Prólogo
Prólogo.
— Você está bem?
A mão de Mauro tocou o ombro de Helena.
Ela não respondeu imediatamente.
Alisou a própria blusa.
Uma vez.
Duas.
Só então disse:
— Estou sim.
Mauro inclinou a cabeça, observando.
— Não precisa fazer isso se não quiser. — falou, mais baixo. — Você já avançou bastante… talvez não precise se expor assim.
Helena sorriu.
Um sorriso automático. Ensaiado.
— Está me elogiando?
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Não se acostume.
Ela soltou um riso curto e o abraçou.
— Eu sei. — murmurou contra o ombro dele. — E é por isso que eu gosto de você.
Mauro retribuiu o abraço.
— Quer ir embora?
Helena se afastou devagar.
Antes de responder, deixou o olhar percorrer a sala.
Cadeiras em círculo.
Pessoas sentadas.
Algumas com os braços cruzados. Outras com as mãos entrelaçadas. Uma delas batia o pé no chão, em ritmo irregular.
Helena percebeu.
Contou.
Um, dois, três…
Parou.
Desviou o olhar.
Ela sabia o que havia ali.
Sabia porque reconhecia.
Cada expressão. Cada silêncio. Cada forma de evitar.
Mas, diferente dos outros…
ela ainda não tinha falado.
Enquanto não falasse…
talvez ainda desse para manter tudo no lugar.
— Acho que já está na hora. — disse.
A voz saiu firme demais.
Como se não fosse dela.
— Não vai parar… se eu não falar.
Mauro soltou um riso leve.
— Pensei que estivesse fazendo isso na terapia.
Helena não respondeu.
Ele segurou o rosto dela por um instante.
— Eu estou orgulhoso de você.
Ela assentiu.
O líder do grupo observava à distância. Ao perceber o movimento, convidou todos a se sentarem.
— Vou esperar você lá fora. — disse Mauro.
Helena assentiu novamente.
Sentou-se por último.
Ajeitou as mãos sobre as pernas.
Descruzou.
Cruzou de novo.
Parou.
O homem à frente dela sorriu.
— Pronta?
Helena respirou fundo.
O ar entrou… mas não parecia suficiente.
Ela olhou ao redor.
Um por um.
Demorando um pouco mais em cada rosto do que seria normal.
— Estou.
— Pode começar.
Silêncio.
Helena abriu a boca.
Fechou.
Abriu de novo.
— Boa noite…
A pausa veio.
Curta demais para ser natural.
Longa demais para passar despercebida.
— Meu nome é Helena.
Os dedos apertaram um ao outro.
— Eu tenho transtorno obsessivo-compulsivo…
Outra pausa.
Menor.
Mas ainda ali.
— …e eu preciso contar o que aconteceu.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
Elin Varen Em: 04/04/2026 Autora da história
Capítulo 1 postado