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O lago por Luciane Ribeiro

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Palavras: 3108
Acessos: 164   |  Postado em: 17/03/2026

Incêndio

Ao receber uma mensagem de trabalho ,me lembrei que até o momento ela ainda não tinha explicado como soube e como tinha conseguido o emprego na Corporação Santez.

- Agora, deixando o assunto amoroso de lado... me explica uma coisa. Como você acabou se tornando minha técnica de TI?Até onde sei você estava feliz trabalhando em uma startup.

Luiza sorriu, como se já esperasse aquela pergunta.

- Eu tive alguns desentendimentos com meus ex chefes. O ambiente era dominado por homens machistas e nascisistas.Papai me contou que você tinha se mudado para o interior para trabalhar em um enorme CD recém-inaugurado. Fiquei curiosa e fui procurar informações sobre a cidade e sobre o centro de distribuição. Vi que havia várias vagas abertas... e uma delas era de TI.

Ela deu de ombros.

- Vi aquilo como um sinal. Talvez fosse a chance de nos reaproximarmos. Entrei em contato, tive que insistir bastante... mas no fim eles me contrataram.

Ela soltou uma pequena risada.

- No final, você acabou adoecendo... e nossa reconciliação veio antes mesmo de começarmos a trabalhar juntas.

Balancei a cabeça, sorrindo.

- Parece que era para acontecer de um jeito ou de outro. Apesar das circunstâncias... estou feliz que você esteja aqui.

- Eu também.

Respirei fundo, voltando ao meu tom de chefe.

- Agora vá trabalhar. Você já está atrasada.

Ela fez continência exagerada.

- Certo, chefe!

Antes de sair, virou-se na porta, piscando com aquele sorriso maldoso que sempre antecedia alguma provocação.

- Algum recado para sua namorada?

- Vai logo!

Ela riu e desapareceu pelo corredor.

Fiquei ali, pensando nas emoções intensas daquele início de manhã. Em poucas horas eu tinha colocado uma pedra sobre um assunto antigo e mal resolvido... e também tinha dado um passo em algo novo que, apesar de assustador, me deixava estranhamente feliz.

O dia seguiu tranquilo.

Dispensei meus acompanhantes, dizendo que fossem passear e aproveitar a cidade. Com muita resistência eles aceitaram - sabiam que eu queria ficar sozinha.

Eu realmente precisava disso.

Os últimos dias tinham sido um turbilhão, e eu queria descansar. Principalmente depois que o doutor Jaime disse que, se o próximo exame estivesse melhor, eu poderia ir para casa.

Deixei o celular de lado, fechei os olhos... e acabei dormindo.

Acordei com um barulho estranho no corredor. Gente falando alto, passos apressados.

Meu celular estava vibrando sem parar.

Quando atendi, toda a tranquilidade desapareceu.

- Laura! Um dos depósitos está pegando fogo!

O mundo pareceu entrar em modo automático.

Sem pensar duas vezes, tirei o acesso do braço, vesti minhas roupas e saí do quarto.

Ninguém tentou me impedir.

Eu estava no estacionamento tentando ligar para alguém me buscar quando um carro parou bruscamente ao meu lado.

Sara abaixou o vidro.

- Entre!

Entrei no carro e ela arrancou imediatamente em direção ao CD.

- Como sabia que eu precisava de carona?

Ela deu um meio sorriso enquanto dirigia.

- Quando soube do incêndio, sabia que você não conseguiria ficar esperando no hospital. Ainda bem que cheguei na hora certa... porque, se não conseguisse um carro, provavelmente você iria a pé.

Soltei um suspiro.

- Odeio que você me conheça tão bem.

Essa sempre foi minha arma secreta - Sara respondeu.

A fumaça já era visível da estrada. Uma coluna escura subia contra o céu da noite como um sinal de alerta impossível de ignorar.

Em menos de quinze minutos chegamos à entrada do CD.

Havia uma pequena multidão organizada no caos: parte das pessoas tentava conter as chamas, enquanto outras, perigosamente, tentavam retirar os paletes de mercadorias do depósito.

Aquilo era uma loucura.

Eles não deveriam estar se colocando em risco daquele jeito.

Corri até o escritório e fui direto ao painel central. Disparei o alarme geral. Foi então que percebi algo que fez meu estômago afundar.

Todo o sistema anti-incêndio estava desligado.

Manual.

Aquilo não era falha.

Peguei o microfone do sistema interno e liguei os alto-falantes.

- Atenção! Aqui é a supervisora geral! Quero que todos deixem a área do incêndio imediatamente! Sem exceções!

Minha voz ecoou por todo o complexo.

Depois do anúncio, desci correndo para o pátio e comecei a garantir que todos realmente estavam saindo.

Um dos encarregados tentou argumentar.

- Chefe, ainda dá pra salvar algumas coisas!

Balancei a cabeça.

- É perigoso demais. Toda essa carga tem seguro. Não vale a vida de ninguém. Quero que confira se todos da sua equipe estão bem. Já pedi auxílio médico ao hospital. Eles vão mandar ambulâncias.

Ele assentiu imediatamente.

- Certo, chefe!

Foi então que vi Luiza se aproximando. O rosto dela estava sujo de cinzas e a expressão... assustada.

- Preciso falar com você.

- Vamos falar assim que eu tiver certeza de que todos estão seguros.

Organizei uma triagem improvisada no estacionamento para facilitar o atendimento quando as ambulâncias chegaram. Alguns funcionários tossiam por causa da fumaça, outros tinham pequenos cortes ou queimaduras leves.

Mas algo continuava me incomodando.

Eu ainda não tinha visto Joyce.

Perguntei a dois funcionários e um deles apontou para o depósito.

- Ela está lá dentro. Ajudando a retirar o pessoal.

Meu coração disparou.

Voltei correndo para o galpão. O fogo já tinha sido praticamente controlado. Agora havia apenas fumaça espessa e o cheiro pesado de material queimado.

Foi então que a vi.

Joyce estava ali, auxiliando os homens da equipe enquanto os encaminhava para fora, em direção ao atendimento médico.

Como sempre... ficando por último.

- Joyce!

Ela olhou para mim.

A aparência era de puro esgotamento. As roupas estavam sujas de fuligem, rasgadas em alguns pontos. O rosto manchado de cinzas. Mesmo assim, ela tentava disfarçar o desconforto da fumaça que claramente tinha inalado.

Tentei manter o tom o mais profissional possível, apesar do aperto no peito e da vontade enorme de simplesmente abraçá-la.

- Joyce, deixe o resto com o Henrique e vá receber atendimento médico imediatamente.

Ela balançou a cabeça.

- Estou bem. Ainda posso continuar.

- Não pode. Vá agora ou vou ter que te dar uma suspensão.

Ela franziu a testa.

- É sério isso?

- Sim.

Joyce deu um passo em minha direção, claramente pronta para discutir a ordem. Mas, antes que conseguisse dizer qualquer coisa, começou a tossir.

Uma tosse seca, profunda.

No segundo seguinte, o corpo dela cedeu.

Foi minha vez de segurá-la antes que caísse no chão.

- Joyce!

Chamei por ajuda imediatamente. Dois paramédicos correram até nós e a colocamos na ambulância.

Meu coração gritava para que eu entrasse junto com ela.

Mas eu ainda tinha responsabilidades ali. Outras pessoas também precisavam de atenção. Outros feridos estavam sendo atendidos. A operação inteira ainda dependia de alguém coordenando.

Luiza percebeu minha hesitação e se aproximou.

- Fique tranquila. Eu vou com ela.

Olhei para minha irmã, dividido entre o dever e o impulso.

- Mandarei notícias assim que possível - ela completou.

Assenti, ainda segurando a mão de Joyce por um segundo antes que os paramédicos fechassem a porta da ambulância.

O veículo partiu com as luzes azuis cortando a fumaça da noite.

E eu fiquei ali.

Entre cinzas, sirenes e responsabilidades.

Às vezes liderança significa exatamente isso: ficar para trás quando tudo em você quer correr atrás.

O coração estava apertado, mas eu não podia me distrair.

Chamei o encarregado de segurança e fomos até a sala de monitoramento. Pedi que ele puxasse as imagens das câmeras de antes do incêndio. Era praticamente um tiro no escuro. No fundo eu sabia que não seria tão simples descobrir quem tinha desligado o sistema anti-incêndio e iniciado o fogo.

E não foi.

Nas gravações, uma pessoa apareceu entrando na área técnica usando máscara e boné. Aproveitou exatamente o momento da troca de turno da segurança. Movimento rápido, calculado.

Sabia o que estava fazendo.

Mesmo sem muita esperança, entreguei todas as imagens à polícia.

Depois de garantir que todos tinham ido para casa e que o local estava isolado, finalmente peguei o caminho da minha.

Tomei um banho demorado. A água quente parecia levar embora o cheiro de fumaça, mas não conseguia levar embora os pensamentos.

Eu estava feliz por estar em casa.

Mas preocupada.

Com o incêndio.

Com a investigação.

E principalmente com minha doce e teimosa Joyce.

Pouco antes de sair do CD, Luiza havia mandado uma mensagem dizendo que, apesar de ter inalado bastante fumaça, Joyce estava bem o suficiente para receber alta depois de aspirarem seus pulmões.

Aquilo trouxe algum alívio.

Liguei então para dona Sandra, a mãe dela, e pedi o endereço.

Fiquei surpresa quando ela me disse onde era.

Éramos praticamente vizinhas.

A casa dela ficava do outro lado do lago.

Provavelmente, se eu pegasse um dos pequenos barcos, chegaria mais rápido do que pela estrada... mas eu não tinha a menor experiência em remar, então escolhi o caminho mais seguro.

Estacionei em frente ao portão.

Ao contrário da minha casa, não havia jardim na entrada. Mas o caminho de pedras até a porta dava ao lugar um charme simples e sofisticado ao mesmo tempo.

Bati na porta. Uma, duas, três vezes… nada.

Pensei em ir embora, mas um pensamento sombrio me atravessou.

E se ela estivesse desmaiada e sozinha lá dentro?

Mexi na maçaneta. A porta estava destrancada.

Entrei, chamando por ela.

A casa estava escura, tirando uma luz baixa que vinha dos fundos. Uma música tocava suavemente. Segui o som até a cozinha… e então vi.

O roupão dela estava largado no pequeno píer.

E Joyce nadava tranquilamente.

— Joyce!

Ela parou e olhou para mim, surpresa.

Sentei-me no chão de madeira, esperando que ela se aproximasse. Confesso que a imagem dela nas águas silenciosas, sob a luz da lua, me distraiu por um instante… me fazendo esquecer o motivo de estar ali.

— Boa noite, chefe!

— Não devia estar nadando. Saiu do hospital há poucas horas.

Ela apoiou os braços na borda, ainda dentro da água.

— Me sinto melhor aqui. A água me cura mais do que o hospital.

— Sei…

— Não se preocupe, chefe. Estou bem. E amanhã mesmo estarei de volta ao trabalho.

— Vai ficar em casa. Junto com toda a sua equipe. Não é opcional.

Ela me observou por um segundo… e então sorriu, de um jeito quase travesso.

— Sim, senhora chefe.

Franzi a testa.

— Espere… não vai contestar?

— Não.

— Isso é estranho. O que está aprontando?

— Concordei… para que a chefe vá logo embora.

Cruzei os braços, fingindo indignação.

— Nossa. Já estou indo embora. Não precisava me expulsar.

Ela inclinou a cabeça, os olhos fixos nos meus.

— Expulsei a chefe. Não você.

Antes que eu pudesse reagir, senti suas mãos me puxando. Em um segundo, fui arrastada para dentro da água.

Soltei um pequeno grito, surpresa, mas logo senti o frescor me envolver. A água era cristalina… e estranhamente acolhedora.

Joyce se aproximou, segurando minha cintura com firmeza.Seus olhos fixos nos meus ,me deixando presa , hipnotizada.

- Oi.

Respirei fundo, ainda tentando me recompor.

- Oi...

Ela me observava de perto, o olhar que eu jurava parecer cor ambar estava mais sério agora.

- Devemos continuar aquela conversa?

- Qual?

- A que eu dizia que estou apaixonada por você.

Meu coração acelerou.

- Pensei que já tínhamos deixado tudo às claras.

Ela se aproximou mais um pouco.

- Faltou uma coisa importante.

- O quê?

Por um segundo, o mundo pareceu parar.

O som da água.

A luz da lua.

A proximidade.

E então ela encostou a testa na minha, a voz baixa:

O beijo começou suave ,mas foi ganhando intensidade, impulsionado pela mistura de  raiva,carinho e desejo que sentiamos uma pela outra.Ela me encostou na escada do pier. Quando sua boca desceu para meu pescoço ,não consegui conter um suspiro que a encorajou a ser mais ousada ,suas mãos levemente ásperas e fortes ,levantaram e tiraram meu vestido ,me deixando completamente exposta para ela e a lua que testemunhava aquele momento.Seus olhos brilharam e ela disse baixinho:

_Linda...

Coloquei a mão em seu rosto ,em seguida a beijei desabotoei seu sutiã,senti meu corpo esquentar ao sentir seus seios nus encostarem nos meus.Ela começou a beijar minha boca enquanto suas maos me levantaram me fazendo ficar encaixada em seus quadris.Antes que pudessemos continuar a saciar todo nosso desejo.Fomos lembradas que não estávamos fisicamente bem para aquele exercício..

Joyce começou a tossir.

Primeiro uma tosse curta.

Depois outra.

E então uma sequência que parecia não querer parar.

Segurei seus ombros imediatamente.

- Joyce!

Ela tentou fazer um gesto como se dissesse que estava tudo bem, mas a tosse voltou com mais força.

- Vou te levar para o hospital.

- Laura, eu...

- Sem discutir.

Como um estranho reverso da noite em que ela me salvou da febre, fui eu quem a colocou no carro dessa vez. Dirigi rápido até o hospital, com Joyce tentando recuperar o fôlego ao meu lado.

Assim que chegamos, o pai dela já estava lá.

Doutor Jaime.

Ele praticamente nos puxou para dentro do pronto atendimento,apesar das minhas roupas molhadas e de Joyce estar apenas de roupão ,ele seguiu examinando Joyce com a eficiência de quem já tinha visto aquilo acontecer centenas de vezes.

Depois de ouvir seus pulmões e verificar os sinais vitais, ele respirou fundo... e então veio a bronca.

Uma bronca digna de pai e médico ao mesmo tempo.

- É por esses motivos que não se deve sair do hospital sem orientação médica.

Ele cruzou os braços e nos olhou com uma mistura de irritação e alívio.

- Não sei o que faço com vocês duas.

Joyce ainda estava sentada na maca, tentando parecer inocente.

- Tecnicamente eu tive alta...

Ele levantou uma sobrancelha.

- Alta... para ir descansar em casa. Não para nadar no lago no meio da noite depois de ter inalado fumaça.

Olhou então para mim.

- E você... que também acabou de sair de um hospital... resolve ir nadar com ela!?

Suspirei.

- Foi um acidente,fui ver como ela estava ,me desequilíbrei e cai na água.

Joyce soltou uma pequena risada entre uma respiração e outra.

- Não devia ter permitido que saisse para ir ao CD.

_Tecnicamente eu ia ter alta amanhã.

_Se !Seus exames estiverem melhores.

_Vão estar!

_É o que veremos.

Apesar do tom severo, dava para perceber que ele estava mais preocupado do que realmente bravo.

Depois de ajustar a medicação e iniciar um tratamento para ajudar os pulmões dela a se recuperarem da fumaça, ele finalmente relaxou um pouco.

- Agora fiquem quietas. Sem heroísmo, sem drama, sem fugas do hospital por pelo menos algumas horas.

Joyce olhou para mim com um pequeno sorriso cansado.

- Acho que fomos oficialmente colocadas de castigo.

Ele suspirou e passou a mão pela testa, claramente cansado de lidar conosco.

- Já que não posso confiar em nenhuma das duas... vou manter vocês no mesmo quarto. Assim pelo menos fica mais fácil de vigiar.

Antes que qualquer uma de nós pudesse argumentar, ele já estava organizando tudo com a equipe.

Algum tempo depois fomos transferidas para um quarto com duas camas.

O acesso voltou para o meu braço.

E, para completar o pacote de humilhação hospitalar, também voltei para a camisola.

Joyce observava tudo com um ar quase divertido demais para alguém que tinha acabado de desmaiar algumas horas antes.

Quando finalmente ficamos sozinhas, ela olhou ao redor do quarto e depois para mim.

- Nem começamos a namorar e já estamos morando juntas.

Deu um pequeno sorriso malicioso.

- Fizemos jus à crença de que casais lésbicos se mudam juntas muito rápido.

Cruzei os braços, tentando manter a postura séria.

- Fico feliz que esteja se divertindo.

Ela se recostou na cama, completamente relaxada.

- Estaria mais... se você relaxasse também.

Olhei para ela por alguns segundos.

Houve um incêndio, você inalou fumaça, desmaiou... e ainda assim consegue fazer piada.

- Se eu não fizer isso - ela continuou - eu vou começar a pensar em tudo o que poderia ter dado errado.

Por alguns segundos ficamos em silêncio.

Então ela segurou minha mão.

Sem pressa.

Sem brincadeira.

- Vamos... relaxa... está tudo bem... eu estou bem...

Apertei a mão dela, ainda sentindo o eco do medo no peito.

- Tem noção do quanto me preocupei? Do medo que senti quando te vi enfrentando o fogo? Nunca mais se coloque em risco daquela maneira.

Ela suspirou, mas assentiu.

- Prometo que não bancarei mais o príncipe de armadura do CD... - fez uma pausa, um leve sorriso surgindo - a não ser que seja para defender a minha princesa.

Revirei os olhos.

- Te odeio.

- É mentira. E posso provar.

- Como?

Ela inclinou um pouco a cabeça, divertida.

- Deixa eu sair desse hospital que eu te provo.

- Vou esperar.

Ela sorriu... dessa vez de um jeito mais calmo, mais sincero.

- Fica mais perto...

Olhei em volta, instintivamente.

- Alguém pode entrar...

- A próxima medicação só vem ao amanhecer. Vem... eu só quero um abraço.

Suspirei baixo.

Como eu poderia negar aquilo?

Com cuidado, me deitei ao lado dela, ajeitando o soro para não enroscar. Assim que me acomodei, Joyce me puxou para perto, me envolvendo em um abraço firme e ao mesmo tempo delicado.

Ficamos ali, juntas.

O silêncio já não era pesado.

Era confortável.

Seguro.

Senti o cheiro dela, o calor do corpo, o ritmo calmo do coração batendo contra o meu.

E, contra toda a lógica depois de um dia como aquele... eu me senti em paz.

Eu estava me apaixonando.

- Laura?

- O que?

Ela hesitou por um segundo, como se reunisse coragem.

- Quer namorar comigo?

Meu coração acelerou... mas dessa vez não era medo.

Era certeza.

- Quero...

Ela sorriu contra meu cabelo, me apertando um pouco mais.

Não vejo a hora de continuar o que começamos... mas, da próxima vez, vamos fazer direito.

- Como assim?

Ela sorriu de lado, com aquele olhar que misturava carinho e provocação.

- Vou te convidar pra jantar... você vai conhecer minha casa direito... a gente abre um vinho... sem incêndios, sem hospital, sem fugas no meio da noite.

Deixei escapar um leve riso.

- Acho uma excelente ideia.

- E dessa vez - ela completou, aproximando o rosto do meu - sem interrupções.

- Combinado.

Ficamos em silêncio depois disso, mas não era um silêncio vazio.

Era cheio de expectativa.

De planos.

De um futuro que, pela primeira vez, parecia simples.

Aos poucos, o cansaço venceu. Ainda abraçadas, fomos nos entregando ao sono, sentindo o calor uma da outra, seguras... tranquilas.

Adormecemos assim.

Juntas.

Fazendo planos para um relacionamento que, finalmente, tinha deixado de ser dúvida... para se tornar escolha.

 

Fim do capítulo


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