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Entre Votos e Silencios por anonimo2405

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Palavras: 4419
Acessos: 377   |  Postado em: 10/03/2026

Perdendo o controle - Parte 1

Casa da família Moraes, Domingo — 21h32

O quarto estava quase completamente escuro. Só a luz azulada da tela do celular iluminava o rosto de Valentina enquanto ela olhava, pela terceira vez, a conversa antiga com Verena. O polegar pairava sobre o campo de mensagem. Ela não sabia o que escrever. Nem se deveria escrever. Na cama do outro lado do quarto, Isadora soltou um pequeno suspiro e se virou de lado.

Valentina ficou imóvel por um segundo. Esperou. Quando percebeu que a irmã continuava dormindo, voltou os olhos para a tela. E então o celular vibrou na mão dela. Valentina quase o deixou cair. Rapidamente olhou para a cama da irmã.

Isadora continuava dormindo. Ela abriu a mensagem.

Léo

Parabéns, estagiária rebelde.
17 anos já?
A deputada já pediu sua mão em casamento ou ainda tá enrolando?

Valentina levou a mão à boca para não rir alto. Digitou rápido.

Valentina

Você é insuportável.

A resposta veio quase imediata.

Léo

Confirmo.

Mas você não respondeu.

Ela pediu ou não?

Valentina olhou para a conversa com Verena aberta logo acima. O vazio da última mensagem. Ela digitou devagar.

Valentina

Nem mandou parabéns.

Alguns segundos de silêncio. Depois a resposta apareceu.

Léo

Tá de sacanagem.

Valentina suspirou.

Valentina

Eu nem postei nada.

Ela pode nem saber.

Três pontinhos apareceram na tela. Sumiram. Voltaram. Então veio a resposta do amigo.

Léo

Val.

Se ela não lembrou…

lembra ela.

Valentina franziu o cenho.

Valentina

Como?

A resposta veio em segundos.

Léo

Status.

Foto.

Bolo.

Velinha.

Qualquer coisa.

Vamos ver se a doutora Castilho não aparece rapidinho.

Valentina mordeu o lábio.

Valentina

Você é muito idiota.

Léo

Estratégico 

Respondeu ele.

Léo

Tem diferença.

Ela virou o rosto para o teto escuro do quarto. O sermão do pastor voltou à memória como um eco distante. Valentina fechou os olhos por um segundo. Quando abriu de novo, olhou para o celular.

Valentina

E se ela não ver?

A resposta dele veio rápida.

Léo

Ela vai ver.

Gente poderosa vive grudada no celular.

Confia no estagiário aqui.

Valentina soltou um pequeno riso silencioso.

Valentina

Você é péssima influência.

Léo

Eu prefiro o termo amigo que resolve problemas.

Ela ficou alguns segundos olhando para a tela. Depois abriu a galeria.  Escolheu uma selfie segurando o pequeno prato com um pedaço de bolo. A velinha usada estava ao lado. Valentina ficou olhando para aquilo. Pensando. O sermão. A voz do pastor. A mão da irmã segurando a sua na igreja.

E agora… o cursor piscando na tela do celular. Do outro lado da conversa, mais uma mensagem:

Léo

Anda logo.

Eu quero ver se a deputada reage.

Valentina respirou fundo. E publicou a foto.

Casa da família Moraes, Domingo — 21h32

O status já estava no ar há alguns minutos. Legenda curta:

“17 🎂”

Valentina estava deitada de lado, o celular perto do rosto. Atualizando. Visualizações. Uma atrás da outra. Gente da escola. Primos. Carol. Ela abriu a conversa com Léo.

Léo 

E aí
a doutora apareceu?

Valentina abriu a lista de visualizações do status. O coração deu um pequeno salto. Verena Castilho. Ela engoliu seco. Digitou.

Valentina 

Ela viu.

A resposta veio quase instantânea.

Léo: 

EU SABIA

E???

Valentina

Nada ainda.

O rapaz mandou um emoji dramático.

Léo 

Espera.

  Gente poderosa adora fingir que não liga.

A jovem bloqueou o celular. Colocou o aparelho no travesseiro. Tentou dormir. Do outro lado do quarto, Isadora respirava profundamente. Mas o sono não vinha. Cinco minutos. Talvez mais. Então o celular vibrou. Valentina pegou rápido. A tela acendeu.

Verena

O coração disparou. Ela abriu a mensagem.

Verena

Desculpa a hora.

Uma pausa. Outra mensagem apareceu logo abaixo.

Verena

Feliz aniversário, Valentina.

Valentina ficou olhando a tela. O cursor piscava. Antes que pudesse pensar no que responder, outra mensagem chegou.

Verena 

Dezessete já.

Alguns segundos. E então:

Verena 

Você está cada dia mais bonita.

Valentina sentiu o rosto esquentar imediatamente. Do outro lado do quarto, Isadora se mexeu na cama. A jovem puxou o cobertor um pouco mais para cima, como se aquilo pudesse esconder a reação dela.

A conversa ficou em silêncio. Mas agora o coração batia muito mais rápido. Porque não era apenas um parabéns. Era a voz de Verena atravessando a madrugada… como se a distância entre elas nunca tivesse existido.

Apartamento Verena e Silvia — Domingo — 21h26

O apartamento estava silencioso.

Silvia tinha ido tomar banho depois de um dia longo. A televisão da sala estava ligada sem som, apenas imagens passando devagar enquanto Verena folheava alguns documentos sobre a mesa de jantar.

Planilhas.

Relatórios.

Coisas que normalmente ela resolvia com rapidez. Mas naquela noite, a concentração estava ruim. Verena soltou a caneta e passou a mão pelo rosto.

— Que inferno… — murmurou para si mesma.

Pegou o celular ao lado do notebook. Uma sequência de notificações apareceu na tela. Mensagens de trabalho. Grupo do partido. Um jornalista pedindo retorno. Ela abriu o WhatsApp quase no automático.

O polegar desceu pela tela. Até parar.

Status — Valentina Moraes

Verena franziu levemente o cenho. Abriu. A foto apareceu. Uma selfie. Um pedaço de bolo num prato simples. Uma velinha. E a legenda curta. Por um segundo, apenas ficou olhando. A informação levou alguns instantes para encaixar.

Dezessete.

O cérebro fez a conta. Então veio o choque.

— Mas que porr*, Verena… — murmurou, irritada consigo mesma.

Apoiou a cabeça na mão, olhando ainda para a tela. Como é que ela não tinha percebido? Ela sabia o aniversário da menina.

Sabia.

Em algum lugar da memória aquilo estava guardado. Mas o trabalho, os problemas, as últimas semanas… tudo tinha empurrado aquela data para longe. E agora ali estava. A foto simples. Como qualquer aniversário de uma menina de dezessete anos.

Verena sentiu um aperto incômodo no peito. Abriu a conversa das duas. Passou o dedo pela tela devagar. Algumas lembranças vieram sem pedir licença. A biblioteca. O carro. O jeito tímido da garota tentando disfarçar quando ficava nervosa. Verena soltou um pequeno suspiro.

— Parabéns atrasado, deputada… — murmurou para si mesma com ironia.

Deixou o celular sobre a mesa. Ficou alguns segundos olhando para o teto. Sabia exatamente qual era a decisão sensata. Não mandar nada. Deixar aquilo quieto. Mas o pensamento seguinte veio rápido demais.

E se ela esperou?

Verena pegou o celular outra vez. Abriu o teclado. Digitou. Apagou. Digitou de novo. Apagou outra vez.

— Isso é ridículo… — disse baixinho.

Silvia ainda estava no banho. A casa estava silenciosa. Verena voltou ao teclado. Dessa vez não apagou. A mensagem foi enviada.

Apartamento Verena e Silvia — Domingo — 22h08

O pequeno aviso apareceu na tela.

Valentina está digitando…

Verena encostou as costas na cadeira. Ficou olhando. Os três pontinhos sumiram. Voltaram. Sumiram de novo. Ela soltou um pequeno riso pelo nariz.

— Valentina… — murmurou.

Do outro lado da cidade, alguém estava travando numa simples resposta de WhatsApp. E, por algum motivo absurdo, aquilo a deixava… curiosamente satisfeita. Os pontinhos desapareceram de vez. A mensagem chegou.

Valentina
Obrigada.

Fiquei feliz da senhora ter lembrado.

Verena inclinou a cabeça um pouco. Leu de novo. Um canto da boca subiu num sorriso torto.

— Lembrado… — repetiu em voz baixa.

Se ela soubesse. Verena desbloqueou o teclado. Dessa vez não demorou tanto. Os dedos se moviam com a segurança de quem estava acostumada a conduzir conversas… a provocar… a puxar fios invisíveis.

A resposta foi enviada.

Verena

Claro que eu lembrei.

Ela esperou um segundo. Digitou mais.

Verena
E dezessete anos já…
Isso devia vir com algum tipo de aviso oficial.

Verena apoiou o cotovelo na mesa. O polegar girava o celular devagar. Então acrescentou outra mensagem.

Verena
Aposto que você passou o dia inteiro fingindo que não gosta de ser o centro     das atenções.

Um sorriso apareceu. Aquele tom. Leve. Brincalhão. Mas cheio de subtexto. Verena largou o celular sobre a mesa por um momento, olhando para o teto.

— Você ainda vai me dar trabalho… — murmurou para si mesma.

Quando pegou o aparelho de novo, a tela já estava acesa.

Valentina está digitando…

Verena apoiou o queixo na mão, olhando para o celular como se estivesse assistindo a um espetáculo lento.

— Vamos… — murmurou, divertida.

A resposta demorava.

Casa da família Moraes, Domingo — 22h11

Valentina estava sentada na cama.. A luz fraca do abajur iluminava metade do quarto. O celular na mão. A conversa aberta. E o coração batendo rápido demais. Releu a mensagem outra vez. Mordeu o canto do lábio. Digitou.

Eu não gosto mesmo.

Apagou.

Digitou de novo.

Foi um dia simples.

Apagou outra vez.

— Ai o que é isso… — sussurrou.

Apoiou o celular na perna e respirou fundo. Então segurou o botão do microfone, quase sem pensar.

— Não foi bem assim… eu…

Ela travou. Soltou o botão. O áudio foi enviado. Valentina arregalou os olhos.

— Não, não, não…

Mas já era tarde. O aviso na tela apareceu. Verena está digitando… Valentina nem percebeu que estava prendendo a respiração. Os olhos fixos na tela. Os dedos apertando levemente a borda do celular. A vibração veio um segundo depois. Uma nova mensagem.

Verena

Eu ouvi.

Valentina piscou devagar. O coração bateu mais forte. Outra vibração.

Verena
Sua voz parece diferente quando você fica nervosa.

Ela sentiu o calor subir pelo rosto até as orelhas.

— Que vergonha… — murmurou, quase sem som.

Os dedos passaram rapidamente pelo cabelo, jogando alguns fios para trás. Era um gesto automático, como se Verena pudesse vê-la ali. O celular vibrou outra vez.

Verena
Você ia dizer alguma coisa.

Valentina mordeu o lábio inferior. No outro lado do quarto, Isadora se mexeu levemente na cama, murmurando algo no sono e virando o rosto para o travesseiro. O barulho suave do ventilador no canto do quarto fazia o ar circular devagar.

Valentina baixou o brilho da tela instintivamente. Como se alguém pudesse enxergar. Voltou para a conversa. As mensagens estavam ali. Simples. Mas pesadas de um jeito estranho. Ela abriu o teclado. Digitou.

Eu só…

Apagou. Digitou de novo.

Eu fiquei com vergonha.

Apagou outra vez. O cursor piscava na tela vazia. Ela respirou fundo pelo nariz. Então escreveu, devagar.

Valentina
Eu não sabia o que responder.

Ficou olhando. Relendo. Era pouco. Mas verdadeiro. A mensagem foi enviada. Valentina deixou o celular cair devagar sobre a colcha. Passou as mãos pelo rosto. O coração ainda acelerado. Alguns segundos se passaram. Nada. Então o celular vibrou de novo. Ela pegou rápido demais. A resposta era curta.

Verena
Você sempre soube.

Valentina franziu a testa. Outra vibração.

Verena
Só fica tentando parecer mais inocente do que é.

O ar pareceu prender no peito dela.

— Eu não faço isso… — sussurrou para o quarto vazio, como se estivesse se defendendo.

Mas o celular vibrou outra vez antes que ela pensasse em responder. A nova mensagem apareceu.

Verena
E isso é exatamente o que me complica.

Valentina ficou completamente imóvel. O quarto silencioso. A casa inteira tranquila. Mas dentro de si, parecia que alguém tinha acendido uma tempestade. Olhou para a foto de perfil de Verena outra vez. E a pergunta escapou antes que tivesse tempo de pensar.

Valentina
Por quê?

Enviou. E só depois percebeu o que tinha feito. O coração voltou a bater forte. No topo da tela, os três pontinhos apareceram de novo. 

Verena está digitando…

Valentina sentiu o estômago apertar. A mensagem chegou.

Verena
Porque você mexe comigo.

Valentina ficou olhando para a tela. Imóvel. O celular vibrou de novo.

Verena
E você sabe disso.

O coração deu um pulo no peito.

— Eu não sei… — murmurou baixinho, quase ofendida.

Os dedos pairaram sobre o teclado. Digitou. Apagou. Digitou de novo. Nada parecia certo. Enquanto hesitava, outra mensagem apareceu.

Verena
Valentina.

Só o nome. Aquilo fez o peito dela apertar de um jeito estranho. Veio outra.

Verena
Eu fiquei o dia inteiro sem saber que era seu aniversário.

A frase era simples. Mas algo nela parecia pesado. Valentina sentiu a garganta secar. A próxima mensagem chegou logo depois.

Verena
Quando eu vi o seu status
eu fiquei com vontade de atravessar a cidade.

Ela prendeu a respiração. O celular parecia quente na mão. Os olhos correram pela conversa outra vez. Cada palavra parecia grande demais agora. Valentina apoiou a cabeça na parede atrás da cama.

— Por que você fala essas coisas… — sussurrou.

O coração ainda acelerado. Ela começou a digitar devagar.

Valentina
A senhora não devia.

Ficou olhando para a frase. Era quase uma defesa. Quase. Enviou. Demorou apenas alguns segundos para a resposta chegar.

Verena
Eu sei.

Outra vibração.

Verena
Mas isso nunca impediu a gente antes.

A garota sentiu o rosto queimar de novo. Imagens rápidas passaram pela cabeça. A biblioteca silenciosa. O carro parado numa rua escura. A respiração de Verena perto demais. Ela apertou os olhos por um segundo, tentando afastar aquilo. Mas o celular vibrou mais uma vez.

Verena
Você ainda fica nervosa assim quando fala comigo?

Valentina soltou um pequeno riso nervoso pelo nariz.

— Eu sempre fico… — murmurou.

O cursor piscava na tela. Esperando. E pela primeira vez naquela conversa inteira, Valentina percebeu uma coisa que fez o coração disparar ainda mais. Aquela conversa não parecia um simples “parabéns atrasado”. Parecia outra coisa. Algo que estava começando de novo.

Casa da família Moraes, Domingo — 22h18

O cursor piscava. Valentina ainda segurava o celular com as duas mãos, como se ele pudesse escapar. A última mensagem continuava ali. O coração batia rápido demais para uma conversa digitada. Ela passou a língua pelos lábios secos.

Digitou. Apagou. Digitou de novo.

Não é isso.

Ficou olhando para a frase. Era mentira. Apagou. Respirou fundo e tentou outra coisa.

Valentina
Só é estranho.

Enviou. Os três pontinhos apareceram quase imediatamente. Valentina encostou a cabeça na parede atrás da cama. Sentiu o estômago apertar. A resposta chegou.

Verena
Estranho como?

Ela soltou o ar devagar. Como explicar? Como dizer que só de ver o nome dela na tela o corpo inteiro reagia como se alguém tivesse acendido uma luz dentro dela? Que a voz dela ainda morava na memória. Que o cheiro do perfume ainda aparecia às vezes, do nada. Ela digitou com cuidado.

Valentina
A gente ficou muito tempo sem se falar.

Alguns segundos de silêncio. Então:

Verena
Eu sei.

Outra mensagem veio logo depois.

Verena
Você acha que eu não senti falta?

Valentina engoliu em seco. Isadora se mexeu na outra cama, virando de lado, e Valentina congelou por um segundo. Esperou. A irmã continuou dormindo. Ela voltou os olhos para a tela. Outra vibração.

Verena
Porque senti.

A palavra parecia pesada. Sincera demais. Valentina fechou os olhos por um instante. O sermão do pastor ainda ecoava em algum canto da memória. Ela abriu os olhos rápido, como se tivesse sido pega pensando. Digitou.

Valentina
A senhora tem uma vida.

Mandou antes de pensar melhor. Assim que a mensagem saiu, o arrependimento veio. Ela mordeu o lábio inferior. Os três pontinhos demoraram mais dessa vez. Longos segundos. Então:

Verena
Eu tenho.

Pausa. Outra mensagem.

Verena
E mesmo assim estou aqui falando com você.

O coração de Valentina deu um salto. Ela apertou o aparelho com força. Veio mais uma.

Verena
Isso devia te dizer alguma coisa.

Valentina respirou fundo. O quarto parecia pequeno demais de repente. Ela digitou devagar. Parou. Apagou metade. Reescreveu.

Valentina
Diz que a senhora não devia.

Enviou. Dessa vez a resposta demorou. Dez segundos. Quinze. Vinte. Quando finalmente chegou, era curta. Direta. Muito direta.

Verena
Você ainda pensa em mim?

Valentina sentiu o corpo inteiro esquentar. O coração bateu tão forte que ela levou a mão ao peito instintivamente. Ela ficou olhando para a tela. Imóvel. Porque aquela pergunta tinha uma resposta simples. Mas nenhuma coragem para ser dita. O cursor piscava. Esperando. E então o celular vibrou de novo. Mais uma mensagem.

Verena
Seja sincera comigo Valentina.

Valentina fechou os olhos. Respirou fundo. Quando abriu de novo, os dedos começaram a digitar. Devagar. Como se cada letra fosse um risco. O cursor piscava. Escreveu três palavras. Apagou.  Outras duas. Apagou de novo. O celular vibrou de repente. Valentina quase o deixou cair. Não era mensagem. Era um áudio.

0:32

O coração disparou imediatamente. Ficou alguns segundos olhando para o ícone na tela. Como se aquilo fosse explodir. Olhou para a irmã, que continuava dormindo profundamente, o braço pendurado para fora da cama. Valentina diminuiu o volume quase até o mínimo.

Encostou o celular no ouvido. E apertou o play. A voz de Verena saiu baixa, rouca, com um tom calmo que sempre parecia carregar alguma intenção  implícita.

— Valentina…

Só o jeito como ela disse o nome já fez um arrepio subir pela espinha da menina. Houve uma pequena pausa. Como se Verena estivesse escolhendo as palavras.

— Eu sei que você está aí olhando para essa pergunta e tentando encontrar a resposta certa.

Outra pausa. A respiração dela era audível no áudio.

— Mas eu te conheço.

O coração de Valentina começou a bater ainda mais forte.

— Você sempre acha que precisa dizer a coisa certa… a coisa que não vai causar problema…

Valentina prendeu a respiração. A voz do outro lado ficou um pouco mais baixa. Mais íntima.

— Mas não foi isso que eu perguntei.

Silêncio curto. Então veio a frase que fez o estômago de Valentina virar.

— Eu só perguntei se você ainda pensa em mim.

Uma pausa. E então, quase como um sussurro:

— Porque eu penso em você.

Valentina sentiu as pernas literalmente perderem a força. Ela deslizou devagar até encostar as costas completamente na parede. O áudio continuava.

— Mais do que eu devia.

Outra pequena pausa.

— Muito mais.

O áudio terminou com um som leve de respiração, como se Verena tivesse se afastado do telefone.

0:32 — reproduzido

O quarto ficou completamente silencioso. Valentina ainda segurava o celular no ouvido. Imóvel. O coração batendo tão forte que parecia ecoar dentro dela. Ela olhou para a tela outra vez. Nenhuma mensagem nova.

Sentiu os olhos arderem. Porque agora a resposta estava presa na garganta. E não tinha mais como fingir que aquela conversa era inocente. Ela apoiou o celular sobre o peito. Sussurrou, quase sem voz:

— Penso…

Mas Verena não podia ouvir. Pelo menos… não ainda.

Então, fechou os olhos. Sentiu o coração apertar. Abriu a conversa de novo. Os dedos tremeram levemente quando tocou no ícone do microfone. Segurou. Não falou. Soltou. Nada aconteceu. Ela soltou o ar devagar.

— Ridículo… — murmurou para si mesma.

Pegou o celular outra vez. Dessa vez segurou o botão e começou a gravar antes que a coragem fosse embora.

— Eu…

A voz saiu baixa demais. Ela engoliu em seco. Continuou.

— Eu tentei parar.

Houve um pequeno silêncio no áudio. Como se ela mesma estivesse tentando entender o que estava dizendo.

— Depois que eu saí do estágio… eu achei que ia passar.

A respiração era audível na gravação.

— Achei que era só… coisa da minha cabeça.

Valentina olhou rapidamente para Isadora. A irmã ainda dormia. Ela baixou ainda mais a voz.

— Mas não passou.

Outro silêncio. A frase seguinte saiu quase num sussurro.

— Eu ainda penso na senhora.

Ela soltou o botão. O áudio foi enviado.

Áudio — 0:41

Valentina imediatamente levou a mão à boca.

— Não…

Agora não tinha mais volta. Ela puxou o cobertor até o peito e encostou a cabeça na parede. O celular ainda na mão. Esperando. Dez segundos. Nada. Vinte. O coração começou a bater mais rápido outra vez. Então a tela mudou.

Verena está digitando…

Sumiu. Voltou. Sumiu de novo. Valentina franziu a testa.

— O que ela tá fazendo… — sussurrou.

O celular vibrou. Outro áudio. Mais longo dessa vez. 0:52 Valentina sentiu o estômago revirar.

— Não acredito…

Ela olhou para a porta do quarto. Depois para Isadora. A irmã se mexeu levemente, mas continuou dormindo. Valentina encostou o celular no ouvido outra vez. E apertou o play. A voz de Verena veio calma. Mas diferente da primeira. Mais firme.

— Você tem ideia do que acabou de me dizer?

Valentina sentiu o corpo inteiro arrepiar. O áudio continuou.

— Porque eu estou sentada na minha sala agora… tentando ser uma pessoa responsável…

Uma pequena pausa. Um suspiro audível.

— …e você manda um áudio dizendo que ainda pensa em mim.

O coração de Valentina parecia querer sair pela garganta. A voz de Verena baixou um pouco.

— Isso não ajuda em nada, sabia?

Outro silêncio curto. Então veio a frase que fez o estômago de Valentina virar completamente.

— Porque eu estava tentando me comportar.

Uma pausa. E então:

— Mas você nunca facilitou pra mim, Valentina.

O áudio terminou. Valentina ficou parada. Com o celular no ouvido. Sentindo as pernas realmente fracas agora. Ela deslizou um pouco mais contra a parede. Respirou fundo. E murmurou para o quarto escuro:

— Eu também não sei me comportar perto da senhora…

Mas, outra vez, Verena não podia ouvir. Ainda não. 

O silêncio voltou ao quarto. Valentina ainda estava encostada na parede, o celular apoiado sobre o peito. O coração batendo rápido demais. Um calor estranho subiu pelo corpo dela. O celular vibrou. Outro áudio. Mais curto.

0:16

Ela arregalou levemente os olhos.

— Ela não vai parar… — murmurou.

Encostou o celular no ouvido de novo. A voz veio mais baixa dessa vez. Quase cansada.

— Isso é uma péssima ideia…

Uma pequena pausa.

— Conversar com você assim.

A respiração apareceu no áudio.

— Porque quanto mais você fala… mais difícil fica fingir que eu superei isso.

Valentina sentiu o peito apertar. O áudio terminou. Ela ficou imóvel. Mas o celular vibrou outra vez. Outra gravação.

0:22

Valentina apertou o aparelho com força antes de dar play. A voz de Verena voltou. Dessa vez mais lenta. Como se estivesse pensando enquanto falava.

— Eu sinto falta de coisas idiotas.

Uma pausa curta.

— O jeito que você ficava me olhando quando achava que eu não estava vendo.

Valentina sentiu o rosto esquentar imediatamente. A voz continuou.

— Ou quando você ficava vermelha por qualquer coisa que eu dizia.

Então veio um riso curto.

— Você ainda fica assim?

Valentina fechou os olhos. O coração disparando. Mas a última frase veio ainda mais baixa. Quase um segredo.

— Eu sinto falta do seu cheiro também.

Silêncio de um segundo. Então um pequeno riso baixo.

— Isso definitivamente não era pra eu ter dito.

O áudio terminou. Valentina ficou completamente parada. As pernas pareciam feitas de gelatina. Ela puxou o cobertor para cima como se estivesse com frio. O celular vibrou mais uma vez. Mais um áudio. Mais curto.

0:09

Ela apertou play. A voz de Verena veio com um tom meio resignado.

— Pronto.

Uma pausa pequena.

— Meu autocontrole acabou de ir embora.

O áudio terminou. O quarto voltou ao silêncio. Valentina levou a mão ao rosto. O coração disparado. E então ela soltou um pequeno riso nervoso que precisou abafar com o travesseiro para não acordar Isadora.

— Isso… Não…

Ela olhou para a tela outra vez. Quatro áudios da deputada. Todos ali. E pela primeira vez naquela conversa inteira, Valentina percebeu uma coisa que fez o estômago revirar de novo. A deputada Verena Castilho… estava completamente sem filtro. E agora era a sua vez de responder. 

Mas antes que pudesse raciocinar, o celular vibrou mais uma vez.

0:12

Ela apertou o play.

— Me diz uma coisa, Valentina.

Uma pausa curta. Então a pergunta veio. Calma. Quase casual. Mas perigosa.

— Se eu aparecesse aí agora… você abriria o portão?

O quarto voltou ao silêncio absoluto. Valentina ficou olhando para a tela. Porque agora a conversa tinha atravessado uma linha invisível.

O áudio terminou. Mas ela continuou segurando o aparelho contra o ouvido por alguns segundos. Como se a voz de Verena pudesse continuar. Devagar, ela afastou o telefone. A pergunta estava ali. Impossível de ignorar. A garota sentiu o coração bater mais forte.

Ela olhou automaticamente para a porta do quarto. Depois para a janela. Como se Verena realmente pudesse estar ali fora.

— Isso é loucura… — sussurrou.

O celular ainda na mão. O cursor piscando na conversa. Ela tentou imaginar. O carro preto da deputada parado na rua. Os faróis apagados. Aquela presença firme, tranquila, esperando do outro lado do portão de ferro da casa. O estômago deu um nó.

Valentina passou a mão pelo rosto.

— Acho que eu vou desmaiar

Ela apertou o microfone. Soltou. Apertou de novo. Soltou outra vez. Respirou fundo. Finalmente segurou o botão e começou a gravar.

— A senhora não pode falar essas coisas assim…

A voz saiu baixa. Um pouco trêmula. Ela continuou.

— Minha mãe está em casa… meu pai também…

Uma pequena pausa. Valentina olhou para Isadora dormindo.

— E eu acho que morreria de susto se visse seu carro na rua.

Ela soltou o botão. O áudio foi enviado. Assim que mandou, levou a mão ao rosto.

— Por que eu disse isso desse jeito…

O celular vibrou quase imediatamente. Outro áudio. Curto.

0:07

A voz da Verena veio com um riso baixo.

— Interessante.

O áudio terminou. Valentina franziu a testa.

— Interessante o quê…?

O celular vibrou outra vez.

Áudio — 0:18

Ela colocou no ouvido.

— Você não disse que não abriria.

O coração dela disparou. A voz continuou, calma.

— Só disse que levaria um susto.

Uma pequena pausa. Então um riso quase inaudível.

— Tá vendo como você nunca facilita pra mim?

O áudio terminou. Valentina sentiu o rosto queimar.

— Eu não disse isso… — murmurou, já rindo nervosa.

O celular vibrou mais uma vez. Outro áudio. Ela apertou o play com o coração batendo rápido. A voz de Verena veio mais tranquila agora. Mas havia um tom diferente ali. Mais honesto.

— Relaxa.

Uma pausa curta.

— Eu não vou aparecer aí no meio da noite.

Silêncio de um segundo.

— Mesmo querendo.

Valentina sentiu o estômago virar de novo. Mas a última frase veio ainda mais baixa.

— Algumas ideias são melhores quando ficam só na cabeça.

 

O áudio terminou. O quarto ficou quieto outra vez. Valentina encostou a cabeça na parede. O celular apoiado sobre o peito. Respirou fundo. Mas naquele momento percebeu algo que fez o coração bater ainda mais rápido. A conversa não tinha esfriado. Pelo contrário. Parecia que as duas estavam cada vez mais perto de dizer coisas que talvez não devessem. E isso era exatamente o que tornava tudo tão impossível de parar.

Fim do capítulo


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Comentários para 44 - Perdendo o controle - Parte 1:
Zanja45
Zanja45

Em: 11/03/2026

Valentina não facilita nadinha para a deputada, né mesmo, autora? Não disse que não abriria o portão. kkkk! Essa Verena é um perigo para a alma inocente de Valentina. — "A senhora não deveria falar essas coisas"


anonimo2405

anonimo2405 Em: 15/03/2026 Autora da história
Kkkkkk Menina, tá vendo como ela tá? Sem noção nenhum do perigo. Pq em ternos de noção a gente já sabe que a Verena tem escorregado bem né. Agora imagina se a Valentina perde tbm? O que será dessas duas?


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Zanja45
Zanja45

Em: 11/03/2026

Verena estava tentando se comportar e vem Valentina e desecaminha ela. Não tem como não rir da depu nessa troca de mensagens com Valentina. — Foi muito gostosa essa conversa — A deputada é chegada a correr riscos. Já pensou se Silvia sai do banho e pega ela gravando audios e mais audios para Valentina?


anonimo2405

anonimo2405 Em: 15/03/2026 Autora da história
Nossa, se a Silvia pega isso, acho que seria gamer over pra Verena. Sem condições.

Obrigada pelo carinho! S2


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Zanja45
Zanja45

Em: 11/03/2026

Leo é uma má influência mesmo. — Valentina já estava se sentindo na depre por Verena não ter lembrado do aniversário dela — E Leo vem e incentiva ela a postar uma foto para a deputada ver. Esse amigo está mandando ela ir pra cima na maldade. — Está saindo um bom conselheiro amoroso. KKKK!


anonimo2405

anonimo2405 Em: 15/03/2026 Autora da história
Ahhhh o Léo.

Agindo como um verdadeiro diabinho no ombro da Valen. Tenho minhas ressalvas com ele. Não acho que ele esteja com más intenções com ela, mas vamos esperar.


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