Choque de Realidade
Quarto da Valentina – 16h28
O caderno de Sociologia estava aberto sobre a cama de solteiro. A caneta azul girava entre os dedos trêmulos, mas a mente da estudante estava a quilômetros daquela lição. O ventilador de mesa zumbia no canto, tentando espantar o calor do cômodo apertado. Ela olhou para a tela escura do aparelho pela enésima vez. Fazia apenas três minutos que havia enviado a mensagem, mas a espera parecia corroer o tempo.
Até que o celular vibrou. A tela acendeu, iluminando o lençol desbotado.
O ar simplesmente sumiu.
O coração disparou contra as costelas com uma violência tão absurda que a garota levou a mão ao peito, sentindo a pulsação martelar na própria garganta. As borboletas no estômago pareciam feitas de chumbo e eletricidade, revirando tudo por dentro.
Ela leu e releu aquelas duas linhas. Eu preciso de você. A mulher mais poderosa que já conhecera, a mesma que estava destruindo a Assembleia Legislativa horas atrás, estava implorando pela sua presença.
A culpa cristã, uma voz implacável plantada desde a infância, gritava que aquilo era um erro colossal. Que era um pecado sem salvação. Que ela deveria bloquear o número e fingir que nada aconteceu. Mas o desejo, a carência e a lembrança daquele beijo ensurdeceram qualquer resquício de juízo.
Ela ia. Claro que ia.
Mas o pânico logístico a atingiu em cheio. Como sairia de casa? A mãe ainda estava lavando roupa no quintal, o pai chegaria logo, e a irmã poderia escancarar a porta do quarto a qualquer segundo. Ela precisava de um álibi blindado.
O polegar hesitou sobre o contato da amiga. Não. Carol daria outro sermão, diria que ela estava louca e provavelmente bateria na porta da casa dela para impedi-la de sair. Sobrava apenas uma opção. O mensageiro do caos.
Ela abriu a conversa com Léo. As mãos tremiam tanto que os dedos erravam as teclas, obrigando-a a apagar e reescrever a mesma palavra três vezes.
Valentina:
Léo, o que eu faço? Ela me chamou pra encontrar com ela agora. No mesmo lugar.
Os três pontinhos de digitação apareceram quase instantaneamente.
Léo:
E você ainda tá em casa pq, Valentina Moraes?!
Ela engoliu em seco, os olhos marejados, digitando com pressa enquanto a respiração falhava.
Valentina:
Eu tô com muito medo. É errado. Você viu o vídeo, Léo
Ela perdeu o controle hoje. Ela é uma mulher casada. Eu não devia ir.
Léo:
Valen, presta atenção. A mulher implodiu a Assembleia Legislativa hoje à tarde. Ela brigou com o estado inteiro. E no meio desse caos, a única pessoa que ela quer ver é você. Vai viver, garota. Deixa de ser a santa do bairro por um dia na sua vida. Só vai.
Valentina abaixou o celular, apoiando-o no colo. O ar pareceu faltar nos pulmões.
O incentivo do amigo foi o empurrão final que a sua própria carência implorava para receber. A garota meiga, que sempre abaixava a cabeça e pedia desculpas por existir, tomou uma decisão que mudaria o rumo de tudo. A bússola moral perdeu a guerra para a paixão avassaladora.
Ela se levantou da cama num solavanco, o coração batendo na garganta. Iria inventar qualquer desculpa esfarrapada para a mãe no quintal. Faria qualquer coisa para ver aqueles olhos verdes de novo.
Casa da Família Moraes – Quintal, 17h05
A luz alaranjada do fim de tarde já batia no muro de chapisco quando a garota pisou no quintal. O barulho rítmico da escova de cerdas duras esfregando o tecido grosso ecoava pelo espaço pequeno. Ana Paula estava curvada sobre o tanque de cimento, os braços imersos na água com sabão, esfregando com afinco as calças sujas de poeira do último bico do marido na obra.
Valentina parou a poucos passos de distância. As mãos suavam frio. O coração batia tão rápido que ela temeu que a mãe pudesse escutar. Engoliu a seco, ensaiando mentalmente a mentira que a mandaria direto para o inferno.
— Mãe? — A voz saiu um pouco falha, frágil.
A mulher parou de esfregar e limpou o suor da testa com as costas do braço, virando-se com um sorriso exausto, mas doce.
— Oi.
— Eu... — A garota desviou o olhar para o chão de cimento molhado, incapaz de sustentar a inocência naqueles olhos maternos. A culpa apertou sua garganta como uma garra invisível. — É que a Carol acabou de mandar mensagem. A gente tem aquele trabalho de Sociologia pra entregar e ela pediu pra eu ir pra lá agora, pra gente terminar de montar. Tudo bem se eu for?
Ana Paula suspirou, enxaguando as mãos na bica e secando-as num pano de prato pendurado no varal.
— Agora, Valen? O seu pai já deve estar chegando, achei que a gente ia jantar cedo hoje.
O pânico brilhou nos olhos castanhos da adolescente. Se a mãe dissesse não, o castelo de cartas desmoronaria e ela não saberia como lidar com a frustração. Ela cravou as unhas na palma das próprias mãos, forçando o tom a soar manso e responsável.
— Eu sei, mãe, me desculpa. Mas é que vale nota, e a Carol falou que se a gente não fizer hoje, não dá tempo mesmo. Prometo que não demoro.
A menção da melhor amiga foi o salvo-conduto. Ana Paula conhecia a família de Carol há anos, confiava cegamente na amizade das duas e sabia que a filha era uma aluna exemplar, incapaz de se meter em qualquer tipo de problema. A dona de casa deu um meio sorriso, aproximando-se para ajeitar uma mecha solta do cabelo da filha atrás da orelha.
O toque carinhoso fez o estômago de Valentina revirar de puro remorso.
— Tá bom, meu amor. Pode ir. Mas olha lá, hein? Nada de ficar enrolando na rua. — O tom da mãe engrossou ligeiramente, protetor. — E não vem pra casa sozinha, ouviu bem? Liga pra mim que eu peço seu pai pra ir te buscar.
— Ouvi, mãe. Obrigada.
Valentina deu um beijo rápido no rosto úmido da mãe e virou as costas, caminhando apressada de volta para dentro de casa. A mentira tinha gosto de cinzas na língua. Ela iria encontrar uma mulher casada e perigosa, enquanto a mãe voltava a esfregar a roupa do pai no tanque, crente de que a filha mais velha era um anjo na terra.
A adolescente entrou no quarto e encostou a porta com as mãos trêmulas. A respiração saiu pesada. Ela sabia que, assim que cruzasse o portão daquela casa, estaria colocando mais um tijolo naquele muro de mentiras.
Rua Cisplatina – Audi, 17h24
O silêncio dentro do veículo era absoluto, cortado apenas pelo sopro suave do ar-condicionado no nível máximo. O insulfilm escuro isolava o interior do carro do resto do mundo, transformando a cabine numa verdadeira câmara de isolamento.
Verena estava com as duas mãos agarradas ao volante de couro, os nós dos dedos brancos pela força desnecessária.
O pico de adrenalina violenta estava evaporando a cada segundo que passava. E o que sobrava no lugar, rasgando seu peito, era um buraco frio, denso e aterrorizante. A realidade estava cobrando a conta.
Ela soltou o volante devagar, as mãos tremendo, e deixou a cabeça cair para trás contra o encosto do banco, fechando os olhos com força. A dor na nuca, que havia sumido durante a discussão, voltou a latejar num ritmo punitivo.
O que diabos você está fazendo?
A pergunta ecoou na mente exausta. A mulher mais implacável do estado de São Paulo, a esposa perfeita, a futura mãe... estava escondida no banco do motorista, estacionada a dois quarteirões de um café, esperando uma estudante de dezessete anos. Prima de sua mulher. Uma adolescente que, neste exato momento, devia estar mentindo para a própria mãe para estar ali.
Era patético. Era destrutivo. Era a personificação da loucura.
Verena abriu os olhos e encarou o próprio reflexo no espelho retrovisor interno. A imagem a enojou. Viu o blazer de grife amassado e jogado no banco do passageiro. Viu os olhos claros, antes tão altivos, agora fundos e injetados de exaustão e culpa. Estava arrastando uma menina inocente para o epicentro do furacão que a sua vida havia se tornado nas últimas horas.
A razão, adormecida pelo caos o dia todo, finalmente deu um grito ensurdecedor.
Vá embora. A voz em sua cabeça soou idêntica à de Rafaela. Liga esse carro, volta para casa e seja a mulher que sua esposa merece. Acaba com isso antes que a menina chegue.
A respiração de Verena engatou. O pânico a atingiu em cheio. Ela estava prestes a cruzar a linha mais uma vez. A mão direita, suada, soltou-se do colo e alcançou o botão de ignição no painel. O dedo indicador pairou sobre o metal frio.
Era só apertar. O motor 2.0 roncaria e ela poderia sumir dali, bloquear o número e enterrar aquela história para sempre. A pressão no peito era quase insuportável enquanto lutava contra o próprio dedo para apertar aquele botão.
Mas então, pelo espelho lateral, um movimento chamou sua atenção.
Na calçada oposta, a luz alaranjada do fim de tarde iluminou uma silhueta dobrando a esquina. Uma garota de jeans desbotado e mochila nas costas, caminhando a passos rápidos e nervosos, olhando para os lados com a desorientação e o encanto de um passarinho fora do ninho.
O ar sumiu dos pulmões de Verena.
O dedo escorregou da ignição e a mão caiu morta sobre o próprio colo. A razão foi amordaçada e jogada no porta-malas no exato milésimo de segundo em que o coração deu um salto violento contra as costelas. Verena continuou encarando a garota pelo retrovisor, a culpa sendo instantaneamente devorada pela fome absoluta de olhar para aquele rosto.
Já era tarde demais para fugir. O abismo tinha olhos castanhos, e ela estava pronta para pular.
Rua Cisplatina – Audi, 17h35
O clique da trava destravando soou alto na calçada. Valentina puxou a maçaneta pesada e a porta se abriu, revelando o interior mergulhado na penumbra.
A transição da rua quente e barulhenta para dentro da cabine foi um choque sensorial. O ar-condicionado gelado arrepiou a pele de seus braços instantaneamente. O cheiro de couro caro se misturou àquele perfume inconfundível, um aroma que o cérebro de Valentina havia associado diretamente ao perigo e ao desejo mais profundo que já sentira na vida.
Ela entrou de forma desajeitada, puxando a mochila para o colo, e a porta se fechou com um baque surdo, isolando as duas do resto do planeta.
O silêncio que se instalou foi elétrico. Espesso. Quase palpável.
Valentina apertou as alças da mochila, as mãos suando frio, e finalmente teve coragem de virar o rosto em direção ao banco do motorista.
O ar sumiu dos seus pulmões.
A imagem da mulher furiosa naquele vídeo evaporou e a que viu ali, a centímetros de distância, parecia ter envelhecido cinco anos em uma tarde. O blazer estruturado estava jogado no banco de trás. A camisa de seda branca estava amassada, com os dois primeiros botões abertos. O cabelo, sempre impecavelmente alinhado, caía solto e bagunçado sobre os ombros tensos.
Mas foram os olhos que quebraram as pernas de Valentina. Aqueles olhos, antes tão altivos e indecifráveis, agora estavam avermelhados, carregados de uma exaustão tão crua e de uma carência tão desesperada que fizeram o coração da garota doer fisicamente.
Verena não disse uma palavra. Não fez nenhum cumprimento polido. Apenas virou o corpo em direção à adolescente. O peito subindo e descendo numa respiração curta. Seu olhar percorreu o rosto assustado de Valentina, os lábios entreabertos da garota, a roupa simples e levemente amassada... e a culpa em seus olhos foi instantaneamente engolida por um alívio avassalador.
A memória do último encontro caiu como uma bigorna entre as duas. O gosto do beijo formigou na boca de Valentina, fazendo o estômago revirar numa euforia vertiginosa, misturada ao terror de estar tão perto.
— Você veio... — O sussurro de Verena quebrou o silêncio.
A voz estava tão rouca, tão fragilizada, que não parecia pertencer à sua dona. Parecia a voz de alguém que estava se afogando e finalmente havia alcançado a superfície.
Valentina engoliu em seco. O peito martelava. Ela queria recuar, pedir desculpas e sair correndo daquele erro colossal, mas o próprio corpo a traiu, inclinando-se milimetricamente na direção daquela mulher destruída.
Devagar, com uma fraqueza que não combinava em nada com sua pose inabalável, Verena ergueu a mão direita. Seus dedos tremiam milimetricamente no ar, parando a centímetros do rosto de Valentina, o polegar hesitando, como se estivesse prestes a tocar em algo sagrado e temesse quebrá-lo.
O coração de Valentina espancava suas costelas numa velocidade perigosa. O alerta de perigo gritava em sua mente, mas o corpo se recusou a recuar. Quando as pontas dos dedos frios de Verena finalmente encostaram na pele quente de sua bochecha, num carinho assustadoramente leve e devoto, a menina soltou um suspiro trêmulo.
E fechou os olhos.
Sem conseguir evitar, a garota inclinou o rosto um milímetro para o lado, aninhando a bochecha na palma da mão daquela mulher com uma entrega cega e ingênua.
Foi o fim da linha para qualquer resquício de sanidade que Verena ainda guardasse.
Ao sentir aquela pele macia ceder ao seu toque, a deputada inclinou o corpo sobre o console central, atraída por uma gravidade inescapável. O cheiro do perfume, misturado à tensão do dia, invadiu os sentidos de Valentina. A respiração da garota acelerou, o peito subindo e descendo num ritmo curto e ruidoso no silêncio do carro.
Ela não abriu os olhos, mas sabia exatamente o que estava se aproximando. A vergonha ardia em seu rosto, mas a expectativa do toque mandava choques elétricos por toda a sua espinha. Ela queria aquilo. Queria com um desespero que a apavorava.
Até que o espaço entre elas foi reduzido a nada. As testas se encostaram de leve. O hálito quente e inebriante de Verena bateu contra os lábios trêmulos da adolescente, a tensão esticada até o ponto de ruptura antes do inevitável.
Mas Verena não quebrou o último espaço de imediato.
A fome era avassaladora, uma sede cega que a corroía por dentro, mas a necessidade de ter certeza de que aquilo era real — de que a garota não sumiria como os delírios de culpa que a atormentavam — falou mais alto.
Valentina apertou os olhos com mais força, um arquejo mudo, preso na garganta, quando sentiu a ponta do nariz de Verena roçar devagar, de forma quase tortuosa, pela curva da sua bochecha.
O contraste sensorial era enlouquecedor. O ar-condicionado gelado da cabine brigava com o calor febril que irradiava da pele daquela mulher.
Verena inalou o cheiro doce de Valentina, o rosto descendo e afundando levemente na curva do pescoço da garota por um segundo de pura e silenciosa rendição. Suas mãos deslizaram da bochecha quente para a nuca, os dedos longos se embrenhando nos fios dourados com uma firmeza possessiva, mas ainda trêmula.
Valentina soltou um suspiro fraturado, o corpo inteiro arrepiado. Suas mãos, antes agarradas covardemente à mochila no colo, subiram por instinto puro e cego. Os dedos pequenos e hesitantes agarraram as lapelas da camisa amassada de Verena, como se precisassem de uma âncora para não despencarem no abismo.
E então, veio a tortura final.
Verena subiu o rosto lentamente. Os lábios, macios e perigosamente experientes, arrastaram-se contra os de Valentina, num roçar úmido de bocas. A fricção leve e crua de quem está testando o limite absoluto do próprio controle.
O atrito fez o estômago da adolescente dar um salto mortal. Um choque elétrico subiu por sua espinha, pulverizando qualquer resquício de timidez ou de culpa religiosa. Valentina arfou contra a boca de Verena, a respiração de ambas se misturando no espaço exíguo, a tensão esticada até o limite, onde até a sanidade mais forte do mundo seria obrigada a se curvar.
A tensão estava no ápice, esticada até o ponto em que o próprio ar da cabine parecia rarefeito. Mas, contrariando a urgência que a devorava por dentro, Verena não avançou. Num movimento lento, quase imperceptível, a deputada recuou um único milímetro.
Foi o suficiente para quebrar o atrito torturante das bocas, mas não a intimidade. A respiração de ambas continuou se misturando no espaço minúsculo enquanto Verena abria os olhos devagar.
Por trás das lentes, os olhos verdes brilhantes encontraram os de Valentina.
A garota perdeu o fôlego. Não havia ali a fúria que horas antes paralisara o plenário da Assembleia, nem a frieza calculista da mulher de negócios. O que Valentina encontrou foi uma devoção absoluta, crua e desarmada.
No meio do incêndio em que a própria vida havia se transformado, o rosto jovem, assustado e corado daquela estudante era a única coisa capaz de trazer uma paz inexplicável ao peito da deputada.
Novamente, Verena acariciou a bochecha de Valentina com o polegar, um toque letalmente doce de quem idolatra o que tem nas mãos. Um suspiro de puro alívio escapou de seus lábios.
Foi a gota d'água.
A submissão e a timidez da menina viraram cinzas sob o calor daquele olhar. A constatação inegável de que aquela mulher, tão poderosa e assustadora para o resto do mundo, estava ali, completamente rendida e ancorada nela, injetou uma coragem quase selvagem em suas veias.
A garota soltou um arfar trêmulo, mas decidido. As mãos pequenas, que até então apenas repousavam hesitantes no peito de Verena, fecharam-se com força novamente, amassando as lapelas da camisa branca.
Sem dar à deputada a chance de piscar, de pensar ou dizer qualquer palavra, Valentina puxou com força aquele corpo tenso e pesado contra o seu.
O choque das bocas foi urgente e desesperado. O milímetro de paz foi instantaneamente engolido por uma fome irracional. Verena soltou um gemido grave e abafado contra os lábios da garota, o último resquício de resistência desmoronando de vez. Ela cedeu ao puxão, o peso do próprio corpo afundando a adolescente contra o banco de couro, enquanto as duas finalmente se entregavam com o desespero de quem não tem mais nada a perder.
Um suspiro longo, trêmulo e carregado de um alívio quase doloroso escapou da garganta da deputada. O som vibrou contra os lábios de Valentina, repetindo-se a cada nova investida, a cada vez que o beijo se aprofundava e a língua quente de Verena explorava aquela boca com uma urgência possessiva.
Valentina estava em estado de puro torpor. A intensidade daquela mulher deveria tê-la assustado, deveria tê-la feito recuar, mas seu corpo respondeu com uma audácia puramente instintiva.
Sem sequer raciocinar, as mãos pequenas e trêmulas soltaram o tecido amassado da camisa. Deslizaram pelos ombros tensos da mulher e traçaram um caminho quente e vacilante pela pele do pescoço, até finalmente se embrenharem na nuca de Verena. Os dedos finos apertaram os fios curtos na base do cabelo, puxando a deputada milimetricamente mais para si, num carinho inexperiente, mas carregado de uma doçura letal.
Aquele toque. Aquela âncora delicada no meio do caos.
Foi a ruína definitiva de Verena Castilho.
O aperto da deputada na cintura da menina afrouxou um pouco, trocando a força pelo puro fascínio. O mundo lá fora simplesmente deixou de existir. A muralha de gelo derreteu por completo. Verena entregou todo o peso do próprio corpo e da própria alma contra o banco do carro, beijando a garota não apenas com desejo, mas com a devoção cega de quem havia encontrado no calor daquela boca o seu único e verdadeiro refúgio.
Rua Cisplatina – Audi, 18h14
O tempo dentro da cabine perdeu completamente o sentido. O ar-condicionado no máximo já havia perdido a guerra contra o calor que irradiava dos dois corpos, e uma fina camada de condensação começava a embaçar os cantos do insulfilm escuro.
O beijo havia se transformado numa maratona implacável.
Verena beijava como se precisasse daquela boca para continuar existindo. A cada segundo, a boca experiente cobrava mais, aprofundando o contato, sugando e devorando os lábios da jovem com uma fome que não dava o menor sinal de trégua. A deputada parecia ter pulmões de aço, absolutamente imune à necessidade humana básica de respirar.
Valentina, por outro lado, estava perdendo a batalha contra a própria biologia.
A garota já havia suspirado, ofegado e correspondido com todo o fervor que seu corpo permitia, mas o ar simplesmente acabou. O cenho de Valentina se franziu numa ruga adorável e desesperada. As mãos, que antes acariciavam a nuca da mulher com devoção, agora desceram para os ombros, os dedos apertando o tecido da camisa num claro e mudo pedido de socorro. Eu preciso de oxigênio.
Mas Verena parecia em transe e apenas puxou a cintura da garota com mais força, inclinando a cabeça para um novo ângulo, roubando o último milímetro cúbico de ar que restava nos pulmões da estudante.
Não deu mais.
Num solavanco abrupto e ofegante, Valentina empurrou os ombros da deputada, quebrando o selo das bocas com um estalo úmido.
— Hah... — A garota puxou o ar com tanta força que o peito subiu violentamente, a cabeça caindo para trás contra o encosto do banco, os olhos fechados enquanto tentava lembrar como se respirava.
O rompimento súbito tirou Verena de órbita.
A mulher mais temida da Assembleia Legislativa piscou, o corpo ainda inclinado sobre Valentina, a respiração pesada. Ela parecia ter acabado de acordar de um coma. O olhar verde, completamente atordoado e enevoado de desejo, desceu para a boca da estudante. Os lábios dela estavam vermelhos, brilhantes e deliciosamente inchados — um espelho exato do estado de sua própria boca.
A culpa quase ensaiou um retorno ao ver o peito da garota subindo e descendo daquele jeito, mas antes que pudesse formular qualquer pedido de desculpas, Valentina tomou a frente de novo.
Ainda ofegante, e sem abrir os olhos direito, a adolescente ergueu os braços, laçou o pescoço da deputada e a puxou de volta para baixo. Não para um beijo, mas para um abraço.
Valentina escondeu o rosto quente e corado direto na curva do pescoço de Verena, enterrando o nariz na pele perfumada dela, soltando um suspiro longo, o corpo inteiro relaxando contra o banco, enquanto sentia o peso seguro da mulher sobre si. Ali, abraçada ao furacão, ela finalmente voltou a respirar.
Rua Cisplatina – Audi, 18h20
O som das duas respirações ofegantes preenchia o silêncio da cabine, diminuindo de ritmo aos poucos, compassando uma na outra.
Valentina continuava com o rosto afundado na curva do pescoço de Verena. A garota não fazia a menor menção de se afastar, os braços ainda enlaçados ao redor dos ombros da deputada, absorvendo o calor e o perfume marcante que agora parecia impregnado na sua própria pele.
Aos poucos, a tensão nos músculos de Verena derreteu por completo. O peso do mundo, que esmagava suas costas desde as primeiras horas da manhã, evaporou no instante em que ela sentiu o corpo pequeno e quente aninhado ao seu.
Com uma delicadeza infinita, Verena retribuiu o abraço. Seu braço direito envolveu a cintura de Valentina, puxando-a para um encaixe mais firme naquele espaço apertado, enquanto a mão esquerda subiu devagar pelas costas da garota, os dedos embrenhando-se nos fios macios para fazer um carinho lento e ritmado na nuca dela.
Aquele abraço era o lugar mais seguro do mundo.
Verena fechou os olhos, descansando o queixo no topo da cabeça de Valentina. Pela primeira vez naquele dia infernal, um sorriso genuíno despontou sem seus lábios. A ausência de palavras não era constrangedora, era um santuário.
Mas o silêncio também trazia o eco do beijo absurdo, e a lembrança fez o sorriso de Verena se alargar. Ela não resistiu. Aproximando os lábios da orelha de Valentina, deixou um beijo demorado ali antes de sussurrar, a voz rouca, carregada de um humor leve e puramente encantado.
— Onde foi que você aprendeu a beijar desse jeito, hein pequena?
O efeito foi instantâneo.
Um choque de pura vergonha atravessou a espinha de Valentina. As bochechas, que já estavam quentes, incendiaram. Ela soltou um murmúrio abafado, um misto de protesto tímido e timidez aguda, e apertou os olhos.
Porém, não recuou, mas fez exatamente o oposto: agarrou o tecido da camisa com as duas mãos e esfregou o rosto ainda mais contra o pescoço de Verena, tentando se fundir ao banco do carro, escondendo a própria vermelhidão.
Verena soltou uma risada baixa. O som vibrou contra o peito de Valentina, grave e gostoso. A deputada apertou o abraço, deixando mais um beijo no topo da cabeça da estudante, o coração transbordando de uma ternura que ela nem lembrava mais como era sentir.
— Fica tranquila. — O sussurro de Verena voltou, dessa vez sem brincadeiras, apenas uma confissão silenciosa e devota contra os cabelos claros e bagunçados. — Eu não me importo de ser destruída assim.
Rua Cisplatina – Audi, 18h38
O ar-condicionado finalmente havia vencido a batalha contra o calor, mas nenhuma das duas parecia se importar com a temperatura da cabine.
Valentina continuava encolhida no abraço, o rosto afundado na curva do pescoço perfumado da deputada, aproveitando o carinho. O polegar de Verena desenhava círculos lentos e preguiçosos nas costas da garota, um cafuné hipnótico que mantinha a respiração das duas num ritmo calmo e sincronizado.
A realidade, dura e implacável, arranhava a porta do carro. Verena sabia que tinha um casamento em ruínas a esperando e um mandato para tentar salvar. Sabia também que a garota em seus braços tinha horário para voltar para a casa. Mas, por enquanto, o mundo podia queimar lá fora.
— Eu devia te deixar ir... — Verena murmurou contra o topo da cabeça de Valentina, a voz rouca e arrastada, sem fazer o menor movimento para soltá-la. — Sua mãe vai ficar preocupada.
Valentina soltou um suspiro longo, o hálito quente batendo contra a pele do pescoço. Os dedos pequenos apertaram com mais força a camisa amassada, como se protestassem silenciosamente contra a ideia de ir embora.
— Eu sei... — Respondeu, a voz abafada contra a pele da mulher.
O silêncio se esticou por mais alguns segundos, preenchido apenas pelo som suave das respirações. Até que Valentina se mexeu um milímetro, ajeitando o rosto no abraço, e deixou escapar um murmúrio quase inaudível, carregado de uma inocência letal.
— A minha boca tá formigando...
Verena piscou, processando a frase por um segundo inteiro antes de a garganta vibrar com uma risada genuína, profunda e gostosa, fazendo o peito subir e descer contra o da garota. O som foi o suficiente para Valentina querer cavar um buraco no banco e sumir.
— É mesmo? — Verena provocou, o tom de voz banhado num humor rouco e derretido. A mão que estava nas costas subiu para o cabelo, os dedos acariciando a nuca. — Deixa eu ver.
— Não! — Valentina exclamou baixinho, escondendo o rosto com ainda mais força no pescoço de Verena, as bochechas queimando como brasa.
— Valentina... — Verena riu de novo, o coração transbordando de um encantamento absurdo, enquanto tentava afastar a garota delicadamente pelos ombros, mas a jovem fincou o pé, agarrada a ela como um coala. — Olha pra mim. Deixa eu ver o que eu fiz com você.
— Não quero, eu tô com vergonha! — A voz saiu espremida, e Valentina balançou a cabeça negativamente contra o pescoço da deputada, recusando-se terminantemente a levantar o rosto. A lembrança do beijo voraz e da própria audácia de puxar a mulher pela camisa a atingiu em cheio.
A resistência adorável fez a última gota de dureza no coração de Verena evaporar.
Com uma paciência infinita e um sorriso bobo que a própria Rafaela custaria a acreditar se visse, Verena deslizou a mão até o queixo da estudante. O toque foi tão leve, tão carregado de reverência, que Valentina não teve forças para lutar.
Devagar, a deputada ergueu o rosto corado da garota.
A pouca luz que entrava pelo vidro revelou a pele avermelhada, os olhos escuros desviados de pura timidez e, claro, os lábios inchados, ainda brilhantes e perfeitamente desenhados pelo beijo que haviam acabado de trocar.
Verena perdeu o fôlego. O sorriso brincando em seus lábios suavizou, dando lugar à mesma devoção absoluta de antes. Seu polegar roçou o lábio inferior de Valentina, confirmando a textura sensível.
— Formigando, é? — Verena sussurrou, os olhos verdes cravados naquela boca, o tom de voz caindo para um registro perigosamente íntimo e protetor. — Acho que a culpa foi minha.
Valentina finalmente teve coragem de erguer os olhos, o coração dando um salto triplo ao ver a expressão completamente rendida e apaixonada no rosto da dama de ferro. A vergonha ainda queimava suas bochechas, mas a forma como Verena a segurava — tratando-a como a coisa mais preciosa do universo inteiro — injetou uma dose de uma coragem silenciosa em suas veias.
A garota não abaixou o rosto dessa vez.
Os olhos escuros e grandes sustentaram o olhar da deputada. Com um suspiro trêmulo, Valentina inclinou o rosto milimetricamente para frente, aninhando-se ainda mais na palma da mão quente de Verena.
— Foi... — A adolescente murmurou, a voz não passando de um sopro tímido e doce. — Foi culpa sua.
A confissão inocente fez o peito de Verena apertar, fazendo-a fechar os olhos por um segundo, absorvendo o baque daquela doçura.
Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Valentina fez o impensável. Apoiando as duas mãos timidamente nos ombros da mulher, a garota ergueu o queixo e colou os próprios lábios nos dela, num toque firme, demorado, calmo e infinitamente carinhoso. Um beijo de quem queria curar, não de quem queria devorar.
Verena soltou um longo e pesado suspiro pelo nariz, relaxando a testa contra a da menina. A paz daquele milissegundo era absoluta.
— Você não tem ideia... — Ela sussurrou contra a boca de Valentina, os olhos ainda fechados, a voz embargada pela exaustão emocional do dia. — Do inferno que foi o meu dia. Até você entrar por essa porta.
Valentina sorriu timidamente, os olhos marejados de empatia, e abriu a boca para responder que ficaria ali o tempo que ela precisasse.
Mas a frase nunca foi dita.
Um zumbido metálico e agudo rasgou o silêncio da cabine. O som do celular de Verena tocando no console central foi como um tiro disparado dentro de uma caixa de vidro. O encanto se estilhaçou em mil pedaços num piscar de olhos.
Verena enrijeceu o corpo instantaneamente. O sorriso morreu e a realidade pesada, feia e caótica desabou sobre seus ombros com a força de uma avalanche.
Valentina recuou num solavanco, o susto estampando o rosto jovem, os braços soltando os ombros da mulher como se de repente queimassem.
O celular continuou vibrando, implacável, iluminando a penumbra do carro. E quando os olhos de Valentina desceram para a tela acesa no console, o estômago despencou num abismo sem fundo.
O nome brilhava em letras maiúsculas: AMOR
Fim do capítulo
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Zanja45
Em: 23/03/2026
A consciência de ser a outra dói, porque ela não tera os mesmos privilegios que a esposa tem. — Isso é muito doloroso, principalmente, para a mente adolescente, que está vivendo o primeiro amor. — É complicada essa relação. E logo no momento em que Verena iria sanar o formigamento nos lábios da garota. O celular toca, trazendo essa bomba para o meio das duas.
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Zanja45
Em: 23/03/2026
Não foi a própria deputada que a ensinou a beijar assim? Mas teve umas dicas do Léo. Ela deve ter juntado o aprendizado e criado o proprio beijo dela. RSrsrsrsr!
anonimo2405
Em: 26/03/2026
Autora da história
Kkkkkkk, pois é. Valentina tendo todas as experiências com a Verena
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Zanja45
Em: 23/03/2026
Uma pausa para respirar. Valentina ainda não treinou os pulmoes para aguentar mais tempo no fundo do oceano. Por isso ela tem que retornar a superficie antes de Verena. Senão, possivelmente ela se afogaria por mais no fundo desse abismo. Rsrsrsr!
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Zanja45
Em: 23/03/2026
A deputada que antes aparentava um estado deprimente que contratassva com aquela mulher férrea que combateu duramente o tal do outro deputado. — Está finalmente de volta, porque depois dessa investida feroz de Valen, com certeza ela vai se revigorar. — Porque se ela dá estara recebendo na mesma medida, porque parece que Valentina não vai ficar apenas esperando as investidas de Verena. Ela, própria partirá para o ataque. Foi o que ela fez ao tomar a atitude de beijar a deputada.
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Zanja45
Em: 23/03/2026
A "pequena" está se tornado uma eximia mentirosa. — Já pensou se Carol vai em busca dela. — Ai ela vai ver que mentiras tem pernas curtas.
anonimo2405
Em: 26/03/2026
Autora da história
É, pois é. Vendo a hora que isso vai dar muito errado
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Zanja45
Em: 23/03/2026
Ah, Rsrsrsrs! Valentina esta saindo melhor do que encomenda.— Ela sabia que ia tomar uns esculachos de Carol. — Só chamando o "mensageiro do caos", mesmo. Nessas horas é bom ter dois lados para se apoiar, um anjo e um demonio.kkkkk! No entanto, nesse momento ela que a opinião de alguém que não vai contrapor aos desejos dela.
anonimo2405
Em: 26/03/2026
Autora da história
Kkkkkkk, ela procurou quem falaria exatamente o que ela queria ouvir.
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N@ty
Em: 23/03/2026
Querida autora, estou perdidamente envolvida nessa história. Culpa sua!
Valeu a espera!
Verena, está perdida... eu já acho que elas se encontraram
Sinto muito pela Silvia, mas será que o amor delas vai sobreviver a essa traição?
Não tem como mentir pra nós mesmos
O coração não engana
A verdade é dolorosa
Mas um processo que uma hora vai acontecer
Verena e Valentina são como imas
É carnal, é espiritual
É inevitável
É transcedente
anonimo2405
Em: 23/03/2026
Autora da história
Oi N@ty!
Bom dia minha querida!
Ahhh que maravilhoso saber que consegui me redimir e te deixar tão envolvida assim. Acho que essa culpa eu consigo carregar hein rsrs.
Obrigada mesmo pelo carinho!
Abraço! S2
N@ty
Em: 23/03/2026
Eu só vou conseguir partir pra uma próxima história, quando terminar a sua.
Então olha a responsabilidade kkkkk
Espero que ainda tenhamos muitos capítulos e não vou mentir
Eu tô louca pra quando essas duas se pegarem pra valer, mas entendo que as coisas precisam ser desenvolvidas de forma cuidadosa, se tratando da Valentina.
Quando a coisa é boa, bate afobamento, mas se sentir envolvida é o segredo.
sky
Em: 24/03/2026
Quando essas duas se pegarem pra valer não terá grades físicas e morais para afugentar essas duas placas tectônicas! Com a esposa Verena passa um ar mais "comedido" com nossa pequena diabinha de injustos olhos âmbar ela se entrega com fome,com posse,com um amor visceral que não cabe no peito.
Com relação ao contato íntimo/sexual acho que ela não irá ficar de mãozinha ali e aqui não ein kkkk
Ela irá explorar o corpo da menina com a calma de quem sabe que terá a eternidade pela frente
E voraz como quem busca respirar depois de um mergulho profundo
Sem cadastro
Em: 26/03/2026
Eu só vou conseguir partir pra uma próxima história, quando terminar a sua.
Então olha a responsabilidade kkkkk
Espero que ainda tenhamos muitos capítulos e não vou mentir
Eu tô louca pra quando essas duas se pegarem pra valer, mas entendo que as coisas precisam ser desenvolvidas de forma cuidadosa, se tratando da Valentina.
Quando a coisa é boa, bate afobamento, mas se sentir envolvida é o segredo.
anonimo2405
Em: 26/03/2026
Autora da história
Genteee, me sinto lisonjeada. E realmente, é uma grande responsabilidade. Darei meu melhor pra honrar sua escolha, tenha certeza.
E entendo bem a ansiedade quanto as duas rsrsrs. Concordo que de fato, tem tudo pra ser uma explosão de sentimentos, de ambas as partes. Ainda mais pelo fato da Verena ter dificuldade em se controlar com a Valentina.
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Thalita31
Em: 19/03/2026
Olá, boa noite!
?As mentirosas tremem na base só com a menção da grande protagonista, na minha opinião. A vida da pequena amante não é fácil.
anonimo2405
Em: 20/03/2026
Autora da história
Oiee, bom dia Thalita!
Eu compactuo da sua opinião também! Saber que é a segunda opção, viver escondida e saber que está ajudando a destruir um casamento dessa forma, não é nada virtuoso.
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sky
Em: 19/03/2026
Te conhecer me trouxe o fervor da vida mesmo diante do caos que é minha existência podre e cercada de mentiras. Oh,mon dieu!
11 anos não chega perto do que é esconder de uma esposa incrível e que carregará filhos nossos
A infâmia de viver em volta de mentiras
de olhar dentro dos olhos serenos de quem sustenta minha base à 10 anos...e como mágica esquecer quem sou quando estou contigo
Nunca tinha permitido experienciar esse sentimento todo mesmo com quem acordo todos os dias
Nem de desejar acordar e loucamente ansiar ter justamente o que me trouxe do coma induzido
Me permitiu sentir ocoração bombear infinitamente
De apreciar cada oxigênio que inspiro e expiro
Simplesmente por ter a certeza de que ainda poderei sonhar com seu abraço,seu beijo,seu toque que me incendeia cada célula do meu ser
anonimo2405
Em: 19/03/2026
Autora da história
Gente, e eu fico como com essas poesias? S2
Vou pegar os comentários de vcs pra fazer um livro de poesias a parte.
Obrigada pelo carinho! S2
OBS.: Vc me lembra uma leitora que tbm escrevia essas poesias. O jeito de escrever é igualzinho.
sky
Em: 20/03/2026
Se não fosse a velhice batendo na velocidade da luz eu até estaria com a mesma conta kkkkk
Tenho uma manteiga derretida e uma observadora nata aqui.
anonimo2405
Em: 20/03/2026
Autora da história
Ahh genteee! Não acredito que é vc! S2
Tenho que confessar, fiquei pensando o que teria acontecido, apesar de entender perfeitamente que todos temos nossa rotina.
E não tem nada de velhice, deixa disso!
Mas fiquei muito feliz de saber que vc está bem. E não vou mentir, fiquei com sdd rsrsr!
Mas, calma. Nossa, se vc vier me dizer que não é quem eu tô pensando rsrs, gente, que vergonha!
sky
Em: 20/03/2026
Kkkkk
Vida e suas obrigações nos sugam tempo. Cá entre nós, eu também estava com saudades dessa menina ao mesmo tempo sapeca uma brisa calma
Também espero que esteja tudo bem contigo. Esteja conseguindo alça voos altos por mais que na prática pareça passos de tartaruga essas mudanças
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sky
Em: 19/03/2026
Como me afastar quando tudo que consigo enxergar são esses olinhos tão sinceros e perigosamente entregues quanto os meus...
Dio mío...a sensatez,a responsabilidade,a sanidade evaporam
O que faço com todo esse sentimento de quem ama,deseja,anseia pelo o que me tira o eixo
Enquanto o certo é por um ponto final antes que no fim acabe sem tê-la novamente em meu abraço
anonimo2405
Em: 19/03/2026
Autora da história
Sem palavras! S2
sky
Em: 20/03/2026
Sem palavras?
Justo a escritora master!!!
Lizzzzzzzzzzzz
Tu para de coisa mocinha!
anonimo2405
Em: 20/03/2026
Autora da história
Kkkkkkk
Obrigada pelo carinho! S2
E como não se encantar com as suas palavras! Não tem jeito.
sky
Em: 20/03/2026
Quem é muito profundo e intenso geralmente não se entregam pra qualquer um.
É como uma lei interna onde inconscientemente não conseguimos ser ""banda voou"" kkkk
Em meio ao caso de rotinas exaustivas,de prazos apertados,e cobranças naturais da vida adulta ainda podemos apreciar um céu estrelado,uma lua que parece tocar um ponto específico nosso depois de um dia caótico
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anonimo2405 Em: 26/03/2026 Autora da história
Concordo. Valentina tendo a primeira exercício amorosa dela numa relação tão complicada.