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A SOMBRA DO QUE JURAMOS por Alkssa45

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Palavras: 663
Acessos: 108   |  Postado em: 02/02/2026

Capitulo 16 REALIDADE VERSUS DEVANEIOS

   A auditoria externa avançava em ritmo metódico, mas incompleto.

Planilhas, relatórios, reuniões marcadas, reprogramadas — tudo ainda aguardava a contratação de profissionais renomados que pudessem assegurar um trabalho impecável. Um período de espera que, curiosamente, abriu espaço para algo menos controlável: pensamentos que escapavam do foco técnico e invadiam o cotidiano.s

 

Na copa, o barulho baixo da cafeteira preenchia o espaço enquanto Veridiana falava, quase distraída, mas com um brilho impossível de disfarçar nos olhos. Amélia a escutava com atenção excessiva para um assunto que, em tese, era apenas comentário casual.

— A Beatriz tem um jeito… — Veridiana começou, apoiando o quadril no balcão. — Não é nada escancarado, sabe? É o conjunto.

Ela fez uma pausa curta, como quem revive a cena.

O olhar que Beatriz lançava por cima do ombro, a mordida leve no lábio inferior quando estava concentrada demais para fingir indiferença. E aquele rebol*do provocativo ao caminhar — natural demais para ser ensaiado, consciente demais para ser inocente.

Veridiana sorriu. Um sorriso despretensioso, desses que denunciam prazer antes mesmo da palavra.

— Ela sabe da sensualidade que tem — continuou. — Não precisa exagerar. É isso que mais desarma.

Amélia sentiu o impacto antes de perceber. O café na mão esfriava enquanto sua mente desenhava imagens que não deveria. Tentou encarnar a advogada segura, a mulher que controla o ambiente. Ajustou os óculos, respirou fundo.

Mas era evidente: sempre que Veridiana falava de Beatriz daquele jeito — com admiração silenciosa e desejo mal disfarçado — algo saía do lugar dentro dela.

Os olhos de Amélia acompanharam Veridiana quando a arquiteta se afastou alguns passos, o movimento solto do corpo ocupando o espaço com uma confiança tranquila. Não era para provocar… mas provocava.

Por um instante breve, quase imperceptível, as duas ficaram em silêncio.

E naquele intervalo, permitiram-se sonhar — não como quem faz planos, mas como quem aceita, ainda que por segundos, a possibilidade.

A presidente tentou manter a compostura. Endireitou os ombros, cruzou os braços, buscou o tom neutro que dominava com perfeição em salas de reunião. Mas era inútil. Sempre que a arquiteta entrava, Amélia saía levemente do próprio eixo — e já não podia mais ignorar.

— O relatório estrutural precisa ser finalizado — disse Veridiana. — Mas ainda não temos a equipe completa.

Amélia assentiu, demorando um segundo a mais do que deveria.

— A busca por profissionais de renome é essencial — respondeu. — Não podemos repetir o erro do Guilherme.

O nome caiu no ar com peso.

Guilherme, o gestor técnico que acreditou demais na própria autonomia, deixando brechas que poderiam custar caro à empresa, ainda era lembrança viva. A auditoria identificara falhas que não podiam se repetir, e o cuidado com os próximos passos precisava ser absoluto.

— Sempre acham que ninguém percebe — comentou Veridiana, sem julgamento explícito. — Aqui, não mais.

Um silêncio se fez, breve e pesado. Um intervalo onde sonhos tímidos se insinuaram. Nada dito. Tudo sentido.

Em outro ponto da cidade, Laura girava lentamente a taça de vinho entre os dedos enquanto escutava Beatriz falar — ou melhor, rir — de um plano nada discreto.

— Eu ainda vou agarrar a poderosa — disse Laura, entre risos, como quem testa a ideia no ar.

Beatriz arqueou a sobrancelha, divertidamente alarmada.

— Não me dá ideia… aquela advogada me deixa sem chão.

O riso das duas se misturou ao tilintar das taças. Laura parecia prestes a se perder em pensamentos quando Beatriz, ousada, inclinou-se levemente em sua direção, brilho provocador nos olhos.

— Por que você não chama ela pra vir aqui, no seu apartamento?

Laura hesitou. O sorriso suavizou, ganhou cautela.

— Eu não tô pronta.

Beatriz deu de ombros, confiante demais para recuar.

— Então deixa comigo. Eu seduzo a advogada.

As duas brindaram, cúmplices. O vinho desceu devagar, aquecendo mais do que o corpo — aquecendo possibilidades. Nada ali era promessa concreta, mas tudo era expectativa. E, por ora, isso bastava.

 

Fim do capítulo


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