Boa noite!
Neste capítulo., Ruama, após ter um sonho para lá de desconexo e cheioss de reticências, pois ela não tem as lembranças de como se desenvolveu na integra. No entanto, algo ficou registrado na mente dela, pois ela acabou trazendo para a vida desperta dela. E ela busca associar a lembrança a algo bom. — Que logicamente remete a Maya, que é sua musa, e não a pessoa que englobava o sonho.
Um Sonho Pra La de Estranho
“Somos feitos da mesma matéria dos sonhos, e nossa pequena vida é cercada pelo sono” (William shakespeare)
“Um sonho pra lá de estranho!”
O que é que acontece quando fechamos as pálpebras? Por que tem coisas que vivemos no mundo onírico que não trazemos para nossas vidas funcionais? Quem filtra o que é seguro passar ou não ao acordarmos? Que amnésia é essa que faz com que percamos a memória de tudo que vivemos durante o sono? — Os mundos que visitamos, as experiências pelas quais passamos, as pessoas que estavam nos nossos sonhos, mas que às vezes, nunca vimos antes dele acontecer. Porém, há algumas memórias que conseguem romper o véu do esquecimento, pois somos capazes de lembrar vividamente de fragmentos deles ao despertarmos.
— Seria como os espermatozoides na sua jornada para fecundar o óvulo, enquanto milhões iniciam a corrida, apenas um consegue fecundá - lo, pois o percurso deles até lá tem alguns obstáculos, algumas etapas a serem vencidas, sendo que até mesmo podem se perder pelo caminho, porque o percurso até acertar o alvo é árduo, mas o que orienta eles para irem em direção ao lado em que está o óvulo nas Trompas de Falópio, lado direito ou esquerdo, como saber?
Os espermatozoides têm que decidir para qual dos lados eles irão, têm que seguir a intuição. Mas o próprio óvulo dá uma pista quando os espermatozoides se aproximam, eles liberam um composto químico, prostaglandina, que leva os espermatozoides diretamente para ele — O portal estava propício, possibilitado pela densidade do véu, porque ele está mais leve — cria as condições perfeitas. — Porém, apenas para um é liberado a passagem, o portal é fechado logo em seguida, a membrana sela a passagem ( cria uma barreira protetora).
Mas, será que os sonhos são apenas resíduos de coisas que vivemos nas nossas rotinas diárias?E se não for apenas isso?
Isso me leva a uma madrugada específica em que não sei o porquê sonhei que dormia no local em que trabalhava — Mostrava que durante o dia tinha trabalhado na minha função anterior.
— No entanto, não lembro da memória, que elucida os motivos que me fizeram permanecer após o expediente, no local em que desempenhava minhas funções. E como consequência disso, acabei não pegando o ônibus, para ir para a cidade em que residia. (É provável que haja uma causa raiz que fez com que permanecesse ali naquela cidade. Todavia há uma lacuna na minha memória, que fez com que não me lembrasse do que aconteceu. — Só recordei pequenas partes daquele sonho).
No sonho, a farmácia que durante o dia fora espaço de trabalho, a noite fora transformada em quarto, para alojar os trabalhadores, que moravam distante do local de trabalho ou em outra cidade. E esse, era o meu caso, porque morava a poucos mais de vinte quilômetros daquela cidade.
Naquela noite, mais do que estranha, daquele sonho para lá de surreal e inusitado. Em que as cenas foram misturadas, entre presente e passado. — São transformadas em finalidades distintas. — Enquanto que, no período matutino e vespertino, abrigava uma unidade de saúde, durante a noite convergiu para um local de alojamento. Em que, por determinado período de tempo era transformada numa residência antiga. — Uma casa de corredores extensos, quartos sem portas, até se assemelhava a casa em que morei por muitos anos na minha infância. — No entanto, era nítido que a arquitetura atual permanecia clara e a estrutura também. Era como dois espaços coexistindo num mesmo local, só que de forma simultânea, em que predominava o design atual.
A sala que no período diurno era estruturada, pensada e equipada com as funcionalidades de uma farmácia, a noite fora cooptada, aderida e incorporada a seus móveis, uma cama de solteiro para que eu dormisse por ali mesmo.
No entanto, durante o sono tive consciência de que não estava sozinha naquela cama, uma colega que se apresentava de forma amigável, dormia ao meu lado. E enquanto eu dormia, percebia que alguém tinha me abraçado de uma maneira tão aconchegante, durante a noite, que não poderia ser a pessoa que estava na mesma cama comigo, quando acordei no próprio sonho, fui tomada por esta percepção. — Pois, não tínhamos nenhuma relação de amizade. — Pelo contrário, porque apesar de estarmos sincronizadas para a mesma direção ao dormir, quanto ao sentido do corpo —, viradas para oeste — como se estivesse dormindo de conchinhas.
No entanto, aquele ato em si era desprovido de conexão, pois, julgava que ela, a pessoa que estava naquela cama comigo, fosse incapaz de ter uma atitude como aquela, haja visto, que ela me tratava de maneira grosseira e até mesmo hostil, no dia a dia em que nos encontrávamos. — Era como se ela não aprovasse minha permanência ali, naquele estabelecimento de saúde .
Por isso, esse comportamento destoante, gerava estranheza, em relação ao fato de estarmos dividindo a mesma cama. E concomitante a isso, a intimidade injustificada quando estávamos dormindo.
Ao retornar do mundo dos sonhos, de minha viagem onírica, parei para refletir sobre o porquê de estar sentindo aquelas emoções tão densas e confusas. Cheguei a questionar o porquê de levar os sentimentos daquele dia para além da rotina diária. — Será que tinha algum significado mais profundo? Uma mensagem oculta para mim?
Na sequência do sonho, surgiam imagens de dois camundongos, sendo um adulto e o outro, um filhotinho. — Subsequente a estes episódios, já transmutava para uma casa antiga, construída de madeira e revestida de taipa — Ela não dispunha de portas nos quartos. — Uma das minhas irmãs que passara a noite ali também, expulsava os bichos para fora do quarto dela, mas não os matavam, simplesmente jogava - os para dentro do cômodo que eu ocupava. — Isso, me irritava consideravelmente, porque ao invés dela solucionar o problema com aquelas pragas, ela empurrava o problema para frente. — Ficando a decisão de resolver, em minhas mãos.
— A sorte estava do meu lado, só pode. Par receber uma incubencia daquelas. — Ainda ter que suportar o sorriso escancarado da minha irmã. — Era de lascar.
Não sei em que momento do sonho a cama de solteiro já não era suficiente para me acomodar. Por isso, me deslocava até outro quarto e trocava a cama de solteiro por uma de casal. No entanto, sem a autorização do dono. E que mais adiante gerou confusão, pois o proprietário chegava e reivindicava a cama dele de volta. Eu, para não criar contenda ou atrito desnecessário, resolvi devolver a cama para ele, e com isso evitar problemas maiores. E, também tinha percebido que não estava certa a forma como agi na ausência dele.
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Aquela sensação aconchegante, que aquele abraço me proporcionou durante a madrugada, permaneceu em mim o dia inteiro. — Fora como um retorno para minha própria casa — Jamais em toda minha existência havia recebido algo tão familiar, quanto um abraço como aquele. — Ele me fazia transbordar de sentimentos bons — Permaneci nesse estado de paz por um bom tempo, foi como tivesse sido curada, em alguma parte de meu corpo. — Pois me senti mais leve em meio a densidade à minha volta.
Ao amanhecer após a névoa do sonho ter se dissipado, só restaram apenas fragmentos dele. A realidade se sobrepôs ao véu do sono, aquela janela aberta, enquanto meu corpo inteiro deixava de existir no mundo físico, por cerca de aproximadamente 8 horas. Porque não me importei com nada disso enquanto estava inconsciente numa cama, não sendo alguém.
No entanto, em paralelo a este mundo, através dos sonhos, a alma livre do peso da matéria, se movia por camadas de realidades, outras dimensões, distante do mundo etérico, projetando seu corpo astral, visitando reinos, interagindo com pessoas que já se foram, espíritos, guias e até outras pessoas que compartilham do sonho.
Porém, a realidade familiar veio como um choque liberado por meio de uma corrente de 220 volts. — A pessoa não está preparada para recebê - la, porque ela desconhece os perigos representados, ficando presa a energia liberada. Por conseguinte, observa a morte passando diante dos olhos dela, ela é capaz de sentir, até segurar. Mas, não é capaz de controlar, pois a ela não fora dado os domínios, sobre essa força que pulsa, irradia de forma pungente, por não dizer ferozmente. — A não ser que algo interpunha no caminho dela. Livrando - a de um destino certeiro.
Todavia, ao alvorecer, parei para raciocinar ao analisar a cena, e descobri que esse alguém era uma pessoa tão antipática e rude, que não sentia que aquele abraço havia sido dado realmente por ela.
Então na minha vida desperta, longe das flutuações e incoerências do mundo dos sonhos fiquei imaginando “mil” coisas, para provar que aquele abraço que me trouxe paz ao invés de caos, poderia ter vindo de alguém mais centrado, mais amoral, não um indivíduo tão egoísta, capaz de atitudes muito mesquinhas — Nisso, fixei a ideia na minha mente que a responsável por algo tão genuíno poderia ter sido Maya.
E, certamente, Morfeu plantou algum enigma, ao colocar um personagem tão distante a mim. Contrapondo com a sensação ao ser abraçada daquele jeito tão acolhedor.
E, isso, me preocupava, meu coração pesava como uma marrenta socando forte contra o meu peito, podia ouvir os espasmos.
— Porque não havia clareza, por desconhecer a identidade da pessoa, a autora daquele abraço reconfortante. Pois, ela deixou uma marca indelével em mim, porque fui capaz de sentir com a alma, com o coração mesmo sem nem ver quem essa pessoa era.
E parando para refletir, a outra pessoa que dormira ao meu lado, não poderia ter gerado uma conexão tão profunda, através de um gesto tão simples e repleto de afeto. — Porque aquela criatura representava o caos em forma de pessoa.
Então, nesse contexto, levando em consideração os sentimentos despertados e não a literalidade da cena, resolvi brincar com minha suposta pretendente/amiga. Faria o seguinte— pediria para Maya vim até minha sala, e de uma forma amigável, solicitaria que me abraçasse por trás, e quando ela questionasse o porquê de eu querer isso.
— Diria exatamente dessa maneira — “sonhei com alguém me abraçando tão gostoso noite passada. Que por um breve instante tive a leve impressão que tivesse sido você” ou senão eu poderia ir até a sala dela e fazer esse mesmo teste, só que com um questionamento distinto, uma frase de efeito, que não soasse com uma cantada meio brega.
Ruama passou dias, arquitetando formas de concretizar seus intentos, todavia, ela não encontrou um instante oportuno que justificasse o passo que pretendia dar. Porque, ela não poderia de uma hora para outra, do nada, pedir algo tão íntimo e pessoal para Maya. Sendo que elas ainda não tinham chegado a desenvolver um grau de amizade que condizesse com esse nível de intimidade.
— Ela não poderia chegar e tomar uma atitude abrupta de abraçá - la, sem o consentimento dela. Assim, seria um abuso, pois se configurava o uso de força, assédio sexual no ambiente de trabalho. — Ela, não seria ingênua de não pensar nas consequências antes de agir. — Já que não conhecia o terreno, pois o mais correto seria estudá - lo antes de qualquer movimento, que podería trazer consequências desagradáveis e até mesmo constrangedoras para as pessoas ao serem pegas de surpresa.
Apesar de pensar em diversas possibilidades de ação, nenhuma delas vingaram, pois carecia de uma aproximação, um movimento surpresa, toques corporais, contato físico. — Na verdade, exigiria perícia na execução da missão.
Teria que afunilar e até mesmo aprofundar nossa interação, até chegar ao ponto de estarmos tão à vontade na presença uma da outra. — Que o meu pedido não fosse tido como suspeito, e até mesmo estranho aos olhos dela.
Essa empreitada, não deu em absolutamente, lugar algum, porque não passou de pensamentos fugazes de uma mente dominada pela dopamina, liberado pelo sistema límbico do cérebro, diante da novidade e do desafio que Maya representava para ela, — Ela estava eufórica, com toda aquelas emoções desafiadoras que perpassava pela mente dela, e, que Maya personificava, de uma forma que chegava até ser considerada absurda.
No entanto, ela não consegue colocar em prática o que havia imaginado fazer. — Ficando apenas para ela mesma, aqueles pensamentos delirantes e por não dizer sonhadores demais. Mas, em contrapartida, não custava nada sonhar sonhos que pareciam impossíveis de realizar. — Quem sabe de tanto mentalizar, eles não se tornam palpável?
— Claro que tudo isso, fora apenas um projeto de uma mente em expansão, a própria Ruama rindo das ideias que estava assaltando a consciência dela
— Se Maya soubesse — Se ela tivesse o poder de acessar os pensamentos de Ruama?
— Se Maya pudesse se comunicar por meio de telepatia, será que conseguiria descobrir os recônditos da alma de Ruama? Será que teria possibilidades de se materializar?
— Rsrsrsrs!
Será que isso se tornaria realidade?
É o que vamos tentar descobrir no próximo episódio.
“Caprica está se divertindo de uma maneira que nunca tinha ousado antes
Os pensamentos dela estão esvoaçantes
Mil ideias de abordagens passam pela cabeça dela
a face dela apresenta um riso constante quando pensa no que fazer com Maya
Manda mensagens para ela só para ver qual será a reação dela
O sentido das palavras são dúbias
Ela mesma parece ficar entusiasmada com as peripécias dela”.
Fim do capítulo
Ola, boa noite!
Saudações terraquios!
Boa leitura!
Abraços!
P.S . Será que esse abraço vem? Porque Ruama nem conseguiu colocar o que ela pretendia em prática. — No entanto, pode rolar algo inesperado. — Isso é o que vamos ver. Aguardem as novidades no próximo capítulo.
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