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Mundos invertidos por Natalia S Silva

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Palavras: 5269
Acessos: 328   |  Postado em: 29/01/2026

Capitulo 2

Victoria 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A porta da van se fecha e por alguns segundos ninguém diz nada. O silêncio ali dentro é denso, quase abafado, como se cada um ainda estivesse tentando processar o que aconteceu lá dentro. Marcus ajeita o tablet sobre o colo, Lena afrouxa o colete tático e se encosta contra o painel com um suspiro. Rick permanece em pé, braços cruzados, encarando o chão como se estivesse montando um quebra-cabeça mental.

 

Eu apoio as costas no banco e apenas tento respirar. Ainda sinto o cheiro dela, o som da voz dela. Não deveria incomodar, mas incomoda.

 

 

(Marcus) — Bem… acho que é seguro dizer que a abordagem com Ethan foi um fracasso monumental. — Marcus é o primeiro a quebrar o silêncio.

 

 

Ele ri e Lena acompanha, uma risada curta e cansada.

 

 

(Ethan) — Ela percebeu tudo. Antes mesmo da metade da conversa Se estivesse realmente interessada quebraria o ritmo, mudaria o assunto. Ali ela só… observou

 

 

Rick levanta o rosto e olha diretamente para mim.

 

 

(Rick) — A questão é… ela observou ele ou… você?

 

 

Silêncio de novo. Eu não respondo. Porque as palavras ainda estão enganchadas na garganta.

 

 

(Marcus) — A parte em que ela atravessa o bar e vai direto na Vic… aquilo não foi impulso. Ela fez isso porque já tinha lido o Ethan inteiro…

 

 

(Lena) — E porque se interessou por ela. Foi bem claro. — Lena cruza os braços.

 

 

Rick observa meus olhos por alguns segundos antes de falar.

 

 

(Rick) — Victoria… preciso que me diga com honestidade. Você quer seguir com isso?

 

 

Por um momento o barulho da rua parece distante. Eu fecho os olhos por um segundo. A cena se repete atrás das pálpebras, o sorriso de canto, o modo como ela se aproximou como se o mundo inteiro fosse um tabuleiro e eu… uma peça que ela resolveu tocar.

 

Não respondo de imediato. O ar dentro da van está pesado e eu sinto o olhar de todos sobre mim.

 

 

(Vick) — Sinceramente… eu não sei. — Meu próprio tom me incomoda, entre cansaço e honestidade.

 

 

Rick descruza os braços.

 

 

(Rick) — Você nunca se envolveu com uma mulher. Não estou pedindo isso. Só quero saber se consegue sustentar essa aproximação sem quebrar…

 

 

Eu seguro a respiração por um instante. Há algo dentro de mim, uma pequena faísca que não sei se é medo ou pura irritação.

 

 

(Vick) — Eu estou disposta a me infiltrar. Sempre estive. Mas eu não estou disposta a… usar algo que não faz parte de quem eu sou. Não vou fingir interesse sexual em alguém só porque isso parece uma brecha.

 

 

Rick assente lentamente. Os outros não dizem nada, só escutam.

 

 

(Rick) — Então pense. Porque a partir daqui o caminho muda completamente. Se você disser sim, passamos a operar em torno de você. Se disser não, recuamos e buscamos outra abordagem.

 

 

Eu passo a mão no rosto, tentando afastar o calor que ainda ficou na pele depois daquele olhar. Não se trata apenas da missão. Há algo na maneira como Yelena olha… como se visse uma coisa que nem eu mesma sei nomear.

 

 

(Vick) — Eu preciso de uma noite pra pensar… — Digo baixinho, quase para mim mesma.

 

 

Rick concorda com a cabeça. Depois respira fundo e finaliza.

 

 

(Rick) — Tudo bem. Amanhã às oito você dá a resposta e seguimos.

 

 

A van volta ao silêncio. Lena fecha os monitores. Marcus guarda o tablet na mochila. Cada um mergulhado em seus próprios pensamentos. Mas eu, encostada no banco, sinto outra coisa, o eco de um sorriso enviesado que ainda pulsa sob a pele.

 

E pela primeira vez desde que entramos nessa operação, eu realmente não sei qual resposta vou dar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nunca gostei de voltar para casa com a cabeça cheia depois de uma operação. Normalmente o corpo pede banho, silêncio e um relatório escrito antes que o cansaço me derrube no sofá. Mas naquela noite não houve banho, não houve relatório. Só o eco daquele sorriso de canto quando ela me olhou antes de sair.

 

Deitei no escuro, as mãos cruzadas no peito, tentando racionalizar tudo. Me perguntei se eu conseguiria manter o controle caso a abordagem evoluísse. Se seria capaz de continuar fria enquanto ela me testava, me reconhecia, me… queria?

 

E pior: me perguntei se, em algum momento, aquilo deixaria de ser disfarce. Se minha pele reagiria da mesma forma que reagiu naquela aproximação curta, naquela frase sussurrada no meu ouvido.

 

Ao mesmo tempo, havia o outro medo, muito mais cruel. E se eu recuasse e, por causa disso, perdêssemos a única chance real de derrubar Viktor Volkov?

 

Acordei antes mesmo do alarme. E às oito da manhã, quando todos estavam reunidos na sede, Rick mal abriu a boca, e eu me adiantei.

 

 

(Vick) — Eu aceito. — digo firme, olhando direto para ele.

 

 

Rick apenas assentiu com o queixo, sem surpresa.

 

 

(Rick) — A partir de agora você passa a ser o centro da operação. Se mudar de ideia, é agora.

 

 

(Vick) — Eu sei o que estou fazendo.

 

 

Marcus e Lena trocaram um olhar discreto. Ethan, sentado mais atrás, apenas esfregava discretamente uma das mãos sobre o rosto, como quem não sabe se ri ou se preocupa.

 

Os dias seguintes foram um mergulho na criação da nova identidade. Redes sociais falsas, histórico digital, círculos sociais conectados ao tipo de locais que os Volkov frequentavam. O nome, Danielle Reese, começou a aparecer em listas de presença, pequenos eventos noturnos e perfis privados.

 

Quando chegou o fim de semana, tudo já estava pronto.

 

Era sábado, 22h17, quando entrei novamente no mesmo bar. Vestido preto simples, cabelo solto, bebida na mão. O ponto no meu ouvido estava mudo, mas eu sabia que todos ali, na van, nos monitores, nas telas, me observavam.

 

A noite se arrastou. Duas abordagens inúteis, um convite para dançar que recusei com um sorriso. A cada minuto que passava, meu corpo ficava mais tenso. Eu fingia estar relaxada, mas por dentro contava os segundos.

 

E então, às 01h06, ela entrou.

 

Yelena. Sozinha.

 

Foi até o balcão, pediu um uísque, rodou o copo nos dedos… e começou a olhar o ambiente. Quando nossos olhos se encontraram, ela não hesitou um segundo.

 

Veio direto.

 

Yelena parou na minha frente com um sorriso que parecia saber exatamente o que estava fazendo.

 

 

(Yelena) — Então… Danielle, não é?

 

 

Segurei o copo com firmeza para evitar qualquer tremor e respondi sem desviar os olhos:

 

 

(Vick) — Depende… você costuma falar com muitas Danielles?

 

 

Ela riu com aquele som baixo e preguiçoso, como se a noite estivesse começando só ali.

 

 

(Yelena) — Só com as que me olham como se ainda estivessem decidindo se vale a pena me deixar chegar mais perto.

 

 

Um arrepio subiu pela minha coluna. Mantenho um leve sorriso e dou um gole na bebida antes de responder:

 

 

(Vick) — Talvez eu ainda esteja decidindo.

 

 

Ela inclina a cabeça devagar, olhos presos nos meus, como se me atravessasse por dentro.

 

 

(Yelena) — E se eu facilitar a decisão?

 

 

Dá um passo mais perto, tão perto que posso sentir o perfume dela misturar com o álcool leve no meu copo.

 

 

(Yelena) — Hoje você parece mais… receptiva. — Ou talvez eu é que esteja com sorte.

 

 

Solto uma risada curta (porque o coração está disparado, mas não posso deixar transparecer).

 

 

(Vick) — Talvez um pouco dos dois.

 

 

Ela sustenta o olhar ainda mais alguns segundos. E então o sorriso muda, fica mais afiado, mais seguro.

 

 

(Yelena) — Ótimo… porque dessa vez eu realmente estou interessada.

 

 

Ela não se apressa depois de dizer isso. Permanece ali, parada na minha frente, como se quisesse me dar tempo para assimilar cada palavra. O sorriso nos lábios é pequeno, não é um convite aberto, é um teste silencioso.

 

Ela inclina o rosto de leve, e nesse movimento a luz do bar toca a pele clara do pescoço, deixando visível o início de um traço preto, a ponta de uma tatuagem que desce por baixo da gola da jaqueta.

 

Os olhos dela não desviam. São de um verde intenso, atravessados por uma frieza calculada… e um interesse que se esconde atrás daquela frieza.

Quando ela me olha assim, tenho a nítida sensação de que o bar inteiro desaparece, como se fosse só nós duas ali.

 

A voz vem de novo, baixa, com aquele sotaque russo quase imperceptível, que arrasta um pouco as consoantes e deixa cada palavra mais lenta:

 

 

(Yelena) — Posso me sentar… Danielle?

 

 

(Vick) — Claro. — respondo, o mais naturalmente que consigo, mesmo sentindo o coração bater forte demais no peito.

 

 

Ela se senta ao meu lado. Não invade meu espaço, mas está perto o suficiente para que eu consiga sentir o calor do corpo dela passando pela manga da jaqueta de couro. A jaqueta é preta, simples, mas ajustada demais no corpo para esconder a silhueta. A camiseta por baixo é cinza, colada ao peito, e quando ela apoia os braços no balcão posso ver parte das tatuagens subindo pelo antebraço: linhas negras, animais estilizados, símbolos que não sei decifrar. Tudo muito escuro. Muito calculado.

 

 

(Yelena) — Você vem sempre aqui sozinha? — pergunta, girando o copo devagar. O jeito que ela segura o drink é curioso… como se fosse mais uma extensão da mão do que um objeto.

 

 

(Vick) — Quando quero ficar longe de certas companhias… sim.

 

 

Ela volta os olhos para mim e o sorriso se abre um pouco mais.

 

 

(Yelena) — E hoje… quer ficar longe de mim também?

 

 

Por um instante, hesito. Ela percebe isso, claro que percebe. Yelena parece enxergar a hesitação antes mesmo de ela acontecer.

 

 

(Vick) — Ainda estou tentando entender se você é o tipo de companhia que vale a pena evitar — digo, num tom leve, quase brincando.

 

 

Ela passa a língua discretamente pelo lábio inferior, como se saboreasse a frase, e então se inclina um pouco mais, aproximando o rosto do meu ouvido:

 

 

(Yelena) — Só existe uma maneira de descobrir.

 

 

A voz dela, de perto, tem um peso surpreendentemente suave. O sotaque fica mais marcado quando ela sussurra, e isso faz meu estômago contrair de forma involuntária.

 

Ela volta a se afastar, só o suficiente para que nossos olhos se encontrem de novo. Os verdes e os azuis se cruzam por um instante que parece mais longo do que deveria.

 

Yelena não tem pressa. Só fica ali, estudando a minha reação, a respiração lenta, o jeito como meus dedos seguram o copo com mais força do que deveriam. E eu percebo que, naquele exato momento, ela está me lendo inteira, procurando qualquer sinal de mentira.

 

Eu respiro fundo e deixo o corpo relaxar um pouco mais contra o encosto do banco.

 

 

(Vick) — Então… me mostre.

 

 

Ela ergue apenas um canto da boca, um sorriso que é quase uma provocação.

 

 

(Yelena) — Primeiro… — diz, apoiando um pouco a perna direita contra a minha e aproximando o rosto novamente — quero saber o que você está procurando aqui.

 

 

Eu engulo em seco, mas não desvio o olhar.

 

 

(Vick) — Talvez o mesmo que você.

 

 

Ela vira levemente o rosto de lado, estreitando os olhos, como se estivesse decifrando a resposta, frase por frase.

 

 

(Yelena) — E o que você acha que eu estou procurando?

 

 

O coração bate mais forte, mas minha voz sai firme, baixa:

 

 

(Vick) — Alguém que não minta.

 

 

Por um instante, ela para. Literalmente. Nem respira.

E então… o sorriso retorna, dessa vez mais quente, mais visível, e os olhos verdes brilham de um jeito diferente.

 

 

(Yelena) — Finalmente… — murmura — …uma resposta honesta.

 

 

Ela volta a levar o copo à boca, mas os olhos continuam presos nos meus por cima da borda de vidro.

 

O olhar de Yelena permaneceu fixo em mim por mais alguns segundos, aquele verde penetrante que parecia enxergar cada hesitação, cada cálculo que eu tentava esconder. O bar ao redor desapareceu, reduzido a sons indistintos de música e murmúrios que não importavam. Meu corpo reagia por si só, cada fibra alerta, cada respiração medida, tentando manter o controle enquanto eu me perdia no simples ato de observá-la.

 

 

(Vick) — Talvez… devêssemos continuar em outro lugar? — murmuro, tentando transformar minha hesitação em casualidade, mas sentindo o calor subir ao rosto.

 

 

Yelena sorriu, lento, como se soubesse que eu estava vulnerável, mesmo sem admitir.

 

 

(Yelena) — Sim… podemos continuar a noite em outro lugar. — A voz baixa e arrastada, com aquele leve sotaque russo, percorreu minha espinha.

 

 

A van do FBI estava em alerta total. Pelo ponto, podia ouvir Lena sussurrando instruções discretas:

 

 

(Lena) — Cuidado, Vick. Ela está levando você para outro local… mantenha a calma, não demonstre nervosismo.

 

 

(Rick) — Olhos abertos, respiração controlada. Qualquer sinal estranho, sinalize.

 

 

(Marcus) — Lembre-se: observação constante. Ela ainda não sabe quem você realmente é.

 

 

Eu acenei levemente, mas ninguém podia ver. O coração acelerado batia em descompasso com o ritmo da música que ainda pulsava do bar. Ethan estava oculto na van, pronto para intervir, caso algo saísse do planejado.

 

Yelena inclinou o corpo em minha direção, apenas o suficiente para que eu percebesse o perfume discreto que misturava algo amadeirado e um toque de cítrico.

 

 

(Yelena) — Você parece… nervosa. — disse, o canto dos lábios curvado num sorriso provocativo.

 

 

(Vick) — Não é nada… apenas não estou acostumada com esse tipo de… aproximação. — confessei, sentindo o calor subir de forma quase impossível de conter.

 

 

Ela riu, um som baixo, arrastado, que me fez querer engolir a saliva antes de falar.

 

 

(Yelena) — Eu percebo. — E então sua expressão suavizou, os olhos reluzindo com curiosidade. — Nunca esteve com outra mulher, não é?

 

 

A minha garganta secou.

 

 

(Vick) — Não. — admiti, baixinho, quase um sussurro, encarando o balcão como se as palavras fossem visíveis no ar. — Nunca.

 

 

Ela riu de forma genuína, curta e divertida, sem deboches, mas com aquele tipo de intensidade que te prende.

 

 

(Yelena) — Tudo bem… então podemos só beber. — O sorriso voltou, um pouco mais largo, menos calculado, quase convidativo. — Não precisamos apressar nada.

 

 

O clima mudou instantaneamente. Era uma permissão silenciosa: nada além de nós ali, explorando a noite, um passo de cada vez.

 

 

(Yelena) — Eu conheço um lugar. — disse, afastando-se do balcão e esperando que eu a seguisse. — Tranquilo. Não é minha casa, mas é privado.

 

 

Meus pensamentos giraram em alerta: a equipe estava atenta, mas não havia protestos. A decisão era minha.

 

 

(Vick) — Certo… vamos. — respondi, tentando soar casual, mas sentindo o coração disparar.

 

 

Ela me guiou pelas ruas silenciosas, a cidade iluminada por postes amarelados e vitrines refletindo as luzes tênues. Cada passo dela era seguro, firme, como se controlasse não só o espaço físico, mas a tensão entre nós. A jaqueta preta balançava levemente com os movimentos, revelando trechos de tatuagens nos braços. Eu absorvia cada detalhe: a forma como os ombros se moviam, a leve inclinação da cabeça, a curva da mandíbula sob a luz da rua. Cada fragmento dela parecia planejado para prender a atenção.

 

Chegamos a um prédio antigo, com uma porta discreta. Ela tocou um código no teclado, a fechadura elétrica liberou um clique seco, e subimos pelo elevador quase silencioso. O destino era um rooftop privado, com vista da cidade, iluminada apenas por algumas lanternas e a luz tênue dos postes distantes. Um vento leve fazia os fios do cabelo dela dançarem suavemente.

 

 

(Vick) — É… impressionante. — murmurei, tentando soar neutra, mas a vista me deixou sem fôlego.

 

 

(Yelena) — É meu lugar favorito para pensar… ou para conversar. — disse, aproximando-se de mim com uma bebida na mão. A jaqueta preta agora revelava mais detalhes das tatuagens, um jogo de linhas e sombras que pareciam contar histórias que eu não podia decifrar. — Sem ninguém para atrapalhar.

 

 

(Vick) — Então estamos apenas… bebendo. — digo, tentando manter o controle.

 

 

Ela inclinou a cabeça e olhou para mim, aquele sorriso provocativo de canto, com os olhos verdes refletindo a luz das lanternas.

 

 

(Yelena) — Por enquanto… só isso. Mas posso garantir que não vai ser entediante.

 

 

Nos sentamos na beira do rooftop, as pernas balançando levemente sobre o vazio do lado de fora. Ela cruzou os braços de forma casual, mas a postura ainda carregava segurança e domínio. A voz dela continuava baixa, arrastando as palavras de forma que fazia meu peito apertar.

 

 

(Yelena) — Danielle… — murmurou, aproximando-se um pouco mais, até que nossos ombros se tocaram. — Nunca conheci alguém que segurasse tão bem a própria ansiedade. É intrigante.

 

 

(Vick) — E você… parece se divertir observando cada reação minha. — respondi, consciente de que minha respiração tinha mudado, que meu corpo reagia a cada gesto dela.

 

 

Ela se inclinou mais perto, apenas o suficiente para que o cabelo negro roçasse o meu ombro.

 

 

(Yelena) — Eu gosto de saber… que posso provocar algo. — O sorriso nos lábios era pequeno, mas carregado de intenções, e a intensidade do olhar me deixou tonta.

 

 

(Vick) — Isso… me assusta e me fascina ao mesmo tempo. — murmurei, sentindo a pele formigar por causa da proximidade.

 

 

Ela deu um riso curto, quase um sussurro, e recuou apenas o suficiente para me deixar espaço, mas não o bastante para quebrar a tensão elétrica entre nós.

 

 

(Yelena) — Então, Danielle… quer experimentar algo novo hoje à noite? — A voz baixa, arrastada, o leve sotaque russo, tudo contribuía para que meu corpo e mente se confundissem entre cautela e desejo.

 

 

(Vick) — Eu… não sei… nunca estive com outra mulher. — admiti, com um fio de voz, consciente de cada batida acelerada do coração.

 

 

Ela riu, um som profundo, gostoso, sem malícia, apenas sincero.

 

 

(Yelena) — Tudo bem. — disse com um sorriso compreensivo, ainda provocativo. — Não precisamos apressar nada. Podemos apenas aproveitar a noite.

 

 

O vento no rooftop balançava suavemente o cabelo dela, e a vista da cidade se expandia diante de nós. O silêncio confortável se estabeleceu por um instante, mas a tensão elétrica continuava. Cada olhar, cada gesto, cada respiração parecia carregado de intenção.

 

Então, lentamente, Yelena aproximou o rosto do meu, os olhos fixos nos meus, e sussurrou quase sem tocar:

 

 

(Yelena) — Você confia em mim?

 

 

Eu engoli em seco, e meu corpo respondeu antes da mente.

 

 

(Vick) — Confio… — sussurrei, e senti meu próprio tremor de ansiedade e excitação.

 

 

Ela sorriu mais uma vez, dessa vez com os lábios próximos dos meus, e tocou levemente meu queixo, guiando meu rosto para o dela.

Os olhos verdes encontraram os meus, profundos, atentos, decididos.

E então, sem pressa, como se o mundo inteiro tivesse parado, nossos lábios se tocaram.

 

O beijo não era apenas físico. Era um choque de tensões, de controle e rendição, de curiosidade e desejo.

O mundo lá embaixo continuava a pulsar, mas para mim, naquele rooftop, só existia ela, e a sensação de que, pela primeira vez, eu realmente estava deixando algo me dominar.

 

 

O contato dos lábios de Yelena com os meus foi, de imediato, ao mesmo tempo inesperado e inevitável. Um choque que percorreu cada centímetro do meu corpo, arrepiando a pele e acelerando o coração de um jeito que eu não podia racionalizar. Minha mente gritou alerta: cada célula dizia “isso é perigoso, você não pode ceder” e ainda assim, minha respiração se misturava à dela, profunda, ritmada, quase hipnótica.

 

O toque era leve, calculado, respeitoso. Yelena não avançava além do que eu deixava, mas cada gesto carregava uma intenção clara, um convite silencioso à rendição. A forma como sua mão tocou meu queixo, guiando meu rosto para ela, fez minhas pernas tremerem sem que eu percebesse. O simples contato da pele dela na minha parecia eletricidade pura, e minha respiração se tornou curta, tensa, mas ao mesmo tempo estranhamente prazerosa.

 

 

(Yelena) — Shh… — murmurou, tão perto que podia sentir a vibração de suas palavras nos meus lábios.

 

 

A sensação de estar tão perto, o calor do corpo dela colado ao meu, o cheiro de perfume amadeirado misturado ao toque suave de sua jaqueta… tudo isso me deixava em alerta constante. Sabia que a operação estava em jogo. Sabia que cada mínima hesitação podia ser interpretada como fraqueza. E, no entanto, não conseguia afastar-me. Cada toque era uma provocação silenciosa: ela testava limites, avaliava minha reação, mas respeitava meu ritmo.

 

Meus dedos tremeram quando passei a mão levemente pelo antebraço dela, sentindo a tatuagem sob a pele e o calor vibrante que se escondia sob a superfície. Yelena sorriu contra meus lábios, quase imperceptível, como se tivesse percebido meu toque e estivesse satisfeita com a ousadia contida.

 

O beijo se intensificou, mas ainda assim havia aquela distância segura, um respeito que eu não podia deixar de admirar. Cada movimento seu parecia calculado: provocativo, sedutor, mas nunca forçado. O toque das mãos, a pressão suave contra o meu corpo, o encostar da testa na minha por segundos entre beijos, tudo formava um jogo de provocações que me deixava ao mesmo tempo assustada e fascinada.

 

Meu coração batia descompassado, e por um instante, temi que meus sentidos me traíssem, que minha reação fosse dar pistas sobre quem eu realmente era. Mas Yelena… Yelena parecia sentir, compreender, e conduzir o momento com uma tensão respeitosa. Cada gesto seu me dizia: “você escolhe até onde quer ir. Eu apenas observo, aguardo, incentivo.”

 

O contato da mão dela deslizando pelo meu ombro, levemente, e depois retornando ao meu cabelo, quase como se estivesse medindo minha tolerância, me fez estremecer. O corpo todo se tornou alerta e consciente de cada centímetro que nos separava ou nos unia. O beijo em si era intenso, mas não selvagem. Era um teste, uma dança de controle e rendição, de provocação e respeito.

 

 

(Yelena) — Respire… — murmurou entre os lábios, a voz quase um sussurro, me puxando mais para perto, mas sem esmagar meu espaço. — Apenas sinta.

 

 

O calor de sua mão no meu queixo, no meu braço, o toque suave nos meus ombros… tudo parecia medir minha coragem, minha vontade, sem nunca ultrapassar o que eu podia controlar. Cada segundo, cada pequeno movimento, me deixava em alerta, mas ao mesmo tempo fascinada. Era sedução, sim, mas mais ainda era um reconhecimento da minha própria capacidade de decidir até onde ir.

 

E enquanto nossos lábios permaneciam conectados, eu sentia o conflito interno: a excitação intensa, a consciência de que ceder poderia complicar a operação, e o desejo absoluto de simplesmente me entregar àquele momento. Cada toque era um enigma, cada suspiro um convite, e eu me peguei incapaz de romper o fio invisível que nos unia, mesmo sabendo que deveria.

 

Quando finalmente nos afastamos, apenas um pouco, pude sentir a respiração dela misturada à minha. O sorriso que ela me lançou foi quase silencioso, respeitoso, cheio de promessa, como se dissesse que não se tratava de pressa, mas de intensidade. A tensão elétrica permanecia no ar, e eu sabia que aquela noite tinha apenas começado. Mas, pela primeira vez, não me sentia apenas observadora da missão, me sentia parte de algo perigoso e irresistível.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O céu começava a clarear, tingindo a cidade com um azul cinzento que ainda não tinha força para iluminar ruas e prédios, devia ser mais de quatro da manhã. A noite havia se estendido além do que eu imaginara, e meus músculos ainda estavam tensos, com a respiração acelerada, como se cada beijo, cada toque, tivesse deixado uma marca invisível por todo o corpo.

 

Yelena permanecia ao meu lado por alguns momentos, o olhar fixo, intenso. Seu sorriso era mínimo, mas carregava toda a força daquela mulher que parecia controlar cada espaço, cada segundo. E então veio a pergunta, direta, porém carregada de curiosidade e provocação.

 

 

(Yelena) — Você quer que eu te leve até em casa?

 

 

Eu engoli em seco, o calor subindo às bochechas. Me deparar com aquele sorriso e a segurança dela, depois de horas de tensão, me deixava vulnerável, mas também fascinada.

 

 

(Vick) — Meu carro… está no bar onde nos encontramos. — murmurei, tentando manter a voz firme, mas sentindo o constrangimento apertar o peito.

 

 

(Yelena) — Então eu te acompanho até lá. — O sorriso dela alargou levemente, olhos verdes brilhando com um toque de diversão. — Me dá seu telefone? Posso te ligar se quiser.

 

 

Entreguei o aparelho com uma naturalidade estudada, embora cada fibra do meu corpo estivesse alerta, cada pensamento um turbilhão de sensações conflitantes. Eu precisava parecer firme, segura, apesar do coração ainda martelar.

 

 

(Vick) — Pode ligar, sim. — disse, tentando neutralizar a voz que tremia por dentro. — Só… sem drama, certo?

 

 

Yelena me acompanhou de volta em silêncio até o bar, até onde meu carro estava estacionado.

Ela riu levemente, um som baixo que parecia apenas para mim, e depois se inclinou para arrumar uma mecha rebelde do meu cabelo que caíra sobre o meu rosto. O toque foi leve, mas elétrico, e seus dedos demoraram o suficiente para deixar meu corpo em alerta.

 

 

(Yelena) — Boa noite, Danielle. — disse, ainda com aquele sorriso, suave, provocativo, deixando a sensação de que cada palavra e cada gesto tinham uma intenção cuidadosamente calculada.

 

 

Entrei no carro, ainda tremendo levemente, e fechei a porta com cuidado. Sentei-me no banco, as mãos sobre o volante, respirando fundo, tentando assimilar cada momento da noite. A cidade ainda parecia sonolenta, vazia, mas meus sentidos continuavam despertos. Cada memória de Yelena, cada olhar, cada toque, permanecia gravado, pulsando no meu peito.

 

Liguei o carro e saí, mantendo a calma exterior, mas a mente girando em turbilhão. A sensação era estranha: um misto de euforia e medo, desejo e cautela, prazer e alerta. Alguns quarteirões depois, parei o carro, ainda tremendo. O coração ainda acelerado, e as mãos que seguravam o volante se soltaram apenas para tocar levemente o próprio rosto, tentando acalmar a respiração.

 

A van da equipe estava estacionada logo atrás, silenciosa, mas sólida. Saí do carro, caminhando lentamente, ainda sentindo o eco dos toques dela na minha pele. Abri a porta da van e me joguei sobre o banco com um misto de timidez e alívio, todos tinham ouvido os detalhes do que acontecera. O ar estava carregado, pesado, e eu sentia cada olhar sobre mim.

 

Ethan e Marcus riram discretamente, mas não maliciosamente; parecia mais uma forma de aliviar a tensão que todos sentimos ao perceber a intensidade do momento.

 

 

(Lena) — Muito bem, Danielle. — disse com um sorriso, elogiosa, mas não invasiva. — Você se saiu melhor do que eu esperava. Mantendo a postura o tempo todo.

 

 

Rick permaneceu mais contido, observando atentamente cada gesto meu. O olhar dele era firme, avaliando a situação, mas não havia julgamento, apenas foco na operação.

 

 

(Rick) — Quer continuar? — perguntou com calma, cada palavra medida. — Até onde quer levar essa… infiltração.

 

 

Eu respirei fundo, sentindo as mãos ainda um pouco trêmulas. O calor do rooftop, a proximidade de Yelena, os beijos e toques sutis… tudo isso ainda vibrava no meu corpo, misturando-se à adrenalina da missão.

 

 

(Vick) — Sim… — respondi, baixinho, quase para mim mesma, mas também para eles. — Quero continuar.

 

 

O silêncio que se seguiu foi confortável. Cada membro da equipe sabia que estávamos lidando com algo delicado, não apenas com a operação, mas com o meu próprio equilíbrio emocional.

 

Eu me recostei, ainda sentindo a mão de Yelena arrumando meu cabelo, o leve toque do corpo dela ao se aproximar. Cada detalhe da noite parecia gravado em minha mente: o calor, o perfume, os olhares, o jeito como ela me fazia sentir cada toque como se fosse uma descoberta, mas também um teste.

 

O coração ainda batia rápido, mas a mente começava a clarear. Eu sabia que precisava separar os sentimentos da missão e, ao mesmo tempo, não podia negar a intensidade do que sentira. A operação era prioridade, mas Yelena havia deixado uma marca impossível de ignorar.

 

Lena sorriu de novo, observando meu estado, sem precisar de palavras. Marcus e Ethan trocaram olhares cúmplices, divertidos, mas com respeito. Rick apenas assentiu, contido, confirmando que eu poderia continuar, mas que cada passo precisava ser calculado.

 

E enquanto me recostava, ainda ofegante, percebi que aquela noite não seria esquecida tão cedo. Yelena havia deixado algo que não podia ser apagado: o toque, o olhar, a provocação respeitosa, o beijo. Cada sensação estava gravada, pulsando no peito, lembrando-me do quanto aquela infiltração seria diferente de qualquer outra.

 

Sabia, naquele momento, que a missão ganhava um novo nível de desafio: manter o controle, manter a postura, e ainda assim lidar com tudo que Yelena havia despertado em mim. E, mesmo com o medo, a excitação, e a vulnerabilidade, eu sabia que precisava seguir, pelo caso, pela equipe, e por mim mesma.

 

O carro lá fora, a cidade silenciosa, o amanhecer tímido: tudo parecia conspirar para que eu respirasse fundo, assimilasse a intensidade da noite e me preparasse para continuar. A missão não terminava ali, mas a memória de Yelena, dela me observando, sorrindo e me tocando com delicadeza, seria minha âncora e minha distração ao mesmo tempo.

 

O frio do início da manhã entrou pela janela do carro enquanto eu saía, mas o calor dentro de mim ainda queimava, lembrando-me que aquela noite havia sido mais do que apenas uma infiltração. Havia sido um teste, um jogo, uma promessa silenciosa. E, por mais que minha mente repetisse “controle, foco, missão”, meu corpo ainda tremia com cada detalhe, cada toque, cada beijo que a distância da van não conseguia apagar.

 

 

 

 

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Capítulo novinho. Espero que se divirtam

Beijos


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Comentários para 2 - Capitulo 2:
Zanja45
Zanja45

Em: 11/02/2026

Oi, Nathalia!

Na expectativa do próximo Capítulo. Qual é a previsão de sair? Quero saber como serão os próximos encontros de Yelena com Vick.

ABCS!

P.S . VOCÊ TEM CULPA NO CARTÓRIO, VIU?POR ISSO ESTÁ SENDO COBRADA. QUEM MANDA ESCREVER UM PERSONAGEM TÃO PSICOLÓGICO E ATRAENTE COMO YELENA. RSRSRS! O JEITO É FICAR ATRÁS DA AUTORA.

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HelOliveira
HelOliveira

Em: 30/01/2026

Essa já está mais perigosa do que devia, Yelena já deixou sua marca na Vick....


Zanja45

Zanja45 Em: 31/01/2026
Yelena tem algo que instiga Vick a querer conhecê - lá. - Ela percebeu que Yelena consegue enxerga lá além das aparências E ela consegue ver coisas, pois aprendeu a sobreviver diante de um pai bem autoritário e cruel. Por isso ela consegue antecipar certas coisas.


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Zanja45
Zanja45

Em: 29/01/2026

Esse disfarce promete levar Vick aos extremos. Porque ela já está na de Yelena.j

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