Quarto 42
Motel Solaris — Quarto 42, 20h02
Verena esperou.
O som metálico da tranca girando ecoou como um tiro no corredor estreito. A porta abriu devagar. Lilian estava parada ali. No meio da luz amarela e doentia do quarto.
Não vestia nada além de uma lingerie de renda preta. Transparente. Obscena naquele contexto. Segurava um copo de uísque em uma das mãos, o líquido âmbar balançando devagar. Na outra, o indefectível cigarro de menta queimava, a fumaça subindo preguiçosa, empestando o ar instantaneamente.
O cheiro de álcool, tabaco e do perfume doce e enjoado invadiu as narinas de Verena. Seu estômago revirou. Uma vontade visceral de vomitar ali mesmo, na porta daquele buraco.
Lilian sorriu. Um sorriso lento, cínico, repuxando o canto dos lábios pintados de vermelho escuro. Os olhos escuros varreram o corpo de Verena de cima a baixo com um desejo possessivo e nojento. Pararam na camisa de seda escura.
— Pontual como sempre, Vê. — A voz saiu arrastada, rouca pela fumaça.
Lilian deu uma tragada longa no cigarro, sustentando o olhar furioso da outra. Soltou a fumaça na direção do rosto da deputada. Um deboche silencioso.
— Entra. — Ela recuou um passo, dando espaço, a renda escura emoldurando o corpo que, meses atrás, tinha tocado Verena enquanto ela estava desacordada.
Verena travou a mandíbula até os dentes rangerem. As unhas cravaram na palma das mãos dentro do bolso da calça. A fúria assassina lutando contra o nojo paralisante.
Vagabunda psicopata.
Ela deu um passo à frente e cruzou o batente. Entrou no inferno de livre e espontânea vontade. A porta fechou atrás dela com um baque surdo. O clique da tranca selando a armadilha.
Lilian riu. Um som baixo, rascante.
Deu o primeiro passo, começando a circular a deputada. O piso vagabundo rangia sob os pés descalços da jornalista. Ela andava devagar, com a precisão de um predador medindo a presa encurralada.
Verena continuou imóvel. Os punhos cerrados dentro dos bolsos.
Lilian parou a poucos centímetros dela. Levou o cigarro aos lábios pintados, puxou a fumaça e soltou lentamente. A névoa cinza e mentolada bateu direto no rosto rígido de Verena.
Os olhos da jornalista desceram pelo corpo da deputada. Um olhar sujo. Demorado. Erótico. Uma posse silenciosa que fez o sangue de Verena ferver de ódio.
— Bonita a camisa. Mas confesso que preferia a azul. — Murmurou, a voz carregada de malícia, inclinando a cabeça. — Contrastava tão bem com a sua pele... espalhada naqueles lençóis.
O maxilar de Verena estalou. A fúria cega quase rompendo as barreiras do autocontrole. Lilian sorriu mais largo, saboreando a raiva da outra. Ergueu a mão que segurava o copo de uísque.
A ponta dos dedos roçou o ombro de Verena. Um toque leve, possessivo. Quase íntimo.
Verena recuou com violência. Foi como encostar em ácido. O corpo inteiro reagiu num solavanco brusco, o ombro sacudindo para longe da mão da mulher com um asco incontrolável.
— Não toca em mim, sua vadia.
O rosnado rasgou sua garganta. Grave. Feroz. Letal.
Lilian parou com a mão no ar. Mas não se assustou. Pelo contrário. O sorriso cínico apenas aumentou, os olhos escuros brilhando com o prazer absoluto de ter a mulher mais poderosa da Assembleia Legislativa tremendo de nojo na sua frente.
A palavra vadia bateu em sua mente e escorreu como água. Ela não piscou. O sorriso cínico não vacilou um milímetro. Apenas soltou mais uma lufada de fumaça cinza no espaço minúsculo que as separava.
Sem quebrar o contato visual, Lilian deu o último passo. A distância sumiu. O cheiro enjoativo de menta e álcool invadiu os pulmões de Verena, misturado ao calor da pele quase nua da jornalista, que escorregou a mão livre pela lateral do corpo de Verena, o polegar roçando no tecido caro da camisa, e pousou, firme e possessiva, na cintura da deputada. Os dedos apertaram a carne por cima da roupa. Uma demarcação de território nojenta.
A sanidade de Verena se partiu ao meio. Não houve cálculo político. Não houve raciocínio. Apenas o instinto primitivo de uma mulher acuada e letal. Num movimento explosivo, Verena avançou.
O impacto foi seco e violento. Ela agarrou Lilian e a jogou para trás com toda a força do próprio corpo. O baque surdo das costas da jornalista contra a parede de alvenaria fez o quarto tremer. O uísque espirrou do copo de vidro, manchando o tapete encardido.
A mão direita de Verena subiu num reflexo assassino. Os dedos longos se fecharam ao redor do pescoço de Lilian. E apertaram. Forte. Com a intenção crua e direta de machucar. De esmagar a traqueia e sufocar a arrogância daquela psicopata até ela implorar.
Verena prensou o corpo contra o dela, o peito arfando, os olhos injetados de um ódio cego. Mas Lilian não tentou se soltar. Não debateu.
Com as costas esmagadas na parede e o ar sendo cortado pela mão da mulher mais poderosa da Assembleia, a jornalista jogou a cabeça para trás.
E riu.
Um som rascante, que morreu no fundo da garganta estrangulada e se transformou em outra coisa.
Um gemido.
Rouco. Abafado. Totalmente entregue.
Lilian fechou os olhos por um segundo, os lábios se abrindo num delírio físico. O sadismo e a dor se misturando em puro prazer distorcido. Ter Verena Castilho ali, perdendo o controle, violenta e focada inteiramente nela, era a sua droga mais pesada.
— Mais forte... — Lilian sussurrou, a voz rasgando contra a pressão dos dedos de Verena. Ela abriu os olhos, escuros e dilatados pela excitação doentia, encarando a deputada de baixo para cima. — Aperta, Vê. Você fica linda... quando é de verdade.
O gemido bateu no rosto de Verena como um jato de esgoto.
A respiração da deputada travou. Os olhos escuros desceram para o rosto da mulher, capturando a expressão dilatada, o pescoço esticado, os lábios entreabertos em pura excitação.
Não era medo. Lilian não estava lutando pela vida.
A psicopata estava se alimentando da violência. O ódio puro de Verena era exatamente a droga que ela queria. Prensá-la contra a parede, apertar seu pescoço... Verena não estava punindo Lilian. Estava dando a ela o controle absoluto, disfarçado de submissão.
O nojo foi fulminante. Tóxico.
A deputada abriu os dedos num espasmo violento. Soltou a garganta da outra como se tivesse encostado em carne em decomposição.
Recuou dois passos apressados, quase perdendo o equilíbrio no salto. A respiração saía rasgada. Ela esfregou a palma da mão direita na própria calça com força, freneticamente, tentando arrancar a sensação da pele da jornalista da sua.
O asco embrulhava seu estômago a ponto de fazê-la querer cuspir no chão.
Lilian escorregou alguns centímetros pela parede. Tossiu, uma tosse seca e rascante, levando a mão livre ao pescoço onde as marcas dos dedos de Verena já formavam vergões vermelhos.
Mas o sorriso continuava lá. Cínico. Sádico.
— Foi rápido demais. — Ela sussurrou, a voz arranhada, lambendo o canto da boca manchado de batom. — Você costumava ter mais fôlego, Vê.
Verena fechou os olhos por um milissegundo. O ar no quarto sufocava. Quando os abriu, a fúria irracional havia sumido. O que restava era um poço escuro e gelado. A mulher passional recuou, a raposa política da ALESP, a advogada implacável, assumiu o comando do quarto.
Se a dor física excitava a jornalista, Verena usaria a única linguagem que restava: negociação fria.
Ela ajeitou a gola da camisa em um movimento contido. Ergueu o queixo, olhando para a mulher de lingerie como se encarasse uma barata esmagada no tapete.
— O que você quer pra deixar a Valentina em paz? — A voz de Verena cortou o quarto, baixa, metálica, desprovida de qualquer emoção humana. — Todo verme tem um preço, Lilian. Qual é o seu?
A tosse de Lilian finalmente cessou.
Ela se endireitou devagar contra a parede, as marcas vermelhas dos dedos de Verena já se desenhando na pele clara do pescoço. Era um troféu que ela exibia com um orgulho doentio.
Ela soltou uma risada baixa, quase sem fôlego.
— Verme? — Repetiu a ofensa, saboreando a palavra no céu da boca.
Deu um passo curto à frente, mas não tocou em Verena dessa vez. O olhar escuro e dilatado varreu a postura rígida e impecável da deputada.
— Você acha que eu te arrastei pra esse buraco pra pedir dinheiro, Castilho? — A voz rascante ecoou no quarto abafado. — Pra cobrar um cargo comissionado na Assembleia? Pra foder o Barros no meu programa de TV?
O silêncio de Verena era absoluto. Uma estátua de gelo e ódio. Lilian umedeceu os lábios manchados de batom. O sorriso sádico voltou, rasgando o rosto.
— Meu preço é muito mais caro. E muito mais simples. — A voz caiu para um sussurro rasteiro, carregado de luxúria e crueldade. — Eu quero você. Lúcida. Sabendo exatamente o que tá fazendo.
O estômago de Verena deu um solavanco violento. A bile subiu à garganta.
— Quero que você tire essa camisa. Devagar. Olhando nos meus olhos. — Lilian deu mais um passo, a respiração batendo no rosto de Verena. — Quero que você deite naquela cama nojenta, lembrando que a sua esposa perfeita tá em casa, contando os dias pro bebezinho de vocês nascer... enquanto você se vende pra mim pra salvar a porr* de uma faveladinha do ensino médio.
O ar no Quarto 42 acabou.
A respiração de Verena travou no peito. A chantagem não era política. Era a destruição completa, humilhante e absoluta da sua dignidade. O choque de realidade batendo contra a promessa que fizera a Silvia poucas horas antes.
Lilian ergueu a mão, os dedos adornados com anéis caros, e apontou para a cama redonda de lençóis vermelhos no centro do quarto.
— Esse é o preço do meu silêncio, Vê. — Lilian murmurou, os olhos brilhando de triunfo. — Paga. Ou amanhã de manhã a Silvia recebe a foto da sua calourinha, saindo do seu carro, na mesa do café.
A palavra bebezinho bateu nos ouvidos de Verena e estilhaçou sua sanidade. O sangue congelou e, no milissegundo seguinte, ferveu. A clínica ficava fora da rota. O contrato de confidencialidade era blindado. Ninguém além dela e Silvia sabiam que a transferência tinha sido feita. Ninguém.
Verena não recuou. Ela explodiu.
O movimento foi ainda mais rápido e letal que o primeiro. Ela avançou como um animal acuado. As duas mãos agarraram os ombros nus de Lilian, os dedos cravando na pele com força suficiente para deixar hematomas roxos instantâneos.
Verena girou o corpo e arremessou a jornalista contra a porta de madeira trancada.
O baque foi ensurdecedor. O copo de uísque escapou da mão de Lilian, estilhaçando no chão. O vidro voou pelo carpete imundo, o líquido âmbar manchando os sapatos caros de Verena.
Ela subiu a mão e cravou os dedos no maxilar de Lilian, esmagando o crânio dela contra a madeira. O rosto de Verena estava a milímetros do dela. Os olhos escuros e opacos de quem estava prestes a cometer um homicídio a sangue frio.
— Como você sabe do bebê? — A voz de Verena não era um grito. Era um rosnado gutural, vibrando com puro ódio. — Fala, sua doente do caralh*. Como você sabe?!
Lilian arfou. O impacto tirou seu fôlego, mas a dor funcionou como um choque elétrico.
Ela não tentou afastar a mão que esmagava seu rosto. Pelo contrário. Arqueou as costas, os olhos dilatados, o sorriso manchado se contorcendo num prazer doentio.
— Eu sou jornalista, meu amor... — Sussurrou, a voz rascante, o hálito de álcool e fumaça batendo nos lábios de Verena. — Dinheiro compra qualquer coisa. Até o sigilo de uma recepcionista. Acha mesmo que eu ia deixar você brincar de casinha perfeita sem mim?
Verena apertou o maxilar da outra até os dedos tremerem. A madeira da porta rangeu.
— Eu juro que eu te mato aqui dentro.
— Então mata, Vê. — A mulher provocou, fechando os olhos em puro êxtase, o peito subindo e descendo rápido sob a renda preta, roçando de propósito contra a camisa de seda. — Mas se eu não sair daqui hoje... a Silvia recebe a foto amanhã. O Barros recebe o dossiê na segunda. Vai, deputada... aperta mais.
Lilian abriu os olhos. Escuros. Sádicos. Vencedores.
— Me mata ou me fode. A escolha é sua.
A respiração de Verena parou.
O ódio cego e irracional recuou um milímetro. Apenas o suficiente para a advogada criminalista e a política implacável assumirem o controle da fera. Lilian queria dor. Queria submissão. Estava dopada pela própria arrogância, achando que tinha todas as cartas na mão.
Verena afrouxou os dedos que esmagavam o maxilar da jornalista. Mas não recuou. Em vez disso, a mão desceu lentamente, espalmando na base do pescoço dela, sentindo o pulso acelerado bater contra a própria palma.
Um sorriso quebrou a rigidez de seu rosto. Um sorriso sem nenhum calor. Frio como a lâmina de um bisturi.
— Você acha que está jogando xadrez com uma amadora, Lilian? — A voz de Verena caiu para um sussurro metálico, perigoso.
O sorriso sádico da jornalista vacilou pela primeira vez. Uma fração de segundo de incerteza.
— Você é uma âncora de TV brilhante. Mas é prepotente. E prepotência deixa rastros. — Verena aproximou o rosto, os narizes quase se encostando. — Acha que eu apaguei os SMS de hoje? As mensagens onde você documenta chantagem? Extorsão financeira e moral? Ameaça direta a uma menor de idade?
Lilian engoliu em seco. A garganta arranhando sob a pele machucada.
— Você confessou por escrito que me dopou, Lilian. Que roubou minhas roupas. — Verena continuou, cada palavra um prego no caixão. — Se você vazar essa foto pra Silvia... se o Barros receber o dossiê, meu casamento realmente acaba. Meu mandato vira pó. Eu perco tudo.
Verena apertou os dedos na clavícula da jornalista, forçando-a contra a madeira mais uma vez, mas agora sem fúria. Apenas com o peso da autoridade.
— Mas você vem junto.
O silêncio ficou denso. Insustentável. O blefe de Lilian estava sendo pago com a mesma moeda. Mútua destruição assegurada.
— Eu pego o meu celular, saio desse buraco imundo e vou direto pra sede da Polícia Federal. Eu sento na frente de um delegado e entrego a minha própria cabeça. — Verena sussurrou as sílabas com um prazer cortante. — E junto com a minha, eu entrego a sua. O seu celular é apreendido amanhã de manhã. A quebra do seu sigilo bancário revela o pagamento da recepcionista da clínica que você subornou.
A respiração de Lilian perdeu o ritmo erótico. Tornou-se curta. Tensa.
— Eu saio algemada, Lilian. Mas você troca a bancada de vidro do seu programa no horário nobre por uma cela superlotada em Tremembé. A sua carreira intocável morre no mesmo segundo que a minha.
Verena a soltou de uma vez. Recuou um passo, ajeitando a gola da camisa de seda com absoluto desdém. A mulher passional havia morrido, a predadora do plenário estava ali.
— Vai em frente. — Verena apontou para a cama, onde Lilian queria que ela deitasse. O olhar transbordando desafio e uma pitada de insanidade. — Pega o celular. Vaza a foto pra Silvia agora. Acaba com a minha vida. Vamos ver quem apodrece na cadeia primeiro.
O silêncio engoliu as ameaças de Verena.
A deputada esperou o recuo. A quebra do ego. O pânico de uma figura pública brilhante vendo a cela da prisão se abrir. Era a lógica irrefutável da destruição mútua.
Mas Lilian não piscou.
A jornalista continuou encostada na porta, a respiração pesada, o peito arfando sob a renda preta. O sorriso não vacilou. Pelo contrário. Ele se alargou, rasgando o rosto num esgar quase demoníaco.
Verena estreitou os olhos.
Havia algo errado. Muito errado.
As pupilas de Lilian estavam dilatadas até engolirem quase toda a íris. Um abismo negro, brilhante e vazio. O suor fino que cobria a pele clara dela não era só da excitação. Havia um cheiro sutil por baixo da menta e do álcool. Um cheiro químico. Metálico.
Ela estava dopada.
A constatação bateu em Verena como uma bigorna no estômago. A raposa política esbarrou de frente num muro impenetrável: a loucura. Não há espaço para blefar com quem já entregou as fichas.
— Cadeia... — Lilian sussurrou. A voz flutuava, arrastada, como se a palavra fosse um doce derretendo na língua. — Você... algemada comigo. Na mesma cela. O país inteiro assistindo.
Lilian riu. Uma risada fraca, rouca, que borbulhava do fundo da garganta. Ela desencostou da madeira devagar, o corpo cambaleando uma fração de milímetro antes de se firmar.
— Você não entende, Vê... — A mulher deu um passo à frente. O salto agulha afundando no carpete sujo. — Eu não dou a mínima pro meu programa. Eu não ligo pra porr* do Barros.
Ela ergueu a mão trêmula. Os dedos frios tocaram a lapela da camisa de Verena. A deputada travou o maxilar, a bile queimando a garganta, mas não recuou dessa vez. Estava hipnotizada pelo nível de psicopatia pura à sua frente.
— Eu queimo tudo. A minha carreira, a sua, o seu casamento, aquela magrela inútil... — Lilian aproximou o rosto, o hálito quente batendo no queixo de Verena. — Eu queimo o mundo inteiro. Contanto que a gente queime junto.
O impasse doentio se instalou. Verena segurava a arma na cabeça de Lilian. Mas a própria era quem puxava o gatilho, sorrindo.
— Tira a camisa. — A jornalista repetiu. O tom agora era autoritário, cego, os olhos vidrados nos lábios da deputada. — Ou eu aperto "enviar" agora mesmo e a Silvia vê a foto da calourinha saindo do carro da mulherzinha dela. A escolha não mudou.
A negociação tinha acabado. Verena estava trancada num quarto com um animal raivoso, anestesiado e disposto a morrer. Sem saída, ela ergueu as mãos. Os dedos, frios e precisos, agarraram o primeiro botão de madrepérola da camisa escura.
Lilian parou de respirar. O delírio químico em seus olhos se transformou em fascínio absoluto. A âncora de TV intocável acabara de se curvar.
O primeiro botão se abriu. Depois o segundo. A pele do colo da parlamentar ficou exposta sob a seda.
Verena engoliu a bile que queimava a garganta. Ela não era estúpida. Sabia que aquela psicopata devia ter a foto salva em mil nuvens e backups diferentes. Mas a arma apontada para a cabeça de Silvia agora, o dedo no gatilho estava ali. Na mão esquerda de Lilian. Ela precisava do aparelho. Precisava de tempo.
Lilian soltou um som baixo, gutural. O braço que segurava o celular abaixou alguns centímetros. A guarda caindo aos pedaços, demolida pela luxúria e pelas drogas.
A jornalista avançou. Cega. Faminta.
O rosto de Lilian afundou na curva do pescoço de Verena.
A deputada fechou os olhos com tanta força que sua visão escureceu. Os lábios manchados de batom eram úmidos, febris e repulsivos. Os beijos molhados e sádicos deixavam rastros de saliva, álcool e menta em sua pele. Era uma violação contínua, rastejando por seus poros.
Pela Silvia. Pela Valen.
Verena usou uma força mental descomunal, quase inumana, para não vomitar. Para não erguer o joelho e estraçalhar as costelas da mulher.
Em vez disso, ela soltou um suspiro forjado. E deu um passo sutil para trás.
Lilian a seguiu imediatamente, tropeçando no próprio salto, a boca sugando a pele do pescoço de Verena com um desespero animal, a mão direita agarrando o tecido aberto da camisa para puxá-la mais para perto.
Mais um passo para trás.
O piso encardido rangeu. Elas estavam ao lado da cama redonda. A centímetros do criado-mudo de fórmica barata.
Verena abriu os olhos. O abismo gelado estava de volta. Frio. Calculista. Letal.
O celular estava pendurado nos dedos frouxos de Lilian, roçando na cintura de Verena. Ela deslizou as mãos pelas costas nuas da jornalista, os dedos contornando a renda preta, encenando a entrega perfeita enquanto o próprio estômago revirava em agonia.
Ela era mais alta. Mais forte. Mas não podia errar. Um milímetro fora do cálculo, um sobressalto, e o polegar de Lilian encostaria na tela.
Verena travou a respiração. Os músculos do braço direito tensionaram sob a seda.
Ela só precisava do ângulo perfeito. Do segundo exato.
Motel Solaris — Quarto 42, 21h06
A boca de Lilian ainda descia pelo pescoço de Verena quando o bote aconteceu.
Não houve aviso. Não houve hesitação.
A mão direita de Verena rasgou o espaço entre elas. Os dedos longos fecharam ao redor do celular com uma precisão cirúrgica, arrancando o aparelho da mão frouxa da jornalista.
No mesmo milésimo de segundo, a mão esquerda de Verena espalmou com violência no peito nu de Lilian, logo acima do sutiã. Um empurrão brutal. Carregado de todo o nojo e ódio reprimidos.
Lilian arregalou os olhos. O salto agulha torceu no carpete. Ela perdeu o equilíbrio e despencou para trás, batendo as costas com força contra o colchão de lençóis vermelhos.
Verena não olhou para a mulher caída.
Ela ergueu o celular acima da cabeça e o arremessou contra o chão com toda a força do próprio corpo. O estalo foi alto, seco. O vidro da tela explodiu em dezenas de cacos brilhantes. A carcaça do aparelho entortou e se partiu ao meio, morrendo instantaneamente no piso encardido.
A foto, prova de sua traição, acabara de virar pó de vidro. O sorriso sádico de Lilian sumiu. O delírio cedeu lugar a uma fúria absoluta, injetada e insana. Ela rosnou. Um som animalesco. E rolou pelo colchão com uma agilidade que o entorpecente não deveria permitir.
Verena avançou. O punho cerrado, pronta para puxar a mulher pelo cabelo e acabar com aquilo de uma vez por todas.
Mas a deputada congelou no meio do passo. O sangue sumiu do seu rosto. Todos os músculos do seu corpo travaram ao mesmo tempo. Lilian não estava tentando fugir. Ela havia mergulhado a mão dentro da bolsa de grife esquecida no criado-mudo.
Quando a jornalista se virou de volta para Verena, sentada na beira da cama, os olhos escuros ardiam com um brilho letal. Sua mão tremia levemente por causa da química no sangue, mas o objeto de metal escuro que segurava era irrefutável.
O cano curto estava apontado direto para o peito da deputada.
Uma pistola calibre 22.
O silêncio no quarto ficou denso. Sufocante. O cheiro de pólvora imaginária já se misturando à fumaça do cigarro e ao álcool. Verena ergueu as duas mãos devagar, na altura dos ombros. A respiração curta. O blefe político tinha morrido. A chantagem tinha morrido. Ali, o jogo era de sangue.
Verena engoliu em seco. As mãos continuavam erguidas na altura dos ombros. O cano escuro da .22 tremia levemente nas mãos de Lilian, acompanhando a respiração febril e química da jornalista.
Um tiro daqueles, a essa distância, não precisava de precisão. Ele entrava e rasgava. Verena ativou o único recurso que conhecia: o controle de danos. A voz da diplomacia tentando domar o incêndio.
— Lilian... — A voz da deputada saiu baixa, modulada, projetando uma calma artificial. — Abaixa isso. Você não é uma assassina. Nós duas estamos nervosas. Destruir um aparelho não vale uma pena de homicídio qualificado. Solta a arma e nós podemos resolver...
— Cala a boca!
O grito rasgou o espaço confinado. Agudo. Histérico. Letal.
A mão armada avançou um palmo na direção do rosto de Verena. O sorriso sádico tinha sumido completamente. O que restava era uma expressão maníaca, os olhos escuros transbordando um ódio cego e obsessivo.
— Chega de discurso, deputada! Chega da sua voz arrogante e polida! — Lilian cuspiu as palavras. O peito arfava violentamente sob a renda preta. Ela chutou os cacos do celular no tapete com a ponta do salto. — O seu joguinho político acabou. A porr* do tabuleiro quebrou.
A arma apontou direto para o meio da testa de Verena. Uma gota de suor frio escorreu pela nuca da deputada, descendo pela coluna sob a seda escura. A morte nunca esteve tão perto, nem teve um cheiro tão forte de cigarro de menta.
Lilian inclinou a cabeça. O olhar doentio brilhou com uma nova ideia, a fúria abrindo espaço de volta para o sadismo puro. Ela tinha a mulher mais poderosa da Assembleia sob a mira de uma arma.
— Eu mandei você tirar a camisa. E você quebrou as minhas coisas. Você foi uma menina muito má, Vê.
O cano da pistola desceu devagar. Passou pelo rosto pálido de Verena, pelo peito, desceu pela calça e parou apontado diretamente para a rótula do joelho esquerdo da deputada.
— Ajoelha. — A ordem saiu num sussurro rascante e implacável.
Verena travou o maxilar. O orgulho, a dignidade, a mulher que jamais se curvava para ninguém gritando em cada célula do seu corpo para não ceder.
Lilian destravou o cão da arma com o polegar.
Clique.
O som metálico foi a coisa mais alta que Verena já ouviu na vida.
— Ajoelha, Verena. Agora. — O sorriso voltou aos lábios da jornalista, cruel e vitorioso. — Ou você volta pra sua esposa rastejando.
A raposa política, a advogada criminalista, a mulher que não abaixava a cabeça para coronéis. Tudo desmoronou diante do cano escuro daquela calibre .22. Se Lilian puxasse o gatilho, a vida de Silvia seria destruída. Seu filho nasceria sem uma das mães. E a foto de Valentina estamparia os jornais da manhã seguinte.
Verena fechou os olhos. O maxilar travado até doer. E, devagar, os joelhos dobraram. O tecido caro da calça tocou o carpete sujo do motel. Ela estava no chão. Ajoelhada aos pés de uma mulher dopada e armada.
Lilian soltou um suspiro trêmulo. Um som de puro êxtase preenchendo o quarto.
— Boa garota... — A jornalista sussurrou, a voz flutuando na química, arrastada. — Agora, pega o seu celular, Vê. Bem devagar.
As mãos de Verena tremiam milimetricamente quando ela alcançou o bolso da calça. Puxou o aparelho.
— Liga pra ela. — A mulher ordenou. O cano da arma subiu, encostando na pele exposta do colo de Verena, bem onde os botões da camisa já estavam abertos. O metal estava incrivelmente gelado. — Viva-voz. E se a sua voz tremer, eu atiro.
Verena engoliu a bile. Desbloqueou a tela. O polegar pairou sobre o contato antes de apertar ligar.
Um toque. Dois.
O som da chamada ecoava no quarto abafado, misturando-se à respiração ofegante de Lilian. O cano da arma subiu pelo pescoço de Verena, traçando a linha da mandíbula com uma lentidão sádica e calculada.
— Oi, meu amor.
A voz de Silvia preencheu o quarto. Doce. Arrastada pelo sono e pelo cansaço do dia. O som do lar. O som de tudo o que Verena estava prestes a perder para sempre. Uma lágrima quente, solitária e carregada de ódio puro, escapou do seu olho esquerdo.
— Oi, Sil. — Verena forçou a voz a sair firme, aveludada, a máscara perfeita sendo soldada no rosto sob a mira de uma arma. — Te acordei?
— Quase... — Silvia bocejou do outro lado da linha, o barulho de lençóis se movendo indicando que ela estava na cama delas. Segura. — Como tá o jantar com os engravatados? O Barros já cedeu?
Lilian sorriu. Um sorriso largo, maníaco e silencioso. Ela pressionou o cano da pistola com força contra a bochecha de Verena, forçando a deputada a virar o rosto levemente.
— Tá... tá sendo difícil. — Verena fechou os olhos, a voz embargada perfeitamente disfarçada de exaustão política. — O clima aqui tá pesado. Acho que vai demorar mais do que eu imaginava.
Lilian inclinou o corpo. A mão livre mergulhou nos cabelos escuros de Verena, puxando os fios com força para trás, obrigando a deputada a expor ainda mais o pescoço.
— Poxa... — A voz de Silvia soou carente, decepcionada, a depedência hormonal transparecendo na linha. — Eu tava te esperando pra abrir aquele vinho. Preciso de você Vê. Nossos filhos também.
O estômago de Verena despencou no abismo. O metal da arma desceu novamente, roçando os lábios cerrados da deputada. Lilian murmurou um "shhh" inaudível, os olhos escuros brilhando em triunfo absoluto pela menção da gravidez.
— Eu sei, meu amor. Me desculpa. — A respiração de Verena falhou por um milésimo de segundo. O desespero arranhando a garganta. — Eu amo você. Não esquece disso. Eu amo muito vocês.
— Eu também te amo, amor. Acaba com eles e volta pra casa.
— Pode deixar. — Verena sussurrou.
Ela encerrou a chamada. A tela do celular apagou.
O silêncio que se seguiu foi o mais ensurdecedor da vida de Verena. Ela estava de joelhos, chorando de ódio silencioso, o coração de Silvia intocado do outro lado da cidade, e a arma de Lilian ainda apontada para o seu rosto.
A jornalista recolheu a pistola. Olhou de cima para a mulher acuada, completamente submissa e quebrada aos seus pés.
— Viu só? — Riu, a voz rouca rasgando o ar esfumaçado. — Não doeu nada. Agora tira o resto dessa camisa.
Motel Solaris — Quarto 42, 21h38
O silêncio engoliu as últimas palavras de Lilian.
Ajoelhada no carpete encardido, Verena abaixou a cabeça. A segunda lágrima escorreu, quente e silenciosa, pingando na calça de alfaiataria. Mas não por desespero. Era luto. Luto pela mulher civilizada que ela estava prestes a enterrar naquele quarto.
As mãos longas, trêmulas pela adrenalina e pelo ódio contido, subiram até a gola da camisa. Os dedos encontraram o terceiro botão de madrepérola.
Um.
O tecido cedeu, revelando o início do sutiã de renda. O estômago de Verena revirou com uma violência física, a bile queimando a base da garganta.
A arma de Lilian abaixou uma fração de milímetro. Apenas o suficiente para acompanhar a linha da pele exposta. A jornalista soltou um suspiro pesado, inebriado, a pupila dilatada devorando a derrota da mulher a sua frente.
Dois.
O quarto botão se soltou. O tecido escorregou pelos ombros rígidos de Verena.
Sua mente, porém, já não estava no próprio corpo. O instinto de sobrevivência dera lugar à precisão gélida da advogada criminalista. Atrás da cortina de lágrimas e humilhação, os olhos escuros de Verena mapeavam o inferno.
O cano da arma devia estar a trinta centímetros do seu peito. O salto agulha de Lilian estava afundado no tapete, instável. A três palmos do seu joelho direito, o chão estava forrado com os cacos grossos da tela do celular destruído.
Verena soltou um soluço baixo. Falso. Perfeitamente modulado para soar como uma mulher quebrando por dentro.
Lilian sorriu, o delírio sádico atingindo o ápice. Ela deu meio passo à frente, diminuindo a distância. A mão que segurava a arma relaxou o pulso por um milésimo de segundo, enquanto a mão livre descia para tocar o ombro nu de Verena.
O tecido de seda finalmente deslizou pelos braços da deputada, caindo silenciosamente no chão ao redor de seus joelhos. Ela estava despida da cintura para cima. Vulnerável. Esmagada.
Lilian ofegou, inalando o perfume de Verena como um animal faminto. A arma já não apontava para um ponto vital, pendendo ligeiramente para baixo, enquanto a jornalista se preparava para saborear sua vitória absoluta.
Verena ergueu o rosto devagar.
As lágrimas ainda molhavam suas bochechas, mas a expressão havia mudado. Refletia uma sentença de morte. Sua mão direita, caída estrategicamente ao lado do corpo, pairou a centímetros do maior caco de vidro no carpete.
Estava pronta para dar o bote.
As bordas irregulares do estilhaço rasgaram a palma da sua mão instantaneamente, afundando na carne. Verena não sentiu. A adrenalina e o ódio anestesiaram tudo. No milésimo de segundo em que Lilian piscou, inebriada pela submissão e pelo poder, Verena girou o tronco para cima e cravou o vidro rasgando a panturrilha nua da jornalista.
O grito de Lilian foi agudo, rasgando o ar esfumaçado. O susto e a dor fulminante fizeram a perna dela ceder. O salto torceu. E o dedo no gatilho contraiu por puro espasmo nervoso.
O estampido da arma .22 num quarto fechado foi ensurdecedor. O tiro não teve mira. A bala zumbiu a centímetros do ombro nu de Verena e estilhaçou o espelho barato pendurado na parede lateral, chovendo cacos prateados sobre o tapete.
Um zumbido agudo e metálico tomou conta dos ouvidos da deputada. Mas ela não parou. Aproveitando o desequilíbrio de Lilian, Verena não tentou um golpe técnico. Ela usou o próprio peso e avançou como um trator. Um atropelamento brutal e desesperado.
As duas despencaram emboladas no chão encardido.
Foi uma luta feia. Suja. Animalesca. Lilian debatia as pernas, o sangue escorrendo do corte na panturrilha, a mão armada batendo cegamente contra as costas de Verena, tentando um ângulo para atirar de novo.
A deputada ofegava, a pele exposta arranhando nos cacos do celular e do espelho. Com um rosnado gutural, ela jogou todo o peso do corpo para o lado esquerdo, usando o joelho para esmagar o pulso de Lilian contra o chão duro.
Verena forçou o osso com tanta brutalidade que a mão da jornalista se abriu num estalo. A pistola escorregou pelo carpete, para fora de alcance.
Ofegante, cega de raiva, Verena montou sobre o quadril da mulher caída. A respiração saía rasgada. O cabelo escuro grudado no rosto suado. O sutiã de renda sujo de poeira e do próprio sangue que escorria da mão direita.
Ela ergueu a mão machucada. O estilhaço de vidro ainda estava cravado entre seus dedos, pingando vermelho no pescoço de Lilian. Verena pressionou a ponta afiada direto na veia jugular da jornalista.
O silêncio do quarto engoliu o zumbido do tiro.
Lilian arfava debaixo dela. Os olhos dilatados, agora arregalados em choque e agonia física, o peito subindo e descendo descontrolado sob a renda escura. A prepotência tinha evaporado.
Verena estava por cima. Feroz. Sangrando. Despida. E no controle absoluto.
— Respira fundo... — Verena sussurrou, a voz tremendo pela força que fazia, o vidro furando a primeira camada de pele do pescoço de Lilian, soltando um filete de sangue. — Respira fundo e me dá um motivo pra eu não arrancar a sua cabeça aqui mesmo.
O joelho de Verena afundou com mais força contra o peito de Lilian, que engasgou, os olhos se arregalando quando a dor aguda cortou a névoa química do seu cérebro. A morte estava ali. Fria e real, na ponta daquele caco de vidro encardido que já furava sua jugular.
Mas a loucura era muito mais profunda que o medo.
Uma lágrima escapou do olho escuro. Escorreu rápida, misturando-se ao suor frio e à maquiagem borrada no rosto esmagado contra o tapete. Não era arrependimento. Não era pavor. Era uma devoção distorcida e nojenta.
— Eu te amo... — A voz da jornalista rasgou a garganta. Um chiado úmido e desesperado contra o vidro afiado.
Verena não piscou. O ódio em seus olhos era absoluto, a mão firme, pronta para rasgar.
— Eu não ligo pra porr* do seu mandato. Não ligo pra Silvia. — Lilian soluçou, o peito arfando quebrado sob o peso da deputada, os olhos dilatados devorando o rosto pálido e suado de Verena. — Eu só quero você. Só isso. Eu só quero você, Verena.
— Cala a sua boca, sua doente. — O rosnado de Verena vibrou no quarto. Ela apertou o estilhaço. O sangue engrossou, pintando seus dedos de vermelho.
Lilian ofegou, a dor latejando nos ossos, mas os lábios manchados se curvaram num sorriso rasteiro. O choro abriu espaço para o veneno. A derrota física não significava nada. Ela ainda tinha a coleira.
— Você acha que eu sou o seu maior problema, Castilho? — Ela riu. Um som úmido, grotesco. — Acha que eu puxei a ficha da sua garotinha sozinha? Acha que o dossiê caiu no meu colo por acaso?
O coração de Verena errou uma batida. O ar no quarto congelou.
— Tem peixes muito, muito maiores que eu querendo a sua cabeça num prato, meu amor... — Lilian sussurrou, os olhos vidrados no rosto pálido da mulher sobre si. — E eu era a única coisa que estava segurando eles. Mas você estragou tudo. — Lilian sussurrou, a voz ganhando um tom rasteiro, perverso, mesmo engasgando de dor.
O caco de vidro tremeu. Apenas um milímetro. Uma hesitação muscular quase invisível, mas Lilian sentiu a vibração do terror se transferir da mão da deputada direto para a sua pele rasgada.
O oxigênio sumiu dos pulmões de Verena.
A mente, que até um segundo atrás era uma máquina fria e letal, foi repentinamente engolida por uma névoa espessa. O pânico absoluto afogou o raciocínio. O desvio milionário. As planilhas ocultas. Os laranjas. Os verdadeiros donos do maior esquema de corrupção do estado.
Gente que não mandava dossiês para repórteres. Gente que mandava atiradores de elite.
O castelo de cartas despencou em cima dela, esmagando suas costas no chão daquele motel nojento. O sangue de Lilian, quente e pegajoso em seus dedos, de repente pareceu o seu próprio.
— Quem? — A voz de Verena quebrou. O rosnado assassino cedeu lugar a um sussurro trêmulo, a respiração curta e desesperada.
Ela apertou o vidro contra a jugular da jornalista, mas a convicção homicida havia sumido. Era o desespero de uma mulher encurralada.
— Quem tá com o dossiê do esquema, Lilian? — Verena sacudiu os ombros da mulher esmagada sob seu peso, os olhos arregalados, o peito nu arfando. — Me fala a porr* dos nomes! Agora!
Mas a resposta não veio.
A jornalista continuou deitada no tapete encardido, o sangue escorrendo pelo pescoço, arfando de agonia pela dor nos ossos e pela perna rasgada. O corpo estava destruído. Mas os olhos escuros e dilatados pela química brilhavam com a vitória suprema.
Ela apenas sorriu.
Um sorriso lento,borrado, trancando a sete chaves o único segredo que mantinha Verena viva. Seu silêncio era a prova definitiva de que o jogo de poder havia acabado. A coleira estava de volta no pescoço da deputada.
Fim do capítulo
S2 :)
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sky
Em: 29/03/2026
EM OUTRA VIDA TE ENCONTRAREI
NOS ENCONTRAREMOS
SEM VOTOS
SEM BARREIRAS LEGAIS
SEM ESSE MEDO DO NOVO
AINDA SERÁ MINHA ÂNCORA
MEU DESEJO MAIS PROFUNDO
E NESTE INSTANTE NOSSAS ALMAS
RECONHECERAM
NUM ÚNICO OLHAR
NUMA ÚNICA TROCA INTENSA
DEIXARÁ MARCAS ALÉM
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sky
Em: 29/03/2026
EIS-ME AJOELHADA,HUMILHADA,ENCURRALADA POR UM SER IGUAL OU TÃO PODRE QUANTO EU.
NÃO CONSIGO MENSURAR A SENSAÇÃO DE IMPOTÊNCIA QUE ME ACOMETE E CORRÓI POR DENTRO AO PERCEBER QUE QUEM EU DEVERIA PROTEGER E GUARDAR...ESTÃO POR UM FIO DE SE DESTRUÍREM POR MINHA CAUSA.
MINHA PEQUENA...TÃO PURA, TÃO IMACULADA, TÃO FRÁGIL,NEM FAZ IDEIA DO QUÃO SUJA SOU COMO SER HUMANO.
COMO GOSTARIA DE PODER TÊ-LA, NEM QUE QUE SEJA POR MAIS UNS MINUTOS, APEANS PARA ME AFOGAR EM SEUS OLHOS CASTANHOS.
TÃO VÍVIDOS.
TÃO CRISTALINOS.
TÃO MEUS...
TENHO CERTEZA DE QUE QUANDO TUDO DESABAR, NÃO IREI APENAS PERDER MINHA LIBERDADE.
MAS TAMBÉM A MULHER POR QUEM JUREI CUIDAR,AMAR,É NOSSOS FILHOS.
COMO TAMBÉM IREI PERDER MINHA LUZ EM MEIO À ESCURIDÃO...
NÃO TENHO SALVAÇÃO.
NÃO VEJO ESPERANÇA.
E AINDA ASSIM, SACRIFICARIA TUDO POR VOCÊ, MINHA MENINA.
SEI QUE AO DESCOBRIREM TUDO
IRÁ ME ODIAR PROFUNDAMENTE
E COM RAZÃO.
COM ISSO,SEREI LEVADA PARA LONGE DE TI..ONDE LÁ O ÚNICO CONFORTO SEJA SABER QUE NOSSOS MOMENTOS FORAM ENCONTRO DO DESTINO
ENTÃO,PERMITIREI-ME ME DEBULHAR EM DENSAS LÁGRIMAS
TANTO DE DOR
QUANTO SAUDADE
JAMAIS DUVIDE DO ME MEU AMOR POR VOCÊ! INDEPENDENTE QUE EXISTA UM PERDÃO DE SUA PARTE OU NÃO
TE GUARDAREI EM MINHA MENTE
CORAÇÃO E
ALMA...
anonimo2405
Em: 02/04/2026
Autora da história
S2 S2
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Zanja45
Em: 29/03/2026
Autora, Verena foi muito má ao quebrar o aparelho celular da jornalista, por isso ela colocou ela de joelhos como punição. E Lilian teve o sangue frio de mandar ela ligar para Silvia e colocar no viva - voz para ela ouvir tudo. — Verena esta se vendo no inferno com essa Lilian. — Parece que essa jornalista esta fazendo ela pagar todos os pecados dela de vez, porque se ela não morrer do coração, do jeito como estar sendo colocado a prova, vai ficar mais forte. Rsrsrsr! Muito eletrizando essas cenas do quarto 42, do Motel Solaris. Rola de tudo e mais um pouco.
anonimo2405
Em: 02/04/2026
Autora da história
Pois é! Verena que prepare o coração. Os testes cardíacos estão só começando.
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Zanja45
Em: 29/03/2026
Que capitulo gostoso e tenso ao mesmo tempo. — Lilian é um caso a ser analisado — Enquanto Verena pensava que a estava atingindo, está dando munição para a outra. — Porque ela se excitava com as investidas da deputada. — Verena está num beco sem saída, pois toda a reação dela só faz piorar a situação.
anonimo2405
Em: 02/04/2026
Autora da história
Ahhh fico feliz que tenha gostado. Obrigada pelo carinho! S2
E sim, Lilian é uma pedrinha no sapato bem chata.
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Zanja45
Em: 29/03/2026
Foi intenso, esse quarto de número 42, foi cúmplice de uma guerra violenta e sangrenta. — Minha nossa, Verena esta desabando lentamente. — O castelo de cartas montado de forma precisa por ela, esta a um passo de ser derrubado.— Parece que será como efeito dominó. Porque uma peça encostada na outra quando empurrada, levará todas as outras juntas.
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anonimo2405 Em: 02/04/2026 Autora da história