CAPÍTULO XIV
Luísa acompanhava da sacada a movimentação intensa no jardim. Eram os últimos ajustes para a grande celebração que aconteceria no dia seguinte: o casamento do rei. Olhou enojada para as flores que enfeitavam por todos os lados. Saiu do aposento e se dirigiu para o salão do Conselho, onde os outros conselheiros já estavam. Ainda tiveram que esperar por um bom tempo até finalmente Milo entrar no salão. Ele caminhou diretamente até a cadeira que pertencia a Estefan e se sentou, fazendo com que todos os outros se sentassem também:
— Caríssimos, devem imaginar que Sua Majestade encontra-se bastante atarefado pelo dia que terá amanhã.
Luísa o olhava com os punhos cerrados debaixo da mesa. Sentia um ódio profundo por aquele homem. O ar dissimulado de Milo a enervava só em vê-lo respirar. Ele mantinha aquela postura calma e serena mas era capaz das mais diversas atrocidades. Falso. Manipulador. Venenoso. Era o que se passava na cabeça de Luísa enquanto ele falava com os conselheiros.
— O rei espera que todos se divirtam amanhã e celebrem com ele esse grande dia!
Milo se levantou dando por encerrado aquele ato. Luísa foi a primeira a se retirar, não aguentando mais respirar o mesmo ar que ele. Foi ao encontro de Martín, pediu que preparasse os cavalos e chamasse outros guardas. Precisava cavalgar um pouco, sentir o vento no rosto, mas não podia mais fazer isso sozinha. Todo cuidado era pouco. Estava lidando com um homem muito perigoso.
No dia seguinte saiu dos aposentos propositalmente tarde. Cavalgou novamente, andou pelo bosque, fez de tudo para ocupar o tempo. Queria que aquele dia passasse logo. Não queria admitir que, no fundo, aquilo tudo também era reflexo da sua incompetência. Não soube controlar Oton, perdeu a lealdade dele para Milo. Ficou fora do jogo e agora precisava pensar numa maneira de voltar.
— Majestade, já posso lhe vestir?
Olhou para Chiara parada na porta do aposento. Não tinha percebido o momento em que ela havia entrado. Suspirou, não tinha mais como adiar, já estava quase na hora da cerimônia:
— Sim, por favor.
Enquanto Chiara a vestia, observou o semblante tristonho dela, mas não disse nada. Só quando ela terminou, perguntou:
— Aconteceu alguma coisa?
Ela balançou a cabeça em negação, mas não convenceu Luísa, que segurou levemente seu braço, fazendo Chiara a olhar.
— O que houve? Seus olhos estão tão tristes…
Viu os olhos da moça se encherem de lágrimas quando ela falou:
— Hoje é o dia do aniversário de Maia.
*****
Já dentro do navio no qual passariam as próximas três horas, Maia se manteve de pé, torcendo para que aquela viagem fosse mais tranquila que a anterior.
— Você está bem?
Olhou para Zahra, sem saber se a pergunta dela se referia aos enjoos ou ao que tinha acontecido na noite passada.
— Sim.
O constrangimento de ambas ficou escancarado assim que acordaram. Zahra se vestiu rapidamente e desceu para o salão da hospedaria. Maia ficou o máximo de tempo que pôde dentro do quarto. Só desceu quando precisaram sair para o porto.
A voz de Zahra saiu baixa:
— Sobre ontem…
Maia não conseguiu olhá-la.
— O que aconteceu foi muito bom, mas… nada mudou entre nós, não é?
Maia enfim levantou os olhos. Tentou um sorriso:
— Claro.
Com um aceno de cabeça, Zahra disse antes de se afastar:
— Ótimo!
Felizmente a viagem realmente tinha sido mais tranquila. Não poderia dizer que não sentiu enjoos, mas comparada à viagem anterior, aquela tinha sido maravilhosa. Desceram no porto e foram juntos para mais uma hospedaria. Nada foi diferente. Maia e Zahra em um quarto. Os homens dividindo outros.
Assim que acomodaram as malas, Zahra disse:
— Vou deixar você se banhar primeiro.
E saiu do quarto, fazendo Maia começar a pensar que ela estava arrependida do que havia acontecido.
À noite, no salão, todos sentaram na mesma mesa. Os homens completamente alheios ao que havia acontecido. Zahra não olhou diretamente para Maia em momento algum, pelo contrário, evitou ao máximo qualquer contato, até o momento em que se aproximou dela:
— Tudo bem se eu usar o quarto hoje?
A primeira reação de Maia foi física. Sentiu uma pontada no estômago, que disfarçou, desviando o olhar:
— Sim.
Zahra agradeceu antes de sair:
— Vai ser rápido.
Maia não a acompanhou com o olhar. Não quis ver quem era a mulher da noite. Mas foi impossível que não passasse as horas seguintes imaginando tudo que as duas estariam fazendo na cama em que ela dormiria mais tarde. Principalmente agora que já tinha sentido as sensações na pele.
Horas depois, Zahra voltou ao salão. Sentou ao lado de Martelo, com uma caneca cheia na mão. Maia anunciou antes de se levantar:
— Vou me deitar. Com licença.
Quando ela deu as costas, Zahra a acompanhou com o olhar, até Maia desaparecer pelas escadas. Ramon tomou um gole da bebida e depois perguntou:
— Vocês não acham estranho o comportamento dela, às vezes?
Foi Rino quem questionou:
— Estranho como?
Ramon coçou a barba curta:
— Uma menina das ruas… tão educada… os gestos tão refinados…
Um instante de silêncio se fez na mesa. Até os outros três homens explodirem numa gargalhada quase uníssona.
— O que você está falando, Ramon? Gestos refinados? E você sabe o que são gestos refinados, por acaso?
Mais risadas. Os homens emendaram em piadas e trocadilhos, mas Ramon se manteve sério. Zahra também não disse nada, pois ela mesma já tinha se questionado outras vezes sobre alguns comportamentos de Maia. A forma de falar. As palavras que ela usava. O jeito de caminhar, de comer… os dentes tão bem cuidados… Mas não fazia ideia do que aquilo poderia significar.
*****
Luísa bufou quando entrou em seu cômodo. Precisou aguentar quase com náuseas toda a cerimônia de casamento de Oton e Olga. Se sentou e tirou os sapatos absolutamente desconfortáveis. Riu por um instante ao pensar que, no fundo, aquele casamento era o mais viável de acontecer. Uma prostituta e um criador de porcos.
Ouviu as batidas na porta imaginando se tratar de Chiara. Mandou que entrasse, mas o guarda a surpreendeu:
— Majestade, sua presença está sendo solicitada na sala do Conselho.
Contrariada, calçou de novo os sapatos e saiu do cômodo. Estava praguejando mentalmente pelo caminho, louca de vontade de se livrar daquele vestido que foi obrigada a usar, quando sentiu algo cobrindo completamente seu rosto. Mãos a agarraram pela cintura, enquanto Luísa se debatia incessantemente. O pano em sua cabeça não permitia que visse nada. Foi arrastada sem saber para onde. Os guardas ainda deviam estar na festa, bêbados. Dentro do castelo não fazia questão que fosse acompanhada o tempo inteiro por achar que ninguém tentaria nada contra ela ali, de forma tão descarada. Pelo visto, estava enganada.
Tentou gritar, mas sua boca foi tapada, quase a fazendo se asfixiar.
— Amarre as mãos.
Foi a única coisa que conseguiu ouvir. Sentiu a corda ao redor de seus pulsos, mas sem se dar por vencida. A única coisa que a mente processava era que precisava sair dali. Ficou ofegante de tanto se debater, em vão.
— Agora os pés.
De novo não reconheceu a voz que ordenava. Juntaram suas pernas, amarraram seus pés e a levantaram do chão. Uma corda passou em seu pescoço, não deixando que o pano que a cegava caísse quando foi virada de cabeça para baixo.
“É o meu fim.”
Foi a última coisa que pensou, antes de o corpo ser lançado ao nada, a sensação desesperadora de cair, cair, com os pés e mãos amarrados. Sentiu o impacto do corpo contra o que imediatamente entendeu que era água. Afundou, prendendo a respiração e tentando mover as pernas para voltar à superfície, mas as cordas não permitiam.
“O mesmo que fizeram com Maia…”
O pensamento parou por um milésimo de segundo na moça que, por sua própria ganância, tinha morrido da mesma forma em que ela morreria naquele momento.
E então veio a escuridão.
— Majestade?
Luísa abriu os olhos devagar. Divisou uma silhueta, mas os olhos não conseguiram focar, num primeiro momento. Apertou as pálpebras antes de voltar a abri-las.
— Consegue me ouvir?
Reconheceu a voz antes de enxergá-la. Chiara.
Tentou se levantar, mas foi impedida por mãos em seus ombros:
— Ainda está fraca.
Martín. Mas ele nem precisaria ter feito nada. O corpo não obedeceria. Sentia os músculos despedaçados.
A voz saiu baixa, rouca:
— O que aconteceu?
A resposta do amigo foi direta, de uma sinceridade quase rude:
— Tentaram te matar.
Sentiu a mão de Chiara tocar sua testa:
— Como está se sentindo?
Fechou os olhos ao responder:
— Viva.
Quando os abriu novamente, perguntou para Martín:
— Eu estava na água… como…?
O amigo se reaproximou da cama em que Luísa estava deitada:
— Eu e os homens chegamos a tempo… um dos nossos informantes veio até mim dizer que algo aconteceria com você…
Luísa suspirou e o amigo concluiu:
— Matamos dois homens. Um deles está amarrado… vamos fazer com que ele fale.
Depois que ficou sozinha com Luísa no aposento, Chiara a fez beber um pouco de água. Depois ficou ao lado dela, que tinha uma consciência intermitente. Hora despertando, hora apagando.
Se surpreendeu quando sentiu o toque suave em sua mão. Olhou para Luísa, que sorriu um pouco:
— Obrigada.
Chiara também sorriu. Depois Luísa pediu:
— Eu preciso me sentar um pouco.
Chiara a ajudou a levantar levemente o corpo, ajeitando as almofadas para que ela recostasse. Depois ficou parada a olhando, o que fez Luísa perguntar com um sorriso:
— O que foi?
Soltou devagar, a revelação sendo não só para Luísa, mas para si mesma:
— Eu tive medo… de também te perder.
*****
— Aquela moça não para de olhar para você.
Levantou a cabeça e acompanhou o olhar de Zahra para uma moça encostada perto do balcão, depois olhou para a amiga:
— Uma moça que eu teria que pagar…
Para Zahra aquela não era uma questão:
— E qual é o problema? Você tem o valor…
Maia sacudiu a cabeça de um lado para o outro:
— Não quero.
Zahra suspirou ao seu lado:
— Maia, você tem que aproveitar os prazeres da vida. E se tem uma coisa que eu posso te garantir por experiência própria é… Quando elas estão interessadas assim, é sempre ótimo… Talvez ela nem te cobre.
Maia se levantou, se afastando da mesa:
— Vou pegar outra bebida.
Algumas horas depois já tinha perdido os companheiros de vista. Apenas Zahra ainda estava por perto, agarrada na cintura de uma mulher. Pela quantidade de bebida que havia ingerido, Maia já estava, no mínimo, alterada. Tanto que a resposta que tinha dado a Zahra mais cedo também se alterou, quando uma estranha perguntou:
— Não quer companhia para essa noite?
Maia olhou para a moça que sentou ao seu lado. A moça que a olhava mais cedo. Respondeu com a voz um pouco enrolada:
— Não sei…
A moça sorriu e se aproximou, sussurrando em seu ouvido:
— Você não iria se arrepender.
A pele de Maia se arrepiou. O coração acelerou. Não estava acostumada a ter uma mulher tão próxima daquele jeito… a única vez havia sido com… Zahra.
A procurou novamente com os olhos e a encontrou sorrindo. Zahra levantou o copo, como se quisesse incentivá-la.
— Que tal se nós fôssemos lá para cima?
Maia voltou a atenção para a mulher ao seu lado. Estava tudo meio enevoado quando respondeu:
— Tudo bem…
A moça a pegou pela mão, passaram por Zahra e a outra mulher, e subiram as escadas.
— Qual é o seu quarto?
Maia contou as portas antes de indicar:
— Aquele ali.
Depois que entraram, a moça imediatamente tirou as próprias roupas, fazendo Maia enrubescer. Apesar do recato, não conseguiu tirar os olhos do corpo despido que tinha em sua frente. Parecia uma peça de arte. Rara, linda, perfeita… Os seios, a barriga, os quadris.
Sem perceber, Maia se aproximou e a tocou. Devagar, apenas passando as mãos pela barriga dela. A moça sorriu e passou os braços por seu pescoço. Aproximou a boca e beijou os lábios de Maia, que sentiu seu corpo rodar e logo depois tocar a cama atrás de si. A mulher a fez se deitar, mas não antes de se livrar das roupas que Maia usava. Se deitou por cima, encaixando o corpo no seu de uma forma que arrancou um suspiro mais alto.
Maia passeou as mãos pelo corpo da mulher que sequer sabia o nome, se deliciando com a pele macia. As sensações iguais, mas ao mesmo tempo diferentes das que tinha experimentado com Zahra. Ali, naquele momento, não existiam sentimentos românticos, apenas desejo carnal, quase impuro. Tentou trazer um pouco mais de pessoalidade para o momento:
— Qual é o seu nome?
— Rebeca.
A moça respondeu rapidamente, já acariciando entre as pernas de Maia, fazendo com que um gemido descontrolado saísse de sua boca. Quando ela tentou penetrá-la, Maia a deteve, segurando o pulso da desconhecida:
— Não…
A mulher não pareceu se abalar. Tirou a mão e desceu a boca pelo corpo arrepiado, enlouquecendo Maia, que fechou os olhos. Entrou numa outra dimensão, delirando na boca dela. Só voltou a si quando sentiu um beijo em seu pescoço. Abriu os olhos com a surpresa e paralisou ao perceber que era Zahra, enquanto uma quarta mulher estava de pé, olhando para a cena. Maia ficou tensa só por alguns segundos, pois Zahra aproximou a boca da dela e a beijou, sem que Rebeca parasse de sugar seu sex* em momento algum.
Quando a boca de Zahra desceu para seus seios, Maia viu a mulher que subiu com Zahra se ajoelhando por trás de Rebeca. Entendeu o que ela estava fazendo quando Rebeca tirou a boca do ponto entre suas pernas por um instante e olhou para trás, sorrindo.
Se sentia num redemoinho de sensações. Estava um pouco perplexa, mas ao mesmo tempo, absolutamente excitada. Se entregou às mãos, lábios, sensações… se deu para elas, depois ficou um tempo tentando se recuperar. Mas as outras mulheres não pararam… beijaram entre si, acariciaram, gem*ram… até que a mulher que Maia não sabia o nome, e a única com quem não tinha tido contato direto até então, se aproximou e a beijou. Sentiu um gosto forte na boca da outra, mas aquilo não a fez querer parar, pelo contrário, a incitou ainda mais. Perdeu as contas de quantas vezes as quatros bocas se alternaram, os quatro corpos se tocaram, as quatro mulheres chegaram ao ápice do prazer, sem que nenhuma delas quisesse parar. Estava começando a sentir o esgotamento físico quando Zahra voltou a beijá-la. Deitou sobre Maia, se esfregando, unindo os sex*s, ofegando no ouvido dela. Maia se abriu, se permitiu, correspondeu, recebendo quase que alucinadamente o desfecho de Zahra em sua coxa.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Zanja45
Em: 11/03/2026
Então a indiferenca de Zahra é porque ela queria mais de Maia. — Aquela história de levar alguém para o quarto, foi tramado ? Ela que mandou a tal da Rebeca dar em cima de Maia? Que orgia, viu? E Maia parece que gostou da experência a quatro.
[Faça o login para poder comentar]
Zanja45
Em: 11/03/2026
Quase que Luisa parte para outra, teve consciência do que eles provavelmente fizeram com Maia. — Há uma amizade nascente entre Chiara e Luisa.— Se não fosse por Martin e Chiara ela talvez estivesse em apuros.
AlphaCancri
Em: 12/03/2026
Autora da história
Luísa sentindo na própria pele o que Maia passou, né? Foi por pouco…
[Faça o login para poder comentar]
HelOliveira
Em: 06/03/2026
Uauuuu esse final foi bem quente, Maia experimentando os prazeres da vida....
Luisa agora sentiu de perto o que causou a Maia com ganancia..
AlphaCancri
Em: 09/03/2026
Autora da história
Zahra ensinando muitas coisas pra Maia, né? Hahahah
Luísa sentiu na própria pele. Será que isso vai mudá-la de alguma forma?
[Faça o login para poder comentar]
Neissdany
Em: 06/03/2026
que delícia de capítulo! quero mais hahaha
AlphaCancri
Em: 09/03/2026
Autora da história
Que bom que gostou hahahah Maia aprendendo muitas coisas…
[Faça o login para poder comentar]
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
AlphaCancri Em: 12/03/2026 Autora da história
Não sei se foi tudo ideia de Zahra, mas que ela aproveitou a situação, com certeza né hahahsh