Capitulo III: A intrusa
Por Inês:
Acordei antes do amanhecer, como é meu costume há anos. O silêncio da fazenda antes que o mundo desperte é uma das poucas coisas que verdadeiramente aprecio. Mas naquela manhã, mesmo o silêncio, estava contaminado pela presença da intrusa. A senhorita Cecília Monteiro Cavalcanti, a frágil flor da cidade que viera murchar em nossos campos por recomendação médica.
Vesti-me rapidamente no mesmo cinza de sempre e prendi meus cabelos com aquela severidade que Dona Eulália por vezes tenta suavizar com sugestões gentis que eu ignorava sistematicamente. Olhei-me brevemente no espelho manchado de meu quarto e vi o que sempre vejo: uma mulher de vinte e oito anos, alta demais, magra demais, com olhos escuros que carregam rancor demais.
Meu nome é Inês. Inês Valença. Sem sobrenome que me dê lugar no mundo, sem patronímico que me ancore às genealogias respeitáveis da sociedade. Sou a bastarda do Coronel Bernardino de Almeida Castanheira, o fruto podre de seu adultério, a evidência viva de uma traição conjugal que permaneceu secreta até sua morte.
Durante dezesseis anos, vivi no Internato das Irmãs de São Vicente na capital, acreditando-me órfã sem história ou parentes. O Coronel pagava minha educação através de intermediários, mantinha-me vestida, alimentada, educada, mas nunca me visitou, nunca me dirigiu uma palavra, nunca me olhou nos olhos. Eu era seu segredo vergonhoso, sua consciência culpada manifestada em pagamentos mensais a freiras silenciosas que me ensinaram latim, francês, música e todas as prendas de uma dama, sem nunca me dizer que eu não era dama coisa nenhuma.
Minha mãe, aquela mulher cujo nome nunca soube, disseram que morreu ao me dar à luz. Desta forma, fui amaldiçoada desde o primeiro suspiro. Assassina involuntária, bastarda indesejada, segredo inconveniente.
Quando o Coronel morreu subitamente de um ataque do coração aos cinquenta e sete anos, seu advogado revelou minha existência a Dona Eulália através de uma carta e uma cláusula no testamento que me deixava uma quantia. Imagino o choque da viúva recente descobrindo que o marido a traíra durante anos, uma amante e mantendo uma filha ilegítima. Imagino a raiva, a humilhação, o desejo natural de me deixar no internato para sempre, fingindo que eu não existia.
Mas Dona Eulália era boa. Boa demais para seu próprio bem, boa até a estupidez, boa daquele jeito que apenas o medo de Deus pode fazer alguém ser. Ela me trouxe para a fazenda. Não como filha, nunca como parenta, mas como "protegida". Deu-me um quarto, roupas, comida. E em troca, carrego para sempre o peso de sua caridade forçada, de sua bondade que para mim é mais fardo que bênção.
Dezesseis anos no internato e doze anos nesta casa. Vinte e oito anos sendo a abandonada, a estranha, a protegida, a bastarda. E agora ela. Esta criaturinha pálida e frágil da cidade, vinha perturbar até mesmo minha existência solitária.
Desci as escadas enquanto a casa ainda dormia. A cozinha já estava acordada e Arminda, nossa cozinheira que nunca dorme até depois do sol nascer, estava ali preparando a refeição matinal.
— Bom dia, menina Inês — cumprimentou ela, usando o tratamento que só ela emprega comigo. — Dormiu bem?
— Como sempre — menti. — O que prepara para hoje?
— Ah, o desjejum deve estar especial, não é? — disse ela com aquele sorriso que sabia tudo sem dizer nada. — Com a visita e tudo. Dona Eulália pediu o melhor. Tenho os bolos de laranja assando, e acabei te tirar os de milho. Há queijos frescos que chegaram ontem da vila, pães, frutas da estação...
Olhei para a mesa que já estava sendo arranjada. Melancias abertas mostrando sua carne vermelha e suculenta, mangas amadurecidas perfeitamente em tons de dourado e rosa, bananas ainda levemente verdes como convém, goiabas perfumadas, e aquelas pequenas laranjas doces que crescem em abundância nos pomares da fazenda. Havia também queijos brancos e amarelos dispostos em travessas de porcelana, pães ainda quentes exalando aquele aroma delicioso, e biscoitos de polvilho empilhados em pirâmides perfeitas.
— Está um tanto… exagerado — comentei secamente. — A menina não é a Rainha de Portugal.
— É visita de Dona Eulália — respondeu Arminda com reprovação suave. — E doente, coitadinha. Precisa comer bem para recuperar as forças.
Coitadinha. Todos já a tratavam como coitadinha, como se pulmões fracos fossem tragédia maior que nascer bastarda.
O aroma dos bolos começava a encher a cozinha. Arminda era mestra nessas criações, e mesmo eu, com todo meu péssimo humor pela noite de sono mal dormida, não podia negar que seus bolos eram extraordinários.
— A mocinha da cidade vai ficar impressionada — disse Arminda, retirando o bolo de laranja do forno, sua superfície dourada e brilhante. — Aposto que na cidade não comem nada tão bom quanto o que faço aqui.
— Na cidade comem refinamento importado — retruquei. — Doces franceses em confeitarias elegantes.
Arminda me lançou aquele olhar que significava desaprovação, mas não disse nada. Conhecia-me bem demais para desperdiçar palavras.
Subi novamente para meu quarto, peguei o livro que estava lendo e dirigi-me à sala de jantar. Cheguei deliberadamente cedo, antes de Dona Eulália ou da intrusa, e instalei-me na minha cadeira habitual, a mais distante da cabeceira, e abri o livro com determinação de ser deixada em paz.
Mas o destino, como sempre, tinha outros planos.
Dona Eulália desceu primeiro, seu rosto iluminado com aquele contentamento que eu não via há anos. Usava um vestido preto com um xale de renda nos ombros.
— Oh, Inês, que bom que já está aqui — disse ela, com entusiasmo nervoso. — Cecília deve descer a qualquer momento. Espero que tenhas... que possas ser um pouco mais... cordial hoje.
— Serei o que sempre sou — respondi sem erguer os olhos do livro. — Não finjo o que não sou.
— Inês, por favor — havia súplica em sua voz. — Ela é apenas uma menina doente longe de casa. Não precisa ser sua amiga, mas poderia ao menos...
— Bom dia — uma voz suave, levemente rouca, interrompeu.
Ergui os olhos e lá estava ela.
À luz do dia, Cecília Monteiro da Silva era ainda mais pálida do que parecera no crepúsculo de ontem. Sua pele tinha aquela translucidez doentia de quem raramente vê o sol, com veias azuladas visíveis nas têmporas e no pescoço delicado. Seus cabelos eram louros. Não o louro comum, mas um tom dourado que capturava a luz matinal. Os olhos eram azuis, grandes, levemente sombreados por círculos escuros que delatavam noites ruins. Usava um vestido simples de algodão cor de lavanda.
Se eu fosse dada a religiosidade, poderia descrevê-la como anjo. Mas o que estou pensando? Era irritante. Tudo nela era irritante. A palidez, a fragilidade, aquela maneira delicada como segurava a saia ao caminhar.
Uma dondoquinha da cidade grande. Exatamente o que eu esperava.
— Bom dia, querida! — Dona Eulália levantou-se apressadamente. — Dormiu bem? Como estão os pulmões? Precisa do seu tônico?
— Dormi razoavelmente — respondeu Cecília, com uma voz rouca que a tosse noturna explicava. — E meus pulmões estão... bem, estão fazendo o melhor que podem, considerando que são meus pulmões.
Houve humor naquela frase. Não esperava humor.
Ela então olhou para mim, seus olhos azuis encontrando os meus escuros através da mesa. Por um momento, nenhuma de nós disse nada. Então, com deliberação visível, ela se dirigiu à cadeira. Não a mais próxima de Dona Eulália como seria natural, mas aquela diretamente em frente à minha, do outro lado da mesa.
— Bom dia, senhorita Inês — disse ela,em um tom perfeitamente educado e completamente vazio de calor. — Espero que tenha dormido melhor que eu.
— Dormi perfeitamente — menti. — O silêncio do campo não me incomoda como certamente incomoda aqueles acostumados ao barulho urbano.
— Que sorte a sua — respondeu ela, desenrolando o guardanapo com movimentos precisos. Seus dedos eram longos, pálidos e delicados. Notei que tremiam levemente — Eu, infelizmente, achei o silêncio quase ensurdecedor. É curioso como a ausência de som pode ser mais barulhenta que sua presença.
Arminda entrou naquele momento, seguida por duas criadas carregando bandejas. A primeira refeição do dia foi disposta com cerimônia As frutas reluzentes, os queijos aromáticos, os pães ainda quentes, os biscoitos delicados, e finalmente, com orgulho visível de Arminda, os bolos: o de laranja com sua cobertura brilhante, o de milho com sua textura rústica e convidativa.
— Oh! — exclamou Cecília, e pela primeira vez vi algo verdadeiro em sua expressão — Que... que maravilha!
Algo se apertou em meu peito. Raiva, certamente. Não podia ser outra coisa.
— Arminda é nossa cozinheira há trinta anos — explicou Dona Eulália, radiante. — Seus bolos são famosos em toda a região. O de laranja usa as laranjas de nossos próprios pomares, e o de milho é feito com fubá moído na fazenda.
— Quanta consideração por quem come nas pâtisseries mais chiques e caras da capital — murmurei, suficientemente baixo para que apenas Cecília ouvisse.
Ela me lançou um olhar afiado. Vi suas pupilas dilatarem levemente e as maçãs de seu rosto corarem. Mas seu sorriso permaneceu intacto quando me ignorou completamente e se dirigiu a Dona Eulália:
— Estou certa de que são infinitamente superiores aos doces enjoativos das confeitarias da cidade. — Sua voz era mel e veneno ao mesmo tempo. — Há algo sobre comida feita com ingredientes frescos que nenhum refinamento artificial pode replicar.
Touché. Meus dedos se fecharam em punho sob a mesa. A dondoquinha tinha ouvidos apurados e língua rápida. E sabia exatamente como devolver um insulto disfarçando-o de elogio.
Começamos a comer em silêncio. Eu fingia ler, mas meus olhos traíam-me constantemente, desviando para observá-la. A maneira como ela cortava a fruta em pedaços minúsculos. Como levava cada garfada à boca com lentidão. Como seus olhos ocasionalmente encontravam os meus e desviavam rapidamente.
Dona Eulália fazia perguntas nervosas sobre o apetite de Cecília, sobre se a cama fora confortável, se o quarto estava suficientemente arejado mas não frio demais. Cecília respondia com cortesia, comia pequenos pedaços de fruta, um pouco de queijo, meio pão.
— Não vai experimentar os bolos? — perguntou Dona Eulália, ansiosa.
— Claro — Cecília cortou um pedaço pequeno do bolo de laranja, levou-o à boca, e por um momento seus olhos se fecharam. Seus lábios se curvaram involuntariamente, e algo naquela expressão desarmada me fez engolir em seco. — É... extraordinário — disse finalmente, com surpresa que não conseguiu esconder. — Verdadeiramente extraordinário.
— Arminda ficará feliz em saber — comentei, forçando meu tom a permanecer seco apesar do calor estranho que sentia subindo pelo meu rosto. Pigarreei levemente. — Ela se esforçou tanto para impressionar a visita ilustre.
— Tenho certeza de que ela se esforça igualmente para todos — replicou Cecília, com seus olhos azuis fixando-se nos meus. — Ou seria presunção minha imaginar que este tratamento especial é apenas para mim, não acha?
Eu podia sentir meu coração batendo mais rápido. Raiva, certamente, apenas raiva diante do atrevimento dela.
— Oh, não, não — apressou-se Dona Eulália, completamente alheia à corrente de hostilidade que fluía entre nós. — Arminda sempre prepara desjejuns maravilhosos. Cecília, querida, deve comer mais. Estás tão magra!
— Estou no peso apropriado para alguém com minha constituição — respondeu Cecília com paciência que sugeria que esta não era a primeira vez que ouvia tal observação. — Minha fragilidade é pulmonar, não nutricional.
— Ainda assim — insistiu Dona Eulália. — O ar do campo te dará apetite. Em algumas semanas estarás comendo como... como...
— Como uma camponesa robusta? — sugeri, mordendo um pedaço de bolo de milho, sem quebrar o contato visual com Cecília. Vi suas narinas se alargarem levemente, um músculo saltar em sua mandíbula delicada.
— Estava pensando como uma moça saudável — disse Cecília, seu tom permanecendo leve mas seus olhos estreitando-se imperceptivelmente. — Embora compreenda que as sutilezas de linguagem possam se perder em... diferentes contextos sociais.
Algo quente subiu do meu estômago para minha garganta. Meus olhos estreitaram-se.
Dona Eulália engasgou-se com seu chá. Eu, por outro lado, inclinei-me ligeiramente para frente, invadindo o espaço através da mesa.
— As sutilezas de linguagem — repeti devagar, saboreando cada palavra, observando como ela reagia a cada sílaba. Uma leve vermelhidão subia por seu pescoço pálido. — são de fato fascinantes. A linha entre um comentário inocente e um insulto calculado é surpreendentemente fina.
Cecília também se inclinou para frente, espelhando minha postura. Estávamos agora mais próximas através da mesa, e eu podia ver detalhes que não notara antes. Pequenas sardas douradas em seu nariz e um minúsculo corte no lábio inferior, que ela devia ter mordido nervosamente.
— Pode ser isso ou então o fato de que algumas pessoas tem um jeito mais propenso para usar certas... armaduras. Nem todos interpretam as coisas com a mesma… sensibilidade — ela concluiu, e um sorriso perigoso se formou em seu rosto.
— Pode ter razão, senhorita Cecília — respondi, sentindo meu coração disparar. — Ou então pode ser ainda uma outra alternativa.
— Não me deixe curiosa — ela disse, e sua voz ficou mais baixa, quase um sussurro que me forçou a me concentrar intensamente para ouvir. — Diga qual.
— As distinções são cruciais — disse, com cada palavra saindo lenta e carregada. — Mas a ausência delas pode ser uma habilidade útil. — Fiz uma pausa. — A habilidade de fingir não compreender quando algo é dito nas entrelinhas. Muito valorizada em certos círculos sociais, os quais a senhorita certamente frequenta. Permite que se mantenha a ilusão de inocência e pureza enquanto se desfere golpes com precisão cirúrgica.
Seus lábios se separaram levemente. Vi sua língua passar rapidamente por eles. Não houve resposta. Apenas aquele olhar intenso, aqueles olhos azuis queimando nos meus.
— Meninas — disse Dona Eulália fracamente. — Por favor...
— Peço desculpas, tia Eulália — disse Cecília, voltando sua atenção para a senhora com expressão perfeitamente composta. — Não era minha intenção causar desconforto à mesa. Estava apenas tentando manter uma conversa com Inês, já que nos veremos frequentemente nos espaços comuns da casa.
— Compreendo perfeitamente, querida — disse Dona Eulália, lançando-me um olhar de reprovação que fingi não ver. — E quanto a ti, Lurdes? Dormiu bem? O quarto ao lado do de Cecília estava confortável?
Foi apenas então que notei a presença silenciosa da dama de companhia sentada numa cadeira afastada, quase escondida perto da janela. Lurdes, a viúva de quarenta anos que viera acompanhando a senhorita delicada, comia discretamente um pedaço de pão, seus olhos baixos como convém a alguém de sua posição.
— Muito confortável, Dona Eulália — respondeu ela com a voz suave. — A senhora é muito generosa.
— Lurdes poderá ficar conosco durante toda a estadia de Cecília — anunciou Dona Eulália, e então, voltando-se para mim com aquela expressão que significava que ela esperava objeções: — Não há problema algum, não é, Inês? Temos quartos suficientes.
— A casa é sua — respondi com indiferença. — A senhora decide quem fica e quem vai.
Mas mesmo enquanto dizia isso, uma pergunta se formava em minha mente. Por quanto tempo Lurdes permaneceria? Durante quantos meses? Isso era comum? Necessário? Ou seria mais apropriado que ela retornasse à cidade após certificar-se de que sua protegida estava devidamente instalada?
Dona Eulália pareceu captar minha dúvida não expressa.
— Na verdade — disse ela, hesitante — eu estava pensando... Lurdes, querida, tens família na cidade? Filhos, talvez, que precisem de ti?
Lurdes ergueu os olhos, surpresa.
— Tenho um filho, sim, senhora. Rafael, de nove anos. Ele está sob cuidados de minha irmã enquanto estou aqui, mas...
— Mas certamente gostaria de voltar para ele — completou Dona Eulália gentilmente. — E Cecília estará perfeitamente segura aqui conosco. Não há necessidade de te separares de teu filho por meses a fio.
Vi algo passar pelo rosto de Cecília. Alívio ou apreensão, não consegui distinguir. Lurdes claramente sentia-se dividida entre o dever e o desejo.
— Eu não gostaria de abandonar a senhorita Cecília — começou ela, olhando para sua protegida com preocupação óbvia.
— Não me abandonaria — disse Cecília firmemente. — Lurdes, teu filho precisa de ti mais que eu. E tia Eulália tem razão… estou perfeitamente segura aqui. Podes retornar à cidade com a consciência tranquila.
— Então está decidido — declarou Dona Eulália. — Lurdes partirá amanhã mesmo. Arranjarei a carruagem. E assim Rafael terá sua mãe de volta, e Cecília terá a liberdade de se adaptar à vida aqui sem sentir-se... excessivamente vigiada.
Liberdade. Que palavra curiosa para descrever confinamento por motivos médicos.
O resto da refeição transcorreu em silêncio tenso intercalado por tentativas valorosas de Dona Eulália de iniciar conversas amenas. Cecília comeu pouco, como eu esperava, mas fez questão de experimentar ambos os bolos e elogiar cada um. Isso, admito com relutância, me irritou. Seria mais fácil desprezá-la completamente se ela fosse completamente desprezível.
Quando finalmente terminamos, Cecília pediu licença para retirar-se, alegando que desejava explorar os jardins. Dona Eulália praticamente saltou da cadeira, oferecendo-se para acompanhá-la, mas Cecília educadamente recusou.
— Prefiro caminhar sozinha, tia, se não se importa. Preciso acostumar-me ao lugar.
E assim ela saiu, aquela figura pálida em lavanda, seguida pela sombra protetora de Lurdes, deixando-me sozinha com Dona Eulália e o peso de um silêncio reprovador.
— Inês — começou a senhora, sua voz contendo aquela mistura de desapontamento e resignação que eu conhecia tão bem. — Por que fazes isso?
— Fazer o quê? — perguntei, sabendo perfeitamente do que se tratava.
— Tornar tudo mais difícil do que precisa ser. Ela é apenas uma menina doente. Não te fez mal algum.
— Ainda — murmurei.
— O que disseste?
— Nada, senhora — levantei-me, dobrando o guardanapo com precisão deliberada. — Se me dá licença, tenho leitura a terminar.
E escapei antes que ela pudesse continuar sua sermão, sabendo que viria de qualquer forma, mais tarde, quando ela reunisse coragem suficiente.
De volta ao meu quarto, sentei-me junto à janela que dava para os jardins laterais. De onde estava, podia ver Cecília caminhando lentamente entre os canteiros de jasmins, Lurdes a poucos passos atrás. A menina parava ocasionalmente, levando a mão ao peito numa maneira que indicava dificuldade respiratória, mas continuava andando com determinação obstinada.
Observei-a por mais tempo do que pretendia. Quanto tempo ela ficaria?
Fechei as cortinas bruscamente, bloqueando a visão daquela figura dourada no jardim, e retornei ao meu livro.
Fim do capítulo
Meninas que estão acompanhando a história, estão gostando? Está em um ritmo bom ou um pouco Lento? Aceito opiniões e sugestões.
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