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Sob o peso do desejo por MalluBlues e

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Palavras: 2135
Acessos: 237   |  Postado em: 19/03/2026

Capítulo VII: O jardim secreto e o convite

Por Inês:

Acordei com o sol já alto. Algo raro para mim, que costumo despertar antes mesmo dos pássaros. Mas havia passado a noite inteira lendo, relendo, e depois fitando o teto do meu quarto como se ali estivessem escritas respostas para perguntas que não ousava formular completamente.

"Por que dei aquele livro a ela?"

A pergunta me perseguia desde ontem. Ela poderia ter escolhido qualquer coisa. Algo mais seguro. Escandaloso o suficiente para parecer ousado, mas não tão perigoso. 

Mas não. Escolheu o livro que eu mesma havia lido duas vezes, cada vez sentindo como se algo dentro de mim se reconhecesse naquelas páginas. O livro sobre uma mulher que se recusa a ser o que a sociedade exige. Que explora identidades proibidas. Que desperta desejos que não têm nome adequado na linguagem que conhecemos.

E entreguei esse livro a ela.

A dondoquinha loira da cidade com seus olhos azuis imensos e frágil de uma maneira… de uma maneira tão irritante, que me faz sentir coisas que jurei nunca mais permitir sentir.

"Estúpida. Estúpida, e ainda mais estúpida."

Levantei-me bruscamente, como se o ato pudesse sacudir pensamentos inconvenientes. Caminhei até o armário, abrindo-o com mais força que o necessário.

E então parei.

Ali estavam eles: fileiras e mais fileiras de vestidos cinzentos. Cinza claro, cinza médio, cinza escuro. 

Tantos anos usando apenas cinza. 

Mas ao fundo do armário, escondido atrás de todos os cinzentos severos, haviam os vestidos que não usava há tanto tempo que quase esquecera deles.

O verde-musgo. Simples, sem adornos excessivos.

Dona Eulália me dera há anos. Um gesto de bondade que eu, em minha amargura de jovem de dezesseis anos recém-arrancada do internato, interpretara como insulto.

"Para que eu precisaria de vestido bonito? Para impressionar quem? Os laranjais?"

Havia pendurado no fundo do armário e nunca mais tocado.

Minha mão se estendeu, hesitante, tocando o tecido. Estava um pouco empoeirado, mas intacto. A cor permanecia viva. Verde-escuro com pequenos botões de madrepérola no corpete.

Antes que pudesse me impedir, retirei-o do armário.

"Não seja ridícula. Para que? Para quem?"

O vestido ajustou-se surpreendentemente bem ao meu corpo. Meu corpo não mudara muito. Ainda alta, ainda magra, mas o verde... o verde fazia algo estranho. Suavizava os ângulos severos do meu rosto. Trazia calor à minha pele. Fazia meus olhos escuros parecerem menos hostis, mais...

"Pare. Pare imediatamente."

Virei-me do espelho com determinação, negando-me a continuar aquela inspeção perigosa.

Mas mantive a escolha de vestido.

***

O jardim sempre fora meu refúgio. 

Ali, entre ervas medicinais, aromáticas e flores que ninguém se importava em nomear, eu podia respirar.

Era meio da manhã quando desci, carregando minha cesta de jardinagem e ferramentas. O sol estava quente mas não opressivo, e havia uma brisa gentil trazendo perfume dos laranjais misturado com jasmins.

Coloquei minhas luvas e ajoelhei-me junto ao canteiro de hortelã, começando a trabalhar a terra com as mãos. Dona Eulália ficaria horrorizada. “Senhoras não devem sujar as mãos com terra”. Mas eu nunca fui senhora de verdade, então que importância tinha?

Estava tão absorta em meus pensamentos e em arrancar ervas daninhas que não ouvi os passos se aproximando. Até que uma voz suave, aquela voz que agora reconhecia imediatamente, para minha completa irritação, disse:

— Trabalho braçal já pela manhã, senhorita Inês?

Ergui os olhos bruscamente.

Cecília estava ali, a poucos passos de distância, usando um vestido de algodão rosa-claro e com seu cabelo louro brilhando como o sol. Ela segurava algo contra o peito. O livro.

Senti meu coração me trair e disparar.

— Algumas de nós precisam ocupar o tempo com atividades úteis — retruquei, voltando minha atenção para a terra, recusando-me a olhá-la diretamente. — Nem todas podem passar o dia lendo romances escandalosos.

Houve uma pausa. Então ela disse, com aquela leveza perigosa que estava começando a reconhecer:

— Mas a viagem que se faz através de romances pode ser tão transformadora quanto qualquer trabalho físico. Talvez até mais.

Minhas mãos congelaram na terra.

— E está gostando da... leitura? — perguntei.

— Imensamente — ela respondeu, e ouvi o sorriso em sua voz mesmo sem olhar. — Embora seja... desafiador. A protagonista faz escolhas tão inesperadas.

— Inesperadas para quem? — não pude evitar perguntar, finalmente olhando para ela.

Nossos olhos se encontraram.

— Para alguém que sempre foi ensinado que há apenas um caminho correto — ela disse lentamente. — Um papel a desempenhar. Uma identidade a assumir. E então... — ela pausou, abraçando o livro mais apertado — ...então se transforma em alguém que simplesmente recusa todos os caminhos oferecidos e cria o próprio.

— É ficção — disse. — Na vida real, pessoas que recusam seus papéis designados não terminam felizes. Terminam... — engoli em seco — ...sozinhas.

— Talvez — ela disse suavemente, caminhando mais perto e sentando-se na grama ao meu lado com despreocupação que qualquer dama de sociedade consideraria inadequada. — Ou talvez terminem livres.

— Liberdade e solidão não são a mesma coisa, senhorita Cecília — murmurei, voltando a trabalhar a terra com mais força ainda.

— Não necessariamente — ela insistiu. E então, depois de uma pausa: — Seu vestido está diferente hoje.

Senti o calor subir pelo meu pescoço.

— É apenas um vestido.

— É verde — ela observou, como se estivesse dizendo algo profundamente significativo. — Não cinza.

— Sou perfeitamente capaz de identificar cores — retruquei.

— Fica bem em você — ela disse simplesmente. 

Minhas mãos tremeram levemente na terra.

— Apenas peguei o primeiro vestido que encontrei.

— Mentirosa — ela disse, mas sem malícia. Quase com ternura.

Virei-me para ela bruscamente, pronta para... para quê? Gritar? Recuar? Mas sua expressão era tão gentil, tão sem julgamento, que as palavras morreram em minha garganta.

— Afinal, por que está aqui, senhorita Cecília? — perguntei, com minha voz saindo rouca. — Por que não está... não sei... bordando? Tomando chá? Fazendo coisas que as senhoritas fazem?

— Porque estava lendo — ela respondeu, como se fosse óbvio. — E cheguei ao final do livro e tem uma parte que... — ela hesitou — ...que me fez pensar. E quando penso demais sozinha, fico inquieta. Então vim procurá-la.

— Por quê? — a pergunta saiu rápido.

Ela inclinou a cabeça, estudando-me com aqueles olhos azuis imensos.

— Porque você é a única pessoa nesta casa — ela disse lentamente — que não finge. Que não sorri quando não quer sorrir. — Uma pausa. — E porque você me deu um livro que... que me assusta. E quando estou assustada, aparentemente, procuro a pessoa que me assustou em primeiro lugar.

Não consegui respirar adequadamente por um momento.

— Pois não deveria me procurar — disse finalmente. — Não sou boa companhia. Não sou boa influência.

— Você é honesta — ela interrompeu. — E neste momento, honestidade é mais valiosa que qualquer outra coisa.

E então, para meu absoluto choque, ela vestiu outro par de luvas que estava no cesto de ferramentas, ajoelhou-se ao meu lado e começou a trabalhar a terra.

— O que está fazendo? — perguntei, atônita.

— Ajudando — ela disse simplesmente. — Você não é a única que pode sujar as mãos no jardim secreto.

E ali ficamos, trabalhando lado a lado em silêncio. Não me atrevi a perguntar a que parte do livro ela se referia, nem ela ousou continuar com as dúvidas.

***

O chá da tarde era um ritual sagrado para Dona Eulália. Às quatro horas precisas, sem exceções, servido na sala de estar com toda a cerimônia que uma viúva de coronel considerava apropriada.

Geralmente eu evitava. Mas hoje, talvez pelo vestido verde, talvez pela conversa no jardim, talvez por alguma loucura temporária… decidi comparecer.

Dona Eulália quase derrubou a xícara quando me viu entrar.

— Inês! — exclamou, seus olhos arregalando-se. — Você está... você está usando... é aquele vestido que te dei há anos!

— Sim — respondi, sentando-me rigidamente em uma cadeira. — Pareceu apropriado.

— Você está linda, querida — ela disse, com aquele sorriso que sempre me constrangia. — Verde sempre foi sua cor. Sempre disse isso.

Cecília entrou momentos depois, e seus olhos pousaram em mim. 

— Senhorita Inês — ela cumprimentou, sentando-se. — Que vestido encantador.

— É apenas um vestido — repeti pela enésima vez naquele dia.

— Claramente não é apenas nada — Dona Eulália interveio, servindo o chá. — Inês nunca usa cores. Este é um evento monumental.

— Não é grande coisa — resmunguei, sentindo meu rosto esquentar.

Cecília sorriu daquele jeito pequeno e secreto para sua tia, como se as duas compartilhassem uma piada particular.

O chá voltou a transcorrer em um silêncio relativamente confortável quando Cecília disse, casual demais para ser casual:

— Terminei a leitura de um livro esta manhã. Sobre alguém que... explora diferentes caminhos. Caminhos não convencionais.

Meus dedos apertaram a xícara.

— Caminhos podem ser perigosos — respondi, tentando soar casual. — Especialmente os não trilhados anteriormente.

— Mas também libertadores — ela contrapôs. — A protagonista descobre aspectos de si mesma que nunca conheceria se permanecesse no caminho seguro.

— E também se perde completamente — retruquei. — Não sabe mais quem é. Vive entre mundos, pertencendo a nenhum.

— Ou pertencendo a ambos — ela sugeriu, seus olhos não deixando os meus. — Criando novo mundo próprio.

Dona Eulália olhava entre nós duas com confusão crescente.

— De que livro estão falando? — perguntou. — Parece muito filosófico.

— Oh, apenas um romance — Cecília disse levemente. — Sobre escolhas e identidade.

— Soa tedioso — Dona Eulália comentou, pegando um biscoito. — Prefiro histórias com finais felizes claros.

— Algumas histórias não têm finais felizes claros — eu disse, ainda olhando para Cecília. — Têm apenas... possibilidades.

— Possibilidades podem ser melhor que alguns finais — Cecília respondeu suavemente. — Mantêm uma certa esperança.

O ar entre nós estava carregado de significados que Dona Eulália, graças a Deus, não conseguia perceber.

Foi nesse momento que ouvimos cavalos do lado de fora. Passos apressados. Batidas na porta.

Dona Eulália franziu o cenho.

— Quem seria a esta hora?

Uma empregada apareceu momentos depois, trazendo um envelope lacrado.

— Mensageiro do Comendador Vasconcelos, senhora — anunciou. — Disse que era urgente.

O Comendador Vasconcelos. O homem mais rico e poderoso da vila, Praticamente governava a vila, embora oficialmente fosse apenas um comerciante influente.

Dona Eulália abriu o envelope com os dedos trêmulos, leu rapidamente, e seu rosto iluminou-se.

— Oh! Oh meu Deus! — exclamou. — É um convite! O Comendador está dando um baile! No próximo sábado! 

Cecília sentou-se mais ereta, seus olhos brilhando.

— Um baile?

— Sim! Na mansão dele! — Dona Eulália continuou, lendo a carta. — E estamos todas convidadas! "A estimada Senhora Eulália de Almeida Castanheira e família". Família! Isto inclui você, Cecília, claro, mas também... — ela olhou para mim com surpresa — ... ele também mencionou você no convite, Inês.

Senti meu estômago afundar.

— Não irei — disse automaticamente.

— Não seja ridícula — Dona Eulália repreendeu. — É convite do Comendador. Não se recusa convite do Comendador.

— Um baile! — Cecília repetiu, e havia alegria em sua voz. Alegria que eu não via há dias. — Um baile de verdade! Com música e dança e... — ela pausou, olhando para mim com súbita preocupação — ...você irá, não é mesmo, Senhorita Inês?

— Bailes não são para pessoas como eu — respondi friamente, embora meu coração estivesse acelerado por razões que não queria analisar.

— Bobagem — Dona Eulália disse firmemente. — Você irá. E usará um vestido apropriado. Talvez até outro vestido verde que te dei, embora precisemos adicionar alguns adornos...

— Não irei — repeti, mais firme.

Mas Cecília me olhava com aquela expressão suplicante, como se minha presença realmente importasse e senti minha convicção vacilar perigosamente.

— Por favor — ela disse suavemente. — Seria... seria mais tolerável se você estivesse lá. 

Dona Eulália continuava tagarelando animadamente sobre vestidos e penteados e música, mas tudo que eu conseguia ouvir era aquele "por favor" dito tão suavemente.

Fechei os olhos, lutando contra o impulso de revirar os olhos, de gritar, de dizer todas as razões pelas quais os bailes eram torturantes e que eu não tinha lugar algum em eventos sociais.

Mas quando os abri novamente, Cecília ainda me olhava daquela maneira tão irritante e… irresistível.

— A senhorita irá, não é? — insistiu ela.

Tudo em mim gritava para recuar. Para permanecer onde sempre estivera.

Olhei para a xícara de chá, para a porcelana delicada que eu segurava com cuidado.

— Talvez. Talvez eu vá.

O sorriso que iluminou o rosto de Cecília foi um dos mais lindos que eu já havia visto.

E soube, naquele momento, que estava com um problema muito, muito sério.

Fim do capítulo


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Comentários para 7 - Capítulo VII: O jardim secreto e o convite:
Marta Andrade dos Santos
Marta Andrade dos Santos

Em: 21/03/2026

Um grande problema kkkkk.

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