Capitulo 35 – Cartas Seladas em Silêncio
Narrado por Seraphina
O castelo estava em silêncio naquela noite. O tipo de silêncio que grita. O tipo de silêncio que ecoa nos corredores e dilacera o peito. Sentei-me diante da minha escrivaninha, com a vela tremeluzindo sobre o papel ainda em branco. A pena entre meus dedos parecia pesada demais. Mas eu precisava escrever. Se não podia falar, então que minhas palavras voassem com a esperança de serem lidas por quem ainda dominava meus sonhos.
Respirei fundo. E escrevi.
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Carta secreta de Seraphina para Elara
“Elara,
O mundo acredita que sou forte. Que carrego um nome, um título, um trono… mas só você viu quem sou por dentro. Só você ouviu meu riso verdadeiro. Só você me fez chorar com a ausência.
Desde que partiu, minhas noites são longas e frias. Tento te apagar da minha pele, do meu corpo… mas não há banho, perfume ou toque que substitua o que só você me fez sentir.
Eu te vejo nos corredores, mesmo quando não está. Ouço sua risada quando o vento atravessa as janelas. E no espelho, vejo a sombra da mulher que fui quando você era minha.
Não posso prometer o impossível, Elara. O trono me pesa e o mundo espera de mim o que não sou. Mas há algo que ninguém pode arrancar:
Eu amo você.
E se amar for minha ruína, então deixarei que me destrua em silêncio.
Para sempre sua,
Seraphina.”
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Dobrei a carta com o cuidado de quem embala um coração. Guardei-a entre as páginas de um livro antigo, com a esperança de um dia ter coragem de entregá-la.
Mas o destino tem seus próprios caminhos.
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Narrado por Elara
A casa do conde era fria. As paredes douradas não escondiam o vazio. E mesmo cercada de luxo, o que me faltava era o que não se compra: o calor do olhar dela. O toque. O riso rouco depois de uma piada ruim. O prazer sagrado de adormecer em seus braços.
Escrevi a carta no fim de uma madrugada insone, sentada na janela do quarto onde fui colocada, encarando a lua como se ela fosse a única testemunha do meu pecado. Cada palavra foi uma lágrima.
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Carta secreta de Elara para Seraphina
“Minha princesa, minha Seraphina,
Se um dia esta carta te alcançar, saiba que cada letra carrega a dor e o amor que trago dentro de mim.
Tento ser a dama perfeita, a noiva digna, a mulher que esperam de mim. Mas a verdade é que ainda sou tua. Toda noite, ao fechar os olhos, revivo nossos momentos no riacho, teus sussurros, tua pele junto à minha.
Você me pediu para esquecer. Para ir. E eu fui. Mas deixei meu coração contigo, ainda batendo em teu nome.
Se ao menos eu pudesse voltar no tempo… Se pudesse te escolher sem medo…
Mas se não posso te ter neste mundo, então que meu amor te alcance como o vento: invisível, constante, eterno.
Com tudo o que sou,
Elara.”
Fim do capítulo
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