Capitulo II: O chá e a Sentença
Por Cecília:
Os dias que se seguiram à minha crise respiratória transcorreram com aquela lentidão característica dos períodos em que nos recuperamos de alguma doença. Eu estava confinada ao quarto, proibida de descer as escadas, alimentada com caldos insossos e chás medicinais. Mamãe entrava e saía com aquela expressão de preocupação que me fazia sentir simultaneamente culpada e irritada. Francisca vinha visitar-me diariamente, trazendo bordados e conversas piedosas que eu suportava com a paciência de quem não tem escolha.
Mas minha mente, ah, minha mente vagueava constantemente para aquela noite do baile, para os olhos castanhos de Alberto Guimarães, para sua promessa de visitar-me. Perguntava-me se ele viria, se sabia de minha doença súbita e se isso o teria assustado.
Foi no quarto dia de minha reclusão que recebi a notícia.
— Cecília, querida — anunciou mamãe, entrando no quarto com um brilho nos olhos que imediatamente captou minha atenção. — Temos uma visita marcada para amanhã à tarde. O jovem Alberto Guimarães solicitou formalmente permissão para vir tomar chá conosco. Ele perguntou especificamente por tua saúde e expressou desejo de certificar-se pessoalmente de que estás te recuperando bem.
— Ele vem? Amanhã?
— Às quatro horas — confirmou mamãe, ajeitando as almofadas atrás de minhas costas. — O que significa que precisa estar apresentável. Nada de palidez excessiva, se possível. Usaremos um pouco de rouge, discretamente. E aquele vestido cor de rosa claro que realça teu rosto. E teu cabelo...
— Mamãe — interrompi. — Ainda não sou um cadáver sendo preparado para o velório.
— Não faça graça, Cecília — repreendeu ela. — É um rapaz excelente, de família respeitável. Seu pai é juiz. E ele foi tão atencioso contigo no baile... Francisca não parava de comentar.
Naquela noite, dormi mal. E se eu tivesse outra crise de tosse durante a visita? E se ele percebesse, vendo-me à luz do dia em minha casa, o quão verdadeiramente doente eu era?
Mas a tarde seguinte chegou luminosa e sem nuvens, como se os próprios céus conspirassem a meu favor. Às três e meia eu já estava vestida, penteada, e sentada na sala de estar com toda a família. Mamãe e papai no sofá maior, eu na poltrona de veludo azul, Francisca e Henrique nas cadeiras laterais, formando aquele tabuleiro familiar que se apresenta aos pretendentes.
Alberto Guimarães chegou pontualmente às quatro horas.
Ele usava um terno cinza escuro, colete de brocado discreto, e trazia consigo um buquê de flores brancas, que entregou à mamãe com uma reverência que teria encantado a mais exigente das matronas.
— Senhora Monteiro Cavalcanti, Senhor Monteiro Cavalcanti — cumprimentou ele, sua voz clara e respeitosa. — Agradeço imensamente por receberem-me em vossa casa. — Então, voltando-se para mim: — Senhorita Cecília, que alegria vê-la recuperada. Fiquei extremamente preocupado quando soube de vossa indisposição após o baile.
— O senhor é muito gentil — consegui responder, sentindo meu rosto corar. — Foi apenas uma das minhas crises habituais. Nada com que o senhor deva se preocupar.
— Mas eu me preocupo — disse ele com simplicidade.
Mamãe praticamente irradiava aprovação enquanto servia o chá em suas melhores xícaras de porcelana. Papai, que geralmente mantinha uma distância reservada dos pretendentes de suas filhas, parecia também favoravelmente impressionado, fazendo perguntas sobre os estudos jurídicos de Alberto e seus planos profissionais.
— Pretendo estabelecer escritório próprio — explicou Alberto, aceitando uma xícara de chá com um aceno de agradecimento. — Meu pai tem me oferecido sociedade em seu gabinete, mas acredito que é importante construir algo por mérito próprio, não apenas herdar posições.
— Admirável — murmurou papai. — Muito admirável.
A conversa fluía agradavelmente. Discutimos o baile, as últimas notícias da capital, um escândalo menor envolvendo um político corrupto que mantinha Henrique profissionalmente interessado. Eu participava quando apropriado, mas principalmente observava Alberto, a maneira como ele segurava a xícara, como ouvia atentamente quando outros falavam, como seus olhos ocasionalmente encontravam os meus através da sala com aquele calor gentil que me fazia esquecer, momentaneamente, meus pulmões problemáticos.
Foi durante uma pausa natural na conversa que mamãe, com aquela habilidade que as mães têm de introduzir assuntos delicados como se fossem trivialidades, disse:
— Alberto, devo informá-lo de que Cecília não estará na cidade pelos próximos meses. O Dr. Silveira recomendou fortemente uma temporada no campo. Ar puro, longe da umidade urbana.
Vi algo passar pelo rosto de Alberto. Desapontamento, certamente, mas também compreensão.
— É... é muito sensato — disse ele, depositando a xícara no pires com cuidado. — O ar do campo é de fato mais saudável. Para onde irá, se me permite a pergunta?
— Para a fazenda de minha tia Eulália — respondi, tentando manter o tom leve. — No interior da província. Uma propriedade grande, cercada de laranjais. Muito tranquila e... isolada.
— Muito isolada — acrescentou Francisca, em tom que sugeria aprovação. — Exatamente o que Cecília precisa. Longe de bailes e agitações sociais que tanto prejudicam sua saúde.
— E quando parte? — perguntou Alberto.
— Em dois dias — respondeu mamãe. — Assim que recebermos confirmação de Eulália, o que não deve tardar. Já enviamos carta há alguns dias.
— Dois dias — repetiu Alberto, quase para si mesmo. Então, recompondo-se com visível esforço: — Bem, então devo aproveitar esta tarde para desejar-lhe, senhorita Cecília, a mais completa e rápida recuperação. O campo certamente lhe fará bem.
— Oh, certamente — concordei, incapaz de evitar o sarcasmo em minha voz. — Nada como meses de tédio mortal cercada de laranjeiras para curar qualquer enfermidade.
— Cecília! — mamãe me repreendeu.
Mas Alberto sorriu, aquele sorriso pequeno e compreensivo.
— Compreendo que não seja uma perspectiva empolgante — disse ele gentilmente. — Mas talvez... talvez o tempo passe mais rápido do que imagina. E quando retornar, renovada e saudável, haverá outros bailes, outras ocasiões...
— Se eu retornar renovada e saudável — murmurei, baixo demais para mamãe ouvir, mas Alberto ouviu.
— Retornará — disse ele com convicção. — Tenho certeza disso.
A visita prolongou-se por mais meia hora. Quando Alberto finalmente se despediu, fazendo suas reverências e expressando novamente seus votos de pronta recuperação, apertou minha mão, e sussurrou tão baixo que só eu pude ouvir:
— Escreverei, se me permitir. Para saber como está.
Não consegui responder, apenas assenti.
Após sua partida, sentei-me novamente na poltrona de veludo azul, exausta emocional e fisicamente. Mamãe, começou imediatamente seu comentário:
— Que rapaz cortês! Que maneiras impecáveis! Cecília, não achas que foi extremamente atencioso? E preocupado contigo de maneira tão genuína...
— Muito cortês — concordei. — É uma pena que no interior não haja bailes nem rapazes corteses. Apenas laranjeiras e silêncio.
— Cecília Monteiro Cavalcanti! — mamãe me repreendeu, sua voz adquirindo aquele tom afiado que empregava quando eu ultrapassava os limites de sua paciência. — Não tolerarei essa ingratidão! Vais para o campo para recuperar tua saúde, não para te divertires! E francamente, considerando que quase morreste sufocada há poucos dias, um pouco de gratidão pela oportunidade de te curares seria apropriado!
Baixei os olhos.
— Perdoa-me, mamãe — murmurei. — Tens razão, claro.
Naquela noite, deitada em minha cama, olhando para o teto escuro, tudo que conseguia pensar era em olhos castanhos gentis e na promessa de cartas.
***
A resposta de tia Eulália chegou na manhã seguinte, trazida pelo mesmo correio que distribuía a correspondência pela cidade. Mamãe abriu o envelope com ansiedade.
Leu em silêncio primeiro, seus lábios movendo-se imperceptivelmente, então ergueu os olhos com expressão de satisfação.
— Eulália está encantada — anunciou. — Ouçam o que ela escreve:
"Minha querida irmã Amélia,
Recebi vossa carta com alegria imensa que mal posso expressar em palavras. Saber que nossa querida Cecília virá passar uma temporada comigo enche meu coração de contentamento. Esta casa, tão grande e tão silenciosa desde que enviuvei, anseia por mais vozes jovens e pela vivacidade que apenas a presença de uma menina pode trazer.
Por favor, assegura a Cecília que aqui encontrará todo conforto e cuidado necessários à sua recuperação. O ar é puro e perfumado pelas flores dos laranjais, e o silêncio é apenas perturbado pelo canto dos pássaros e pelo vento nas árvores. Já mandei preparar já o quarto azul, aquele com vista para os jasmins, que recordo ser seu favorito quando ainda era criança.
Estarei aguardando com a maior felicidade.
Com carinho, Eulália"
— Vê, Cecília? — disse mamãe, dobrando a carta com satisfação. — Eulália está tão feliz! E menciona especificamente o quarto com os jasmins. Não é encantador?
— Encantador — repeti mecanicamente.
— Partirá amanhã — decidiu papai. — Arranjei a viagem. A carruagem grande, com dois cavalos. Lurdes irá contigo, naturalmente.
Lurdes. Nossa criada mais confiável, uma viúva de quase quarenta anos que serve nossa família desde que eu era bebê. Ao menos teria companhia familiar na jornada.
***
A partida foi marcada para às seis da manhã. Hora indecente, mas necessária considerando que a viagem levaria dois dias completos, possivelmente três se as estradas estivessem ruins. Uma jovem senhorita simplesmente não viajava sozinha. Seria impensável e escandaloso. Lurdes, portanto, era não apenas companhia mas também guardiã de minha reputação através das léguas que nos separariam da cidade.
A despedida foi, como todas as despedidas, mais dramática do que eu desejava. Mamãe chorou discretamente em seu lenço de renda. Papai abraçou-me com desconforto, dando instruções severas a Lurdes sobre minha saúde e segurança. Francisca beijou-me nas duas faces, sussurrando conselhos sobre comportamento apropriado e lembretes sobre orações diárias. Até vovó Ofélia desceu para se despedir, sua mão nodosa apertando a minha com força surpreendente.
— Volta curada, menina — resmungou ela. — E se aquela Eulália te entediar até a morte, manda carta. Inventaremos alguma emergência para te trazer de volta.
Sorri apesar das lágrimas que teimavam em escorrer.
— Prometo, vovó.
A carruagem grande esperava, carregada com baús contendo meus vestidos, materiais de costura e todas as parafernálias que uma jovem senhorita necessita para uma estadia prolongada. Lurdes já estava instalada, conferindo pela terceira vez nossos mantimentos de viagem. Água, frutas, pão, queijo, e um frasco do tônico que Dr. Silveira insistira que eu levasse.
Subi na carruagem, acenei uma última vez para minha família reunida no portal, e então partimos com o som dos cascos dos cavalos ecoando nas pedras da rua enquanto nos afastávamos da única casa que eu conhecia.
A primeira etapa da viagem foi relativamente confortável. As estradas próximas à cidade eram bem mantidas e pavimentadas. Lurdes tentava me distrair com conversação, comentários sobre a paisagem, histórias de suas próprias viagens de juventude e perguntas sobre minha saúde, que respondi com paciência forçada.
Mas a medida que nos afastávamos da civilização, as estradas deterioravam-se progressivamente. O pavimento deu lugar a terra batida, depois a trilhas esburacadas onde a carruagem chacoalhava violentamente a cada irregularidade. Poeira entrava pelas janelas apesar de mantermos elas fechadas. O calor tornava-se intenso e insuportável.
Paramos para almoçar numa pequena estalagem. Estabelecimento duvidoso com mesas manchadas e comida de qualidade questionável. Lurdes inspecionou tudo com olhos críticos antes de permitir que eu comesse qualquer coisa, acabando por decidir que nossos próprios mantimentos eram mais seguros.
— Não podemos arriscar que a senhorita adoeça ainda mais — declarou ela, firmemente.
À tardinha, alcançamos a primeira parada oficial. Uma estalagem maior numa vila pequena, onde papai havia arranjado acomodações. Lurdes inspecionou o quarto com meticulosidade, verificando lençóis, examinando janelas, até olhando embaixo da cama em busca de... bem, o que quer que ela imaginasse encontrar.
— Aceitável — pronunciou finalmente. — Dormirá aqui, menina Cecília. Eu ficarei no quarto adjacente, com a porta entreaberta.
Dormi mal, desconfortável em uma cama estranha e ouvindo sons desconhecidos. Risadas ruidosas do salão abaixo, passos pesados nos corredores, o relinchar de cavalos no estábulo. Meus pulmões, irritados pela poeira da estrada, protestavam cada vez que eu respirava profundamente.
O segundo dia foi pior que o primeiro. As estradas tornaram-se ainda mais precárias, forçando os cavalos a andar mais devagar. O calor era sufocante, e mesmo com a janela aberta, mal havia brisa. Cada solavanco da carruagem, me causava náusea.
— Quanto falta? — perguntei a Lurdes.
— Algumas horas ainda, menina — respondeu ela pacientemente. — Estaremos lá antes do entardecer, se Deus quiser.
Mas Deus, ao que parecia, tinha outros planos. Uma roda da carruagem quebrou numa depressão particularmente profunda da estrada, forçando-nos a parar por quase duas horas enquanto o cocheiro a consertava. Quando finalmente retomamos a viagem, o sol já estava baixo no horizonte, tingindo tudo de dourado e vermelho.
Foi quase ao anoitecer quando finalmente avistamos a fazenda de tia Eulália.
A propriedade revelou-se gradualmente: primeiro os intermináveis laranjais que se estendiam em fileiras ordenadas, depois os muros baixos de pedra que delimitavam os jardins, e finalmente a casa grande. Uma construção imponente de dois andares, pintada de branco, com varandas largas sustentadas por colunas e um telhado de telhas vermelhas que brilhava. Ao redor, os jasmins de que todos falavam, cresciam de maneira selvagem.
Era, admito com relutância, bonito.
A carruagem parou diante da entrada principal. Criados materializaram-se. Dois homens de meia-idade que se apressaram para descarregar a bagagem, uma mulher idosa que acenava entusiasticamente, e lá, no topo da pequena escada que levava à varanda principal, tia Eulália.
Ela parecia menor do que eu recordava, encolhida de um jeito que doze anos de viuvez e reumatismo explicavam. Seus cabelos estavam presos em coque, e usava aquele vestido preto de viúva perpétua que tantas mulheres de sua geração adotam como uniforme. Mas seu rosto iluminou-se com alegria quando me viu.
— Cecília! Minha querida, querida menina! — exclamou ela, descendo os degraus com cuidado, apoiando-se pesadamente no corrimão. — Que alegria, que alegria imensa ter-te aqui!
Desci da carruagem com pernas trêmulas. Não de emoção, mas de pura exaustão física. Dois dias de viagem haviam me deixado exausta.
— Tia Eulália — cumprimentei, aceitando seu abraço que cheirava a lavanda e a algo adocicado. — É muito bondosa em me receber.
— Bondade, tolice! — exclamou ela, segurando meu rosto entre suas mãos para me examinar melhor. — Estás tão pálida, pobrezinha! Mas não te preocupes, o ar daqui fará maravilhas. Em algumas semanas estarás corada como uma maçã. Vem, vem, deves estar exausta da viagem. Preparei o quarto azul, lembras-te dele?
— Vagamente — admiti, permitindo que ela me guiasse em direção à casa.
Foi então que a vi.
Uma mulher estava no canto da varanda, meio escondida nas sombras que o crepúsculo criava, como animal selvagem observando de longe. Inês. Ela tinha cabelos negros e era alta. Surpreendentemente alta para uma mulher e magra daquele jeito que não sugere fragilidade. Usava um vestido cinza que não era luto nem cor, apenas ausência de escolha. Seus cabelos escuros estavam presos. E seus olhos, igualmente escuros, inteligentes e desconfiados, fixavam-se em mim com uma expressão que identifiquei imediatamente: desdém misturado com algo mais sombrio.
— Ah, sim! — disse tia Eulália. — Cecília, esta é Inês. Ela vive comigo há anos e é minha... bem, é minha companhia.
— Sua companhia — repetiu Inês, descendo os degraus com movimento lentos. Sua voz era mais grave do que eu esperava.
Havia amargura naquelas palavras.
— Prazer em conhecê-la — menti automaticamente, forçando um sorriso e estendendo a mão como boa educação ditava.
Inês olhou para minha mão com expressão que só posso descrever como desprezo. Não a apertou. Simplesmente ficou ali parada, olhando-a como se eu lhe oferecesse algo contaminado. Limitou-se a inclinar levemente a cabeça.
O silêncio que se seguiu foi constrangedor. Tia Eulália pigarreou nervosamente. Eu recolhi minha mão, sentindo o rosto queimar de humilhação.
— Inês! — tia Eulália exclamou, horrorizada. — Pelo amor de Deus, que maneiras são essas?
— Maneiras honestas — replicou Inês, cruzando os braços. — A senhorita Cecília deve saber desde já o quão reservada sou. E se veio procurando companhia simpática e conversação edificante, adianto que ficará profundamente desapontada.
Meu cansaço transformou-se repentinamente em irritação aguda. Durante quase dois dias havia me arrastado por estradas péssimas, suportado carruagens desconfortáveis, parado e dormido em estalagens duvidosas, e agora esta... esta criatura me recebia com insultos mal disfarçados?
— Que sorte a minha — retruquei, ouvindo minha própria voz adquirir aquele tom afiado que mamãe sempre desaprovava. — Vim procurando apenas ar puro e silêncio. Grosseria gratuita não estava nos meus planos, mas suponho que é um bônus inesperado.
Os olhos de Inês estreitaram-se. Por um momento, pensei que ela fosse responder com algo ainda mais cortante. Mas então, surpreendentemente, algo parecido com um sorriso, pequeno, amargo, mas definitivamente um sorriso, brilhou em seus lábios.
— Ao menos não é completamente insípida — murmurou ela, mais para si mesma que para nós.
Então, sem mais palavras, virou-se e desapareceu no interior da casa.
Fiquei ali parada, tremendo, de exaustão, raiva, ou talvez ambos, enquanto tia Eulália me olhava com expressão mortificada.
— Minha querida, peço mil perdões — começou ela, visivelmente perturbada. — Inês é... bem, ela tem um temperamento difícil. Mas não é má, realmente não é. Apenas... complicada.
— Complicada — repeti, achando a palavra absurdamente insuficiente. — Sim, eu diria que é uma maneira gentil de descrevê-la.
— Ela se acostumará contigo — assegurou tia Eulália, sem convicção. — E tu com ela. É apenas questão de tempo.
Mas enquanto ela me conduzia ao interior da casa, começando um monólogo nervoso sobre as comodidades do quarto azul e o horário das refeições, tudo que eu conseguia pensar era nos olhos escuros de Inês, naquele desdém que emanava dela, e na certeza crescente de que os próximos meses seriam infinitamente piores do que eu imaginara.
Fim do capítulo
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