Capítulo 7

Capitulo 7 - Gelo e Fogo

de O Horizonte de Austin, por Lady Texiana

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O caminho de volta para a casa principal foi feito em um silêncio denso, pontuado apenas pelo som das botas afundando na lama pesada. A adrenalina do resgate da novilha estava baixando, deixando em seu lugar uma consciência elétrica da proximidade entre as duas. Eleanor estava exausta, mas sentia-se mais viva do que em qualquer estreia em Hollywood.

Ao cruzarem o limiar da porta, o calor da lareira - que ainda mantinha brasas vivas - as envolveu. Cassidy fechou a porta, encostando as costas na madeira, e observou Eleanor. A atriz estava irreconhecível: o rosto sujo de terra, a camisa de Cassidy colada ao corpo e os olhos azuis faiscando sob a luz das velas.

- Você está um desastre, Wilson - sussurrou Cassidy, a voz rouca de cansaço e de algo mais.

- Olhe para o espelho, Thompson. Você não está exatamente pronta para a capa da Vogue - rebateu Eleanor, dando um passo à frente.

A distância entre elas desapareceu. Não houve hesitação, nem roteiro, nem máscaras. Cassidy estendeu a mão, segurando o rosto de Eleanor com uma firmeza possessiva, e a beijou.

Foi um beijo que carregava o gosto da chuva e a urgência de duas décadas de isolamento. Eleanor respondeu com a mesma intensidade, as mãos subindo para o pescoço de Cassidy, puxando-a para mais perto, querendo fundir a sua sofisticação com a força bruta daquela mulher. Naquele momento, não havia Julianne, não havia Oscars, não havia passado. Havia apenas o fogo que consumia o gelo que ambas haviam construído ao redor de si mesmas.

O beijo escalou rapidamente, as respirações misturando-se no silêncio da sala, até que um som estridente e mecânico destruiu o momento como uma martelada em um cristal.

O sinal de rádio e o gerador de reserva da equipe de filmagem haviam sido reativados. E com eles, o rádio comunicador que Eleanor esquecera sobre a mesa de centro começou a chiar freneticamente.

- Wilson? Eleanor? Está me ouvindo? - A voz de Marcus, o diretor, soava histérica e carregada de uma autoridade irritante. - O sol está saindo e os geradores voltaram! Precisamos de você no set agora! O seguro não vai cobrir mais um minuto de atraso e a luz da manhã está perfeita para a cena do confronto!

Eleanor separou-se de Cassidy, a respiração curta, os lábios inchados. Ela olhou para o rádio como se fosse um artefato de outro planeta.

- Eleanor! Eu sei que você está aí! Julianne já está aqui no set causando um escândalo porque você não está no trailer! Venha agora ou teremos que cancelar a produção do dia!

Cassidy deu um passo para trás, limpando a boca com o dorso da mão, o olhar voltando a ficar impenetrável. A "vida real" de Eleanor estava batendo à porta, e ela trazia consigo todo o caos que Cassidy passara anos tentando evitar.

- O dever a chama, Hollywood - disse Cassidy, o tom de voz voltando a ser o da rancheira independente, embora seus olhos ainda queimassem. - Parece que a sua "estátua de cera" precisa voltar para o pedestal.

Eleanor sentiu o peso da responsabilidade cair sobre seus ombros. Ela olhou para Cassidy, depois para as próprias mãos sujas de lama.

- Eu não quero ir - confessou Eleanor, em um sussurro que Marcus nunca ouviria.

- Mas você vai - afirmou Cassidy, entregando-lhe o rádio. - Porque é isso que você faz. Você atua. Só tente não esquecer o que aconteceu aqui fora, no meio da lama, quando as luzes estiverem sobre você de novo.

Eleanor pegou o comunicador, apertando o botão com uma força desnecessária.

- Estou a caminho, Marcus. Prepare a maquiagem. Vou precisar de um milagre.

Ela olhou uma última vez para Cassidy antes de sair para o amanhecer frio, sabendo que, embora o diretor exigisse a "Atriz", ela estava deixando o coração com a "Dona do Rancho".

 

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

1
M

Mmila

26/04/2026 às 11:55

Vixi, vem outra tempestade por aí.

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