Capitulo 3
Yelena
O sorriso bobo que eu exibia no rosto desapareceu quase que instantaneamente, substituído por uma expressão séria, fria, calculista. Cada movimento dela, cada gesto no carro, cada detalhe do rosto, os olhos azuis ainda reluzindo por um instante, a maneira como segurava o volante, o aperto sutil dos dedos, eu memorizei com precisão.
A placa do carro também ficou gravada na minha mente antes que o veículo se afastasse. Rapidamente, puxei o telefone do bolso da jaqueta, e com alguns toques rápidos, enviei a sequência de números para um contato de confiança, um rastreador especializado.
Enquanto enviava a mensagem, sentia a adrenalina pulsando, mas controlada, como sempre. Minha vida exigia disciplina, mesmo quando o jogo se tornava pessoal. A resposta não tardaria. E, mesmo assim, cada segundo longe dela era uma provocação silenciosa, uma ansiedade que me lembrava do poder que tinha, e do quanto precisava manter a vantagem.
Dirigi meu carro até minha garagem: um Aston Martin DB11 preto. A escolha não era apenas estética; era um reflexo do meu status, da minha segurança, da minha vida que precisava ser rápida, elegante e inatingível. O motor ronronou suavemente ao ligar, e o interior silencioso refletia o meu estado, frio, meticuloso, completamente controlado, embora cada detalhe da noite ainda queimasse sob a pele.
O trânsito de Nova York ainda estava lento, o amanhecer trazendo cores suaves e o frio da manhã acariciando a pele pelo vidro entreaberto. Cada semáforo, cada curva, cada movimento do carro, era calculado; cada pensamento, uma análise silenciosa da missão, do comportamento de Danielle e do que poderia se seguir.
Chegando ao prédio onde morava, estaciono na garagem subterrânea, movimentando-me com a calma de quem não pode se permitir falhas. O prédio é sofisticado, discreto, com segurança rigorosa. Um apartamento no coração de Manhattan, janelas amplas com vista para o East River, iluminação suave controlada por automação, móveis minimalistas mas luxuosos.
Assim que entro, tranco a porta e tiro a jaqueta, expondo a camiseta ajustada que deixava entrever algumas das tatuagens nos braços e ombros. Depois vem a arma, sempre ao alcance, cada movimento meu é medido, consciente, mas agora posso relaxar.
Dirijo-me ao banheiro, acendo a luz suave. A água do chuveiro cai em jato firme, morna, e eu deixo que o vapor envolva o corpo. Cada gota escorrendo sobre a pele parece lavar não apenas o suor, mas a tensão da noite, cada momento de controle, cada teste de provocação. O cheiro do sabonete, levemente amadeirado e fresco, mistura-se ao perfume residual da noite, criando uma camada sensorial que me envolve, me acalma.
Lavo os cabelos, os dedos deslizando pelos fios negros, sentindo o peso e a textura do que é meu, sólido, real. Não há pressa; o banho é um momento de domínio silencioso sobre mim mesma. A água escorre pelas tatuagens, delineando linhas e sombras, reforçando a sensação de que cada marca no meu corpo é um lembrete do que sou, do que controlei, do que posso dominar.
Quando desligo o chuveiro, o ar fresco do apartamento me envolve, e eu caminho até a cama ampla, de lençóis de linho cinza escuro. Cada passo é medido, preciso, quase ritualístico. O corpo ainda vibra com a memória de Danielle, mas aqui, no silêncio do meu espaço, posso deixar cada emoção se acalmar.
Deito-me, nua, os lençóis envolvendo minha pele, e finalmente permito que a tensão da noite se dissipe. Fecho os olhos, sentindo o corpo relaxar completamente, a respiração voltar ao ritmo natural. A mente, ainda aguda, começa a desacelerar, e o cansaço finalmente vence.
Quase instantaneamente, o sono me envolve. Não há sonhos, apenas um descanso profundo, silencioso, merecido. O apartamento permanece imperturbável, a cidade acordando lentamente lá fora, mas dentro de mim há apenas a calma de quem controlou cada detalhe da noite, cada risco, cada jogo.
A luz da manhã invadiu o apartamento antes mesmo que eu abrisse os olhos. Foram poucas horas de sono, profundas, mas insuficientes para apagar completamente o calor da noite anterior da minha pele. Por alguns segundos permaneci imóvel, respirando o silêncio do meu quarto, sentindo os lençóis frios sobre o corpo nu. O cheiro do sabonete ainda estava ali, misturado, insistência teimosa de algo que eu não queria admitir. Danielle… Apenas um nome, e já havia criado um ruído dentro de mim.
Me obriguei a levantar. O chão de mármore estava gelado ao contato dos pés. Caminhei até a janela e puxei a cortina, deixando que a luz cinzenta da manhã nova-iorquina me atingisse direto no rosto. Precisei de segundos para ajustar a visão e mais alguns para lembrar quem eu era, onde estava, e que aquela pequena distração da madrugada não poderia confundir o essencial: estou no topo, justamente porque nunca me permito baixar a guarda.
Tomei um café rápido na bancada da cozinha, o amargor familiar ajudando a tirar os últimos resquícios de vulnerabilidade do meu sistema. Vesti uma calça de alfaiataria preta, camiseta justa e outro casaco de couro, meu corpo sempre pede firmeza, uma carcaça que me lembre que os dias não se atravessam com sensibilidade. Saí do apartamento às 8h17. No elevador, o reflexo no espelho confirmou o que eu esperava: olhar firme, postura ereta, nenhuma fissura aparente.
O Aston Martin me esperava na garagem. O motor respondeu ao toque do botão com o mesmo ronco baixo e elegante de sempre, uma calmaria disfarçada, exatamente como o tipo de poder que nós exercemos nessa cidade.
O trajeto até o armazém principal da brigada em Brooklyn não levou mais do que vinte minutos. Subi pelas escadas de concreto enquanto os homens faziam o que sempre fazem, fingem não me olhar, mas desviam discretamente os olhos cada vez que passo.
Lá dentro, Dmitri já estava rodeado de documentos, relatórios logísticos e planilhas. Ele falou antes mesmo de me cumprimentar:
(Dmitri) — O carregamento de Jersey chega amanhã à noite. Precisamos redobrar o número de caminhões. A polícia estadual está mais ativa do que o normal.
Não respondi de imediato. Larguei a jaqueta na cadeira e caminhei até a enorme mesa de metal, observando os mapas dobrados nas bordas e as anotações feitas à mão por ele. Só então encontrei os olhos do meu irmão.
(Yelena) — Então muda a rota. Usa South Amboy. Passa os caminhões pela refinaria abandonada. Eles nunca patrulham aquela estrada antes do meio-dia.
Ele franziu a sobrancelha, irritado por não ter pensado nisso antes, mas sem coragem de contestar. Dmitri me conhece o bastante para saber que quando falo pouco é porque já encontrei a solução antes.
Nikolai apareceu alguns segundos depois com duas xícaras de café e um sorriso discreto demais para ser notado por qualquer um, menos por mim. Ele deixou uma das xícaras perto da minha mão e inclinou o rosto, silencioso.
(Nikolai) — Dormiu?
Respondi apenas com um pequeno levantamento de sobrancelha. Ele sorriu de novo, cúmplice, e voltou para a própria mesa. Não precisava dizer nada. Ele sabia, como sempre, que havia algo diferente na minha respiração.
Já passava das dez quando meu pai entrou. O ar na sala mudou imediatamente, como sempre acontecia quando Viktor Volkov aparecia. Ele passou os olhos por cada um de nós, avaliando como um general experiente inspeciona o campo de batalha. Quando o olhar dele caiu sobre mim, ele parou por um segundo a mais, um segundo em que pareceu querer atravessar minha pele para descobrir o que eu estava escondendo.
(Viktor) — Quem vai supervisionar a reunião com os colombianos esta tarde?
Dmitri abriu a boca para responder, mas eu me adiantei.
(Yelena) — Eu.
O silêncio que seguiu foi pesado. Ele me analisou com aqueles olhos impenetráveis, como se tentasse encontrar rachaduras. E então assentiu apenas com um movimento do queixo, se virando em seguida para Dmitri.
(Viktor) — E você cuida da segurança. Quero três homens extras no perímetro.
Como sempre, ele saiu sem dizer mais. E como sempre, deixou atrás de si aquele odor de autoridade que nos obriga a reorganizar tudo imediatamente.
Foi pouco depois do meio-dia que meu telefone vibrou no bolso da calça. Peguei o aparelho e me afastei da mesa, indo até o canto mais silencioso do armazém. Número não salvo. Apenas uma mensagem curta.
Placa registrada no nome de “Danielle Reese”. Histórico limpo. Perfil discreto. Nada suspeito até agora.
Dei um meio sorriso. Claro. Perfil discreto… mais um motivo para desconfiar.
Guardei o celular com calma e voltei para a mesa. Dmitri sequer percebeu minha ausência; estava discutindo com Nikolai o número de armas a serem enviadas para o depósito secundário. Eu apenas sentei, cruzei as pernas e passei os olhos pelos relatórios. Por fora, impassível. Por dentro, a lembrança do beijo ainda pulsava sob a pele e agora, misturada a uma certeza tranquila: ela não é o que diz ser. Mas eu adoro quando tentam me enganar…
Mais tarde ainda preciso passar em casa e trocar de roupa antes da reunião com os colombianos. Mas minha mãe insistiu para que eu comesse algo antes de sair. Ficou em pé à porta da cozinha, tensa, arrumando o avental sem coragem de olhar para mim nos olhos, porque é isso o que essa família faz: ama em silêncio… e sobrevive calada. Provavelmente me perguntaria se dormi bem. E, pela primeira vez em muito tempo, eu talvez não conseguisse mentir com a mesma facilidade de sempre.
Mas por ora, ajeitei a postura na cadeira, estiquei o pescoço e deixei um sorriso pequeno surgir no canto da boca enquanto pegava a próxima folha.
O galpão da 45th street ficava quase escondido entre depósitos de madeira e oficinas mecânicas que operavam até tarde. Para qualquer transeunte, era apenas mais um armazém velho, mas para nós, era o ponto de encontro neutro com os fornecedores. O grupo colombiano chegou às 17h43, três SUVs pretos, vidros fumê e o mesmo cheiro de desconfiança que todas essas alianças carregam.
Eu permaneci parada no centro do galpão, braços ao lado do corpo, atenta e a um palmo de distância da Glock presa na parte interna da jaqueta. Dmitri posicionou os homens alguns metros atrás de mim, visíveis o suficiente para servir de aviso, discretos o bastante para não parecer provocação. O chefe deles, Ortega, desceu do carro com o inseparável casaco cinza e aquele falso ar de simpatia.
(Yelena) — Vieram com dois minutos de atraso.
Disse isso sem sorrir, sem levantar a voz, só para que ele entendesse que cada segundo valia alguma coisa, inclusive o dele.
Ortega se limitou a erguer as mãos com leveza.
(Ortega) — Compensamos no valor das mercadorias.
Ele tentou parecer tranquilo… mas os olhos evitaram os meus por tempo demais. Conversamos trinta minutos sobre rota, preço, prazo. Eles insistiam em passar pela I-78, eu expliquei três vezes que ali há patrulha estatal e dois sensores de placa ativos. Não discutimos. Eles acabaram concordando.
Quando o negócio foi fechado, estendi a mão. Ortega apertou com hesitação, como quem aperta a mão de uma víbora com medo de ser mordido.
Ele me respeita. Mas não gosta de mim. Gosto disso, porque significa que ele vai pensar duas vezes antes de me trair.
Saímos do galpão com o céu já escuro, e a brisa fria carregando o cheiro adocicado do Hudson. Dmitri permaneceu calado o tempo inteiro na volta, os olhos fixos na estrada como se ainda ruminasse a humilhação de ser deixado em segundo plano. Nikolai, do banco de trás, apenas observava em silêncio.
Depois de nos separarmos no armazém, fui até um café, estava com fome e com dor de cabeça.
Mais tarde ao chegar ao meu apartamento pouco depois da meia-noite. Estranhamente, as luzes da sala estavam acesas. Entrei, pronta para qualquer risco, só para encontrar Nikolai sentado no sofá, pernas cruzadas, um copo de vodka na mão. Ele me olhou como sempre, calmo, atento, mas havia algo diferente na expressão dele. Ele esperava por mim.
(Nikolai) — Quer que prepare um chá? — perguntou como se fosse apenas mais uma noite.
Fechei a porta e deixei a jaqueta sobre a cadeira.
(Yelena) — Não. Prefiro que diga logo o que está atravessado na sua garganta.
Ele riu pelo nariz e deu um pequeno gole na vodka.
(Nikolai) — Às vezes esqueço que você me conhece mais do que eu mesmo.
Encostei-me à bancada, braços cruzados, esperando. Ele girou o copo entre os dedos por alguns segundos, até finalmente levantar o olhar e deixá-lo preso no meu.
(Nikolai) — Ontem à noite… quando você saiu do bar com aquela mulher… eu segui a moça depois que se despediram.
Meu corpo não se moveu, mas senti a tensão subir lentamente como um fio sendo puxado por dentro da pele.
(Nikolai) — Ela dirigiu por alguns quarteirões… e então entrou numa van. Não parecia táxi, nem carro particular. Tinha gente esperando lá dentro. Três homens e uma mulher. Um deles era o mesmo que tentou se aproximar de você dias atrás.
O silêncio entre nós ficou pesado. Nikolai não desviava o olhar.
(Nikolai) — Eles estão tentando se infiltrar. Primeiro aquele cara do bar. Agora ela.
Ele pousou o copo com cuidado sobre a mesa e respirou fundo, como se odiasse dizer o que vinha a seguir.
(Nikolai) — Danielle… não é quem diz ser.
Por alguns segundos não disse absolutamente nada. Só fiquei ali, imóvel, deixando a informação reverberar dentro da cabeça. E, curiosamente, não foi surpresa o que senti. Foi outra coisa. Algo que misturava irritação… e um certo brilho silencioso de expectativa.
Caminhei lentamente até o bar da sala, servi um pouco de vodka no meu próprio copo e me sentei ao lado dele no sofá.
(Yelena) — Eu sei.
Ele me encarou com as sobrancelhas levemente erguidas, confuso.
(Nikolai) — Você sabe?
Levei o copo aos lábios, respirando fundo o cheiro forte do álcool antes de responder, com a voz baixa e absolutamente segura.
(Yelena) — Claro que sei. Era óbvio… desde o primeiro olhar.
Dei um gole longo na vodka e senti o líquido queimar a garganta, depois me recostar levemente no sofá com um sorriso de canto.
(Yelena) — E justamente por isso… quero ver até onde ela vai conseguir mentir pra mim.
Nikolai permaneceu calado por alguns segundos, só me observando enquanto a vodka queimava devagar na minha garganta. Havia preocupação no olhar dele, mas também uma compreensão silenciosa, aquela que só nós dois compartilhamos desde que éramos crianças.
Ele girou o copo entre os dedos.
(Nikolai) — Então o que vai fazer?
Deixei o copo sobre a mesa de centro, inclinando o corpo pra frente.
(Yelena) — Quero que coloque a Zoja na cola dela. Vinte e quatro horas por dia. — Falei isso de maneira seca, olhando direto nos olhos dele.
(Nikolai) — A partir de quando?
(Yelena) — A partir de agora.
Ele assentiu lentamente, sem contestar, mas ainda hesitando.
(Nikolai) — E nosso pai?
(Yelena) — Não. — cortei antes que ele concluísse a frase. — Nada disso vai para o pai. Nem para o Dmitri. — Deixei as palavras caírem, uma por uma. — Isso é um assunto nosso.
Nikolai sustentou meu olhar e, depois de um instante, o assentimento foi firme.
(Nikolai) — Entendido. Vou falar com ela agora.
Inclinei a cabeça num gesto breve, satisfeito.
(Yelena) — Diga que eu pretendo marcar outro encontro… no mesmo bar. — Apertei os lábios num sorriso lento. — Quero que ela esteja lá. Discreta. Vai segui-la quando eu me despedir.
Ele pegou o celular no bolso e já começou a escrever a mensagem. Nem precisávamos de mais explicações. Zoja era uma das poucas em quem confiávamos de verdade, silenciosa, precisa e absolutamente leal.
Bebi o resto da vodka e fechei brevemente os olhos. A lembrança do beijo ainda me passava pelos lábios como um fantasma. Mas agora o jogo tinha um novo sabor.
Nikolai se levantou.
(Nikolai) — Vai dar errado… ou vai ser divertido.
Eu sorri, de canto.
(Yelena) — Talvez os dois.
Ele me deu um leve toque no ombro antes de sair, um gesto cúmplice. Quando a porta se fechou, deixei o corpo afundar novamente no sofá. Já estava tudo claro na minha cabeça. O resto… era execução.
No dia seguinte, o céu estava encoberto, e o ar de Manhattan tinha aquele cheiro metálico de chuva que nunca vem. Passei a manhã inteira resolvendo assuntos logísticos e duas pequenas reuniões com fornecedores secundários. Não consegui tirar Danielle do pensamento, não o beijo, mas o modo como ela tentou disfarçar o tremor nas mãos.
E o fato de, apesar disso, não ter recuado.
Às 13h17, encostei as costas na cadeira do escritório de Brooklyn e disquei lentamente o número que havia salvo na madrugada. Esperei apenas um toque.
A linha foi atendida com um suspiro leve do outro lado.
(Danielle) — Alô?
Demorei um segundo antes de falar, só para que ela sentisse o silêncio.
(Yelena) — Estive pensando naquela noite.
Um ruído curto do lado de lá… respiração contida. Bom.
(Danielle) — Eu também.
Sorri sem que ninguém visse.
(Yelena) — Hoje à noite. — Fiz uma pausa curta, só o tempo de deixar a tensão se instalar. — Mesmo bar. Mesma hora.
Silêncio por um segundo. Depois, a voz dela. Leve… mas com aquele tremor que me deixou ainda mais interessada.
(Danielle) — Vou estar lá.
Fechei os olhos por um instante, satisfeita.
(Yelena) — Ótimo. — Ajustei o tom, deixando a voz um pouco mais baixa. — Dessa vez… não me faça esperar.
Desliguei antes que ela respondesse, deixando o peso da frase no ar.
Guardei o telefone no bolso e respirei fundo.
O jogo estava oficialmente aberto.
Cheguei antes. Sempre chego antes.
Sentei no mesmo lugar, banco alto, encostada no balcão, com um copo de bourbon na mão e o corpo relaxado apenas na superfície. Do lado de fora, já tinha visto Nikolai parado à meia-luz da esquina, o carro estacionado num dos postes como se fosse apenas mais um rapaz fumando no escuro. Zoja não era visível. Nunca é. Mas eu sabia que estava ali. Observando. Esperando.
Dei o primeiro gole e deixei o álcool aquecer a garganta. Por um instante, o bar se tornou uma cena estática, luzes vermelhas, cheiro de bebida, a música batendo devagar nas paredes. E então, a porta se abriu.
Ela entrou.
Danielle.
Vestido escuro de tecido leve, ajustado na cintura. Cabelos soltos, caindo sobre os ombros com uma naturalidade estudada. O corpo magro e firme movia-se com cautela, como se cada passo fosse pensado antes de acontecer. A postura trazia uma rigidez discreta, típica de quem está, ao mesmo tempo, pronta para agir e tentando parecer à vontade. Ela olhou na minha direção e parou por meio segundo. Não sorriu de imediato, apenas respirou, como se precisasse reconectar o corpo ao próprio rosto. E caminhou.
O perfume veio primeiro algo limpo, leve, com um fundo quase floral, mas se misturou ao cheiro de álcool e madeira do bar. As luzes caíram sobre o rosto dela e os olhos azuis brilharam de novo. Dessa vez não havia hesitação. Só tensão. Boa tensão.
(Yelena) — Chegou.
Ela se apoiou levemente no balcão e deixou um sorriso hesitante surgir no canto da boca.
(Danielle) — Espero não ter te feito esperar.
Dei um pequeno riso e incline i a cabeça.
(Yelena) — Cinco minutos. Quase considerei ir embora.
Ela sentou ao meu lado e umedeceu os lábios antes de falar.
(Danielle) — Quase.
Sinalizei para o barman com os olhos.
(Yelena) — Uísque pra mim. — Olhei pra ela, esperando. — Você?
(Danielle) — Gin com limão.
O copo chegou, as mãos dela tocaram o vidro com um leve tremor que ela escondeu bem. Quase bem. Quando seus dedos roçaram nos meus, sem querer ou talvez não, senti aquela descarga de novo, subindo pela pele.
Conversamos sobre nada: música, bares de Manhattan, algumas referências que ela soltou como se quisesse parecer “normal”. Eu respondia com frases curtas, observando cada pausa, cada respiração, os pequenos silêncios entre uma palavra e outra.
Em determinado momento, o celular vibrou no meu bolso. Tirei sem pressa.
Nikolai:
Van estacionada nos fundos. Eles estão monitorando. Tudo sob controle.
Dei um meio sorriso.
Óbvio que estava.
Guardei o telefone e bebi mais um gole.
Ela percebeu o sorriso, claro que percebeu.
(Danielle) — Algo engraçado?
(Yelena) — Nada que você precise se preocupar… ainda.
Ela mordeu discretamente o canto do lábio, um gesto involuntário que me deu vontade de puxá-la ali mesmo pela nuca.
Continuei falando, mas os toques foram aumentando. A mão sobre o braço quando ela disse algo mais “engraçado”. O deslizar lento da minha perna até roçar a dela. O jeito como aproximei o rosto só para ouvi-la melhor, deixando que meu nariz quase encostasse na pele dela.
A tensão cresceu devagar, deliciosa. Ela não recuou. Não uma única vez.
Passava das duas da manhã quando decidi que era o suficiente.
Levantei-me e deixei o dinheiro sobre o balcão. Danielle se levantou também, ajeitando o vestido com um gesto nervoso que tentou transformar em elegância. Saímos em silêncio, e o ar frio da madrugada se lançou sobre nossas peles como um lembrete de que a cidade ainda existia à nossa volta.
Caminhamos até o estacionamento. Ela seguia um pouco atrás, os passos contidos, mas o corpo inteiro dizendo quero mais. Parei ao lado do carro dela e me virei devagar. Os olhos dela subiram até os meus, e por um instante ninguém disse nada.
(Yelena) — Boa noite, Danielle.
Ela respirou fundo, e quando o nome saiu pela minha boca, pareceu estremecer.
(Danielle) — Boa noite…
Dei um passo à frente, apenas um e deixei o corpo se inclinar até que ela precisasse apoiar-se no carro. A mão esquerda na lateral da cintura, o polegar roçando o tecido quente do vestido. A direita subiu devagar, tocando-lhe o pescoço com as costas dos dedos antes de segurar gentilmente a nuca. Ela soltou um suspiro e não resistiu quando minha boca encontrou a dela.
O beijo foi mais firme dessa vez. Mais fundo. O gosto do gin ainda presente na língua. O corpo dela encostado ao meu, o quadril pressionado contra a lataria do carro. A outra mão deslizou pela minha costela e o toque foi trêmulo, dessa vez ela não tentou disfarçar.
Entre um beijo e outro, deslizei os lábios e o nariz devagar pelo pescoço dela, respirando fundo o perfume na pele. Mesmo com a penumbra, pude ver o pequeno ponto na orelha, discreto, disfarçado sob o cabelo.
Um ponto de escuta.
Microfone.
A certeza desceu através do meu peito com um gosto de ferro e prazer. Minha suspeita se confirmou e, por alguma razão, isso fez o beijo ainda mais excitante.
Voltei aos lábios dela. Dessa vez, puxando com um pouco mais de força, prendendo o lábio inferior entre os meus dentes, ela soltou um gemido quase inaudível. A mão em minha nuca apertou um pouco mais. Era bom. Muito bom.
Afastei-me devagar, mantendo o rosto próximo ao dela, sentindo a respiração quente bater contra a minha pele.
(Yelena) — Boa noite, Danielle — sussurrei, deixando que o nome soasse carregado de intenção… e de aviso.
Ela ainda não tinha recuperado totalmente o fôlego. Os olhos estavam ligeiramente alargados, o peito subia e descia devagar enquanto tentava entender o que havia acabado de acontecer. Eu sorri, lento, satisfeito e dei um passo para trás.
(Yelena) — Dirija com cuidado.
Não esperei resposta. Caminhei na direção oposta, os passos firmes ecoando na penumbra do estacionamento. Já sabia que Zoja me observava de alguma parte da rua, pronta para seguir Danielle no momento em que ela ligasse o carro.
Era exatamente isso que eu queria.
Antes de dobrar a esquina, me permiti um último olhar por cima do ombro. Ela ainda estava encostada na porta do carro, uma mão no peito, os lábios ainda um pouco avermelhados pelo beijo. Linda. Vulnerável. E perfeitamente exposta.
Sorri para mim mesma e virei a esquina.
Victoria
O beijo ainda estava nos meus lábios quando abri a porta do carro. Meus dedos mal conseguiam encaixar a chave na ignição de tão leves que estavam, leves e trêmulos.
Isso é trabalho.
Repito mentalmente a frase, uma… duas… três vezes.
Mas o corpo não entende.
A pulsação no ventre é quase vulgar, quente, latejante, subindo até o peito como se tivesse sido acesa uma hora atrás e ainda estivesse ardendo.
Assim que o motor liga, o ponto no meu ouvido chia e a voz de Marcus quebra o silêncio:
(Marcus) — Caramba… isso foi… intenso.
Um chiado, e logo a risada abafada de Ethan:
(Ethan) — Ela quase te devorou ali no estacionamento, Vick. Estávamos prestes a cortar o áudio.
Meu estômago aperta. Fecho os olhos por um segundo e respiro fundo.
(Vick) — Continuem com as piadas e eu peço pra Rick substituir vocês amanhã cedo.
O riso dos dois diminui, mas eu ainda escuto o sorriso implícito na voz deles.
Finalmente Rick fala, firme e direto:
(Rick) — Hartley… vá direto para o apartamento da Danielle. Nada de retornar à van. Não podemos correr o risco de ter alguém seguindo você. — Uma pausa breve. — Passe para o carro verdadeiro quando estiver em segurança e só então remova o ponto.
Assinto sozinha, dentro do carro.
(Vick) — Copiado.
Sigo pelas ruas vazias com os nós dos dedos esbranquiçados no volante. As luzes passam pelos vidros deixando pequenos clarões nas minhas pernas e no tecido do vestido. O nome Danielle Reese pulsa na minha cabeça como se fosse realmente meu e, por segundos, quase é.
Mas esse não é o problema.
O problema é que uma parte de mim desejou que aquele beijo… não tivesse sido apenas encenação.
Paro na garagem do apartamento de fachada. A câmera interna me reconhece, o portão se abre. Dirijo até a vaga indicada e estaciono com calma. Fico parada por alguns segundos, respirando no escuro. Então tiro o ponto com cuidado e guardo no pequeno estojo escondido na porta do carro.
Abro a porta lentamente e caminho até o outro lado da garagem onde meu verdadeiro carro, o que Victoria Hartley dirige, está à espera. O salto do sapato ecoa pelo concreto, cada passo fazendo o calor do corpo começar a esfriar.
Entro no outro carro, fecho a porta, apoio a cabeça no volante e deixo o ar sair dos pulmões devagar, como se tivesse segurado a respiração a noite inteira.
Está funcionando.
A infiltração está funcionando.
Ela confia.
Ela está se abrindo.
Então por que minhas pernas ainda tremem como se eu tivesse perdido o controle?
Por que a sensação no fundo do estômago não parece medo, mas vontade?
Dou partida no motor e sigo para o meu verdadeiro apartamento. Trânsito leve, cidade silenciosa, prédios altos me observando pelas janelas. Lá pelas duas e quarenta da manhã, estaciono, subo pelo elevador e só quando fecho a porta atrás de mim sinto o ar voltar aos meus pulmões como deveria.
Tiro os sapatos, apoio a mão na parede e, por um instante, fico imóvel na penumbra da sala. O silêncio do apartamento contrasta com o zunido que ainda vibra no meu corpo, como se os lábios dela ainda estivessem nos meus.
Encosto a cabeça na porta e suspiro devagar.
É só trabalho.
Repito mais uma vez.
Mas dessa vez, mesmo dentro da minha própria casa, não estou completamente convencida.
Enfim, vou até o quarto, dispo o vestido devagar e deixo-o cair sobre a poltrona. Fico de pé apenas de lingerie, olhando o reflexo no espelho. O pescoço está marcado de leve.
Aperto os olhos como se pudesse dar ordens ao corpo para esquecer.
Depois sigo para o banheiro e abro a torneira, lavando o rosto com água fria. Quando ergo o rosto e encaro o espelho, finalmente deixo o pensamento escapar:
(Vick) — Está indo bem… talvez até bem demais.
E por alguma razão, isso não me tranquiliza.
Me assusta, e me excita, na mesma medida.
O sol ainda não havia alcançado completamente os prédios da sede do FBI quando entrei na sala de análises. As janelas altas filtravam uma luz pálida, quase cinzenta, que fazia os monitores parecerem ainda mais nítidos. O cheiro de café recém-passado pairava no ar, misturando-se com o zumbido constante dos computadores e o estalo ocasional de teclados. Um ambiente de trabalho, frio e meticuloso, que eu tentava absorver como rotina, mas cada músculo do meu corpo ainda pulsava com a memória da noite anterior.
Rick já estava na ponta da mesa oval, observando os relatórios espalhados diante dele, o olhar sério, cortante, mas firme. Lena, Marcus e Ethan se encontravam distribuídos em seus lugares, analisando telas, digitando números, levantando hipóteses. A rotina típica de uma equipe de operações, mas eu sabia que o assunto que nos ocupava hoje ia além da rotina.
Respirei fundo e tentei agir como se nada tivesse acontecido. Como se aquele beijo, o toque no estacionamento, o perfume de Yelena, não tivessem deixado nenhum rastro dentro de mim. Mas cada tentativa era frustrada. Meu corpo ainda lembrava, e meu cérebro insistia em repetir mentalmente: isso é trabalho, Victoria, é apenas trabalho.
(Rick) — Hartley, quero que vá direto ao ponto. Temos que discutir a próxima fase de infiltração com a Volkov.
O nome caiu na sala com peso. “Hartley”. Meu sobrenome. Mas o uso frio do sobrenome parecia me separar do corpo inteiro. Eu assenti, tentando manter o olhar neutro.
(Vick) — Sim, senhor.
Marcus sorriu discretamente por cima dos óculos, como se estivesse percebendo algo que eu tentava esconder. Ethan apenas me lançou um olhar curto, quase imperceptível, enquanto Lena mantinha a postura habitual: observadora, silenciosa, letal em seu controle sobre si mesma.
(Rick) — Ok. Plano atual: vamos aumentar a pressão sobre Yelena Volkov sem levantar suspeitas. A ideia é fazer com que ela acredite que há uma aliança estratégica que pode beneficiá-la, e precisamos que Danielle ganhe a confiança dela. Hartley, você será o foco direto dessa operação.
As palavras eram firmes, precisas, mas ao mesmo tempo o meu estômago se contorceu com a realidade. Eu sabia exatamente o que isso significava: me aproximar dela, manipular a situação, usar a confiança construída na última noite… e sim, isso incluía algo que me assustava de forma quase visceral.
(Vick) — Senhor… — minha voz saiu mais baixa do que o normal, quase um sussurro. — Isso vai exigir que… que eu me aproxime dela de forma íntima.
O silêncio pairou por dois segundos, e então o riso abafado de Marcus quebrou a tensão.
(Marcus) — Ah, vamos lá, Hartley. Isso é só parte do trabalho. Você vai lidar com isso.
Ethan riu baixinho, balançando a cabeça, como se dissesse: bem-vinda ao lado mais desconfortável da lei.
Lena, por outro lado, me lançou um olhar direto, que não continha risos nem sarcasmo, apenas uma observação clínica.
(Lena) — Não há ponto nessa hora, Hartley. Totalmente sem ponto. Seria constrangedor demais. Você precisa manter controle absoluto.
O comentário de Lena me atingiu de forma inesperada. Sem o ponto, a sensação de vulnerabilidade se multiplicava. Cada toque, cada proximidade de Yelena se tornaria um risco maior, um risco físico e emocional. Respirei fundo, tentando controlar a pulsação que subia, lembrando o calor do toque dela, o perfume, o beijo.
(Rick) — Victoria… — sua voz cortou o ar, firme, mas não dura — Quero que pense com clareza. Você está disposta a fazer isso pelo caso? Sem reservas.
O olhar de Rick me atravessou, avaliado, exigindo sinceridade. Olhei para os colegas, Marcus e Ethan tentavam parecer neutros, mas havia aquele brilho de expectativa nos olhos deles. Lena mantinha o estoicismo, o que, de certo modo, me trouxe algum alívio.
Fechei os olhos por um instante. As imagens da noite anterior invadiram minha mente: o beijo, o toque no pescoço, o perfume, a proximidade, o calor dos corpos. Ela era uma criminosa, mas também… extremamente provocante.
Abro os olhos e respiro fundo.
(Vick) — Não há como recuar agora. — Minha voz saiu firme, ainda que um pouco trêmula. — A brecha já foi aberta. Se não agirmos, perdemos a chance de coletar informações críticas.
Rick inclinou-se ligeiramente para frente, avaliando-me.
(Rick) — É isso que eu queria ouvir. Não subestime a Volkov. Ela é calculista, perigosa, e sabe manipular o ambiente ao redor. Mas você… — ele assentiu levemente — você sabe como manter o controle.
As palavras me acalmaram e, ao mesmo tempo, fizeram meu coração disparar. Sabia que ele confiava em mim, mas não podia me permitir fraquejar.
(Marcus) — Vamos detalhar. — Ele começou a digitar algo no tablet, compartilhando os dados de inteligência com todos na tela. — Volkov frequenta os mesmos bares em horários previsíveis. Seu irmão mais novo, Nikolai, mantém certo controle, mas a irmã é a instável. Qualquer erro nosso e podemos comprometer tudo.
(Ethan) — Hartley vai precisar se aproximar diretamente dela. Conversas casuais, informações sobre negócios, sutilidade máxima. E se for necessário… aproximação física, sem alarde.
Meu estômago apertou novamente. A frase ecoou no meu corpo, e pela primeira vez em voz alta eu admiti para mim mesma o medo.
(Vick) — Eu sei. E estou consciente. Mas precisamos manter profissionalismo absoluto. Não podemos nos deixar levar pelo… pelo que aconteceu ontem.
Lena assentiu.
(Lena) — O ponto estará desligado durante qualquer interação íntima. Você precisa do controle total. Nenhum ruído, nenhum sinal de que está sendo monitorada por nós.
Olhei para Ethan e Marcus. Ambos pareciam entender a gravidade, mas não consegui deixar de notar a tensão sutil em seus ombros, mesmo eles sabiam o risco que eu corria emocionalmente.
(Rick) — Victoria, os detalhes são estes: o próximo encontro será no mesmo bar. Hartley, você precisa se apresentar de forma convincente. Ela não deve suspeitar de nada. Queremos que ela confie. — Apontou para os gráficos de horários e padrões de movimento.
O corpo inteiro tremeu levemente com o pensamento de tocar novamente nela, mas respirei fundo. Cada detalhe tinha que ser medido: distância, ângulo, intensidade do toque, tom de voz. Tudo calculado, milimetricamente.
(Vick) — Entendido, senhor. — Concluí, a voz firme apesar do turbilhão interno. — Vamos executar.
Rick assentiu, satisfeito.
(Rick) — Então é isso. Hartley, você é a peça central. Todos os outros apoiam. Não há margem para erro.
A reunião continuou com análises de risco, possíveis rotas de saída, observação das câmeras de segurança externas e avaliação de comportamentos da Volkov. Cada detalhe era planejado, cada movimento previsto. E eu, no meio disso tudo, sentia uma estranha mistura: medo, excitação, adrenalina. Sabia que estava fazendo o trabalho da minha vida e ao mesmo tempo, arriscando-me emocionalmente como nunca antes.
Enquanto Rick detalhava a forma de se aproximar, eu percebi que a tensão que me percorria desde o estacionamento do bar se transformara em clareza: eu estava realmente envolvida no jogo. E, talvez, gostando demais dele.
Se recuar agora, — pensei comigo mesma, enquanto observava os gráficos na tela — perderemos não só informações, mas toda a chance de realmente entender a Volkov. E isso não posso permitir.
O pensamento me deu uma espécie de coragem calculada.
Sim, eu teria que me aproximar fisicamente. Sim, seria desconfortável, até perigoso emocionalmente. Mas cada risco tinha sido avaliado. Cada gesto e cada palavra planejados.
Quando finalmente a reunião terminou, e todos começaram a dispersar, fiquei sentada mais um momento, olhando as telas apagando lentamente, sentindo meu próprio corpo ainda quente, lembrando do toque dela, do perfume, da presença.
É tarde demais para recuar. — Murmurei para mim mesma, quase inaudível.
E, no fundo, uma parte de mim sabia que talvez estivesse gostando disso. Talvez gostando de estar tão próxima de alguém tão perigosa e calculista quanto Yelena Volkov.
O telefone de “Danielle” vibrou no meio da tarde. Vi o número na tela e meu coração deu um leve salto, antes de eu me lembrar de tudo que ainda precisava controlar. Respirei fundo, me sentando na mesa do escritório. A voz de Yelena ao atender soou suave, quase casual, mas carregada de um peso que eu não podia ignorar.
(Yelena) — Oi, Danielle… o que está fazendo agora?
Fingi naturalidade, escondendo o frio que subia da base da coluna até o peito.
(Vick) — Trabalho. — A palavra saiu rápida, curta, mas com firmeza. — Estou revisando uns relatórios para o escritório de consultoria financeira.
(Yelena) — Consultoria financeira, é? Interessante… você parece bastante dedicada.
Sorri levemente, mesmo sabendo que ninguém podia ver. Era apenas uma máscara para mim mesma.
(Vick) — Preciso ser, não é? — murmurei, tentando soar casual.
(Yelena) — Verdade. Então… que tal uma pausa no trabalho? Quero te levar para jantar. Um lugar mais discreto.
Meu estômago apertou de imediato. A aproximação direta dela, a naturalidade, a segurança com que fazia o convite, tudo isso era perigoso e excitante ao mesmo tempo.
(Vick) — … Aceito. — Minha voz saiu firme, mas com uma nota quase imperceptível de ansiedade.
(Yelena) — Ótimo. Passo te buscar às 20h. Me passa o endereço do seu apartamento?
Engoli em seco. Essa era a hora de reforçar o disfarce.
(Vick) — Claro. — Digitei rapidamente o endereço falso do apartamento improvisado criado pela equipe. — Estarei pronta.
(Yelena) — Perfeito. Vejo você mais tarde então.
A ligação terminou e eu fiquei um instante olhando para o aparelho, sentindo a adrenalina subir de novo. A noite ainda nem tinha começado e meu corpo já tremia levemente, pelo calor da antecipação, pelo medo de me deixar levar demais, pelo risco de qualquer erro que pudesse comprometer a operação.
Às oito da noite, saí do apartamento falso, vestida de forma discreta, elegante, tentando que cada detalhe do meu corpo, desde o jeito que andava até a maneira como segurava a bolsa, transmitisse naturalidade. O carro de Yelena estava estacionado exatamente em frente ao prédio, e, como previsto, ela já estava lá, encostada no próprio veículo, casual, mas impecável. A luz amarelada do poste iluminava o corte preciso da jaqueta de couro sobre a camiseta justa, o jeans escuro que delineava a silhueta atlética e os ombros largos mas elegantes. Cada gesto irradiava confiança e controle, tornando impossível desviar o olhar.
Ao me aproximar, a equipe já estava posicionada. Ethan e Marcus nos seguindo discretamente na van, enquanto Rick observando e Lena estavam concentrados no monitoramento. Cada olhar deles me lembrava do risco, da necessidade absoluta de manter o controle, de não deixar transparecer nem um centímetro de vulnerabilidade.
(Yelena) — Boa noite, Danielle.
A voz dela era baixa, mas carregava uma leve provocação. Aquele sotaque russo, sutil, ainda com a suavidade de cada vogal alongada, me envolvia de uma maneira perigosa.
(Vick) — Boa noite… Yelena. — Tentei soar casual, mas senti meu coração acelerar.
Ela abriu um sorriso, os olhos verdes fixos nos meus, observando cada gesto, cada respiração.
(Yelena) — Pronta para uma noite sem planilhas e relatórios?
(Vick) — Mais do que pronta. — Minha voz saiu firme, mas sentia o calor subindo pelo pescoço e peito.
Ela abriu a porta do carro para mim.
(Yelena) — Confie em mim, escolhi um lugar que vai te agradar. — Ela disse, mantendo um sorriso que misturava charme e autoridade.
O trajeto até o restaurante foi silencioso em grande parte. Eu mantinha os olhos na estrada, controlando a respiração, enquanto cada pequena curva do carro parecia ecoar na minha pele, lembrando-me do calor do corpo dela. A tensão era palpável, mas controlada, porque sabia que a equipe nos seguia, vigiando cada passo.
Quando chegamos, o restaurante era discreto, elegante, quase oculto entre prédios altos, com uma fachada simples que não chamava atenção. Assim que entramos, a recepção a cumprimentou pelo nome.
Fomos conduzidas a uma mesa isolada, com iluminação baixa. O ambiente era perfeito para a operação: elegante, discreto, quase nenhum risco de sermos interrompidas, e ainda assim intimamente próximo o suficiente para a conversa ser intensa.
Ela puxou a cadeira para mim com um gesto quase imperceptivelmente sedutor. Sentada, observei cada detalhe: a altura imponente de Yelena, a roupa que contornava o corpo de maneira calculada, as tatuagens que apareciam nos braços por baixo da manga da jaqueta. O perfume continuava presente, um lembrete da noite anterior, misturando-se ao aroma do restaurante.
(Yelena) — Então… Danielle, o que realmente faz nesse escritório de consultoria? — Ela perguntou, inclinando-se levemente, o rosto quase tocando o meu, o olhar penetrante.
(Vick) — Consultoria financeira… planejamento estratégico para pequenas empresas. Relatórios, análises, recomendações. Nada emocionante. — Tentei rir levemente, mantendo o tom casual, mas sentindo cada músculo alerta.
Ela arqueou uma sobrancelha, divertida, mas sem perder a intensidade do olhar.
(Yelena) — Nada emocionante? Tenho certeza de que você encontra maneiras de se divertir mesmo com números e planilhas.
Sorri, embora com cautela.
(Vick) — Talvez. Mas essa noite, estou completamente livre de relatórios. — Deixei a frase fluir naturalmente, tentando não trair o nervosismo interno.
Ela riu baixo, um som que pareceu vibrar diretamente no meu peito.
(Yelena) — Bom. Então vamos aproveitar. — O olhar dela percorreu o ambiente, depois voltou aos meus olhos, mantendo aquele leve toque de desafio e sedução.
Pedi um vinho branco, ela escolheu um tinto suave. Quando as bebidas chegaram, nossos copos se encontraram no centro da mesa em um brinde quase silencioso. Cada gesto dela, cada olhar, parecia projetado para testar os limites da minha concentração.
Enquanto conversávamos, eu percebia os toques sutis: o braço dela roçando o meu, a mão apoiada perto da minha no centro da mesa, cada leve inclinação do corpo em direção à minha. Eu tentava racionalizar, lembrar que cada movimento era parte da operação, que cada reação minha era monitorada e que cada palavra poderia ser decisiva.
Os minutos se passaram entre conversas cuidadosas, risadas contidas e toques sutis. O perigo, a excitação e a necessidade de manter a fachada formavam uma tensão quase elétrica no ar. Cada gesto dela parecia calcular, cada olhar medido, mas ainda assim capaz de despertar algo que eu lutava para não sentir.
O jantar ainda estava em andamento quando Yelena inclinou-se levemente, apoiando o braço na mesa e me lançou aquele sorriso leve, provocador.
(Yelena) — Então, Danielle… quer terminar a noite comigo ou prefere ir sozinha?
Minha garganta secou instantaneamente, mas tentei manter a naturalidade. Fingi hesitar, olhei para os talheres, para o vinho, como se estivesse ponderando seriamente a decisão, respirando fundo para manter o controle.
(Vick) — … Não sei… — murmurei, tentando soar incerta, mas ao mesmo tempo firme.
(Yelena) — Pode ser divertido, você sabe — disse ela com aquele tom divertido, quase musical, que conseguia equilibrar charme e provocação. — Posso te levar para um hotel ou qualquer outro lugar discreto por aqui. Nada complicado.
Senti meu corpo reagir imediatamente. O estômago se revirou, a respiração acelerou, e cada célula do meu corpo parecia registrar o perigo e a excitação ao mesmo tempo. Precisava manter o foco, precisava lembrar que era trabalho, mas a imagem dela tão próxima, os olhos fixos nos meus, me deixava vulnerável.
(Vick) — Está bem… podemos… podemos ir. — A voz saiu firme, mas ainda havia um leve tremor que tentei disfarçar com um suspiro.
Ela sorriu, satisfeita, e acenou para o garçom.
(Yelena) — A conta, por favor.
Enquanto ela falava, meu cérebro já calculava os próximos passos. Eu precisava me livrar do ponto antes que qualquer situação se complicasse. Levantei-me discretamente.
(Vick) — Vou ao toalete um instante. — Digo, tentando soar casual.
Enquanto caminhava pelos corredores do restaurante, senti o coração acelerando. Cada passo era medido, cada respiração controlada. Encostei-me a uma parede, tirei o dispositivo do ouvido e cuidadosamente, sem que ninguém percebesse, o joguei no lixo de um corredor lateral. Um arrepio percorreu meu corpo, agora eu estava completamente vulnerável. Nenhum ponto, nenhuma comunicação direta com a equipe. Mas sabia que eles estavam lá fora, na Van, monitorando, prontos para intervir se algo desse errado.
Voltei à mesa como se nada tivesse acontecido. Ela me lançou um olhar curioso, divertido, como se tivesse percebido alguma coisa, mas não disse nada.
(Yelena) — Pronta para ir?
Assenti. Ela se levantou e caminhamos juntas para a saída. Cada passo dela irradiava confiança e presença; a postura reta, os ombros largos, os movimentos precisos, como se cada gesto fosse deliberado e carregado de intenção. Meu estômago estava dividido em duas tensões: o medo de me deixar levar e a excitação inevitável de estar tão perto dela.
O carro de Yelena estava esperando, discreto, mas ainda assim imponente. Assim que entramos, senti novamente o aroma sutil dela, misto de couro, perfume e algo mais que não consegui identificar, mas que me deixava alerta, quase vulnerável. A caminho do hotel, o silêncio era carregado de expectativa. Ela manteve o controle da conversa, falando pouco, apenas o suficiente para criar proximidade sem revelar intenções.
(Yelena) — Espero que goste do lugar. — Ela quebrou o silêncio, desviando os olhos apenas por um instante, mas mantendo o sorriso.
(Vick) — Tenho certeza que sim. — Tentei soar calma, mas o corpo denunciava outra história: cada músculo tenso, a respiração um pouco mais rápida, os dedos entrelaçados nos joelhos, evitando tocar qualquer superfície onde o toque dela pudesse ser sentido.
Chegamos ao hotel. A fachada era elegante, discreta, com iluminação quente que fazia a entrada parecer acolhedora e sofisticada ao mesmo tempo. Assim que nos aproximamos da recepção, notei o reconhecimento imediato: a equipe parecia saber quem ela era. Sem mais de duas palavras, um cartão de quarto foi entregue por uma atendente que mal ergueu os olhos.
Yelena pegou o cartão e, sem hesitar, guiou-me pelos corredores largos, com carpete macio, tapetes discretos e iluminação baixa que transformava cada passo em som abafado. Cada vez que nossos corpos se aproximavam, mesmo sem contato físico, eu sentia uma tensão quase palpável, um frio percorrendo a espinha.
O corredor do hotel parecia se estender infinitamente à medida que Yelena me guiava pelo carpete macio. Cada passo era abafado, mas o ritmo do meu coração ecoava alto na minha cabeça. Eu tentava me concentrar, me convencer de que aquilo ainda era trabalho, que cada reação física, cada calor que percorria meu corpo, não significava nada além de uma fachada que eu precisava manter. Mas a verdade era mais complicada: a presença dela me deixava vulnerável, alerta, ao mesmo tempo que despertava algo que eu jamais havia sentido antes.
Ela parou diante da porta do quarto, encostando o ombro de maneira casual, mas inegavelmente poderosa, e fez um gesto amplo com a mão.
(Yelena) — Entre.
Respirei fundo e cruzei o limiar. O quarto era sofisticado sem ser chamativo, elegante sem exageros. As paredes em tons neutros contrastavam com o brilho suave dos abajures. A cama king-size estava impecável, com lençóis brancos perfeitamente esticados. Perto da janela, uma poltrona de couro escuro esperava silenciosa. Cada detalhe indicava conforto e discrição, mas ao mesmo tempo sugeria uma intimidade perigosa. Meu olhar percorreu o ambiente, absorvendo cada detalhe, tentando memorizar tudo, porque cada espaço podia ser usado como vantagem ou ameaça.
(Yelena) — Quer beber alguma coisa? — Sua voz era baixa, rouca, sedutora. Um simples convite que parecia carregar camadas de significado.
(Vick) — Não, obrigada. — Tentei responder firme, embora meu corpo me traísse com ansiedade. Cada músculo se tensionava, a respiração saía curta, e minha mente lutava para manter o foco. Eu sabia exatamente o que iria acontecer. Precisava daquela confiança, precisava mostrar que podia se deixar levar, mas apenas na medida certa, apenas até o limite que eu pudesse controlar.
Ela se aproximou, cada passo medido, controlado, calculado para testar limites sem pressionar demais. Quando nossos olhos se encontraram, percebi que não havia espaço para recuos: Yelena controlava tudo, e eu precisaria ceder apenas o suficiente para conquistar sua confiança.
(Yelena) — Tudo bem? — murmurou, inclinando-se levemente, o rosto próximo ao meu.
(Vick) — Sim… — murmurei, sentindo a boca seca, o corpo em alerta, o coração martelando.
E então ela me beijou. O primeiro contato foi lento, exploratório, quase paciente, como se estivesse medindo minhas reações. Senti os lábios dela se moldarem aos meus, suaves, firmes, mas ainda deixando espaço para que eu respirasse. O calor do corpo dela contrastava com o frio do quarto, uma sensação de proximidade física que me fez arrepiar do topo da cabeça até a ponta dos pés.
A diferença de altura era evidente: Yelena era mais alta, imponente, e eu menor, vulnerável e ao mesmo tempo ansiosa, tentando equilibrar controle e entrega. As mãos dela deslizaram pelos meus ombros, firmes, empurrando-me com suavidade, mas de forma decidida, em direção à cama. Meu corpo reagiu automaticamente: cada músculo se tensionou, a pulsação acelerou, e uma onda de adrenalina percorreu meu ventre.
Ela começou a tirar a própria jaqueta de couro, revelando a camiseta de manga curta por baixo. Os braços tatuados, firmes e musculosos, destacavam-se sob a iluminação baixa, cada gesto calculado para intensificar a tensão entre nós. O perfume dela se misturava com a fragrância do quarto, um aroma quente e levemente amadeirado que parecia envolver cada centímetro da minha pele.
(Yelena) — Confie em mim... — A voz dela era firme, mas carregada de um tom sedutor, provocador.
(Vick) — Eu… confio. — Disse, embora minha mente estivesse em conflito. Cada palavra era um esforço consciente para manter a postura, para que Yelena acreditasse na minha entrega, sem que eu perdesse o controle da operação.
O beijo se intensificou. Primeiro, lento e calculado; depois, rápido, urgente. Senti a mão dela deslizar pela minha cintura, firme, puxando-me levemente contra ela. Cada toque era carregado de desejo e provocação, mas ainda respeitava os limites que eu precisava impor. O calor do corpo dela se espalhou pelo meu, um contato que enviava ondas de alerta e excitação.
(Yelena) — Você está… incrível assim. — Murmurou entre os beijos, a respiração quente acariciando minha pele.
Meu corpo respondeu sem pensar: um arrepio percorreu minha espinha, o ventre apertou, o coração acelerou. Mas eu precisava manter a racionalidade, precisava lembrar que cada gesto era parte de um jogo, o nosso jogo, perigoso e sedutor.
Ela empurrou-me suavemente para a cama, fazendo com que eu me deitasse. A pressão do corpo dela contra o meu era firme, dominante, mas ainda assim cuidadosa. As mãos deslizaram pelos meus braços, pelos ombros, mantendo o controle absoluto, lembrando-me de que cada passo, cada toque, era medido.
Pensei em tudo, engolindo em seco, sentindo o calor subir pelo pescoço e pelas bochechas. Cada respiração dela contra a minha pele era quase insuportável, mas ainda assim necessária para conquistar a confiança que precisávamos.
O beijo se prolongou. Ela explorava meus lábios com paciência e intensidade, alternando momentos lentos e suaves com pressão rápida e urgente. Cada deslizar de lábios era um teste, cada toque uma provocação, cada suspiro dela ecoava na minha pele, na minha mente, lembrando-me da vulnerabilidade e do perigo.
Os braços dela seguravam-me firmemente, mas sem machucar, guiando-me com precisão, mantendo-me próxima, mas ainda permitindo que eu respirasse e me movesse. Cada gesto, cada pressão, cada roçar de pele enviava uma mistura confusa de medo, desejo e alerta pelo meu corpo.
(Yelena) — Não resista demais… Danielle. — Sussurrou, a voz rouca, baixa, carregada de intenção.
(Vick) — Não… estou… — murmurei, a boca seca, a respiração curta, tentando conciliar desejo e racionalidade.
O quarto parecia encolher ao redor de nós, cada sombra, cada som abafado pelo carpete, cada reflexo da luz indireta do abajur intensificando a proximidade. Cada movimento dela era calculado, provocativo, mas respeitoso. Eu sentia o peso de sua presença, a força do corpo, a intensidade do toque, mas ainda precisava me lembrar que aquilo era trabalho, que cada reação minha seria monitorada, mesmo sem ponto.
Ela deslizou a mão pelo meu braço, encostando suavemente na parte interna, fazendo meus músculos se arrepiarem. O toque era sutil, mas carregado de intimidade, despertando uma consciência aguda do próprio corpo. Cada gesto parecia medir minha entrega, cada beijo avaliava minha reação, cada suspiro testava os limites do controle que eu ainda tentava manter.
(Yelena) — Se entrega pra mim… — murmurou novamente, enquanto seus lábios deslizavam pelo meu pescoço, provocando arrepios, tensão, desejo.
Senti o corpo dela pressionar o meu, dominando cada centímetro de espaço, mas ainda assim com suavidade. Cada gesto dela era dominador e sedutor, calculado para criar uma intimidade intensa, mas controlada. Meu coração disparou, minha respiração acelerou, e cada músculo se tensionou, consciente de que estava à mercê de sua habilidade de seduzir e testar limites.
O beijo se intensificou, agora mais rápido, mais urgente, mas ainda assim carregado de cuidado. Ela explorava cada reação minha, cada centímetro da minha pele, cada suspiro, cada tremor. A diferença de altura, a força do corpo dela, a firmeza das mãos, tudo isso criava um contraste com minha vulnerabilidade, tornando cada segundo uma mistura de perigo e desejo, trabalho e entrega.
Eu sentia a tensão elétrica do quarto, o cheiro dela, o calor do corpo dela, cada toque provocador e calculado. E ao mesmo tempo, precisava me lembrar: era trabalho, era operação.
(Yelena) — Posso? — sussurrou contra minha boca, quase inaudível, mas impossível de ignorar.
(Vick) — Sim… — disse, a voz baixa, rouca, carregada de tensão. Sabia que a confiança dela só seria conquistada se eu me deixasse levar, mas ainda mantendo controle mental suficiente para que nada escapasse da operação.
O quarto, o silêncio, o calor, o perfume, o toque, o corpo contra o meu… tudo se combinava em uma tensão intensa, carregada de desejo contido, provocação e alerta constante. Cada gesto de Yelena, cada beijo, cada toque, cada respiração contra minha pele, era uma mistura de sedução e poder, teste e entrega, perigo e controle.
Fim do capítulo
Olá.
Não estou conseguindo responder os comentários, mas estou lendo todos. Por favor, continuem :)
Espero que se divirtam. Beijos.
Comentar este capítulo:
HelOliveira
Em: 13/02/2026
O jogo está cada vez mais perigoso....Yelena muito esperta sempre no comando, mas Vick pode virar tudo isso...
Esse capítulo foi sedutor e perigo..
Nossa tô super ansiosa pelos próximos capitulo
[Faça o login para poder comentar]
Zanja45
Em: 11/02/2026
Olá,esse capítulo me deixou com mais vontade de querer mais.
Yelena é um perigo ambulante e pode estar colocando toda a família em risco por conta dessa falta de prudência dela Vick vai ser a fratura que ela não procurava, porém que achou. E creio que vai fazer ruir todo controle rígido que ela construiu para se resguardar.
[Faça o login para poder comentar]
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
Zanja45 Em: 13/02/2026
Eu também acredito nisso, porque por mais que Yelena seja quase robótica em controlar as emoções dela. Como mostrado no penúltimo capitulo, após ela ter levado Vick ao rooftop e passado a madrugada praticamente inteira com ela. Nesse capítulo, já vimos ela despindo toda a máscara que ela usou para estar com a agente. - Ela desfez o sorriso bobo e voltou a ser a Yelena de sempre: fria, calculista, que não deixa transparecer o que está passando no íntimo dela. No entanto parece que dessa vez as coisas não acontecerão como ela quer, não conseguira permanecer vestida com a couraça por muito tempo na frente de Vick. Ela está balançada e atraída pelo perigo que é se envolver com a agente.