacial. Eleanor estava pronta para arrumar as malas e partir para Houston, fugindo da vergonha, quando Cassidy apareceu na porta de seu trailer ao amanhecer. Ela levava as rédeas de dois cavalos: o seu castanho e uma égua pintada mansa.
- Monte - disse Cassidy, o tom de voz sem a fúria da véspera, mas ainda guardando uma cicatriz. - Vamos cavalgar.
Elas seguiram para o sul, longe do barulho do set e dos olhos de Julianne. Após uma hora de cavalgada por trilhas que apenas Cassidy conhecia, o som do Rio Colorado começou a preencher o ar. O rio serpenteava pelas terras do rancho, largo e calmo sob os álamos cujas folhas começavam a amarelar.
Elas pararam as montarias à margem, onde a água refletia o céu vasto do Texas. Cassidy desceu e ajudou Eleanor a desmontar. O toque foi breve, mas não hostil.
- Este rio está aqui muito antes de qualquer coisa pudesse existir, Eleanor - começou Cassidy, olhando para a correnteza. - E estará aqui muito depois de nós sermos esquecidos. Eu trouxe você aqui porque... eu entendo. Eu entendo que o seu mundo ensinou você a consertar tudo com dinheiro e influência.
Eleanor baixou a cabeça, sentindo a brisa úmida do rio.
- Eu me senti uma idiota quando Arthur disse que não encontrou nada. Marcus me deu a entender...
- Marcus é um sobrevivente. Ele disse o que você queria ouvir para manter a harmonia do set - Cassidy deu um passo em direção a ela. - Mas eu não sou o seu projeto de resgate, Eleanor. Se você quiser estar comigo, terá que aceitar que somos iguais. No poder, no orgulho e na independência.
Eleanor olhou para ela, a luz do sol batendo no rosto de Cassidy e revelando a profundidade de sua força.
- Eu nunca tive alguém que fosse meu igual, Cassidy. Julianne precisava de mim como um troféu. Meus amigos precisam de mim como um banco. Eu... eu não sei como ser apenas uma parceira.
- Comece por aqui - Cassidy estendeu a mão, apontando para o horizonte onde o rio se perdia. - Sem advogados. Sem segredos. Apenas Eleanor e Cassidy.
O momento de reaproximação era frágil, mas real. Ali, às margens do Rio Colorado, a fumaça da briga começou a se dissipar, mas a verdade sobre a fortuna de Cassidy ainda pairava como uma névoa que Eleanor sentia, mas ainda não conseguia tocar.
Fim do capítulo
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