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Echoes of Larkhill por Lady Texiana

Ver comentários: 4

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Palavras: 3091
Acessos: 395   |  Postado em: 13/02/2026

Capitulo 2

 

Bath Road, Londres. 16:45 PM.

O Agente Ivan Fiedorov estacionou o sedã alugado num recanto sombreado do estacionamento. O hotel na 39 Bath Road era o tipo de lugar que ele preferia: simples o suficiente para ser invisível, acolhedor o bastante para não levantar suspeitas. Com os olhos ardendo pela falta de sono, ele buscou no bolso interno do casaco de lã um maço de cigarros sem filtro. O estalo do isqueiro foi o único som no interior do carro. Ivan tragou profundamente, segurando a fumaça nos pulmões até sentir a nicotina golpear o sistema nervoso, forçando o cérebro a um estado de alerta artificial.

Esmagou a guimba com a ponta da bota ao sair do veículo. No saguão, limitou-se a um meneio de cabeça gélido para a recepcionista, pegou a chave de metal e subiu para o quarto.

Lá dentro, o ritual de sempre. Ivan sacou a pistola Strij do coldre de cintura - o peso frio do polímero russo era a sua única constante - e depositou-a sobre a mesa de cabeceira. Jogou-se na cama, de roupa e botas, deixando que o teto manchado do quarto se tornasse o foco das suas frustrações.

Irina Zakirova tinha evaporado.

Por dois meses, ele fora a sombra de Sergei Putchenko. O Alto Comando em Moscou não tinha dúvidas: Sergei estava leiloando segredos de Estado para Andrei Volkov, um traidor da GRU que agora operava no mercado negro de informações sigilosas para o Médio Oriente. Ivan estivera a um passo de fechar o cerco, mas o assassinato de Sergei em Londres deixou tudo a perder.

 

Agora, a viúva - o último elo com a investigação - sumira sob o nariz do seu serviço de inteligência. Ivan sentia o cheiro característico de uma extração profissional. Americanos. Em conluio com os ingleses, certamente. A questão que o privava de sono não era apenas o paradeiro da mulher, mas o motivo: por que razão a NSA, a CIA e o MI6 estariam a arriscar um incidente diplomático por uma geneticista russa?

Irina não era apenas uma testemunha; ela era o cofre que guardava os segredos de Putchenko. E Ivan sabia que, se não a encontrasse primeiro, a sua própria cabeça seria o preço a pagar pela falha em solo estrangeiro. Ele precisava de uma nova pista, e precisava dela antes que a névoa de Londres escondesse Irina para sempre.


***
M3 rumo a Hampshire. 17:10 PM.

 

Giovana ganhou a M3, deixando o caos de Heathrow para trás. Ao sentir a resposta imediata do motor sob o pedal, a tentação de testar os limites do Aston Martin foi quase irresistível, mas a disciplina militar prevaleceu. Um excesso de velocidade significaria uma abordagem policial e o risco desnecessário de expor seu disfarce. O prazer de dirigir aquela fera macia e tecnológica teria de ser saboreado em doses controladas.

 

Apesar da fortuna do pai, ela sempre tivera orgulho de sua independência. Sua velha moto 150cc, com o motor modificado por suas próprias mãos para entregar uma potência que desafiava as configurações de fábrica, era seu maior troféu.

 

Enquanto o GPS ditava o caminho, a mente de Giovana derivou para o vazio deixado por Andrea Lorenzo. Cinco anos e meio dividindo um flat minúsculo e o ronrom de três gatos não eram fáceis de apagar. Andrea - a química loira de olhos verdes que parava o trânsito - fora o seu "projeto de felicidade eterna", um romantismo que agora parecia uma relíquia de outra vida. Andrea se fora, os gatos também, e o silêncio no apartamento de Washington tornara-se ensurdecedor. O workshop em Halifax era sua fuga; a missão atual, porém, era o que ela chamava mentalmente de "TP": Transferência de Pepino, que no caso, "transferiram" para ela.

 

Próximo a Hampshire, encostou em um posto de serviço. Precisava de cafeína e de um inventário real do que o MI6 lhe entregara. Com o copo de café fumegante no console, ela abriu a maleta sob a luz interna do carro.

 

O primeiro item a fez soltar um assobio baixo: uma Desert Eagle Black .50. Ela sopesou a arma, sentindo o equilíbrio brutal do canhão de mão. - Vossa Majestade não está para brincadeira - murmurou. - Isso aqui derruba um urso ou atravessa uma blindagem leve.

 

Guardou a pistola no porta-luvas e trouxe para o banco do passageiro a UMP, ainda desmontada, conferindo as peças com a agilidade de quem poderia montá-la de olhos fechados. Em seguida, abriu o mapa. O destino era uma fazenda isolada entre o monumento de Stonehenge e Larkhill, estrategicamente posicionada dentro de uma zona de exclusão militar. Conferiu o celular criptografado - carga cheia, sinal estável.

 

Por fim, pegou o dossiê de Irina Zakirova. A foto em preto e branco mostrava a russa envolta em um casaco pesado e um shapka tradicional. A qualidade era granulada, mas os olhos de Irina... eles saltavam do papel. Eram grandes, expressivos, mas carregavam uma tensão que a linha rígida dos lábios apenas confirmava. Não havia vestígio de sorriso; apenas uma desconfiança silenciosa.

 

Com um suspiro, Giovana fechou a pasta e descartou o copo vazio. O final da tarde trazia um frio cortante e o estômago começava a protestar contra os dias à base de lanches rápidos. Ela precisava chegar a Larkhill a tempo de encenar o papel de escritora antes que a noite caísse totalmente.

 

Engatou a marcha, o ronco do Aston Martin ecoando no pátio do posto, e retornou à rodovia. O conforto do ar-condicionado e a música baixa no rádio eram sua última bolha de normalidade antes de mergulhar de cabeça no mistério de Irina.


***
Irina Zakirova recolheu-se ao quarto logo após o almoço, buscando refúgio no silêncio. Deitou-se, deixando que o turbilhão de perguntas sem resposta a consumisse, até que a exaustão da amnésia finalmente a venceu e ela mergulhou em um sono sem sonhos.

 

Despertou sobressaltada, com o eco de uma risada de criança ainda vibrando em seus ouvidos. Consultou o relógio de madeira sobre o criado-mudo: quase seis da tarde. O som repetiu-se, acompanhado por um ruído suave no corredor. Com o coração acelerado, Irina levantou-se e caminhou até a porta com passos de quem teme quebrar um cristal raro, antigo. Abriu-a cautelosamente.

 

O corredor estava mergulhado em sombras, vazio. Não havia vulto de criança, apenas o silêncio pesado da casa. Contudo, a certeza daquela risada cravou-se em seu peito, provocando uma angústia visceral, uma dor fantasma de algo que ela sentia ter perdido, mas que não conseguia nomear.

 

O ronco potente de um motor vindo do pátio quebrou o transe. Ainda no segundo andar, Irina ouviu o estalo da porta principal sendo aberta e o murmúrio de vozes que se cumprimentavam. Aproximou-se do alto da escada, ocultando-se parcialmente na penumbra do patamar. Lá embaixo, uma mulher entrava na casa, acompanhada por um homem de cabelos grisalhos que carregava sua bagagem. Ela trocava palavras cordiais de boas-vindas com a Sra. Jones, mas havia algo em sua postura - uma autoridade silenciosa - que destoava do ambiente rural.

 

Foi então que a recém-chegada ergueu o rosto. Seus olhos subiram a escadaria com precisão cirúrgica e prenderam-se aos de Irina. O contato foi instantâneo e avassalador, como o choque de dois polos magnéticos opostos. Por um instante eterno, o mundo ao redor delas emudeceu.

***
Giovana desceu do Aston Martin e deixou que o ar gélido de Larkhill chicoteasse seu rosto, ajudando a dissipar a névoa do cansaço. A casa de dois andares erguia-se à sua frente como uma sentinela de pedra e madeira sob o céu cinzento. Um homem de postura simples, mas olhar atento, caminhou ao seu encontro.

 

- Boa tarde. A senhorita deve ser a Miss. Smith, certo? - perguntou ele.

 

- Sim, sou eu. E o senhor? - Giovana manteve o tom polido, os olhos escaneando o perímetro por instinto.

 

- Sou o Sr. Jones. Por favor, deixe-me cuidar da bagagem. Vamos entrar, o frio aqui fora é traiçoeiro e minha esposa está finalizando uma sopa que a fará sentir-se em casa.

 

- Parece um paraíso agora, obrigada - respondeu ela, seguindo-o.

 

Ao cruzar o umbral, o calor acolhedor da lareira a envolveu como um abraço. O estalar das chamas e o aroma de ervas vindo da cozinha eram o disfarce perfeito para a tensão que ela carregava. Giovana cumprimentou a Sra. Jones, uma mulher cujo sorriso parecia genuíno, mas antes que pudesse articular qualquer frase sobre o jantar, seus olhos foram atraídos para o topo da escadaria.

 

E o mundo, com todas as suas guerras e conspirações, simplesmente parou.

 

Giovana perdeu o fio da meada. A frase que dizia à Sra. Jones dissolveu-se no ar. O ar faltou em seus pulmões e o coração, treinado para manter a calma sob fogo inimigo, saltou em uma batida errática. Lá em cima, emoldurada pela penumbra, estava a mulher mais hipnotizante que ela já vira.

 

Os olhos azuis de Irina eram abismos de intensidade. Giovana sentiu a eletricidade estalar no espaço entre elas, uma corrente que ignorava protocolos e patentes. Analisou o rosto de porcelana, os lábios cheios e a testa nobre, emoldurada por fios escuros que caíam suave e desordenados sobre os ombros. O olhar da Major, faminto, escorregou pelo corpo coberto apenas pela camisola leve, notando os pés descalços contra a madeira fria. Irina estava tensa, pronta para a fuga, as mãos fechadas ao lado do corpo, mas sua curiosidade era tão nítida quanto o medo.

 

- ...e então a senhorita poderá tomar um banho e descansar - a voz da Sra. Jones a trouxe de volta, como um balde de água gelada.

 

- O quê? - Giovana piscou, desorientada.

 

- Eu dizia que talvez prefira jantar primeiro - repetiu a anfitriã, com um brilho de compreensão nos olhos. - O Sr. Jones levará o carro para a garagem ao lado do celeiro se me der as chaves.

 

- Claro. Por favor - Giovana entregou o molho de chaves sem desviar totalmente o foco da escada, mas quando olhou novamente, o patamar estava vazio. O fantasma de Irina Zakirova havia desaparecido.

 

- Vou acompanhá-la aos seus aposentos - anunciou a Sra. Jones.

 

Enquanto subiam os degraus, Giovana baixou o tom de voz, a fachada de escritora oscilando por um momento. - A mulher ali em cima... é ela?

 

- Sim - sussurrou a Sra. Jones. - Ela está muito desorientada. Fez perguntas difíceis, mas seguimos o roteiro.

 

Giovana assentiu em silêncio. Foi conduzida a um quarto amplo, com uma janela que dava para a imensidão cinzenta de Larkhill. Assim que a porta se fechou, ela correu para o banheiro e abriu as torneiras. Precisava de água quente para lavar não apenas os restos da estrada e da viagem, mas também o impacto daquela visão.

 

Minutos depois, submersa na banheira, Giovana permitiu-se finalmente suspirar. A imagem de Irina - o contraste entre a vulnerabilidade da camisola e a força do olhar - estava gravada no verso de suas pálpebras. Intrigante é pouco, pensou, um sorriso involuntário curvando seus lábios. Que segredos você guarda sob essa pele, Irina?

 

- Controle-se, Baxter - repreendeu-se em voz alta, a voz ecoando nos azulejos. - Isso não é um jogo, é uma missão de segurança internacional.

 

Mas, enquanto afundava o corpo na água fumegante e sentia os músculos relaxarem, o pensamento malicioso e insistente de sua "outra versão" sussurrou de volta: Mas quem disse que eu não posso aproveitar um pouco o mistério enquanto salvo o mundo?

***

Larkhill. 07:15 PM.

 

Irina fechou a porta do quarto e encostou-se nela, sentindo a madeira fria contra suas costas. Estava tremendo; um nó apertado no estômago e o coração disparado contra as costelas. Uma onda de calor estranha e súbita havia reivindicado seu corpo no instante em que seus olhos encontraram os da recém-chegada.

 

Não sabia quem era a desconhecida, muito menos entendia sua própria reação. Percebeu a surpresa estampada no rosto da outra mulher, um espelhamento da sua própria perplexidade. Perguntou-se se já se conheciam, mas a lógica fria de sua mente logo descartou a hipótese. No atual estado de vazio em que vivia, ela tinha poucas certezas, mas uma delas era absoluta: se tivesse cruzado com aquela mulher alguma vez na vida, jamais a teria esquecido. Seria impossível apagar um rosto como aquele.

 

Jogou-se de bruços na cama, abafando um suspiro contra o travesseiro. Se aquilo fosse um pesadelo, implorou aos céus para que o despertar fosse em breve.

 

Batidas suaves na porta a trouxeram de volta. - Vim chamá-la para o jantar, senhorita Campbell - anunciou a Sra. Jones do outro lado. - Fiz algo quente para aquecer os ossos. O frio lá fora está impiedoso.

 

- Obrigada - respondeu Irina, a voz rouca falhando na garganta. - Vou me vestir e já desço.

 

Ao se trocar, Irina analisou os hematomas amarelados em seu rosto e o antebraço enfaixado como se fossem marcas de uma vida que não lhe pertencia. Calçou meias de lã grossas, sentindo finalmente o sangue circular nos pés enregelados. Lá fora, o vento uivava, mas a chuva dera trégua, deixando apenas uma umidade que parecia penetrar as paredes da casa e em seus ossos.

 

Ao sair do quarto, viu um filete de luz por baixo da porta ao lado. A desconhecida estava ali. Irina parou, a mão pairando sobre a maçaneta da porta vizinha em uma batalha silenciosa entre a curiosidade e o decoro. O desejo de saber quem era aquela mulher era quase físico, como uma gravidade que a puxava para um vórtice espiralado e entrópico. Com um suspiro de frustração, deixou a mão cair ao longo do corpo e desceu para a cozinha.

 

A Sra. Jones estava imersa em vapores de panelas e aromas de ervas. Logo em seguida, o Sr. Jones entrou, esfregando as mãos e trazendo consigo o cheiro de terra molhada e lã úmida.

 

- Tive um trabalho hercúleo para reunir as ovelhas sob essa lama - comentou ele, buscando o calor do fogão. - Espero que tenha tido a decência de limpar as botas no alpendre - repreendeu a esposa, sem se virar. - Claro que sim, meu bem - ele sorriu de forma gaiata, antes de notar a figura silenciosa de Irina à mesa. - Ah, olá, senhorita. Espero que esteja se recuperando bem.

 

- Estou bem, obrigada. Mas... - Irina fez uma pausa, os olhos fixos nos do homem. - Gostaria de saber como ganhei estes hematomas. Não consigo me lembrar.

 

O silêncio que se seguiu foi breve, mas carregado, espectral. O casal Jones trocou um olhar rápido - um flash de comunicação não verbal que Irina captou como um sinal de alerta. Foi a Sra. Jones quem assumiu a narrativa, com uma voz excessivamente suave:

 

- A senhorita chegou no domingo retrasado. Na segunda-feira, resolveu ir ao povoado comprar alguns itens. Estava dirigindo rumo a Larkhill quando perdeu o controle em uma curva traiçoeira. O carro capotou. A senhorita ficou inconsciente e passou dias no hospital. Os médicos disseram que a memória voltará aos poucos; só precisa de repouso. Graças a Deus, foi apenas um susto.

 

Irina assentiu, mas seus olhos brilharam com uma desconfiança afiada. A história era redonda demais, conveniente demais. Ela sentia a artificialidade das palavras, como se a explicação fosse uma peça de roupa que não servia bem.

 

- Bem - disse o Sr. Jones, tentando dissipar a tensão enquanto se sentava. - Podemos comer? Estou com uma fome de leão.

 

- Onde estão seus modos? - a esposa o cortou. - Temos mais uma hóspede, a escritora. Ela foi se arrumar.

 

Irina limitou-se a observar, mordiscando um pedaço de pão. Cada palavra trocada entre o casal parecia uma camada de proteção em torno de uma verdade que ela estava proibida de acessar. Refreou a vontade de perguntar pela estranha, mas seus ouvidos estavam atentos a qualquer ruído nos degraus da escada. A "escritora" era a única variável nova naquele cenário controlado, e Irina sabia que precisava dela para quebrar o isolamento daquela rede de mentiras gentis.

***
Giovana terminava de abotoar a camisa quando o som a paralisou: passos furtivos no corredor. Eles pararam exatamente em frente à sua porta. O silêncio que se seguiu foi denso, carregado de uma intenção que ela não conseguia decifrar. Movendo-se com a fluidez de uma sombra, ela alcançou a maleta sobre a cama, os dedos já buscando a empunhadura fria da arma.

 

Então, os passos recomeçaram, afastando-se em direção à escada.

 

Ela soltou o fôlego que nem percebera estar prendendo. Que droga, pensou, sentindo a adrenalina latejar nas têmporas. Apesar do treinamento de elite, ela ainda não possuía o cinismo gelado dos espiões de carreira e, no fundo, nutria a esperança de que aquela missão não exigisse o uso de sua artilharia pesada. Sentou-se na beira da cama por um instante e passou a mão pelo rosto, tentando acalmar o ritmo cardíaco. Decidiu deixar a pistola .50 na gaveta do criado-mudo; afinal, uma escritora em busca de isolamento não deveria carregar um canhão de mão por baixo do cardigã.

 

Verificou o celular criptografado. Havia uma mensagem do comando. Ignorada com sucesso por enquanto, decidiu. Não havia nada relevante para reportar além de seus próprios nervos à flor da pele.

 

Deixou o quarto e seguiu para a cozinha, cruzando a sala onde o calor da lareira criava sombras dançantes nas paredes de pedra. Parou no umbral da porta, ajustando sua postura para o papel que deveria desempenhar.

 

- Boa noite - disse, a voz projetada com uma calma que não sentia. - Desculpem o atraso.

 

- Boa noite - a resposta veio em uma voz rouca, quase um sussurro que pareceu vibrar no ar.

 

E então, como se as pedras ancestrais de Stonehenge, ali tão perto, estivessem exercendo alguma magia antiga e adormecida, os olhares das duas se encontraram novamente. O mundo ao redor desbotou. Uma descarga de eletricidade estática percorreu o espaço entre elas, eriçando os pelos da nuca de ambas e fazendo a engrenagem do tempo girar em câmera lenta. Giovana sentiu o peso do olhar de Irina - uma mistura de vulnerabilidade e uma inteligência afiada que parecia atravessar seu disfarce como se ele fosse feito de vidro, transparente. Nunca se sentira tão vulnerável como agora, como se até seus pensamentos pudessem ser lidos.

 

 

Fim do capítulo


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Comentários para 3 - Capitulo 2:
Zanja45
Zanja45

Em: 14/02/2026

Giovana vai ter muito trabalho para sustentar o papel de escritora, porque Irina não vai ser enganada facilmente. Ela já mostrou que não vai aceitar conversas triviais sobre meteorologia.

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Zanja45
Zanja45

Em: 14/02/2026

Irina apesar da falta de memória, parece bastante inteligente, questiona o roteiro criado para a estadia dela ali naquela casa. 

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Zanja45
Zanja45

Em: 14/02/2026

O impacto de Giovana ao ver Irina foi profundo. Ela se sentiu atraída para ela.

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Zanja45
Zanja45

Em: 14/02/2026

Quem seria essa criança, apenas lembrança de alguma criança na vida de Urina ou existe algo mais escondido nessa casa?

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