CAPÍTULO 5 - Em Dias Chuvosos
A chuva se intensificou novamente poucos segundos depois da saída de Sarin. Pim ficou ali até que a chuva estiasse um pouco e decidiu ir para casa.
No caminho sua mente repassava os acontecimentos daquele dia. A proximidade, a tensão de Sarin, o fato de ela sempre fugir quando tenta se aproximar.
Sorri por um segundo. O suficiente para se lembrar de que seria algo impossível de acontecer.
Quando chega em casa, encontra Mali a espera sentada no sofá. Curiosa.
— Isso são horas?
Pim olhou as horas e se espantou. Era quase meia noite. Com a chuva intensa acabou demorando mais do que de costume para sair do restaurante e não percebeu que já estava tão tarde.
— Desculpa. Não tinha percebido que era tão tarde.
— O que houve? – Perguntou percebendo o ar de desanimo em Pim.
— Não é nada. So estou cansada.
— Você tem trabalhado demais. Precisa descansar.
— Eu vou.
— Vou deitar. Coma algo antes de ir dormir. Deixei um pouco de mingau de arroz para você.
— Obrigada Mali.
Mali se levanta e segue para seu quarto. Sabe que algo está errado e por mais queira perguntar, sabe bem como a amiga é. Quando estiver pronta ela irá conversar.
Depois de tomar banho, Pim foi até a cozinha. Sobre a mesa, a tigela de mingau ainda soltava um fio de vapor.
Sentou-se.
Era seu prato favorito em dias de chuva, mas não comeu de imediato.
Ficou mexendo a colher devagar, observando o movimento circular que não levava a lugar algum.
E então lembrou. Do primeiro dia que viu Sarin pela primeira vez.
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Chegara dez minutos antes do horário da entrevista. O restaurante ainda estava fechado, mas a cozinha já respirava vida. Vapores subiam. Panelas tilintavam.
Ela observava tudo como quem observa um sonho possível. O verde suave das toalhas, o aroma cítrico no ar, a organização quase obsessiva do salão.
“ Capim-Limão.” – Fazia sentido.
— Pimchanok Rattanapaisan.
A voz veio firme.
Quando virou o rosto, viu Sarin pela primeira vez.
Postura impecável. Dólmã verde claro. Cabelo preso em um coque alto que deixava o rosto completamente exposto. O olhar firme, não era frio. Era avaliador.
Sarin a encarava cmo se estivesse tentando decidir se Pim pertencia ali.
Pim levantou-se rapidamente.
— Khun Sarin. Prazer em conhecê-la.
Sarin sustentou o olhar por um segundo além do necessário. Foi nesse segundo que algo mudou, mas ela não sabia dizer exatamente o que.
A entrevista foi objetiva. Clara e direta. Perguntou sobre a experiência de Pim. Disse como gostava do funcionamento e as informações sobre salário e horário de trabalho. Apresentou o espaço e no final foi acertado que Pim começaria em dois dias.
Por mais que Pim ainda estivesse começando sua carreira, saiu dali com a sensação estranha de que havia sido escolhida por algo além do currículo.
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Agora, sentada diante do mingau intocado, percebeu o quanto aquilo tinha sido perigoso desde o início. Sorriu de leve.
“ Impossível. ”
Levou a colher à boca, mas o mingau já estava frio.
Fim do capítulo
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