Capítulo XIII: Uma Alternativa
Por Inês:
Fiquei ali parada junto à janela, segurando o envelope de Bianca Rossi, enquanto ouvia os passos de Cecília se afastando pelo corredor.
Quando finalmente o silêncio voltou, soltei um suspiro que estava segurando
Cecília me confundia de tantas maneiras. Suas aproximações constantes. Seu interesse em minha vida. A maneira como me olhava com aqueles olhos cheios de... de quê? Preocupação? Pena?
Sim, pena. Tinha que ser pena.
Afinal, agora ela sabia a verdade. Apesar de eu não confirmar com todas as letras, sabia que eu era a bastarda do Coronel Bernardino. A filha ilegítima criada longe, sem família, e escondida num internato como um segredo vergonhoso.
Claro que ela sentia pena. Era tudo que alguém como ela poderia sentir por alguém como eu.
Sentei-me na poltrona, ainda segurando a carta.
Minha mente voltou, contra minha vontade, para aqueles anos no Internato Irmãs de São Vicente.
***
Não tinha memórias claras de quando eu era criança e vivia lá. Apenas fragmentos nebulosos. No internato, aprendi rapidamente as regras que não são escritas. Havia as meninas que tinham famílias. Aquelas cujos pais vinham visitá-las aos domingos, trazendo doces e presentes caros. Aquelas que iam para casa nas festas de fim de ano, retornando com histórias de celebrações e reuniões familiares felizes.
E havia eu. A órfã. A abandonada. A que chamava aquelas paredes frias de lar porque não tinha outro lugar para assim chamar.
As freiras eram gentis. Ensinavam-nos a ler, escrever, bordar, tocar piano. Ensinavam-nos línguas, francês, inglês e um pouco de italiano. Ensinavam-nos a ser damas adequadas, como se isso importasse para alguém da minha posição social
Eu sempre me destacava nos estudos. Era minha única forma de controle, minha única maneira de provar que tinha valor. Devorava livros como outras meninas devoravam doces. História, filosofia, literatura. Tudo que as freiras permitiam e algumas das coisas que não permitiam, mas que eu encontrava às escondidas na biblioteca.
Foi ali que conheci Clara.
Ela tinha quinze anos quando chegou ao internato. Eu tinha treze. Era diferente das outras meninas. Mais velha e mais mundana. Havia sido enviada pelas tias depois que seus pais morreram de febre amarela.
Tornamo-nos amigas rapidamente. Ou talvez mais que amigas. A linha sempre foi confusa para mim.
Compartilhávamos quarto. Compartilhávamos segredos. E numa noite de inverno particularmente fria, quando eu tinha quinze anos e ela dezessete, compartilhamos algo mais.
Lembro-me de estar deitada em minha cama estreita, incapaz de dormir, quando ouvi seus passos suaves atravessando o quarto.
— Inês — ela sussurrou. — Está acordada?
— Sim.
Ela se sentou na beirada de minha cama, sua camisola branca brilhando levemente à luz da lua que entrava pela janela.
— Não consigo dormir — ela confessou. — Fico pensando... pensando em como será quando sair daqui. Para onde irei. O que farei.
— Irá para a casa de suas tias — respondi. — Como sempre planejou.
— Mas não quero — ela admitiu, deitando-se ao meu lado. — Não quero viver com elas. E elas também não querem viver comigo. — ela pausou — ...não quero a vida que planejam para mim.
Virei-me de lado para encará-la na penumbra.
— Então não vá.
— É tão simples assim para você, não é? — ela sorriu tristemente.
— Não tenho escolhas a recusar. Não tenho família planejando meu futuro. Não tenho dote. Não tenho nada, Clara.
— Tem a si mesma — ela disse suavemente, tocando meu rosto com dedos frios. — Tem sua mente brilhante. Seus livros.
Seu toque me trouxe uma sensação gostosa que até então eu não conhecia.
— Clara... — comecei, mas ela se aproximou mais.
— Posso? — ela sussurrou.
Não sabia ao certo o que ela estava pedindo permissão para fazer. Mas assenti mesmo assim.
E então ela me beijou.
Foi suave primeiro. Hesitante. Seus lábios tocando os meus com delicadeza.
Meu corpo respondeu antes que minha mente pudesse processar o que estava acontecendo entre nós. Meus lábios se abriram contra os dela. Minhas mãos encontraram seu cabelo, puxando-a mais perto.
O beijo se aprofundou, tornando-se mais urgente, mais necessitado.
Quando finalmente nos separamos, ambas respirávamos de maneira ofegante.
— Eu sabia — ela sussurrou.
— Sabia o quê? — perguntei confusa.
— Isto — ela disse simplesmente. — Esta confusão. Este desejo por algo que não deveria existir. Por alguém que não deveria desejar.
Ficamos deitadas juntas naquela noite, beijando-nos até que o sono finalmente nos venceu. E nas semanas que se seguiram, aquilo se repetiu. Beijos roubados em cantos escuros. Toques furtivos quando ninguém olhava.
Com o tempo, porém, já não eram apenas beijos. Havia também mãos que se demoravam um pouco mais do que deveriam, respirações suspensas na penumbra. Silêncios, suspiros e gemidos carregados de algo que nenhuma de nós ousava nomear.
Uma intimidade que sabíamos ser errada, mas à qual já não conseguíamos resistir.
Durou alguns meses.
Então Clara foi embora. Suas tias finalmente a tiraram do internato e ela foi viver com elas. Houve lágrimas. Promessas de cartas que nunca chegaram. E depois apenas silêncio.
Aprendi duas coisas com Clara.
Primeira: eu era diferente. Meus desejos não seguiam os caminhos que deveriam seguir. Enquanto outras meninas suspiravam por rapazes bonitos, eu sentia apenas vazio. Mas quando Clara me tocava, meu corpo ardia.
Segunda: pessoas como eu não tinham futuros felizes. Tínham apenas segredos e vergonha.
Passei os meses seguintes sozinha no internato. Não fiz mais amigas próximas. Não me permiti mais intimidade. Apenas estudei, li, e esperei.
Então, dois meses antes de completar dezesseis anos, recebi a notícia.
Um tal de Coronel Bernardino de Almeida Castanheira havia morrido. E em seu testamento, havia mencionado meu nome.
As freiras me chamaram ao escritório da Madre Superiora. Havia um homem lá. Um advogado com óculos e expressão séria.
— Senhorita Inês — ele começou, e a maneira formal como me chamou soou estranha — tenho notícias a lhe dar que podem ser um tanto... perturbadoras.
E então ele me contou tudo.
O Coronel Bernardino era meu pai. Minha mãe havia sido sua amante. Ela morrera ao me dar à luz. Ele me colocara no internato, pagando minha educação.
Agora que ele estava morto, não havia ninguém que poderia arcar com as despesas do internato. E sua viúva, Dona Eulália, sabendo da minha existência, decidira, por bondade ou culpa ou qualquer motivação que tivesse, trazer-me para viver na fazenda.
Lembro-me de sentar naquela cadeira, ouvindo palavras que mudaram completamente minha compreensão de quem eu era.
Eu não era órfã.
Era bastarda.
Não era menina sem família.
Era filha ilegítima de um homem que me mantivera escondida por vergonha.
A raiva veio depois. A amargura. O ressentimento por todas aquelas visitas de domingo que nunca tive. Por todos aqueles natais passados sozinha enquanto outras meninas iam para casa.
Ele estivera vivo todo aquele tempo. Podia ter me visitado. Mas não o fez.
Porque eu era seu segredo sujo.
***
Sacudi a cabeça, afastando aquelas memórias amargas.
Olhei para o envelope ainda fechado em minhas mãos.
Bianca Rossi.
Lembrei-me dela no baile. A maneira como me observara. Como fizera comentários afiados sobre o Comendador.
— Homens como ele — ela havia dito baixinho enquanto Cecília dançava com Luca — tem que colecionar esposas jovens como outros colecionam pinturas. Troféus para exibir sua virilidade fajuta apesar da idade avançada.
Eu havia piscado, surpresa pela franqueza.
— A Senhorita deveria tomar cuidado com quem compartilha tais pensamentos — respondi automaticamente.
— Eu sei disso e escolhi exatamente com quem eu queria compartilhar — ela confidenciou, com seu sorriso afiado. — Sei que para muitos é uma verdade inconveniente. Mas para você Inês, posso chamá-la assim, não é? — ela não esperou pela resposta — percebi como ele a olha. E percebi também como você se encolhe sob aquele olhar.
— Você não me conhece, Senhora — disse friamente.
— Senhorita. E não, realmente não a conheço — ela concordou. — Mas reconheço uma mulher inteligente demais para o papel que a sociedade lhe reservou. E suspeito que somos similares nesse aspecto.
Suas palavras ficaram comigo. Ecoando.
"Mulher inteligente demais para o papel que a sociedade lhe reservou."
Olhei para a carta novamente e abri o envelope de Bianca.
A caligrafia era firme.
"Querida Inês,
Espero que esta carta a encontre bem, embora suspeite que talvez não esteja.
Corre na vila um boato que muito me perturbou. Dizem que o Comendador Vasconcelos está cortejando-a formalmente com intenção matrimonial. Espero sinceramente que seja apenas fofoca infundada, as do tipo que vilarejos pequenos geram para entretenimento.
Mas se não for, se houver verdade nisso, preciso falar com você urgentemente.
Tenho algo a lhe contar. Algo que tem tem relação com o que vim fazer neste fim de mundo. Algo que pode oferecer alternativa ao que suspeito ser um futuro profundamente infeliz.
Não a conheço intimamente, Inês, e sei que esta carta pode lhe soar estranha. Conversamos brevemente no baile, nada mais. Mas reconheço em você algo que vejo em mim mesma.
Você é digna demais. Infinitamente digna demais para tornar-se troféu de homem que cobiça jovens moças para validar sua virilidade perante a sociedade.
Se estiver disposta a me ouvir, se estiver disposta a considerar uma outra alternativa, eu gostaria imensamente de visitá-la.
Se até a manhã do dia seguinte o mensageiro trouxer uma carta sua com resposta favorável, me espere para o chá, às quatro da tarde.
Aguardo sua resposta em breve.
Com sincera estima,
Bianca Rossi"
Li a carta três vezes.
"Uma proposta. Uma alternativa."
Que alternativa? O que Bianca poderia oferecer que mudasse minha situação? E ela mencionou seu trabalho… simplesmente não conseguia encontrar relação.
E afinal de contas, por que ela se importava? Por que uma mulher que mal me conhecia se daria ao trabalho de escrever tal carta?
Levantei-me, caminhando até a escrivaninha na biblioteca. Peguei papel, pena, tinta.
Minha mão pairou sobre o papel por um longo momento.
Deveria responder?
Mas então pensei no Comendador. Em suas mãos tocando as minhas. Em noites futuras em sua cama, gerando seus filhos, sendo sua posse.
Comecei a escrever.
"Cara Bianca,
Agradeço sua carta e sua preocupação, embora não tenha certeza de merecê-las.
O boato que ouviu na vila não é infundado. O Comendador de fato expressou suas intenções matrimoniais. A Senhora Eulália teve uma conversa inicial com ele, pois como acredito ser do seu conhecimento, não tenho familiares vivos. Ela considera a proposta vantajosa dadas minhas circunstâncias.
Não sei que alternativa poderia existir para mulher em minha posição. Mas confesso que sua carta me despertou curiosidade.
Se deseja visitar, será bem-vinda. Tomaremos chá e conversaremos sobre o que julgar apropriado.
Avisarei Dona Eulália de sua intenção de visita para que possamos recebê-la adequadamente.
Respeitosamente,
Inês Valença"
Levantei-me, segurando a carta já selada, e caminhei em direção à porta da biblioteca.
Precisava encontrar Dona Eulália. Precisava informá-la da visita de Bianca.
***
Encontrei Dona Eulália e Cecília na antessala, sentadas próximas à janela que dava para os jardins. Eulália bordava algo em um bastidor enquanto Cecília fingia ler um livro. Digo fingia porque percebi que seus olhos não se moviam pelas páginas.
Ambas ergueram os olhos quando entrei.
Vi imediatamente o olhar de Cecília se direcionar para a carta em minha mão. Seus olhos azuis se estreitaram levemente.
— Espero que não se importe, Senhora Eulália — disse — mas já respondi à correspondência que recebi esta manhã. Deixarei na bandeja para que Rute a entregue ao mensageiro quando este passar mais tarde.
Eulália ergueu os olhos do bordado, sorrindo.
— Tudo bem, Inês. Que bom que está mantendo correspondência com alguém. — Ela guardou o bordado na cesta ao seu lado. — Agora, que tal fazermos a refeição todas juntas? Já é quase meio-dia e Arminda deve ter preparado algo delicioso.
Hesitei apenas um segundo antes de assentir.
— Claro.
Eulália levantou-se, ajeitando as saias, e começou a caminhar em direção à sala de jantar. Cecília fechou o livro bruscamente e nos seguiu em silêncio.
A mesa estava posta com a louça do dia a dia. Arminda e Rute haviam preparado um caldo de legumes para começar, seguida de peixe assado, arroz com açafrão, salada de folhas verdes, e pudim de tapioca com coco para a sobremesa.
Eulália sentou-se na cabeceira, como sempre. Tomei meu lugar habitual, e Cecília, para minha surpresa, não se acomodou à minha frente, como vinha fazendo nos últimos dias. Em vez disso, escolheu a cadeira do outro lado de Eulália, mais distante de mim. Afastei o incômodo que insistiu em surgir. Era melhor assim. Manter distância.
Nossos olhos se encontraram brevemente quando ela se acomodou. Desviei rapidamente, focando na sopa que Rute acabara de servir.
— Vejo que as duas receberam correspondências hoje — Eulália comentou alegremente, levando a colher à boca. — Que novidade agradável! Esta casa anda tão quieta ultimamente.
Cecília mexeu sua sopa sem real interesse em comê-la.
— Sim, tia. Recebi duas cartas.
— Ah, sim! — Eulália exclamou. — Uma eu sei do que se trata, pois você me contou. Mas a outra... — ela sorriu — ...parece ser segredo, já que minha sobrinha ainda não compartilhou os detalhes.
Vi Cecília corar levemente.
— Não é exatamente segredo, tia — ela disse, depositando a colher com cuidado. — Uma carta é de mamãe, informando que ela, papai, vovó Ofélia, Francisca e Henrique virão me visitar em breve. Como já havia mencionado anteriormente.
— Sim, sim — Eulália assentiu. — Será maravilhoso recebê-los! Faz tanto tempo que não vejo Amélia e Antônio.
— E a outra carta não é segredo — Cecília continuou — é de Alberto Guimarães. Um... um amigo da cidade que também deseja fazer uma visita.
Senti incômodo ao ouvir aquele nome.
Alberto Guimarães.
Quem era esse rapaz que trocava correspondências com ela?
"Um amigo," ela havia dito. Mas pela maneira como seu rosto corou ao mencionar o nome, era claramente mais que isso.
— Alberto Guimarães! — Eulália praticamente cantarolou. — O filho do juiz Guimarães? Que é um rapaz encantador! Amélia mencionou em suas cartas que ele tem demonstrado interesse em você, Cecília. Que romântico!
Cecília não respondeu, apenas assentiu levemente.
Ouvir aquilo me deixou desconfortável. Senti uma irritação crescente apertar meu peito.
— E você, Inês? — Dona Eulália voltou-se para mim, captando minha atenção. Havia curiosidade genuína em sua voz. — Nunca a vi trocando correspondências com ninguém antes. Mas me alegro e muito em saber que fez uma amizade.
Limpei a garganta, escolhendo minhas palavras com cuidado.
— Bianca Rossi escreveu perguntando se poderia fazer uma visita — informei. — Provavelmente virá para um chá amanhã. Respondi que seria bem-vinda. Espero que não se importe.
— Oh! — Eulália piscou, surpresa. — A italiana que conhecemos no baile? A que estudou Direito?
— Sim, essa mesma — respondi.
— Que interessante! — Eulália sorriu. — Então teremos muitas visitas em breve. A família de Cecília, o jovem Alberto, e agora a Senhorita Rossi. A casa ficará animada como nunca!
— Realmente — Cecília disse, e havia uma certa rispidez em sua voz — é surpreendente quantas visitas teremos. — Ela pausou e seus olhos azuis fixaram-se aos meus com intensidade. — Embora me surpreenda mais ainda a pressa com que você respondeu à Bianca Rossi, Inês. Vocês mal se conhecem e já viraram amigas que trocam cartas?
Dona Eulália olhou entre nós duas com expressão confusa, claramente percebendo a tensão que atravessava a mesa, mas sem compreender sua origem.
— Acredito que deveria começar a formar laços de amizade — respondi friamente. — Bianca pareceu ter tantas histórias interessantes para contar. E para mim, ter momentos em companhias agradáveis agora é essencial. — Fiz uma pausa, deixando as próximas palavras caírem pesadas. — Pois no futuro, talvez minha vida esteja destinada a uma companhia profundamente enfadonha.
Cecília me lançou um olhar carregado de raiva antes de finalmente falar.
— Isso... — ela começou, com sua voz tremendo levemente — ...isso significa que você tomou a decisão, senhorita Inês? Então pretende aceitar o casamento com o Comendador?
Eulália quase deixou o copo de água cair.
— Cecília! — ela exclamou, chocada. — ela se virou para mim e seus olhos estavam arregalados. — Inês, você contou a ela?
— Não — respondi calmamente, embora meu coração batesse acelerado. — Não contei.
— Então como...? — Eulália começou, mas Cecília a interrompeu.
— Não importa, tia Eulália — ela disse com seus olhos ainda fixos nos meus. — Importa a resposta da senhorita Inês.
Ponderei se deveria responder. Se deveria admitir que ainda não decidira. Que a carta de Bianca trouxera uma esperança frágil e provavelmente tola.
Mas olhando para Cecília, decidi que o silêncio seria mais seguro.
Simplesmente continuei minha refeição, levando um pedaço de peixe à boca com movimentos calmos.
— Inês? — Dona Eulália iniciou calmamente. — Não quero lhe importunar, mas se acaso já tomou uma decisão, gostaria de tomar conhecimento.
— Ainda não decidi — disse firmemente, sem erguer os olhos do prato. — Quando decidir, a senhora será a primeira a saber.
Mas percebi que meu silêncio inicial, de recusa em responder, haviam gerado algo em Cecília.
Quando olhei para ela novamente, vi raiva ardendo naqueles olhos normalmente são tão suaves. Ela me fuzilava com o olhar e sua respiração estava visivelmente acelerada.
— Como pode... — ela começou, com sua voz baixa mas intensa — ...como pode sequer considerar...?
— Cecília — Dona Eulália interveio — isto não é assunto seu, sobrinha. É decisão de Inês e...
— Não é assunto meu? — Cecília voltou-se para a tia. — Como não é assunto meu quando estou vendo alguém que... que... — ela parou abruptamente de falar.
Ela me olhou, e por um momento pensei que fosse continuar. Mas então ela simplesmente jogou o guardanapo sobre a mesa e levantou-se bruscamente.
— Tia Eulália, peço desculpas pelos meus modos à mesa. Não irá se repetir — disse ela, com a voz um pouco mais baixa do que o habitual. — Sinto-me indisposta e perdi o apetite. Creio que seja melhor me retirar para os meus aposentos.
Eulália a olhou por um momento e então fez um leve aceno, dando-lhe permissão.
Cecília evitou meu olhar e saiu da sala de jantar com passos rápidos.
Dona Eulália e eu ficamos sentadas em silêncio por um longo momento.
— Inês — Eulália disse — o que está acontecendo com minha sobrinha? Você fez algo à ela?
— Nada está acontecendo — menti, voltando minha atenção para a comida. — Cecília está apenas... emotiva. Talvez o adoecimento de alguns dias a tenha deixado mais sensível.
Eulália me olhou por um longo momento, então suspirou.
— Você deve ter razão...
Terminamos a refeição em silêncio. Quando finalmente pedi licença e me levantei, senti os olhos de Dona Eulália me seguindo.
Fim do capítulo
Minhas queridas leitoras,
Quero começar dizendo o quanto estou feliz em ver vocês acompanhando a história com tanto carinho. Saber que estão gostando, comentando e se envolvendo com cada detalhe tem sido algo muito especial para mim.
Porém, cheguei a um ponto em que preciso tomar uma decisão importante e espero de coração que vocês entendam e não fiquem chateadas. A história terá mais dois ou três capítulos, que já estão escritos, mas passarão por algumas modificações. Percebi que não fiquei satisfeita com a forma como organizei a ordem dos acontecimentos, então quero ajustá-los para que tudo faça mais sentido.
Também deixo claro que a história não será abandonada e não ficará sem final. Pelo contrário, ela está apenas chegando ao fim da sua primeira parte. Esse será o encerramento da Parte I.
E sim… haverá uma Parte II. Confesso que ela ainda não foi colocada no papel, mas está cheia de ideias, possibilidades e caminhos que não param de surgir na minha cabeça... hahaha
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VanessaVS
Em: 31/03/2026
Querida autora,
Cada capítulo foi como um pequeno abismo, daqueles que nos puxam para dentro sem que percebamos, e eu me vi esperando por cada atualização com o coração inquieto, ansiando por mais um fragmento desse universo que você construiu com tanto cuidado.
É possível sentir, em cada detalhe, o quanto essa história é importante para você. Por isso, compreendo profundamente a sua decisão de revisitar e reorganizar suas ideias. Algumas narrativas pedem esse tempo, antes de seguirem adiante e não há pressa quando algo é feito com verdade.
Fico imensamente aliviada em saber que ela não será abandonada. E saber que este será apenas o encerramento de uma primeira parte desperta em mim uma expectativa intensa, pelo que ainda está por vir.
Estarei aqui, aguardando com paciência, mas também com o coração apertado de antecipação.
Obrigada por criar algo que toca, envolve e permanece.
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MalluBlues Em: 10/04/2026 Autora da história
Nossa, Vanessa.. me emocionei e deu um quentinho no coração ler o que você escreveu. Espero não te decepcionar com a sequência da história. Como disse, finalizará a parte I, mas teremos a II.