Capitulo 26
Capítulo 26
"Às vezes, o passado não apenas nos persegue - ele nos prende." - Pensamento extraído de um ensaio contemporâneo sobre o peso das lembranças.
Alice segurava Carol com força, tentando acalmá-la, mas o choro da amiga parecia não ter fim. O silêncio parecia gritar dentro do apartamento, quebrado apenas pelos soluços de Carol.
- Respira, Carol... respira. - Dizia Alice, desesperada. - Você precisa me contar tudo.
Carol levantou o rosto, os olhos vermelhos, a voz trêmula.
- Eu não consigo acreditar... Diana... ela é filha dele.
Alice ficou em choque, tentando processar.
- Você tem certeza?
Carol assentiu, engolindo seco.
- A cicatriz... eu reconheci. Eu estava lá, Alice. Eu vi.
- Que? Cicatriz? Carol do que você está falando?
- Só me abraça Alice, como isso vai a frente? Me diz como?
Enquanto isso, do lado de fora, a noite seguia indiferente. Diana estava no carro parado ainda em frente ao prédio, o coração apertado, sem saber se havia perdido Carol para sempre, as lágrimas corriam soltas.
- Eu a perdi...
Alice segurava Carol com força, tentando conter o choro da amiga. O coração dela também disparava, não apenas pela dor de Carol, mas pelo impacto da revelação.
- Carol... - disse, ainda incrédula. - Você tem noção do que isso significa? Você tem certeza disso?
Carol balançou a cabeça, as lágrimas escorrendo sem controle.
- Eu não sei como vou olhar para ela de novo. Eu senti... eu senti algo tão forte, Alice. E agora...
Alice respirou fundo, tentando manter a calma.
- Você precisa pensar com clareza.
- Alice, o que pode ser mais claro do que isso?
- Carol, a Diana não é o pai dela. Isso é injusto, não podemos culpá-la por algo que ela não fez.
- Não é sobre ela, é sobre tudo, o que aquele homem fez comigo! O meu avô... Como? ME DIZ COMO? - Carol gritou chorando.
Alice olhava para a amiga sem saber o que dizer. Carol a olhou, os olhos vermelhos, cheios de dor.
- Ela carrega o sangue dele. Como eu vou separar isso?
Alice apertou ainda mais o abraço, como se quisesse proteger Carol do mundo.
- Você vai separar pelo que sente. Pelo que ela mostrou até agora.
Carol fechou os olhos, respirando fundo, mas o peso da revelação ainda a esmagava.
- Não é justo punir alguém pelos pecados do pai.
- Eu não sei se consigo, Alice. Eu não sei...
Alice segurou o rosto da amiga com firmeza.
- Então deixa o tempo te mostrar. Não toma nenhuma decisão agora, não afasta Diana sem pensar. Você precisa entender quem ela é de verdade, não apenas quem o pai dela foi. Vocês precisam conversar.
Carol se deixou cair no sofá, exausta, enquanto Alice permanecia ao lado, firme. O silêncio que se seguiu não era apenas de dor, mas de reflexão.
Diana permanecia dentro do carro, ainda estacionado em frente ao prédio. As mãos tremiam no volante, mas ela não tinha forças para ligar o motor. As lágrimas escorriam sem controle, borrando a visão da cidade iluminada.
Cada lembrança da noite vinha como uma faca: o sorriso de Carol, o calor dos beijos, o olhar fixo na cicatriz. E depois... o afastamento.
Diana encostou a cabeça no banco, fechou os olhos e respirou fundo, tentando conter o desespero.
- Ela nunca vai me ouvir. E o que eu falaria? Olha vim destruir o teu avô? Mas, me apaixonei por você...
Do lado de fora, a noite seguia indiferente. Pessoas passavam pela calçada, carros cruzavam a avenida, mas para Diana o mundo havia parado.
- Eu não posso perder você... - sussurrou, como se Carol pudesse ouvir.
Ela finalmente ligou o motor, mas não saiu de imediato. Ficou ali, imóvel, como se esperasse que Carol aparecesse de repente, descendo as escadas, chamando por ela. Mas nada aconteceu.
Com um suspiro pesado, Diana engatou a marcha e deixou o prédio para trás. O reflexo no retrovisor mostrava apenas luzes distantes, como se a cidade apagasse qualquer rastro do que havia acontecido.
- Você precisa descansar, Carol. - Disse, acariciando seus cabelos.
Carol fechou os olhos, mas o coração não permitia paz.
- Como descansar, Alice? Como dormir sabendo que me apaixonei pela filha do homem que destruiu minha vida? Matou o meu pai?
Alice não conseguiu dizer mais nada. Puxou a amiga do sofá e a levou para o quarto, fez com que ela se deitasse na cama.
- Onde você vai? - Carol perguntou.
- Pegar meu celular que está na sala, volto logo.
Ao chegar na sala, pegou o celular e mordeu os lábios, fez uma careta, olhou para o quarto onde estava a amiga.
- Desculpa Carol....
Alice abriu o Instagram e mandou uma mensagem para Liz, esperava que a outra estivesse acordada.
"Oi, veja se sua amiga está bem, o jantar não foi dos melhores. Acredito que ela vá precisa de você".
Liz estava quase adormecendo quando o celular vibrou. Ao ver a mensagem de Alice, franziu o cenho. Imediatamente, ela se levantou.
- Diana... - murmurou, já imaginando que algo grave havia acontecido. Olhou e não havia sinal do carro da amiga.
Resolveu mandar mensagem para Alice: "Pode me falar o que aconteceu? A Di não chegou aqui ainda".
Ficou olhando para o celular a espera de alguma resposta. Já havia ligado para o celular de Diana e não teve resposta.
- Mais que merd*! Responde Alice! Por que não responde? E porque a Diana não atende o celular?
"Acredito que você saiba sobre quem sua amiga é.".
- Eita porr*!
Quase 20 minutos depois, ouviu o som do carro entrando na garagem da fazenda. Correu até a porta e viu a amiga atravessar o pátio com passos pesados.
Diana chegou em casa em silêncio. Subiu direto para o quarto. Jogou a bolsa sobre a cadeira, tirou os sapatos e se deixou cair na cama sem forças. O quarto parecia sufocante, cada sombra mais pesada que a anterior.
- O que eu faço agora? - Murmurou, encarando o teto.
Liz esperou alguns minutos e foi até o quarto de Diana, bateu e entrou rapidamente.
- Di! - Chamou, preocupada.
- Ei... o que aconteceu? - Perguntou Liz, sentando-se ao lado dela.
Diana respirou fundo, mas a voz saiu trêmula:
- Eu a perdi, Liz. Eu não sei como... mas eu a perdi.
Liz segurou sua mão com firmeza.
- Você não perdeu nada ainda. Me conta o que houve.
Diana fechou os olhos, tentando conter o choro.
- Ela descobriu... descobriu quem eu sou.
Liz ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo o peso da frase. Depois, apertou ainda mais a mão da amiga.
Diana, virou-se de um lado para o outro, mas o sono não vinha. A cada vez que fechava os olhos, via o rosto de Carol, ora sorrindo, ora chorando. O beijo ainda queimava nos lábios, mas a lembrança da cicatriz e do olhar dela pesava como uma sentença. Liz deitada ao lado da amiga, sentia toda a angustia, mas, não podia fazer nada, apenas abraçou Diana que começou a chorar copiosamente.
Do outro lado da cidade, Carol também não estava melhor. Deitada ao lado de Alice, os olhos vermelhos e a respiração entrecortada, ela revivia cada instante da noite. O carinho, o desejo, a revelação. E, por fim, a dor.
Alice, tentava oferecer conforto, mas sabia que não havia palavras capazes de apagar o peso do que estava acontecendo e principalmente do que estava por vir.
Nenhuma das duas dormiu. A noite não trouxe descanso, apenas a promessa de feridas ainda mais profundas ao amanhecer.
O sol nasceu tímido, mas para Diana parecia não ter força suficiente para iluminar nada. Sentada na varanda do quarto, o olhar perdido no horizonte, ela mexia distraída no celular. A noite mal dormida deixara marcas profundas: os olhos inchados, a mente dispersa, o coração em pedaços.
Liz se aproximou devagar, observando a amiga.
- Di...
Diana suspirou, sem coragem de encarar.
- Eu não sei o que fazer, Liz. Eu queria contar pra Carol... eu queria que fosse de mim, não que ela descobrisse assim. Eu nem sei como ela lembrou de algo que nem eu mesma lembrava.
Liz se sentou ao lado, segurando sua mão.
- Você está apaixonada por ela, não é?
Diana fechou os olhos, como se admitir fosse doloroso.
- Sim. E é isso que me destrói. Porque eu não posso negar o que sinto, mas também não posso fugir da verdade.
Liz a olhou firme.
- Então você precisa decidir: vai se esconder ou vai enfrentar?
Diana levantou o olhar, cheio de lágrimas.
- Eu não vou me esconder. Mesmo que isso faça Carol sofrer, eu não posso deixar que a memória do meu pai continue sendo enlameada. Eu preciso descobrir o que aconteceu de verdade.
Liz apertou sua mão com força.
- Mas e Carol?
Diana suspirou, o coração apertado.
- Eu não sei como chegar até ela. Não sei o que dizer. Só sei que não quero perdê-la... mas também não posso desistir da verdade.
Liz a abraçou, tentando transmitir segurança.
- Então vamos passo a passo. Primeiro, você precisa se fortalecer. Depois, encontrar uma forma de falar com ela. Mas não esquece: se você quer que Carol te escute, precisa mostrar que está lutando não contra ela, mas contra o passado.
Diana encostou a cabeça no ombro da amiga, exausta.
- Eu tenho medo, Liz. Medo de que, mesmo apaixonada, eu nunca consiga separar o que sinto do que aconteceu.
Liz acariciou seus cabelos, firme.
- O medo é normal. Mas se você não tentar, vai perder Carol sem nem lutar.
Enquanto isso, Carol caminhava de um lado para o outro no quarto, os olhos vermelhos, a respiração pesada. Alice a observava, tentando manter a calma diante da explosão da amiga.
- Você não entende, Alice! - Carol gritou, a voz embargada. - E se tudo isso for um jogo da Diana? E se ela só se aproximou de mim pra me destruir ainda mais?
Alice se levantou, firme.
- Não fala isso, Carol. Você não pode acusar sem saber. Ninguém sabe realmente o que ela veio fazer aqui.
Carol parou, os punhos cerrados, o corpo tremendo.
- Ela veio acabar com a minha vida! Mais do que o pai dela já fez! - gritou, antes de desabar em lágrimas.
Alice correu até ela e a envolveu num abraço apertado.
- Shhh... calma. Eu tô aqui.
Carol chorava sem forças, apoiada nos ombros da amiga.
- Eu não sei como falar disso com meus avós... nem com meu irmão. Eles vão chegar em alguns dias com a minha mãe... e eu não sei o que dizer.
Alice acariciou seus cabelos, tentando transmitir segurança.
- Então você precisa conversar com a Diana. Jogar tudo em pratos limpos.
Carol se afastou, os olhos cheios de raiva.
- Não existe relação em meio a mentiras, Alice! Eu não vou viver um inferno por alguém que mente e engana tão facilmente. Mas... eu preciso saber o que ela quer. Só assim vou saber o que fazer.
Alice a encarou com firmeza.
- Vocês estão no campo da suposição. Pode ser que Diana não queira vingança... pode ser que ela só queira descobrir a verdade.
Carol arregalou os olhos, incrédula.
- Que verdade? O pai dela matou o meu, essa é a verdade!
Alice respirou fundo e respondeu, sem hesitar:
- Certo. E quem matou o pai dela?
Carol abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. O silêncio que se seguiu foi mais pesado do que qualquer grito.
- Desculpa por falar isso Carol, mas, você mesmo disse que ele foi morto na prisão. Diana pode ter voltado pra descobrir algo relacionado a isso.
- Você acha mesmo isso? Alice... Que ela não veio por isso, por vingança?
- Carol, o que eu acho é que vocês devem conversar, não uma conversa qualquer, e sim esclarecer todas as questões, ela merece ser ouvida e você também precisa ouvir e ser ouvida.
- Fácil falar... Será que ela em algum momento pensou como eu me sentiria? Ou ela pensou que não fosse me contar ou que eu descobriria? Odeio mentiras, Alice, você sabe disso.
- Carol o que você faria se soubesse desde o inicio quem ela realmente é? Você daria a ela alguma chance de se aproximar? Vocês conversariam em algum momento?
- Virou defensora dela, agora?
- Não. Sou sua amiga e é meu dever te apoiar, te segurar, estar do teu lado sempre, mas, isso não quer dizer que eu não possa fazer você enxergar a verdade que está diante dos seus olhos.
- Odeio quando você tem razão...
Alice sorriu e abraçou a amiga.
- Deita, vem. Está cedo ainda e hoje teremos plantão no hospital, você precisa descansar um pouco.
Carol se deitou, mas o corpo não encontrava descanso. O coração batia acelerado, a mente rodava em círculos. Cada lembrança da noite voltava como uma ferida aberta: o beijo, o olhar, a cicatriz, a revelação.
- Eu não sei se consigo, Alice... - murmurou, virando-se para o lado. - Eu sinto raiva, dor, mas também sinto amor. E isso me destrói.
Alice acariciou seus cabelos, firme.
- Você não está sozinha. Mas precisa se preparar para enfrentar isso.
Carol fechou os olhos, as lágrimas escorrendo silenciosas.
- Eu me sinto enganada, usada... como se tudo fosse mentira.
Alice a abraçou, apertando-a contra o peito.
- Talvez não seja mentira, Carol. Talvez seja apenas uma verdade difícil demais de carregar.
Carol respirou fundo, mas não respondeu. O silêncio tomou conta do quarto, pesado, sufocante.
Alice a observou até que o choro se transformou em cansaço.
- Descansa, amiga. Amanhã será um dia longo.
Carol se deixou levar pelo peso da exaustão, mas o sono não trouxe paz. Apenas imagens confusas de Diana, misturadas ao rosto do pai e às lembranças do passado.
Naquele instante, Carol sabia: não poderia fugir para sempre. Mais cedo ou mais tarde, teria que encarar Diana - e a verdade que as unia e as separava ao mesmo tempo.
Fim do capítulo
OLá, desculpem a demora, culpem o meu trabalho...
Estou numa correria.... Se terminar hoje, eu posto o capitulo 27.
E comentem... adoro os comentário, se desejarem pode falar no instagram tbm....
Comentem... comentem... Pq isso alegra a escritora diante da correira que está a minha vida...
Comentar este capítulo:
Zanja45
Em: 07/02/2026
Alice foi demais, além de consolar a amiga, ainda foi capaz de se sensibilizar com Diana.
Dinha Lins
Em: 22/03/2026
Autora da história
Sim, a Alice é show...
[Faça o login para poder comentar]
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
Dinha Lins Em: 22/03/2026 Autora da história
Sim... sim... elas vão conversar...
Quanto a mãe e o irmão... (não joguem pedra na autora quando eles aparecerem)