Capítulo 5

Capitulo 4

de Echoes of Larkhill , por Lady Texiana

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Londres. 10:30 AM.

O homem era baixo e atarracado, com o rosto anguloso de quem já servira de sparring em muitos ginásios de boxe de subúrbio. O nariz, levemente torto e marcado por uma equimose recente, estava parcialmente escondido pela aba do chapéu Bowler de feltro preto, que trazia bem inclinado sobre o rosto. Da esquina estratégica onde se postara, ele observava o alvo: o agente russo Ivan Fiedorov, que fumava com uma calma quase insolente junto à entrada do pequeno hotel.

As horas de espera sob o frio cortante de 5°C negativos - com uma sensação térmica que castigava os ossos como se fossem 20°C abaixo de zero - pareciam não ter abalado sua paciência. Agora, enquanto a manhã avançava, pequenos flocos de neve começavam a descer sobre a capital inglesa.

Um sorriso de escárnio torceu os lábios do agressor ao notar que o russo caminhava para o estacionamento sem realizar uma varredura básica no perímetro. Fiedorov estava ficando velho, ou talvez Londres o tivesse deixado complacente.

Ele seguiu o russo, os dedos enluvados tateando a faca tática de lâmina fina. Soltou a presilha da bainha de couro no flanco esquerdo com um movimento mecânico, quase imperceptível. O estacionamento era um antro de sombras e iluminação precária; o cenário ideal.

Fiedorov atrapalhou-se com as chaves do carro por um segundo - o tempo de uma vida.

Aproveitando a distração, o homem aproximou-se com a rapidez de um predador. Sua mão esquerda golpeou com perícia técnica, de baixo para cima. A lâmina, mantida com um fio de navalha, perfurou os rins e subiu até encontrar o coração do espião russo.

Fiedorov escorregou pelo metal frio do carro até atingir o chão, o sangue quente empapando rapidamente a pesada camisa de lã. Ele olhou para o assassino com uma perplexidade absoluta, tentando reagir, mas o grito morreu em um acesso de tosse que espalhou uma névoa espumante e avermelhada pelo ar gélido. Seus dedos tentaram, num último esforço reflexo, agarrar o tecido do casaco do homem.

Com um empurrão brusco, o agressor livrou-se do aperto do moribundo. Puxou a lâmina suja e observou, com um desapego profissional, a luz se esvair dos olhos de Fiedorov até que as pupilas ficassem opacas e fixas. Limpou o sangue da faca nas roupas do cadáver, guardou-a e saiu calmamente, saltando a cancela do estacionamento como se fosse apenas mais um pedestre apressado fugindo da neve.

O tabuleiro do jogo acabara de perder uma de suas peças mais importantes.

***

Larkhill. 11:15 AM.

O choque no topo da escada foi seco e violento. Os corpos de ambas balançaram perigosamente sobre o abismo dos degraus, mas o instinto de sobrevivência de Irina foi mais rápido que seu pânico: suas mãos agarraram-se ao casaco de lã de Giovana enquanto a outra buscava o corrimão. Giovana, reagindo com a agilidade de quem fora treinada para o caos, abraçou-a pela cintura e impulsionou ambos os corpos para trás, elevando Irina do chão por um instante antes de estabilizá-las contra a parede oposta.

A respiração ofegante das duas era o único som a preencher o corredor gélido.

- Você está bem? - a voz de Giovana era um sussurro urgente. - Ouvi um grito e pensei que...

Irina interrompeu-a com um gesto brusco, dobrando o corpo ao meio como se tivesse levado um soco no estômago. O ar parecia ter se transformado em chumbo quente escorrendo pela garganta, queimando os pulmões. O pânico voltou a subir, escurecendo as bordas de sua visão. Quando Giovana tentou aproximar-se novamente para ampará-la, Irina reagiu com um golpe seco de punho fechado contra o esterno da Major.

O impacto atingiu o tórax de Giovana, fazendo-a recuar e soltar um arquejo de dor que irradiou pelo abdômen. Antes que pudesse processar a agressão, Irina já voava escada abaixo, os pés batendo freneticamente contra a madeira.

- Espere! Por favor! - gritou Giovana, lançando-se no encalço dela.

Irina não olhou para trás. Escancarou a porta da frente e mergulhou no pátio enlameado. Seus sapatos urbanos patinavam no barro; ela escorregou, caiu de joelhos e levantou-se num movimento desesperado, impulsionada por um terror primitivo.

Giovana soltou uma praga curta e acelerou. Ali, no terreno aberto sob a chuva fina, a disparidade física tornou-se evidente. Os anos de condicionamento militar da Boina Verde permitiram que ela alcançasse a fugitiva em poucos metros. Ao segurá-la pelos ombros, a inércia e o terreno traiçoeiro fizeram ambas desabarem.

O tombo no chão lamacento foi pesado, tirando o fôlego de ambas. Giovana imobilizou Irina sob seu peso, e por alguns segundos o pátio foi palco de uma luta desordenada: corpos se contorcendo, roupas sendo tingidas pelo marrom da terra e o som de respirações entrecortadas.

Lentamente, a fúria cega de Irina começou a dissipar. A luz da razão retornou aos seus olhos azuis, expulsando a sombra do pânico. Ela parou de se debater, ficando inerte sob Giovana, que ainda lhe prendia os pulsos contra o solo molhado.

- Por favor... pare - murmurou Irina, a voz rouca pelo esforço e pelo frio.

Giovana parou de chofre. Seu rosto estava a centímetros do de Irina; ela podia ver as gotas de chuva misturadas à lama na pele da russa.

- O que foi isso? - Giovana perguntou, a voz trêmula pela adrenalina.

- Por favor, solte-me. Eu... eu posso me levantar.

Giovana relaxou o aperto e saiu de cima dela, oferecendo a mão para ajudá-la. Irina ignorou o gesto, levantando-se com dificuldade e limpando as palmas das mãos nas vestes imundas.

- Desculpe-me se a machuquei - disse Giovana, a postura suavizando-se.

- Tudo bem. Eu... eu perdi a noção da realidade por um momento.

- Melhor voltarmos. Estamos encharcadas e esse frio não perdoa - recomendou Giovana, dando um passo à frente. - Se precisar de ajuda...

- Obrigada. Mas posso me virar sozinha - cortou Irina. Ela lançou um olhar de soslaio para Giovana - um misto de desconfiança e reconhecimento - e começou a mancar em direção à casa, segurando o braço enfaixado que agora era uma massa disforme de gaze e barro.

Giovana observou-a se afastar, sentindo o vento gelado fustigar seu próprio rosto sujo. O coração, que antes martelava em ritmo de combate, começava a desacelerar, mas a mente continuava a mil por hora. O trauma de Irina não era apenas uma amnésia clínica; era um campo minado, e Giovana acabara de pisar na primeira carga.

 

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

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Z

Zanja45

14/02/2026 às 08:42

A major está tendo muito trabalho com Irina. - As coisas estão pegando fogo entre elas E esses rompantes de memória dela, deixou a agente em apuros

Z

Zanja45

14/02/2026 às 08:38

Como Fiederov foi tão descuidado, morrer assim de forma tão despretensiosa, sem nem mesmo analisar o perímetro em que estava. Isso significa que tem muita gente envolvida e querendo chegar primeiro em Irina. 

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