Capitulo 34 – A Despedida
Narrado por Elara
O amanhecer chegou envolto em névoa, como se até o céu hesitasse em me deixar partir. Me vesti em silêncio, os dedos trêmulos ao amarrar o espartilho que já não me parecia só uma peça de roupa — era uma prisão apertada contra meu peito, tentando conter um coração em desespero.
As malas já estavam prontas. A governanta se encarregara de supervisionar tudo. Eu partiria para conhecer a família do meu futuro marido. Uma visita que selaria os preparativos do casamento.
Mas como visitar uma nova vida quando a que eu queria ainda estava viva, respirando no mesmo palácio?
Desci as escadas em passos leves, como se temesse acordar memórias. Cada canto daquele lugar sussurrava o nome dela. Seraphina. Meu segredo, meu pecado, minha verdade mais dolorosa.
As criadas cochichavam. Algumas me lançavam olhares de pena, outras de inveja. Mal sabiam elas que eu não ia encontrar fortuna… estava indo me enterrar viva em um casamento sem amor.
No saguão principal, os cavalos já estavam prontos. O primo do conde sorria, gentil, e estendeu a mão para me ajudar a subir na carruagem.
Antes de aceitar, virei o rosto, buscando-a.
E lá estava ela.
No alto da escadaria de mármore, Seraphina observava. Vestia uma túnica cor de vinho que a deixava ainda mais deslumbrante, mas seu rosto era uma máscara de dor contida. Ninguém mais via, mas eu via. Porque eu a conhecia. Porque meu coração conhecia o dela.
Nossos olhos se encontraram.
E naquele segundo, o mundo parou.
Foi um adeus mudo. Uma confissão que não pôde ser dita.
Não havia mais palavras. Já tínhamos dito tudo com nossos corpos. Já tínhamos se amado com o desespero de quem sabia que o fim era inevitável.
Dei um passo em direção à carruagem.
Ela não se moveu.
Mas seus olhos brilharam.
Ela lutava contra as lágrimas.
E então eu sorri.
Foi um sorriso triste, quebrado…
Mas era tudo que eu podia dar.
A porta se fechou. A carruagem partiu.
E com ela, deixei para trás o meu coração.
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Narrado por Seraphina
Fiquei parada ali até a carruagem desaparecer na curva da estrada. Meu corpo tremia, mas eu mantinha a postura. O rei assistia do outro lado do salão, satisfeito com os planos que avançavam.
Eles não sabiam. Mas ela era minha. E agora, não era mais.
Voltei para meu quarto. Não jantei. Não falei com ninguém.
Deitei sobre os lençóis frios, me abraçando como se minhas mãos pudessem preencher o vazio que Elara deixou.
Eu desejei correr atrás. Gritar seu nome. Dizer ao mundo que a amava.
Mas era tarde demais.
A princesa ficou.
A mulher que amava partiu.
Fim do capítulo
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Zanja45
Em: 08/02/2026
Casar apenas porque não tinha como recusar, era muito doloroso para a mulher. Ainda mais quando já estava envolvida num amor proibido. No entanto a princípio ela fora apenas conhecer a família do primo do conde. Todavia já deixou o coração de Seraphina sangrando por não poder dar vazão ao que ela sente.
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