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RASGANDO O VEU DE MAYA por Zanja45

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Palavras: 1156
Acessos: 56   |  Postado em: 12/03/2026

Notas iniciais:

Olá, boa tarde!

Neste capitulo vou elucidar a natureza desconfiada de Ruama e a ação que levou a suspeitar que provavelmente Maya a estaria espionando.

Desconfiança - Porta Entreaberta!

Desconfiança (Porta entreaberta)


Era para ser mais uma manhã tranquila, mas fui tomada de pensamentos deprimentes sobre minha vida em relação aos outros colegas. — Analisei o quanto sou solitária, tendo que estar em constante vigilância, porque eles não aceitam os diferentes, me olham com desconfiança, certo ceticismo, deboche, como não tivesse nenhum valor para eles. Mas como sou resistente, rebelde, sigo firme, forte, busco não me abalar, pois sou como uma espada forjada no fogo e fundida em altas temperaturas, moldada na bigorna e na força do martelo, feita para durar, por isso meu corte é sutil, não escolho lados, porque domino os dois.

Entrementes, meus dias ficam mais coloridos, quando sei que ela estará lá. As terças - feiras e sextas - feiras nunca mais foram as mesmas, pois quando dá o espaçamento de tempo entre esses dias, já fico na expectativa para que passem logo. Apesar de que muitas das vezes ela se mostrar tão controlada, até mesmo fria (olha quem está falando de controle e frieza!), fico ansiosa para vê - la. – Quando irradiando um sorriso sincero, um abraço amigo, um fio de esperança nasce em meio a essa névoa que parece pairar sobre a minha cabeça. 

Todos parecem querer me marcar, essa é a mais pura verdade, não fisicamente, mas energeticamente, porque sou capaz de sentir uma energia densa pairando no ar. Todavia, apenas por uma quero ser marcada. —  Porque por ela minha energia não apenas vibra, mas pulsa.

Então, naquela manhã de terça - feira, o sol mostrava sua força, brilhando de forma bem feroz lá fora.  Podia observar pelo retângulo que compunha o vidro da porta da sala em que trabalho. Era perceptível ver o sol ricochetear na cobertura de vidro, na lateral da Unidade, enquanto que uma borboletinha estava por baixo da superfície do teto. – Parecia até uma residente por ali, pois sempre a via batendo suas asinhas contra o vidro, porque pelo que observava isso limitava que ela ganhasse altura no voo —, a vontade para ser livre e voar sem restrições – Suas asas amarela se destacavam por baixo daquela estrutura composta de madeira e vidro. – Podia ver a sua insistência em querer ultrapassar as barreiras físicas. – Difíceis de serem ultrapassadas, a não ser se contornadas pela inteligência. – Teria que ser estratégica.

Quando Maya foi me visitar naquele luminoso dia, ela entrou na minha sala e reparei que ela deixou a porta entreaberta, e isso não era típico dela. Havia algo de diferente no ambiente e minhas anteninhas intuitivas, se puseram a captar um clima distinto naquele cenário que não casava com os dos dias anteriores. Me senti como a personagem de “Mundos Invertidos”, Yelena, da autora Natalia S.Silva, que analisa qualquer mudança no comportamento das pessoas de uma forma quase obsessiva. — Vick foi umas das que quando submetidas ao crivo dela, sentiu o efeito dessa profundidade no olhar, diria até que ela tem o terceiro olho consciente (rsrsrsrs!) —, ela tem uma sensibilidade incrível em ler o ambiente e as impressões que as pessoas deixam transparecer.

Ela começou a falar da vida profissional dela do nada. — Falava - me de como ela tinha conseguido aquela oportunidade de emprego do candidato e que seria muito grata e que portanto votaria nele nas próximas eleições e tal.

(Na época em que me falou não entendi bem, porque ela estava me contando aquelas coisas, mas agora compreendo que pode ser por um desabafo mesmo, pois as pessoas julgam muito os outros sem saberem completamente das coisas. E que como ela tinha apoiado o candidato anterior, alguns poderiam estarem tachando ela de ”traidora” por ela ter aceitado a oportunidade na gestão que está no momento. — Possivelmente, por isso a explicação dela sobre que vai votar na atual gestão nas próximas eleições). — o voto é de gratidão.

Eu não discordei dela, apenas anui, mas também fui neutra quanto ao que me confidenciou, não disse nada contra a decisão dela.

Ela falou que na casa dela todos são assim, votam no candidato que deu oportunidade.

No entanto, fiquei a pensar na situação, em como as pessoas têm que se sujeitarem para permanecerem nos seus respectivos empregos, e que acabam que ficam reféns de um sistema de troca de votos. — Porém não discordo dela não — cidade pequena, as pessoas necessitam, e muitas das vezes aceitam por situações/razões que desconhecemos. – Não porque não tenham competência de conseguir noutro lugar, mas, pois, geralmente em cidade de pequeno porte, só quem geralmente emprega são os órgãos públicos, pois não tem outros meios de empregar. E, dessa forma, às vezes por razões pessoais, só resta segurar as oportunidades, quando surgem. E esse pode ser o caso de Maya. – Por ter alguém que precise dos cuidados dela em tempo integral, se deslocar para outra cidade para trabalhar fica mais difícil, pois trocaria “seis por meia dúzia” como dizem os ditos populares. — E não valeria muito a pena enfrentar a estrada, trabalhar mais horas e pagar alguém para cuidar das pessoas que dependem dos cuidados dela.

Depois que ela se foi fiquei a imaginar se ela tinha algum propósito por trás daquelas palavras ao me contar aquilo tudo. – Achei até que ela estava me espionando ou alguém estivesse escondido ouvindo o que eu diria em face ao que ela havia me revelado.

— Olha a natureza desconfiada de Ruama, isso vem de seu regente, saturno, eles não sentem confiança logo de início, é necessário tempo para desenvolver segurança e confiar nas pessoas. Eles não se abrem de imediato, a confiança deles tem que ser conquistada pouco a pouco, mas quando as defesas caem, eles se mostram as pessoas mais leais que podem existir, podem contar com eles sempre que quiserem.

No entanto, após ter passado o momento da narrativa dela, recapitulando os pensamentos, constatei que talvez, houvesse a possibilidade de não ser nada daquilo que estivesse imaginando. E, que é provável que ela tenha percebido o meu interesse velado no olhar triangular que lancei para os lábios dela.

Recordei que nas vezes em que aparecera no meu espaço de trabalho, nas nossas conversas semanais, um gesto nervoso me deixou alerta, um desvio no olhar, como se estivesse passando por alguma situação que a deixava inquieta, até mesmo desconfortável. — Fora isso que suscitara, abrirá espaço para que a dúvida fosse plantada, se instaurasse na minha mente. — Jamais passou pela minha cabeça que talvez fosse por conta dela ter descoberto meu interesse por ela. ( Em segunda instância, claro, comecei a pensar nesta possibilidade).

No entanto, aquele comportamento nervoso, como se estivesse com medo de mim, apreensiva, provavelmente, justifica o porquê dela querer manter a porta entreaberta.


“Ela veio até mim

Com uma frequência 

Que não é habitual

Falar de coisas cotidianas

Isso é fora do padrão 

Ela invadiu meu silêncio 

Irrompeu minha quietude 

Ruiu o castelo ao meu redor. “

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Olá novamente!

 

Mais um capitulo, espero que apreciem, pois nesse me dediquei além da medida.— Destrichei, lapidei e entrego nas mãos de voçes. — Me excedi nas dosagens de algumas palavras —Exagerei —, mas foi pensando na própria evolução da escrita.

 

Abraços!

 

P.S : Spoiler - Um sonho aleatório que Ruama teve e ficou pensando em fazer o teste com Maya. — Ruama está com a criatividade a todo vapor, agora ninguém sabe se ela vai conseguir aplicar.


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